Postagens com a palavra-chave ‘Debate’

Perspectiva preenche lacuna de espaço para debate democrático na internet

19/07/2010

Informa a Folha:

“A promessa política da internet não se realizou, afirma Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP. Safatle é autor de estudos sobre uso da internet nas eleições de 2006 e 2008, feitos em parceria com Marcelo Coutinho, professor da FGV e especialista em internet e política.

Desde que surgiu, a rede mundial de computadores trouxe a esperança de que revitalizaria o debate político público e serviria como espaço de discussão de ideias.

Segundo Safatle, a internet não se configurou como espaço de diálogo, como muitos esperavam, mas de radicalismos exacerbados.

‘A internet está mais para grande espaço fragmentado de posições, onde cada território está ocupado por opiniões muito bem definidas e que não entram em contato com ideias diferentes. Manifestações dissonantes são reprimidas ou ignoradas.’”

A reportagem pinta um quadro que retrata a mais pura verdade a respeito da blogosfera política: Os blogs seguem, em sua maioria, a linha ideológica de seus autores, recebendo aplausos daqueles que concordam com as ideias expressas e sendo rejeitados por uma patrulha formada pelos que discordam.

Não há debate democrático de ideais. Discussão franca de valores então, nem pensar. No que diz respeito às questões polêmicas, não há uma conversa entre blogueiros e leitores, há imposição por parte do blogueiro e aprovação ou rejeição por parte dos leitores.

Resultado prático: Os blogs políticos acabaram por seguir o modelo dos jornais, modificada apenas a escala. O blogueiro se comporta como emissor e os leitores como receptores. Não há a interação sadia que deveria ser estimulada na internet e que existe na rede em outras áreas do conhecimento.

E por que faço aqui este manifesto? Por que desde o início do Perspectiva tive como proposta representar exatamente este espaço democrático, preencher justamente esta lacuna. De tempos em tempos me dirijo ao leitor defendendo estes valores e expressando que a essência do blog é o debate democrático, sensato, justo e independente.

Uns duvidam, dizendo que não há imparcialidade ou isenção. Para esses respondo que concordo, contudo, lembro que o Perspectiva abre espaço para as ideias de seu próprio autor e para as ideias dissonantes. Dificilmente se é totalmente democrático dentro de um corpo só, mas é possível atingir um nível de democracia razoável no sistema inteiro.

E é isso que é feito aqui. Colunistas dos mais diversos matizes ideológicos se dirigem aos leitores e não são censurados. Leitores com as mais diferentes ideias e posições postam seus comentários e só têm suas palavras de baixo calão removidas.

Quando a patrulha de um lado ou de outro começa a agir é completamente desmoralizada por conta da exibição, nos dias seguintes, de pontos de vista diferentes, além da recepção educada e polida, e não raivosa.

Fiquei muito feliz quando, no aniversário de um ano do Perspectiva, o elogio unânime de colunistas e leitores era o que se referia ao espaço democrático e de debate franco que o Perspectiva representava, sem repressão, sem imposição, sem censura.

Espero que o elogio continue valendo e farei de tudo para que o Perspectiva seja, cada vez mais, reconhecido na blogosfera político como plural. O reconhecimento atual, com certeza, já é fruto deste posicionamento.

Portanto, podemos dizer que, se por um lado uma andorinha só não faz verão, por outro, o Perspectiva está aqui para ser local virtual de debate aberto sem radicalismos.

O Perspectiva é um só, mas as perspectivas são muitas.

Debate: Os constantes 5% que desaprovam Lula

12/06/2010

O jornalista e blogueiro Ricardo Kotscho, ex-assessor de Lula, constrói textos que têm uma característica constante, interessante e elogiável: Apresenta argumentos comuns a todos os petistas, contudo, de forma mais franca, analítica e sensata. Sendo assim, tem mais credibilidade do que os mais raivosos.

Do alto de sua maior credibilidade, Kotscho, a quem respeito, escreveu artigo questionando o passa pela cabeça dos 5% de brasileiros que desaprovam o governo Lula. Comentando que este patamar se mantém estável, o jornalista se pergunta o que pode motivar essas pessoas a manterem-se contrárias a uma política que, segundo ele, é favorável para o País.

A partir deste texto, publicado no blog Balaio do Kotscho, foi construída uma argumentação desenhada pelo jornalista Sandro Vaia e publicada no Blog de Ricardo Noblat. Nela, Vaia, que é ex-Diretor de Redação do jornal O Estado de São Paulo, explica os inúmeros motivos que podem levar alguém a fazer parte, tranquilamente, dos 5% que rejeitam Lula.

O debate é interessantíssimo e o Perspectiva não poderia ficar de fora.

Seguem abaixo os dois textos. Os comentários estão abertos para a sua opinião, caro leitor.

Que Brasil é Este dos 5% do contra?

Ricardo Kotscho

O tema do Balaio deste domingo vale uma pesquisa em profundidade, uma tese acadêmica  ou mesmo uma capa de revista: que Brasil é este dos 5%?

