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Deputado Jutahy Magalhães Jr. diz que há algo errado na pesquisa CNT/Sensus: Perspectiva comenta a situação

02/02/2010

Disse o Deputado Jutahy Magalhães Jr. (PSDB-BA) em e-mail enviado ao jornalista Ricardo Noblat, que, por ter sido publicado por este, tomo a liberdade de reproduzir para poder comentar:

“Na mais recente pesquisa de intenção de votos do Instituto Sensus, Serra tem 33,2%, Dilma 27,8% e Ciro 11,9%.

Quando se tira Ciro, o Serra cresce 7,5% – vai para 40,7%. E Dilma apenas 0,7% – vai para 28,5. Ou seja: Serra cresce 10 vezes mais do que Dilma.

Acontece que isso é virtualmente impossível no histórico das pesquisas eleitorais dos últimos tempos. Nenhuma pesquisa jamais registrou fenômeno igual.

Nas pesquisas divulgadas no início de dezembro, Serra obtém 31.8% na Sensus, 38% no Ibope e, no Datafolha, divulgado quinze dias depois dessas duas, 37%. E neste mesmo Datafolha de dezembro, quando Ciro sai, tanto Serra quanto Dilma crescem 3 pontos percentuais cada um.

Tudo indica que o erro da pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem está na primeira simulação, com o objetivo claro de aproximar os dois pré-candidatos. Se não for isso, o erro estará na segunda simulação.

É virtualmente impossível que ambas as simulações da CNT/Sensus estejam corretas. O mais provavel que que a primeira simulação cumpra o objetivo de ‘fabricar’ um empate técnico!

Mesmo com esses dados, Serra cresce na primeira e na segunda simulação e, sem o Ciro, ganharia a eleição no 1º turno.”

Este que vos fala não é nem um pouco apreciador de teses conspiratórias. Nenhuma delas me agrada. Acredito serem todas um tanto fantasiosas, causadoras de uma perda de tempo precioso, que poderia ser utilizado em estudos mais úteis. Com todo o respeito aos que apreciam estes enredos, prefiro me ausentar destas discussões que, na maioria das vezes, são essencialmente inconclusivas.

Acontece que só se trata de teoria da conspiração plena quando existe muita fantasia e pouco fato concreto. Quando a tese começa a fazer muito sentido, ou pelo menos algum, a situação já muda de figura. Como diriam alguns, não é paranóia se realmente existe alguém querendo sua cabeça.

Digo tudo isso pois tenho mantido a política de não encorajar, tanto em meus textos como nas minhas respostas aos comentários dos leitores, a ideia de que as pesquisas de intenção de voto brasileiras são manipuladas. Afirmo que se temos algumas dúvidas, devemos comparar os resultados de diferentes institutos. Quando me questionam sobre o porquê de levar muito a sério algumas aferições, cito os acertos passados de alguns institutos, demonstrados pela proximidade entre a previsão e a verdade das urnas. Nos momentos em que me dizem que algum instituto trabalha a favor dos interesses de certo grupo, lembro que normalmente os índices de diferentes institutos são próximos e que não é possível que todos os institutos trabalhem para o candidato que é apresentado como líder das pesquisas.

É por todo esse posicionamento, fundamentado, que não dou muita corda para teorias a respeito da falsificação de resultados de pesquisas eleitorais. Admito que elas podem, equivocadamente, animar ou desanimar militâncias, o que pode ser nocivo para a democracia. Também o voto útil é muito causado por isso. O eleitor passa a saber quem “tem chance” e quem “não tem”, abandonando seu candidato se ele não tiver. Contudo, tudo isso faz parte de outra história. Trata-se de um questionamento sobre os efeitos das pesquisas sobre o processo eleitoral, e não sobre a veracidade dos dados apresentados por elas.

Entretanto, e é por isso que escrevo este texto, o comentário enviado ao jornalista Ricardo Noblat pelo Deputado Jutahy Magalhães Jr. tem lógica. Tem fundamento matemático. Merece algum crédito em sua pretensão de levantar dúvidas sobre a idoneidade da pesquisa CNT/Sensus, por mais que possa estar errado. E apenas o fato de haver esse merecimento de crédito já é relevante.

Realmente a migração de votos de Ciro Gomes para José Serra no cenário que não inclui o ex-Governador cearense é demasiadamente grande. Esse fato inclusive foi observado por mim sob outro viés, mas não deixando de ser percebido por ter, realmente, relevo.

Sendo assim, ou está errada a aferição do cenário sem Ciro ou está errada a aferição do cenário que conta com o Deputado. A lebre levantada por Jutahy tem fundamento.

Não se sabe se foi erro ou inidoneidade. Porém, há que se observar com calma este episódio. Até porque, se não foi erro, trata-se de um crime, tenha sido a distorção propositalmente causada no primeiro cenário ou no segundo, não importa.

Afinal, se Dilma foi aproximada de Serra no primeiro cenário ou se Serra foi afastado de Dilma no segundo, tanto faz. O tamanho da transgressão é igual. Embora, matematicamente, seja muito mais provável, se for o caso de algo proposital, que o intuito tenha sido aproximar Dilma no primeiro cenário.

É justamente por isso que é Jutahy Magalhães, do PSDB, que faz a denúncia.

Não se pode afirmar se ela procede. Mas o Perspectiva estará acompanhando.

E este blogueiro, mesmo não sendo fã de teses conspiratórias, de olhos bem abertos.

CNT/Sensus: Em pesquisa espontânea, Serra e Dilma têm empate técnico

01/02/2010

A pesquisa espontânea é aquela em que os entrevistadores do instituto de pesquisas em questão não apresenta as opções ao entrevistado. O cidadão responde à pergunta, seja ela qual seja, dando a resposta que deseja, sem ser limitado ou rememorado em suas opções por informações fornecidas pelo próprio pesquisador.

Sendo assim, a pesquisa espontânea é importante na política para que se possa aferir o quanto de memória uma candidatura ou um nome político tem junto ao eleitorado. Políticos muito lembrados pelos eleitores, mesmo não tendo sido citados pelo entrevistador, são vistos como provavelmente fortes em suas pretensões, já que seus nomes estão na mente do eleitor mesmo sem terem sido trazidos como opção.

Se por um lado o resultado das espontâneas pode ser enganador, já que testa mais memória do que intenção de voto, afinal, um eleitor pode mudar de opinião ao ser lembrado de que outra opção, preferida por ele, está disponível, por outro, um forte desempenho nestas pesquisas fortalece o candidato.

Pois bem. A espontânea feito pelo Instituto Sensus a pedido da Confederação Nacional do Transporte apresentou empate técnico entre Dilma Rousseff e José Serra, ou seja, sem a apresentação de opções, número parecido de eleitores citou Dilma ou Serra como seus candidatos preferidos.

Os números são:

Dilma Rousseff: 9,5%

José Serra: 9,3%

Curiosamente, como na espontânea o eleitor pode citar qualquer político, o vencedor foi, mais uma vez, Lula, embora não possa concorrer. O Presidente obteve 18,7%. Além disso, Aécio Neves ainda aparece na disputa, tendo ficado com 2,1% e à frente dos outros candidatos que ainda estão na corrida, Marina Silva e Ciro Gomes, que obtiveram 1,6% e 1,2% respectivamente.

Percebam que a situação de Ciro Gomes, muito mais bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto direcionadas no que nas pesquisas espontâneas, demonstra a diferença entre elas, explicada nos parágrafos acima.

Por fim, vale citar que o empate técnico entre Dilma e Serra deve ter causado celebração no Planalto e preocupação no Palácio dos Bandeirantes, embora Serra ainda lidere, com alguma folga, as pesquisas tradicionais.

CNT/Sensus: Marina reduz rejeição, mas ainda lidera o ranking – Dilma melhora

01/02/2010

A mais recente pesquisa de intençao de voto encomendada pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes) ao Instituto Sensus aferiu, também, a rejeição dos candidatos.

Marina Silva reduziu sua rejeição, mas ainda lidera o ranking negativo. Dilma Rousseff melhorou e empatou tecnicamente com José Serra, que oscilou.  Ciro Gomes teve piora em seu índice.

Seguem os números:

36,6% dos eleitores rejeitam e não votariam em Marina Silva (38,4% em novembro)

30,3% dos eleitores rejeitam e não votariam em Ciro Gomes (25,3% em novembro)

29,7% rejeitam e não votariam em José Serra (27,7% em novembro)

28,4% rejeitam e não votariam em Dilma Rousseff (34,4% em novembro)

Aprovação de Lula chega a 81,7% – Avaliação positiva do governo é de 71,4%

01/02/2010

Pesquisa recente do Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, mostrou crescimento no índices de popularidade do Presidente Lula. A última aferição feita pelo Instituto, realizada em novembro, atestava que Lula tinha 78,9% de avaliação positiva. Agora, o Presidente tem 81,7% de aprovação. O recorde é de 84% em janeiro do ano passado.

A aprovação representa a soma da quantidade de pessoas que afirmam aos entrevistadores do Instituto que Lula é um Presidente bom com a que afirma que o Presidente é ótimo. A relação com o conjunto total de entrevistados dá a porcentagem.

A avaliação do governo é um tanto descolada da aprovação de Lula, mas também é bem favorável. A soma dos índices ótimo e bom subiu de 70% em novembro para 71,4% do total agora em janeiro.  22% dos entrevistados disseram que o governo é regular. Apenas 5,8% disseram que ele é ruim ou péssimo.

Como se pode ver os índices de aprovação do Presidente e do governo se mantêm altos. De olho no que pode transferir de cacife para sua candidata Dilma Rousseff, Lula quer que continuem assim.

Deseja baixar apenas a sua pressão arterial, que subiu justamente pelo forte esforço empregado para que os outros índices, os políticos, se situem nas alturas.

CNT/Sensus: Lula, governo e Dilma sobem; Serra desce, mas chapa com Aécio vence

23/11/2009

As pesquisas encomendadas pela Confederação Nacional do Transporte ao Instituto Sensus (CNT/Sensus) apresentaram cenário nada animador para a oposição. Subiu a aprovação do governo, subiu a aprovação de Lula e subiu a intenção de voto em Dilma Rousseff. Enquanto isso, caiu a intenção de voto em José Serra. A única notícia boa para o tucanato parece ser a vitória e a pouca rejeição da chapa Serra/Aécio.

A aprovação da população brasileira ao governo do presidente Lula passou de 65,4% em setembro para 70% em novembro. Já a avaliação positiva do Presidente subiu de 76,8% para 78,9%.

No que diz respeito à corrida presidencial de 2010, temos o seguinte cenário:

José Serra – 31,8%

Dilma Rousseff – 21,7%

Ciro Gomes – 17,5%

Marina Silva – 5,9%

Se compararmos estes índices com as recentes aferições deste e de outros institutos, poderemos perceber que José Serra, embora lentamente, vem perdendo terreno, enquanto a Ministra Dilma Rousseff, por outro lado, ganha espaço. Em resumo, a distância vai sendo encurtada dos dois lados.

O alento da oposição reside no fato de que Serra ainda vence por larga margem no provável segundo turno, além de ter sua possível chapa com Aécio Neves vencendo e, também, enfrentando pouca rejeição.

Vale ressaltar, também, que uma nova composição testada, que traz uma chapa formada por Aécio Neves e Ciro Gomes venceu o cenário do qual tomou parte.

As conclusões possíveis parecem ser quatro:

1- Lula mantém sua popularidade em alta, assim como a do governo.

2- Dilma Rousseff vai se viabilizando aos poucos.

3- Fernando Henrique Cardoso pode estar causando uma perda de votos por parte de Serra, por conta de ser mal visto pela população.

4- José Serra vai, cada vez mais, aumentando sua dependência de Aécio Neves, o que faz com que não seja possível para o Governador paulista ter chances de vitória se não contar, pelo menos, com o apoio forte do mineiro, mesmo que este não seja seu Vice. Com isso, aumenta também o espaço para Aécio esticar a corda, como faz ao se reunir com Ciro a ponto de gerar a inclusão na pesquisa de uma chapa que traz os dois, e tentar fazer prevalecer a tese de que mais vale um mais agregador do que um líder de pesquisas.

Enquanto isso, as águas passam por debaixo da ponte.

Coluna do dia: Será que a saúde brasileira precisa de um novo imposto?

09/09/2009

Por Renato Alves*

Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Este nome lhe parece familiar? É aquela cobrança que incidia sobre quase todas as movimentações bancárias: a CPMF. Ela foi extinta. Bom, pelo menos era o que parecia, pois querem ressuscitá-la. O governo federal está fazendo de tudo para que ela volte, desta vez com uma nova denominação, porém com o mesmo intuito: arrecadar, arrecadar e arrecadar.

A CPMF foi criada em 1993 e passou a vigorar no ano seguinte com o nome de Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF). Sua alíquota era de 0,25% e durou até dezembro de 1994. Em 1996, o governo voltou a discutiro assunto e assim foi criada, de fato, a CPMF, que passou a vigorar em 1997 com alíquota de 0,2%. A partir de 1997, a contribuição que era provisória passou a ser prorrogada sistematicamente até ser extinta em 2007. Neste período de prorrogações ela teve várias alíquotas, sendo a última de 0,38%.

Desta vez o governo federal tenta ressuscitá-la com o nome de Contribuição Social para a Saúde (CSS). Se aprovada em 2009 pelo Congresso, a CSS será cobrada somente a partir de 2010, nos moldes da extinta CPMF. A alíquota de 0,1% incidiria sobre as movimentações financeiras dos brasileiros e a arrecadação seria inteiramente destinada à área da saúde. O dinheiro seria dividido da seguinte forma: 50% para a União, 25% para os estados e 25% para os municípios.

Pelo fato de a maioria da população brasileira rejeitar a nova CPMF e 2010 (ano eleitoral) estar próximo, o governo prefere não arcar com o ônus da criação sozinho. Por isso, ele insiste na criação da CSS somente se houver uma mobilização favorável da sociedade e um pacto que envolva a oposição, os governadores e os prefeitos. Pelo visto, a derrota do governo ao não conseguir manter a cobrança da CPMF em 2007 deixou-lhe mais experiente.

Se depender da população brasileira a CSS não sairá do papel. De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira (08/09), a maioria dos brasileiros rejeita a criação da CSS. A pesquisa mostra que 53,9% dos entrevistados são contra a recriação da contribuição, enquanto 37,1% concordam com o seu retorno. O restante não respondeu à pergunta.

Uma coisa é certa: se a mobilização não partir da sociedade, não se justifica o empenho do governo em um tema que já provocou derrota no Congresso Nacional anteriormente. Vale lembrar que a CPMF foi extinta, mas a arrecadação não sentiu impactos consideráveis e o setor não sofreu cortes drásticos.

Na realidade, o Brasil e a saúde não precisam de mais recursos. Precisam, sim, de um melhor gerenciamento dos recursos existentes. Na saúde, o Brasil deveria fortalecer suas ações para executar o orçamento, diminuir os gastos desnecessários e melhorar os programas de prevenção, buscando ser mais eficiente em sua execução orçamentária.

Enfim, a melhora da saúde não é uma questão de aumentar impostos que sacrifiquem os brasileiros. A saúde brasileira precisa, hoje, de melhor gerenciamento, maior eficiência e menos desculpas.

Até a próxima!

* Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira