Postagens com a palavra-chave ‘Cotas Raciais’

2ª Coluna do dia: Universidade em pauta

01/11/2009

Por Jessica Riegg*

Olá caros leitores, este é o meu primeiro post em tão conceituado blog. Li e acompanhei durante muito tempo todos os outros colunistas e os admiro muito.

Começo falando sobre o sistema de entrada dos jovens nas faculdades. Em especial o sistema de cotas raciais. Ele varia de instituição para instituição, podendo oferecer um percentual de nota de corte menor para os alunos negros ou separar vagas para serem preenchidas por eles.

Agora me pergunto, os negros possuem uma capacidade intelectual menor que os brancos para necessitarem dessa ajuda? Ora, mas é claro que não, vocês me responderão.

Justamente por esse motivo digo-lhes que sou contra esse sistema. Primeiro, porque os negros não são uma raça, o que existe é a raça humana e ela é única. Segundo, porque isso acentua a discriminação racial, coisa que não é proposta do projeto, pelo contrário. Terceiro, porque essa não é a melhor maneira de diminuir as diferenças sociais.

Concordo que essa talvez seja a maneira mais fácil de o governo melhorar as estatísticas do padrão educacional do País. Mas nem sempre a maneira mais fácil é a mais correta.

O que está acontecendo com projetos como as Cotas Raciais, as Cotas Sociais e programas como o PROUNI é “tapar o sol com a peneira”. Isto é, tentar melhorar uma coisa que por sua essência já não está tão boa assim.

O ideal seria investir em escolas, principalmente na educação pública básica, para dar oportunidades iguais a todos. Todos têm direito de receber uma educação de qualidade para conseguir concorrer de igual para igual.

Claro que há exceções de alunos de escolas públicas que se matam de estudar para passar no vestibular de uma universidade federal, mas isso não é justo. Eles devem receber o mesmo nível de educação.

Além disso, não podemos esquecer-nos dos cursos técnicos. Eles são uma ótima oportunidade para quem deseja ter uma garantia de renda. Pense bem, se você fosse reformar a sua casa desejaria ter um profissional qualificado mesmo que para isso tivesse que pagar mais por seu serviço.

Além de pedreiros faltam bons marceneiros, padeiros, bombeiros hidráulicos, eletricistas e a lista vai longe. Se o governo incentivasse e investisse em escolas técnicas que formassem esses profissionais, ele garantiria uma renda fixa para uma parcela da população e diminuiria o desemprego. Isso reduziria a disparidade social.

Essa é a maneira mais difícil, demorada e cara. Contudo, é a correta.

Será que os governantes estão dispostos a investir tamanha quantia de dinheiro para resultados em longo prazo e que não serão vistos no período do governo?

Essa é a pergunta que fica.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva Política aos domingos

Brasileiro quer cotas sociais ao invés de raciais

02/09/2009

Este blog sempre foi um defensor da mudança das cotas raciais para as cotas sociais.

Na realidade, não sou defensor das cotas em sua essência, acredito que elas são necessárias por conta da realidade de hoje, onde não há nem algo próximo de uma paridade de condições na competição pelas vagas universitárias, mas que deveriam ser fundamentalmente temporárias, tampões que corrigem no topo os erros que devem passar a ser corrigidos na base desde já.

Porém, sempre fui além. Além de dizer que as cotas deveriam ser temporárias, e não a solução porca para um problema permanente, disse desde o início deste blog que as cotas deveriam ser sociais, ou seja, por renda, e não, raciais.

Os exemplos de que as cotas raciais não são a melhor opção são fáceis de se achar: Como fica a pessoa de cor branca que sempre estudou em colégios públicos e que não tem condições nem de competir por uma vaga nas universidades estatais, o que ocorre pela baixa qualidade da prestação de serviços educacionais pelo poder público, nem de arcar com os custos de uma universidade privada?

Alguns dirão: Ora, mas e o negro? Muito simples. O negro que tem dificuldades poderá muito bem se utilizar das cotas por renda. E os abastados puderam pagar educação de qualidade para competir em igualdade de condições ou, se não fizeram bom uso dos seus anos de estudo, podem pagar uma faculdade particular.

Simples assim. Racional.

Pois bem. E por que estou dizendo isso?