Entra pesquisa, sai pesquisa, eles estão sempre lá do mesmo tamanho. São os que consideram o governo Lula ruim ou péssimo. A aprovação do presidente e do governo pode variar entre 70 e 80%, conforme o instituto, os restantes ficam na categoria regular e, invariavelmente, temos os 5% de insatisfeitos com os rumos do país, tanto faz o que esteja acontecendo naquele momento de bom ou ruim.

Quem são eles, onde vivem, o que fazem, o que pensam? Já que ninguém se atreve a investigá-los, disponho-me aqui a encontrar algumas respostas sobre o perfil deste minoritário, mas sólido contingente de brasileiros que não mudam de opinião, mesmo remando contra a maré.

Mais do que um posicionamento político-partidário ou mesmo ideológico, como à primeira vista indicam as pesquisas, creio que se trata de um fenômeno psíquico, algo mais ligado aos sentimentos do que à razão, ao comportamento humano de um núcleo duro que é do contra porque é do contra, quaisquer que sejam suas motivações.

Em termos absolutos, estes 5% representam mais ou menos 9 milhões de brasileiros, o mesmo universo dos que lêem habitualmente jornais e revistas da grande mídia, o que pode representar uma primeira pista para entendermos seu pensamento.

Noto isto pelos comentários dos leitores publicados aqui no Balaio. Qualquer que seja o assunto, política, futebol, literatura, música, cinema, observações de viagem, mulheres bonitas, praias, botecos ou buracos de rua, sempre aparecem os mesmos comentaristas, escrevendo as mesmas coisas, com os mesmos argumentos: nada funciona, ninguém presta, tudo está ruim, a vida não vale a pena.

Confundem o país com o governo, a vida real com o noticiário do poder, ao reproduzir o que lêem nas manchetes e nos editoriais dos grandes veículos, nos blogs da Veja.com, nas colunas de O Globo ou ouvem dos comentaristas da CBN e da Jovem Pan. Se você fala bem de alguma coisa acontecendo no país, logo te chamam de vendido, chapa-branca, idiota.

Não importa o assunto. Nas viagens pelo Brasil que fiz nas últimas semanas, falei da minha alegria em revisitar as cidades de Teresina e Rio de Janeiro, que me encantaram por algumas características que tornam a vida dos seus moradores mais agradável, mesmo com todos os problemas de qualquer capital, grande ou pequena.

A grande maioria dos leitores destes dois lugares gostou do que escrevi, até me agradeceu por falar bem destas cidades que normalmente só aparecem no noticiário pelo lado negativo, dando-se mais destaque às suas mazelas do que aos seus encantos.

Mas lá estavam também os 5% de sempre, que me esculhambaram por elogiar a cidade onde vivem, dizendo que eu não vi nada, que a vida ali é um inferno, que não existe nada de bom, que só pensam em ir embora de lá.

Teresina é administrada pelo PSDB e, o Rio, pelo PMDB, em aliança com o PT, o que me prova não se tratar de implicância partidária, mas de um estado de espírito.

Como não posso pedir ajuda aos universitários, apelo aos leitores para que juntos encontremos outras respostas capazes de explicar que Brasil é este dos 5%. Ou será que vivemos em países diferentes?

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Esses Estranhos 5%

Sandro Vaia

Que espécie de gente serão esses 5% que não acham o governo Lula nem ótimo nem bom? O repórter que propôs investigá-los (no sentido de pesquisar,conhecer,tentar entender, como ele bem explicou), pode encontrar algumas boas pistas aqui.Eles podem ser:

1- Pessoas que acreditam que a democracia não é apenas o governo das maiorias, mas também e principalmente o que não discrimina as minorias e as respeita, garantindo seus direitos constitucionais de manifestação e expressão.

2- Pessoas que não concordam que a atual política externa seja responsável, altiva e independente, mesmo que os outros 95% achem isso.Elas têm todo o direito de achar que é uma política aventureira,irresponsavelmente jactanciosa, longe das tradições da diplomacia brasileira, e afastada de seus valores básicos, que sempre foram os de não apoiar regimes de exceção, autoritários e ditatoriais.

3- Pessoas que acreditam que o atual ciclo de crescimento do País não começou com um estalar de dedos de um ser divino e providencial,mas é resultado de um processo que teve início em governos que se dedicaram a implantar os fundamentos de um crescimento sustentado, fundamentos esses que foram incontestavelmente assimilados, respeitados e mantidos, apesar das promessas – ou ameaças -em contrário.

4- Pessoas que acreditam que a ética e a honradez na política são valores que não podem ser desprezados.

5- Pessoas que sabem reconhecer que a divergência de idéias faz parte do processo democrático e são contrárias a qualquer tipo de controle da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão.

6- Pessoas que acreditam que a melhora dos índices sociais,a melhor distribuição de renda, o acesso de todos a uma educação de qualidade, não precisa ser feita através da instituição de um tipo reverso de discriminação social e racial, que institua o rancor e o ódio entre pessoas,grupos étnicos e classes sociais,separando em vez de unir a Nação.

7- Pessoas que acreditam que todos são iguais perante a lei e que ninguém está acima dela, e que, portanto, ninguém pode transgredi-la impunemente.

8- Pessoas que acreditam que debochar das instituições é um mau exemplo e uma agressão à democracia, principalmente quando parte de quem é responsável pela salvaguarda dessas instituições.

9- Pessoas que acreditam que a popularidade do presidente da República é um indicador inequívoco de apoio popular, mas que não acreditam que isso seja uma franquia para ultrapassar os limites da lei.Um presidente não pode tudo, ao contrário do que achava Richard Nixon.

10- Pessoas que acreditam que o presidente da República é um magistrado, e como tal deve comportar-se durante todo o tempo de seu mandato, inclusive durante uma campanha eleitoral.

São valores mais ou menos básicos, simples e fundamentais, mas possivelmente tão exóticos, nos dias de hoje, que só seja possível encontrá-los entre esses estranhos 5% de brasileiros.Pode até ser que não sejam pessoas “em fase de desespero diante das últimas pesquisas da campanha eleitoral”, mas gente tão normal e digna quanto os outros 95%.

Opine: Qual a melhor estratégia para o 2010 do PSDB?

06/01/2010

Informa a Folha:

“Numa demonstração de que o ano eleitoral já começou, o PSDB partiu para ofensiva para tentar deter o crescimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) registrado no último Datafolha. Antes acomodados numa confortável liderança, tucanos mudaram de estratégia e até entraram com duas representações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para impedir a exibição do programa do PT em maio.

Nelas, o PSDB acusa o PT de ‘terrorismo eleitoral’, propaganda antecipada e promoção pessoal de Dilma no programa partidário veiculado em dezembro. A propaganda eleitoral só é permitida a partir de julho. Numa das representações, o PT é também acusado de incitar o preconceito de classe, ao afirmar que tucanos ’separavam o que consideravam coisa de pobre e coisa de rico’.”

A elevação do tom do PSDB no que diz respeito às críticas ao governo e ao comportamento pré-eleitoral do PT pode demonstrar o início de uma mudança de rota. Antes acuado e até mesmo acomodado naquela posição, o PSDB pode ter decidido se apresentar de fato como oposição.

Contudo, será essa a estratégia correta para os tucanos? Será este o plano que mais auxiliará a obtenção de uma vitória neste ano que devolveria o Planalto ao PSDB? São estas dúvidas que pairam vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, nas mentes do grão-tucanato.

Uns dirão que sim, que o PSDB precisa se colocar o quanto antes como opositor do governo, fazendo um necessário contraponto. Estes são os mesmos que desdenham da estratégia pós-Lula defendida pelo Governador Aécio Neves. Querem – e afirmam que a população quer também – uma espécie de anti-Lula, que traga promessa de manutenção do que é fortemente respaldado pela população, mas, também, duras críticas ao que anda errado. O PSDB diria “não mudaremos o que vocês aprovam, mas faremos diferente”.

Outros dirão que não, que o PSDB precisa respeitar a popularidade alta de Lula e do governo, apostando em um discurso parecido com o do PT e diferente em apenas algumas nuances, confiando em uma vitória que viria da comparação da biografia de Dilma Rousseff com a de José Serra. Em suma, seria algo como “faremos o mesmo, mas temos um candidato que fará melhor”.

Há ainda alguns que defendem posições minoritárias que mesclam pontos destas duas principais ( “faremos algumas coisas diferentes e outras não, mas temos o candidato mais preparado”) e também aqueles que se situam nos dois extremos: A radicalização do debate e da divergência (“nós somos a mudança”) e a inexistência deles (“o governo do PT é uma continuidade do governo do PSDB e nós seremos continuidade do governo do PT”).

Parece uma decisão difícil? Pois ela se complica ainda mais. O PSDB também discorda internamente não só a respeito do quê, mas também a respeito do quando.

Combina-se com cada estratégia de discurso uma opinião a respeito de quando iniciá-lo, arrombando  de vez os portões da temporada eleitoral antecipada, que já foram entreabertos por Lula.

Uns entendem que o PSDB deve exibir seu candidato e sua plataforma o quanto antes, terminando com o reinado de Dilma Rousseff no cenário eleitoral e mitigando seu crescimento. É o “é para ontem”.

Outros, entre eles o próprio candidato José Serra, creem que Dilma crescerá de qualquer forma devido ao apoio do Presidente Lula até uns 30% e que, portanto, mais vale fugir do confronto com Lula ainda governando de fato, opondo-se apenas quando a disputa for de vez uma de Serra contra Dilma, do que agir por impulso por conta de um susto com o crescimento da Ministra. Trata-se do “devagar com o andor”.

Quando se combinam as diferentes variáveis, diversos planos de voo são obtidos. Apenas multiplicando as cinco vertentes principais do quê pelas duas vertentes principais do quando, chegamos a dez estratégias possíveis.

