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Coluna do Dia: Os camisas negras do PT fazem mais uma vítima – Acorda, menina!

31/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Acorda, menina! Acorda antes que seja tarde! Antes que o direito individual violado seja o seu. Antes que a liberdade subjugada seja a sua.

Tenho certeza que todos já sabem a última façanha dos – como é mesmo que Lula dizia? – “aloprados” do PT. Aquela turma que se aboletou na Receita Federal para servir ao Partido, mostrou mais uma vez que os direitos e garantias constitucionais não querem dizer absolutamente nada pra eles. Mais um punhado de tucanos teve seu sigilo fiscal quebrado pelos camisas negras do PT, sempre prontos a mostrar que o Estado é deles.

Mas e daí? Esses tucanos são mesmo uns direitistas neoliberais, reacionários, preconceituosos e de olhos azuis, não é mesmo? Ou, como disse um conhecido meu, eleitor histórico de Lula e, atualmente, partidário de Dilma, “se eles reclamam, é porque têm alguma coisa a esconder.” Eis o abismo tenebroso no qual o país foi atirado por essa inversão de valores morais parida pelo lulo-petismo. Mas não pensem que vou defender os tucanos. Que nada! No Brasil lulista, já ficou claro que eles são indefensáveis – assim como qualquer outro que faça oposição ao “grande pai do povo”.

Os petistas, segundo sua lógica sociopata, estão travando uma guerra, não uma disputa democrática. E os opositores são, aos olhos deles, “inimigos”. E a morte de um “inimigo” não pode ser lamentada, não é mesmo? Mas e quanto aos civis inocentes?

Junto com os sigilos fiscais de meia-dúzia de tucanos, a Stasi de Lula também violou o sigilo de ninguém menos que Ana Maria Braga, que, suponho, deve ser uma perigosíssima espiã infiltrada pela direita burguesa na grande mídia. Acorda, menina!

Minha dúvida é: queriam vasculhar os dados fiscais da “mãe” do Louro José por quê? Vai ver ela é suspeita de trabalhar para o consórcio neoliberal formado por PSDB e DEM. Ou então o programa dela vem fazendo campanha negativa contra Dilma, principalmente quando prepara pratos à base de carne, e todo aquele sangue fica à mostra, na TV.

Nunca se sabe quando alguém vai ligar sangue ao passado terrorista de Dilma, não é mesmo? Ou, então, vai ver espionaram Ana Maria Braga pra chegar ao… Louro José! Sim, deve ser isso! Aquele papagaio de uma figa, todo pintado de verde e amarelo. Fica evidente que ele é contra o vermelho do PT.

Não se deixem enganar pela bizarrice do episódio. Nem pensem que de nada adianta apontar essas coisas diante das pesquisas eleitorais favoráveis a Dilma, a Lula e ao PT. Pouco me importa se faço parte daquele um por cento que insiste em não dobrar os joelhos para o apedeuta. Continuarei apontando cada pequena investida contra o sistema de liberdades democráticas, pelo menos enquanto ainda existir liberdade para fazê-lo.

É divertido ver o contorcionismo retórico que os petistas fazem no afã de negar o caráter evidentemente fascista do seu governo.

Percebam que estão presentes todos os pilares fundamentais: 1) o culto à pessoa do líder; 2) a ocupação do Estado e a condição de subserviência deste ante o Partido; 3) o apelo populista para conquistar as massas; 4) a subversão dos valores morais, paulatinamente substituídos pelos valores d’O Partido; e 5) a utilização despudorada dos recursos estatais para minar qualquer tipo de oposição ao regime. “Falta o uso da força!”, zurrarão os petistas. Sim, falta. Ainda! Dado o que temos hoje, é válido perguntar: o petismo não recorre à força contra “a direita preconceituosa e golpista” por que não quer? Ou por que (ainda) não pode?

Na esteira do que escrevi semana passada, façamos um rapidíssimo exercício de imaginação: e se fosse o DETRAN de São Paulo, governado pelo PSDB, que estivesse vasculhando as multas e crimes de trânsitos existentes em nome de Marta (Favre-Belisário-Wermus) Suplicy, de Netinho de Paula, ou da “neocompanheira” Mulher Pêra? O mundo já teria desabado sobre a cabeça de Serra, não? E com muita razão! O que custo a entender é: por que, quando se trata do PT, as coisas são vistas com mais – como direi? – “tolerância”?

Por que diabos, mesmo depois de oito anos no governo, os petistas ainda ostentam esse ar meio “café-com-leite”, que lhes permite transgredir regras que para os adversários são imperativas?

Nossa, é claro! Já sei por que Ana Maria Braga foi espionada ilegalmente pela Gestapo petista. É que a companheirada nunca perdoou o fato da apresentadora ter se apresentado na TV, na manhã seguinte à reeleição de Lula, vestindo preto da cabeça aos pés, em sinal de luto. É a tal busca contínua pela unanimidade. O desejo reiterado de destroçar todo e qualquer foco de resistência ao líder, ao Partido.

Falando tanto na contratada da Globo, lembrei de Regina Duarte, e do medo que ela disse sentir em 2002. E posso concluir com facilidade que o pior dos medos dela não chegava nem perto daquilo que os petistas vêm se mostrando capazes de fazer.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, escrevendo hoje excepcionalmente terça-feira é  editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

PSDB decide seus rumos de olho na sobrevivência

24/08/2010

Informa a Folha:

Preocupado com a queda do candidato José Serra nas pesquisas de opinião, o comando do PSDB já discute ajustes na campanha nacional e uma estratégia de sobrevivência da oposição em caso de derrota na corrida presidencial.

O partido apostará suas fichas na eleição de governadores de quatro Estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Além da correção de rumo para a Presidência, a cúpula tucana se reúne, amanhã em São Paulo, para discutir o futuro da campanha e o destino do partido.

Chamado a São Paulo a pretexto de gravar sua participação na propaganda de Serra, o ex-governador de Minas Aécio Neves tem encontro marcado com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Segundo tucanos, está prevista ainda a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na conversa. A assessoria de FHC afirma, porém, que ‘até o momento, não consta nada do tipo na agenda dele’.

Serra deve estar no Rio Grande do Norte amanhã, dia da reunião”.

É o PSDB de olho na sobrevivência da oposição no Brasil.

Pela democracia, seria saudável que ela sobrevivesse.

 

Crime sobe no regime chavista

21/08/2010

Informa o Portal Globo. com:

“Um dia depois de um tribunal de Caracas ter revertido parcialmente uma medida preventiva que proibia os jornais do país de publicar fotos que retratassem violência, uma pesquisa encomendada pelo governo venezuelano veio a público, confirmando que a insegurança no país é crescente.

De acordo com os dados apresentados pelo estudo, realizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Estatística do país, 19.133 pessoas foram assassinadas na Venezuela em 2009, um número alto para um país de 28 milhões de pessoas.

Desses homicídios, cerca de 80% foram cometidos com armas de fogo. Os números indicam também que, no ano passado, um venezuelano foi morto a cada 27 minutos”.

O governo Hugo Chávez é mesmo um sucesso.

Digo e repito: O governo venezuelano é semi-ditatorial, autoritário, personalista, opressor, censurador e ineficiente.

Qualquer avanço social atingido é elogiável mas não justifica nem um pouco os equívocos enormes do regime.

Na realidade a Venezuela precisa de uma alternativa democrática, que olhe pelo social, mas que respeite as liberdades individuais e as regras básicas da política econômica.

Os venezuelanos precisam buscar essa alternativa, criá-la se for preciso e não perdoar Chávez pelas arbitrariedades apenas por terem sido governados por uma oligarquia cleptocrática antes da eleição dele.

 

Coluna do dia: Imagine

20/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Imaginem um presidente brasileiro conservador. Aliás, mais do que isso: imaginem um presidente de extrema-direita. Sim, eu sei que não é fácil, afinal o Brasil está acostumado a ter há décadas, uma disputa entre as várias matizes da esquerda, sem que haja um representante sequer da direita.

Mas, ainda assim, peço um esforço a vocês. Tentem imaginar, apenas por um momento, que o Brasil tem um presidente extremista de direita. Feito isso, imaginem que o sujeito tenha escrito uma carta mais ou menos nos seguintes termos:

“Queridas Companheiras e Companheiros

Há 20 anos, 42 partidos e movimentos conservadores da América Latina e do Caribe reuniram-se em São Paulo – convidados por nós – para um Encontro sem precedentes na recente história política de nosso Continente.

Nascia o que um anos depois, no México, seria chamado de Foro de São Paulo.

Vivíamos tempos difíceis no início dos anos noventa.

Em muitos países começava a ganhar força um discurso radical de esquerda, alimentado por líderes oposicionistas carismáticos, como Lula da Silva e Hugo Chávez, inspirados no exemplo do tirano homicida chamado Fidel Castro. Esses caudilhos ameaçavam as democracias vigorosas e dificultavam a luta dos trabalhadores.

Pairava sobre nosso Continente a ameaça de um novo espectro comunista.

(…) A predominância dessas idéias de extrema-esquerda, era reforçada pela profunda crise das referências tradicionais da direita radical. Suas políticas não permitiam explicar a realidade mundial mas, sobretudo, mobilizar as grandes massas.

A reunião de São Paulo e tantas outras que se seguiram nestes 20 anos tiveram como mérito fundamental criar um espaço democrático de conhecimento e de discussão das extremas-direitas. Esse espaço não existia, muitas vezes, nem mesmo em nossos países.

(…) Hoje, nossa região vive uma situação radicalmente diferente daquela de vinte anos atrás. Muitos dos que nos encontramos no passado nas reuniões do Foro de São Paulo como forças de oposição, hoje somos Governo e estamos desenvolvendo importantes mudanças em nossos países e na região como um todo.

(…) Uns poucos tentam caracterizar o Foro de São Paulo como uma organização autoritária. É o velho discurso de uma esquerda que foi apeada do poder pela vontade popular. Não se conformam com a democracia de que se dizem falsamente partidários.

A contribuição de meu partido e outros partidos de extrema-direita do Brasil para esta nova realidade do Continente é de todos conhecida.

(…) O Brasil mudou e vai continuar mudando nos próximos anos.

Mudou junto com seus países irmãos do Continente.

Mudou como está mudando a Argentina que agora acolhe mais este encontro do Foro de São Paulo.

Recebam, queridos amigos, o abraço do seu irmão e companheiro”

Continuando o nosso exercício de imaginação, considerem que os destinatários da carta acima, assinada pelo presidente brasileiro de extrema-direita, sejam integrantes de partidos com inspiração em Mussolini, Pinochet, Franco, bem como em herdeiros políticos dos militares que governaram Brasil e Argentina durante décadas de ditadura. Imaginem, assim, que tais movimentos políticos sejam as forças políticas integrantes do tal Foro de São Paulo.

Ah, quase esqueci! Considerem também que, além dos movimentos políticos acima mencionados, essa entidade representativa das extremas-direitas da América Latina contasse, ainda, com a participação de um grupo paramilitar, conhecido internacionalmente por sequestrar, torturar, estuprar, matar e traficar drogas.

Como a opinião pública reagiria diante de semelhante organismo internacional? O que diriam a OAB, a CUT, o MST e a CNBB? Qual seria o posicionamento da imprensa e dos intelectuais brasileiros a respeito? Como se comportaria a academia brasileira? Gente como Emir Sader, Marilena Chauí, Maria da Conceição Tavares, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim diriam o quê?

Ora, não é difícil concluir que o mundo desabaria sobre a cabeça do tal presidente brasileiro de extrema-direita, não é mesmo? E com razão! Um fórum com clara inspiração fascista e totalitária, formado por movimentos cujo ideário descende de tiranias assassinas, não mereceria mesmo respeito algum! Vou além: não mereceria sequer existir! A democracia não pode, por amor aos seus princípios, tolerar a existência daqueles que, se pudessem, os destruiriam.

Agora, diante de tudo o que vai acima, considerem que o tal Foro de São Paulo realmente existe, e que não é apenas fruto de um exercício de imaginação proposto por mim. Considerem ainda que ele realmente é composto por partidos e movimentos políticos de inspiração ditatorial, e que tem entre seus membros um grupo paramilitar como o descrito ao alto. Mas atentem para o seguinte: considerem que ele não é de extrema-direita, mas de esquerda.

O que custo a entender, o que não me parece nada lógico, é o seguinte: por que repudiamos – acertadamente, diga-se! – um Foro de São Paulo de extrema-direita, mas aceitamos um de extrema-esquerda? Por que seria escandaloso um presidente brasileiro mantendo relações com partidos inspirados em Mussolini e Franco, mas não causa escândalo algum ver Lula sentando à mesa com gente que se espelha em Stalin e Mao Tse-Tung? Por que seria inadmissível ver o governante do país chamando um grupo paramilitar de direita de “companheiro”, mas é aceitável que o presidente atual derrame abertamente seu amor pelas FARC?

Que deturpação descabida de valores morais é essa, capaz de nos levar a rejeitar o nazismo e o fascismo, ao mesmo tempo em que ainda nos faz parecer aceitável conviver com o socialismo e com o comunismo? Se concordamos todos em rejeitar uma das faces do horror, por que não concordamos também em rejeitar o horror por inteiro? Por que o totalitarismo de esquerda é tolerado no Brasil, a ponto de termos no poder um presidente que mantém relação pessoal de amizade com Fidel Castro? Por que o “terrorismo progressista” é tolerado no Brasil, a ponto de termos um presidente que se senta à mesa com as FARC?

Ou, para colocar as coisas de uma outra forma, a ponto de termos uma candidata que militou em grupos paramilitares, aqui mesmo no Brasil, com grandes chances de se tornar presidente?

Esta é, enfim, a curiosidade antropológica que mais me instiga no momento presente. Sei que o povo mais pobre, aquele sustentado pela bolsa-esmola oficial, não dá a menor importância para escolhas políticas e ideológicas. Escolheria um tirano (de esquerda ou de direita, tanto faz), se este garantisse o saldo do cartãozinho de benefício social ad eternum. Mas e a porção “pensante” do país? E a academia? E o jornalismo? Por que ainda há gente que não se escandaliza ao perceber que o principal partido do Brasil – assim como o principal líder político da atualidade – tem, sim, bandidos de estimação?

Não me assusta que o PT tente esconder o Foro de São Paulo, ou, por vias oblíquas, diminuir a importância dele. Não me assusta que marqueteiros de plantão se ocupem em fazer apenas a tal “campanha positiva”, exaltando até aquilo que nunca foi feito. Isso é do jogo. O que me assusta é notar que o mesmo país capaz de se escandalizar com o Fiat Elba de Collor, com os dólares de Roseana ou com a cueca daquele petista, não veja nada de errado em uma carta na qual Lula confessa sua relação direta (e antiga!) com a escória da América Latina.

Temos, assim, a prova de que o terror foi relativizado, criando-se, assim, o terrorismo – e o totalitarismo – “do bem”. Como é pra ajudar “ozoprimido”, na tentativa de construir o tal “outro mundo possível”, então tá tudo certo.

Em qualquer sociedade minimamente civilizada, aquela carta de Lula seria motivo para “impeachment”. Entraria para a história como “a carta testamento” do petista: aquilo que acabou com sua presidência e com as chances do seu partido de continuar no governo. Mas o Brasil atual, de civilizado, tem muito pouco.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Começa a propaganda eleitoral na televisão: Dilma se sai melhor

18/08/2010

O horário político em todos os canais abertos da nação está de volta, como sempre faz de dois em dois anos.

Embora a audiência dos canais pagos tenha aumentado, reduzindo o número de espectadores da propaganda eleitoral, ela ainda é a maior fonte de informação para decisão do voto.

Sendo assim, os candidatos, principalmente os majoritários, precisam produzir seus programas com muito carinho, tendo escolhido os marqueteiros com muito cuidado.

Parece que a equipe de Marina Silva esqueceu isso tudo. Seus primeiros comerciais foram péssimos, com cara de documentário barato sobre meio ambiente. Ela veio nos contar “uma verdade inconveniente”.

Serra se saiu melhor, se dirigiu pessoalmente ao eleitor, olho no olho, mas não trouxe nada de novo se compararmos com as campanhas tucanas de 2002 e 2006. Falou muito de saúde, algo que pode funcionar, mas que tem, como os remédios, prazo de validade.

Dilma acertou mais. Mirou Lula e emoção, emoção e Lula, visando atingir o grosso do eleitorado. Fala mal para as câmeras, mas apresentar o que a maioria quer ver costuma funcionar na democracia.

2º coluna do dia: Debate televisivo – a Era Jurássica da democracia

13/08/2010

*Por Felipe Liberal

O debate televisivo é a pior forma de se avaliar um candidato, principalmente pela formalidade, frieza e artificialidade dos argumentos e ideias. Tudo que acontece ali, nada tem a ver com o que vai acontecer depois das eleições e depois da posse. É um mero ritual macabro que está cristalizado nas entranhas da nossa perdida democracia.

As discussões pós-debate são: quem gaguejou mais? Quem sorriu mais? Quem estava mais nervoso? Isso é um absurdo. É o resultado de um sistema eleitoral e democrático falido e ultrapassado onde até os jornalistas e colunistas seguem a tendência jurássica atual.

Nem Serra, nem Dilma, nem Marina e nem Plínio apresentaram nada que prestasse diante das câmeras. Os três principais falaram tudo que um lulista quer ouvir: manutenção dos programas sociais, zero privatização e a famosa declaração de amor aos pobres e sofridos desse país. Mas por que dizem que Plínio ganhou o debate? Simplesmente porque ele rompeu com a formalidade, frieza e artificialidade históricas dos debates televisivos. Ele foi o que pareceu mais com o que chamamos de sinceridade. Talvez esse seja o problema central da política brasileira: a sinceridade só aparece quando não precisamos dela. Quem precisa de Plínio, ele não vai ganhar mesmo?

