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Coluna do dia: Porte de armas – Autodefesa ou Perigo? (Parte III)

22/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

O cerceamento, e consequente proibição, do porte de armas é uma das muitas manifestações modernas da destruição do Homem frente a um Ente Absoluto, Universal, Genérico, Total, o Estado-Deus.

Que fique entendido aqui que não sou um Liberal e nem um Individualista. Apenas exponho os fatos como eles o são.

Muito acertadamente, Carl Schmitt afirmou, em ‘Teologia Política’, que todos os conceitos políticos são ideias teológicas secularizadas.

O Estado Moderno é o repositório de todas as aspirações humanas, e portanto, cabe a ele, por meio de sua “intervenção divina” “salvar” a todos os seus “filhos”. A atitude que se espera que o cidadão tenha frente ao Estado é a mesma que se espera que o Homem tenha frente ao Deus Abrahâmico. O Homem deve permanecer em um perpétuo estado de perplexidade passiva, impotente para realizar o que quer que seja sem as bênçãos de seu Senhor, adorando-o como única fonte de solução para todos os problemas, e amaldiçoando-o por todos os males pessoais. É o paternalismo.

Já vimos a importância do porte de armas para a defesa nacional e para a defesa pessoal. Ora, leitores, as últimas considerações já feitas nos revelam uma terceira importância, a qual ouso dizer ser a principal (não esconderei minhas ligeiras simpatias anarquistas).

Como muito bem sabia Thomas Jefferson, um dos Pais Fundadores dos EUA e, indubitavelmente, um grande militante pela autêntica Liberdade, o Homem deve poder portar Armas, para que ele possa se defender do próprio Estado, quando este se transforme em Tirania e se volte contra a própria Sociedade.

Não há qualquer exceção ao longo da História. Todo Estado Moderno ou Contemporâneo a banir Armas, ou era uma Tirania ou está/estava em vias de se tornar uma Tirania. Toda Tirania proíbe o porte de Armas. E sim, incluo nessas relações a Grã-Bretanha e os demais países da União Europeia, pois os que acompanham os desenvolvimentos sociais europeus não podem negar que a Europa caminha na direção de uma tirania abjeta.

Aos que duvidam, me expliquem as onipresentes câmeras de vídeo. Me expliquem as prisões dos que não acreditam no Holocausto. Me expliquem a perseguição arbitrária de partidos nacionalistas. Me expliquem a entrada de vários países na União Européia após plebiscitos nos quais os habitantes desses países rejeitavam a entrada (como nos países escandinavos, por exemplo). Me expliquem a ratificação do Tratado de Lisboa contra a vontade de boa parte da população de vários países (como por exemplo dos portugueses).

Porém, só posso parafrasear Jefferson novamente e dizer: “A árvore da Liberdade deve ser regada de tempos em tempos, tanto com o sangue de patriotas como de tiranos”.

Ah! E aos pequeno-burgueses alienados e pacifistas, que defendem a destruição do Homem frente ao Estado por meio da proibição do porte de Armas, sob a desculpa sofística e esfarrapada de que tal medida serve para diminuir a violência, me explicai então porque os dois países com o maior percentual de civis com porte de Armas são exatamente Suíça e Finlândia, e não África do Sul e Haiti.

Sem mais.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.