Por Jessica Riegg*
Antes de mais nada, leiam parte de um pronunciamento do Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, proferido em São Paulo, no último dia 9:
“Quase 70% de tudo que se arrecada no país ficam sob a guarda direta do governo central.
Como, então – pergunto – ser o país das oportunidades, se elas florescem distantes de Brasília, mas é lá que permanecem os recursos, submetidos a uma única lógica e poder de decisão?
Tenho dito que precisamos de um projeto nacional que liberte das amarras não apenas o Brasil do Sudeste, mas o Brasil do Norte e do Nordeste, do Sul e do Centro-Oeste.
E que nos permita, de forma descentralizada, transformar nossas riquezas em bens sociais, renda, oportunidades, e desenvolvimento.”
Segundo o Governador, ainda na briga interna do partido para disputar as próximas eleições para a Presidência, há muito que ser mudado no País. E ele tem razão. Ele deu uma sugestão: a de liberar os estados uns dos outros, o que de certa forma vai contra os ideais socialistas promovidos pelo atual Presidente Lula.
Discordo da posição adotada pelo Governador, já que o Brasil é um País federativo e dever tratar os seus estados de uma forma igual. Pensem comigo: se cada estado estiver sozinho, São Paulo vai crescer cada dia mais e o Acre vai se tornar um estado cada vez mais desigual, onde os donos dos grandes latifúndios enriquecem enquanto o resto da população passa por necessidades.
Os países da União Européia estão promovendo uma aproximação entre eles, sendo que a UE recebe fundos de cada país para redistribuir entre os menos desenvolvidos. O Brasil, sendo um único País, não faria uma redistribuição da renda para priorizar investimentos nas regiões/estados menos desenvolvidos?
Porque o nosso País então retrocederia nesse processo? A tendência do mundo globalizado é a diminuição das barreiras econômicas, fiscais e, em certo ponto, físicas. O Brasil deve seguir essa linha de raciocínio. Com o aumento da renda nos estados menos desenvolvidos, o mercado de consumo brasileiro vai se ampliar, favorecendo a indústria nacional, pois os seus produtos não estariam dependentes de variações nas tarifas alfandegárias, taxa de câmbio ou movimentos políticos que promovem a criação de barreiras à importação dos nossos produtos.
Já que o mercado interno está mais amplo, poderiam vender seus produtos com mais robustez, dentro do País.
*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva Política aos domingos