Postagens com a palavra-chave ‘Crise do Senado’

Perspectiva previu a vergonha: Sarney assumirá a Presidência!

08/04/2010

Disse este que vos fala no início do ano:

José Alencar deixará a Vice-Presidência ou, no mínimo, não assumirá interinamente o cargo de Presidente da República, afinal, se o fizer, não poderá concorrer ao Senado por Minas Gerais ou ao governo do estado como desejam alguns governistas.

Michel Temer não poderá, tampouco, assumir a Presidência, se quiser ser Vice de Dilma Rousseff.

José Sarney ainda tem mais da metade de seu mandato no Senado. Está em situação cômoda e não se preocupa com desincompatibilizações.

Portanto, chegamos à seguinte conclusão:

A partir de abril, Temer e Alencar não assumirão a Presidência quando Lula viajar.

O Presidente em exercício será…

…José Sarney!

Pois bem. Confiram o que diz, hoje, o Globo:

“O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), voltará a assumir a Presidência da República domingo à noite, quando o presidente Lula viajará para Washington, para participar da reunião de cúpula sobre segurança nuclear. Sarney reassume o cargo 25 anos depois de ter passado a comandar o país em função da doença e morte do presidente Tancredo Neves.

Embora já tenha presidido o Senado outras vezes — terceiro cargo na linha sucessória —, é a primeira vez que assumirá a Presidência desde que deixou o posto, em março de 1990.

O vice-presidente José Alencar terá uma agenda em Montevidéu, no Uruguai, para o mesmo período. Ele não pode assumir a Presidência se quiser concorrer em outubro.

O segundo na linha sucessória, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), também não poderá assumir a Presidência para não ficar inelegível. Ele procura um destino fora do Brasil para ficar entre domingo e quarta-feira.”

O Perspectiva previu de forma certeira o que poderia ocorrer após o prazo de desincompatibilização: Menos de uma semana após o fim do prazo, já se fala em Sarney assumindo a Presidência. Só não via quem não queria ver.

Repito o que disse à ocasião da previsão que fiz sobre o tema:

Talvez tenha sido para isso que Lula e Dilma lutaram tanto pela salvação de Sarney na crise do Senado.

Dá-lhe Brasil!

Comissão recomenda demissão de Agaciel do Senado: Pasmem, Sarney decidirá!

20/02/2010

Informa o Globo:

“Relatório final da Comissão Especial de Inquérito recomenda a demissão do ex-diretor-geral do Senado Agaciel da Silva Maia, pivô do escândalo dos atos secretos e outras supostas irregularidades que atingiram em cheio o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), ano passado. Por dois votos a um, os integrantes da comissão aprovaram, na quinta-feira, a condenação do ex-todo poderoso diretor do Senado pela emissão de boa parte dos 663 atos de nomeação, demissão e transferência de servidores sem a devida publicação no Boletim Administrativo do Pessoal, como determinam as regras internas.

Para investigadores do caso, atos secretos eram artifícios que ajudavam a encobrir a contratação de familiares para cargos com altos salários. O relatório está na 1ª Secretaria, do senador Heráclito Fortes (DEM-PI) desde quinta-feira. O senador deverá encaminhar o documento a Sarney na próxima semana. Caberá a Sarney decidir se ratifica a decisão da comissão e assina a demissão de Agaciel. O ex-diretor foi nomeado para o cargo por Sarney em 1995.”

Lembram-se de Agaciel Maia?

Sim, ele mesmo. Aquele que, quando Diretor-Geral do Senado Federal, permitiu, em conluio com alguns políticos, que atos de nomeação, transferência e demissão não recebessem a devida publicidade, fazendo com que a população brasileira não pudesse saber para onde escoava o seu dinheiro. Daí a denominação “atos secretos”.

É claro que Agaciel não fez tudo isso de graça. Recebeu as indevidas vantagens pessoais e pecuniárias, que podem ser comprovadas pelo fato de ele possuir uma casa luxuosa em Brasília que nunca poderia ser comprada com o seu salário oficial.

O triste é que, apesar de tudo isso, Agaciel continuou como funcionário do Senado esse tempo todo. Deixou a Diretoria-Geral mas manteve-se recebendo das arcas da União, as mesmas que perderam riquezas indevidamente graças ao seu comportamente ilícito.

Só agora, meses depois, chega a informação de que a demissão de Agaciel foi recomendada por Comissão formada para analisar o caso.

Para completar o cenário que seria cômico se não fosse trágico, observem quem decidirá o futuro de Agaciel:

José Sarney! O mesmo que o nomeou anos atrás e que foi seu cúmplice no caso dos atos secretos!

E é melhor nem lembrar que tanto Agaciel como José Sarney estão, aparentemente, livres de responsabilizações penais. Perdem cargos de vez em quando, mas nem cogitam se preocupar com a perda da liberdade ou até de bens. 

É por essas e por outras que o Perspectiva mantém a campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney.

Estes homens debocham da nossa inteligência, ironizam nossa revolta, são indiferentes à indignação alheia.

Só resta Sarney decidir manter Agaciel no Senado.

Se isso acontecer, não faltará mais nada.

Estará decretado que a vergonha na cara só não foi embora de vez de Brasília, de mala e cuia, porque ainda não quis.

Alguns amigos seus, poucos, ainda estão por lá.

Se não for Ciro o candidato governista em São Paulo, Lula prefere Mercadante

01/02/2010

Informa o jornalista Josias de Souza, a respeito do fato de o Presidente Lula preferir o nome do Senador Aloizio Mercadante para ser o representante governista na disputa pelo governo de São Paulo, caso Ciro Gomes não aceite sê-lo ou tenha uma menos provável má recepção do PT paulista:

“Informado pela direção do PSB de que Ciro Gomes não quer disputar o governo de São Paulo, Lula começa a virar a página. O presidente discute, em privado, alternativas a Ciro. Entre todos os nomes disponíveis, Lula pende para o de Aloizio Mercadante.

Líder do PT no Senado, Mercadante declara, em público e entre quatro paredes, que prefere concorrer à reeleição. Natural. Trocando a refrega pelo Senado pela briga estadual, Mercadante largaria o quase certo e se agarraria ao muito duvidoso.

No ringue do Senado, Mercadante está bem-posto. Sondagem do Datafolha divulgada no final do ano passado acomodou-o na liderança. O instituto atribuiu ao líder petista 32% dos votos. Atrás dele vem Romeu Tuma (PTB), com 27%; e Orestes Quércia (PMDB), com 24%.

Na corrida estadual, Mercadante teria de encarar Geraldo Alckmin. O postulante do PSDB frequenta as pesquisas com ares de favorito. Dependendo do cenário, Alckmin belisca índices de intenção de voto próximos ou superiores 50%. Até por essa razão, Lula acha que o PT precisa comparecer às urnas com um quadro do seu primeiro escalão.

Apenas dois nomes se enquadram nesse perfil: além do de Mercadante, o da ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy. Lula diz preferir o primeiro. O presidente repete privadamente um raciocínio que esgrimira em conversa com repórteres no final de 2009. Acha que o petismo comete, em São Paulo, o ‘grave erro de não repetir candidato’. Atribui a esse suposto equívoco a hegemonia do tucanato no Estado.

Em 2006, Mercadante disputou o governo paulista. Ficou em segundo. Obteve coisa de 32% dos votos. Com 58%, o tucano José Serra prevaleceu no primeiro turno. A presidenciável Dilma Rousseff está, por assim dizer, a pé em São Paulo. Daí a inquietação de Lula.

Por razões óbvias, o presidente considera essencial erguer um palanque competitivo para Dilma no maior colégio eleitoral do país. Apostara em Ciro. Sem ele, afora Mercadante e Marta, há no PT um leque de nomes que oscilam nas pesquisas próximos ou abaixo dos 5%.

O principal deles, o deputado Antonio Palocci, foi convidado a integrar a coordenação da campanha de Dilma. E saiu de fininho do córner paulista. Lula refuga os outros três nomes: Emidio de Souza, prefeito de Osasco; Fernando Haddad, ministro da Educação; e o senador Eduardo Suplicy. Quanto a Haddad, Lula prefere que permaneça na Esplanada. Suplicy ainda não teve seu nome testado em pesquisas. Mas não dispõe do voto de Lula, o eleitor número um do PT.

Resta saber se, espremido por Lula, Mercadante vai trocar o quase certo pelo duvidoso. Como se sabe, o senador não costuma lidar bem com pressões do Planalto. No auge da crise do Senado, anunciara uma renúncia ‘irrevogável’ à liderança do PT. Ante um pedido de Lula, Mercadante revogou o ‘irrevogável’.”

Se Lula não conseguir realmente acomodar Ciro Gomes na disputa paulista, servindo-se dele como língua de aluguel – e afiada – contra José Serra, poderemos conferir se Mercadante atende ou não ao pedido do Presidente.

Caso levemos em conta que em 2006 Mercadante continuaria Senador se perdesse para Serra e que, agora, ficará sem mandato se perder, poderemos chegar à conclusão de que ele recusará.

Contudo, se utilizarmos como parâmetro o caso do irrevogável revogado, talvez tenhamos a impressão de que Mercadante faz o que Lula manda. E fim.

A ver.

Receoso, Temer diz que Dilma precisa assumir candidatura

20/09/2009

Disse o Presidente do PMDB licenciado e Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer:

“A Dilma até hoje não se disse candidata. O que ela precisa é assumir”.

Olhe, senhor Michel Temer, não é por nada, mas o problema de Dilma Rousseff parece ser de desempenho, e não, relacionado com o que diz respeito à noção da população nacional de que ela é candidata. Muitos sabem, inclusive, que ela é a candidata de Lula, que dirá os políticos, responsáveis pelas alianças.

Lula e Dilma realizam campanha antecipada claramente. Em algumas ocasiões, ela chega a ser explícita, escrachada, debochada.

Não é uma questão de assumir a candidatura. Todos os que influem nas alianças presidenciais já sabem muito bem que Dilma é a escolhida por Lula e que ela será a candidata petista. É uma questão de a candidatura decolar.

Portanto, a impressão que fica não é a de que Dilma Rousseff precisa se declarar candidata, e sim, a de que ela precisa convencer mais pessoas de que é a melhor opção para o País.

Com bastante exibição na mídia, a Ministra estacionou nas pesquisas. Não se sabe ao certo se por conta da crise do Senado, do caso Lina Vieira ou de alguma outra coisa. O que temos de concreto é o fato de que Dilma Rousseff vem perdendo espaço e tendo seu nome questionado na base governista.

Em suma, a benção de Lula garantiu a Dilma estabilidade até agora. Se o desempenho nas próximas pesquisas não for o esperado, nem um Presidente popular como Lula poderá conter possíveis debandadas.

E é isso que Michel Temer receia. O Presidente da Câmara diz o que diz por estar receoso. Sabe que é um dos mais cotados para ser o Vice peemedebista da chapa de Dilma, mas sabe, também, que o momento atual empurra o PMDB para fora da aliança formal com o PT, e não o contrário.

Se o PMDB não se unir ao PT, Temer poderá ser o preferido à vontade. Não terá o posto de Vice de jeito nenhum.

Foi Temer mesmo quem disse que “se não houver afirmação nacional de que há uma aliança, as coisas começam a desandar”.

Acontece que elas já estão desandando. Por isso Temer quer a tal “afirmação nacional”.

O problema é que o PMDB ignorará qualquer afirmação, negativa, silêncio, sinal de fumaça ou outro se perceber que Dilma Rousseff vai perder a eleição.

A fome do partido fisiológico é de poder, de cargos, de verbas. E quem perde não pode oferecer isso.

Com um plano um tanto condenável, mas que funciona pela dinâmica da política nacional, o PMDB pode, muito bem, não se aliar a ninguém formalmente, liberando seus caciques para fazerem as alianças regionais que bem entenderem e fazendo com que a ala peemedebista que estiver ao lado do vencedor nacional absorva a outra. Por que se arriscar com Dilma?

Antes, o risco parecia valer a pena. Por ser Dilma muito mais fraca politicamente que os candidatos tucanos, o PMDB poderia cobrar muito mais do governo futuro se ela vencesse.

Agora, assistindo à patinada de Dilma, o PMDB revê suas posições, deixa Temer e Sarney, os mais dilmistas, em alerta, e dá ouvidos a Quércia, o mais serrista, que se não conseguir aliar seu PMDB ao PSDB, pelo menos lutará para retirá-lo da chapa do PT.

Muita água ainda rolará por debaixo da ponte, porém, uma coisa é certa: A candidatura de Dilma Rousseff está, sim, sendo sobrevoada por nuvens carregadas.

Uma enxurrada pode levar o PMDB embora com Temer e tudo.

Em tempo: Este blog apostou, muitos meses atrás, que o PMDB não estará formalmente aliado a um candidato presidencial em 2010. Aguardemos e verifiquemos.

Agaciel nega responsabilidade sobre atos secretos

19/09/2009

Informa a Folha:

“Às vésperas de voltar ao Senado, o ex-diretor-geral da Casa Agaciel Maia afirmou nesta sexta-feira à Folha Online que está ‘tranquilo’ para retomar suas funções. Apontado como pivô das irregularidades administrativas da Casa nos últimos 14 anos, o ex-diretor afirmou que nada foi provado contra ele e que não acredita que seja demitido pela Comissão de Sindicância que apura a sua responsabilidade na edição dos atos secretos.

Agaciel disse ainda que vai ‘provar com a verdade’ que nunca cometeu ilegalidade à frente da Diretoria Geral. ‘Eu estou tranquilo para voltar ao trabalho. Eu sou funcionário da Casa vou cuidar das minhas atribuições normais de servidor. Se você fizer uma retrospectiva, nada se provou. Minha defesa é só a verdade. Agora, o que é massificado pela mídia, depois fica difícil provar o contrário’, disse.

Se alguém estiver ciente de algum emprego para comediantes, piadistas, humoristas e afins, alertem o senhor Agaciel Maia.

Ele pode, com certeza, fazer muito sucesso no setor. Nessa época de crescimento da stand-up comedy, o deboche e o cinismo estão em alta.

Renan Calheiros teria empregado funcionário fantasma em seu gabinete

15/09/2009

Corre a denúncia de que Renan Calheiros (PMDB-AL)  teria empregado em seu gabinete um servidor que, apesar de estar lotado na Casa, realizou um curso no exterior com o salário pago pela instituição.

Em entrevista ao blog do jornalista Fabio Pannunzio, da TV Bandeirantes, o Deputado Estadual alagoano Rui Palmeira (PR), filho do ex-Senador Guilherme Palmeira, admitiu ter feito um curso de inglês na Austrália, de dezembro de 2005 a março de 2006, no Metro College. Nesse período era funcionário do Senado, lotado na presidência da Casa –no período em que Renan ocupou o cargo. A exoneração foi publicada apenas no dia 31 de março de 2006.

Renan Calheiros criticou muito, recentemente, o Senador Arthur Virgílio por seu envolvimento em caso parecido. O alagoano utilizou este ponto fraco de Virgílio para chantagear o PSDB e proteger José Sarney. Os tucanos, ao que parece, cederam, o que entendi como totalmente equivocado.

Como já seria de se esperar, Virgílio aproveitou a forra e disse, mirando Renan:

“Eu me antecipei a tudo. Bastava eu ter ficado quieto que não teria tido a repercussão que teve. Mas eu falei dez vezes sobre o assunto. Chamei atenção para o problema e eu próprio dei a solução. Eu falava dos fatos, mas não mencionava os nomes das pessoas envolvidas. Eu suponho que Vossa Excelência haverá de se explicar perante a Casa e a nação, como eu estou fazendo”

Segundo a Folha, Renan subiu à tribuna para se explicar, mas preferiu esquivar-se da acusação. “Não vou comparar aqui a situação de nenhum funcionário. Não compete a um senador fiscalizar a frequência de um servidor. Quando ele foi viajar, me procurou e eu disse a ele que procurasse o seu chefe imediato. Não tinha certeza onde ele era lotado. Não tenho nada a ver com essa questão”, disse o peemedebista.

Depois da denúncia, Virgílio decidiu ressarcir os cofres do Senado pelo pagamento irregular ao servidor. Apesar de não cobrar o ressarcimento de Renan, o líder do PSDB disse esperar que o peemedebista reconheça a acusação. “Talvez a diferença é que estou dizendo que sabia, e Vossa excelência diz que não sabia. Há uma contradição entre Vossa Excelência e o servidor”, afirmou.

Parece que, ao sair do plenário, Renan Calheiros voltou a justificar que não é dever de um senador fiscalizar frequência de servidores e declarou:

- Eu não sou porteiro do Senado!

Pois bem. Eu tenho uma pergunta para o Senador Renan Calheiros:

Vossa Excelência me responda uma coisa, por favor.

Um diretor importante de uma empresa qualquer não é responsável pela vigilância da frequência de um subordinado distante. Porém, ele cria um sistema hierárquico que faz com que aquele funcionário esteja, de certa forma, subordinado à sua chefia. Pois bem. Se um funcionário faltasse ao serviço por meses e continuasse recebendo o salário, esta informação seria levada ao diretor uma hora ou outra por um subordinado direto e o funcionário seria demitido, correto?

Então está comprovado: Ou a hierarquia do seu gabinete é um lixo ou o senhor sabia muito bem o que ocorria, tinha a informação e resolveu nada fazer pois, se no caso da empresa o dinheiro perdido é do patrão, no Senado ele é do povo brasileiro babaca que o senhor achincalha.

Em tempo: Obviamente, Renan Calheiros nunca poderia mesmo ser porteiro do Senado. Imaginem o porquê.

2ª Coluna do dia: O neoliberalismo e o tesouro negro

12/09/2009

Por Rafael Oliveira*

Acredito, caros leitores, ser um dever da equipe do Perspectiva Política manter aceso o assunto que, por um acordo na Câmara, não é mais tratado como “urgente” pelo governo brasileiro: A descoberta do Pré-Sal.

É sempre assim. Quando surge um determinado fator que, economicamente, pode gerar muito lucro para o País ou algum acontecimento político de grande relevância, as discussões na mídia são intensas. Porém, após um certo período de tempo, caem no esquecimento e a pressão da opinião pública diminui consideravelmente, cedendo espaço para as autoridades manipularem o desfecho dos fatos.

Foi assim com o “Mensalão”, está sendo assim com a crise do Senado, e, de maneira nenhuma, podemos deixar que as discussões em torno da melhor exploração possível da descoberta petrolífera tenham o mesmo destino. Para isso, leitores esclarecidos devem, mais do que nunca, manter vivos os debates diários a respeito do tema, especialmente a respeito da atuação do governo.

Primeiramente, aos que ainda não sabem, o Pré-Sal é um termo referente às reservas de petróleo descobertas na costa brasileira, entre os estados de Espírito Santo e Santa Catarina, que podem fazer de nosso País uma das três maiores nações petrolíferas do mundo. Ou seja, um imenso volume de barris, e consequentemente de dinheiro, poderá circular em nosso território.

Se lembram das rivalidades no Oriente Médio? E também da exploração ilegal pelas grandes potências dos países produtores do “tesouro negro”? Um exemplo simples é o caso dos EUA que possuem tropas na Arábia Saudita (260 bilhões de barris de reservas) e frotas navais no Oceano Índico (o que estimulou o conflito latente entre sunitas e xiitas). Esse é o tipo de coisa que o óleo negro pode causar.

Brasileiros e brasileiras, não podemos de forma alguma deixar qualquer brecha para invasões estrangeiras. Aos que não sabem, possuímos uma legislação, baseada no neoliberalismo, que permite que multinacionais explorem e produzam o petróleo e o gás do Brasil (Lei 9.478/97).

Se por um lado imaginamos quantos bilhões estas empresas têm lucrado explorando nossos recursos minerais, por outro, não sabemos como o setor estaria se esta legislação não fosse como é.

Eu, particularmente, entendo que é sim de caráter urgente uma nova legislação para regular a indústria de petróleo, garantindo que as reservas gigantescas recém-descobertas sejam controladas pelo Estado e que as riquezas produzidas sejam utilizadas prioritariamente em benefício do povo brasileiro.

Que a Petrobras não incorpore a missão de “honrar seus acionistas” e que o governo reformule nossa legislação, pensando no melhor a curto, médio e longo prazo.

Antes de se iniciar a discussão sobre a partilha dos lucros entre os estados, deveríamos nos preocupar em defender o que é nosso. É o velho protecionismo, prática antiga, mas talvez necessária para blindarmos um tesouro de valor imensurável.

O risco de uma discussão do gênero cair no esquecimento midiático representa a abertura necessária para corrupção e manipulação, além de possibilitar a “liberdade” da qual muitos políticos desejariam se utilizar em prol dos bens pessoais. Se já não é mais de caráter urgente para o governo a questão do Pré-Sal, o comprometimento em acompanhar de perto todo o processo,  incluindo nesta análise, claro, o uso político da descoberta, representa uma bandeira da equipe do Perspectiva Política e de todos os brasileiros interessados no bem da nação, afinal, uma discussão ampla, envolvendo a sociedade, é necessária para que cheguemos ao melhor para o País.

*Rafael Oliveira é colunista do Perspectiva Política aos sábados.

Manifestantes fazem reivindicações e criticam Sarney no 7 de Setembro

07/09/2009

Informa o Globo:

“Manifestantes aproveitaram o desfile de 7 de Setembro para fazer passeatas e protestos. Uma das manifestações foi promovida por estudantes da Universidade de Brasília (UNB) e por integrantes da sociedade civil, que pediram a saída do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Segundo o estudante de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Fortunato, 20 anos, a expectativa era tentar chegar perto da tribuna onde estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades, mas eles foram impedidos por seguranças e policiais militares.

Manifestantes que carregavam faixas contra o presidente do Senado entraram em choque com a Polícia Militar. Um dos estudantes foi agarrado pelo pescoço pela PM. Os estudantes estavam próximos ao palanque de autoridades onde estavam os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy, da França. “

O Perspectiva Política, na pessoa deste blogueiro que vos fala, louva inteiramente a atitude dos estudantes brasilienses. Não podemos realmente deixar, como sempre, que os assuntos esfriem enquanto a pizza esquenta. As irregularidades e transgressões não podem ser esquecidas pelo simples transcurso do tempo.

Em contrapartida, este blog repudia totalmente a truculência dos policiais militares que reprimiram a manifestação. Aviso a estes que os protestos sadios e ordeiros são sinônimos da democracia.

Sarney Filho diz que denúncia sobre ajuda de empreiteira a sua família é requentada

04/09/2009

Disse o Deputado Federal José Sarney Filho (PV-MA) a respeito da denúncia que trata das relações estreitas entre uma empreiteira e imóveis que servem a sua família:

“É uma matéria requentada que visa mais uma vez atingir ao meu pai. Por isso que eu não respondi. Da outra vez eu já tinha respondido. A coisa não tem nada a ver com a família nem com o ex-presidente Sarney, mas ela (a reportagem) bota ‘família Sarney’. Tem a ver comigo e eu já provei. Está no meu imposto de renda – disse o deputado, classificando a acusação de má fé para atingir o presidente do Senado.”

Vamos fingir que a família Sarney é imaculada e que não existem outras denúncias escabrosas contra o Presidente do Senado e sua família. Digamos que exista apenas uma triangulação suspeita entre uma empreiteira, a família Sarney e um imóvel utilizado pela última e comprado pela primeira.

Pois bem. Nem mesmo dentro desta hipótese estaria correta a declaração de Sarney Filho de que a denúncia é requentada.

É claro que pode-se argumentar que o surgimento de denúncias sucessivas é orquestrado. Sim, é possível dizer isso. É certo também que este assunto já foi manchete. Sim, é correto afirmar isso.

Então onde está o erro? O erro está no fato de que as coisas não estão esclarecidas. Requentada é o adjetivo utilizado para denúncias que, esclarecidas, são apresentadas novamente propositalmente e, talvez, maliciosamente.

Acontece que não é esse o caso. Sarney não esclareceu nenhuma das outras acusações e seu filho não explicou bem esta. Portanto, não pode Sarney Filho alegar que já respondeu o que tinha que responder e que a reaparição da denúncia é um golpe baixo de pessoas interessadas em requentar acusações contre ele e sua família.

Enquanto a família Sarney não responder de forma contundente aos indícios assombrosos que a cercam, não poderá usufruir da artimanha de se fazer de vítima.

Como a família nunca esclarecerá seus negócios para a nação, já que isso seria suicídio, Sarney Filho continuará sem credibilidade para se fazer de coitado e dizer que estão requentando denúncias.

Denúncias não esclarecidas são permanentes, meu senhor. Portanto, sempre quentes. Não precisam ser requentadas.

Concordo que pode estar havendo uma orquestração, mas é demais Sarney Filho se fazer de injustiçado.

Após pressão do PSDB, mulher de Agaciel desiste de trabalhar com tucano

03/09/2009

Disse este blog mais cedo no dia de hoje:

“O Senador Papaléo Paes é, com certeza, muito cara-de-pau, no total sentido da expressão. Como pode o Senador, depois de todos os escândalos envolvendo Agaciel Maia, contratar a esposa deste para o seu gabinete?

Fica escancarado que trata-se de um favor. Fica explícito que não estamos diante de algo muito moral.

Para completar o cenário trágico, Papaléo contraria o posicionamento de seu partido, o PSDB, e atende, provavelmente, aos interesses do Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).”

Pois bem. Parece que as críticas, não só deste blog, mas de diversos outros meios e personagens de destaque, surtiram algum efeito. Informa a Folha que, após a pressão do PSDB, partido de Papaléo Paes, a esposa de Agaciel Maia desistiu de trabalhar com o tucano.

Segundo o jornal, depois de o PSDB desaprovar a conduta do Senador Papaléo Paes (PSDB-AP) – atitude correta dos tucanos, diga-se de passagem -, a servidora Sânzia Maia, mulher do ex-Diretor-Geral do Senado, Agaciel Maia, desistiu de ser transferida para o gabinete do tucano.

A notícia de que ela desembarcaria no escritório de Papaléo gerou mal-estar na cúpula tucana. O presidente do PSDB, Senador Sérgio Guerra (PE), telefonou nesta quinta-feira para o correligionário e pediu que ele voltasse atrás.

Sânzia teria ligado para Papaléo e informado que percebeu o desgaste que gerou ao parlamentar e que não tinha interesse em prejudicá-lo.

Bom saber que algumas pessoas ainda se sentem constrangidas com a repercussão de certos arranjos nada éticos e desistem dos mesmos quando estes ganham notoriedade e são condenados pela opinião pública com toda a razão.

O ruim é perceber que se a informação desta requisição do Senador Papaléo não tivesse sido divulgada pela imprensa, causando a reprovação dela pelo PSDB, o parlamentar não teria tido muitos pudores e acolheria a mulher de Agaciel sem maiores reflexões.

Sânzia, por sua vez, também não teria desistido do novo cargo se o PSDB não tivesse, percebendo a má repercussão do caso, agravado a conduta do Senador Papaléo Paes.

Em resumo, o que quero dizer é que a ética não foi naturalmente respeitada. Ela surgiu apenas por meio da coação da imprensa e da opinião pública. Infelizmente.