O debate tem que existir, mas não dessa forma pitoresca e burra. Tem que existir o combate de ideias, mas não da maneira repetitiva que é hoje.

Portanto, colunistas, sejam mais hábeis nos seus argumentos. Procurem mudança de mentalidade nos surrados leitores e eleitores brasileiros. Tentem ser uma ponta de esperança nesse mar negro que é a Vida. Ninguém aguenta análises políticas frias e superficiais como são os debates. A partir do momento que nos igualamos aos próprios políticos, nos tornamos um parafuso da engrenagem diabólica que é o nosso sistema eleitoral brasileiro.

Que a Democracia esteja com vocês!

*Felipe Liberal excepcionalmente escrevendo em uma sexta, é colunista do Perspectiva às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: O grande perdedor do debate? É você, eleitor

10/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Querem uma opinião isenta, objetiva e sem paixões sobre o debate da Band? Tenho essa: Plínio precisa urgentemente de um neto que o impeça de aparece em rede nacional defendendo ideias que, de tão velhas, provavelmente têm a idade dele. Gostaram? Bom, se não gostaram tenho outra opinião: Marina deve entender – e rápido! – que o discurso do oprimido que “passou dificuldades na vida” só funciona co Lula. Tá boa essa? Não?! Bom, então mais uma: Dilma precisa desistir desse negócio de participar de debate. E precisa, também, contratar uma fonoaudióloga. Esta última providência, aliás, é a mais urgente!

O debate promovido pela Band foi morno, sem graça e pouco – ou quase nada – decisivo. A culpa é do formato rígido criado pela justiça eleitoral, que tratou de transformar disputas políticas em meros embates numéricos. Ganha aquele que tiver os melhores números para apresentar (não necessariamente verdadeiros…), e que souber aliar isso a uma desenvoltura minimamente aceitável. Não dá, por exemplo, para tentar defender o governo Lula, tido pelos petistas como o mais perfeitamente maravilhoso e eficiente da história do mundo gaguejando a cada três palavras, como fez a ex-terrorista.

Não houve um candidato que dominasse o debate. Considero que Serra “venceu por pontos”, pois foi inegavelmente mais claro em suas falas, além de ter demonstrado que consegue, com muito mais propriedade que os demais, se ajustar às regras do programa televisivo. Obviamente que isso é devido à maior experiência eleitoral de Serra: quem participou de mais debates, se sai melhor do que quem nunca antes participou de um.

Marina foi uma decepção. Mostrou que não tem programa – só “bandeiras”- o que é algo muito grave, afinal ela está há algum tempo fora de qualquer cargo, só preparando sua candidatura. Além disso, em que pese a falta geral de encanto dos candidatos desta eleição, o rosto e a voz de Marina são espantosamente ruins diante das câmeras. Isso é algo que ela provavelmente vai trabalhar, não apenas para os próximos debates, mas para as próximas eleições.

Plínio, dizem, foi a “sensação” do debate. Não concordo. Ele agiu como um legítimo wild card, ou seja, como alguém que está lá sabendo que é “café-com-leite”. O socialista sabe que não tem nenhuma chance de vencer, por isso sente-se livre para não apresentar nada de concreto. Pôde gastar todo o tempo que lhe foi dado para fazer algumas piadas, elaborar um punhado de ironias muito bem aplicadas e, principalmente, desfilar uma infinidade de clichês esquerdistas que não suportam 30 segundos de confronto com a lógica. Eu, por exemplo, não entendo por que ninguém perguntou a Plínio como diabos ele pretende limitar todas as propriedades. No papo, ou na bala mesmo?

Dilma foi a que mais surpreendeu negativamente. Até eu, que sou um “porco direitista, reacionário, conservador, preconceituoso” que voto em Serra, nunca pensei que a ex-terrorista fosse tão despreparada para o exercício do contraditório. Francamente, não há nem o que discutir: Dilma se atrapalhou para dar “boa noite”, logo no início do programa. Sem falar que estourou praticamente todos os tempos que teve. Sempre imaginei que ela não era boa de debate, mas nunca pensei que fosse assim tão péssima! De resto, a fala de Marta Suplicy(-Favre-Belisário-Wermus), companheira de Dilma, resume tudo: “Tanta preparação pra isso?!” Pois é… Quando alguém como Marta, capaz de tomar uma descompostura de ninguém menos que Paulo Maluf, reclama do desempenho de alguém num debate, é porque a coisa foi feia mesmo.

Mas, aos meus olhos, o grande derrotado do debate da Band foi mesmo o formato ridículo que nasceu a partir das infindáveis normas impostas pela justiça eleitoral, a começar pela imposição de convidar vários candidatos, não apenas os principais. Por que diabos um sujeito velho como Fidel Castro – na idade e nas ideias – deveria ter o mesmo espaço que os dois favoritos, Serra e Dilma? Ora, não sejamos politicamente corretos. Vamos aos fatos: Plínio não é igual aos dois principais candidatos. Logo, não deve ser tratado como eles, pois isso não é… democrático!

E o que dizer dessa limitação absurda de tempo? Marina vem pergunta: “Serra, como você vai resolver o problema da saúde pública?” Aí o mediador se vira pro tucano e avisa: “Dois minutos, candidato.” Dois minutos?! Pra falar sobre saúde pública?! Seria preciso uma semana… É um formato vencido, que não engrandece em nada a democracia. A grande vantagem de um debate eleitoral é ver os candidatos partindo pra cima, atacando, na esperança de nocautear o oponente. Do jeito que é hoje, eles são todos estimulados a jogar na retranca, esperando um erro do adversário, coisa que, com o batalhão de assessores que cerca cada um, se torna praticamente impossível.

Debates bons eram os de antigamente, quando Brizola chamava Maluf de “filhote da ditadura”, e este respondia dizendo que o pedetista não havia estudado o suficiente, sem apalear para chicanas ridículas como o tal “direito de resposta”. Ou quando Lula acusava Collor de ser um Pinóquio, e o alagoano respondia chamando o petisa de analfabeto. E ninguém ousava se meter no duelo, que era travado livremente por dois políticos. Sem falar que o povo adorava isso! E ainda adora. Acho engraçados esses marqueteiros de agora, que não querem discutir política ou ideologia por medo das tais ofensas pessoais (as baixarias). Ué, mas nós adoramos isso! Não fosse assim, as novelas não teriam tanta audiência.

Enquanto as regras engessadas que regem os debates brasileiros não forem flexibilizadas, continuaremos vendo duelos de gerentões, cada um esgrimindo números ao seu bel prazer, sem que seja possível, sequer, contradizer aqueles que mentem de forma deliberada. Nunca mais poderemos ver uma cena épica como a do debate entre Montoro e Quadros, onde este aplicou aquele que, a meu ver, é o maior golpe de mestre da história dos debates televisivos brasileiros. Procurem o vídeo no YouTube, está lá. Aquilo era política. O que temos hoje é algo mais chato do que campeonato juvenil de curling.

*Yashá Gallazzi ,escrevendo excepcionalmente nesta terça é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: O Brasil de Lula e os novos aliados democratas

09/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Segundo Lula, o Irã é uma democracia. Talvez baseando-se no mesmo raciocínio torpe usado pelo nosso Presidente, muitos partidários de Lula acham o mesmo. Afinal, para esse pessoal, basta que um País tenha eleições para que seja considerado “uma democracia”.

Assim, também são consideradas “democracias”, várias nações africanas com governos totalmente ditatoriais e lunáticos sanguinários exercendo o poder com mão de ferro e espadas (ou baionetas, para sermos mais modernos) banhadas no sangue de seu próprio povo.

Longe de querer explicar aqui o que é uma democracia real, indico apenas um dos elementos que servem para determinar se um País é democrático ou não: a proteção do cidadão contra o Estado.

É esse, não a realização de eleições, o principal ponto que define um País como democracia. Afinal de contas, não há poder maior numa nação do que o poder do Estado. A máquina estatal é usada em regimes autoritários e ditatoriais para suprimir a vontade do cidadão e curvá-la perante a vontade do governo regente. Quando uma nação protege o cidadão comum contra a mão pesada do Estado, ela dá garantias de que esse mesmo indivíduo jamais será molestado ou usado como “exemplo” por quem quer que esteja no poder em determinado momento.

Mesmo que a política internacional seja repleta de detalhes intrincados, interesses ocultos e as mais diversas nuances, uma coisa que não muda nunca, quando países travam relações mútuas é a pergunta base que fazem antes de iniciar quaisquer conversações: “O que a outra nação tem a nos oferecer?”

Aqui, entenda bem, não está referido o povo que habita determinado pedaço do planeta. Nesta pergunta estão encerrados os interesses de um Estado em relação a outro. Assim, grosso modo, podemos definir essa “vontade inicial” como a troca de vantagens que podem beneficiar ambas as partes. Seja a cooperação comercial, militar, técnica ou política.

E a pergunta base, em relação aos nossos novos amigos conquistados pelo governo Lula é: Quais vantagens eles podem nos trazer?

Em minha opinião, praticamente nenhuma. Afinal de contas, nosso comércio com Irã e alguns países africanos sempre foi insignificante e, mesmo que haja um fomento momentâneo, os problemas advindos dessas parcerias podem nos trazer muito mais problemas do que soluções. O Irã foi um bom exemplo disso. Enquanto assinamos acordos de cooperação nuclear com o Irã, iniciamos o financiamento das exportações prometidas no tratado e, com a publicação das sanções da ONU, todo comércio com o país foi proibido (exceto alimentos e materiais comumente usados para as necessidades da população em relação à saúde, por exemplo).

Além disso, o desgaste internacional só aumenta e a visão de que passamos a ser um país intimamente ligado a esses governos totalitários prejudica a nossa imagem de nação progressista e democrática.

Transportando esse exemplo para o nível de um único ser humano, seria algo como ter amigos que fossem brigões de rua e assassinos que se orgulhassem de seus crimes e vivessem gritando isso aos quatro ventos. Você, por mais ligado a eles que fosse, se sentiria confortável com isso?

Mesmo que você ache que eu estou “pegando pesado”, responda de forma sincera se você se sente confortável com uma relação tão próxima – eu diria mesmo “bajulativa” – com uma nação que condena uma mulher a morrer apedrejada porque ela “cometeu adultério” ao relacionar-se com um homem APÓS A MORTE DE SEU MARIDO?

Você se sente confortável e aprova chamar de democratas um bando de homens que determina a essa mulher a impossibilidade de defender-se das acusações? Sim. Pois o seu advogado viu-se obrigado a fugir para a Noruega ao ter a sua vida e a sua família ameaçadas por esse “Estado democrático” que apoiamos cegamente.

Além disso, você se sente bem ao saber que esse mesmo Estado está para executar um jovem de 18 anos pelo terrível crime de ser homossexual? O mais dramático no caso é que sequer foram encontradas provas de que o rapaz seja mesmo um homossexual. A condenação baseia-se simplesmente num “preceito muito democrático” da lei iraniana chamado “conhecimentos do juiz”, um mecanismo legal que permite que autoridades judiciárias emitam sentenças em casos em que não há evidências conclusivas.

Ou seja, não há provas ou testemunhas. Mas, o juiz te olha e diz: “Você é culpado”.

Pronto. Basta isso para que você seja condenado à morte e executado rapidamente.

Esses são os “democratas” que acompanham o Brasil atualmente e que são abraçados como nossos novos “irmãos” ideológicos na luta contra “o Grande Satã”.

Com vocês um poema que ilustra muito bem o que vem acontecendo em nosso País em nome de uma melhoria econômica que é frágil e que – em longo prazo – está ameaçada pelos próprios elementos que a mantém artificialmente nesse momento:

“Na primeira noite, eles chegam mansamente

e roubam uma flor do nosso jardim.

E nós não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem.

Pisam nas flores de nosso jardim, batem em nosso cão

e nós, mais uma vez, não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles entra em nossas casas,

violenta a nossa família, bate em nossas crianças

e arranca-nos a voz da garganta.

E nós, mais uma vez, não podemos falar nada,

porque já não temos voz….”

Eduardo Alves da Costa

(e não Maiakoviski)

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Perspectiva preenche lacuna de espaço para debate democrático na internet

19/07/2010

Informa a Folha:

“A promessa política da internet não se realizou, afirma Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP. Safatle é autor de estudos sobre uso da internet nas eleições de 2006 e 2008, feitos em parceria com Marcelo Coutinho, professor da FGV e especialista em internet e política.

Desde que surgiu, a rede mundial de computadores trouxe a esperança de que revitalizaria o debate político público e serviria como espaço de discussão de ideias.

Segundo Safatle, a internet não se configurou como espaço de diálogo, como muitos esperavam, mas de radicalismos exacerbados.

‘A internet está mais para grande espaço fragmentado de posições, onde cada território está ocupado por opiniões muito bem definidas e que não entram em contato com ideias diferentes. Manifestações dissonantes são reprimidas ou ignoradas.’”

A reportagem pinta um quadro que retrata a mais pura verdade a respeito da blogosfera política: Os blogs seguem, em sua maioria, a linha ideológica de seus autores, recebendo aplausos daqueles que concordam com as ideias expressas e sendo rejeitados por uma patrulha formada pelos que discordam.

Não há debate democrático de ideais. Discussão franca de valores então, nem pensar. No que diz respeito às questões polêmicas, não há uma conversa entre blogueiros e leitores, há imposição por parte do blogueiro e aprovação ou rejeição por parte dos leitores.

Resultado prático: Os blogs políticos acabaram por seguir o modelo dos jornais, modificada apenas a escala. O blogueiro se comporta como emissor e os leitores como receptores. Não há a interação sadia que deveria ser estimulada na internet e que existe na rede em outras áreas do conhecimento.

E por que faço aqui este manifesto? Por que desde o início do Perspectiva tive como proposta representar exatamente este espaço democrático, preencher justamente esta lacuna. De tempos em tempos me dirijo ao leitor defendendo estes valores e expressando que a essência do blog é o debate democrático, sensato, justo e independente.

Uns duvidam, dizendo que não há imparcialidade ou isenção. Para esses respondo que concordo, contudo, lembro que o Perspectiva abre espaço para as ideias de seu próprio autor e para as ideias dissonantes. Dificilmente se é totalmente democrático dentro de um corpo só, mas é possível atingir um nível de democracia razoável no sistema inteiro.

E é isso que é feito aqui. Colunistas dos mais diversos matizes ideológicos se dirigem aos leitores e não são censurados. Leitores com as mais diferentes ideias e posições postam seus comentários e só têm suas palavras de baixo calão removidas.

Quando a patrulha de um lado ou de outro começa a agir é completamente desmoralizada por conta da exibição, nos dias seguintes, de pontos de vista diferentes, além da recepção educada e polida, e não raivosa.

Fiquei muito feliz quando, no aniversário de um ano do Perspectiva, o elogio unânime de colunistas e leitores era o que se referia ao espaço democrático e de debate franco que o Perspectiva representava, sem repressão, sem imposição, sem censura.

Espero que o elogio continue valendo e farei de tudo para que o Perspectiva seja, cada vez mais, reconhecido na blogosfera político como plural. O reconhecimento atual, com certeza, já é fruto deste posicionamento.

Portanto, podemos dizer que, se por um lado uma andorinha só não faz verão, por outro, o Perspectiva está aqui para ser local virtual de debate aberto sem radicalismos.

O Perspectiva é um só, mas as perspectivas são muitas.

Coluna do dia: Sanções internacionais – Por quê?

17/06/2010

Por Felipe Liberal*

Eu odeio sanções. Podem ser econômicas ou políticas, eu as odeio. Tudo parece óbvio neste maldito planeta. É sempre a mesma coisa: sanções contra o Irã, Cuba e Coreia do Norte. Vindas de quem? Principalmente dos EUA. Eles, de fato, conseguem evitar que a evolução da História continue.

Quando vamos conseguir separar o sistema político adotado pelos iranianos, cubanos e coreanos do seu povo? Quando vamos entender que sanções só servem para prejudicar seres humanos que não tem nada a ver com interesses estúpidos e infinitos de alguns países? Até quando vamos suportar que cinco países decidam quem merece sofrer ou não?

Eu discordo de muita coisa que acontece nesses três “malditos” países, como também discordo de muita coisa que acontece nos EUA, Inglaterra e China, por exemplo. Nem por isso esses últimos mereceram ou merecem sanções por parte da ONU. Parece óbvio.

O Irã é totalitário? Sim. Mas a China também é. Cuba faz prisioneiros injustamente? Sim. Os EUA também fazem (vide Guantánamo e a “desativada” Abu Ghraib). A Coreia do Norte restringe a liberdade de informação? Sim. Mas todos os países europeus também fazem, inclusive comprando jornalistas e blogs (vide Yoani Sanchéz).

Então você deve estar se perguntando: portanto todos merecem sanções, né? Não. Discordaria totalmente de você. As sanções são a pior maneira de se tentar um acordo. O sistema socialista cubano sobrevive desde 1959 com fortes sanções estadunidenses, nem por isso a ilha cedeu ou aceitou as exigências internacionais. A Coreia do Norte passa pela mesma coisa, sofre sérios embargos dos países europeus e até asiáticos, na própria vizinhança, e nem por isso desistiu do seu isolamento exagerado.

Não é com o “big Stick” que as coisas se resolvem. Agressão gera agressividade. Até quando vamos conseguir ficar sem entender isso? Não podemos gerar paz com guerra. Não podemos construir um mundo melhor trazendo o que há de pior no ser humano, que é a raiva, a discórdia e a guerra.

A ONU é a maior farsa que o mundo já pôde ver. O organismo da paz é o maior gerador dos conflitos e problemas que temos hoje. Principalmente por ser comandada por países que precisam da guerra para sua própria sobrevivência, países sedentos por sangue e dinheiro. Meus caros, EUA, Inglaterra, China, Rússia e França querem tudo, menos a paz. Novamente parece óbvio.

E tudo isso só vai ser mudado, quando nós mudarmos também.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal