Postagens com a palavra-chave ‘Clandestinidade’

2ª Coluna do dia: Os males sociais do século XXI – Capítulo 1

07/11/2009

Aborto

Por Rafael Oliveira*

O que é pior: político omisso e covarde, ou político “trabalhador”, porém corrupto?

Independente da resposta, ambas as subcategorias são lamentáveis e emperram não só o desenvolvimento econômico, social e político de uma nação, mas também contribuem para o livre-arbítrio negativo da sociedade.

Quantas vezes você viu um político discutir acerca do aborto ilegal, ter iniciativas para a diminuição da clandestinidade e chamar para si a responsabilidade de atuar de forma ativa na redução da liberdade que, infelizmente, a internet proporciona para aquelas mulheres que desejam abortar?

Que me desculpem se eu estiver errado, mas são raras as situações em que nossos governantes se dedicam a esclarecimentos e propõem mudanças, fiscalizações, ou preocupam-se na montagem do Ministério da Saúde para reduzirem os índices negativos do Brasil na questão do “aborto”.

Por falar em índices, assentem, pois os números são assustadores. Ocorrem cerca de 55 milhões de abortos espontâneos e induzidos, por ano, no mundo inteiro. Isso significa aproximadamente 126 mil abortos diários, ou 5 mil por hora. Desses, cerca de vinte milhões são realizados de maneira insegura. São os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).

No Brasil, a situação não é diferente. Temos hoje uma estimativa do Ministério da Saúde que registra 1 milhão de abortos clandestinos por ano (corresponde à população de Campinas – SP), com cerca de 200 mortes de mulheres. Pior que isso, caso se legalize o aborto, a previsão é de que ocorram cerca de 11 milhões de aborto/ano (correspondente à população de São Paulo-SP).

Primeiramente, qual sua opinião quanto ao aborto ser legalizado? Reflita. Muitos dos argumentos dos que defendem a legalização pairam sobre a opção ser de cada um, pois “somos livres para fazermos o quê quisermos em uma sociedade democrática”, como disse a estudante C. Nunes em debate realizado no ano de 2006, na Rede Minas/BH.

Porém, e quando a decisão envolve também outra vida? Será mesmo que devemos tomar nossas decisões na base do egoísmo? Outro argumento forte é o de não ter condições para criar o filho prestes a nascer. Mais um ponto falho na defesa dos “abortistas”. Hoje, no Brasil, um dos sistemas que mais funcionam, apesar de toda a burocracia, é o da adoção de menores. Concordo quando dizem que é um processo longo e que deveria se dinamizar, mas é inegável a existência de critérios que promovem a aproximação de futuros pais com as crianças órfãs.

O Senado aprovou, em julho desse ano, a nova lei nacional de adoção, que, entre outras mudanças, impede que crianças e adolescentes permaneçam mais de dois anos em abrigos públicos, prevê que a situação de meninos e meninas que estejam em instituições públicas ou famílias acolhedoras seja reavaliada a cada seis meses e oficializa cadastros nacionais e estaduais de crianças em condições de serem adotadas e de pessoas habilitadas à adoção. Logo, temos, sim, condições de oferecer afeto e cuidados à criança, que, a princípio, seria renegada e “descartada”, com toda a dura licença poética do termo.

É triste perceber que quando determinado assunto une ciência e religião, o homem ainda possui fortes entraves, e que atitudes benéficas que poderiam gerar conhecimento a toda uma sociedade são adiadas e distanciadas do mundo real.

*Rafael Oliveira é colunista do Perspectiva Política aos sábados e escreve no Twitter em @rafael_bhe

Jorge Semprún, que lutou contra Franco, diz não ser vítima do franquismo

10/07/2009

Jorge Semprún, para quem não sabe, é espanhol e foi membro da resistência francesa durante a ocupação nazista, tendo sido detido e sobrevivendo ao Holocausto.

Mais tarde,  continuou na luta e passou a ser ativista contra o regime de Franco na Espanha, participando, na clandestinidade, do Partido Comunista espanhol.

Pois bem. Em uma entrevista recente, Semprún foi perguntado a respeito de se sentir, ou não, uma vítima do franquismo.

A resposta foi a seguinte: “Não me considero vítima do franquismo. As vítimas são aqueles que sofreram a repressão com passividade. É uma distinção que faço… mas, como lutei contra, não me considero vítima, mas ator nesse período histórico. A reconstrução da democracia na Espanha fez triunfar os valores democráticos que eram os dos vencidos na Guerra Civil.”

Faço este registro por um simples motivo: É um ótimo exemplo para aqueles que lutaram com coragem contra a ditadura brasileira, se opondo corretamente e heroicamente à repressão, mas que, mais tarde, entendendo que deveriam ser recompensados financeiramente, e não apenas  com a gratidão de todo um País, por uma batalha que empreenderam voluntariamente e por um ideal, requereram a “Bolsa-Ditadura”.

A pergunta que me vem à cabeça é sempre a mesma: Se a luta dos que batalharam contra o regime militar no Brasil era pela democracia e pelo nosso País, porque pedem compensação financeira? A abertura política, a democracia brasileira e a liberdade de expressão, conseguidas, não eram os objetivos da luta?

Entendo e defendo os que requerem indenização por terem perdido parentes, ficado inválidos ou sido torturados.

Mas não compreendo os que, por apenas terem participado de grupos clandestinos, ou até algo mais brando, querem ser sustentados pelo Estado brasileiro.

Vocês lutaram por algo e conquistaram. Sintam-se felizes e satisfeitos. Verdadeiros heróis. Mas não tentem levar vantagem, já na terceira idade, com isso.

Aprendam com Semprún.