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Análise – Dilma é aclamada como pré-candidata do PT: Congresso do partido mostra sinais de possível radicalização

20/02/2010

A Ministra Dilma Rousseff foi, como já era totalmente de se esperar, aclamada como pré-candidata do PT à Presidência.

Será o nome do partido para outubro com certeza, mas por alguns meses fingirá ser apenas pré-candidata. A campanha continua, Dilma e Lula fingem que enganam e nós fingimos que acreditamos.

Como todos já esperavam que Dilma fosse finalmente oficializada como pré-candidata, as informações mais relevantes a respeito do Congresso petista são as indicações de como será, possivelmente, o viés político-ideológico da candidatura e do programa de governo e, também, de um hipotético governo futuro.

Essas suposições, feitas a partir de pontos defendidos pelo partido em seu encontro nacional, são revelantíssimas no sentido de que podem balizar a escolha de diversos eleitores. O vislumbre do que poderia ser um governo Dilma pode atrair ou afugentar brasileiros quanto ao projeto petista.

Sinceramente, as indicações dadas pelo congresso petista parecem mais afugentar do que atrair:  

Em primeiro lugar, Dilma disse com todas as letras que vai continuar a reaparelhar o Estado.

Isso pode ser interpretado positivamente ou negativamente, dependendo da ideologia de cada um e do que se entende por aparelhamento.

Contudo, a interpretação mais correta me parece ser a de que o PT continuará a empregar partidários em órgãos e empresas públicas.

E isso, meus caros, não agrada em nada.

Em segundo lugar, medidas aprovadas pelo congresso do PT deixaram o plano de governo de Dilma mais radical.

Entre elas, pode-se citar a taxação de grandes fortunas, o combate a um suposto monopólio dos meios de comunicação, a atualização dos índices de produtividade no campo no que tange a reforma agrária, a restrição às compras de terras por estrangeiros, a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas sem redução de salários

Alguns tentaram amenizar passagens dos textos. Não conseguiram. Por outro lado, o monopólio estatal do petróleo não foi aprovado como medida a ser defendida pelo plano de governo dilmista e nem a escolha do PMDB como aliado privilegiado e preferencial. Pelo menos isso.

No fim das contas, especialistas acreditam que as medidas aprovadas podem afligir o “capital”, o empresariado. Concordo com eles. E esta aflição é relevantíssima no mundo político-eleitoral.

Dilma procurou, para compensar, assumir compromissos com a estabilidade econômica. Porém, o passado esquerdista revolucionário da Ministra e o viés pré-Muro de Berlim de muitos de seus aliados próximos trazem suspeitas, perigosas para a sua candidatura, de que seu governo estaria mais à esquerda que o de Lula, sendo mais radical. E radical de uma forma que causa receio, próxima ao início do chavismo.

Em suma, alguns começam a temer mais fortemente, depois do que foi dito no congresso petista, que Dilma traga algum nível de radicalismo, embora o Ministro Paulo Bernardo, por exemplo, diga que isso é besteira. 

Por fim, um elemento que normalmente acompanha o radicalismo e o autoritarismo é o personalismo. E ele também esteve presente. Dilma afirmou o seguinte, sobre a possibilidade de Lula querer concorrer à Presidência novamente em 2014, jogando para escanteio uma possível tentativa sua de reeleição:

“Sem sombra de dúvida, ele pode. O presidente chegou a um ponto de liderança pessoal, política, nacional e internacional que o futuro dele é o que ele quiser”.

Mais messiânico, impossível.

Resumindo, o lançamento da pré-candidatura de Dilma foi recheado de demonstrações de que a Ministra pode, sim, ser um pivô de radicalização após um governo esquerdista mais moderado de Lula, quase centrista. Pragmático, na verdade.

E essas indicações trazem receios, dúvidas e críticas que, além de trazerem instabilidade para alguns apoios e preferências pela Ministra, podem também afugentar uma parcela grande do eleitorado.

De positivo fica a noção de que, pelo menos, se for para existir radicalização as pessoas estarão cientes de que ela ocorrerá com Dilma.

Ninguém poderá dizer que foi engando.

Pior será se o discurso repetido, entre outros, por Paulo Bernardo, de que dizer que Dilma está à esquerda de Lula e próxima em alguma medida de Chávez é besteira, prevalecer e, caso Dilma vença, todos se mostrem surpreendidos por uma radicalização escamoteada durante a campanha.

Muita água ainda rolará, mas já se pode dizer que aqueles que afirmam que Dilma está mais próxima do chavismo que Lula não são tão paranóicos assim.

Ela não é chavista no sentido estrito da palavra, mas não é necessariamente a continuidade total de Lula, aparentemente.

Talvez porque o PT tenha sido sempre assim, com a diferença de que Lula teve força para conter os arroubos da ala mais radical da legenda.

Dilma provavelmente não teria, não por personalidade ou cacife político exatamente, mas sim por não ser um quadro histórico do PT.

O que Lula fala é lei.

O que Dilma fala, nem tanto.

Nesse cenário, dependeria-se fortemente de Lula para manter a moderação. A influência do futuro ex-Presidente se manteria em grande medida.

Talvez seja por isso que Lula adora a ideia de sua sucessora ser Dilma.

Conselho Nacional de Política Externa proposto pelo PT causa forte receio em especialistas e dúvida em eleitores

09/02/2010

Recentemente, documento oficial do PT propôs a criação de um Conselho Nacional de Política Externa. Seria órgão federal com influência nas estratégias internacionais, geopolíticas e comerciais brasileiras e paralelo ao Ministério das Relações Exteriores.

Aparentemente, o Conselho seria formado não só por especialistas na área da política externa, mas também por membros indicados por ONGs, movimentos sociais e sindicatos.

Obviamente, a ideia trouxe forte receio e duras críticas por parte de diplomatas e acadêmicos. Até o petista Eduardo Suplicy, que já presidiu a Comissão de Relações Exteriores do Senado e que portanto sabe o efeito maléfico que este Consellho traria, se colocou contrário à ideia.

Ora, meus caros leitores, não é possível que alguém em sã consciência, que não coloca a ideologia à frente do bom senso e do bem nacional, possa achar que trata-se de boa proposta a de termos um Conselho claramente doutrinado e tendencioso com poder deliberativo sobre nossa política externa.

O dia de estreia da diplomacia brasileira controlada por movimentos sociais, sindicatos e ONGs é o dia do fim dessa mesma diplomacia por excelência.

É impensável que algo assim seja bom para o País. É nítido que trataria-se de política externa de partido e não de governo, que dirá de Estado.

Em suma, é ideia péssima, condenável e até risível, além de mais um elemento de uma cartilha de guinada governamental à esquerda atrasada e órfã do Muro de Berlim que tem se consolidado ultimamente com propostas como o Programa Nacional de Direitos Humanos e que assusta.

É por essas e por outras que muitos estão com receio e até medo do que pode advir de um novo governo petista.

Lula, ao chegar ao poder, manteve diversas diretrizes herdadas do governo do PSDB, o que irritou a ala esquerdista mais radical dos governistas, sejam do PT ou de outros partidos de esquerda da base aliada. Quem sabe agora é chegada a hora de um acerto de contas com essa esquerda atrasada, que se por um lado agradaria Tarso Genro, Marco Aurélio Garcia e afins, por outro seria péssimo para o País.

O PT, com essas propostas, está correndo o pergio de demonstrar que Dilma não é a continuidade, e sim uma guinada questionável à esquerda e uma pincelada alarmante de chavismo.

Se eu fosse petista recomendaria parar com essas imaturidades ideológicas já,afinal, ninguém quer um Brasil bolivariano, nem mesmo os que dão a Lula mais de 80% de popularidade.

Contudo, como sou eleitor, torço para que essas propostas equivocadas não vinguem, mas comemoro a proposição delas. Precisamos conhecer o real rosto dos postulantes ao cargo mais importante da República para decidirmos nosso voto sem ilusões.

Se esse chavismo brando por enquanto e tupiniquim for o real rosto de Dilma, ela não representa a continuidade e definitivamente não é o que os brasileiros querem para o País.

No fim das contas, os petistas mais radicais tem que tomar cuidado. Podem estar dando bons motivos para nós, brasileiros, votarmos em José Serra.

Chávez teria financiado, literalmente, atentado contra a democracia na Nicarágua

02/02/2010

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, tem passado guerrilheiro. Hoje, porém, segue, infelizmente, o caminho de muitos ex-guerrilheiros que conseguem chegar ao poder, seja pela via democrática ou não: O caminho do autoritarismo. Sendo assim, não surpreende a aliança existente atualmente entre ele e Hugo Chávez. Foi por conta dela que a Nicarágua passou a fazer parte da ALBA, Aliança Bolivariana das Américas, alternativa chavista à ALCA.

Como não poderia deixar de ser, o neo-bolivariano Ortega – que, diga-se de passagem, preside um país que na verdade é governado nos bastidores por sua esposa, Rosario Murillo – começou a assediar os meios de comunicação que, coincidentemente, dizem verdades que não agradam ao regime.

Agora, a situação chega ao extremo, com a compra por Ortega do Canal 8 nicaraguense, a Telenica. Está claro que o líder da Nicarágua tenta siienciar a oposição.

Mas a pior parte da história não é essa. O pior de tudo vem agora.

Foi Chávez quem deu dinheiro a Ortega para que este pudesse comprar o canal de televisão de seu país que era uma voz de oposição, calando assim as críticas.

Era da Albanisa (ALBA da Nicarágua S.A.), consórcio criado por Chávez para recompensar o apoio político dado pela Nicarágua ao bolivarianismo, o dinheiro utilizado para a compra. O gerente-geral da Albanisa, Rafael Paniagua, confirmou que foram fundos da sociedade que possibilitaram a compra do canal.

Trata-se de Chávez financiando, literalmente, os atentados contra a democracia na América Latina. Foi o dinheiro que a Venezuela transfere para a Nicarágua em troca de apoio político, através de empresas de fachada como a Albanisa, o utilizado para calar a oposição que Ortega enfrenta.

Ao invés de governar melhor, respeitar a democracia e os direitos da oposição e prezar a liberdade, Daniel Ortega preferiu pegar o dinheiro que a Venezuela lhe dá e calar a boca dos opositores. Levando em conta a índole de Chávez, este deve ter aplaudido e repetido a ladainha de que o tal canal de televisão era “representante das oligarquias entreguistas, do capitalismo selvagem e do imperialismo americano”. O fato de ele fazer oposição ao regime deve ser mera coincidência.

Por essas e por outras o ideário bolivariano, o comportamento de Chávez e a política expansionista do chavismo só podem ser encarados como nocivos.

Felizmente, Chávez enfrenta hoje dificuldades políticas internas e externas, que podem levar, no médio prazo, ao ocaso do chavismo.

As dificuldades econômicas do povo venezuelano, que ao contrário das dificuldades políticas de Chávez não podem ser comemoradas por ninguém, também colaboram para este quadro de derrocada.

Perspectiva: Hugo Chávez – Início do fim?

01/02/2010

Os últimos acontecimentos políticos da América Latina podem ter decretado o fim da expansão do bolivarianismo na região. Os recentes fatos políticos venezuelanos, por sua vez, podem representar mais: A derrocada de Hugo Chávez. Externa e internamente o semi-ditador enfrenta graves dificuldades de ordem socio-político-econômica.

No que diz respeito à América Latina, o bolivarianismo recebeu, recentemente, três golpes duros:

A vitória de Sebastián Piñera nas eleições presidenciais chilenas, através de um discurso anti-Chávez e da defesa de um projeto de centro-direita.

A resolução pacífica do impasse hondurenho, com a confirmação de perda do poder e ida para o exílio de Manuel Zelaya, representante da ideologia chavista no País, e subida à presidência de Pepe Lobo, conservador e defensor de um discurso de conciliação que agradou os hondurenhos.

E a atuação humanitária ampla e elogiadíssima dos Estados Unidos no Haiti, recuperando para os americanos um pouco da imagem de benfeitores que já existiu em algumas épocas passadas e enfraquecendo o argumento bolivariano de que os EUA são os vilões e malfeitores da América Latina.

No que concerne o cenário político-econômico interno da Venezuela, a conjuntura também não é nada animadora para os chavistas:

Uma crise cambial séria atinge o país, trazendo inflação, desabastecimento e recessão. Desvalorizações monetárias desastradas, planos econômicos pouco eficientes e fixação de preços têm sido o caminho de combate não muito eficiente escolhido.

Sucessivos cortes de energia elétrica se dão nas cidades venezuelanas. Há racionamento intenso e agressivo. Uma crise energética clara está completamente instalada. Também existe falta d’água em algumas torneiras, além de uma seca que afeta a agricultura já enfraquecida pelos anos de desatenção chavista.

E o regime de Chávez, afetado por isso tudo, está em baixa significativa. O Vice-Presidente renunciou. A Ministra do Ambiente, esposa deste, também. Deixou igualmente o governo o Presidente do Banco da Venezuela. Há definitivamente algo de podre no reino chavista dos bolivarianos.

Diante de toda esta situação político-econômica difícil, Hugo Chávez perdeu de vez o controle. Decidiu, como os piores ditadores, responder aos pedidos de mais liberdade com mais repressão, devolver as críticas com justificativas absurdas e risíveis e ameaçar os opositores internos e externos com bravatas.

Enquanto Chávez afirma ridiculamente que os Estados Unidos causaram um terremoto que atingiu a Venezuela, a criminalidade no país dispara, chegando a níveis recordes.

Ao mesmo tempo em que o líder venezuelano desafia a oposição a afastá-lo e repete o enfadonho, mofado e equivocado discurso de que os protestos populares recentes são obras de conspirações oligarcas e burguesas, sua popularidade despenca entre a população e as mobilizações contrárias ao regime e defensoras de mais liberdade, principalmente de opinião e de imprensa, proliferam.

Ao passo que a influência externa de Hugo Chávez vai minguando, seu poder também se reduz internamente. Seu governo começa a ser questionado com mais atrevimento, fato típico do ocaso das ditaduras e das gestões autoritárias.

- Se Chávez está acabado, bem, me afastem! Com toda a energia gasta nessa loucura, toda tinta e papel, que organizem um grupo, peçam o referendo. Vamos ver se dizem mesmo que estou acabado. Ninguém vai impedi-los — foi o que disse o Presidente venezuelano à sua oposição.

Claramente, esperneira e desafia para se afirmar. Líderes personalistas sempre reagem mal às quedas de popularidade e aos questionamentos de suas qualidades. Comprova-se até psicologicamente que o caudilho está em maus lençóis.

Em resumo, temos hoje um cenário de vantagem da democracia liberal sobre o chavismo na América Latina e uma conjuntura socio-político-econômica completamente prejudicial aos planos condenáveis de Chávez no mundo próprio da Venezuela.

Será o início do fim?

Absurdo: Governo chavista venezuelano quer controlar o Twitter e o Facebook no país

28/01/2010

Informa o Estadão, a respeito da absurda intenção do governo chavista venezuelano de, comprovando seu viés ditatorial, estender seus braços de controle da mídia até o Twitter e o Facebook:

“Ocupar todos os espaços dos meios de comunicação e de todas as maneiras possíveis passou a ser a principal missão dos partidários de Hugo Chávez. Além do império de mídia mantido por eles – 34 emissoras de TV, centenas de estações de rádio, jornais de circulação regional e nacional e uma agência de notícias -, o plano agora é tomar as redes sociais da internet, como Twitter e Facebook.

‘Não podemos deixar que os ‘esquálidos’ [como os chavistas chamam os inimigos do regime] tomem conta da internet’, disse no programa La Hojilla, da VTV, o apresentador Mario Silva.”

É por essas e por outras que já não há mais quem negue o fato de que a Venezuela caminha a passos largos para uma ditadura completa. Os simpatizantes brasileiros de Hugo Chávez sumiram.

Não por terem deixado de apoiá-lo, mas porque o fato de Chávez ter mostrado sua verdadeira cara força agora quem quer defendê-lo a se assumir como apoiador de regimes autoritários, deixando de lado a balela de que na Venezuela existe democracia.

Afinal, quando um governo quer controlar até o Twitter e o Facebook, se não é ditadura, é o quê?

Chile: Piñera vence Frei nas eleições presidenciais

18/01/2010

Informa o Globo:

“Num dos resultados mais apertados dos últimos anos, o opositor Sebastián Piñera ganhou as eleições presidenciais chilenas, segundo resultados parciais. Com 99,2% das urnas apuradas, o candidato da Coalizão pela Mudança, de direita, tinha 51,61% dos votos, contra 48,38% do ex-presidente Eduardo Frei, da Concertação de Michelle Bachelet – numa eleição que marca a volta da direita ao poder pela via democrática pela primeira vez em cinco décadas. O novo presidente do Chile tem o desafio de unir um país que 20 anos após a ditadura militar continua dividido.”

Mesmo tendo uma Presidente com altíssima aprovação popular ao seu lado, o indicando como sucessor, Eduardo Frei não foi páreo para Sebastián Piñera. Assim como Michelle Bachelet, Frei faz parte da Concertación, coalizão de centro-esquerda, que comandou o Chile por diversos anos seguidos. Contudo, Piñera surgiu como a possibilidade, que se confirmou, de dar à centro-direita o poder no Chile, país modelo da América do Sul, com democracia consolidada e qualidade de vida da população crescente.

Piñera promete caminhar com o Chile para o centro, embora seja interpretado como representante da centro-direita. A vitória dele foi apertada, embora tenha sido favorito desde o início, por conta de uma ascensão na reta final de Frei.

A realidade é que o Chile já chegou a um ponto de maturidade política onde a memória negativa de Pinochet, ditador militar empreendedor de um regime sangrento, não impede grupos democráticos, com um viés de direita, de terem uma chance de vitória. Em suma, entende-se que o direitista tem os mesmos direitos do esquerdista, não sendo responsável pelos abusos do ditador e não tendo que se justificar por se posicionar à direita. Além disso, o povo chileno aprendeu a importância da alternância e entendeu que era a hora de a Concertación deixar o poder.

Bachelet, mesmo com 80% de popularidade, não conseguiu transferir votos para Frei a ponto de compensar o cenário favorável à mudança, que era representada por Piñera. Alguns analistas já começam a comparar a capacidade de transferência de votos de Bachelet para Frei com a futura capacidade de transferência de Lula para Dilma, aqui no Brasil.

Independentemente disso, o fato é que o Chile demonstra maturidade e se consolida como reserva democrática da América do Sul, se opondo aos arroubos chavistas. Não pela vitória da direita, mas pelas circunstâncias em que ela se deu, pela forma saudável com que correu a campanha e pela valorização da alternância de poder.

Coluna do dia: Eleições em Honduras – O Brasil parece querer o juízo final

30/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A política externa brasileira vem sendo criticada por mim, e por inúmeros outros articulistas, faz tempo. Subserviência a Chávez, apoio a toda sorte de ditadores e genocidas africanos, esmolas em profusão para nossos vizinhos que, ao invés de trabalharem pela melhora de seus países, ficam chafurdados no velho discurso de que a culpa de sua pobreza é do “Imperialismo Tupiniquim” e não de seus governos preguiçosos e de uma população acostumada ao populismo e ao assistencialismo.

A posição do Brasil frente às eleições hondurenhas deste domingo é mais um ponto de vergonha na política externa do governo Lula. A canhestra operação de acobertamento envolvendo a tomada da embaixada brasileira em Tegucigalpa pelas “legiões” de Zelaya e a sua transformação em palanque político (contra todas as leis internacionais) pelo velho caudilho hondurenho, não foram suficientemente capazes de fazer ver a Lula e ao Itamaraty a burrada em que o Brasil se meteu.

Além de abdicar do importante papel de mediador e de agente da normalidade política, aumentando o seu poder de influência na região e levando uma imagem de país preparado para lidar com crises além da sua própria fronteira, o Brasil, embalado pela subserviência a Chávez, tomou o pior partido possível e acabou se prestando ao papel de marionete de Zelaya e do venezuelano.

Honduras vivia a quase normalidade política e todas as partes compactuaram com um acordo firmado pelo Presidente da Costa Rica, que reconduziria o país para a normalidade democrática. Mas o retorno de Zelaya ao país e o seu abrigo em nossa embaixada serviram para lançar a nação hondurenha à beira de uma guerra civil e da instabilidade institucional. Tudo porque o Brasil deixou que Zelaya acessasse rádios, canais de televisão e a imprensa internacional através da nossa embaixada e conclamasse os seus seguidores a se revoltarem.

Como sempre vimos nas transmissões ao vivo, as passeatas sempre eram de poucas centenas de pessoas. Contudo, a balbúrdia e a insegurança criadas por elas levaram o país para a beira de um colapso social e de uma luta fratricida.

Como ficou claro depois, Zelaya nunca quis negociar. Seu intuito era mesmo criar confusão e ser reconduzido “nos braços do povo” para o palácio presidencial (do qual foi retirado legalmente ao violar a Constituição de Honduras). Ao perceber que isso não aconteceria, pelo simples fato de que a maioria da população de seu país estava contra ele, a única alternativa era impedir as eleições. Com a ajuda do Brasil, Zelaya e Chávez tentaram de tudo. Mas, com o apoio dos EUA e de quase toda a comunidade das Américas para a realização das eleições e o reconhecimento de que isso encerrava a crise de uma vez por todas, Zelaya viu a sua posição esvaziar-se e até os membros de seu próprio partido participaram das eleições.

O resultado não pode ser mais expressivo do pensamento do povo hondurenho: Tanto o partido de Zelaya quanto o de Micheletti foram derrotados nas eleições. Isso demonstra claramente que o povo hondurenho está farto do populista de chapéu de vaqueiro e do incompetente que não soube explicar à comunidade internacional o acontecido.

As eleições colocaram um fim nessa longa pantomima mal interpretada e cheia de atores de terceira categoria. Mas, insatisfeito com seu papel ridículo, o Brasil se uniu às “forças do avanço” (Venezuela e Equador) e se recusará a reconhecer o vencedor das eleições hondurenhas como Presidente eleito legítimo.

O que querem o Itamaraty e o governo Lula? Um banho de sangue? A convulsão social em Honduras? Uma guerra civil?

Tudo isso para satisfazer Hugo Chávez e um obscuro caudilho centro-americano que só nos deu dores de cabeça. Além disso, ao invés de reduzir os danos, ao ser derrotado miseravelmente em seu apoio a Zelaya, o Brasil assumirá a posição equivocada de esperar que Papai Noel restitua o poder a ele.

O mais estranho é que Zelaya, ao ter sua proposta de negociação submetida à Suprema Corte Hondurenha, ainda foi condenado por traição. Portanto, se deixar a embaixada brasileira, ao invés do palácio presidencial, vai para a cadeia.

E o Brasil corre o risco de ficar com o “mico internacional” do ano ao apoiar a realização do Juízo Final e de uma guerra civil como única forma viável para reempossar um Presidente que desejava “apenas” eternizar-se no poder e violar a sua própria Constituição.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Democracia é mais do que mero procedimento

09/11/2009

As férias de fim de ano estão chegando aos poucos e este blogueiro que vos fala começou a pesquisar em lojas virtuais. A pesquisa visa decidir que livros comprar para ler no tempo livre que surgirá pela parada das aulas na universidade.

Pois bem. Neste minha pesquisa encontrei um livro chamado Democracia: Não é Apenas Procedimento. Trata-se de um livro pequeno e não sei ainda se o comprarei. Porém, sem dúvida alguma a descrição deste livro, que visa explicar resumidamente do que ele trata, é sensacional.

Democracia, definitivamente, é mais do que mero procedimento. Eu dedico o trecho abaixo, que descreve o livro supracitado, a todos os chavistas e bolivarianos, defensores do “kit-Chávez”, que tentam defender que existindo alguns procedimentos democráticos, existe democracia real, o que é uma falácia.

Não bastam plebiscitos e referendos para que as liberdades democráticas estejam garantidas. O bolivarianismo, ao contrário, suprime estas através daqueles. Não só na Venezuela, como na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Por tentar o mesmo em Honduras, Zelaya foi deposto.

Dito isso, confiram:

“Os princípios e valores da democracia ateniense  ‘liberdade, igualdade e solidariedade’, que se efetivaram impedindo a concentração dos poderes existentes na sociedade, podem ser encontrados ainda hoje nos sistemas institucionais das atuais democracias, porém recontextualizados por conta da diversidade e modo de organização da atividade econômica na sociedade.

Se por um lado a democracia requer respeito às normas que instituem procedimentos para conquistar o poder político e racionalizar os conflitos, por outro lado o conceito atual transcende o mero procedimento para efetivar e garantir os valores da dignidade, cidadania e justiça”.

Coluna do dia: Chávez e os riscos da Venezuela no Mercosul

02/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A comissão do Senado encarregada de julgar a entrada da Venezuela no Mercosul deu parecer favorável à inclusão do Estado Bolivariano. Como grande importador, a Venezuela tem um enorme potencial positivo para nós. Contudo, é interessante ressaltar que esses benefícios podem se transformar rapidamente em dores de cabeça terríveis e em problemas futuros que assombrarão a nossa nação por um bom tempo.

Sendo Chávez potencial Presidente eterno de seu país, a falácia de que o Mercosul está firmando parceria com o Estado Venezuelano e não com seu líder é uma balela sem tamanho e uma infantilidade imperdoável. Chávez é um elemento pernicioso política e economicamente e trará uma enorme desagregação para o bloco que já não é lá pautado por uma unidade harmônica.

Imaginar que um Presidente responsável por mergulhar seu país em uma miséria sem sentido, quando é uma terra riquíssima em petróleo e em recursos agrícolas, pode ser ouvido em um parlamento comum onde será apenas “mais uma voz” e não a voz dominante como ele sempre deseja ser é um erro que se mostrará fatal para o bloco e para a liderança do Brasil junto a seus parceiros comerciais.

Os números da Venezuela não mentem: de um país exportador de alimentos, a Venezuela pós-Chávez, é hoje um país faminto e repleto de carências alimentares. Faltam carnes, leite, cereais e outros alimentos mais básicos. A Venezuela de Chávez é um país que importa 82% de tudo o que come e que caminha para os 90% a passos largos (graças à desistência dos criadores de gado – que são vistos como bandidos capitalistas por Chávez).

Mesmo os novos projetos agrícolas venezuelanos, tocados com muito dinheiro brasileiro e com o uso em larga escala de empresas, mão–de-obra e técnicas brasileiras não serão suficientes para reduzir a dependência alimentar da Venezuela, dada a dramática destruição de seu parque agrícola e a entrega das grandes propriedades produtivas para a agricultura dos “sem terra” locais. Nessas áreas, como aqui também, a produtividade é pífia e é incapaz de fazer frente à demanda.

Julgar que um país de tantos contrastes, e com um altíssimo viés autoritário e personalista, aceitará restrições e regras impostas pelo Mercosul sem se manifestar ou sem tentar fazer uso do bloco para seus próprios fins políticos (e para a incrível necessidade que Chávez tem de aparecer a qualquer preço), não lançando o Brasil em uma barca furada sem tamanho e que terá repercussões imprevisíveis em nossa balança comercial e em nossa própria economia é muita ingenuidade.

Cabe agora ao Plenário do Senado fazer algo a respeito. Mas, diante do retrospecto desta câmara, as perspectivas são de aprovação sumária diante da esmagadora maioria governamental referendada pelo PMDB e pela pressão das empresas exportadoras, ávidas pelo mercado faminto e desesperado da Venezuela.

Resta a esperança de que um próximo governo saiba identificar os sinais da derrocada do bloco (que já nasceu morto) e saiba pular fora desse barco antes que seu naufrágio nos carregue, a todos, para o amargo fundo do poço em que a Venezuela se encontra hoje.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Chávez acha que Lula deveria continuar após 2010

31/10/2009

Disse Hugo Chávez, Presidente da Venezuela:

“Eu lamento que Lula saia e sei que no Brasil muitos também lamentam. Deixo a pergunta no ar: por que um presidente que está bem e tem 80% de popularidade tem que sair?”

Como vocês podem perceber, é enorme, para não dizer o oposto, o apreço de Hugo Chávez pela alternância de poder. Quando é assim, pouco adianta argumentar, porém, finjamos que Chávez lê o Perspectiva. Responderei a ele:

Presidente Chávez, Lula tem que sair para que a democracia seja protegida e para que a lei seja cumprida. A alteração da lei, método utilizado pelo senhor, para conseguir a autorização que o permite se reeleger indiscriminadamente, está fora de questão.

Felizmente, a sociedade brasileira reagiu mal a qualquer menção ao terceiro mandato. Além disso, é preciso ressaltar que o Presidente Lula acertou ao não tentar endurecer e brigar por mais uma reeleição, percebendo bem o mal estar que isso causaria.

No que diz respeito à democracia, saliento que o simples advento do voto não a garante. É preciso que se tenha alternância de poder, é preciso que se tenha respeito às normas, deixando de lado tentativas de usar métodos democráticos para perverter a própria democracia, é preciso que se limite o tempo no poder para evitar arroubos personalistas e patrimonialistas típicos dos monarcas e é preciso que os três poderes tenham um equilíbrio de forças entre eles.

Nada disso existe na Venezuela. E não me venham dizer que isso se dá pois a plataforma chavista é amada pela população. Afinal, mesmo que fosse, isso nunca impediu Chávez de lançar, como faz Lula, um sucessor.

O questionamento a respeito do porquê de Chávez não indicar um continuador de sua obra, o que manteria a democracia e o programa de Chávez coexistindo, partindo do pressuposto de que a população realmente ama o quase ditador, nunca é respondido.

Em resumo, Lula não pode ficar pois o Brasil não quer ser Venezuela.