por Raphael Machado Silva*
Foi entregue pela Polícia Federal às autoridades argentinas nesse último sábado, dia 23 de Janeiro o herói sul-americano e coronel uruguaio Cordero Piacentini, com base em acusações e legislações assaz nebulosas e indefinidas, as quais giram em torno de supostos casos de tortura, sequestros e afins à época dos regimes militares da América do Sul.
Apesar dos supostos crimes terem sido cometidos nos longínquos anos 70, e de o referido Coronel ser hoje já um homem bastante idoso e doente, a sanha diabólica dos tiranos, fundada em seu ressentimento e desejo de vingança sangrenta não descansou até conseguir que esse autêntico guerreiro da liberdade fosse entregue a seus carrascos, para ser condenado e punido. Espera-se que não com a morte, é claro.
Quanto contraste entre o tratamento dado a este caso e o tratamento dado ao terrorista e assassino italiano Cesare Battisti! Battisti, um bandidinho qualquer, fascinado por mitos revolucionários vazios e que foi julgado e condenado por um tribunal legítimo, em um Estado de Direito, por ter cometido crimes comuns, e não de natureza política, e cujas vítimas eram todas, sem uma única exceção, cidadãos honrados, cumpridores de seus deveres para com a sociedade, este recebe toda a solidariedade, todo o perdão, todo o apoio.
Movem-se “mundos e fundos”, tenta-se todo tipo de peripécia conceitual jurídica, com a finalidade de permitir que esse verdadeiro monstro diabólico permaneça impune, e pior, em nossa própria Pátria, desfrutando dos prazeres de um “paraíso tropical”.
Um herói militar cumpre seu dever patriótico e é perseguido por décadas, até ser capturado e entregue como um animal raivoso a seus algozes. Um terrorista e assassino comete inúmeros crimes e atentados, e é abençoado e protegido pelas autoridades políticas internacionais, ganhando “férias e aposentadoria” na América do Sul.
O que reflete essa situação orwelliana senão uma autêntica e absoluta inversão de todos os valores? Ora, e qual poderia ser a razão de tamanha inversão no tratamento senão o fato de que, ao menos na América do Sul, os terroristas de ontem, são os governantes de hoje?!
No fim das contas, Battisti veio para cá para ser recebido por seus antigos camaradas de “luta revolucionária”. Enquanto isso, aqueles contra os quais Piacentini lutou, se sacrificando e derramando seu sangue, não só por sua Pátria mas por todas as nações da América do Sul, são exatamente aqueles em cujas garras Piacentini caiu.
Sinceramente, a questão para mim não está atrelada ao ato em si. Ações, de per si, são completamente desprovidas de qualquer valor ou sentido intrínseco. “Matar” não é uma ação boa, nem má. O valor de uma ação depende absolutamente do contexto no qual a mesma se insere, e de quem são os “agentes” e “pacientes” da mesma.
Ora, nos referimos aqui ao valoroso e necessário combate de quadrilhas e bandoleiros que pretendiam instituir em toda a América do Sul o sistema político e econômico mais genocida da história da Humanidade. Perto de Stálin, Hitler não passava de um ecologista fascinado por música clássica. Perto de Mao Tse Tung, Gêngis Khan não passava de um nômade dos desertos.
A essência da propaganda inimiga aqui reside em seu domínio da semântica das linguagens nas quais essa temática é discutida. Quando a mídia contemporânea nos (des)informa a respeito do combate aos terroristas, fala em “perseguição de jovens ativistas” ou “perseguição de opositores”. Bem, que estavam então esses “inocentes ativistas” fazendo em Havana? E quanto aos poucos sortudos que tiveram a (dúbia) honra de receberem instruções e treinamento em Moscou, a Babilônia marxista?
Passemos então a palavra ao próprio (pseudo) herói de toda a juventude demente e alienada, Che Guevara: “Quase todos os países deste continente estão maduros para essa luta que só triunfará com a instalação de um governo socialista. O ódio intransigente ao inimigo deve ir além das limitações naturais do ser humano. Deve se converter em violenta, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados têm de ser assim, um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal.”
Fica evidente então, que o objetivo dos “inocentes opositores políticos” dos Regimes Militares era não a “Liberdade”, mas a subjugação dos países sul-americanos à tirania moscovita. Tem-se que entender que a mente disturbada marxista pensa ao modo orwelliano. Escravidão, para eles, é liberdade. A “liberação do proletariado das amarras da dominação da burguesia reacionária” não passa de um eufemismo para ditadura do Partido Comunista, e ponto final.
Em verdade, a “luta” marxista no Brasil não teve início APÓS 1964, mas sim muito ANTES, dando margem para que alguns caracterizem o levante de 1964 como uma verdadeira contrarrevolução, e não como um “golpe”.
Após o clamor popular que incitou as heróicas Forças Armadas a se levantarem em defesa da liberdade da nação, varrendo com dureza o horror dos gulags, dos campos de extermínio, das “deskulakizações” e coletivizações e das bizarras experiências com seres humanos, a liderança marxista internacional criou em Havana a OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), com um Comitê Permanente sediado em Havana, o qual constituiria a partir daí em uma “autêntica representação popular dos povos oprimidos da América Latina” e que objetivava a “luta contra o imperialismo norte-americano”, ou seja, traduzindo do duplipensar orwelliano para a linguagem habitual: implantar Ditaduras do Proletariado em toda a América Latina.
Já a partir desse momento, a OLAS estava sob a orientação ideológica e estratégica do PCUS ( Partido Comunista da União Soviética), recebendo dele armamentos, recursos financeiros e treinamento, contando mesmo com enviados moscovitas, cuja finalidade era orientar e facilitar a operacionalização das revoluções.
No Brasil, havia 29 organizações terroristas, as quais objetivavam a revolução armada. Além dos recursos vindos de Moscou, os quais passavam por Cuba, as próprias organizações buscavam recursos aqui no Brasil, por meio de sequestros, extorsões e até mesmo de “simples” e “rotineiros” assaltos a pequenas lojas. Isso sem mencionar as doações de inúmeros bastiões da (pseudo) cultura e da (pseudo) intelectualidade brasileira, os quais foram muito generosos em financiar uma luta que objetivava a implantação de uma sistemática política genocida no Brasil.
Os “podres” de hoje “respeitáveis” cidadãos brasileiros são inúmeros. Não precisamos nem ao menos mencionar os verdadeiros bandoleiros, ex-assaltantes e ex-terroristas, os quais hoje ocupam diversos cargos governamentais. Que festival de bandidagem! E quanto às indenizações pela (justa) “perseguição” dessa escória? Um certo cartunista brasileiro, o qual passou APENAS UMA NOITE preso recebeu 1 milhão de reais como indenização. Quanto terão recebido as famílias dos vários brasileiros mortos por guerrilheiros e terroristas marxistas?
Um outro brasileiro, famoso músico da MPB (muito medíocre em minha opinião) foi exilado por, durante um show, ter pego a bandeira nacional e limpado o seu “traseiro” com a mesma. Que lhe teria ocorrido caso ele tivesse feito o mesmo na URSS com a bandeira vermelha da foice e do martelo? Isso sem falar em um “respeitável” jurista brasileiro, o qual, ainda na década de 60, assaltou com seus camaradas um pequeno açougue, propriedade de um casal de bondosos velhinhos, com a finalidade de arrecadar “fundos para a revolução”, se exaltou em suas “atividades revolucionárias”, matou ambos e os pendurou nos ganchos do frigorífico.
O saldo de mortos, vítimas das atividades desses “libertários” beiram os 50.000. Só na Argentina, 30.000 pessoas, aproximadamente, foram mortas “em nome da revolução.” Como podem os indivíduos que lutaram aguerridamente contra esses verdadeiros demônios, cumprindo seu dever patriótico às custas do próprio sangue, serem taxados de “criminosos”. Que crimes foram cometidos? O dever? O patriotismo?
“Ah… Eles cometeram crimes contra a Humanidade…”, dirão alguns. Que Humanidade? Quem é essa tal de “Humanidade” para ditar leis? Eu nunca paguei impostos a nenhuma Humanidade vaga e subjetiva, nem nunca assinei nenhum contrato com a mesma. Se Piacentini descumpriu com alguma lei da Argentina, do Uruguai ou do Brasil, em vigor à época em que ele atuou, então isso deve ser relevado em prol do fato de que a Lei da Verdade e da Justiça se sobrepõe a qualquer legislação de papel, a qual sempre pode ser relativizada e manipulada para perseguir heróis e proteger vilões.
Os fatos são simples e claros. De um lado temos os loucos genocidas, assassinos de dezenas de milhares na América Latina. De outro temos aqueles que resolveram arriscar suas vidas para combatê-los. Para combater organizações secretas como essas, obviamente houve quem fizesse uso de meios pouco ortodoxos de persuasão forçada. Não nego. Mas contra essa gente revolucionária foi feito menos do que fizeram os maoístas na China, que durante a Revolução, principalmente em aldeias do interior do país, realizavam “banquetes rituais”, nos quais comiam a carne de seus inimigos. Literalmente. Autêntica antropofagia marxista.
Sendo assim, na próxima vez em que o Brasil precisar de você, não faça nada. Ou melhor, traia seu País. Se você o fizer e for vitorioso, terá o País para você. Se fores derrotado, ganharás uma gigantesca e desproporcional indenização. Porque do contrário, correrás o risco de ser preso e enforcado em um novo Tribunal de Nuremberg.
*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.