Postagens com a palavra-chave ‘Declaração de Bens’

Coluna do dia: De onde veio o dinheiro de Dilma?

09/07/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam o FIAT descaradamente supervalorizado que Dilma declarou à justiça eleitoral. Isso é coisa pouca. O que me intriga mesmo, o que merece o interesse da sociedade brasileira é a quantia obscena de dinheiro vivo que a ex-terrorista disse ter em sua casa. De onde veio esse dinheiro? Como é possível que algo assim não seja notícia, nem desperte o interesse do País?

Os leitores conhecem Eike Batista, não é? Pra quem não sabe, ele é aquele sujeito cuja fortuna não foi suficiente para ajudá-lo a segurar a mulher: esta preferiu o bombeiro de setecentos reais por mês. Pois bem, o tal Eike Batista é tido como o homem mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo. Duvido que ele guarde em casa mais de R$ 110 mil em dinheiro vivo. Nem ele, nem Bill Gates, nem ninguém! Por que Dilma precisa de tanta grana assim à mão? Que dinheiro é esse?

Fossem outros tempos – uns 25 ou 30 anos atrás -, seria fácil adivinhar a origem da grana: provavelmente tudo seria fruto de alguma ação terrorista do grupelho ao qual Dilma (ou era Wanda?) pertencia. Quem sabe o resgate pago em razão do sequestro de algum figurão, ou ainda o produto de um assalto a banco. Mas hoje em dia, não. Hoje a moça é séria e abraça a democracia, não é mesmo? Sendo assim, permanecem as perguntas: de onde veio tanto dinheiro? Por que tê-lo em casa, ao alcance da mão? Com qual objetivo ele seria usado?

Eu sei que petistas não gostam de explicar a origem de dinheiro vivo, basta ver o frenesi que criaram em 2006, quando Alckmin perguntou a Lula de onde viera a grana dos “aloprados”. Essa turma que carrega o estandarte da redenção “dozoprimido” se acostumou apenas a julgar os demais. Não suportam estar na defensiva, pois entendem que fazer política é apenas um direito deles. Tudo isso é notório, mas, ainda assim, não resisti. Ao ver que os R$113 mil em dinheiro vivo que Dilma guarda em casa passaram desapercebidos pela tal “grande mídia golpista, preconceituosa e de direita”, resolvi eu mesmo dar uma de “golpista, preconceituoso e direitista”: faço questão de saber tudo sobre esse dinheiro!

Onde Dilma o guardava? Se ela vai presidir a nação, acho justo que a sociedade conheça seus hábitos. É importante saber se ela esconde R$ 113 mil reais no meio da roupa íntima, dentro do colchão ou ainda no fundo falso de alguma parede.

Eu adoro um exercício de imaginação. É divertido. Querem ver? Pois bem, imaginem que fosse José Serra, o tucano (malvado, feio e bobo) quem tivesse tanto dinheiro vivo nas mãos. É lícito deduzir que rapidamente a máquina petista de moer reputações seria colocada em movimento, não é? Vamos além: imaginem que aquela grana fosse declarada por FHC, a besta-fera dos petistas. O mundo viria abaixo. Por que, então, ninguém questiona Dilma? Por que ela pode ter em mãos dinheiro suficiente para comprar uma bela quantidade de eleitores sem que ninguém diga uma palavra a respeito?

“Ah, mas ela está nas cabeças! E tem o apoio de Lula. Ela não precisa comprar eleitores.” Pois é… Esse sempre foi o mais deletério legado da tal “era Lula”: a ideia absurda de que aprovação popular é salvo-conduto para fazer qualquer coisa, ainda que ilegal. Isso porque basta aos petistas recorrer ao velho truque marxista de dizer que o conceito de legalidade não é absoluto, porquanto forjado pela tal “sociedade burguesa” – no caso brasileiro, “pelazelite”.

Eis aí… A “sociedade burguesa” realmente acha estranho que um candidato à Presidência tenha em casa mais de R$ 110 mil em dinheiro vivo, sem que se saiba a origem ou o destino de tal montante. Mas a “sociedade burguesa”, no Brasil, representa só aqueles 5% que insistem em não aprovar Lula. O resto do povo, sabemos, já perdoou o mensalão e os vários dossiês. Muitos sequer conhecem os detalhes escabrosos envolvendo a morte do prefeito Celso Daniel. Por que se preocupariam com as notinhas guardadas no cofrinho de Dilma?

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Marina Silva – o bom senso em pessoa

08/02/2010

Por Tiago Franz*

Ela enfrenta o próprio partido. Abandona o cargo. Rompe. Quantos são os políticos que agem dessa forma quando veem os princípios que sempre defenderam substituídos por outros interesses?

Ela é discreta e cuidadosa. Evita frases de efeito. Critica sem difamar ou baixar o nível. Quantos são, na política, os que preferem o recato e a seriedade à provocação e à criação de espetáculos?

Ela tem a ficha limpa. Quando Vereadora por Rio Branco (1988 a 1990), devolveu o dinheiro dos benefícios e mordomias. Quando Deputada Estadual do Acre (1990 a 1994), liderou um movimento contra a aposentadoria de ex-governadores. Sua única propriedade é uma casa, em Rio Branco. Até mesmo a revista Veja, acostumada a metralhar petistas e verdes, apelidou a Senadora e ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV, de “A imaculada”.

Não é o passado difícil de Marina Silva que faz dela um bom exemplo para a política brasileira e global. A infância e juventude miseráveis, a alfabetização tardia e a série de problemas de saúde que enfrentou não são os responsáveis pelos méritos políticos conquistados pela acreana. O que engrandece Marina, assim como a todos os que, independentemente da origem social, fazem política com comprometimento público, é a sua vida pública.

A revista Piauí, edição 40, de janeiro deste ano, publicou um perfil de Marina Silva por Daniela Pinheiro. A jornalista perguntou à presidenciável se “a candidatura do empresário Guilherme Leal – fortuna de 1,2 bilhão de dólares estimada pela revista Forbes – como seu Vice não traria mais benefícios para a empresa dele, a Natura, do que para a candidatura dela”. Marina respondeu: “No Brasil, estamos acostumados com oligarquias. Mas não se pode confundir elite com oligarquia. O José Alencar, o Oded Grajew, o Israel Klabin, o Guilherme Leal, eles são elite. É gente que pensa o Brasil como nação, têm ideias, estão verdadeiramente empenhados e são bem-intencionados. Esse é um interesse legítimo. Por incrível que pareça”.

Bom senso é o termo adequado para qualificar Marina Silva. Os rótulos que lhe são atribuídos – ligados à esquerda, ao ativismo ambiental e à sua opção religiosa – ficam pequenos frente às atitudes da Senadora. A resposta dada à jornalista da Piauí é uma demonstração da maturidade política de Marina. Ela não pretende, ao contrário do que pensam alguns, criar uma luta de classes no Brasil, ou então estagnar o crescimento econômico do País em nome da preservação ambiental.

Ela é, por tudo que tem demonstrado, essencialmente democrata. Ela quer apresentar a viabilidade de um novo e sustentável modelo econômico. Ela quer moralizar a política nacional.

Como saber se, depois de eleita, não fará o mesmo que a cúpula do seu antigo partido fez ao assumir o governo? Não se pode saber antes da hora.

Fato é que ela não se prende a pessoas e grupos, e sim às causas em que acredita, como deve ser em qualquer atividade política de caráter público.

Fato é que ela abdicou da força política de que dispõe o PT para prosseguir em seus ideais. Deixou o cargo de Ministra do Meio Ambiente, durante o governo de Lula, quando este resolveu “pôr o dedo” nas políticas ambientais para facilitar o licenciamento de obras.

Fato é que ela tem, dentre os pré-candidatos já conhecidos, aquilo que o Brasil mais necessita: “vergonha na cara”.

Nota do Editor: É por isso que o Perspectiva Política estará, durante a campanha, apoiando o nome de Marina Silva para a Presidência.

*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Sarney omitiu da Justiça Eleitoral uma casa de praia

15/07/2009

Informa a Folha:

“Embora constasse de sua declaração de Imposto de Renda uma casa em São Luís, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não informou a Justiça Eleitoral sobre a existência do imóvel na sua campanha à reeleição em 2006.

Segundo a assessoria do senador, Sarney foi orientado a declarar o imóvel à Receita Federal, mas havia entendimento de que não era necessário fazer o mesmo à Justiça porque ele já havia assinado, antes das eleições, uma procuração pela qual doava a casa a sua filha, a atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB-MA).

Mas o imóvel, que fica na praia do Calhau, também não consta da declaração de bens da governadora à Justiça Eleitoral em 2006 -quando Roseana disputou e perdeu o governo.”

Este som que vocês ouvem ao fundo são pessoas gritando: Mais um! Mais um! Mais um!

Parece um tipo de contagem de escândalos…

Movimento pela Transparência quer bens dos políticos na internet

12/03/2009

O Movimento pela Transparência, denominação adotada pela frente suprapartidária anticorrupção fundada pelos deputados Fernando Gabeira (PV) e Gustavo Fruet (PSDB), além do Senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), entre outros, vem fazendo barulho.

A mais nova proposta do grupo é a de disponibilizar, na internet, para acesso de qualquer cidadão, a parte do imposto de renda dos políticos que corresponde à listagem de bens. Parece que ocorrerá a tentativa de incluir a proposta dentro de uma medida provisória que já tramita, a MP 449, relatada pelo deputado Tadeu Filippelli.

Por conta de fazer com que suas reivindicações sejam atentidas ou, pelo menos, levadas à votação, a frente conversou com o Presidente da Câmara, Deputado Michel Temer.

Tanto cobraram que conseguiram um compromisso de Temer. O Deputado paulista de comprometeu a desengavetar projetos como a emenda constitucional do voto aberto no plenário, já aprovada em primeiro turno, e o projeto que acaba com o foro privilegiado dos deputados e senadores, que faria com que eles fossem julgados por seus erros na justiça comum e, não mais, no STF, coibindo a impunidade.

Tomara que esse grupo, o MPT, não esmoreça. Por enquanto, estão lutando por importantes avanços em direção a uma democracia mais moral, mais ética e mais transparente. Torço para que não seja apenas discurso moralizante barato, típico de alguns hipócritas que, infelizmente, temos na política nacional.