Postagens com a palavra-chave ‘Colômbia’

Coluna do dia: A volta da Doutrina Monroe

18/08/2009

Por Raphael Machado Silva*

Os ânimos nas Américas vêm esquentando, graças à possibilidade de um acordo militar entre Colômbia e EUA, que permitiria a este o uso de sete bases militares colombianas por membros de suas Forças Armadas, além da possibilidade dos EUA investirem 5 bilhões de dólares nessas bases nos próximos anos. A finalidade declarada desse acordo é o combate ao narcotráfico e à guerrilha das FARC, que assolam a Colômbia. O acordo será exposto em detalhes pelo presidente Uribe, da Colômbia, em uma reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), mas as próprias negociações prévias já causaram um novo rompimento de relações entre o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o Presidente Uribe.

Isso não é de surpreender, se tivermos em mente o fato de que, apesar de toda a diplomacia e disfarces, Hugo Chávez, e seu “camarada”, o Presidente Rafael Correa do Equador, são fortes apoiadores da “luta” das FARC, já havendo declarado afinidade ideológica pelas mesmas, além de provavelmente estarem fornecendo outros tipos de ajuda. Não custa nada lembrar, também, que as FARC, assim como Chávez e certas autoridades brasileiras que prefiro não mencionar, são membros do obscuro “Foro de São Paulo”, que visa coordenar os projetos socialistas na América do Sul.

Porém, há mais por trás desse acordo do que o que está sendo explicitado. Principalmente, no que concerne os interesses americanos no mesmo. Segundo Chavez, o real interesses dos americanos na utilização dessas bases colombianas está na possibilidade de usá-las para realizar alguma intervenção na Venezuela, de modo a ganhar acesso ao abundante petróleo da região.

Mas isso ainda é pouco. Há algo de caráter ainda mais estratégico em operação. Nesse momento, os EUA são odiados por todo o mundo islâmico, mesmo pelos países que se dizem seus aliados. Os países europeus, se aproximam cada vez mais da Rússia, por medo e pelo sentimento anti-americano, muito difundido entre sua população. E a própria Rússia faz demonstrações de força cada vez maiores, visando aumentar a dependência dos países europeus em relação à ela. A África está um caos e boa parte dela já está caindo sob a influência dos chineses, que já controlam várias minas de diamante e de outras pedras ou metais preciosos. Assim, como na maior parte da Ásia, a China é a potência dominante, substituindo os EUA ou o Japão de várias maneiras.

Isso quer dizer, que os EUA estão cada vez mais cercados, desgastados por suas inúmeras guerras e problemas econômicos, além de desprovidos de uma área de influência segura e afastada de rivalidade em relação a outras potências rivais. Restou para os EUA voltarem às suas origens. Voltar à Doutrina Monroe. Restabelecer todas as Américas como sua área de influência direta e total. Porém, os EUA estiveram mais de duas décadas “ausentes” da América do Sul, dado que a queda da URSS permitiu ao país tentar ampliar sua influência sobre todo o globo, momentaneamente sem qualquer possibilidade de rivalidade com alguma outra potência.

Nesse tempo em que os EUA estiveram fora, porém, seu “quintal” virou um caos. E ele não encontrará por aqui líderes tão cooperativos como em outras épocas. Ainda assim, isso não impedirá que os EUA tentem restaurar sua influência na região. Por isso, devemos ficar atentos a uma presença e pressão ainda maiores dos EUA na região, o que pode de fato, aumentar a instabilidade da América do Sul e gerar resultados imprevistos.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Computadores apreendidos das Farc mostrariam envolvimento recente com Chávez

03/08/2009

Informa o O Globo:

“Apesar das repetidas negativas do presidente Hugo Chávez, agentes do Estado venezuelano continuam a apoiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Como mostra reportagem publicada na edição desta segunda-feira do GLOBO, esses agentes ajudam os guerrilheiros a conseguir armas e até obter carteiras de identidade para que eles circulem livremente por todo o território da Venezuela.

A informação foi descoberta em computadores dos rebeldes apreendidos nos últimos meses e avaliados por agências de inteligência ocidentais. O ‘New York Times’ obteve uma cópia do material encontrado, sob análise de uma das agências.

O material mostra colaborações detalhadas entre a guerrilha colombiana e militares de alta patente e membros dos serviço de inteligência da Venezuela. As evidências contrariam Chávez, que vem fazendo constantes declarações de que seu governo não se relaciona com as Farc.

- Nós não os protegemos – disse o presidente em julho. “

Seria totalmente leviano da parte deste blogueiro querer afirmar a intensidade exata da relação entre as FARC e o Presidente venezuelano Hugo Chávez. Porém, ao mesmo tempo, qualquer pessoa com um mínimo de intelecto e de honestidade intelectual afirma que essa relação, em algum nível, existe.

Que aleguem os mais chavistas que as FARC empreendem uma luta justa, entendimento do qual discordo, mas que não posso retirar das mentes alheias. Que me digam estas mesmas pessoas que elas entendem que as relações entre as FARC e Chávez devem mesmo existir.

Mas não me digam que estas relações não existem, que não há proteção às FARC por parte de Hugo Chávez, que os bolivarianos e as FARC não compõem um grupo político internacional ou, até mesmo, que o fato de Chávez ter sido o intermediário entre as FARC e o governo da Colômbia se deveu à grande capacidade diplomática do caudilho.

Resumindo, defendam uma causa que para mim é indefensável mas não neguem o óbvio.

É óbvio que Chávez, Morales, Correa e as FARC se relacionam. O que são as FARC senão o grupo que representa o chavismo na Colômbia? Isto é claro, cristalino.

Se a causa chavista é legítima ou não, é uma questão de opinião. Eu a condeno, outros a enobrecem. Se as FARC são legítimas ou não, já são outros quinhentos. Trata-se de um grupo sequestrador, assassino. E por isso mesmo Chávez não assume as relações que mantém com a guerrilha. Por mais que na Venezuela esteja ocorrendo uma escalada ditatorial, o regime chavista é muito mais passível de defesa do que a guerrilha colombiana, envolvida, até mesmo, com o tráfico de drogas internacional.

Em suma, ter relações estreitas com as FARC é algo criticável sempre. Por isso, qualquer um que as tiver as ocultará.

Este blogueiro não afirma a intensidade exata das relações entre Chávez e as FARC, mas diz, sem medo de errar, que elas existem e que não são fracas.

Coluna do dia: O que é problema de Lula?

31/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

Mesmo indo de encontro a algumas das orientações redacionais mais clássicas, me vejo obrigado a iniciar o presente texto com uma indagação dirigida aos leitores. Assim, pergunto: se Sarney não é problema de Lula, nem problema que diz respeito a mim – que não votei nele -, quem seria o responsável? Aliás, reformulo a questão a fim de abranger um pouco mais do campo político: O que exatamente seria problema de Lula, já que as coisas atinentes ao Brasil – que ele chama de “essepaiz” – parecem não lhe dizer respeito?

Tal qual um Hamlet shakesperiano, me vejo diante da grande questão que me assombra, permanentemente, neste Brasil moderno onde impera a inversão de valores morais, o aviltamento da coisa pública e o estupro da democracia. Olho para a caveira e pergunto: O que é, afinal, problema de Lula? Com o quê o primeiro mandatário do país deveria se ocupar nos seus dias?

Então folheio as páginas de alguns dos principais jornais brasileiros – vocês sabem: aqueles comprados pela elite burguesa e preconceituosa… – e descubro algumas das ocupações que tomam o tempo de Lula.

Enquanto ignora o “caso Sarney” e a implosão da democracia brasileira, o presidente “dozoperário” e “dozoprimido” se dedica a emprestar apoio intelectual e ideológico à revolução bolivariana de Hugo Chávez. Basta perceber que o governo brasileiro é um dos maiores entusiastas da ação vagabunda perpetrada por Manuel Zelaya – um macaquito sob as ordens do “mico mandante” venezuelano – em Honduras. Mais ligeiro do que o Brasil na defesa do socialismo bolivariano só mesmo Hussein, o Presidente-de-ébano.

Mas não é só. Lula também tem outras ocupações, afinal é o – como é mesmo? – “líder da América Latina”. E, como tal, cuidou de se curvar rapidamente aos interesses do Paraguai, representados pelo esbulho que Fernando Lugo, o Rocco Siffredi falsificado, promoveu contra o dinheiro de todos nós, brasileiros. Sem meias palavras, poder-se-ia dizer que o bispo paraguaio (com trocadilho, por favor) seviciou o Brasil, tal como costumeiramente fazia com suas beatas. E Lula, prostrado como um masoquista à beira do orgasmo ideológico, não exitou em atender todos os pedidos daquele que é pai de muitos paraguaios. Tudo em nome da – como é mesmo? – “autodeterminação dos povos”.

Já escrevi aqui no passado: Sempre que um petista fala em soberania e autodeterminação o objetivo é justificar uma humilhação imposta ao Brasil por alguma republiqueta vagabunda e filomarxista. Sob Lula, caros, “essepaiz” não se humilhou mais perante “uzamericânu” e o FMI. Agora só nos humilhamos diante de Chávez, Lugo, Correa, Evo Morales, das FARC, da Coreia do Norte, de Ahmadinejad e de Kadafi. Bons tempos em que éramos apenas lacaios do imperialismo Yankee…

Então fica claro: “Problema” do Lula é dar suporte – logístico e moral – à canalha mais abjeta do continente. É financiar o governo do bispo-garanhão, Fernando Lugo, para garantir que a popularidade do conquistador não caia ainda mais, acabando por atrapalhar a expensão dessa nojeira que o moderno “pogreçismo” apelidou de “alternativa bolivariana”.

Simplificando, temos que o Estado brasileiro – ou seja, eu e você, leitor amigo – está financiando as pensões alimentícias pagas por Lugo. E, quiçá, uma ou outra garrafa de vinho Bourbon, usada pelo papa-beata para seduzir mais alguma militante.

Mas Lula é capaz de muio mais! Ocupar-se de Honduras e do Paraguai já seria trabalho em demasia para qualquer homem, mas não para Lula! O petista ainda consegue escalar alguns dos seus auxiliares mais espalhafatosos para completar a tarefa de nos humilhar publicamente diante de todo o mundo civilizado.

Na mais recente ocasião, a função coube a Celso Amorim, o valente pacifista que critica a guerra no Iraque, mas empresta apoio à ditadura assassina da China e do Sudão. Por quê? Porque criticar os Estados Unidos é – se me permitem – revolucionariamente chique. Mas já me desviei. Retomo: Amorim veio a público exigir a transparência da Colômbia em relação aos acordos de cooperação militar que mantém com os americanos. E isso – pasmem! – no mesmo dia em que descobriu-se que a Venezuela, do “companhêro” Chávez, contrabandeou armas para a canalha das FARC.

Sim, é isso mesmo, leitor amigo. O maior aliado do lulismo no continente, o símio que pretende imitar Stalin, perpetuando-se no poder venezuelano, está financiando o terror praticado por aqueles revolucionários que pretendem criar o tal “outro mundo possível” por meio do estupro, do homicídio e do tráfico de drogas. Não é mesmo fascinante?! E o Itamaraty disse alguma coisa contra a operação escabrosa engendrada por Chávez? Ora, claro que não! Foi é encontrar motivos para criticar as ações militares de Colômbia e EUA, que visam – vejam que coisa fantástica! – combater as FARC! O corolário disso é muito importante, e não pode passar batido: em uma guerra entre o Estado democrático de Direito (Colômbia/EUA) e o terrorismo (FARC/Venezuela), o governo do PT escolheu o lado do mal absoluto.

Começo a pensar que seria muito melhor se Lula deixasse de lado as coisas com que se tem ocupado ultimamente… Seria bem melhor – ou menos pior… – se ele se ocupasse de Sarney e da crise política que ameaça dinamitar o parlamento e a democracia brasileiros. Sim, eu sei que não se pode confiar na capacidade de Lula para solucionar a contenda, afinal, estamos falando de alguém que confunde Turco com Árabe, Árabe com Libanês e a dupla Flamengo e Vasco com apoiadores e opositores de Ahmadinejad. Não se pode esperar muito mesmo de alguém assim, reconheço. Mas, se Lula deixasse de lado a gentalha bolivariana e se ocupasse um pouco mais “dessepaiz”, talvez soubesse que Sarney não foi eleito pelo Maranhão, como disse hoje em matéria publicada pelo portal de notícias da Globo.

Eis aí o retrato mais fiel da mentira criada em torno do messianismo lulista. O retirante, operário e analfabeto, que teria viajado todo o Brasil, conhecendo de perto “uspobrema çoçial”, ainda nem sabe que o estado responsável pela eleição do seu maior aliado foi o Amapá. Lula, infelizmente, existe. E suas asneiras são reais, assim como sua figura bonachona e arrivista. Mas, se ele não existisse, ninguém sentiria falta dele. Só Sarney. E Lugo. E Chávez. E Evo. E Correa…

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Vídeo reforça ligação de Rafael Correa com as FARC

20/07/2009

Informa a Folha:

“Um vídeo de uma hora de duração que a polícia encontrou no computador de uma suposta guerrilheira parece eliminar quaisquer dúvidas de que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) doaram dinheiro à campanha eleitoral do presidente Rafael Correa, do Equador, em 2006.

O vídeo mostra o segundo em comando da guerrilha colombiana lendo carta do líder do movimento, Manuel ‘Tirofijo’ Marulanda, morto no ano passado, que reconhece as contribuições à campanha de Correa.

O vídeo, fornecido à agência de notícias Associated Press por um funcionário do governo colombiano, dá mais peso às provas obtidas em documentos eletrônicos tirados de um acampamento rebelde destruído pelas Forças Armadas colombianas no Equador. Correa acusou a Colômbia de ter falsificado os documentos.”

Não é de hoje que todas as pessoas que acompanham o cenário político internacional e que têm um mínimo de honestidade intelectual afirmam que há ligação entre os presidentes sul-americanos Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, todos “bolivarianos”, e as FARC, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Este próprio blogueiro já afirmou categoricamente, tempos atrás, que é clara a conexão entre Hugo Chávez, seus aliados Morales e Correa, e a guerrilha colombiana.

Não tenham dúvidas de que essa relação é estreita. Aliás, o vídeo citado na reportagem acima, que mostra com detalhes o guerrilheiro Mano Jojoy, segundo em comando das FARC, citando uma doação de dólares à campanha de Correa, vem para sedimentar ainda mais a noção de que as FARC são, sim, a versão colombiana do “bolivarianismo”.

Acontece que as FARC são piores do que Chávez, Morales e Correa e, portanto, mais condenáveis internacionalmente, seja por críticos dos regimes “chavistas”, seja, até mesmo, por simpatizantes deles. Inclusive defensores de Hugo Chávez estão do lado dos críticos quando o assunto é as FARC. Isso ocorre pois as FARC assassinam, sequestram, barbarizam. É por isso que até mesmo os presidentes bolivarianos deixam a aliança com as FARC na clandestinidade.

Por mais que alguns digam que a luta armada é um modo de protesto válido, que as FARC têm legitimidade para existir e se organizar e que qualquer pessoa democrática não pode defender a destruição da guerrilha, isto está totalmente equivocado.

Está por diversos motivos:

Primeiramente, a Colômbia não vive uma ditadura, portanto, as pessoas que querem uma mudança de rumo no país deveriam, simplesmente, participar dos ritos eleitorais e conseguir as reformas desejados democraticamente, se assim for desejado pelo povo. O fato da guerrilha existir me dá a sensação de que, na verdade, os guerrilheiros sabem que, democraticamente, não tornaria a Colômbia uma nova Venezuela pois o povo não quer isso realmente.

Em segundo lugar, as FARC são condenáveis pois são criminosas. As FARC matam. As FARC afastam pessoas de seus filhos durante anos e anos.

Em terceiro lugar, as FARC protegem o narcotráfico, este flagelo da juventude mundial.

Por tudo isso que citei, as FARC são totalmente abomináveis, assim como aqueles que as apóiam, qual sejam, Chávez, Morales e Correa.

O advento deste vídeo serve para diminuir o número daqueles que alegam, contra toda a lógica do mundo, que Venezuela e Equador não tem nada a ver com as FARC.

Ora, meus caros, Chávez, Correa e Morales, este em menor escala, são parte da mesma coisa da qual faz parte as FARC. As práticas variam e algumas circunstâncias também, mas a essência que é formada por regimes autoritários, com uma ideologia de esquerda ultrapassada e burra e que não mede esforços, inclusive contrariando a ordem e a moral, para se perpetuar no poder, é a mesma.

Para os que ainda tiverem dúvidas, segue abaixo o vídeo de um telejornal em espanhol que exibe a gravação que traz Mano Jojoy citando a doação a Correa:

A mídia tem, com certeza, seus desvios. Sem dúvida. Mas ela, na maioria das vezes, não inventa fatos, apenas exibe mais alguns e omite outros quando lhe convém, ou seja, a atuação da mídia é, em alguns casos, realmente criticável, mas isso não quer dizer em hora nenhuma que o vídeo, e a doação que ele comprova, são falsos.

Coluna do dia: Elas querem reformar

31/05/2009

Por Tiago Franz*

As informações que embasam este comentário foram publicadas pela imprensa brasileira há exatamente dois meses. São do tipo que não perdem tão cedo a atualidade. Para somar argumentos na defesa da reforma política, levanto-as novamente.

No dia 31 de março, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou no Rio de Janeiro o relatório Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009. Os dados divulgados sobre o Brasil viraram duas notícias na imprensa do país, uma positiva e uma negativa.

A positiva diz respeito à Lei Maria da Penha, que a diretora executiva do Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), Inés Alberdi, considerou uma das mais avançadas do mundo entre as leis de combate à violência contra mulheres.

A negativa refere-se à participação feminina nas câmaras federais. O relatório informou que o Brasil é o penúltimo no ranking sul-americano, com apenas 9% de mulheres parlamentares. Só ganha da Colômbia, cujo índice é de 8%. A Argentina, com 40%, tem a melhor representação feminina do continente. O ideal, segundo a ONU, é que haja um equilíbrio: mínimo de 40% e máximo de 60% de vagas ocupadas por um mesmo sexo.

Mas como corrigir isso no Brasil? A imprensa publicou, juntamente com os dados do relatório, depoimento da presidente da Comissão de Defesa das Mulheres da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, deputada estadual Inês Pandeló (PT), e da coordenadora da bancada feminina da Câmara Federal, deputada Sandra Rosado (PSB-RN). Ambas sugerem a mesma solução: reforma política.

Até mesmo a notícia positiva, sobre a Lei Maria da Penha, tem um aspecto negativo. Ela nos recorda o ainda gravíssimo quadro de violência contra a mulher no Brasil. A lei não deixa de ser importante, mas em termos de resultados, ela acaba sendo semelhante à atual cota obrigatória de 30% de mulheres por partido nas candidaturas às instâncias parlamentares. Além de a cota estar abaixo do ideal sugerido pela ONU, não garante a eleição. Como vimos, nem um terço da cota consegue se eleger.

Sandra Rosado diz que as representantes do sexo feminino têm mais dificuldade em conseguir financiamento para suas campanhas. Corrigir a desigualdade de gênero é corrigir também uma das incoerências que o país comete com a democracia representativa, já que este é o modelo de sociedade que adotamos. E não há maior incoerência do que a atual forma de financiamento das campanhas eleitorais. Elegemos pessoas para nos representar em cargos públicos, mas essas pessoas são eleitas com apoio de dinheiro privado, em quantias imensamente desproporcionais.

Se implantado, o financiamento público de campanhas mudaria profundamente a atual pragmática “eleitoresca” tão manjada no Brasil. Enquanto isso, as brasileiras, como na Grécia antiga dos sofistas iluminados, seguem submissas. Continuam apanhando, mas agora assistidas por uma das mais avançadas leis de combate à violência do mundo.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Presidente colombiano diz que reeleição seria ”inconveniente”

23/05/2009

Informa o Estadão:

“O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, declarou ontem que seria ‘inconveniente’ sua reeleição em 2010, porque perpetuaria o chefe de Estado e ‘o país tem muitos bons líderes’.

Uribe fez o pronunciamento durante um fórum econômico em Bogotá, apenas dois dias após o Senado aprovar a convocação de um referendo para reformar a Constituição e permitir que ele se apresente a um terceiro mandato.”

Concordo com Uribe. Acho que ele não deveria tentar o terceiro mandato e até critiquei recentemente, em postagem do blog, o processo de evolução do projeto que permitirá a ele concorrer novamente à presidência.

Se Uribe resolver não concorrer, mesmo com a legislação colombiana permitindo mais uma reeleição sua, dará uma aula de democracia. Se não fizer isso, decepcionará todos os que entendem que ele é um bom presidente, e não, mais um dos novos “caudilhos” da América do Sul.

É bom saber que Uribe deu declarações desse tipo. A alternância é saúdável e necessária para consolidar as democracias sul-americanas. Ruim foi saber, ao mesmo tempo, que ele não afirmou que não buscará um terceiro mandato e que uma fonte ligada à presidência não quis confirmar à agência France Presse que a declaração signifique que Uribe não se candidatará às eleições de 2010 se a Constituição for alterada para permitir um terceiro mandato.

Esperemos para ver no que dá. Se tentar o terceiro mandato, Uribe merecerá todas as críticas e não poderá mais falar mal de Chávez. Terá feito o mesmo, perpetuar-se no poder, embora de forma mais branda e menos  criticável, afinal, seu regime não é quase ditatorial.

Crítica: Uribe próximo do terceiro mandato na Colômbia

20/05/2009

“Senadores colombianos colocam Uribe um passo mais próximo de um terceiro mandato”

Alguns analistas políticos conceituados, uma minoria deles é verdade, sofrem de um mal que se chama parcialidade. Este mal se expressa, entre outros casos, quando os que apóiam o governo de Álvaro Uribe na Colômbia defendem o seu terceiro mandato e, ao mesmo tempo, criticam a possibilidade de Lula tentar a mesma coisa e repudiam o chavismo.

Ora, meus caros. As reeleições sucessivas são criticadas por motivos que valem para qualquer um que lute por elas: perpetuação no poder, falta de alternância política, autoritarismo, personalismo, etc.

Esses motivos, muito válidos, são utilizados muito por aqueles que criticam, por exemplo, Hugo Chávez. São base de muitos argumentos feitos até mesmo por este blogueiro que vos escreve.

Acontece que existe uma diferença entre realmente acreditar nesses ideais e utilizá-los como fachada ética para justificar posições meramente ideológicas ou políticas.

Essa diferença se demonstra quando pessoas que criticam alguém por fazer algo que atenta contra certos valores, elogio outro alguém que toma atitudes que atacam os mesmo valores. Fica caracterizado que os valores eram pretextos para a crítica ao desafeto, e não, princípios realmente enraizados na moral interna do crítico.

E aí que reside a diferenciação entre este blogueiro e estes analistas. Eu defendo os princípios que norteiam uma democracia plena por tê-los enraizados em minha moral, e não, por querer utilizá-los para atingir políticos como Hugo Chávez. Repudio Chávez pelo que ele faz, e não, por ele em si, ou por ele não seguir a ideologia que entendo correta.

Sendo assim, critico de forma veemente a tentativa de Uribe de conseguir o terceiro mandato. Ela legitima o chavismo e incentiva outros arroubos na América Latina, servindo de exemplo.

Se critico Chávez, critico Uribe. Se critico o terceiro mandato no Brasil, critico o terceiro mandato na Colômbia. Tenho minhas posições pessoais, mas, no momento de analisar me dirigindo aos leitores, não sofro de parcialidade.

Liberdade de imprensa e proteção de jornalistas maculadas

24/03/2009

Sérgio D’Ávila informa, na Folha de São Paulo, algo que prova que nossa democracia e, principalmente, nossa liberdade de imprensa, ainda têm muito o que evoluir.

Segue trecho da reportagem de Sérgio:

“O Brasil está entre os 14 lugares mais perigosos do mundo para o exercício da profissão de jornalista, junto de países em guerra, como Iraque e Afeganistão, ou que passam por conflitos civis, caso de Serra Leoa e Somália. A conclusão é do CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas), que acaba de divulgar seu levantamento anual.

É o Índice da Impunidade, que elenca os países em que os jornalistas são mortos com regularidade e em que o governo falha ao tentar solucionar os crimes. Em seu segundo ano, traz o Brasil em 13º lugar, à frente da Índia (quanto mais elevada a colocação, piores as condições). Os líderes são Iraque, Serra Leoa, Sri Lanka, Somália e Colômbia.

Para chegar ao ranking, a ONG baseada em Nova York, que defende a liberdade de imprensa no mundo inteiro, divide o número de casos não resolvidos de assassinatos de jornalistas por milhão de habitantes no período de 1999 a 2008. Só entram na lista países com cinco ou mais casos; são considerados não resolvidos os que não resultaram em condenações.

É a estreia do Brasil na lista. ‘Embora as autoridades brasileiras tenham sido bem-sucedidas em promover ação penal contra alguns assassinos, esses esforços não diminuíram a alta taxa do país de violência mortal contra a imprensa’, diz o texto, segundo o qual alguns “jornalistas cobrindo crime, corrupção e política local” encontraram ‘consequências brutais’.”

Chávez e o seu desrespeito às soberanias alheias

21/03/2009

É sabido por todos que Hugo Chávez tem um longo rol de intromissões em assuntos internos de outros países. O Presidente venezuelano se intromete em episódios que vão desde eleições presidenciais até pequenas disputas e atritos.

É inegável, mesmo para os defensores do regime chavista, que Chávez influenciou o resultado de diversas contendas, começando pela eleição presidencial boliviana, passando pela luta do governo colombiano contra as FARC e chegando, até mesmo, ao carnaval carioca, onde a escola de samba Vila Isabel foi, recentemente, patrocinada pelo líder venezuelano.

É claro que influir em questões de soberania de outros países não é privilégio de Chávez. Os próprios Estados Unidos, propaladores da liberdade e da democracia, fizeram isso a torto e a direito nos idos da guerra fria. Além disso, vale ressaltar que o carnaval carioca não é uma questão de soberania nacional, porém, serve como bom ilustrativo do nível a que a intromissão chega.

Como se faltassem exemplos da influência, por baixo dos panos, de Chávez, ele continua a fabricar novos. A mais nova informação dá conta de que os Ministros que foram retirados do staff cubano por Raúl Castro teriam tido esse destino pelo fato de estarem mancomunados com Chávez, visando tomarem o poder para proteger Cuba de uma suposta “abertura” que está sendo promovida, aos poucos, por Raúl.

Informa Marcos Guterman que o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda, razoavelmente respeitado por sua atividade acadêmica e autor de uma biografia de Che Guevara, surpreendeu ao publicar um artigo na revista Newsweek, no qual afirma que um golpe foi abortado em Cuba. No texto, ele diz que o então vice-premiê cubano, Carlos Lage, e o então chanceler, Felipe Perez Roque, conspiraram para derrubar o presidente Raúl Castro – com a ajuda do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Segundo Castañeda, Lage e Roque, “que procuraram Chávez ou foram procurados por ele” para ajudar no golpe, entendiam que Raúl estava disposto a fazer concessões em demasia, colocando em risco a revolução cubana. Chávez teria procurado apoio de outros líderes latino-americanos para a empreitada, diz Castañeda. A trama foi descoberta, e Lage e Roque, afastados.

O mexicano admite que não tem como provar o que escreveu, dizendo que as informações são “especulações” que chegaram a ele. Mas diz que o silêncio de Chávez após a demissão de Lage e Roque mostra que há algo no ar.

Ok. Admito que as informações podem não passar de boatos, até porque, Castañeda afirma que não pode provar o que diz. Porém, dificilmente me passaria pela cabeça duvidar muito dessa teoria, por força dos diversos precedentes que Chávez tem em sua ficha corrida.

Vale ainda ressaltar que, além de estar promovendo, na surdina, um golpe, igual ao que o atingiu e que é tão criticado por ele até hoje, e estar se intrometendo em assuntos que, claramente, dizem respeito à soberania cubana, Hugo Chávez também tem os propósitos errados. A leve “abertura” proposta por Raúl é uma das poucas medidas que pode ter sucesso no sentido de atrair novos investimentos na ilha e permitir que os Estados Unidos revejam o embargo, o que melhoraria, e muito, a qualidade de vida dos habitantes cubanos, mesmo que Raúl Castro continuasse no poder.

Chávez, ou nem mesmo vê que a “abertura” é estratégica e que, na realidade, não atenta profundamente contra os ideais socialistas pregados por ele e por Fidel, ou na realidade, o que é mais provável, nem se importa com isso, querendo saber mesmo dos seus interesses e não dos do povo cubano.

Se tentar influir na política interna de diversos países ao redor do globo é ser imperialista, adjetivo usado e abusado por Chávez para caracterizar os Estados Unidos, o líder venezuelano também o é. Se os Estados Unidos defenderam em detrimento dos povos de alguns países os seus interesses, e realmente o fizeram algumas vezes, e por isso merecem as críticas de Chávez, não mereceria ele as mesmas críticas pelo que faz com Cuba?

É algo a se pensar. E não me venham dizer que o que Chávez faz é “proteção”.

Dez motivos para que tudo falte

16/01/2009

Chavez

“Assembléia venezuelana aprova reeleição ilimitada: Mas pesquisas indicam que o presidente Hugo Chávez terá dificuldade de obter aval da população para se candidatar novamente”

A notícia citada acima apenas vem comprovar alguns fatos. E nenhum deles é bom, todos apontam para uma Venezuela dominada por um governo antidemocrático, megalomaníaco, ditatorial, personalista e a favor da perpetuação no poder. A uníca exceção é a informação de que o povo venezuelano dificilmente dará a Chávez o direito de se candidatar sucessivas vezes.

Motivado por todo esse cenário, resolvi escrever sobre dez coisas que me indignam sobre Hugo Chávez, e saibam que foi fácil chegar a esse número, muitas coisas ainda ficarão faltando.

Em primeiro lugar, um país não se pode considerar uma democracia quando tem um Poder Legislativo dominado pelo Executivo, desequilibrando a relação entre os três poderes. A assembléia venezuelana é formada por fantoches do Presidente Hugo Chávez, totalmente cooptados e amordaçados. Realizam as votações apenas para manter uma fachada e continuar a serem beneficiados pelo regime. Qualquer venezuelano com um mínimo de solidariedade e ética defende que essa assembléia seja renovada, através da entrada de pessoas independentes, se é que isso ainda é possível, e sabe que só assim o país progredirá de verdade, e não do modo maquiado do regime de Chávez.

Em segundo lugar, a perpetuação no poder é um câncer para qualquer país que precisa construir uma democracia. A alternância de poder é essencial não só para que realmente exista uma democracia no país, como também para que essa democracia amadureça e fomente instituições fortes e respeitadas. É importante para que o povo venezuelano saia do abismo em que se encontra, justamente, rejeitar a emenda que permite as reeleições infinitas de Chávez.

Em terceiro lugar, vale lembrar sempre que a Venezuela é um país que perdeu o bom momento da economia mundial, não conseguirá enfrentar de forma bem sucedida a crise econômica e, provavelmente, estará mais pobre e desigual depois de Chávez do que antes dele. A realidade é que Chávez utilizou os grandes lucros do petróleo, que poderiam ser usados para causar uma revolução no país, para brincar de líder mundial, emprestar dinheiro a países para comprar apoio político, criar uma elite formada por aliados e amigos do regime e aumentar fortemente a desigualdade social do país. Ou seja, o dinheiro do ouro negro foi usado para tudo, menos para melhorar a vida do povo venezuelano.

Em quarto lugar, Chávez mentiu. Sim, mentiu. Já tentou em outra oportunidade aprovar uma emenda que possibilitaria a ele se perpetuar no poder, não teve o apoio popular necessário e prometeu respeitar a vontade soberana do povo. Posso estar enganado, mas tentar aprovar a mesma medida alguns anos mais tarde não me parece ser respeitar a vontade soberana do povo.

Em quinto lugar, Chávez configura um mal exemplo para a região, um pólo emanador de influências negativas. Ele financia e serve de modelo para políticos que, uma vez eleitos, implementam as mesmas medidas fracassadas, obsoletas, injustas e autoritárias do mestre. Vide Bolívia e Equador, lembrando que o primeiro jogou toda sua insegurança jurídica contra a Petrobras e o último, recentemente, ensaiou até mesmo um calote ao Brasil.

Em sexto lugar, Chávez leva a cabo um regime ditatorial e autoritário, afinal, ele não apenas coopta parlamentares e juízes, desequilibrando os três poderes. Isso não o deixa satisfeito. Ele ainda censura a imprensa, cassa o registro da maior rede de televisão do país pelo simples fato de não o apoiar, persegue opositores, tomando até mesmo as posses de alguns, e  tenta monopolizar os meios de informação.

Em sétimo lugar, o Presidente da Venezuela utiliza dinheiro do povo venezuelano para ajudar as FARC, ou seja, ajuda financeiramente, na clandestinidade, um grupo de guerrilheiros, que, além de serem terroristas, dominam parte do território que deveria estar sob a soberania do governo colombiano. Como se não bastasse isso, Chávez faz cara de bom moço, finge não ter nada a ver com as Forças Revolucionárias, e se oferece para ser um mediador “imparcial” entre a guerrilha e o governo colombiano. Mas que “imparcialidade”. Isso sem mencionar as relações um tanto “estranhas” com o Irã e com Cuba.

Em oitavo lugar, as medidas de Hugo Chávez na tentativa de continuar no poder por tempo indeterminado vão contra a vontade popular,  o que é comprovado pelas pesquisas de institutos independentes. Ao passo que prega a República Socialista e Bolivariana, que teoricamente teria como objetivo principal olhar pelo povo, ignora os anseios desse povo e coloca nas ruas institutos de pesquisa estatais, instruídos para maquiar os resultados a favor do regime.

Em nono lugar, a família de Hugo Chávez, após sua ascensão ao poder, passou a controlar estados venezuelanos, quilômetros e quilômetros de terras e nomeações. Se no Brasil o nepotismo é um problema, na Venezuela é padrão. Ser um Chávez é ter poderes ilimitados.

Em décimo e último lugar, para ficarmos por aqui e não incentivarmos mais ainda a irritação do leitor para com o que ocorre na Venezuela, lembremos que Hugo Chávez tentou, antes de chegar ao poder pela via democrática, chegar lá através de um golpe, o que comprova que o presidente nunca teve, realmente, muita admiração pelas regras e pela justiça, quiçá pela democracia.

Bom, pode ser que eu tenha me alongado e talvez a notícia citada acima não desse margem, em seu conteúdo, para tantos comentários. Porém, a realidade é que toda notícia que informa sobre os arroubos de Hugo Chávez me causa toda uma rememoração de quão odioso é o regime, de quão atacada é a democracia na Venezuela e de quão indignado eu sou em relação a tudo isso.

Não sou ingênuo de acreditar na balela de que o padrão americano de democracia e liberdade são imprescindíveis para um país. Muitos menos defendo intervenções militares de países como os EUA, em países que, embora desrespeitem a democracia e os direitos humanos, ainda são soberanos sobre seus territórios. Acontece que a realidade é que a democracia e a liberdade, dentro do contexto cultural de cada país, e não do modelo americano necessariamente, são extremamente importantes para a qualidade de vida de um povo, para que ele tenha oportunidades, escolhas, possibilidade de ascensão social e, porque não, felicidade. Falta tudo na Venezuela, menos dez motivos para que tudo falte.

E me perdoem se fui radical demais na crítica do regime venezuelano, esse blog tenta ser imparcial ao máximo. Infelizmente, a indignação, algumas poucas vezes, não permite.