Informa o Globo:
“A CPI do MST, que investigará repasses da União para entidades defensoras da reforma agrária, foi instalada nesta quarta-feira. A comissão será presidida pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE) e terá como relator o deputado Gilmar [sic] Tatto (PT-SP). A escolha foi feita por meio de acordo entre os líderes partidários, na primeira reunião da comissão, realizada nesta quarta-feira.
Os ruralistas já apresentaram uma lista de convocações de ministros do governo Lula e requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de entidades ligadas ao Movimento dos Sem Terra. Deputados ligados ao setor apresentaram 22 requerimentos, que pedem também explicações do Palácio do Planalto sobre encontro do presidente Lula com líderes do MST.
O foco da CPI é a investigação de repasses de recursos públicos para o MST. A suspeita é de que ONGs ligadas ao movimento agrário façam convênios com a União e transfiram a verba para o movimento.”
O fato de a CPI do MST ter sido finalmente instalada é motivo de comemoração. Com certeza os repasses de verbas públicas a entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra precisam ser investigados, afinal, trata-se do dinheiro do contribuinte.
Porém, o caso não vive, nem de longe, só de boas notícias.
Informa também o Globo:
“Derrotado na tentativa de impedir a instalação da CPI, o governo preparou uma ofensiva para assegurar o controle sobre a comissão e reduzir o seu potencial de produzir desgaste político às vésperas da eleição presidencial de 2010.
O objetivo é repetir a estratégia adotada na CPI da Petrobras, onde a divisão dos postos-chave entre PT e PMDB tem permitido ao governo barrar requerimentos incômodos e ditar o ritmo dos trabalhos.”
Vergonha! Vergonha! Vergonha!
É uma barbaridade que os cidadãos brasileiros sejam obrigados a ver que o governo luta, descaradamente, para que nada seja apurado no que diz respeito aos repasses de verbas públicas para ONGs ligadas ao MST.
É lamentável percebermos que o governo visa montar, sem pudor, um forno de pizza nas barbas do distinto público.
Tenho sempre dito no Perspectiva e repito: Uma coisa é um governo lutar contra uma CPI que, claramente, foi montada pela oposição visando desgastar politicamente os governantes. Outra coisa é fingir que um tema de claro interesse público não dá razões para que haja o desejo de que ele seja investigado aprofundadamente e fazer aquelas ridículas afirmações de que fatos, sabidamente consumados, são “fantasiosos”.
Em suma, as CPIs “inventadas” diferem em grande parte daqueles que são necessárias. Obviamente que a oposição tem interesse no desgaste do governo, mas não se trata de uma CPI política apenas. É uma CPI que tratará de repasses de verbas que ocorreram sabidamente. É, sim, uma das CPIs necessárias.
É um absurdo que tenhamos aqui uma pizza pré-anunciada. O governo colocou Almeida Lima, soldado de Renan Calheiros, como Presidente da CPI e Jilmar Tatto, petista da tropa de Marta Suplicy, na relatoria.
Tudo será feito para que as investigações não levem a grandes descobertas e para que os repasses governamentais que transferem nossos impostos para o MST, através de entidades de fachada ligadas ao Movimento, sejam mantidos.
Tudo isso entristece, mas não podemos nos conformar. Foi importante termos a CPI do MST aprovada e, agora, instalada. A população brasileira precisa, a partir de hoje, pressionar para que a verdade apareça. A verdade pura e simples. Nada mais do que isso. O Perspectiva estará nesta luta.
Aproveito para repetir porque a CPI do MST é tão importante:
A CPI é necessária porque existem repasses de dinheiro público para ONGs que, disfarçadas de instituições que auxiliam a produção agrária do pequeno produtor, financiam o MST com os nossos impostos.
A CPI é necessária pois o MST conta com membros que transitam armados sem terem porte de armas, o que configura uma organização paramilitar.
A CPI do MST é necessária porque o governo conta, hoje, com um Ministério que tem como atribuição principal atender aos interesses do MST, o Ministério do Desenvolvimento Agrário que, além de ter essa função no mínimo questionável, tem uma área de atuação oficial que poderia, muito bem, configurar uma Secretaria do Ministério da Agricultura, encerrando a necessidade de termos outra estrutura ministerial e novos gastos.
A CPI do MST é necessária pois os interesses do Movimento, que de pronto não devem ter um Ministério feito para atendê-los, não são os interesses dos Sem Terra. Aqueles que são a razão de ser do MST continuam à míngua e não são ouvidos. Os interesses do MST são os interesses da cúpula cooptada pelo governo e não o das bases.
A CPI do MST é necessária porque 37% dos assentamentos nada produzem, 75% não tiveram acesso ao crédito rural e 73% não têm renda, fato que está criando favelas rurais.
A CPI do MST é necessária, em suma, pois as relações que o governo não deve ter com o MST existem, enquanto os apoios necessários e devidos, que realmente auxiliam quem precisa de auxílio, são deixados de lado.
Não permitamos que a CPI do MST seja mais uma CPI da Petrobras, ou seja, uma Comissão Parlamentar de Inquérito importantíssima, relevantíssima, que, por força do lobby do governo, transformou-se em vergonhoso forno de pizza.