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Coluna do dia: Climagate – A fraude do aquecimento global

27/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

“ – Aleluia, irmãos!”, brada o pastor Al Gore, incitando a massa.
“ – Aleluia! Aleluia!”, respondem os fiéis, arrebatados pelo entusiasmo da pregação.

Assim funciona a Igreja do aquecimento global dos últimos dias. Ou funcionava… Sim, afinal está ficando claro que o evangelho da tal seita não era assim tão sólido… As profecias anunciadas com alarde e pompa, dando conta de que o “çerumano” estaria levando o planeta a uma catástrofe hedionda, parece, estão sendo desmistificadas pelos fatos.

O que aconteceu para que os alicerces da mais nova utopia coletivista interplanetária começassem a ruir? Bem, digamos que descobriram o Santo Graal da Igreja de Al Gore. Sabem, né? A tal “prova”, que jogaria por terra os dogmas e as certezas próprias da fé. O Santo Graal que abalaria as estruturas do cristianismo, por exemplo, só foi encontrado por Dan Brown, no Código Da Vinci. Já aquele capaz de jogar por terra as previsões catastrofistas do prêmio Nobel, está aí, acessível a todos os céticos.

Não! Eu realmente não entendo nada de ciência e de aquecimento global. Quem entende disso, sabemos, são os humanistas do “pogreçismo” politicamente correto. Aquela gente fascinante que faz passeata pelo fim da poluição e vai até a concentração do evento dirigindo seus carros. Sim! Qualquer um que esteja engajado na luta pela preservação da Terra se torna uma autoridade sobre o assunto. Eu? Ah, que nada! Eu sou só uma voz dissonante, não é mesmo? Em matéria de aquecimento global, certo mesmo é ficar com as opiniões de Victor Fasano, Cristiane Torloni e Sharon Stone – esta última dotada da autoridade intelectual típica de quem cruzou as pernas sem calcinha…

Mas o que aconteceu, afinal? Bem, alguns hackers – todos seguramente conservadores, reacionários, de direita, golpistas, preconceituosos e a serviço “duzamericânu” – invadiram uma meia-dúzia de servidores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Caso os leitores não saibam, a tal universidade está para a Igreja de Al Gore assim como Aparecida está para o catolicismo brasileiro. Pois bem, nos computadores dos obreiros-cientistas, os piratas encontraram uma série de e-mails um tantinho curiosos. Lá, havia o registro de um especialista contando para outro especialista que truque usara para esconder a queda média da temperatura global, que acabaria por implodir um dos dogmas primários da fé deles.

Phil Jones, o obreiro de Al Gore, admitiu que os e-mails são todos verdadeiros, mas tentou torturar as palavras, a fim de que confessassem ter um sentido diferente daquele que realmente possuem. Segundo o sujeito, “truque” não queria dizer… “truque”! Claro! Assim como o tal pedido para agilizar, que a terrorista mãe do PAC fez à servidora da receita, queria dizer outra coisa, não é? É sempre assim: a turma humanista e “pogreçista” que se arvora em mudar o mundo e salvar a Humanidade, não exita em contar um punhado de mentiras sempre que entende conveniente. Eles nos enganam? Sim, sempre enganaram! Mas o fazem para o nosso próprio bem! É para construir o tal “outro mundo possível”.

O fato é que o apocalipse de São João, pintado diante de nossos olhos pelos ecoterroristas arregimentados pela Igreja do aquecimento global dos últimos dias, parece, não irá se materializar. O mundo andou se aquecendo, como eles tanto dizem? Tudo indica que não. A verdade, aliás, poderia ser bem outra: parece que o mundo andou foi se esfriando… Porém, ainda que realmente tivesse sido registrada uma alta nas temperaturas, está parecendo que isso não significaria a primeira trombeta do juízo final, já que, ao longo da história humana, sempre foram registrados movimentos cíclicos de variação da temperatura do planeta. Quem diz isso? Eu? Os serviçais “duzamericânu”? Que nada! Quem disse isso foram os obreiros-cientistas de Al Gore, em suas encíclicas secretas.

“Tá, suponhamos que a coisa não seja assim tão grave. Que mal há em ouvir o que eles dizem e preservar o planeta?” Ah, mal nenhum! Percebam: eu não me oponho a medidas ecologicamente corretas, nem acho que devemos tocar fogo em cada árvore da Amazônia. O que me deixa furioso é essa mania que certo “pogreçismo” tem de tentar coletivizar a Humanidade, unindo-a em torno de um “ideal”, de um suposto “bem comum”. Quando vejo isso, um alarme dispara dentro de mim, denunciando o perigo iminente. Sempre que essa gente trilhou semelhante caminho, o resultado foi o mesmo: morte, miséria e terror.

Reparem que o roteiro é sempre o mesmo: há um mal iminente, que vai conduzir à destruição da Humanidade; há uma única salvação possível, que vai destruir o mal e salvar os “homens bons”; e há uma “entidade”, portadora das verdades da “causa redentora”, que vai guiar aqueles que abraçarem suas verdades, encarregando-se, também, de eliminar os que forem contrários.

No passado, Marx e mais alguns desocupados cismaram que o capitalismo ia conduzir o mundo à ruína, e tentaram convencer o povo de que “O Partido” deveria conduzir uma grande revolução. A burguesia – aqui compreendida como qualquer pessoa ou coisa contrária ao “Partido” -, claro, deveria ser aniquilada sem piedade.

Só que o marxismo fracassou, basicamente porque Marx, como analista econômico, era um ótimo pai… O sujeito, que não conseguia organizar as próprias finanças, de modo a não depender de Engels, esqueceu do óbvio: é muito mais prático receber o salário como operário, do que tentar matar o dono fábrica.

Os teóricos do fim da história, porém, não conseguem se render aos fatos. De tempos em tempos, surge uma nova distopia coletivista, sempre com os mesmos traços já vistos no passado. A Igreja do aquecimento global dos últimos dias, assim como o marxismo, também jura de pés juntos que o mundo, tal qual está hoje, vai acabar… acabando! E apenas eles – os “pogreçistas” ecologicamente corretos – conhecem a fundo “a causa” redentora. Apenas eles podem nos salvar, desde que sigamos cegamente as ideias deles.

Qual é a armadilha por trás da retórica salvacionista? Bom, num discurso extremista – que irrompe invariavelmente no fim da história e na extinção da Humanidade tal qual a conhecemos – qualquer barbaridade pode ser tolerada aos olhos da “moral deles”. Mesmo que tais barbaridades sejam, hoje, condenadas pela “nossa moral”. Ora, se o obreiro de Al Gore está agindo para impedir o fim do planeta Terra, como recriminá-lo se conta uma ou duas mentirinhas sobre a elevação das temperaturas médias? A trapaça de hoje é justificada pelo fim máximo, que é a busca pela salvação do “çerumano”. E, convenhamos, diante de “tão nobre” objetivo, nenhum imperativo moral de hoje consegue sobreviver, não é?

A Igreja do aquecimento global dos últimos dias não vai morrer. Longe disso. Na verdade, essa moderna distopia coletivista e redentora vai apenas seguir o curso de todas aquelas que surgiram no passado: as trapaças do presente serão justificadas em nome da salvação, que virá no futuro; os que denunciarem tais trapaças serão tratados como as bestas-fera pelos “homens bons” – tudo será rapidamente imputado aos conservadores, direitistas, reacionários e aos grandes conglomerados econômicos mundiais.

E Al Gore, que ainda não apareceu depois de escancaradas as fraudes da seita por ele capitaneada? Bem, ele continuará sendo uma espécie de Edir Macedo do aquecimento global: ninguém acredita que ele seja santo e miraculoso, mas seus cultos continuarão cheios, com os fiéis levantando os braços e berrando: “Aleluia! Aleluia!”

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento