Disse o Deputado Jutahy Magalhães Jr. (PSDB-BA) em e-mail enviado ao jornalista Ricardo Noblat, que, por ter sido publicado por este, tomo a liberdade de reproduzir para poder comentar:
“Na mais recente pesquisa de intenção de votos do Instituto Sensus, Serra tem 33,2%, Dilma 27,8% e Ciro 11,9%.
Quando se tira Ciro, o Serra cresce 7,5% – vai para 40,7%. E Dilma apenas 0,7% – vai para 28,5. Ou seja: Serra cresce 10 vezes mais do que Dilma.
Acontece que isso é virtualmente impossível no histórico das pesquisas eleitorais dos últimos tempos. Nenhuma pesquisa jamais registrou fenômeno igual.
Nas pesquisas divulgadas no início de dezembro, Serra obtém 31.8% na Sensus, 38% no Ibope e, no Datafolha, divulgado quinze dias depois dessas duas, 37%. E neste mesmo Datafolha de dezembro, quando Ciro sai, tanto Serra quanto Dilma crescem 3 pontos percentuais cada um.
Tudo indica que o erro da pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem está na primeira simulação, com o objetivo claro de aproximar os dois pré-candidatos. Se não for isso, o erro estará na segunda simulação.
É virtualmente impossível que ambas as simulações da CNT/Sensus estejam corretas. O mais provavel que que a primeira simulação cumpra o objetivo de ‘fabricar’ um empate técnico!
Mesmo com esses dados, Serra cresce na primeira e na segunda simulação e, sem o Ciro, ganharia a eleição no 1º turno.”
Este que vos fala não é nem um pouco apreciador de teses conspiratórias. Nenhuma delas me agrada. Acredito serem todas um tanto fantasiosas, causadoras de uma perda de tempo precioso, que poderia ser utilizado em estudos mais úteis. Com todo o respeito aos que apreciam estes enredos, prefiro me ausentar destas discussões que, na maioria das vezes, são essencialmente inconclusivas.
Acontece que só se trata de teoria da conspiração plena quando existe muita fantasia e pouco fato concreto. Quando a tese começa a fazer muito sentido, ou pelo menos algum, a situação já muda de figura. Como diriam alguns, não é paranóia se realmente existe alguém querendo sua cabeça.
Digo tudo isso pois tenho mantido a política de não encorajar, tanto em meus textos como nas minhas respostas aos comentários dos leitores, a ideia de que as pesquisas de intenção de voto brasileiras são manipuladas. Afirmo que se temos algumas dúvidas, devemos comparar os resultados de diferentes institutos. Quando me questionam sobre o porquê de levar muito a sério algumas aferições, cito os acertos passados de alguns institutos, demonstrados pela proximidade entre a previsão e a verdade das urnas. Nos momentos em que me dizem que algum instituto trabalha a favor dos interesses de certo grupo, lembro que normalmente os índices de diferentes institutos são próximos e que não é possível que todos os institutos trabalhem para o candidato que é apresentado como líder das pesquisas.
É por todo esse posicionamento, fundamentado, que não dou muita corda para teorias a respeito da falsificação de resultados de pesquisas eleitorais. Admito que elas podem, equivocadamente, animar ou desanimar militâncias, o que pode ser nocivo para a democracia. Também o voto útil é muito causado por isso. O eleitor passa a saber quem “tem chance” e quem “não tem”, abandonando seu candidato se ele não tiver. Contudo, tudo isso faz parte de outra história. Trata-se de um questionamento sobre os efeitos das pesquisas sobre o processo eleitoral, e não sobre a veracidade dos dados apresentados por elas.
Entretanto, e é por isso que escrevo este texto, o comentário enviado ao jornalista Ricardo Noblat pelo Deputado Jutahy Magalhães Jr. tem lógica. Tem fundamento matemático. Merece algum crédito em sua pretensão de levantar dúvidas sobre a idoneidade da pesquisa CNT/Sensus, por mais que possa estar errado. E apenas o fato de haver esse merecimento de crédito já é relevante.
Realmente a migração de votos de Ciro Gomes para José Serra no cenário que não inclui o ex-Governador cearense é demasiadamente grande. Esse fato inclusive foi observado por mim sob outro viés, mas não deixando de ser percebido por ter, realmente, relevo.
Sendo assim, ou está errada a aferição do cenário sem Ciro ou está errada a aferição do cenário que conta com o Deputado. A lebre levantada por Jutahy tem fundamento.
Não se sabe se foi erro ou inidoneidade. Porém, há que se observar com calma este episódio. Até porque, se não foi erro, trata-se de um crime, tenha sido a distorção propositalmente causada no primeiro cenário ou no segundo, não importa.
Afinal, se Dilma foi aproximada de Serra no primeiro cenário ou se Serra foi afastado de Dilma no segundo, tanto faz. O tamanho da transgressão é igual. Embora, matematicamente, seja muito mais provável, se for o caso de algo proposital, que o intuito tenha sido aproximar Dilma no primeiro cenário.
É justamente por isso que é Jutahy Magalhães, do PSDB, que faz a denúncia.
Não se pode afirmar se ela procede. Mas o Perspectiva estará acompanhando.
E este blogueiro, mesmo não sendo fã de teses conspiratórias, de olhos bem abertos.












