Postagens com a palavra-chave ‘Che Guevara’

Coluna do dia: As palmadas que faltaram a Lula

17/07/2010

Por Yashá Gallazzi*

“Entra na minha casa. Entra na minha vida. Mexe com minha estrutura. Sara todas as feridas…”

O que vai acima é um trecho de uma dessas músicas “gospel” de péssimo gosto que, de uns tempos pra cá, passaram a fazer sucesso no Brasil. Mas bem que poderia ser a trilha sonora ideal para a mais nova tara totalitária do lulismo, conhecida como “Lei da palmada”.

O governo do PT, tal qual toda agremiação fascistóide que já rastejou na face da Terra, não sentiu qualquer pudor na hora de entrar em nossas casas, entrar em nossas vidas e mexer com nossas estruturas. Para os totalitários de Lula, não basta mais doutrinar nossos filhos nas escolas, ensinando aos moleques que o assassino conhecido como Che Guevara foi um herói, ou mesmo que o psicopata chamado Mao Tsé-Tung foi um grande pai para o povo Chinês. Isso é pouco! Agora os burocratas do progressismo também querem nos impedir de dar uma bela palmada nos traseiros rebeldes de nossas crianças.

Lula, que parece ter levado umas surras do pai alcoólatra na infância, quer descontar em toda essa “sociedade burguesa” seus próprios traumas. O “grande pai” do Brasil decidiu, de uma vez por todas, substituir a todos nós, estabelecendo que não é mais permitido dar uns tabefes quando o moleque decidir se jogar no chão do supermercado, insistindo em levar o décimo pacote de balinhas. Este é o Brasil moldado à imagem e semelhança do PT: mensalão pode; tapa de pai e mãe, não.

Na cerimônia em que se cantaram as glórias da tal “Lei da palmada”, Lula fez questão de dizer que nunca encostou a mão num filho seu. Entendo… Vai ver foi por isso que Lulinha não viu nada de ilegal ou imoral em receber um aporte financeiro da Telemar em sua pequena empresa de esquina, não é? Tivesse tomado um corretivo quando era hora, duvido que sua noção de valores morais fosse tão deturpada hoje em dia.

Pode não parecer à primeira vista, mas o esbulho da intimidade das famílias – verdadeiro núcleo motor de toda sociedade civilizada – é gritante! Note-se que a lei não vem coibir a agressão e/ou a violência doméstica. Contra isso já existe uma Constituição (tratando dos direitos individuais), um Código Penal (prevendo pena para lesões corporais) e uma lei específica – o ECA. A nova invenção progressista é específica contra a “palmada”, ou seja, visa alçar as crianças – em especial as travessas – ao posto de ditadoras do lar.

Não é difícil imaginar crianças já grandinhas (quase adolescentes) apontando o dedo para os pais e falando: “Se me bater eu denuncio você!” É assim que o progressismo pretende criar o “novo homem”: substituindo os pais pelo Estado; trocando a repreensão sadia – e necessária! – pela passada de mão na cabeça. E assim cultiva-se, desde sempre, a ideia da impunidade. Assim incentiva-se a mitigação da autoridade familiar, primeira – e principal – que se encara na sociedade.

Sempre que o Estado tentou cercear o indivíduo, intrometendo-se na intimidade das famílias e substituindo-se à autoridade paterna, o que se viu em seguida foi alguma das vertentes de fascismo que tomaram o mundo de assalto. É isso que o petismo está tentando fazer no Brasil em vários frontes: no controle da mídia, nas cotas, no malfadado plano de “direitos humanos” e, agora, na “Lei da palmada”.

Meu instinto revolucionário foi despertado! Resistirei firmemente contra o poder reacionário do estado… progressista!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: As Tumbas da Contemporaneidade – Capítulo 4

25/03/2010

Deus e criações

Por Felipe Liberal*

Deus é o criador de todas as coisas, onipotente, onipresente e onisciente. Deus é tudo, definitivamente tudo.

Deus criou o diabo, o inferno e a matemática. Deus criou o universo, o mundo e os africanos Adão e Eva. Criou a África. Esqueceu a África e criou os outros continentes que foram povoados por imigrantes da África. Deus criou a cor branca, posteriormente à cor negra. Deus inventou o vinho e depois a cerveja, ou foi a cerveja e depois o vinho? Brancos e negros bebiam vinho, e brancos e negros bebiam cerveja.

Deus criou os outros deuses: Osíris, Ísis, os gregos, os romanos, Odin, os corvos da putrefação Huguin e Munin, as valquírias da morte entre os vikings, Javé, Alá, os deuses amarelos da Ásia, a indiana Mitra e etc. Deus criou todos eles e declarou guerra entre eles, várias vezes, infinitas vezes. Deus criou uma seleção natural entre os deuses, onde o mais forte vence e transforma o outro em pó, em páginas de livros de História.

Deus criou Johann Friedrich Blumenbach, zoólogo que reuniu 245 crânios humanos, comprovando que a raça branca provinha da região do Cáucaso e tinha o direito de se assumir superior à raça negra. Deus também criou o norte-americano James Watson, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, que afirmou em suas teses, em 2007, que os negros são menos inteligentes que os brancos. Mas nós todos fomos negros, temos os dois pés na África e somos fisiologicamente idênticos, mas é claro, Deus também inventou a ironia e o paradoxo.

Deus também criou um assistente, ou melhor, um grande assistente para auxiliar em suas invenções: a China. Os chineses, com o dom de Deus, inventaram praticamente tudo de que se tem notícia: chá; bússola; papel; seda; extração de sal, petróleo e gás; moinhos de água; imprimiram livros seis séculos antes que Gutenberg; pólvora; timão; roca; acupuntura; porcelana; futebol; baralho; lanterna mágica; pirotecnia; sismógrafo; pipa; papel-moeda; relógio mecânico; laca; pintura fosforescente; carrinho de mão; guarda-chuva; leque; estribo; ferradura; chave; escova de dentes e mais algumas coisinhas. Deus também inventou a mentira, que alguns países contaram sobre essas invenções.

Inventou, em 1492, um novo continente, que seria fruto de experimentos humanos por 500 anos. O continente da morte e das contradições.

Deus sozinho criou Kafka, Dostoiévski, Maiakovski, Tom Jobim, Chico Buarque, Villa-Lobos, Monet, Picasso, Gandhi, Nijinski, Jesse Owens, Juan Rulfo, Fidel Castro, Che Guevara, Mao, Stalin, Lênin, Roosevelt, Hitler, Napoleão e outras figuras também moldadas pelas mãos iluminadas.

Deus inventou a escravidão, os campos de concentração e as guerras. Deus criou o ódio e o amor. Criou também a pistola, a espingarda, as bombas, o fuzil e outros modos de mostrar quem manda e tem poder. Deus criou o conformismo, a alienação e tudo que faz o ser humano não ser humano. Deus criou Hiroshima, depois destruiu Hiroshima. Criou o Vietnã, depois destruiu o Vietnã. Criou o Iraque, depois destruiu o Iraque. Deus inventou Bush, e também o ataque terrorista de Nova York e Washington. Inventou Bin Laden e criou uma justificativa para tudo que somos hoje.

Deus criou tudo, absolutamente tudo.

Mas e se Deus não existir? Quem criou tudo isso? O que existe e o que não existe? O que nós somos? O que nós sentimos? Quem explicaria tudo?

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Cesare Battisti, Coronel Piacentini e a inversão de valores

27/01/2010

por Raphael Machado Silva*

Foi entregue pela Polícia Federal às autoridades argentinas nesse último sábado, dia 23 de Janeiro o herói sul-americano e coronel uruguaio Cordero Piacentini, com base em acusações e legislações assaz nebulosas e indefinidas, as quais giram em torno de supostos casos de tortura, sequestros e afins à época dos regimes militares da América do Sul.

Apesar dos supostos crimes terem sido cometidos nos longínquos anos 70, e de o referido Coronel ser hoje já um homem bastante idoso e doente, a sanha diabólica dos tiranos, fundada em seu ressentimento e desejo de vingança sangrenta não descansou até conseguir que esse autêntico guerreiro da liberdade fosse entregue a seus carrascos, para ser condenado e punido. Espera-se que não com a morte, é claro.

Quanto contraste entre o tratamento dado a este caso e o tratamento dado ao terrorista e assassino italiano Cesare Battisti! Battisti, um bandidinho qualquer, fascinado por mitos revolucionários vazios e que foi julgado e condenado por um tribunal legítimo, em um Estado de Direito, por ter cometido crimes comuns, e não de natureza política, e cujas vítimas eram todas, sem uma única exceção, cidadãos honrados, cumpridores de seus deveres para com a sociedade, este recebe toda a solidariedade, todo o perdão, todo o apoio.

Movem-se “mundos e fundos”, tenta-se todo tipo de peripécia conceitual jurídica, com a finalidade de permitir que esse verdadeiro monstro diabólico permaneça impune, e pior, em nossa própria Pátria, desfrutando dos prazeres de um “paraíso tropical”.

Um herói militar cumpre seu dever patriótico e é perseguido por décadas, até ser capturado e entregue como um animal raivoso a seus algozes. Um terrorista e assassino comete inúmeros crimes e atentados, e é abençoado e protegido pelas autoridades políticas internacionais, ganhando “férias e aposentadoria” na América do Sul.

O que reflete essa situação orwelliana senão uma autêntica e absoluta inversão de todos os valores? Ora, e qual poderia ser a razão de tamanha inversão no tratamento senão o fato de que, ao menos na América do Sul, os terroristas de ontem, são os governantes de hoje?!

No fim das contas, Battisti veio para cá para ser recebido por seus antigos camaradas de “luta revolucionária”. Enquanto isso, aqueles contra os quais Piacentini lutou, se sacrificando e derramando seu sangue, não só por sua Pátria mas por todas as nações da América do Sul, são exatamente aqueles em cujas garras Piacentini caiu.

Sinceramente, a questão para mim não está atrelada ao ato em si. Ações, de per si, são completamente desprovidas de qualquer valor ou sentido intrínseco. “Matar” não é uma ação boa, nem má. O valor de uma ação depende absolutamente do contexto no qual a mesma se insere, e de quem são os “agentes” e “pacientes” da mesma.

Ora, nos referimos aqui ao valoroso e necessário combate de quadrilhas e bandoleiros que pretendiam instituir em toda a América do Sul o sistema político e econômico mais genocida da história da Humanidade. Perto de Stálin, Hitler não passava de um ecologista fascinado por música clássica. Perto de Mao Tse Tung, Gêngis Khan não passava de um nômade dos desertos.

A essência da propaganda inimiga aqui reside em seu domínio da semântica das linguagens nas quais essa temática é discutida. Quando a mídia contemporânea nos (des)informa a respeito do combate aos terroristas, fala em “perseguição de jovens ativistas” ou “perseguição de opositores”. Bem, que estavam então esses “inocentes ativistas” fazendo em Havana? E quanto aos poucos sortudos que tiveram a (dúbia) honra de receberem instruções e treinamento em Moscou, a Babilônia marxista?

Passemos então a palavra ao próprio (pseudo) herói de toda a juventude demente e alienada, Che Guevara: “Quase todos os países deste continente estão maduros para essa luta que só triunfará com a instalação de um governo socialista. O ódio intransigente ao inimigo deve ir além das limitações naturais do ser humano. Deve se converter em violenta, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados têm de ser assim, um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal.”

Fica evidente então, que o objetivo dos “inocentes opositores políticos” dos Regimes Militares era não a “Liberdade”, mas a subjugação dos países sul-americanos à tirania moscovita. Tem-se que entender que a mente disturbada marxista pensa ao modo orwelliano. Escravidão, para eles, é liberdade. A “liberação do proletariado das amarras da dominação da burguesia reacionária” não passa de um eufemismo para ditadura do Partido Comunista, e ponto final.

Em verdade, a “luta” marxista no Brasil não teve início APÓS 1964, mas sim muito ANTES, dando margem para que alguns caracterizem o levante de 1964 como uma verdadeira contrarrevolução, e não como um “golpe”.

Após o clamor popular que incitou as heróicas Forças Armadas a se levantarem em defesa da liberdade da nação, varrendo com dureza o horror dos gulags, dos campos de extermínio, das “deskulakizações” e coletivizações e das bizarras experiências com seres humanos, a liderança marxista internacional criou em Havana a OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), com um Comitê Permanente sediado em Havana, o qual constituiria a partir daí em uma “autêntica representação popular dos povos oprimidos da América Latina” e que objetivava a “luta contra o imperialismo norte-americano”, ou seja, traduzindo do duplipensar orwelliano para a linguagem habitual: implantar Ditaduras do Proletariado em toda a América Latina.

Já a partir desse momento, a OLAS estava sob a orientação ideológica e estratégica do PCUS ( Partido Comunista da União Soviética), recebendo dele armamentos, recursos financeiros e treinamento, contando mesmo com enviados moscovitas, cuja finalidade era orientar e facilitar a operacionalização das revoluções.

No Brasil, havia 29 organizações terroristas, as quais objetivavam a revolução armada. Além dos recursos vindos de Moscou, os quais passavam por Cuba, as próprias organizações buscavam recursos aqui no Brasil, por meio de sequestros, extorsões e até mesmo de “simples” e “rotineiros” assaltos a pequenas lojas. Isso sem mencionar as doações de inúmeros bastiões da (pseudo) cultura e da (pseudo) intelectualidade brasileira, os quais foram muito generosos em financiar uma luta que objetivava a implantação de uma sistemática política genocida no Brasil.

Os “podres” de hoje “respeitáveis” cidadãos brasileiros são inúmeros. Não precisamos nem ao menos mencionar os verdadeiros bandoleiros, ex-assaltantes e ex-terroristas, os quais hoje ocupam diversos cargos governamentais. Que festival de bandidagem! E quanto às indenizações pela (justa) “perseguição” dessa escória? Um certo cartunista brasileiro, o qual passou APENAS UMA NOITE preso recebeu 1 milhão de reais como indenização. Quanto terão recebido as famílias dos vários brasileiros mortos por guerrilheiros e terroristas marxistas?

Um outro brasileiro, famoso músico da MPB (muito medíocre em minha opinião) foi exilado por, durante um show, ter pego a bandeira nacional e limpado o seu “traseiro” com a mesma. Que lhe teria ocorrido caso ele tivesse feito o mesmo na URSS com a bandeira vermelha da foice e do martelo? Isso sem falar em um “respeitável” jurista brasileiro, o qual, ainda na década de 60, assaltou com seus camaradas um pequeno açougue, propriedade de um casal de bondosos velhinhos, com a finalidade de arrecadar “fundos para a revolução”, se exaltou em suas “atividades revolucionárias”, matou ambos e os pendurou nos ganchos do frigorífico.

O saldo de mortos, vítimas das atividades desses “libertários” beiram os 50.000. Só na Argentina, 30.000 pessoas, aproximadamente, foram mortas “em nome da revolução.” Como podem os indivíduos que lutaram aguerridamente contra esses verdadeiros demônios, cumprindo seu dever patriótico às custas do próprio sangue, serem taxados de “criminosos”. Que crimes foram cometidos? O dever? O patriotismo?

“Ah… Eles cometeram crimes contra a Humanidade…”, dirão alguns. Que Humanidade? Quem é essa tal de “Humanidade” para ditar leis? Eu nunca paguei impostos a nenhuma Humanidade vaga e subjetiva, nem nunca assinei nenhum contrato com a mesma. Se Piacentini descumpriu com alguma lei da Argentina, do Uruguai ou do Brasil, em vigor à época em que ele atuou, então isso deve ser relevado em prol do fato de que a Lei da Verdade e da Justiça se sobrepõe a qualquer legislação de papel, a qual sempre pode ser relativizada e manipulada para perseguir heróis e proteger vilões.

Os fatos são simples e claros. De um lado temos os loucos genocidas, assassinos de dezenas de milhares na América Latina. De outro temos aqueles que resolveram arriscar suas vidas para combatê-los. Para combater organizações secretas como essas, obviamente houve quem fizesse uso de meios pouco ortodoxos de persuasão forçada.  Não nego. Mas contra essa gente revolucionária foi feito menos do que fizeram os maoístas na China, que durante a Revolução, principalmente em aldeias do interior do país, realizavam “banquetes rituais”, nos quais comiam a carne de seus inimigos. Literalmente. Autêntica antropofagia marxista.

Sendo assim, na próxima vez em que o Brasil precisar de você, não faça nada. Ou melhor, traia seu País. Se você o fizer e for vitorioso, terá o País para você. Se fores derrotado, ganharás uma gigantesca e desproporcional indenização. Porque do contrário, correrás o risco de ser preso e enforcado em um novo Tribunal de Nuremberg.

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: Os mensalões – Ser livre é não ter bandidos para proteger

11/12/2009

Por Yashá Gallazzi*

Na coluna da semana passada, escrevi sobre as duas éticas de certa esquerda brasileira. Mostrei, por exemplo, que os petistas conseguem transitar com desenvoltura entre dois mundos incompatíveis: negam o mensalão lulista, alegando que tudo não passou de “golpismo das oposições”, ao mesmo tempo em que saem às ruas para protestar contra o mensalão de Arruda.

A coluna em questão, vocês devem ter notado, despertou a ira de um ou outro leitor deste site. Os mais afoitos não buscaram meias palavras, e saíram logo acusando o “direitismo preconceituoso” deste escriba. No Brasil de Lula, as coisas andam um tanto engraçadas… Se você defende cadeia para todos os bandidos – independentemente da filiação ideológica que tenham -, é tratado como um conservador; um direitista. Se, porém, você defende o roubo feito em nome da “causa”, aí a coisa muda de figura. Você deixa de ser um “porco reacionário” e passa a integrar aquela turma do tal “outro mundo possível”.

Os leitores conhecem, estou certo, a dona Dilma Rousseff. Para quem não sabe, a senhora é a “mãe do PAC”. Que PAC? Bem, isso caberá aos petistas explicar, não é? Dilma também é aquela terrorista, que militou, durante muito tempo, em uma organização dada a sequestros e roubos. Sim, eu sei perfeitamente que dizer essas coisas é motivo bastante para ser chamado de “porcoreacionárioedireitista” pela gente do politicamente correto. Fazer o quê? Ela é chamada de terrorista não porque eu quero. É porque um dia escolheu sê-lo.

Pois Dilma, essa gigante moral, essa humanista que acreditava em um “outro mundo possível” – erguido sobre corpos de adversários políticos -, disse, outro dia, acerca do mensalão, o seguinte: “As imagens são estarrecedoras. Muito duras, muito claras.” Sim, é verdade. Mas estou cá com um dúvida, caros leitores… Espero que vocês possam me ajudar: Dilma se referia a qual mensalão exatamente? Aquele de Arruda? Aquele de Minas (de Azeredo e do PSDB)? Ou aquele de Lula, de Dirceu e do PT? Sim, é óbvio que estou sendo irônico – e um pouco sarcástico…

Eis aí. Menos de uma semana depois de publicada aquela minha coluna, podemos comprovar de forma empírica o funcionamento das duas éticas dessa gente sociopata. O que temos acima é Dilma mostrando de forma clara sua indignação com relação aos desmandos gravíssimos ocorridos no governo do Distrito Federal. Nada mais correto, afinal, toda pessoa de bem deve se erguer contra aquela barbárie.

Mas Dilma, não! Ela não tem direito de se indignar, porque, afinal, não é uma pessoa de bem! Quem sou eu para dizer isso? Ora, sou alguém que nunca tentou mudar o mundo por meio do roubo, do sequestro e do assassinato. Convenhamos: sou um anjo de candura se comparado à “mãe do PAC”.

Dilma se mostrou escandalizada com o mensalão de Arruda na mesma semana em que sentou à mesa com Dirceu e Genoino, dois dos principais nomes do mensalão petista. Desfaçatez? Oportunismo político? Trapaça ideológica? Que nada! Essa gente é assim simplesmente porque… é assim! É uma questão moral mesmo. Lembram? Gramsci, outro sujeito dado ao terrorismo, já falou sobre isso: a moral deles (revolucionária) é diferente da nossa (a “burguesa”). Sendo assim, os valentes do “outro mundo possível” não estão submetidos aos nossos códigos éticos e morais, afinal – vejam que mimo! – foram criados “pelazelite”.

Dilma, lá no fundo do seu coração, sabe por que aceita dividir a mesma mesa junto com gângsters do calibre de Dirceu. Ela o faz porque não vê no sujeito crime algum. É por isso que vai à imprensa repetir o velho mantra petista: “ninguém ainda foi condenado por nada.” Verdade… Arruda também não… “Ah, mas é diferente!”, grita o petista. Pois é… Para eles, é diferente mesmo! Não é mentira oportunista, não! Eles realmente acham que o roubo – ou o mensalão, como queiram -, quando promovido em nome da “causa”, é justificável.

Eu já me vejo como um sujeito um tanto mais ortodoxo… Aos meus olhos, um roubo continua sendo só… um roubo! Percebam: sempre que a ordem jurídica for solapada, o resultado será um número muito maior de injustiças. Logo, não existe verdade alguma nessa psicopatia da esquerda revolucionária, segundo a qual as trapaças de hoje só seriam erradas segundo a “ótica burguesa”. Ou então, mostrem-me que estou errado. Demonstrem, empiricamente, onde os desmandos dessa gente foram exitosos.

De minha parte, prefiro um mundo onde gente como Dilma esteja na cadeia. De preferência, juntinho com gente como Arruda. Aliás, essa é a parte que mais enerva os esquerdistas que se debruçam sobre as minhas linhas… Essa gente é acostumada a medir os outros pela própria régua. Assim, como eles protegem seus mensaleiros petistas, ficam revoltados quando percebem que “os direitistas” não protegem Arruda. Pois é, não mesmo! Quero mais é que Arruda vá para os diabos, juntamente com Lula! E você, amigo esquerdista? Manda Lula para os diabos também? Ou vai ficar falando nas tais conquistas sociais?

Curiosa a mente deles… Em nome da redenção gloriosa, aceitam qualquer tipo de bandalheira torpe. Experimente jogar na cara de um esquerdista que Guevara e Castro foram dois assassinos vagabundos, responsáveis por campos de trabalhos forçados na América Latina. O sujeito, babando de ódio, imeditamente vai desenrolar os tais números virtuosos de Cuba. A educação, a saúde, e todas essas patacoadas que o regime fornece para os idiotas úteis. Mas não conseguem condenar o regime. Não adianta, é mais forte que eles.

Pobres diabos… Não os invejo em nada. Não deve ser fácil carregar nas costas, ao longo de toda a vida, uma infinidade de bandidos, ditadores e terroristas de estimação. E tudo isso ao mesmo tempo em que se combate os bandidos, ditadores e terroristas dos outros. Eu, prisioneiro apenas da minha liberdade individual, não tenho assassinos, terroristas ou ditadores de estimação para defender. Quero mais é que todos se dirijam para o mais profundo dos infernos! E isso vale para Guevara, Castro, Pinochet, Franco, Costa e Silva e, em uma escala um tantinho menor, Dilma e Arruda.

Os humanistas do “outro mundo possível” que carreguem seus criminosos nas costas. Não tenho bandidos para proteger.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: As Tumbas da Contemporaneidade – Capítulo 3

26/11/2009

A minha parede

Por Felipe Liberal*

Olhava pra parede da minha frente, em frente à minha casa. Vidas estão nela. Amores, esperanças e desgraças estão ocorrendo, na minha frente, em frente à minha casa. A parede fala.

Proletários de todo o mundo, uni-vos. (último aviso)

Estava escrito no meu 2º passo, por algum socialista louco, pirado e precavido. As pessoas passam e não percebem a urgência do recado, que ultimamente estava avisado. Avisam-nos desde 1848, não acredito que agora vá adiantar.

Por que o Natal é na neve, se Jesus nasceu num deserto? E Papai Noel é pai de quem?

No meu 5º passo me deparei com as maiores das perguntas, que são aquelas que não sei responder, aquelas perguntas que dão vontade de fazer pra todo mundo que passa, mas as pessoas não dão atenção à parede falante.

Napoleão não era francês, Che Guevara não era cubano, Stalin não era russo e Jesus não era cristão.

Oito passos depois do início da minha caminhada pude ver que minha professora era mentirosa.

Por que os EUA podem produzir bombas atômicas, e o Irã não pode? O que os japoneses têm a dizer?

Quais? Os que morreram? Ou os cancerígenos?

O que é pior: mudar de nome ou mudar de alma?

No meu 11º passo lembrei-me de Hokusai, que mudou de nome sessenta vezes, e morreu depois de ter dado vida ao inanimado, com uma das melhores almas que o Japão já sentiu.

Bem-aventurados os bêbados, porque verão Deus duas vezes.

No meu 15º passo, perguntei-me: e os bêbados ateus?

Depois de tanto caminhar por paredes vivas e pessoas mortas, entrei num táxi, amarelo, como todos aqui de Nova York. O taxista chorava e lamentava em um leve sotaque caribenho, que sua mulher havia o abandonado.

- Não é culpa dela. Ela nunca gozou – Disse-me.

Fiquei sem palavras, a única mulher com quem conversei sobre sexo foi minha mãe, quando me deu de presente uma caixa de preservativos.

- Vai pra onde, caro amigo? – Perguntou-me soluçando.

- Pra casa. Ali, depois dessa grande parede.

Não conseguia voltar andando, eram muitas dúvidas e verdades que preferia evitar naquela parede. Porém, mais tristeza tinha encontrado dentro do táxi, dentro daquele homem berrante. Tristeza tinha encontrado naquelas pessoas andantes, mortas-vivas ao lado da grande parede.

Uma namorada sem tetas é, mais que namorada, um amigo.

Foi a última frase que li na parede ainda dentro do táxi, valeu a pena, arrancou um leve sorriso no rosto do taxista, que não parava de berrar.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Os pequenos terroristas

12/06/2009

Por Yashá Gallazzi*

Certa feita, no bojo de uma discussão acerca de ideologias e preferências político-partidárias, meu contendor perguntou o que me levara a ser um “reacionário direitista”. Conhecendo, como conheço, a mente apequenada e sociopata dos “pogreçistas” brasileiros, nem tentei tergiversar acerca dos conceitos de direita e esquerda, afinal essa gente apenas se limita a repetir chavões e conceitos filomarxistas, aprendidos nos centros de proliferação da cultura esquerdopata, como, por exemplo, as universidades.

O que fiz então? Ora, tratei de explicar o porquê do meu – se me permitem – reacionarismo. Disse, por exemplo, que provavelmente sou um direitista porque acredito que uma universidade deve ser um local de formação intelectual, ou seja, de estudo e trabalho. Disse ainda que sou um conservador provavelmente porque defendo o Estado democrático e o sistema de liberdades individuais sobre os quais se erigiu a civilização ocidental, e que garantem a existência harmônica de todos. Afirmei, por fim, que devo ser mesmo um reacionário, posto que reajo com firmeza contra toda e qualquer turba ensandecida que busca solapar as bases da democracia em nome de uma “causa” sagrada. Por isso sou contra, por exemplo, as greves político-partidárias que os vários braços armados do “pogreçismo” promovem sempre contra que lhes é hostil. Assim, se repudiar frontalmente o terrorismo promovido pelos desocupados que tomaram de assalto a USP é ser um conservador, reacionário e direitista – de acordo com a “novilíngua” deles -, não há problema: eu o serei.

Querem ver até que ponto vai a minha caretice? Pois bem, acho que um aluno de universidade pública deve fazer bom uso do dinheiro com o qual os contribuintes custeiam sua vida acadêmica. Uma boa forma de fazer isso – vejam que surpresa! – é se debruçar sobre os livros e tentar adquirir um bom volume de conhecimento, quem sabe logrando tornar-se um bom profissional no futuro, favorecendo o crescimento e a evolução da sociedade. Sim, sou um tanto antiquado nestes tempos modernos. Defendo ainda que escola é lugar de estudo e trabalho sério. Por isso, não tolero os malucos que se armam de microfones e envergam camisetas de Che Guevara, apenas para sabotar o direito da maioria que quer estudo. A academia não é lugar para formar quadros partidários e eleitoreiros. Não deve servir para – como é mesmo que eles dizem? – “formar cidadãos”, capazes de nos libertar do tal jugo “dazelite”. A vida acadêmica deve servir apenas para nos libertar da ignorância. E nada mais!

É fácil perceber que sou um membro da tal burguesia. Aliás, um burguês – sempre na “novilíngua” deles – é toda pessoa que valoriza o estudo e o trabalho, além de dar alguma importância aos desodorantes e perfumes. Como um burguesinho alienado, sempre me aborreceram o barulho ensurdecedor e o tumulto que os homens revoltados causam quando promovem suas badernas. E contra o que se revoltam? O que os deixa indignados? Ora, a democracia e a liberdade. Isso dá urticárias na gentalha “pogreçista” que pretende criar o – como é mesmo que eles dizem? – “outro mundo possível”. E, não. Não existe outra pauta séria por trás das ações da turba ensandecida.

Tomemos o caso da mais recente greve promovida na USP. O que querem os revoltadinhos? Ora, em primeiro lugar a reintegração de um servidor afastado sob a acusação de prática de vários crimes. Sim, é a isso que se presta a leitura marxista dessa gente: acobertar e promover o crime e os criminosos. Ah, claro! Eles também querem o fim do governo “neoliberal e repressor” do tucano José Serra. E por que querem isso? Ora, porque José Serra é um… tucano! E, como tal, situa-se no campo diametralmente oposto ao do petismo e dos seus milicianos. E isso é um padrão de comportamento. Basta ver como os tais movimentos sociais e as ditas organizações da sociedade civil agiram contra o governo de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Eu pergunto: o que os revoltados fizeram quando o Brasil tomou conhecimento do mensalão? Onde foram parar as greves, as passeatas e as manifestações? Vai ver não aconteceu nada porque tudo não passava de um complô “dazelite” contra o governo “dozoperário” e “dozoprimido”…

Os baderneiros da USP – apenas uma parte irrisória do grande corpo daquela prestigiosa universidade – tomaram de assalto um prédio público e cercearam deliberadamente o direito de ir e vir de alunos, professores e funcionários. A reitoria da USP, sabedora das potencialidades destrutivas daquele grupo, pediu à justiça que providenciasse a proteção da PM para o campus. Portanto, dizer que a ação da polícia é ordenada pelo Governador de São Paulo não passa de trapaça, vigarice política e intelectual. Algo, sabemos, bem típico dessa gente.

Mas acima de qualquer outra coisa há que se perguntar: a presença da polícia na USP é abusiva? A resposta, claro, é negativa. Isso porque o aparelho de segurança do Estado tem o dever de proteger os direitos de todos os que forem ameaçados por qualquer tipo de desordeiro filorrevolucionário. É por isso, afinal, que nós, homens livres, toleramos a presença de um governo, não? Os desocupados quer protestar em favor de um homem processado criminalmente? Que o faça. Mas nunca compelindo os demais a tomar parte na balbúrdia. Quem for reacionário e careta o bastante para querer continuar seus estudos e seu trabalho, deve ter o direito de fazê-lo, afinal, isso é próprio da normalidade acadêmica. Os deslocados são os revoltados, que insistem em lambuzar tudo e todos com a lama marxista na qual estão atolados até o pescoço. Para esses, resta à democracia a imposição firme e decidida dos rigores da lei.Viram? Em plena era do consenso politicamente correto e do relativismo moral exacerbado – que, com sua “novilíngua”, transforma criminosos em manifestantes e agentes da lei em repressores – este que vos escreve tem a audácia de defender a aplicação da lei e o respeito às regras do Estado democrático de direito. Sou mesmo um reacionário conservador, não?

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento