Por Yashá Gallazzi*
Esqueçam o FIAT descaradamente supervalorizado que Dilma declarou à justiça eleitoral. Isso é coisa pouca. O que me intriga mesmo, o que merece o interesse da sociedade brasileira é a quantia obscena de dinheiro vivo que a ex-terrorista disse ter em sua casa. De onde veio esse dinheiro? Como é possível que algo assim não seja notícia, nem desperte o interesse do País?
Os leitores conhecem Eike Batista, não é? Pra quem não sabe, ele é aquele sujeito cuja fortuna não foi suficiente para ajudá-lo a segurar a mulher: esta preferiu o bombeiro de setecentos reais por mês. Pois bem, o tal Eike Batista é tido como o homem mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo. Duvido que ele guarde em casa mais de R$ 110 mil em dinheiro vivo. Nem ele, nem Bill Gates, nem ninguém! Por que Dilma precisa de tanta grana assim à mão? Que dinheiro é esse?
Fossem outros tempos – uns 25 ou 30 anos atrás -, seria fácil adivinhar a origem da grana: provavelmente tudo seria fruto de alguma ação terrorista do grupelho ao qual Dilma (ou era Wanda?) pertencia. Quem sabe o resgate pago em razão do sequestro de algum figurão, ou ainda o produto de um assalto a banco. Mas hoje em dia, não. Hoje a moça é séria e abraça a democracia, não é mesmo? Sendo assim, permanecem as perguntas: de onde veio tanto dinheiro? Por que tê-lo em casa, ao alcance da mão? Com qual objetivo ele seria usado?
Eu sei que petistas não gostam de explicar a origem de dinheiro vivo, basta ver o frenesi que criaram em 2006, quando Alckmin perguntou a Lula de onde viera a grana dos “aloprados”. Essa turma que carrega o estandarte da redenção “dozoprimido” se acostumou apenas a julgar os demais. Não suportam estar na defensiva, pois entendem que fazer política é apenas um direito deles. Tudo isso é notório, mas, ainda assim, não resisti. Ao ver que os R$113 mil em dinheiro vivo que Dilma guarda em casa passaram desapercebidos pela tal “grande mídia golpista, preconceituosa e de direita”, resolvi eu mesmo dar uma de “golpista, preconceituoso e direitista”: faço questão de saber tudo sobre esse dinheiro!
Onde Dilma o guardava? Se ela vai presidir a nação, acho justo que a sociedade conheça seus hábitos. É importante saber se ela esconde R$ 113 mil reais no meio da roupa íntima, dentro do colchão ou ainda no fundo falso de alguma parede.
Eu adoro um exercício de imaginação. É divertido. Querem ver? Pois bem, imaginem que fosse José Serra, o tucano (malvado, feio e bobo) quem tivesse tanto dinheiro vivo nas mãos. É lícito deduzir que rapidamente a máquina petista de moer reputações seria colocada em movimento, não é? Vamos além: imaginem que aquela grana fosse declarada por FHC, a besta-fera dos petistas. O mundo viria abaixo. Por que, então, ninguém questiona Dilma? Por que ela pode ter em mãos dinheiro suficiente para comprar uma bela quantidade de eleitores sem que ninguém diga uma palavra a respeito?
“Ah, mas ela está nas cabeças! E tem o apoio de Lula. Ela não precisa comprar eleitores.” Pois é… Esse sempre foi o mais deletério legado da tal “era Lula”: a ideia absurda de que aprovação popular é salvo-conduto para fazer qualquer coisa, ainda que ilegal. Isso porque basta aos petistas recorrer ao velho truque marxista de dizer que o conceito de legalidade não é absoluto, porquanto forjado pela tal “sociedade burguesa” – no caso brasileiro, “pelazelite”.
Eis aí… A “sociedade burguesa” realmente acha estranho que um candidato à Presidência tenha em casa mais de R$ 110 mil em dinheiro vivo, sem que se saiba a origem ou o destino de tal montante. Mas a “sociedade burguesa”, no Brasil, representa só aqueles 5% que insistem em não aprovar Lula. O resto do povo, sabemos, já perdoou o mensalão e os vários dossiês. Muitos sequer conhecem os detalhes escabrosos envolvendo a morte do prefeito Celso Daniel. Por que se preocupariam com as notinhas guardadas no cofrinho de Dilma?
*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi










