Postagens com a palavra-chave ‘ciro’

Ciro diz que apóia Dilma mas não diz se fará campanha

30/07/2010

Informa o Estadão :

“O almoço entre a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e o deputado federal Ciro Gomes (PSB) durou pouco mais de uma hora nesta quinta-feira, no escritório político do PT no Lago Sul, em Brasília.

Na saída do encontro, Ciro garantiu apoio à candidatura petista, mas não revelou se gravará programas para a TV declarando voto nela.”

Ciro foi um aliado leal do governo. Teve seu companheirismo pago com deslealdade.

O verso da música que sempre ouvimos na voz de Beth Carvalho, “você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”, se aplica perfeitamente.

Agora o PT quer que Ciro peça votos para Dilma, mesmo tendo sido sacaneado – essa é a palavra – em benefício de um poste sem sua histórica política e sem sua capacidade.

Eu, se fosse Ciro, não iria atrapalhar, mas lavaria minhas mãos.

Na verdade, há até algo melhor a se fazer:

Apoiar Marina.

Polarização em alta: O bipartidarismo de fato brasileiro

21/07/2010

Tenho defendido neste Perspectiva, desde o seu lançamento, a tese de que o Brasil vive, hoje, na área política, um cenário de bipartidarismo de fato. Não há muita chance de se viabilizar uma candidatura majoritária em quase todos os estados nacionais sem o apoio ou do PSDB ou do PT. No caso da Presidência, nem se fala.

Em 1994 tivemos o PSDB em primeiro lugar com Fernando Henrique Cardoso e o PT em segundo com Lula. Em 1998 repetiu-se o resultado. Já em 2002 tivemos o PT em primeiro lugar com Lula e o PSDB em segundo com José Serra. Por fim, em 2006, o PT venceu novamente com Lula, mas dessa vez Geraldo Alckmin levou o PSDB ao segundo lugar.

Agora, no ano de 2010, temos uma eleição claramente plebiscitária, o que acirra mais ainda a polarização que existe desde 1994.

Ciro Gomes tinha chances em 2002? Tinha. Mas isso não é suficiente para invalidar a conclusão de que há uma polarização que perdura há 16 anos.

Nos estados o cenário tem se repetido e, paulatinamente, se acirrado. Nestas eleições é difícil encontrar um estado onde os candidatos com chances de vitória não sejam ou do PT ou do PSDB ou apoiados fortemente por um dos dois partidos.

Chega-se a um raciocínio comprovado: Vivemos um bipartidarismo que se não é formal, é de fato.

União e estados são disputados por PT e PSDB ou por seus respectivos candidatos filiados a outras legendas. É bem verdade que existem estados onde as exceções ocorrem, mas a tendência é a de que estas se reduzam.

Hoje, os brasileiros de diversos estados têm de escolher entre o grupo político do PT e o grupo político do PSDB no que diz respeito à Presidência e no que diz respeito aos governos estaduais.

Resta saber se o fenômeno chegará aos municípios.

É mais difícil, mas não impossível, principalmente nas capitais.

Polarização é a palavra de ordem.

Pesquisa Vox Populi: Campos tem boa vantagem em Pernambuco – Jarbas garante palanque de Serra

20/05/2010

O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa de intenção de voto referente à corrida para o governo de Pernambuco. A pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes e realizada entre 7 e 10 de maio, tendo 3,1 pontos percentuais de margem de erro para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Eduardo Campos (PSB) – 31%

Jarbas Vasconcelos (PMDB) – 14%

Outros e indecisos – 55%

O atual Governador Eduardo Campos é favoritíssimo. Tem uma boa popularidade, o apoio do Presidente Lula que é extremamente bem avaliado em Pernambuco e a máquina administrativa nas mãos.

Jarbas Vasconcelos vem para fazer as honras da oposição e ceder um palanque respeitável para José Serra. Não fosse Jarbas o candidato, a oposição perderia de muito mais. O ex-Governador e dissidente dentro do PMDB é respeitadíssimo em Pernambuco. Apenas não mais do que Lula.

Ainda assim, o número de indecisos assusta.

Em uma eleição sem o fator Lula, acredito que Jarbas teria chances.

Mas Campos estará com Dilma e, consequentemente, com Lula, mesmo tendo sido o governo o responsável pela inviabilização da candidatura de Ciro Gomes, correligionário de Campos.

Lula basta, hoje, para se vencer em Pernambuco.

Que dirá tentando a reeleição.

Pesquisa Vox Populi: Alckmin venceria hoje com folga em São Paulo

20/05/2010

O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa de intenção de voto referente à corrida para o governo de São Paulo. A pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes e realizada entre 8 e 11 de maio, tendo 3,1 pontos percentuais de margem de erro para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Geraldo Alckmin (PSDB) – 51%

Aloizio Mercadante (PT) – 19%

Celso Russomano (PP) – 12%

Paulo Skaf (PSB) – 2%

Outros e indecisos – 16%

Já disse e repito: A aposta na vitória de Geraldo Alckmin é uma das mais seguras sobre as eleições deste ano.

Na minha opinião, sua vitória é certa, restando apenas saber se ela se confirmará no primeiro ou no segundo turno.

Hoje eu apostaria no primeiro. Mas não é sacramentado.

Vale ressaltar também que o resultado desta pesquisa Vox Populi mostra ao Presidente da FIESP, Paulo Skaf, que querer não é poder.

Skaf, aliás, deverá estar com Dilma, embora o PT, através de Lula, tenha contribuído para inviabilizar a candidatura presidencial de Ciro Gomes, ícone de seu partido.

Mercadante, obviamente, estará com o PT. Alckmin colocará sua liderança a serviço de Serra.

Russomano depende da decisão do PP, uma das noivas mais cobiçadas de 2010.

Análise: Vox Populi mostra Dilma pela primeira vez à frente de Serra

17/05/2010

O instituto de pesquisas Vox Populi divulgou resultado de aferição acerca da corrida presidencial encomendada pela Rede Bandeirantes de Televisão e confeccionada entre os dias 8 e 13 de maio, tendo ela ouvido 2 mil eleitores em 117 cidades do País e registrando margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos ao resultado:

Dilma Rousseff (PT) -38% (tinha 33% em abril)

José Serra (PSDB) – 35% (tinha 38% em abril)

Marina Silva (PV) – 8% (tinha 7% em abril)

Algumas conclusões são possíveis:

Primeiramente, fica claro que o Presidente Lula fez uma previsão correta ao se movimentar de forma a inviabilizar a candidatura presidencial de Ciro Gomes por acreditar que, no momento certo, a saída deste da corrida representaria ganho para Dilma Rousseff e não para José Serra.

No caso, a previsão de Lula foi eleitoralmente correta. Moralmente, talvez não, visto todo o notório auxílio que Ciro deu ao Presidente durante seus 8 anos de governo e, principalmente, durante a crise do mensalão.

Em segundo lugar, esta pesquisa configura o surgimento de uma tendência não mais apenas de aproximação de Dilma com relação a Serra, mas sim de ultrapassagem do tucano pela petista. As próximas pesquisas dos institutos Ibope, Datafolha e Sensus servirão para confirmar ou não que Dilma deixou de estar próxima de Serra para estar à frente dele.

Em terceiro lugar, vale ressaltar que os comerciais petistas podem ter tido efeito sobre estes resultados, o que confirma a afirmação do parágrafo anterior no sentido de que devemos esperar as pesquisas dos outros institutos para podermos ter a certeza de que Dilma mas não está mais perto de Serra, mas sim na dianteira.

Por fim, é importante lembrar que as pesquisas apenas apontariam um favoritismo se a distância entre Serra e Dilma, estando um ou outro na frente, fosse muito grande. Quero dizer que estando Dilma ou Serra na dianteira, estará desenhada uma eleição acirrada se a diferença percentual entre os dois for estreita.

Ao meu ver, Serra tem boas chances de vitória no primeiro turno, caso Marina Silva seja afetada pelo voto útil. Já em um eventual segundo turno, o favoritismo seria de Dilma Rousseff, que teria Lula ao seu lado por dez minutos na televisão todos os dias e sem a turbulência causada no noticiário pelas campanhas proporcionais.

Os palanques de Serra no Nordeste

07/05/2010

Informa o Globo a respeito dos palanques serristas no Nordeste, que tentarão diminuir a margem de votos que Dilma tem sobre o tucano na região:

“Com o anúncio do lançamento da pré-candidatura do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao governo de Pernambuco, ontem, o pré-candidato à Presidência do PSDB, José Serra, praticamente fechou todos os seus palanques no Nordeste.

O único estado da região onde Serra não deverá ter um candidato ao governo estadual é o Ceará: lá, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que já governou o estado por três vezes e disputará a reeleição, abrirá seu palanque para o presidenciável tucano.

Em sete dos nove estados nordestinos, o PSDB terá candidato próprio em apenas dois — Piauí e Alagoas. Nos demais, os palanques serão de candidatos aliados e até mesmo de partidos da base do governo Lula, como na Paraíba, com Ricardo Coutinho, do PSB.

A expectativa é que esse palanque de Serra no Ceará seja reforçado com parte dos chamados “órfãos” da candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE), retirada da disputa após grande pressão do Palácio do Planalto.

A ex-mulher de Ciro, a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), por exemplo, surpreendeu esta semana ao anunciar sua candidatura à reeleição, o que poderá tumultuar ainda mais a aliança que seu antigo cunhado e atual governador do Ceará, Cid Gomes, negocia com o PMDB e o PT.

Os peemedebistas negociam uma vaga de senador para o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o PT quer lançar a candidatura do ex-ministro José Pimentel ao Senado na chapa do governador do PSB.

Cid Gomes vinha hesitando em lançar dois candidatos ao Senado, por preferir uma aliança informal a favor de Tasso Jereissati. Sua situação poderá ficar mais desconfortável com a entrada da ex-cunhada na disputa.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela disputará a reeleição, e no Piauí o PSDB disputará a eleição com o ex-prefeito de Teresina Silvio Mendes, que atualmente lidera as pesquisas de opinião.

Em outros três estados, os tucanos fecharam alianças com o DEM. Na Bahia, o palanque de Serra será o do ex-governador Paulo Souto; em Sergipe, o do ex-governador João Alves; e no Rio Grande do Norte o da senadora Rosalba Ciarlini. Os dois últimos lideram a disputa em seus estados.

No Maranhão, onde a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, enfrenta problemas por conta da recusa de seu partido em apoiar a reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB), os tucanos anunciaram aliança em favor da candidatura do ex-governador Jackson Lago, do PDT.

Lago teve o mandato de governador cassado no ano passado, após vencer Roseana.”

Análise Geral: Ciro Gomes fica sem saída e retira sua candidatura

24/04/2010

Ciro Gomes retirou sua candidatura à Presidência. Não oficialmente, mas nas entrelinhas. Para os bons entendedores, já está sacramentado. Os institutos de pesquisa excluirão seu nome das próxima aferições. Já era de se esperar.

Há tempos percebe-se que a eleição de outubro será polarizada. Tudo tem indicado, nos últimos meses, que José Serra e Dilma Rousseff dominarão o debate que, por sinal, não será muito debatido.

Marina Silva provavelmente verá seus votos minguarem por conta do voto útil, ou seja, perderá eleitores que preferirão tentar garantir a vitória de Serra ou de Dilma ao invés de darem seu voto a ela, a real preferida destes.

Quanto a Ciro Gomes, os sinais de que sua candidatura não vingaria vêm de longe. Sempre foi notório que o Presidente Lula buscava inviabilizar sua candidatura, trazendo partidos que poderiam apoiar Ciro para a base de Dilma e defendendo, em todas as oportunidades que tinha, a eleição plebiscitária.

Lula pediu a Ciro que transferisse seu domicílio eleitoral para São Paulo. Ciro o fez. A intenção de Lula era lançá-lo candidato ao governo de São Paulo, retirando-o, dessa forma, da corrida presidencial e, ao mesmo tempo, utilizando-o como crítico feroz de José Serra, visando reverberar no País inteiro os ataques que seriam feitos à gestão tucana em nível estadual. Dessa vez, Ciro não assentiu. Foi sensato. A candidatura seria absurdamente artificial.

No fim das contas, o fato de Ciro ter transferido o domicílio eleitoral a seu pedido não comoveu Lula. O Presidente continuou a negociar com Eduardo Campos, Governador de Pernambuco e Presidente do PSB, o apoio do partido de Ciro a Dilma. As outras legendas da base aliada que poderiam caminhar ao lado de Ciro, como PDT, PC do B e PRB, já estavam praticamente fechados com a petista. Isso esvaziava ainda mais o ex-Governador do Ceará.

Sentindo o cheiro de queimado, Ciro começou a criticar duramente a aliança entre PT e PMDB. Dizia que esta tinha “moral frouxa”. Não se sabe se falava isso por ser a verdade ou por ter a esperança de, ocorrido um rompimento entre PT e PMDB, se tornar o Vice de Dilma.

Foi aí que os petistas começaram a direcionar olhares mais enviesados ainda a Ciro. Antes, ele precisava sair da corrida presidencial porque Lula dizia que isso era melhor para Dilma. Passou a ser desejado seu fracasso também por falar mal dos companheiros.

Com isso, o jogo já estava jogado e Ciro, percebendo isso, resolveu perder de vez as papas na língua, que, aliás, nunca foram característica sua. Começou a dizer o que tinha vontade e a deixar claro que o PSB teria que demonstrar sua preferência por Dilma de forma clara, sofrendo o desgaste de preterir um presidenciável próprio, se quisesse o tirar da jogada.

Pois foi o que aconteceu. Ciro sai da corrida, mas fica claro que de forma forçada. Sai porque Lula o inviabilizou e porque o PSB não quis ir adiante e enfrentar o Presidente dos 80% de popularidade. Não sai porque quis. Já faz tempo que era apenas isso que Ciro queria deixar claro. Dizia que mantinha a candidatura, mas até as paredes sabiam que era balela. O que ele desejava mesmo era mostrar a todos que não é mais um mandado por Lula e que o PSB foi covarde.

Muitos dos socialistas alegam que estava sendo complicado alinhavar alianças nos estados tendo a candidatura própria a Presidente. Pode ser. Mas a pressão de Lula falou muito mais alto do que isso. Só não vê quem não quer.

Campos, por exemplo, dizia que o PSB decidiria seus próprios rumos, mas, ao mesmo tempo, admite que Lula “é o coordenador do processo de sucessão” e afirma que o Presidente “deu a direção” ao PSB.

Como se fosse correto um Presidente ser “coordenador do processo de sucessão”. Que dirá de um partido que não é o seu.

Ao fim e ao cabo, Ciro poderá até ter espaço em um eventual governo Dilma. Como bem disse, com muita lucidez, Marina Silva, “buscam eliminar os adversários que querem disputar legitimamente a preferência dos eleitores. Depois, tentam se colocar como o único hospedeiro possível para que os expurgados consigam sobreviver na vida pública”.

Contudo, Ciro só será “assimilado” se pedir arrego. E isso não faz, definitivamente, o seu tipo.

Se por um lado Ciro teria espaço em um possível governo petista se pedisse, por outro, isso é justamente o que ele não fará. Ao contrário, já tendo perdido o que tinha para perder, vai falar o que se quer ouvir e o que não se quer.

Aliás, já começou. Disse ao Portal IG que PT e PMDB não conseguirão controlar a provável crise cambial e fiscal que o Brasil sofrerá a partir de 2012. Afirmou também que Serra, embora pior como pessoa do que Dilma, é mais preparado e capaz para enfrentar os desafios nacionais futuros.

Ciro também deixou claro que não apoiará Dilma. Muito lógico, afinal, foi o PT que o inviabilizou. Ele não aceitará sofrer uma rasteira para depois ser “assimilado”.

Curiosamente, isso auxiliará José Serra que é tido por Ciro, há tempos, como inimigo.

Acontece que, no fim das contas, a ironia do destino se fez presente e foi Lula, o “amigo”, e não Serra, o “monstro”, que, como disse Lucia Hippolito, jogou Ciro ao mar.

E sem boia.

Ibope: Serra tem 7 pontos de vantagem sobre Dilma

21/04/2010

A Associação Comercial de São Paulo encomendou pesquisa presidencial de intenção de voto ao Ibope. Ela foi feita de 13 a 18 de abril, ou seja, após o lançamento da pré-candidatura de José Serra.

Vamos ao resultado:

José Serra (PSDB) – 36% (eram 35% na pesquisa anterior)

Dilma Rousseff (PT) – 29% (eram 30% na pesquisa anterior)

Ciro Gomes (PSB) – 8% (eram 11% na pesquisa anterior)

Marina Silva (PV) – 8% (eram 6% na pesquisa anterior)

Os índices apurados pelo Ibope possibilitam três conclusões:

Primeiramente, observa-se que só foram captadas oscilações dos principais candidatos, afinal, nenhum dos dois teve uma mudança que rompesse a margem de erro em relação à pesquisa anterior. O único que teve mudança real, no caso uma queda, foi Ciro Gomes.

Em segundo lugar, percebe-se que Serra deve chegar à campanha com algo em torno dos 35%. Dilma, por sua vez, provavelmente iniciará sua campanha próxima dos 30%. Isso quer dizer que Serra começará a campanha liderando, embora a proximidade entre os dois principais candidatos não permita previsões a respeito do vencedor e Dilma tenha se mantido estável mesmo perdendo a companhia diária do Presidente Lula, o que é significativo.

Por fim, a pesquisa Ibope confirma a opinião deste blog e de outros no que diz respeito à comparação entre os últimos resultados do Datafolha e os do Instituto Sensus. Foi defendido pelo Perspectiva que o Datafolha, que aponta vantagem maior de Serra, provavelmente estaria mais correto pelo tucano estar em um momento de mais exibição por conta do lançamento da sua pré-candidatura. O Ibope viria para dizer quem estava com a razão. Pois veio. E Serra tem a vantagem apontada pelo Perspectiva como provável, não existindo o empate técnico aferido pelo Sensus.

Lula ao Correio Braziliense: “Se Aécio for vice de Serra só vai se desgastar [...] O Temer dará segurança”

21/04/2010

O Presidente Lula concedeu entrevista ao jornal Correio Braziliense. Seguem os trechos mais relevantes, para conhecimento dos leitores do Perspectiva:

O senhor já está trabalhando com a hipótese de o Aécio ser o vice?

Sinceramente, acho que o Aécio está qualificado para ser o que quiser. Se ele for vice, vai se desgastar. É só pegar o que o Estado de Minas escreveu sobre as divergências de Aécio com Serra para perceber que o Aécio vai colocar muita dúvida na cabeça do povo mineiro.

Sobre Michel Temer para vice de de Dilma

Deixa eu contar uma coisa: a Dilma tem cartão de crédito de oito anos de administração bem-sucedida no Brasil. Ela foi uma gerente excepcional. O Temer dará a segurança de um homem que deu a vida pública já de muito tempo, tem uma seriedade comprovada no Congresso e hoje está mais fortalecido dentro do PMDB. Se ele for o indicado pelo partido, dará a tranquilidade de que nós não teremos problemas de governabilidade.

E Ciro Gomes?

Pretendo conversar com Ciro na medida em que a direção do PSB entenda que já é momento. Achei interessante quando ele transferiu o título para São Paulo porque era uma probabilidade. No primeiro momento, houve certa reação do PT, depois todos os quadros importantes passaram a admitir que era importante o Ciro ser candidato a governador de São Paulo. Depois, o PSB lançou o Paulo Skaf. O problema não era dentro do PT. Disse para o Ciro que jamais pediria para uma pessoa ou partido não ter candidato a presidente se não tiver argumento sólido. Ser candidato significa a possibilidade de fortalecer os partidos, mas também a possibilidade de perder uma eleição. Eu estou convencido de que essa deveria ser uma eleição plebiscitária. Fazer o confronto de ideias, programas, realizações.

Tivemos uma eleição indireta [no Distrito Federal] em que o candidato indicado pelo PMDB ganhou. O senhor acha que ainda cabe a intervenção?

Essa é uma coisa que depende exclusivamente do Judiciário. Não cabe a um presidente dizer se cabe ou não intervenção. O Judiciário, em função das informações que tem, deve tomar a decisão. Minha preocupação era a paralisação das obras. Não podemos, em função de uma crise política, ver o povo ser prejudicado. No mês passado, pedi para a CGU uma investigação porque era preciso mostrar para a sociedade como estava o andamento de cada obra. No levantamento, detectamos coisas graves, como R$ 300 milhões da saúde depositados numa conta bancária para fazer caixa, quando o dinheiro deveria ser usado para pagar salário de médico, comprar remédio.

O PT terá uma chapa em Brasília: Agnelo candidato ao governo, Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) para o Senado. O senhor fará campanha aqui?

Primeiro, o presidente da República não defende chapa dentro do PT em cada estado. O presidente geralmente acata aquilo que os companheiros do estado fizeram. Se o Agnelo, como candidato a governador, e a direção do partido entendem que é necessário fazer essa composição para ganhar as eleições, eles que sabem. Agora, nessa chapa toda está faltando um componente, que é o PMDB. Para onde vai? Não sei se o PT do Distrito Federal está conversando com o PMDB, mas acho importante conversar. O PMDB é peça importante na aliança nacional. De qualquer forma, o Agnelo é um homem de muita respeitabilidade, de dignidade incomensurável. Acho que ele irá empolgar os eleitores.

E, em Minas, cansou, já chegou no limite? Como vai ficar aquilo ali?

A política seria fácil se as pessoas a percebessem como o leito de um rio: a água desce normalmente se ninguém resolver fazer uma barragem. As coisas em Minas tinham tudo para ocorrer normalmente, sem trauma, sentar PT e PMDB e tentar conversar. Tínhamos e temos chance de ganhar na medida em que o Aécio Neves (ex-governador de Minas) não é candidato e ninguém pode transferir 100% dos votos. De repente, o PT resolve fazer uma guerra interna. Essas guerras não resolvem o problema. As pessoas pensam que podem fazer insultos, provocações e, depois, botar um papel em cima. No PT não volta à normalidade.

O senhor tem uma segurança grande com relação ao partido. A ministra Dilma não veio da base do partido. A preocupação é a seguinte: será que a ministra tem condições de ter um poder sobre o partido? Não será monitorada por ele?

Não, não existe hipótese, gente. Primeiro porque uma coisa é a relação de respeito que você tem de ter com o partido. Não é uma relação de medo. Eu vou poder ajudar muito mais a Dilma dentro do PT não sendo presidente. Estarei mais nos eventos do PT, estarei participando mais das coisas do PT.

Sobre a certeza de Lula de que Dilma será eleita

O que me dá segurança é que ao mesmo povo que me dá o voto de confiança há sete anos vou pedir para dar um voto de confiança a Dilma. Vou fazer campanha. Não pensem que vou ficar parado vendo a banda passar. Eu quero estar junto da banda, até porque acho que a campanha da Dilma é parte do meu programa de governo para dar continuidade às coisas que nós precisamos fazer no Brasil.

Há tempo suficiente para torná-la conhecida em alguns lugares do país, como os grotões do Nordeste?

Lá eu não vou nem chegar, lá eles são Lula. Lá estou representado. Eu quero ir é aos outros lugares.

O Nordeste, então, não lhe preocupa?

Lógico que me preocupa. Não existe eleição ganha antes da apuração, mas o carinho que o povo nordestino e do Norte têm por mim é de relação humana forte. Vou pedir o apoio desses companheiros para a minha candidata e vou trabalhar em outros estados. O meu trabalhar é o sinal mais forte que posso dar à sociedade brasileira de que não estou pensando em 2014. Quando o político é canalha, ele não quer eleger o sucessor. O velhaco quer voltar.

“Quando o político é canalha, ele não quer eleger o sucessor. O velhaco quer voltar.”

Guardem esta frase!

Eu guardarei.

Pesquisas: Datafolha aponta vantagem de 10 pontos de Serra – Sensus aponta empate

18/04/2010

As pesquisas eleitorais sempre são motivo para polêmica. Desde que começaram a se popularizar acirram ânimos e acredito que assim continuará a ser enquanto estas existirem. Uns acreditam em seus resultados fielmente, outros afirmam, sem medo de errar, que pesquisas são tendenciosas, compradas e ponto final. Quem estaria certo?

Não se sabe ao certo. Fato é que, em um curto espaço de tempo, duas pesquisas referentes à corrida presidencial surgiram. Uma do Instituto Sensus, que aponta empate técnico entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Outra do Datafolha, que aponta uma vantagem de 10 pontos percentuais a favor do ex-Governador de São Paulo.

Uma das duas é tendenciosa? As duas são? Nenhuma é?

Ninguém pode responder com certeza. Mas é nítido que há um disparate que deve possuir uma explicação lógica, embora, talvez, inidônea.

Sempre defendo uma posição moderada no que diz respeito às pesquisas, sem valorização de teorias conspiracionistas, incentivando o aguardo de novas pesquisas para que se faça uma média sempre que alguma parece distorcida, favorecendo um ou outro candidato.

Contudo, dessa vez, admito que algo ocorreu, sem saber ao certo o quê.

No fim das contas, o que temos de concreto são os números e aí vão eles:

Datafolha

José Serra (PSDB) – 38% (36% em março)

Dilma Rousseff (PT) – 28% (27% em março)

Marina Silva (PV) – 10% (8% em março)

Ciro Gomes (PSB) – 9% (11% em março)

Sensus

José Serra (PSDB) – 32,7% (33,2% em janeiro)

Dilma Rousseff (PT) – 32,4% (27,8% em janeiro)

Ciro Gomes (PSB) – 10,1% (11,9% em janeiro)

Marina Silva (PV) – 8,1% (6,8% em janeiro)

Percebe-se que a diferença é grande e que, provavelmente, não se trata de um caso em que cada pesquisa é um retrato do cenário dos dias em que ela foi feita, ou seja, um dos institutos errou. Ponto final.

Neste momento surge, inevitavelmente, a pergunta: Pois então quem errou?

Particularmente, acredito que o erro é do Instituto Sensus.

Não por apresentar um resultado mais benéfico para Dilma, mas simplesmente por se caracterizar como um ponto fora da curva, não se aproximando da média das pesquisas dos outros institutos e não captando o momento de mais equilíbrio na exposição dos pré-candidatos, que favorece José Serra, iniciado após a desincompatibilização.

Em suma, a pesquisa Sensus pinta um quadro que, pelo que observamos no noticiário político nacional, não parece real. O cenário apresentado pelo Datafolha, levando em conta o quão recente é o lançamento da pré-campanha de José Serra, é mais verossímil.

Petistas dirão que a pesquisa Sensus é a acertada. Entretanto, estes têm que admitir que, hoje, o clima político está mais para uma situação onde Serra vence no primeiro turno se conseguir avançar um pouco mais e menos para uma em que Dilma empata com o tucano.

Esse quadro pode mudar. E até acredito que não é nada improvável. Mas o panorama atual é esse e, portanto, a pesquisa Sensus provavelmente se equivoca ao interpretá-lo.

É neste ponto que surge outro questionamento: Ok, digamos que o erro é do Instituto Sensus. Por que errou?

A dar essa resposta eu não me arrisco.

Não sou estatístico.

E nem conspiracionista.