Por Yashá Gallazzi*
Antes de me debruçar de fato sobre o tema central deste texto, peço ao leitor o seguinte: Se você quer criticar o Vice de José Serra, Deputado Índio da Costa, mas pretende votar em Dilma Rousseff, a ex-terrorista que escolheu como Vice ninguém menos que Michel Temer, nem se dê ao trabalho de continuar a leitura. Este texto tem um lado. E este lado, sinto, não é o seu. Adiante.
Ao escolher Índio da Costa como seu Vice, José Serra deixou sua intenção razoavelmente clara: Quer alguém jovem, alguém que possa emprestar um ar de renovação, de vigor para a chapa PSDB-DEM, que já conta com a figura do político experiente. Vai funcionar? Difícil dizer. Se considerarmos que há alguns dias a oposição esteve perto de indicar Álvaro Dias para o posto, a escolha de Índio da Costa parece um salto de qualidade tremendo.
Não! Não estou aqui tentando de forma oblíqua tecer comentários negativos ao Senador Álvaro Dias. Minha opinião se baseia em simples raciocínio lógico: Um Vice precisa agregar algo novo à chapa. Dias, vindo do Paraná – um estado sulista, onde Serra já é franco favorito -, não traria lá muitos votos a mais. Já o Deputado Índio da Costa pode ajudar num estado onde Dilma cresce a olhos vistos: o Rio de Janeiro.
Mas isso tudo não passa de exercício de futurologia, que pode facilmente mudar ao sabor da maré eleitoral que se avizinha. O dado mais curioso da corrida eleitoral – até agora pelo menos – foi o quase rompimento da aliança entre tucanos e democratas. Ao tentar empurrar goela abaixo do DEM o nome de Álvaro Dias, o PSDB esteve a um passo de perder seu aliado mais fiel, o que poderia concorrer para modificar bastante o quadro sucessório.
No meu mundo ideal, o DEM vestiria de uma vez por todas a carapuça de partido conservador do Brasil, indicaria a Senadora Kátia Abreu à Presidência e, arrisco dizer, teria grandes chances de fazer uma boa campanha.
Sim, é claro que eu sei a gritaria que o progressismo faria contra a Senadora tocantinense. Tudo absolutamente normal e dentro do padrão brasileiro, afinal “essepaiz” costuma demonizar todo aquele que defende o livre mercado, a iniciativa privada, a meritocracia e o império do regime de liberdades democráticas. Aqui, onde uma ex-terrorista está às portas do Planalto, prefere-se a bandalheira revolucionária do MST…
Mas o DEM, acostumado a ser rebocado pelo PSDB, jamais tomaria tal atitude. Candidatura própria? Com o risco de amargar as últimas colocações (não que eu acredite que isso fosse acontecer…)? Jamais! Por isso choraram, pressionaram e pronto: Índio da Costa levou a vaga de Vice. Bom para quem deseja uma alternativa contrária ao lulo-petralhismo, afinal, está claro que tucanos e democratas, juntos, têm mais condições de vencer do que sozinhos.
A desgraça é que o Brasil vai ver mais uma eleição monocromática, onde todos os políticos vão disputar o campo “vermelho” do eleitorado. De Serra a Dilma, passando por Marina Silva, todos vão lutar para se mostrar o mais progressista possível, prometendo manter as várias bolsas-esmola, aumentar o tamanho do Estado e prover ao cidadão todas as necessidades, de forma que ele nunca precise aprender a viver por conta própria.
Todo mundo ávido por ser progressista, até o partido tido como “de direita” pela imprensa, que as esquerdas acusam de ser comprada pelo partido da… direita! E isso num País onde majoritariamente se é contra o aborto, contra as drogas, favorável à pena de morte e à redução da maioridade penal.
A fatia mais numerosa do eleitorado brasileiro está ávida por um “partidinho conservador” para chamar de seu. Em vez disso, vai ter que escolher, mais uma vez, entre uma infinidade de esquerdistas. Um tédio!
*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi











