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Artigo: Disputa por espaço – Merval Pereira

31/08/2010

Reproduzo aqui no Perspectiva artigo longo – mas que vale a pena ser lido – de Merval Pereira, colunista de O GLOBO. Ele aponta com competência a provável correlação de forças político-partidárias que teremos no País a partir de 1° de janeiro de 2011:

Disputa por espaço

Merval Pereira*

O presidente Lula está utilizando sua força eleitoral para transferir aos estados a mesma expectativa de poder que conseguiu no plano nacional, no qual, antes mesmo de sua candidata oficial aparecer na frente das pesquisas, já havia uma percepção generalizada entre os eleitores de que ela acabaria sendo a vencedora.

A estratégia eleitoral do presidente Lula, que vem sendo vitoriosa em relação à campanha presidencial — com sua candidata se colocando com folga à frente do candidato oposicionista —, se desdobra agora na fase regional, onde o objetivo não é fazer a maioria dos governadores, mas, sim, garantir uma maioria sólida no Senado.

Um senador vale por três governadores, avisava bem antes da reta final da eleição o próprio Lula, justificando ter aberto mão de disputar muitos governos estaduais em favor de aliados em melhores condições.

Até o momento, no entanto, as pesquisas indicam que, além de mais governadores, a oposição e os independentes dos partidos aliados estão conseguindo manter um equilíbrio de forças dentro do Senado.

O PSDB hoje aparece com possibilidade de eleger nada menos que dez governadores, sendo que está na liderança das pesquisas do Ibope nos dois maiores colégios eleitorais, São Paulo, com Geraldo Alckmin, e Minas Gerais, com Antonio Anastasia.

Pode vencer ainda em Goiás, com Marconi Perillo; no Paraná, com Beto Richa; no Piauí, com Sílvio Mendes; em Rondônia, com Expedito Júnior.

Além disso, tem boas chances no Amapá, com Jorge Amanajás; no Mato Grosso, com Wilson Santos; em Roraima, com José Anchieta Júnior; e em Tocantins, com Siqueira Campos.

O DEM lidera no Rio Grande do Norte, com Rosalba Ciarlini, e tem chance de vencer em Santa Catarina, com Raimundo Colombo, e em Sergipe, com João Alves. No Distrito Federal, por enquanto, a liderança está com Joaquim Roriz, do PSC.

No Senado, das 27 cadeiras que estão fora da disputa, por seus detentores terem mais quatro anos de mandato, nada menos que 14 são de oposicionistas ou de independentes: Marconi Perillo (Goiás) — que pode se eleger governador e colocará seu suplente Ciro Miranda Junior, também do PSDB —; Elizeu Rezende (DEM); Marisa Serrano (PSDB); Jaime Campos (DEM); Mario Couto (PSDB); Cícero Lucena (PSDB); Jarbas Vasconcellos (PMDB); Álvaro Dias (PSDB); Francisco Dornelles (PP) — que terá seu caráter independente reforçado pela chegada ao Senado de Aécio Neves; Rosalba Ciarlini, do DEM — que deve ser eleita governadora do Rio Grande do Norte e colocará em seu lugar o pai do senador Garibaldi Alves ou Ivonete Alves da Silva; Mozarildo Cavalcanti (PTB); Pedro Simon (PMDB); Raimundo Colombo (DEM) — que pode ser eleito governador de Santa Catarina e colocará em seu lugar o suplente Casildo Maldaner, do PMDB independente; Maria do Carmo Alves (PSDB); Katia Abreu (DEM).

Na nova safra de senadores a serem eleitos este ano, são os seguintes os senadores da oposição ou independentes que podem se eleger: Heloisa Helena (PSOL); Arthur Virgílio (PSDB) — que disputa a segunda vaga com Vanessa Grazziotin, do PCdoB —; Cesar Borges (PR); Tasso Jereissati (PSDB); Cristovam Buarque (PDT); Maria Abadia (PSDB) — que disputa a segunda vaga do Distrito Federal com Rodrigo Rollemberg, do PSB —; Demóstenes Torres (DEM); Lucia Vania (PSDB); Aécio Neves (PSDB); Itamar Franco (PPS); Valéria Pires (DEM); Antero Paes e Barros (PSDB).

Outros prováveis futuros senadores são Cassio Cunha Lima (PSDB da Paraíba; é o favorito, mas luta no Supremo para não ser considerado “ficha-suja”), Efraim de Moraes (DEM) — que disputa uma vaga com Vital do Rego Filho, do PMDB —; Marco Maciel (DEM) — que disputa a vaga com Armando Monteiro Filho, do PTB —; Mão Santa (PSC); Cesar Maia (DEM); José Agripino Maia (DEM); Ivo Cassol (PP); Ana Amélia Lemos (PP); Germano Rigotto (PMDB); Luiz Henrique (PMDB); Albano Franco (PSDB); e Orestes Quércia (PMDB) — que disputa uma vaga com Netinho, do PCdoB.

Como se vê, o equilíbrio real de forças no Senado continuará sendo grande, com uma pequena vantagem governista, que não garante a aprovação de questões polêmicas, e, muito menos, mudanças constitucionais que exigem quórum de 3/5 dos senadores.

Ao mesmo tempo, a presumível força eleitoral com que o PMDB sairá das urnas — deve eleger a maior bancada da Câmara e do Senado e grande número de governadores — está fazendo com que tanto governo quanto oposição comecem a negociar alianças para neutralizá-lo.

O PMDB pode eleger até nove governadores, sendo que dois deles — André Pucinelli, do Mato Grosso do Sul, e José Fogaça, do Rio Grande do Sul — são independentes e não estão envolvidos na campanha de Dilma Rousseff.

O partido deve eleger ainda Roseana Sarney no Maranhão, Sinval Barbosa no Mato Grosso, José Maranhão na Paraíba, Sérgio Cabral no Rio de Janeiro e Carlos Gaguim em Tocantins.

E tem chances também em Minas Gerais, com Hélio Costa, e em Rondônia, com Confúcio Moura.

Esse poder todo está movimentando não apenas a base petista, que sabe que vai ter que dividir realmente o poder, inclusive a distribuição de cargos, com o PMDB, mas também a base governista mais ampla, que teme que não sobrará espaço para mais ninguém com a disputa entre PT e PMDB.

O PSB, que deve eleger pelo menos três governadores — Cid Gomes no Ceará, Eduardo Campos em Pernambuco e Renato Casagrande no Espírito Santo —, é o mais preocupado em ganhar espaço para negociar e já propõe uma união entre PT, PSDB e PSB para se contrapor ao PMDB.

O ex-governador Aécio Neves — que terá sua liderança reforçada se conseguir eleger seu candidato Antonio Anastasia — prevê que a polarização com o PT continuará, e pretende fazer uma aliança do PSDB com PDT, PSB, PPS, DEM e mais PP, PTB e parte do PMDB, para disputar com o PMDB oficial e o PT o comando do Senado.

Pode ser que uma onda governista altere esse quadro, mas até o momento isso não aconteceu.

Datafolha: Resultado das últimas pesquisas para o Senado

18/08/2010

Saíram os resultados da pesquisa Datafolha sobre a disputa  ao Senado em alguns Estados.

Vamos aos números:

Rio de Janeiro

Marcelo Crivella (PRB) – 40%

Cesar Maia (DEM) – 33%

Lindberg (PT) – 22%

Jorge Picciani (PMDB) – 14%

Marcelo Serqueira (PPS) – 6%

Waguinho (PTdoB) – 6%

São Paulo

Marta Suplicy (PT) – 32%

Orestes Quércia (PMDB) – 25%

Romeu Tuma (PTB) – 23%

Netinho de Paula (PCdoB) – 17%

Ciro Moura (PTC) – 15%

Minas Gerais

Aécio Neves (PSDB) – 68%

Itamar Franco (PPS) – 47%

Fernando Pimentel (PT) – 20%

Paraná

Roberto Requião (PMDB) – 49%

Gleisi Hoffman (PT) – 31%

Roberto Barros (PP) – 15%

Gustavo Fruet (PSDB) – 13%

Rio Grande do Sul

Germano Rigotto (PMDB) – 43%

Ana Amélia (PP) – 35%

Paulo Paim (PT) – 35%

Pernambuco

Humberto Costa (PT) – 40%

Marco Maciel (DEM) – 35%

Armando Monteiro (PTB) – 25%

Raul Jungmann (PPS) – 12%

Distrito Federal

Cristovam Buarque (PDT) – 44%

Rodrigo Rollemberg (PSB) – 30%

Maria de Lourdes Abadia (PSDB) – 29%

Alberto Fraga (DEM) – 11%

Gabeira admite faltar dinheiro para campanha

15/07/2010

Informa o Globo:

“Em busca dos votos do interior, o candidato ao governo do Rio pelo PV, Fernando Gabeira, visitou ontem Cabo Frio e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, em seu primeiro ato oficial de camapanha ao lado dos postulantes ao Senado de sua chapa, Cesar Maia (DEM) e Marcelo Cerqueira (PPS).

Na inauguração de comitês locais, Gabeira disse que concentrará sua campanha na Região Metropolitana, onde estão 75% dos eleitores, mas em equilíbrio com o interior do estado, onde estão os outros 25% dos votos.

Para isso, ele afirmou que sua estratégia será estar presente nas cidades mais distantes da capital, além de apostar nas propagandas de TV, rádio e internet.

Gabeira reconheceu dificuldades financeiras, neste início de campanha, para realizar essas ações (propagandas e viagens).

— A questão financeira é difícil. Estamos gastando o mínimo possível — explicou ele, após dizer que um dos motivos da visita a Cabo Frio também era conseguir um carro emprestado para sua campanha.”

Enquanto isso, na campanha de Sérgio Cabral (PMDB) sobram recursos. Inclusive para auxiliar a campanha ao Senado do aliado Jorge Picciani.

Por que será?

São as maravilhas de se estar no poder.

Índio da Costa (Dem-RJ) será o Vice de José Serra

30/06/2010

Informa o Portal G1:

“O DEM anunciou nesta quarta-feira (30) que o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) será o vice na chapa de José Serra (PSDB) à presidência da República.

Antes de ser anunciado como vice, ele tentava acalmar a crise entre o PSDB e o DEM, desencadeada com o anúncio do tucano Álvaro Dias como vice de Serra, nome que não havia sido aprovado pelo DEM: ‘Conveção Nacional do DEM hoje garantirá apoio ao Serra’, afirmava em sua página no twitter pela manhã.

[...]

Foi três vezes vereador do Rio de Janeiro antes de se eleger deputado federal em 2006. Índio da Costa foi o relator do grupo de trabalho que analisou o projeto ficha limpa, que impede as candidaturas de políticos com condenações judiciais em órgãos colegiados.

Em 1993, primeiro mandato de Cesar Maia na prefeitura do Rio, foi assessor do Gabinete do Prefeito. Foi Secretário Municipal de Administração nos outros dois mandatos de Maia, em 2001 e 2005. Ele saiu da função ao se eleger deputado.

Índio da Costa se filiou ao antigo PFL, atual DEM, em 1995, seguindo os passos de Cesar Maia, que havia deixado o PMDB. Os dois saíram do PFL em 1999, e filiaram-se ao PTB. Em 2001, voltaram ao PFL. Cesar Maia é pai do deputado Rodrigo Maia (RJ), atual presidente do DEM. O anúncio do nome de Índio da Costa foi feito por Rodrigo após uma reunião com Serra, em São Paulo.”

Este blog afirmou categoricamente desde o ano passado que o candidato tucano seria José Serra e que o Vice seria do Democratas.

Quando Álvaro Dias foi anunciado como Vice, alguns leitores me enviaram e-mails comentando a suposta falha de minha previsão. Uns o fizeram de forma educada, outros nem tanto.

Pois bem. Parece que agora tudo está em seu devido lugar.

A previsão era simples: O PSDB paulista nunca apoiaria Aécio em detrimento de Serra e a seção paulista controla o tucanato. No caso do Democratas, se o PSDB tentasse preterir o partido na chapa, como tentou, a legenda ameaçaria deixar o barco, como ameaçou, e o PSDB perceberia que estava correndo risco de perder o tempo de televisão democrata, como percebeu.

No fim das contas, a crise apenas serviu para atrapalhar mais ainda a vida de Serra, que já tem um desafio enorme pela frente: Vencer a candidata biônica do Presidente mais popular da história.

Marcelo Crivella e Cesar Maia lideram com folga corrida para o Senado no Rio

01/06/2010

O Sindicato dos condutores da Marinha Mercante encomendou pesquisa ao Ibope sobre a corrida para o Senado no Rio de Janeiro. Ela foi realizada recentemente e tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

1° Voto

Marcelo Crivella (PRB) – 26%

Cesar Maia (DEM) – 24%

Lindberg Farias (PT) – 8%

Jorge Picciani (PMDB) – 4%

Marcelo Cerqueira (PPS) – 2%

Vaguinho (PT do B) – 2%

1° e 2° Votos somados

Marcelo Crivella (PRB) – 40%

Cesar Maia (DEM) – 37%

Lindberg Farias (PT) – 13%

Jorge Picciani (PMDB) – 10%

Marcelo Cerqueira (PPS) – 4%

Vaguinho (PT do B) – 4%

Manoel Ferreira (PTB) – 4%

Fica claro que o cenário está propício para a reeleição do Senador Marcelo Crivella (PRB) e para a eleição do ex-Prefeito carioca Cesar Maia (DEM), visto que cada estado elegerá dois senadores este ano.

Na realidade, o quadro parece melhor para Maia do que para Crivella, já que, embora o segundo esteja na frente, o primeiro terá um candidato a Governador – Fernando Gabeira – apoiando seu nome.

Crivella está sozinho. Não há espaço para ele na chapa do Governador Sérgio Cabral, ocupada por Jorge Picciani e Lindberg Farias. Também não é possível se aliar a Anthony Garotinho, pois o Pastor Manoel Ferreira já estará ao lado do ex-Governador buscando o público evangélico, o mesmo de Crivella.

Além disso, a falta de alianças faz Crivella ter pouco tempo de televisão. Quem sabe esta pesquisa torna-se argumento para que Crivella busque ocupar espaço na chapa de Garotinho e empurre Manoel Ferreira para uma candidatura a Deputado Federal.

No fim das contas, Lindberg e Picciani ainda sonham em tomar o lugar de Crivella e Cesar Maia, que tem um histórico de avanços na intenção de voto durante as campanhas, caminha a passos largos para a vitória.

Muita água ainda passará por debaixo da ponte, mas desenha-se um cenário onde Cesar Maia elege-se e Crivella, forte eleitoralmente mas fraco politicamente, é ameaçado por Picciani e Lindberg.

A ver.

Pesquisa Vox Populi: Cabral lidera no Rio – Gabeira ultrapassa Garotinho

20/05/2010

O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa de intenção de voto referente à corrida para o governo do Rio de Janeiro. A pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes e realizada entre 8 e 11 de maio, tendo 3,5 pontos percentuais de margem de erro para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Sérgio Cabral (PMDB) – 41%

Fernando Gabeira (PV) – 19%

Anthony Garotinho (PR) – 18%

Outros e indecisos – 22%

Fernando Gabeira ultrapassou o ex-Governador Anthony Garotinho. A expectativa do verde é estar em um eventual segundo turno.

Sérgio Cabral segue favorito e de olho na artilharia pesada que Garotinho ameaça utilizar contra ele.

A migração dos votos de parte dos eleitores de Garotinho e as denúncias contra Cabral são alguns dos elementos que podem fortalecer Gabeira se ele chegar ao segundo turno.

Cabral tentará matar a eleição no primeiro.

Curiosamente, os antigos aliados e hoje desafetos Cabral e Garotinho estarão ambos com Dilma Rousseff.

Gabeira será o melhor palanque estadual de Marina Silva.

Caberá ao ex-Prefeito democrata Cesar Maia, concorrendo ao Senado, fazer o palanque de José Serra.

Sacramentada aliança DEM-PSDB-PPS-PV no Rio: Gabeira e Maia estarão juntos

02/05/2010

Depois de alguma resistência por parte de alguns nomes de médio relevo do PSDB e do PV fluminenses, foi sacramentada a aliança entre o Democratas, o PSDB, o PPS e o PV do Rio de Janeiro em torno das candidaturas de Fernando Gabeira (PV) ao governo do estado e de Cesar Maia (DEM) ao Senado. Gabeira aparece em terceiro nas pesquisas, próximo de Anthony Garotinho. Maia lidera ao lado de Marcelo Crivella as pesquisas para o Senado.

A chapa será completa com Márcio Fortes (PSDB) como Vice de Gabeira e com a outra vaga de candidato a Senador sendo entregue para o PPS.

Em suma, repete-se a aliança que quase deu a vitória na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro para Fernando Gabeira e soma-se a ela o grupo político de Cesar Maia e do Democratas fluminense, que tem capilaridade, força e densidade eleitoral herdadas do bom momento vivido durante os 16 anos ocupando a Prefeitura do Rio, 12 com Cesar Maia e 4 com Luiz Paulo Conde, hoje rompido com o DEM e membro do grupo político do ex-Governador Anthony Garotinho, que concorrerá com Gabeira.

Os Democratas contribuem, além disso, com um bom tempo de televisão, indispensável para que Gabeira tenha chances de triunfo.

A aliança traz também o Deputado Federal Rodrigo Maia, atualmente um dos homens fortes da candidatura de José Serra à Presidência, por ser Presidente nacional do Democratas.

Se por um lado isso demonstra força, por outro trará a necessidade de um bom arranjo entre as partes, visto que enquanto os candidatos ao Senado farão palanque para Serra, Gabeira louvará, pelo menos no primeiro turno, a candidata de seu partido, Marina Silva.

No fim das contas, o cenário fluminense oporá três grupos: A união entre o grupo político do atual Governador Sérgio Cabral e o grupo político do atual Prefeito da capital Eduardo Paes, o grupo político do ex-Governador Anthony Garotinho e a união entre a aliança PV-PSDB e o grupo político de Cesar Maia, com o PPS a reboque.

Cabral é forte candidato, até por ter a máquina pública nas mãos, mas não apresenta em pesquisas de intenção de voto um patamar tão bom quanto o de outros governadores que tentarão a reeleição. Isso dá esperanças para Anthony Garotinho, que já lidera no interior do estado, e principalmente para Fernando Gabeira que, além de liderar na capital, não têm os esqueletos no armário que Garotinho tem.

A eleição fluminense será uma de três vias onde o desempenho de campanha será crucial.

Ao contrário de São Paulo e assim como em Minas, não há definição.

Coluna do dia: Receita para salvar o povo do dilúvio

09/04/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam os muitos especialistas que têm desfilado na televisão nos últimos dias. Deixem de lado os discursos de Cesar Maia, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Fechem os ouvidos quando perceberem que Lula vai começar a discursar. Eles não sabem de nada! Se é para resolver os problemas decorrentes das chuvas descomunais que estão assolando o Rio de Janeiro, o negócio é dar ouvidos a este colunista aqui.

Tenho a receita mais eficaz – a única receita possível, aliás – para que nenhum deslizamento de terra volte a causar tragédias como as que temos visto todos os dias nos telejornais. E é muito simples: o Estado precisa retirar das áreas de risco todos os que lá estiverem. Retirar, eu disse. Não basta declarar que a área é “de risco”. Nem colocar abrigos “à disposição” do povo. Nada disso! Tem que retirar mesmo. Na marra, se for o caso. Chegar lá no morro com a Defesa Civil, os Bombeiros, um punhado de assistentes sociais e, se for preciso, a Polícia Militar. Tudo pra garantir que ninguém resista à ação do Estado. E quem resistir? Que seja preso, oras.

“Ah, mas onde o governo vai colocar tanta gente?” Num primeiro momento, em abrigos públicos. Depois, seria preciso encontrar uma solução definitiva, possivelmente construindo moradias populares em locais que não desmoronem toda vez que São Pedro acordar de mau humor.

Viram? É tudo muito simples. Então, por que diabos nenhum político fez – ou pretende fazer – isso? Bem, porque a ação toda seria considerada muito impopular. Vou além: no Brasil atual, onde impera uma violenta inversão de valores morais, um plano de ação como o descrito acima seria considerado “fascista”, “reacionário”, “de direita”.

Imaginem como a tal “opinião pública” reagiria ao ver o Estado subindo o morro para retirar, à força, centenas de pessoas de suas casas precárias e pobres. Imaginem ainda o estardalhaço que não fariam quando os tratores do Estado colocassem abaixo as bandolas que povoam os morros cariocas. A cena de “dona Mariazinha” chorando em rede nacional ao ver seu “pequeno barraquinho” sendo desmontado iria correr o País, sensibilizando esses valorosos humanistas que defendem o direito que os pobres têm de morar em áreas de risco… E o governo? Bem, seria “autoritário” e “eugenista”…

Foi o que se viu quando o governo de São Paulo, primeiro com Alckmin, depois com Serra, tentou retirar os mendigos das ruas. Lembram do tal padre Júlio Lancelotti? O sujeito, que cordena um troço chamado “Pastoral do Povo da Rua”, disse que lutava pelo direito que os mendigos tinham de ficar na… rua! Não é fascinante?

Da mesma forma, bastou Kassab construir bancos feitos para sentar, que os “humanistas” logo trataram de acusá-lo de fazer “bancos anti-mentigo”. Nota-se, pois, que esses valentes querem “bancos pró-mendigo”, não é mesmo?

Se o Estado, valendo-se do poder de polícia, tratasse de retirar as pessoas dos morros cariocas, a gritaria “humanista” rapidamente se repetiria. E, considerando que essa turma “solidária” consegue mobilizar muito bem a imprensa e as milícias do “pogreçismo”, o estardalhaço seria tão grande que fica fácil entender por que os políticos daqui, tão preocupados com projetos pessoais de poder, não têm peito para encarar de frente o problema.

A única maneira de resolver de vez a questão é essa. Qualquer outra coisa é mero paliativo, que será literalmente soterrado no próximo deslizamento de terra.

Querem resolver o problema? Esqueçam a gritaria dos “humanistas” da miséria, que defendem o direito que os pobres têm de continuarem… pobres! Essa gente pensa apenas no próprio umbigo: eles precisam de um oprimido para chamar de seu, caso contrário perdem a razão de ser. Se ninguém mais morar nos morros, como ficariam as ONGs que tentam melhorar a vida dos que moram nos morros? Se ninguém mais mendigar nas ruas, como ficam os “valorosos” do padre Júlio? Não! Essa gente não quer saber de resolver os problemas de ninguém! Eles querem mais é que os pobres continuem morando precariamente e sendo soterrados de vez em quando. Assim, a cantilena aborrecida que opõe uma elite-rica-que-mora-bem aos pobres-oprimidos-que-moram-mal pode continuar sendo repetida infinitamente.

Para resolver de vez o problema é preciso fazer o exato oposto daquilo que os “especialistas” e os “humanistas da miséria” pregam. Querem que os morros sejam urbanizados? Bobagem! O negócio é tirar as pessoas de lá. Querem que a população seja conscientizada sobre os riscos de morar nas encostas? Besteira! Um aviso amigável e, depois, polícia!

Mas para isso é preciso alguém que não tenha receio de ser chamado de “fascista, eugenista, reacionário e direitista”, o que não é nada fácil, principalmente num País como este, onde o consenso que impera é progressista e politicamente correto. Aqui, se você quer tirar os mendigos das ruas, é um “fascista”. Humano e progressista é deixá-los ao relento, pedindo esmolas.

Pelo visto, muitos outros deslizamentos ainda vão acontecer nas grandes metrópoles brasileiras.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Rio: Lindberg vence prévias contra Benedita e disputará Senado pelo PT

29/03/2010

Informa o Globo:

“O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, foi declarado vencedor das prévias do PT do Rio para escolher o candidato do partido a uma vaga no Senado. O prefeito derrotou a secretária estadual de Assistência Social Benedita da Silva.

O resultado foi anunciado na noite deste domingo pelo presidente do diretório regional do partido, deputado federal Luiz Sérgio.

Até as 21h30m, dos 27.636 votos (99,9% do total), 18.546 (67,1%) foram para Lindberg. A secretária estadual de Assistência Social e de Direitos Humanos, Benedita da Silva, naquele horário, tinha 9.090 (32,9%). As parciais indicavam ainda 78 votos em branco e 73 nulos.

- Eu não esperava a diferença tão grande, o resultado surpreendeu – disse o prefeito de Nova Iguaçu ao saber do resultado. “

Se por um lado Lindberg Farias é Prefeito reeleito de Nova Iguaçu, região metropolitana do Rio, e, portanto, testado em eleições majoritárias, por outro lado, ele nunca disputou uma eleição majoritária que envolvesse o eleitorado do interior fluminense e, principalmente, o da capital, tendo sido eleito com votos do município do Rio de Janeiro apenas para cargos onde a disputa é proporcional.

Sendo assim, no que diz respeito à abrangência estadual, Lindberg é uma incógnita. Pode terminar por ser um candidato nanico, mas pode também surpreender e ir bem.

As chances de vitória são poucas: As duas vagas provavelmente serão preenchidas por Marcelo Crivella (PRB) e Cesar Maia (DEM), líderes das pesquisas com folga.

Aliás, levando em conta as pesquisas, Benedita teria vencido as prévias. Seus índices de intenção de voto chegam a ser maiores que o dobro dos de Lindberg.

Parece que, em detrimento das chances de sucesso do momento, o PT fluminense resolveu mostrar à cúpula nacional do partido que está cansado de ser dominado arbitrariamente.

Benedita era apoiada pela Direção Nacional.

Cabe agora ao PT fluminense trabalhar e torcer para que Lindberg se mostre viável.

Se ele não o for, ouvirão da cúpula nacional um sonoro “não te disse?”.

Candidatura de Serra já está confirmada: Tucanos avaliam hora ideal para lançamento

14/02/2010

Informa o Globo:

“Diante do quadro favorável nas pesquisas para o governador José Serra (PSDB), resta apenas para a direção do partido saber até que ponto é possível esticar a corda em relação ao momento ideal para lançar a candidatura do tucano à presidência da República. Reportagem de Flavio Freire publicada na edição deste domingo do GLOBO mostra que a cúpula do partido prefere evitar uma exposição desnecessária do governador nesta reta inicial. A direção tucana estaria atendendo ao apelo do governador, que rechaça a tese de que o lançamento da candidatura apenas em março ou abril favoreceria a campanha da ministra de Dilma Rousseff (PT).

- A nossa campanha, neste momento, é a de não dar pretexto a ninguém sobre a candidatura. Não faz sentido expor o Serra por aí. Claro que Serra já é o candidato, disso não há dúvidas, mas a hora é de preparar nossa base para a campanha deste ano – diz o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

A ofensiva da campanha petista, porém, acendeu a luz amarela no campo oposicionista, principalmente após a divulgação da recente pesquisa CNT/Sensus. Nela, Dilma cresceu cinco pontos percentuais, e aparece tecnicamente empatada com Serra. Ainda assim, o PSDB não pretende tentar forçar a entrada antecipada do tucano na disputa. “

Ao que parece, a candidatura de José Serra já está mais do que confirmada, restando apenas saber o momento do lançamento oficial desta.

Sendo assim, a hesitação do Governador paulista em assumir-se como candidato a Presidente não seria sinal de possibilidade de desistência, e sim estratégia de campanha: Serra quer enfrentar Dilma Rousseff, e não o governo Lula.

Resta saber se esta estratégia é correta: Serra prega que a espera é acertada, por conta de evitar desgastes e embates com um Lula ainda em alta e muito popular, visando a entrada na briga apenas quando o foco já estiver totalmente em cima de Dilma Rousseff e Lula se encontrar em baixa natural pela saída do poder.

Enquanto isso, há quem diga que sem embate, Dilma tem atualmente uma avenida onde desfila sozinha. Segundo estes, é por esse motivo que a Ministra se aproxima de Serra nas pesquisas.

Pelo visto, prevalecerá o entendimento do candidato. Serra é o presidenciável tucano, mas esperará o quanto achar necessário para se apresentar como tal ao povo brasileiro.

E os que não concordam com a demora esperarão de qualquer forma. Serra lidera as pesquisas e é o presidenciável. Portanto, submete os que não aprovam sua estratégia aos seus ditames.

Só uma compreensão parece unânime na oposição: Apresentando-se como candidato rapidamente ou não, Serra tem que assumir e acelerar a articulação de seus palanques regionais.

O Governador agiu nesse sentido, pelo menos, no Rio. Mas precisa intensificar a atuação segundo quase todos os oposicionistas.

Outra questão a ser acompanhada é a que diz respeito ao Vice de Serra. Muitos ainda acreditam que podem convencer Aécio Neves. Até agora têm retornado mensagens negativas.

Se o Governador mineiro não acompanhar Serra na chapa, o Vice será indicado pelos Democratas. José Agripino Maia (RN), Ronaldo Caiado (GO), Cesar Maia (RJ) e Jorge Bornhausen (SC) são cotados. O primeiro é apontado nos bastidores como nome mais forte por trazer o Nordeste para a chapa.

A ver.