Estou dizendo tudo isso pois parece que o entendimento sempre defendido por este blog tem sintonia com o desejo do brasileiro.

Segundo o Globo, pesquisa de opinião realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) mostra que 75% dos brasileiros preferem que as cotas nas universidades federais sejam destinadas a alunos pobres que estudaram em escolas públicas, contra 11% que preferem a cota racial.

Apenas 9% são contrários a qualquer tipo de reserva de vagas. A pesquisa foi contratada pelo DEM, que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão das cotas raciais na Universidade de Brasília. Foram entrevistadas mil pessoas, por telefone, em todas as regiões do País.

Parece claro que as cotas sociais, apenas, são a melhor opção. Os mais necessitados passariam a poder utilizar, sem exceção, o mecanismo da reserva de vagas e isso não excluiria aqueles de cor negra. Não há injustiça alguma. Injustiça é termos negros abastados se utilizando, com sorriso maroto no rosto, das cotas raciais enquanto pessoas esforçadas ficam de fora apenas por terem a pele mais clara.

A educação não é o local para se fazer uma compensação pelo racismo tácito brasileiro.

Este blog defende um sistema temporário de cotas, a ser extinguido assim que os esforços estatais, que devem ser iniciados desde já, conseguirem equiparar a escola pública com as privadas de bom nível, que tenha o critério de renda e que reserve no máximo 25% das vagas de uma instituição.

Coluna do dia: Falando sobre as cotas

01/09/2009

Por Raphael Machado Silva*

Os últimos anos têm visto uma praga se alastrar sobre a sociedade brasileira de modo insidioso e nocivo, corroendo instituições e acirrando conflitos sociais, e ela não é a gripe suína. Tal praga recebe o nome de “sistema de cotas raciais” e consiste, essencialmente, na reserva de vagas em universidades públicas, com base na pertença dos indivíduos a algum grupo vitimizado e santificado artificialmente por grupos e lobbies cujos reais interesses vão muito além da defesa de tais “minorias”. Não só nas universidades tem-se aplicado essa patética cartilha, mas cada vez mais se exige a aplicação da mesma em empresas privadas, na mídia, ou em basicamente qualquer tipo de atividade coletiva.

E isso é demonstração cabal de que o Brasil possui alguma espécie de retardo que o faz levar décadas para compreender coisas já compreendidas por outros países, já que o sistema de cotas já está sendo questionado nos EUA, dado que após anos e anos de bárbara aplicação, o mesmo não teve nenhum resultado efetivo, no sentido de “melhorar a vida” dos grupelhos de interesse que se aproveitam da letargia total da maior parte da população, para sugar quantias cada vez maiores de recursos, os quais derivam dos impostos dos contribuintes.

A quantidade de erros e falácias que gravitam ao redor da idéea das cotas é grande demais para serem todos colocados aqui, mas é possível apontar alguns imediatamente. O erro essencial (e que permeia todo o Ocidente moderno) é o de que todas as pessoas são iguais e que se não são deveriam ser. As chances devem ser iguais, mas elas obviamente não serão aproveitadas da mesma forma por todos. Está aí uma posição ininteligível e absolutamente insustentável. A crença na igualdade é uma negação do princípio de individuação que simplesmente rege toda a realidade, nos possibilitando compreender cada coisa como ela mesma, e não, outra. Já a afirmação de que deveria haver igualdade total não passa de uma formulação derivada do sentimentalismo infantil de bons samaritanos e matronas filantropas, sem também qualquer possibilidade de sustentação racional. Assim, se esses erros essenciais são tomados como verdades (e o são dogmaticamente, no bom estilo soviético), então toda diferença só pode ser entendida como fruto da injustiça, devendo ser anulada.

Logo, graças a erros intelectuais e a políticas de propaganda, alimenta-se o ressentimento de certos grupos, tornados santos por algum sofrimento passado, fictício ou não, não importando o quão longínquo no tempo, com o objetivo de lançar esses grupos em uma nova modalidade de “luta”, seja de classes, seja de raças ou de sexos, para realizar o que eles chamam de “inversão das relações de poder”. Para quem quiser saber em que consiste uma “inversão das relações de poder”, sugiro ler sobre o destino dos kulaks na União Soviética.

Esse arranjo é obviamente aceito pelos grupos politicamente canonizados, que assim conseguem uma oportunidade de começar a exercer sua vingança contra o “opressor”. Mais conveniente ainda para os políticos defensores dessas medidas, já que através dessas cotas, e de inúmeras “bolsas”, garante-se não só uma dependência material, como uma dívida eterna de gratidão, a qual só poderá ser paga através do voto. Uma boa maneira de tentar “tapar-buracos”, não?

E o maior prejudicado nesse arranjo é exatamente o estudante de classe média. Ele não é suficientemente rico para poder abrir mão de querer estudar em uma universidade pública. O estudante abastado pode simplesmente ir estudar no exterior e para ele tanto faz o que ocorre por aqui. Assim, ao invés de contribuir para uma distribuição mas equitativa da renda, o sistema de cotas é simplesmente um instrumento que pune e avilta a classe média brasileira, a qual se vê cada vez menos segura e representada, porque as cotas contribuem, junto aos impostos abusivos, para o seu enfraquecimento.

Até quando vai engolir-se isso, permanece uma incógnita.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Gilmar Mendes nega liminar contra cotas raciais pedida pelo DEM, mas as critica

03/08/2009

Informa O Globo:

“O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, negou uma liminar para a suspensão do sistema de cota racial no vestibular da Universidade de Brasília (UnB), por considerar que não existe urgência na análise do tema, proposta em uma ação de inconstitucionalidade apresentada pelo DEM. No entanto, no despacho, Gilmar afirmou que o assunto é de ’suma importância para o fortalecimento da democracia’ e teceu argumentos que questionam a legitimidade da reserva de cotas para negros e pardos como forma de combater a discriminação e a exclusão.

O ministro argumenta a favor da necessidade de políticas públicas que favoreçam a igualdade. Mas põe em dúvida o critério racial e o uso de reserva de vagas no lugar de outras ações afirmativas.

‘Não podemos deixar que o combate ao preconceito e à discriminação em razão da cor de pele, fundamental para a construção de uma verdadeira democracia, reforce crenças perversas do racismo e divida nossa sociedade em dois polos antagônicos: brancos e não brancos ou negros e não negros’, concluiu Gilmar, na decisão.”

Pelo fato de a decisão de Gilmar Mendes se tratar mais de uma análise material do que de conteúdo, não há muito o que comentar. O Ministro decidiu levando em conta a falta de urgência do tema, e não, a argumentação do Democratas em si.

Sobre a liminar e a sua fundamentação, este blogueiro entende que o posicionamento do DEM, ou seja, contrário às cotas raciais, é correto se for, e apenas neste caso, combinado com a defesa da implantação de um percentual razoável de cotas sociais.

O que quero dizer é que sou contrário às cotas raciais, porém, favorável às cotas que levam em consideração critérios de renda. Quanto à porcentagem de vagas reservadas, acredito que 25% seja um bom valor.

Já explicitei, aqui neste blog, todo meu posicionamento sobre o tema. Por se tratar de momento oportuno, o prolato novamente, para que seja de conhecimento dos leitores:

As cotas são, hoje, direcionadas a pessoas oriundas de escolas públicas ou que se declaram negras ou pardas. Na realidade, as cotas são atestados claros de que o poder público admite totalmente que os negros, os pardos e os estudantes de escolas públicas brasileiros não podem competir de igual para igual com os estudantes que não pertencem a essas categorias. E isso, claro, é um absurdo.

O que eu quero dizer é que, antes mesmo que discutamos as cotas, devemos ter em mente que elas não deveriam existir. Existem pela conjuntura que temos, mas devem ser temporárias, tampões, que servem para improvisar enquanto o país, infelizmente, não dá oportunidades iguais para todos. Enfim, antes mesmo que falemos de cotas, devemos saber que elas existem pois o Estado brasileiro não cumpre seu papel que é fornecer educação de qualidade, desde a educação infantil até o ensino médio, para todos os brasileiros.

Já que temos de conviver com essa triste realidade e que os legisladores tentam encontrar uma solução que sirva para um momento mais imediato, as cotas entram na baila. Aqueles que, claramente, não têm condições de ter acesso às universidades públicas por força da falta de conhecimento que é causada pela incompetência do Estado, ganham dele o direito de competir apenas entre si, como se fosse um tipo de compensação.

Bom, no fim das contas vem a pergunta fatídica: As cotas são boas ou ruins? Minha resposta é que elas são ruins, péssimas, porém, necessárias. Ressalto, porém, que elas, embora necessárias, não devem ter o modelo que está sendo adotado. Este, nem mesmo atendendo a uma necessidade inegável, seria defendido por mim.

As cotas são necessárias pois os indivíduos que não tiveram a chance de usufruir de uma boa educação pública não podem ser punidos por algo que não causaram. Ao mesmo tempo, aqueles que puderam estudar e adquirir conhecimento são punidos, pois a competição entre eles se torna muito mais acirrada sem as vagas que são reservadas para os cotistas. São culpados os que estudaram? Não ! São culpados os cotistas? Também não !

Em suma, acredito que as cotas devam continuar, mas não dentro do modelo que está sendo aplicado hoje. As cotas deveriam reservar um número menor de vagas, acredito que 50% do total seja demais, além de terem como critério a renda das pessoas e não a cor ou o fato de terem estudado em escolas públicas. Afinal, muitos brancos não podem pagar uma universidade particular que tenha um ensino de qualidade próxima ao da maioria das universidades públicas, afinal, estas têm, normalmente, mensalidades bem salgadas.

Além disso,  não utilizando o critério de renda e sim o de cor, as cotas não atingem seu objetivo principal que é o de incluir os que não podem competir em igualdade de condições pelas vagas do vestibular mas que ao mesmo tempo têm direito de usufruir do ensino superior público. Isso ocorre pois em muitas cidades do país existem milhares de brancos nestas condições, que são excluídos pelo sistema atual. Todos eles também vítimas da educação ruim provida pelo poder público.

Resumindo, as cotas são ruins, tentam incluir mas ao mesmo tempo discriminam, já que, como dito antes, servem para assumir que os brasileiros mais necessitados não estão tendo uma educação digna. O ideal seria, sem dúvida nenhuma, que todos tivessem educaçao básica de qualidade, fosse em uma escola pública ou em uma escola privada. Assim, a competição pelas vagas do vestibular seria mais justa. Porém, já que a conjuntura atual nos obriga a tentar equilibrar uma disputa injusta, que as cotas sejam revistas, que tentem compensar a incompetência do poder público em prover educação de qualidade e não pedir desculpas por um racismo velado que existe no país. Embora eu acredite que os negros mereçam mais respeito, não acredito que seja correto jogar a educação no mesmo balaio e muitos negros, inclusive, concordariam comigo. Existem negros que podem, por meios próprios, ter educação de qualidade, enquanto existem brancos miseráveis. Os negros necessitados, pelo sistema de renda, seriam atingidos pelos benefícios das cotas do mesmo jeito. Ainda assim, defendo que os percentuais sejam reduzidos. O que o país deve fazer é lutar para promover a igualdade de condições na base. É criar cursos profissionalizantes e escolas técnicas de ensino pós-médio para que os que não podem fazer faculdade se qualifiquem de alguma forma e possam, quem sabe, dar uma educação melhor aos seus filhos. Reservar metade das vagas de uma instituição para alunos que muitas vezes, infelizmente, não conseguem acompanhar o ritmo dos estudos universitários, não é a solução mais aconselhável.

Que todos os que desejarem tenham seu direito ao ensino superior de qualidade e gratuito assegurado. Afinal, pagam-se os impostos. Porém, o equilíbrio de condições deve ser feito de forma que, ao mesmo tempo que proporciona oportunidade, tem um modelo que atinge o seu real público-alvo e que não prejudica os que já tinham chances.

Embora eu não seja defensor ferrenho das cotas, admito que elas são, em certa medida, necessárias pela situação que temos no país. Mas não podemos nunca esquecer que o objetivo deve ser melhorar a educação. A cota deve ser a exceção, o recurso que foi necessário em um momento histórico e não a compensação porca eterna.

Liminar suspende sistema de cotas no Rio

26/05/2009

Informa o Estadão:

“O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu ontem liminar suspendendo os efeitos da lei estadual que estabeleceu cotas em universidades públicas estaduais. A iniciativa contra as cotas para negros e estudantes de escolas públicas partiu do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), que entrou na Justiça com uma ação direta de inconstitucionalidade.”

Estava demorando para que situações deste tipo começassem a aparecer. Estava na cara que, mais cedo ou mais tarde, os críticos das cotas começariam, com certa razão, a questionar a legalidade do sistema, afinal, ele faz com que pessoas tenham privilégios em um país que tem, em sua constituição federal, uma previsão expressa contra esse tipo de vantagem.

Poderão questionar os defensores das cotas dizendo que elas não privilegiam, e sim, equilibram. Concordo em parte. Enquanto todos nós temos que concordar que os cotistas não podem ser prejudicados pela péssima prestação educacional de base dada pelos governos que coletam nossos impostos, os defensores ferrenhos das cotas hão de admitir que elas, no modelo atual, estão sendo aplicadas de forma exagerada.

É totalmente errado que as cotas reservem vagas baseadas em critérios de cor. O critério deveria ser, obviamente, a renda. Ou não existem brancos sofrendo com a má qualidade de algumas escolas públicas? Ou não existem negros, embora minoria, que podem pagar escolas privadas de alta qualidade para os seus filhos?

Além disso, como já foi dito aqui neste blog, o nível de 50% de vagas reservadas para os cotistas é exagerado. Este blogueiro acredita que 25%, reservados para alunos escolhidos por critérios de renda, seriam o aconselhável.

Em resumo, as cotas geram tantas divergências, e estão causando tantas distorções claras, que era apenas uma questão de tempo até uma liminar como essa aparecer.

E não venham me dizer que os alunos cotistas estão, em sua maioria, conseguindo acompanhar o ritmo dos estudos universitários. Isso é um bom argumento à favor das cotas e é ótimo que seja assim, porém, isso não muda o fato de que pessoas não necessariamente ricas e não necessariamente privilegiadas estão, por não se enquadrarem nos critérios das cotas, sendo obrigadas a travar uma guerra desumana pelos 50% restantes.

As cotas devem mudar seu critério e devem ser reduzidas até um nível mais plausível. Se isso não for feito, liminares como essa vão, como diz a linguagem popular, pipocar por aí.

Para saber mais sobre o que este blog acha das cotas, clique aqui.

Coluna do dia: O cotismo desenfreado e a arte de ser um oprimido profissional

08/05/2009

Por Yashá Galazzi*

cotas_raciais

Ao longo desta semana que vai se aproximando do fim, pudemos nos deparar com mais uma demonstração de falta total de civilidade e de comprometimento democrático. Do que estou falando? Da tentação racista que acomete cada vez mais certa intelectualidade tupiniquim, ávida por dividir o Brasil em “ghetos” destinados a abrigar minorias as mais estapafúrdias. O ridículo de tal pensamento, porém, começa a ficar por demais evidente. Saibam que, neste país, as várias minorias já representam, oficialmente, a maioria.

Sim, eu sei que a coisa toda pode soar um tanto estranha e até difícil de ser compreendida, mas não culpem este escriba. O que há de confuso nas tais políticas compensatórias é fruto de um entendimento retrógrado e obsoleto, incapaz de suportar dois minutos de confronto com a boa e velha lógica cartesiana.

A mais nova tara separatista dos “racistas do bem” prevê a reserva de nada menos que 60% das vagas nas universidade públicas, divididas entre negros, índios e pessoas oriundas de escolas públicas. Qual o dado óbvio contido nisso? Uma vez aprovada tal estrovenga, aqueles que não se enquadrassem em nenhuma das minorias profissionais criadas por esse humanismo “pogreçista” estaria relegado aos 40% restantes. Não se enganem: se um dia negros, índios, mulheres, homossexuais e pobres já foram oprimidos no Brasil, não tenho a menor dúvida de que o “novo excluído” é o homem, branco, heterossexual, católico e de classe média.

A face mais cruel e totalitária dessa turma que prega o “racismo bom”, porém, não é criar uma “maioria de minorias”, relegando à opressão uma fatia da população que representa, na prática, a verdadeira maioria da sociedade brasileira. Nada disso. O pior é que o cotismo desenfreado defendido por essa gente não tem como objetivo final defender os direitos de negros, índios e outras categorias denominadas de minorias sociais. Para eles, só é importante defender negros comprometidos com a causa negra; ou índios comprometidos com a “causa indígena”. Querem, em suma, criar quadros políticos que se ocuparão, depois de devidamente doutrinados, de fazer a defesa de um ideário permeado pelo ranço que só os herdeiros do “pogreçismo” mais estúpido conseguem produzir.

Quem defende as cotas raciais costuma invocar o exemplo americano. Curiosa essa gente… As guerras preventivas dos Estados Unidos não podem ser imitadas nem defendidas, mas política de criar “ghetos” oficiais a fim de dividir o povo em castas raciais, sim. Sabem, porém, o que é ainda mais curioso? Saber que os americanos já reconheceram que essa patacoada de cotas é um dos maiores desastres que a sociologia filorevolucionária já inventou. Lá, nos lados do norte, já mitigaram os argumentos que foram, no passado, levantados em defesa do cotismo. Hoje, planeja-se abertamente acabar com as poucas (pouquíssimas!) cotas que ainda resistem por lá. Quem disse isso? Não, não foi o Hasmodeu aposentado, George Bush. Foi o Presidente-de-ébano, o Cristo de Illinois, aquele que vai redimir todos os nossos pecados, Barack Obama. E, sim. Ele está coberto de razão.

Alguns podem alegar que no chamado primeiro mundo as desigualdades sociais não são mais tão severas como aqui. Por isso as cotas seriam dispensáveis por lá, mas necessárias no Brasil. Besteira! O primeiro mundo não conquistou sua evolução econômica e social promovendo a divisão social e um racismo oficial, patrocinado por um discurso supostamente vanguardista e humano. Eles são melhores do que nós (e melhores em tudo!) porque sempre primaram pela meritocracia, garantindo aos cidadãos a igualdade de oportunidades e, por conseguinte, aquela perante à lei. O sucesso ou o fracasso de cada um – atenção agora! – depende de cada um! E é isso que provoca urticárias no “pogreçismo” que promove esse “racismo do bem”. Como, no mais das vezes, estamos falando de militantes político-partidários, sem muito traquejo intelectual, é fácil entender por que eles tremem diante da mera possibilidade de serem abandonados às suas próprias capacidades – ou incapacidades.

Agora, aproximando-me da conclusão deste texto, já é possível divisar o cerne de minha argumentação. Por que os defensores das cotas querem tanto a institucionalização de uma sociedade de castas? Porque precisam dormir tranquilos, sabendo que o Estado vai lhes prover as necessidades. E não me refiro às necessidades basilares e próprias da existência. Que nada! Eles querem mais! Querem sempre mais. Não é sem motivo que hoje já chegamos ao absurdo de discutir cotas para negros em desfiles de moda; ou cotas para gordinhos em aviões; ou ainda cotas para índios e negros em novelas televisivas. Lembro-me do poeta Nelson Ascher, que disse não se surpreender se, depois do fenômeno Susan Boyle, houver quem reivindique o direito ao sucesso, como um bem inerente ao ser humano.

Exagero? Não acho. Nunca é bom duvidar da capacidade que os “pogreçistas” têm de fazer idiotices. Em sua busca desenfreada pelo “outro mundo possível”, onde a lógica será inteiramente solapada e as várias minorias formarão uma maioria avassaladora e destrutiva, são capazes de qualquer absurdo. Sempre, é claro, inventando maneiras de desconstruir os fundamentos democráticos e instituir barreiras ao pleno exercício dos direitos individuais das pessoas. Por isso não se interessam pelo negro, mas pelos negros; por isso não querem saber do homossexual, mas dos homossexuais; por isso abominam o índio, mas se empenham em defender os índios. Estão pouco se lixando para o indivíduo. Querem é abraçar uma categoria inteira, que representa uma bandeira, um pensamento, uma causa. Querem promover a coletivização da sociedade, ainda que em torno de categorias pré-determinadas. Lembram o que isso nos legou? No passado, falavam, nos proletários e nos operários. Hoje, falam nos negros, nos índios, nos gordos, nos diabéticos, nos torcedores de um time pequeno e em tantas outras minorias que se possam imaginar.

São tão obcecados em busca da segregação social, que se esquecem do mais simples: Por que não melhorar a educação básica para TODOS os indivíduos, a fim de garantir uma competição justa no futuro? Ora, mas é óbvio! Ao se reformar de forma séria e objetiva a sociedade, promovendo a verdadeira justiça e a verdadeira igualdade – aquela das oportunidades -, os “racistas do bem” vão perder seus oprimidos profissionais. Afinal, apesar de ser um branco, posso apostar que todo negro deseja simplesmente ser um negro que estuda, trabalha e tem uma vida normal. Ninguém se torna portador da “causa” por opção, mas por imposição. Ninguém se torna um cotista porque tem orgulho, mas porque – vocês sabem… – teve uma vida difícil por culpa “dazelite” branca, preconceituosa e conservadora. A partir do momento que esse discurso de vitimização social for abolido, o “pogreçismo” e seu “racismo do bem” vão ruir. E a sociedade civilizada poderá, então, florescer.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O politicamente correto

01/05/2009

Por Yashá Gallazzi*

Tempos Politicamente Corretos

Quem se deu ao trabalho de ler o perfil deste escriba na seção “colunistas” do site, percebeu que me oponho frontalmente àquilo que chamo de “pogreçismo” politicamente correto. Vou além: considero-o o carrasco maior da lógica e da inteligência, subvertendo a liberdade individual de pensamento e reduzindo toda a sociedade a um bando acéfalo.

E por que é tão importante combater o “pogreçismo” politicamente correto? Porque assumiu ares de uma verdadeira ideologia planetária, que pretende patrulhar as manifestações individuais dos seres humanos, atacando aqueles que não abraçarem a cartilha de valores que esse novo “humanismo” pretende impor ao mundo. Neste ponto, é importante ressaltar que o “pogreçismo” em muito se difere do progressismo. Este, sabemos, reúne todas as experiências reformistas e moderadas que as democracias modernas conheceram, trazendo como denominador comum a ruptura integral e irrevogável com o esquerdismo revolucionário de molde socialista e comunista. Em resumo, um progressista consegue pensar o mundo além da ótica pedestre da luta de classes, diferente de um “pogreçista”, que se pretende na vanguarda das transformações sociais, ao mesmo tempo em que ainda defende uma agenda que traz como principal legado a morte, a miséria e o terror.

Mas irei mesmo enveredar pela seara da discussão ideológica, aparentemente tão apartada do mundo real em que vivemos? Não. Quero, isso sim, propor aos leitores a análise de um acontecimento pouco comentado na mídia internacional. Todos poderão notar, ao final do texto, a importância de se falar do assunto a partir da ótica do “pogreçismo” politicamente correto. Peço apenas um pouco de paciência.

Há alguns dias, li que a segunda colocada no concurso que escolheu a miss Estados Unidos afirmou ter sido preterida em razão de sua opinião acerca do casamento homossexual. Carrie Prejean, miss Califórnia, era considerada a grande favorita na opinião dos entendidos, mas, para surpresa de muitos, perdeu o título para a miss Carolina do Norte, Kristen Dalton. E a reviravolta aconteceu, segundo um dos jurados do concurso, em razão da defesa convicta que Carrie fez do casamento, digamos, tradicional – aquele que acontece entre um homem e uma mulher. O corolário disso é o seguinte: as pessoas que julgaram o concurso em questão não estavam buscando uma pessoa qualquer (e adiante explicarei o porquê deste negrito), mas uma pessoa “dessazengajada”. É o “pogreçismo” politicamente correto aparelhando até concursos de beleza!

Aos mais afoitos eu peço um pouco de calma. Não, eu não tenho nada contra o casamento de homossexuais. A sexualidade, entendo, é um problema pessoal de cada um e deve ser tratado como tal. Assim, se duas pessoas adultas do mesmo sexo querem viver juntas, que o façam. Contudo, há que se convir com o seguinte: eu não sou obrigado a apoiar o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. E é este, caros, o ponto central do meu raciocínio. Assim como defendo a liberdade que cada um tem de escolher seus parceiros amorosos e/ou sexuais, também defendo com veemência a liberdade de ser contra ou a favor de determinadas práticas. Por isso acho um absurdo que Carrie tenha perdido um concurso de beleza simplesmente porque acredita que o casamento se dá apenas entre homem e mulher. Pergunto: por que ela era obrigada a pensar o contrário? Quem determinou que o correto é ser a favor das uniões homossexuais? Bingo! Foi justamente o “pogreçismo” politicamente correto que eu tanto abomino.

Alguns dos que criticaram Carrie disseram que a miss América não poderia ser apenas bonita, mas precisaria ser uma pessoa moderna e inteligente. Ah, é? Que coisa… Nunca pensei que eles fossem tão rigorosos… Mas, ainda assim, cumpre indagar quem decidiu que inteligente é ser favorável à causa homossexual? Eu insisto: a pobre moça não fez nada de errado ou criminoso. Limitou-se apenas a opinar sobre uma escolha moral que diz respeito apenas a cada indivíduo. O problema é que o politicamente correto, principalmente depois de ter adquirido ares “pogreçistas”, não aceita a divergência nem tolera a crítica. Cria-se, assim, o insuperável paradoxo: eles, que se pretendem humanos, tolerantes e modernos, acabam, na prática, sendo mais obscuros, totalitários e extremistas do que aqueles a quem imputam a pecha de conservadores e reacionários. Querem ver? No meu mundo ideal, há espaço para Carrie, que não quer os casamentos homossexuais, e também para aqueles que apóiam tal causa. É no mundo ideal “pogreçista” e politicamente correto que a divergência – neste caso representada por Carrie – precisa ser banida.

Lembram quando eu mencionei que os jurados não buscavam uma pessoa qualquer? Fiz questão de grifar a expressão em razão de sua importância inestimável. O cerne da nossa sociedade democrática está justamente no indivíduo e na sua importância. Talvez a culpa maior do politicamente correto seja justamente esmagar as pessoas em sua individualidade, a fim de buscar a coletivização da sociedade. O sonho dessa gente é criar um mundo de autômatos, onde o ato de repetir chavões se tornará o emblema maior. E, o que é mais grave, toda divergência será imediatamente repudiada e combatida.

Percebam que a promoção da causa homossexual é só uma vertente desse pensamento. O mesmo se aplica, por exemplo, quanto à legalização do aborto e à política de cotas raciais. Basta que alguém destoe da manada e se diga contra, para que o vento “pogreçista” e politicamente correto se transforme em um furacão, empenhado em varrer do mapa qualquer voz dissonante. E eu torno a perguntar: quem são, afinal, os intolerantes? Aqueles que manifestam uma opinião dizendo-se contrários às uniões homossexuais (ou ao aborto, ou às cotas)? Ou os que, ostentando ares de sabedoria humanista, pretendem erradicar qualquer divergência?

O “pogreçismo” politicamente correto é a nova ideologia da pocilga, que veio ocupar no mundo o lugar que um dia já foi dos marxistas. São eles que, agora, falam em criar um amanhã glorioso, onde os males do mundo não mais existirão e a sociedade viverá em regime de igualdade. Não querem mais, é verdade, controlar a economia. Mas não abrem mão de controlar o pensamento, aplicando, em pleno século XXI, as teorias cunhadas pelo terrorista italiano Antonio Gramsci. E não tenham dúvidas: em nome do futuro edílico deles, onde reinará a coletividade humana, toda e qualquer restrição ao indivíduo é admitida. Querem nos trazer a liberdade. Mas é a liberdade de escolher entre abraçar os seus dogmas, ou ser apartados da sociedade, tratados como conservadores, reacionários e direitistas. Sim, essa é mais uma marca desse “novo humanismo”: qualquer oposição à agenda por ele apresentada é, de plano, tratada como coisa “da direita” (ou da elite).

Não os invejo em nada. Vão entrar para a história como aqueles que mostraram mais preocupação com as baleias do que com os bebês. São os que defendem OS homossexuais, mas desprezam O homossexual. Se você é um homossexual que abraça a “causa gay”, receberá sempre o apoio e a proteção deles. Se é um homossexual que quer apenas viver a própria vida, será tratado como um traidor da “causa”. Desafio qualquer um a me mostrar em que essa gente se difere dos bolchevistas. Eles não gostam do indivíduo, porque o indivíduo será sempre um grande empecilho aos planos totalitários e universalistas deles. E é exatamente por isso que jamais vão conseguir sucesso em sua empreitada de suprimir o pensamento, a crítica e a liberdade. É próprio da natureza humana lutar pelo direito de ser livre e isso vai sempre frear toda tentação autoritária que surja no horizonte. Já vimos o nazismo, o fascismo, o comunismo. Hoje, vemos o “pogreçismo” politicamente correto. Sem problema: a liberdade, a democracia e o indivíduo vão triunfar novamente.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento.