Por Raphael Machado Silva*
Os ânimos nas Américas vêm esquentando, graças à possibilidade de um acordo militar entre Colômbia e EUA, que permitiria a este o uso de sete bases militares colombianas por membros de suas Forças Armadas, além da possibilidade dos EUA investirem 5 bilhões de dólares nessas bases nos próximos anos. A finalidade declarada desse acordo é o combate ao narcotráfico e à guerrilha das FARC, que assolam a Colômbia. O acordo será exposto em detalhes pelo presidente Uribe, da Colômbia, em uma reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), mas as próprias negociações prévias já causaram um novo rompimento de relações entre o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o Presidente Uribe.
Isso não é de surpreender, se tivermos em mente o fato de que, apesar de toda a diplomacia e disfarces, Hugo Chávez, e seu “camarada”, o Presidente Rafael Correa do Equador, são fortes apoiadores da “luta” das FARC, já havendo declarado afinidade ideológica pelas mesmas, além de provavelmente estarem fornecendo outros tipos de ajuda. Não custa nada lembrar, também, que as FARC, assim como Chávez e certas autoridades brasileiras que prefiro não mencionar, são membros do obscuro “Foro de São Paulo”, que visa coordenar os projetos socialistas na América do Sul.
Porém, há mais por trás desse acordo do que o que está sendo explicitado. Principalmente, no que concerne os interesses americanos no mesmo. Segundo Chavez, o real interesses dos americanos na utilização dessas bases colombianas está na possibilidade de usá-las para realizar alguma intervenção na Venezuela, de modo a ganhar acesso ao abundante petróleo da região.
Mas isso ainda é pouco. Há algo de caráter ainda mais estratégico em operação. Nesse momento, os EUA são odiados por todo o mundo islâmico, mesmo pelos países que se dizem seus aliados. Os países europeus, se aproximam cada vez mais da Rússia, por medo e pelo sentimento anti-americano, muito difundido entre sua população. E a própria Rússia faz demonstrações de força cada vez maiores, visando aumentar a dependência dos países europeus em relação à ela. A África está um caos e boa parte dela já está caindo sob a influência dos chineses, que já controlam várias minas de diamante e de outras pedras ou metais preciosos. Assim, como na maior parte da Ásia, a China é a potência dominante, substituindo os EUA ou o Japão de várias maneiras.
Isso quer dizer, que os EUA estão cada vez mais cercados, desgastados por suas inúmeras guerras e problemas econômicos, além de desprovidos de uma área de influência segura e afastada de rivalidade em relação a outras potências rivais. Restou para os EUA voltarem às suas origens. Voltar à Doutrina Monroe. Restabelecer todas as Américas como sua área de influência direta e total. Porém, os EUA estiveram mais de duas décadas “ausentes” da América do Sul, dado que a queda da URSS permitiu ao país tentar ampliar sua influência sobre todo o globo, momentaneamente sem qualquer possibilidade de rivalidade com alguma outra potência.
Nesse tempo em que os EUA estiveram fora, porém, seu “quintal” virou um caos. E ele não encontrará por aqui líderes tão cooperativos como em outras épocas. Ainda assim, isso não impedirá que os EUA tentem restaurar sua influência na região. Por isso, devemos ficar atentos a uma presença e pressão ainda maiores dos EUA na região, o que pode de fato, aumentar a instabilidade da América do Sul e gerar resultados imprevistos.
* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.











