Postagens com a palavra-chave ‘Crise econômica’

Artigo: Em nome dos fatos – Mírian Leitão

11/08/2010

Tenho algumas reticências quanto ao que escreve Mírian Leitão. O que ocorre é que não tenho a mesma visão político-econômica dela.

Contudo, o artigo que a analista escreveu para as páginas de hoje do jornal O Globo não traz conteúdo opinativo no meu entendimento, e sim factual.

E no que tange aos fatos, está corretíssimo. Mírian traz a verdade sobre a política econômica recente do País e, por isso, publico aqui o artigo, com o qual concordo.

Ressaltando que creio, sim, que o governo Lula manteve a política econômica mas avançou no social, reproduzo, sem mais delongas o texto.

Em Nome dos Fatos

Mírian Leitão

Inflação fora de controle quem enfrentou foi o Plano Real. O acumulado em 12 meses estava em 5.000% em julho de 1994. Quando a inflação subiu em 2002, no último ano do governo Fernando Henrique, pela incerteza eleitoral criada pelo velho discurso radical do PT, ficou em 12%.

Ela foi reduzida pelo instrumental que o PT havia renegado. Isso é a História. O resto é propaganda e manipulação.

O PT e o governo Lula têm dito que receberam o país com descontrole inflacionário e a candidata Dilma Rousseff repetiu isso na entrevista do Jornal Nacional. O interesse é mexer com o imaginário popular que lembra do tormento da inflação.

A grande vitória contra a inflação foi conquistada no governo Itamar Franco, no plano elaborado pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, como todos sabem. Nos primeiros anos do governo FH houve várias crises decorrentes, em parte, do sucesso no combate à inflação, como a crise bancária.

Foi necessário enfrentar todas essas ondas para garantir a estabilização. Nada daquela luta foi fácil. A inflação havia derrotado outros cinco planos, e feito o país perder duas décadas.

Todos sabem disso. Se por acaso a candidata Dilma Rousseff andava distraída nesta época, o seu principal assessor Antonio Palocci sabe muito bem o que foi que houve. Ele ajudou a convencer os integrantes do partido a ter uma atitude mais madura e séria no combate à inflação.

O PT votou contra o Plano Real e fez oposição a cada medida necessária para consolidar a nova ordem. As ideias que o partido tinha sobre como derrotar a alta dos preços eram rudimentares.

Em 2002, a inflação subiu principalmente nos dois últimos meses, após a eleição. A taxa, que havia ficado abaixo de 6% em 2000, subiu um pouco em 2001 e ficou quase todo o ano de 2002 em torno de 7%. Em outubro daquele ano, o acumulado em 12 meses foi para 8,5%. Em novembro, com Lula eleito, subiu para 10,9% e em dezembro fechou em 12,5%.

É tão falso culpar o governo Fernando Henrique por aquela alta da inflação — de 12,5% repita-se, e não os 5.000% que ele enfrentou — quanto culpar o governo Lula pela queda do PIB do ano passado, que foi provocada pela crise internacional.

Recentemente, conversei com um integrante do governo Lula que, longe dos holofotes e da campanha, admitiu que essa aceleração final foi decorrente do fato de que a maioria dos empresários não acreditava que o governo Lula fosse pagar o preço de manter a estabilização.

Esse foi o mérito do PT. Foi ter contrariado seu próprio discurso, abandonado suas próprias propostas, por ter percebido o valor da estabilização.

Esse esforço foi liderado por Palocci e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A inflação entraria numa rota de descontrole que poderia até ter destruído o esforço feito durante os oito anos anteriores se o governo Lula tivesse persistido nas suas propostas.

A História foi essa e não a que a candidata Dilma Rousseff apresentou.

Coluna do dia: O tamanho do Estado brasileiro

28/04/2010

Por Alexandre Campbell*

Até junho e julho, a Mídia e os Blogs cobrirão sobre as eleições, principalmente, as estratégias políticas:  formação de alianças, escolha de Vice, etc.

Propostas e programas de governo terão pouco espaço, reservadas as entrelinhas. E foi nas entrelinhas que José Serra, pré-candidato à Presidência pelo PSDB, criticou, na semana passada, a criação da Petro-Sal, estatal responsável por gerir o Pré-Sal.

Segundo a Folha Online, ao se referir à sua passagem pelo Ministério da Saúde e para falar do papel do Estado na economia, disse que não fez “nenhuma empresa estatal para produzir genéricos”.

O pré-candidato negou, porém, que tenha intenção de privatizar qualquer empresa estatal. “Para privatização, não há mais espaço significativo”, disse.

Este tema – a participação do Estado na economia – será recorrente na campanha e o tucano precisa ter cautela para falar sobre ele. Em 2006, Alckmin perdeu as eleições  – dentre outros motivos - porque o PSDB não soube se desvencilhar da pecha de privatista.

Parte das privatizações feitas nos governos Collor, Itamar e FHC foi necessária – algumas delas talvez feitas sem o devido planejamento, mas ainda assim necessárias. Outras são questionáveis, mas enfim, coisas do passado.

Nesse sentido, Serra afirmou que o Estado tem que ser “musculoso, mas enxuto”.

“Nós não somos lutadores de sumô”, disse.

Contra o “estado obeso”, defende um outro modelo mais eficiente, que permita reduzir impostos e incentivar o crescimento.

Lula tem dito que foi o Estado forte que garantiu ao Brasil sobreviver melhor durante a crise econômica de 2008 do que outros países. Ele lembra que países adeptos do “Estado Mínimo” passaram a intervir mais forte.

Este é um debate ainda embrionário, mas importante para o País.

A diferenciação dos candidatos e dos modelos é, sem dúvida, melhor do que a política de agressão que se avoluma nos subúrbios deste período eleitoral.

*Alexandre Campbell, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças, jornalista, estudante de Marketing Político e autor do Blog do Campbell, onde escreve diariamente sobre política

Coluna do dia: Tragédia e fragmentação europeias

04/03/2010

Por Felipe Liberal*

Algum tempo atrás, eu escrevi um artigo intitulado “Globalização da Fragmentação”, falando, entre outras coisas, da limitada e frágil integração continental através da União Europeia e do euro. Uma união entre deuses e demônios, impossível de prosperar.

Vendo agora a tragédia dos déficits português, espanhol, italiano, irlandês e principalmente, grego, podemos supor que tudo isso é apenas o início de uma verdadeira desintegração do continente, que se juntará ao descontentamento francês com a moeda, fortalecendo as imortais divergências com as grandes potências europeias, principalmente a Alemanha, que é o “país-chefe” do euro.

Dos 27 países que assinaram o Tratado de Maastricht, fazendo parte da Comunidade Europeia, cerca de 70% possuem graves déficits financeiros em suas contas, mostrando a instabilidade da união “divina” no continente.

Porém, deverá haver uma ação de solidariedade dos grandes bancos europeus (principalmente dos bancos alemães) para com esses países em crise mais séria, levando a uma desesperada estabilidade momentânea.

Alguns falam em exclusão da zona do euro de alguns países periféricos, o que não deve acontecer, pois existem as ilusórias pretensões dos grandes países europeus em fortalecer ainda mais o euro, criando organismos de centralização, para bater a libra inglesa e o dólar americano. Excluindo esses países, esse objetivo seria impossível.

E esse objetivo é a grande questão do momento. É muito improvável que a Inglaterra e os EUA deixem que uma centralização política e econômica se torne viável. Esses dois irmãos siameses são os maiores interessados em uma desintegração da CEE e da moeda europeia.

A Inglaterra só tem a perder com o fortalecimento do euro e os americanos teriam um novo inimigo, caso tudo isso se concretizasse de forma perfeita.

Isso sem falar da França, que tenta se “libertar” das amarras do euro desde 2006, quando quis criar um bloco paralelo com países da África e do leste europeu.

Conhecendo a História, os EUA e a Europa, é bem fácil de prever o futuro do velho continente nos próximos dez ou quinze anos: crise, fragmentação e guerra.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

PSDB estaria planejando carimbar contas externas do governo como “herança maldita”

19/02/2010

Informa o Estadão, a respeito da suposta intenção do PSDB de carimbar as contas externas do atual governo como uma “herança maldita”:

“Oito anos após a eleição de 2002, quando foram acusados por petistas de deixar uma ‘herança maldita’ na área econômica, os tucanos apostam agora na expressão para atacar pontos da política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. No mais recente boletim de conjuntura, elaborado pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), espécie de think tank ligado aos tucanos, técnicos do partido alertam para a situação das contas externas, dando o tom do que será explorado politicamente pela oposição no debate econômico em ano eleitoral.

Intitulada Com PT, País torna-se mais dependente do exterior, a publicação quinzenal do instituto, chamada Brasil Real, ataca o atual déficit em conta corrente, ‘em franca deterioração’, prevendo um rombo de US$ 60 bilhões até dezembro – o mercado fala em US$ 50 bilhões. ‘O saldo da balança comercial só faz minguar. Tudo somado, parece certo que a gestão petista legará ao próximo presidente uma situação de déficit externo recorde, verdadeira ‘herança maldita’ para o futuro do País’, diz a carta, enviada semana passada para a bancada do partido no Congresso como subsídio ao discurso político do PSDB.

[...]

O texto publicado pelo ITV fala no ‘mais alto déficit externo da história’, ultrapassando os 4,3% do PIB, durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘A gestão Lula está rifando o futuro e transferindo empregos para o exterior. Esta será mais uma das ‘heranças malditas’ que o governo do PT legará ao próximo presidente’, diz o texto.

Especialistas apontam uma combinação entre as políticas fiscal e monetária promovidas pelo governo como responsável pelo déficit – entre 2003 e 2007 houve superávit nas contas externas, que medem a capacidade do País se financiar e honrar seus compromissos externos.

‘Há uma mistura inadequada política fiscal com a política monetária que acaba terminando em déficit’, disse Simão Silber, professor do departamento de economia da Faculdade de Economia e Administração da USP. ‘Há gastos em demasia e poupança baixa. Com excesso de gastos, alguém de fora tem de trazer recursos para fechar a conta’, completou Silber. O governo aponta o alto nível das reservas internacionais – mais de US$ 240 bilhões – para dizer que a situação não é de risco.”

Torcer contra nunca é correto. De forma alguma. O interesse público tem que ser o interesse de todos os partidos.

Contudo, é natural que, quando algo capitaneado por um lado caminha errado, o outro explore a falha eleitoralmente.

Além disso, é fato que as contas externas do governo Lula realmente não vão bem após a crise que, se não foi gigantesca no Brasil, não foi simples marolinha. Isso faz com que surjam questionamentos a respeito do bom andamento da economia pré-crise. Será que as coisas estavam dando certo apenas pelo bom cenário internacional, como alegam os adversários do governo?

Talvez.

Fato é que, no fim das contas, a oposição não deve nunca comemorar uma falha do governo que prejudica a população, porém, é até esperado que este erro seja utilizado na campanha para basear uma crítica à gestão atual.

A artimanha da “herança maldita” é antiga. Mas continuará atual por um bom tempo.

Boa notícia: Classe C brasileira volta a crescer

08/02/2010

Informa Lauro Jardim, na Veja:

“A classe C, a nova classe média brasileira, voltou a crescer e aparecer. Entre 2003 e setembro de 2008, 31 milhões de brasileiros ascenderam à classe C. Com a marolinha, 0,5% deles retornaram a um patamar abaixo. Agora, a boa-nova que será anunciada nos próximos dias pelo pesquisador Marcelo Néri, da FGV/RJ: entre setembro e dezembro de 2009, mais 2,6 milhões de brasileiros ascenderam à classe média.”

É claro que a melhor notícia seria a de que houve aumento da classe B, quiçá da A.

Mas a informação de que a classe C aumentou, com diminuição das classes D e E já é motivo de comemoração.

Boa notícia.

Perspectiva: Hugo Chávez – Início do fim?

01/02/2010

Os últimos acontecimentos políticos da América Latina podem ter decretado o fim da expansão do bolivarianismo na região. Os recentes fatos políticos venezuelanos, por sua vez, podem representar mais: A derrocada de Hugo Chávez. Externa e internamente o semi-ditador enfrenta graves dificuldades de ordem socio-político-econômica.

No que diz respeito à América Latina, o bolivarianismo recebeu, recentemente, três golpes duros:

A vitória de Sebastián Piñera nas eleições presidenciais chilenas, através de um discurso anti-Chávez e da defesa de um projeto de centro-direita.

A resolução pacífica do impasse hondurenho, com a confirmação de perda do poder e ida para o exílio de Manuel Zelaya, representante da ideologia chavista no País, e subida à presidência de Pepe Lobo, conservador e defensor de um discurso de conciliação que agradou os hondurenhos.

E a atuação humanitária ampla e elogiadíssima dos Estados Unidos no Haiti, recuperando para os americanos um pouco da imagem de benfeitores que já existiu em algumas épocas passadas e enfraquecendo o argumento bolivariano de que os EUA são os vilões e malfeitores da América Latina.

No que concerne o cenário político-econômico interno da Venezuela, a conjuntura também não é nada animadora para os chavistas:

Uma crise cambial séria atinge o país, trazendo inflação, desabastecimento e recessão. Desvalorizações monetárias desastradas, planos econômicos pouco eficientes e fixação de preços têm sido o caminho de combate não muito eficiente escolhido.

Sucessivos cortes de energia elétrica se dão nas cidades venezuelanas. Há racionamento intenso e agressivo. Uma crise energética clara está completamente instalada. Também existe falta d’água em algumas torneiras, além de uma seca que afeta a agricultura já enfraquecida pelos anos de desatenção chavista.

E o regime de Chávez, afetado por isso tudo, está em baixa significativa. O Vice-Presidente renunciou. A Ministra do Ambiente, esposa deste, também. Deixou igualmente o governo o Presidente do Banco da Venezuela. Há definitivamente algo de podre no reino chavista dos bolivarianos.

Diante de toda esta situação político-econômica difícil, Hugo Chávez perdeu de vez o controle. Decidiu, como os piores ditadores, responder aos pedidos de mais liberdade com mais repressão, devolver as críticas com justificativas absurdas e risíveis e ameaçar os opositores internos e externos com bravatas.

Enquanto Chávez afirma ridiculamente que os Estados Unidos causaram um terremoto que atingiu a Venezuela, a criminalidade no país dispara, chegando a níveis recordes.

Ao mesmo tempo em que o líder venezuelano desafia a oposição a afastá-lo e repete o enfadonho, mofado e equivocado discurso de que os protestos populares recentes são obras de conspirações oligarcas e burguesas, sua popularidade despenca entre a população e as mobilizações contrárias ao regime e defensoras de mais liberdade, principalmente de opinião e de imprensa, proliferam.

Ao passo que a influência externa de Hugo Chávez vai minguando, seu poder também se reduz internamente. Seu governo começa a ser questionado com mais atrevimento, fato típico do ocaso das ditaduras e das gestões autoritárias.

- Se Chávez está acabado, bem, me afastem! Com toda a energia gasta nessa loucura, toda tinta e papel, que organizem um grupo, peçam o referendo. Vamos ver se dizem mesmo que estou acabado. Ninguém vai impedi-los — foi o que disse o Presidente venezuelano à sua oposição.

Claramente, esperneira e desafia para se afirmar. Líderes personalistas sempre reagem mal às quedas de popularidade e aos questionamentos de suas qualidades. Comprova-se até psicologicamente que o caudilho está em maus lençóis.

Em resumo, temos hoje um cenário de vantagem da democracia liberal sobre o chavismo na América Latina e uma conjuntura socio-político-econômica completamente prejudicial aos planos condenáveis de Chávez no mundo próprio da Venezuela.

Será o início do fim?

Coluna do dia: IPI – A redução ajuda mesmo os brasileiros?

17/01/2010

Por Jessica Riegg*

As taxas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) referentes a móveis, eletrodomésticos da linha branca e carros flex, principalmente, foram bastante reduzidas ultimamente. De acordo com o governo, a medida objetiva fomentar o giro da economia, além de reduzir os efeitos da Crise Mundial.

Isso acontece porque, com preços mais baixos ,as pessoas provavelmente comprarão mais e irão movimentar mais dinheiro. Dessa forma, objetos que estavam estocados aguardando clientes sairão das lojas e o lucro voltará para o mercado, levando a produzir mais produtos.

A medida atingiu seu objetivo e o governo decidiu beneficiar mais setores com a redução do IPI. Com esta, os brasileiros poderão comprar mais, percebendo que o poder de compra aumentou.

A produção desses produtos selecionados no Brasil é grande, e por isso o governo os escolheu. A indústria possui capacidade ociosa, podendo fabricar bem mais do que atualmente.

Com essa redução, e agora com o aumento do salário mínimo, os brasileiros com toda a certeza comprarão mais e movimentarão mais ainda a economia do País.

A questão é que isto pode acarretar o aumento da inflação, monstro atualmente domado, já que haverá mais dinheiro movimentando a economia e a produção pode não acompanhar esse ritmo de aumento, levando ao aumento dos preços por uma simples relação entre oferta e procura.

Essa medida pode ser vista pela oposição como eleitoreira. É possível que ela alegue que as iniciativas visam apenas obter a aprovação dos eleitores quanto ao governo e garantir a continuidade do PT no poder, sendo, na realidade equivocadas economicamente.

Contudo, quando houver a verificação disso as eleições já vão ter passado. Assim os brasileiros já terão aprovado o governo do presidente Lula, acreditando que ele serviu para aumentar muito o nível de vida da população.

Pode ser que isso ocorra merecidamente, mas há risco de erros na política econômica ficarem camuflados.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Ambientalismo e Globalização – O fiasco de Copenhagen

30/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

O dia termina, e não se chega a nenhuma conclusão de aplicabilidade prática. Todas as esperanças são traídas. Todas as expectativas foram em vão. Tudo o que foi dito não passou de uma sucessão de palavras vazias. O mundo para, perplexo e decepcionado. Os líderes mundiais abaixam as cabeças e saem “de fininho”, proferindo lamentos hipócritas para os abutres midiáticos que os perseguem constantemente.

E o que havia aí de inesperado? Como não era óbvio que Copenhagen seria tão, ou mais, inócua quanto Kyoto? Apenas os indivíduos de natureza abertamente mística e messiânica poderiam esperar por alguma “solução” vinda de uma reunião feita única e exclusivamente com o fim de agradar os eleitores-consumidores, que têm as mudanças climáticas por que passa o Globo em alta conta.

Copenhagen não passou de jogada de marketing político internacional. Ora, quem poderia crer que os líderes mundiais, os quais em sua maioria não passam de títeres dos interesses econômicos que os colocaram no poder, poderiam livremente determinar diretrizes normativas para que os países participantes e seus membros seguissem, as quais obviamente reduziriam a capacidade dos interesses financeiros internacionais de saquearem e rapinarem à vontade, se engordando com os frutos profanos da mais-valia.

O próprio foco da Conferência revela claramente toda a malícia dos interesses internacionais. A dialética política e as propagandas midiáticas maciças conseguiram reduzir as infindas Questões Ambientais ao “Aquecimento Global”. Hoje, “Aquecimento Global” é sinônimo de Ambientalismo. Fora do “Aquecimento Global” não há nada. Assim, afasta-se de todo a atenção da população em relação a todos os outros problemas ambientais, concentrando-a sobre uma temática facilmente apelativa, altamente mercantilizável e extremamente apta a ser usada para os fins mais escusos.

Ora, e o que se diz sempre que falha alguma dessas sempre frequentes tentativas de acordos ambientais? “Precisamos de uma estrutura normativa internacional, semelhante a um Estado!”. Não estão cansados de ouvir a mesma “ladainha”? Afinal, isso também é constantemente dito como a “melhor solução à longo prazo para a crise econômica”. Parece que todo e qualquer problema de âmbito internacional é justificativa para se apregoar a desintegração das soberanias nacionais, e a submissão dos Estados a um Leviatã internacional.

Esse é o grande sonho de todos os burocratas neomarxistas, assim como o de todos os banqueiros, usurários e grandes capitalistas. Um mundo sem fronteiras, e melhor ainda se não houverem mais religiões, raças, culturas, idiomas, gêneros, classes ou todo qualquer outro fator de diferenciação individual ou coletiva ao redor do qual se possa construir uma Identidade, é o principal objetivo de todas as mobilizações internacionais políticas e econômicas. O sonho desses tiranos é um mundo que espelhe a música “Imagine” de John Lennon. Para mim, esse mundo seria o maior dos pesadelos.

A única finalidade do “Ambientalismo” assim como do “Aquecimento Global” (não cabe nesse artigo discutir se o mesmo é real ou não, e qual a participação do homem no mesmo), é preparar e despertar o interesse das massas em direção a um aparato estatal global, para que quando o mesmo surja, as massas não se revoltem e apóiem a iniciativa.

Ao mesmo tempo, é pré-condição necessária que absolutamente nada seja feito no sentido de tentar resolver seriamente esses problemas ambientais. Ao contrário, é absolutamente intencional que os líderes mundiais “empurrem com a barriga” esses problemas. Afinal, caso fossem resolvidos ou ao menos minorados, não haveria mais qualquer justificativa para se estabelecer o Leviatã Global, não é mesmo?

É esse o sentido da apropriação capitalista dos ideais ambientais. Para suprir os ímpetos ecológicos das massas, e fazer com que elas pensem que “estão lutando pelo meio ambiente”, são desenvolvidos produtos “verdes”, os quais não são necessariamente menos poluidores que os produtos “normais”. A finalidade dos mesmos é única e exclusivamente apaziguar as massas, fazendo-as crer no absurdo de que “salvarão o mundo”… Consumindo?!

Afinal, quem teria a coragem de propor e legislar no sentido de reduzir radicalmente o consumo, a produção e a economia de modo geral? Dane-se o “desenvolvimento sustentável”, afinal, inúmeros problemas ambientais têm sido causados até agora por conta do consumo e da atividade industrial ocidentais, e, hoje, Índia, China e o Sudeste Asiático, que juntos possuem quase 3 bilhões de habitantes, estão sendo integrados nos padrões de consumo ocidentais.

O que o mundo precisa é de Decrescimento. Decrescimento Populacional e Decrescimento Econômico. Mas que político terá a coragem de propor isso?

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.

Tucanos aumentam máquina pública em SP

19/10/2009

Informa a Folha:

“Críticos da expansão da máquina do Estado promovida nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos também aumentaram, no mesmo período, o quadro de pessoal e os gastos com o funcionalismo em sua principal vitrine administrativa, o governo paulista.

A partir de 2003, de acordo com dados fornecidos à Folha, a estrutura do Executivo estadual ganhou mais 33 mil servidores na ativa ao longo das gestões de Geraldo Alckmin e José Serra, os dois últimos candidatos do PSDB à Presidência -e, provavelmente, os próximos candidatos do partido ao Bandeirantes e ao Planalto, respectivamente.

Trata-se de um contingente semelhante ao do Ministério da Fazenda, que conta com auditores fiscais distribuídos por todo o país e só perde, no aparato civil federal, para Educação, Saúde e Previdência.

A alta das despesas com os funcionários dos Três poderes, apurada pela Secretaria da Fazenda, foi ainda mais acelerada, graças aos reajustes salariais concedidos às principais carreiras.

Segundo as informações divulgadas por exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, a conta anual, incluindo aposentadorias e pensões, subiu 19% acima da inflação e chegou em 2008 a R$ 43,1 bilhões, ou a soma dos ministérios da Defesa e da Fazenda.

Discrepâncias nas metodologias de apuração dos dados dificultam uma comparação precisa entre as políticas de pessoal de petistas, na área federal, e tucanos, em São Paulo.

Os números permitem concluir que os primeiros superam os segundos, de fato, no impulso expansionista da máquina pública. Mas a diferença é de grau -não de orientação.”

Se este blog critica frequentemente a falta de cautela com relação ao aumento da máquina pública federal em tempos de crise e queda acentuada da arrecadação, sugerindo mais critério nos gastos e na escolha dos setores que receberão investimentos, nada mais justo e coerente que repita as mesmas recomendações e reclamações com relação ao aumento da máquina pública paulista sob os governos tucanos, por mais que o grau da expansão seja menor.

Receita governamental encolhe enquanto máquina cresce

19/10/2009

Informa o Globo:

“Mesmo com a queda na arrecadação de R$ 56,7 bilhões até agosto, o ritmo de aprovação de leis criando cargos e funções comissionadas no âmbito dos três Poderes continuou acelerado em 2009.

Só este ano, segundo levantamento do deputado tucano Arnaldo Madeira (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sancionou 25 leis que aumentam despesas com criação de cargos ou funções comissionadas — os projetos foram enviados nos últimos anos.

A política do governo Lula de ampliar a estrutura do funcionalismo resultou no ingresso de 57,1 mil novos servidores no Executivo entre 2003 e 2009. Para o mesmo período, o governo autorizou a criação, por concurso público, de 160.701 vagas.

Os cálculos do tucano apontam que as 25 leis sancionadas este ano têm um impacto financeiro de R$ 7,24 bilhões, já que elas preveem a criação de 26,1 mil vagas, sendo 14,4 mil no Poder Executivo (incluídas no total de 160 mil).”

Informa também o Globo:

“O impacto prolongado da crise econômica mundial — e a consequente demora na recuperação da arrecadação — fez o governo elevar sua previsão de queda na receita este ano.

Pela nova estimativa feita pela equipe econômica, a arrecadação deve encerrar 2009 em R$ 458,4 bilhões, ou seja, uma queda de R$ 64 bilhões em relação aos R$ 522,4 bilhões que foram projetados no início de 2009, na lei orçamentária.

Para a oposição, a perda para os cofres públicos este ano pode chegar a quase R$ 77 bilhões.”

A crise econômica não foi causada pelo governo brasileiro, óbvio, portanto, não se pode creditar parcela de culpa no que tange a queda da arrecadação na conta do governo.

Porém, a má administração da máquina pública, o inchaço da mesma e a falta de cautela no que diz respeito ao aumento do Estado em um momento de crise podem, com certeza, ser questionados junto ao governo.

Está comprovado por a mais b que a arrecadação despencou e que, portanto, é preciso muito critério na hora de autorizar aumentos da máquina pública brasileira. Não podem ideologias governamentais e interesses de aliados do governo serem mais importantes que a austeridade.

É preciso, sim, ficar de olhos bem abertos a respeito do aumento do Estado brasileiro, pois se não houve tsunami, também não temos apenas uma marolinha.