Este blog lutou, em diversas postagens, a favor da CPI da Petrobras. Este blogueiro gritou, esperneou, reclamou, logicamente, dentro da forma escrita. Enfim, o Perspectiva Política assumiu a causa da moralização dos processos que se dão dentro, e até fora, da Petrobras, envolvendo os negócios da estatal.
Pois é com pesar que este mesmo Perspectiva se vê obrigado a avisar aos meus caríssimos leitores que a CPI da Petrobras morreu. O governo a asfixiou e a oposição não ofereceu um balão de oxigênio.
Foi com indignação que li as manchetes e as informações que recebi a respeito das irregularidades da Petrobras.
Foi com garra que defendi, aqui, que a CPI fosse instalada, pelo bem do interesse público nacional, independentemente de quem fossem os beneficiados e os prejudicados eleitoralmente.
Foi com repulsa que soube que o Presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, alegou que os fatos levantados para justificar a CPI eram fantasiosos e inventados.
Foi com esperança que comemorei a instalação da CPI da Petrobras, afirmando que, por mais que a oposição pudesse ter interesses eleitorais na questão, isso não poderia tornar a investigação desnecessária e, muito menos, fazer dos fatos comprovados episódios fantasiosos.
Contudo, é com tristeza que, agora, comunico que a CPI da Petrobras definhou, tombou e faleceu, sem cuidados, sem atenção e sem a devida importância.
O vírus que levou a CPI à doença foi inoculado pelo governo. E a oposição não buscou, por sua vez, vacina eficiente.
Hoje, no Senado, foi distribuído o relatório de Romero Jucá, líder do governo no Senado e, como não podia deixar de ser, se levarmos em conta o conteúdo do relatório, peemedebista.
O texto de Jucá livra as caras da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo, do governo, enfim, de Deus e do mundo.
A oposição chiou e afirmou que o relatório é patrocinado pela própria Petrobras. Provavelmente é. Mas a oposição chiou baixinho.
A mesma oposição fez cara feia por conta da dificuldade que encontrou, por conta do trabalho da tropa de choque do governo, para aprovar requerimentos de informações e de depoimentos, afirmando que a CPI não tem credibilidade. Pois não tem mesmo. Mas o governo olhou e disse que cara feia, para ele, é fome.
No fim das contas, o dinheiro público que escorreu na refinaria Abreu e Lima fica por isso mesmo, os superfaturamentos são esquecidos e os desvios de verba são deixados para lá. Simples assim.
A CPI da Petrobras morreu.
Só não foi enterrada ainda pois o relatório, que a matou, ainda não foi votado, já que Fernando Collor – olhem, quem – pediu vistas do mesmo.
Mas o relatório será votado e, feito isso, só lembraremos da CPI da Petrobras em nossas preces.
As irregularidades estarão aí também para manter viva nossa lembrança.