Uma salada mista. Uma indecisão só. Um cenário tipicamente tucano, daqueles que fazem voar plumagens e diminuir chances de vitória.

Mas afinal, qual a melhor estratégia para o 2010 do PSDB?

Deixo a resposta para os comentários dos leitores.

O 2010 do Perspectiva – Caminhemos juntos!

02/01/2010

Começou 2010 e este será um ano muito especial e de muito trabalho para o Perspectiva Política. Espero que possamos estar junto nessa caminhada. Este que vos fala, os colunistas e você, leitor.

Estes doze meses que estão se iniciando trarão um Perspectiva cada vez mais ativo, atuante e atualizado, comprometido com você, leitor. Novas seções estrearão, outras serão repaginadas e concursos serão empreendidos. Além disso, o novo visual, reivindicação dos leitores, entrará no ar já nos próximos dias, e respeitando os parâmetros desejados por eles, que os informaram através de enquete totalmente democrática.

Novas campanhas serão iniciadas, sempre pensando em fazer do Perspectiva porta voz dos cidadãos de bem que o visitam. O blog também agirá mais forte nas redes sociais, visando interagir com os leitores cada vez mais intensamente, divulgar seu conteúdo e se consolidar como meio de debates importantes e respeitosos sobre a política do Brasil e do Mundo.

O KazuhiroCast!, meu podcast, será mais utilizado, aproveitando esta boa novidade que surgiu devagar no ano passado. Os colunistas receberão mais destaque e mais espaço, recompensando a grande carga de conhecimento que trazem para todos nós.

É por essas e por outras que peço o seu auxílio, caro leitor. Precisamos divulgar o Perspectiva para que ele possa crescer mais e mais. Peço que convidem os amigos para conhecer o blog e tenho a certeza de que o conteúdo de qualidade conquistará a muitos. Requisito também que façam parte, quando possível, do grupo daqueles que seguem o Twitter do Perspectiva, que integram a comunidade do Perspectiva no Orkut, que assinam o RSS do blog e que participam do nosso grupo no Facebook.

Obviamente, isto será recompensado. Os concursos dos quais falei trarão livros interessantíssimos, que serão os prêmios para aqueles leitores que mais colaborarem com a expansão do Perspectiva, visando fazer do blog uma referência ainda mais forte na cobertura da política nacional, objetivando destaque na blogosfera para nossas análises sobre as eleições presidenciais. Os regulamentos dos concursos explicarão melhor, no futuro, como isso funcionará.

Se o Perspectiva é hoje lido e seguido no Twitter por políticos dos quatro cantos do País, em 2010 o número aumentará. Se hoje o Perspectiva tem um milhar de visitas por dia, multiplicaremos essa quantidade. Se atualmente o blog conta com atuações medianas nas redes de relacionamento, ampliaremos nossa participação.

É para todo esse trabalho que conto com você, leitor.

Eu me comprometo a estar aqui trabalhando duro, escrevendo bastante e procurando sempre a informação que lhe deixa à frente, a análise inteligente que lhe revela o intrincado mundo das articulações políticas e o debate franco e respeitoso que lhe faz crescer como indivíduo.

Simultaneamente, peço sua participação e seu auxílio. Não por mim. Mas para que o Perspectiva, como meio, possa crescer. Pois esse crescimento representa o aumento da robustez de um local ímpar na blogosfera e, consequentemente, a manutenção da sua possibilidade de usufruir dele.

O Perspectiva não cobra, não discrimina, não exclui. Todos podem ler, comentar, opinar, criticar e elogiar. Tudo sem moderação de comentários, sem censura, sem controle, sem radicalismos e sem ideologização. Aqui os extremos são repudiados, mas todas outras vertentes convivem em harmonia, que é incentivada constantemente.

Não há partidarismo no Perspectiva. Não há rótulo. Não há colunista que seja proibido de dizer o que pensa. Não há leitor que seja impedido de se expressar.

São por esses motivos que peço o apoio e a ajuda de vocês nesse grande ano para o Perspectiva que adentra nossas vidas. Peço pois, com muito trabalho árduo, o Perspectiva é hoje um meio que, crescendo, faz crescer a democracia.

E é esta que queremos. Forte, livre, constante. Como o Perspectiva será ainda mais, com a sua ajuda.

Volte sempre, comente quando quiser, critique o que achar que deve e divulgue sempre que puder. Quando entender devido, elogie.

A primeira novidade – o novo layout – se tornará realidade já nos próximos dias.

Um forte abraço!

Bruno Kazuhiro

Coluna do dia: Combatendo o bom combate

18/09/2009

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores do blog devem saber que sou um grande fã de São Paulo, o apóstolo. Fã? Sim, fã. Costumo dizer que qualquer ensinamento necessário para a vida de cada um de nós está lá, nas epístolas escritas por ele. Ali aprendemos, por exemplo, que é preciso combater o bom combate ao longo da vida (I Timóteo 6,12), defendendo a verdade e as liberdades.

E por que essa introdução um tanto religiosa? Bem, este blog de vanguarda, a partir de onde vos escrevo semanalmente, está há um ano combatendo o bom combate. E eu, como integrante da equipe de colunistas dele, sinto o regozijo próprio de quem sabe que também combate, com afinco, do lado do bem. Bem, eu disse? Sim, disse. Pode parecer simplório e maniqueísta falar de “bem e mal” hoje em dia. Mas não nos deixemos enganar: há, sim, um lado do “bem”, onde impera a verdade e a liberdade. E há o “mal”, que vive a atacar aquilo que é bom e justo. Já chego ao ponto.

Como os leitores devem saber, eu moro em Macapá, capital do Amapá. Aqui, um rincão apequenado e apartado da civilização, prerrogativas basilares de uma sociedade livre e democrática ainda nos são tolhidas diuturnamente, como se cidadãos não fossemos. Este estado, é sabido, só acabou por existir a fim de garantir a José Sarney um lugar perpétuo no Senado Federal. E vem cumprindo com impressionante zelo tal tarefa, reelegendo o maranhense pleito após pleito, tomando sempre a mesma direção, independentemente da quantidade de caminhos existentes – como um grupo de equinos que trota por automação, preso aos limites de seus antolhos.

Neste lugar, a liberdade de expressão é algo que jamais se fez presente. Sempre que alguém tentou criticar as autoridades políticas do Amapá, precisou enfrentar os “rigores da lei”. Quais? Bem, nas eleições de 2006 – últimas vencidas por Sarney -, mais de 100 pessoas foram processadas pela coligação do autor de “Brejal dos Guajas”. Ofenderam o imortal Senador? Que nada! Apenas se manifestaram, dizendo que não o queriam mais como representante do Amapá no Legislativo, questionando seu legado como Presidente e seu passado estreitamente ligado à ditadura militar. Tudo dentro do óbvio jogo democrático, onde o cidadão descontente é livre para questionar seus representantes. Mas isso, caros, não se aplica ao Amapá.

Este escriba, ao final das eleições municipais de 2008, escreveu um pequeno artigo criticando a situação sócio-política do estado. Na ocasião, afirmei algo que muitas ilustres figuras consideram demasiado ofensivo: disse que a única saída para o Amapá seria uma invasão americana. Em tal caso, a exemplo do que aconteceu no Iraque, sofreríamos com os bombardeios iniciais, mas terminaríamos conhecendo as luzes do mundo civilizado. Haveria, é claro, inúmeras baixas civis, mas, como diria Bush, tratar-se-ia de algo aceitável. A coisa toda, é óbvio, não passa de uma metáfora. Uma construção textual destinada a evidenciar meu profundo pessimismo com relação ao futuro deste lugar. Mas a tara autoritária que acomete o Amapá não tolerou a crítica e a divergência.

Numa ação sem precedentes, a Advocacia-Geral da União decidiu, a pedido do então Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, me interpelar judicialmente sobre o referido texto. Sim, vocês leram direito: a AGU, órgão mais importante de assessoria e consultoria da Presidência da República, achou por bem movimentar o aparelho judiciário do Estado contra um indivíduo. E tudo em razão de uma opinião pessoal, nada mais. Trata-se de algo sem precedente jurídico, sem mencionar que constitui uma flagrante aberração democrática. Trocando em miúdos, temos que o Estado, em vez de garantir as liberdades individuais, se ocupou de questioná-las, levando um cidadão aos tribunais.

Não vou tergiversar sobre nenhum drama pessoal, mesmo porque a ação proposta pela AGU era juridicamente deprimente. Imaginem que chegaram a embasar todo o petitório na malfadada Lei de Imprensa, condenada há muito à inconstitucionalidade. Eu me ocupei de apontar isso ao Juízo, além de lembrar que a tal ação fora ajuizada sem que qualquer precedente existisse no direito brasileiro. Experimentem pesquisar e verão: “nunca antes na história deste País” a AGU, a pedido de um tribunal judiciário, movimentou o aparelho jurídico-punitivo do Estado contra um indivíduo. Na ocasião, brinquei: eu era o Larry Rohter do Amapá.

Mas por que isso é importante? Bem, porque enfrentar a censura, a perseguição do Estado e a falta de discernimento democrático que ainda vigora em alguns rincões do Brasil é, sim, combater o bom combate. E é isso que se faz, diariamente, aqui no Perspectiva Política. Quando fui convidado por Bruno Kazuhiro – a quem tenho a audácia de chamar de “amigo”, mesmo sem conhecer pessoalmente – para ser um colunista do blog, senti que me era dada a chance de perseverar no bom combate. Torno a citar São Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem” (Romanos 12, 21).

Rogo aos leitores que não me tomem por um “carola” de primeira hora. Longe disso. Admiro, antes, o São Paulo teólogo, estudioso. Aquele que, como dito antes, compilou em suas cartas as regras basilares de conduta que, a meu aviso, nos distinguem da barbárie. E, sim, estou entre os que acreditam que os ensinamentos cristãos foram responsáveis por unir o Ocidente e permitir que crescesse como civilização – mas tal tema, sei disso, é um tanto mais polêmico e fica, pois, para outra ocasião.

A cada semana, quando chega a hora de escrever minha coluna semanal, sinto-a como uma nova chance de vencer o mal com o bem. Sinto que sou empurrado a continuar combatendo o bom combate, erguendo minhas armas em favor da democracia e do sistema de liberdades individuais. E isso só é possível porque há cerca de um ano o meu jovem amigo Bruno Kazuhiro– e aqui torno a chamá-lo assim por minha própria audácia – decidiu, também, que era chegada a hora de combater o bom combate e de vencer o mal com o bem. Qual bem? Aquele que prima pela tolerância, pelo debate, pelo contraditório e pela pluralidade. Aquele que tem por fim elevar a sociedade, fornecendo a ela os meios necessários para aperfeiçoar ainda mais os valores fundamentais, como a liberdade de expressão, a democracia, o respeito, a justiça e a sensatez.

E aqui reside todo o meu regozijo e minha esperança: para cada tentação autoritária que se ergue contra o indivíduo e a sociedade – como acontece rotineiramente no Amapá -, há que surgir uma trincheira de liberdade e democracia, como o Perspectiva Política. Focos de liberdade como este blog são, em sua essência, a viga mestra de sustentação de uma civilização livre, que se mostra disposta a enfrentar os inimigos.

Ruy Barbosa, objeto da admiração de Bruno e de todo homem de bem, costumava citar esta famosa frase: “No império dos homens, a pena é mais forte que a espada.” Ele estava, como sempre, correto. Um espaço amplo, livre e democrático como o Perspectiva Política vale por mil exércitos juntos, se o objetivo é defender a primazia das liberdades, a começar pela liberdade de expressão. E eu me sinto orgulhoso e grato por ter o privilégio de erguer minha pena junto com o restante da equipe deste blog, em defesa daquilo que faz de nós uma civilização verdadeira e grandiosa.

Às vésperas do primeiro aniversário do blog – o primeiro de muitos, estou certo -, concluo que o grande presenteado sou eu, que posso tomar parte neste projeto audacioso. Que assim seja: continuemos todos a combater o bom combate!

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Uma caixa de Pandora diferente

17/09/2009

Por Felipe Liberal*

A velha lenda grega da “caixa de Pandora” me fascina. Uma caixa de madeira que traz a certeza e a incerteza juntas, em um prato só. O frio e o quente na mesma boca se misturando em um amargo que incomoda a muitos. O presente de Zeus à filha primogênita, Pandora, trouxe ao mundo o medo e a dúvida.

A denominação “Pandora” possui vários significados: panta dôra, a que possui todos os dons, ou pantôn dôra, a que é o dom de todos. Em uma tradução mais recente, denominou-se como Esperança. Mas seria muito ousado ser esperançoso nos dias atuais? Sim, seria. O planeta não nos dá motivo para isso. Os próprios homens não nos dão motivos para isso. A esperança é um artigo de luxo dentro de uma gaveta empoeirada. A esperança de Pandora está dentro da caixa mágica, esperando ser detonada ou seduzida. E dentro da caixa estão a escuridão, o amanhecer e a esperança.

Quando conheci o blog Perspectiva Política, descobri que o quente e o frio podem não amargar na boca de quem saboreia. A mistura pode resultar em uma maravilhosa sensação de democracia, que eu até hoje não tinha sentido. Bruno Kazuhiro e sua vontade conseguiram pela primeira vez (que eu tenha visto) juntar gregos e troianos em um mesmo lugar, jantando juntos e conversando amistosamente. O Perspectiva Política é uma caixa de Pandora diferente, que tem a primazia do lado bom da mistura.

Nos próximos dias, o Perspectiva Política completa um ano de existência. Um ano de certezas, incertezas e magias. Um blog que nasceu da busca pela caixa de Pandora, da procura de um novo rumo para a discussão e a informação. A problematização das informações de uma maneira livre e espontânea fez o com que o blog crescesse e amadurecesse de uma maneira inimitável diante dos nossos olhos. A interação dos leitores conosco (colunistas) e com Bruno Kazuhiro é grande, diferentemente de blogs mais fechados que vemos na grande rede. Portanto, se existe democracia ou processos democráticos na internet, o Perspectiva os busca o tempo todo e com todas as forças.

Esse aniversário traz esperança. Promove uma alegria em debater e informar cada vez mais as pessoas e também em aprender com elas. Eu defino como uma comemoração de descobertas e evoluções, graduais como em qualquer boa evolução.

Zeus disse: “quando a caixa for aberta, poucos serão os mortais que entenderão e poderão usufruir de seu conteúdo”. Pois eu digo: a caixa de Pandora explodiu e abriu, nos trouxe a dúvida, o amanhecer e a esperança, um ano atrás.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Por uma sociedade mais politizada, crítica e participativa

16/09/2009

Por Renato Alves*

Diz o ditado popular: “Política, futebol e religião não se discute”. Você concorda com ele? Eu não compactuo com este ditado, principalmente com relação ao primeiro item. Posso até concordar que a política é um assunto instigante e, inevitavelmente, polêmico. Porém, não vivemos sem ela. Portanto, acredito que a informação, a análise, a discussão e o debate a seu respeito são imprescindíveis para o esclarecimento e a elucidação dos equívocos que se apresentam no dia a dia político e, inclusive, para a boa condução de nossas vidas.

Atualmente, por preconceito ou até mesmo por falta de informação a respeito da política e de seus agentes, a maioria dos cidadãos – principalmente os jovens – se afasta dos temas políticos. E este afastamento interfere negativamente na condução das políticas públicas em nosso país.

Seria benéfico e fundamental que a maioria das pessoas se propusesse a se aventurar pelo campo da política, não necessariamente de forma partidária ou ideológica, mas conscientemente, buscando esclarecimentos e exercendo uma cidadania de maneira efetiva. Este seria o caminho ideal para a construção de uma sociedade mais politizada, crítica e participativa na busca de uma política justa, ética e solidária.

Ter cidadãos politizados, críticos e participativos é possível, porém, entendo que é difícil. Mas se cada um que tiver a oportunidade de executar e efetivar essa construção da cidadania em um outro indivíduo fizer a sua parte, a dificuldade será amenizada consideravelmente.

Mobilizar e conscientizar a sociedade sobre a importância da política em nosso cotidiano é uma tarefa árdua, entretanto, de extrema necessidade. Existem vários mecanismos para atingir este objetivo. A internet, por ser um canal de fácil disseminação de informação, é uma das ferramentas mais poderosas. Por meio de sites, e-mails, blogs, twitters e outros canais disponíveis na web é possível comunicar-se com boa parte dos cidadãos, que podem se tornar multiplicadores da construção da cidadania.

E por falar em internet, mobilização e conscientização, parabenizo este blog – Perspectiva Política – que abriga minhas colunas semanais e, principalmente, por ser um desses canais de construção da cidadania. Parabenizo também seu autor e idealizador, Bruno Kazuhiro, pela feliz audácia de colocar no ar uma ferramenta que proporciona aos leitores o acesso à informação e à análise dos fatos políticos, além de disponibilizar espaço para reflexão, discussão e debate democrático.

Enfim, meus parabéns ao Perspectiva Política pelo seu primeiro aniversário e pela forma justa e independente, sensata e coerente com que trata a política dando sua valorosa contribuição na construção de uma sociedade mais politizada, crítica e participativa.

Até a próxima!

* Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira

Coluna do dia: Uma rocha em meio à tempestade

15/09/2009

Por Raphael Machado Silva*

“O caminho certo é o do meio” – Buda

Em meio aos acontecimentos cotidianos, seja no âmbito político ou não, cercados por toneladas de informação e desinformação, e estando dotados de alguma capacidade de raciocínio, é muito difícil não assumirmos uma postura dogmática, a partir de nossa maneira de ver o mundo, e nela ficarmos fechados por nossas próprias limitações, cegos para tudo o mais. Ao invés de olharmos para fora e vermos o Mundo, olhamos e só vemos a nós mesmos, que colocamos em todas as coisas, graças à nossa incapacidade de mantermos uma distância das inúmeras situações que testemunhamos, sejam benéficas ou maléficas.

Mais difícil ainda é se recusar a assumir uma atitude passiva, de aceitação generalizada, de inconstância ética e intelectual, daquele tipo utilizado pelos que pregam o “ah…mas é assim que são as coisas…”.  Porém, caso as coisas mudem amanhã e você retruque eles repetirão como se nada houvesse mudado: “ah…mas é assim que são as coisas…”. Como se os homens fossem apenas bonecos de pano que são movimentados de um lado para o outro, sem qualquer esperança de exercer influência sobre o meio que os cerca.

É necessária uma certa leveza de Espírito para se trilhar um caminho de equilíbrio. É preciso amar a verdade por ela mesma, independente de seus frutos e consequências. O maior risco nesse caminho, além do risco da passividade e da covardia, é o de entender o caminho do meio como um fim em si, ou seja, descaracterizar o caminho como aquilo que ele é, apenas um caminho. É assim que supostos defensores da “moderação” se amedontram diante de certas afirmações, pelo simples fato de os mesmos não serem inofensivos. Fatos com possíveis consequências perigosas, ou que culminam em uma percepção muito distinta da percepção que a maioria tem do mesmo fato, são taxados de extremismos ou radicalismos, e por isso falsamente rejeitados de antemão, como se verdades dependessem de sua adequação a noções subjetivas de cotidianeidade.

O Perspectiva Política é, diferentemente de quase todos os blogs de mesma temática, um blog sem medo. Sem medo, e sem compromissos fora daqueles exigidos pela ética e pelo apreço pela maior aproximação possível da verdade dos fatos políticos nacionais e internacionais. Se o blog reúne indivíduos de visões de mundo e preferências ideológicas diversas, reúne ao mesmo tempo pessoas que colocam sinceridade e veracidade acima de suas preferências pessoais. E se, mesmo assim, indivíduos diferentes chegam a resultados diferentes de avaliação sobre um mesmo fato ou personagem, isso se dá porque todos os fatos políticos são multifacetados e nenhuma pessoa é capaz de abarcar todas as facetas com um único vislumbre.

É por isso que este blog e seu autor Bruno Kazuhiro confundem os “militantes”, sempre ansiosos para etiquetar os outros com toda forma de epítetos e chavões. Que o Perspectiva permaneça sendo uma das melhores mídias políticas alternativas nacionais e que continue a contribuir de forma fértil, como creio que já faz, para o debate político e institucional, enriquecendo-o, distante das fórmulas jurássicas e dos compromissos partidários!

Perspectiva Política, parabéns pelo aniversário!

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: A preguiça ideológica

11/08/2009

Por Raphael Machado Silva*

O discurso político-ideológico do mundo contemporâneo é monopolizado por dois termos que servem para definir campos de afinidades e oposições. Me refiro às categorias “Direita” e “Esquerda”. Mas terão essas categorias existência real, ou serão meras ficções abstratas que, ao invés de nos auxiliar a compreender o debate político, apenas superficializam o mesmo?

Quando um homem trava contato com uma ideologia, movimento ou partido novos, seu primeiro questionamento é: “É de esquerda ou de Direita?”. Isso quer dizer que esse homem abre mão da responsabilidade de fazer uma avaliação autêntica dessa ideologia, ou seja, de julgá-la a partir do que ela mesma possui em si. Ao invés, ele se posiciona passivamente se ocupando apenas da atividade de saber que relações essa ideologia estabelece com outras e sob qual categoria política, direita ou esquerda, ele deve “arquivá-la”.

Nessa tarefa de tentar associar uma ideologia a essas categorias, as quais foram solidificadas e cristalizadas por bombardeios midiáticos e acadêmicos, o resultado é sempre a distorção e mutilação da ideologia em questão. Isso ocorre porque essas categorias são compostas por notas comuns o mais mínimas possíveis, exatamente estruturadas de modo a abarcar a totalidade de possibilidades do campo político. Assim, nesse processo de subsunção da ideologia na categoria, “força-se” a associação de tal forma que a própria essência da ideologia é ignorada em prol de sua capacidade de ser equiparada às notas comuns da categoria. Os elementos internos não concordantes são inconscientemente modificados e deturpados, exatamente para garantir a categorização.

Assim, o homem acaba com uma imagem falsa da ideologia, e de semelhanças apenas superficiais com a ideologia mesma, a qual é arquivada sob uma categoria fixa e total. Após simular haver descoberto o que é essa ideologia, resta ao homem assumir uma posição diante dela. Esse posicionamento também irá, necessariamente, se dar de forma passiva e covarde, já que será sempre um posicionamento moral fixo, derivado não da ideologia, e nem de sua imagem falsa, mas sim, da categoria da qual ela participa. Ou seja, dependendo das lealdades ideológicas do homem, ele irá derivar seu posicionamento diante de outras ideologias. Não a partir de uma análise delas, mas apenas a partir do estabelecimento de relações morais falsas, as quais já lhe foram “dadas” por instâncias “superiores”. Esse é um resumo grosseiro da formação do juízo político no homem de massa, o qual transfere de si para uma instância sacralizada o poder de conhecer e se posicionar politicamente no mundo.

Ao fim, temos como resultado a mediocridade. Ideologias políticas são decompostas em palavras-chave, como se vivêssemos em um eterno pré-vestibular. “Nazismo = Nacionalismo + Racismo” ; “Liberalismo = Propriedade Privada + Individualismo” ; “Marxismo = Coletivismo”. Ponto Final. Mesmo por que, muitos pensam: “Para quê me dar ao trabalho de ler alguma coisa escrita pelos próprios representantes das inúmeras ideologias políticas? Não há tempo para isso e esses livros costumam ser grandes, chatos e difíceis. O melhor mesmo é eu entrar para um clubinho que já me dê de brinde todos os juízos a respeito de todas as outras ideologias. É mais prático”.

E ai de quem se recusa a se submeter à falácia de que você TÊM que se enquadrar em uma das duas ideologias dominantes. Serás fulminado por todos os lados, por fanáticos incapazes de realizar o fato de que fazer avaliações políticas com base no modo como uma ideologia se relaciona com a economia é o cúmulo da obtusidade, ainda mais se pensarmos que tanto um como o outro lado são absolutamente recentes na história das civilizações.

Um marxista pode tolerar um capitalista, mesmo porque é uma ideologia que depende necessariamente de um “inimigo opressor”, mas alguém que se recusa a ser uma coisa ou outra é absolutamente intolerável, pelo menos do ponto de vista intelectual. Porque alguém que não é nem uma coisa nem outra está se posicionando fora do discurso político dado pelas instâncias “superiores” e é, portanto, alguém incompreensível. E isso com certeza incomoda muita gente.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.