Postagens com a palavra-chave ‘Carisma’

Campanha presidencial petista tentará “humanizar” Dilma

04/04/2010

Informa o Estadão:

“Do Palácio do Planalto para a planície, Dilma Rousseff será apresentada ao eleitorado, a partir desta semana, longe da garupa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia do PT para a primeira etapa da campanha da ex-ministra da Casa Civil é ‘humanizar’ a candidata e mostrá-la como mulher comum, que tem família e amigos.”

Se a campanha presidencial petista conseguir dar um toque de carisma à ex-Ministra Dilma Rousseff, estará praticamente ganha a eleição. Lula conseguirá eleger sua sucessora.

Digo isso pois a fraqueza política e a falta de simpatia da candidata são justamente os pontos que mais ou menos equilibram a disputa entre Dilma Rousseff e José Serra.

Se a petista ganha por ter Lula ao seu lado, perde por nunca ter concorrido a um cargo eletivo, ser desconhecida da população brasileira e carregar a fama de autoritária, mandona e antipática.

Portanto, se Dilma for “humanizada”, será difícil tomar dela a eleição. Afinal, todo o resto está a seu favor.

Fosse o candidato petista um nome mais forte, o PSDB já poderia estar dando adeus às eleições. Não está sendo apresentado um nome mais forte e o PSDB ainda alimenta esperanças por conta do fato de todos os ex-postulantes petistas à sucessão de Lula terem sido queimados em escândalos.

“Humanizar” Dilma é o que sobrou.

Resta saber se é possível “humanizar” Dilma.

A ex-Ministra, obviamente, já é um ser humano. Mas tornar-se um ser humano carismático e com apelo emocional já são outros quinhentos.

Para Dilma devem ser uns outros mil.

‘Le Monde’ escolhe Lula como ‘homem do ano 2009′

26/12/2009

Informa o Globo a respeito do fato de o jornal francês Le Monde ter escolhido o Presidente Lula, principalmente por conta de seu destaque no cenário internacional, o homem do ano:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito o ‘homem do ano 2009′ pelo jornal francês ‘Le Monde’. É a primeira vez que o veículo decide conferir a honraria. No começo do mês, o jornal espanhol ‘El País’ também concedeu a Lula a mesma homenagem.

Em uma reportagem que ocupa a capa e quatro páginas da revista semanal do jornal, a publicação francesa diz que Lula mudou a cara da América Latina e transformou o Brasil em uma potência. O jornal ressalta ainda seu histórico de sindicalista, sua luta contra as desigualdades e a defesa do meio ambiente.

Entretanto, a edição do jornal publicada nesta quinta-feira (24) cita os recentes escândalos de corrupção, casos de nepotismo e a desigualdade no país.”

A reportagem do jornal francês Le Monde soube, ao mesmo tempo em que elogiava o carisma de Lula e os avanços conquistados pelo Brasil em seu governo, que devem mesmo ser elogiados, citar as mazelas que ainda persistem em nosso País, que precisam mesmo ser ressalvadas.

Elogiou o que entendeu como devido e criticou o que entendeu como necessário.

Essa é a linha almejada pelo Perspectiva. Por isso ficam aqui registrados os parabéns deste que vos fala ao periódico.

Análise: A aprovação da reforma do sistema de saúde americano e o governo Obama até aqui

25/12/2009

Informa o Estadão:

“O Senado norte-americano aprovou um projeto de reforma para o sistema de saúde de US$ 871 bilhões, que prevê a extensão de seguro-saúde para 31 milhões de norte-americanos. A aprovação deixa a principal prioridade do presidente dos EUA, Barack Obama, um passo mais próxima da realidade.

Como esperado, o projeto foi aprovado com o placar de 60 a 39, com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, presidindo a votação. Os 58 senadores democratas e dois independentes votaram a favor da reforma, enquanto todos os 39 republicanos votaram contra.

O líder da maioria no Senado, Harry Reid (democrata de Nevada), forjou um compromisso há apenas alguns dias que garantiu o apoio suficiente para que a medida atingisse os 60 votos e assim não precisasse sofrer um adiamento. O produto final do compromisso de Reid fez pouco para acalmar os liberais, que queriam a inclusão de um plano de seguro-saúde administrado pelo governo, mas ganhou apoio importante de centristas, como Ben Nelson (democrata de Nebraska), que até então estavam em cima do muro.

As linhas gerais do projeto continuaram de maneira geral consistentes. Ele propõe a criação de um sistema extensivo de créditos fiscais para pessoas de renda média e baixa para a compra de seguros-saúde em ‘bolsas’ estatais, a partir de 2014. As pessoas físicas terão de ter seguro, bem como todas as empresas, menos as pequenas.

O projeto também tornaria o Medicaid, um programa estatal de assistência de saúde para famílias de baixa renda, disponível para um número maior de pessoas.

A aprovação do projeto no Senado vem após a Câmara dos EUA aprovar sua própria versão do projeto em 7 de novembro. Os dois lados tentarão agora conciliar seus projetos numa conferência, que deverá começar quando os congressistas voltarem a Washington em janeiro.”

A reforma do sistema de saúde americano é uma das grandes bandeiras do governo de Barack Obama. O Presidente americano, fenômeno de popularidade e detentor de uma oratória fulminante, tem visto seu sucesso se reduzir com o passar dos meses de sua gestão e confia que a mudança, para melhor, da saúde do povo americano pode lhe devolver o status de mito. Obama já mira a reeleição em 2012.

Este mesmo que vos fala foi e é um entusiasta de Barack Obama. Como político, mas não como Presidente.

O Presidente americano trouxe os valores e os princípios, a mobilização da juventude e a confiança das massas, tudo isso baseado em uma enorme capacidade de oratória e em uma inteligente retórica. Em resumo, Barack reviveu importantes máximas que estavam distantes da política. Portanto, como político, é extraordinário.

Contudo, a Presidência de qualquer país requer mais do que capacidade política, carisma e oratória. É preciso gestão. É necessário unir discurso e ação. E é aí que Obama ainda configura uma dúvida. Seu governo ainda não empreendeu nada de concreto que tenha o tamanho da promessa Obama.

Digo tudo isso pois a reforma do sistema de saúde americano pode representar, finalmente, uma ação de grande magnitude do atual governo democrata. Obama poderá, com ela, mostrar para o mundo que não só fala, mas faz.

Se a reforma for aprovada de vez e configurar um sucesso, terá Obama atendido, pelo menos de certa forma, parte das expectativas de muitos, entre eles este blogueiro.

Por outro lado, se a reforma não sair como planejada, ou for um fracasso, Obama estará mais perto ainda de ser uma das maiores frustações da história recente.

A ver.

Lula é “o cara” não só por ele, mas pelo Brasil como um todo

05/04/2009

Recentemente, o Presidente americano Barack Obama disse que Lula era “o cara”. A repercussão do fato foi grande, até porque Obama, espirituoso, afirmou que isso se dava pelo fato do Presidente ser “boa pinta”.

Obviamente, até pelo fato de Obama ser ainda, mesmo depois do desgaste do início do governo, uma voz muito popular, Lula capitalizou politicamente os elogios de Obama. E não há o que ser criticado. Lula está certo em capitalizar, agradecendo a Barack pelos elogios expressados.

Algumas pessoas da oposição dizem que Obama debochou de Lula com classe. Eu acho que não. Acredito que Obama falou sério, o que não quer dizer que ele não tenha interesses envolvidos na declaração que fez e é este ponto que deve ser observado com cuidado.

Na minha opinião, é fato que Obama simpatizou com Lula, o Presidente realmente é carismático, porém, não acredito que os elogios tenham sido de graça. Eles vieram, provavelmente, pelo interesse que os Estados Unidos tem em relação ao Brasil. Como diria o ditado, “países não têm amigos, têm interesses”.

Em resumo, não acho que Obama debochou de Lula, ou que ele tenha fingido gostar do nosso Presidente. Provavelmente deve mesmo ter simpatizado, porém, é inegável que Barack Obama não falaria isso de graça. Ele deveria, sim, querer com isso, aproximar o Brasil de suas posições, conquistando a simpatia de Lula, o que foi conseguido pelo visto, já que dizem que Lula ficou flutuando com os elogios.

O Brasil é, hoje, uma democracia respeitável e um parceiro importante para os Estados Unidos. Um país que tem grande potencial e que logo terá um dos mais importantes mercados consumidores do mundo. Sendo assim, acho que fica claro que, por mais que Lula tenha, sim, seus méritos, e também o direito de capitalizar politicamente os elogios, eles não vieram apenas por ele ser entendido como “o cara” por um Obama simpático, e sim, pelo que o Brasil representa como um todo, sendo Lula, representante disso, e não, personificação.

Lula só pôde ser “o cara” pelo que é o Brasil hoje. Um país que tem mazelas graves, mas que tem avanços reconhecidos internacionalmente. Avanços esses que, em grande parte, aconteceram na era Lula, mas que, porém, não aconteceram exclusivamente nessa era. Muitos outros presidentes, como até mesmo inimigos políticos de Lula, contribuíram para que ele pudesse ser chamado de “o cara” por Obama.

A compostura do Presidente

24/03/2009

Algumas vezes comentei aqui que o homem público, se não precisa ser engessado, também não pode perder a compostura, afinal, representa não só a si próprio mas a todos que o elegeram.

No caso dos cargos executivos de mais poder, ou seja, presidentes, governadores e prefeitos, a falta de compostura torna-se ainda mais grave, pois, aquele homem, representa não só os que o elegeram, mas também, o território que gere como um todo.

O Presidente Lula, por exemplo, tem a obrigação de manter a compostura. E não digo isso pelo fato dele ser famoso por suas metáforas e frases de efeito. Acredito que esses momentos de descontração sirvam, até mesmo, para apresentar à sociedade brasileira um líder mais simpático e, porque não, que fala em uma linguagem mais próxima da que é utilizada pelo povo em geral.

Acontece que existe uma linha tênue entre os momentos em que o Presidente quebra o protocolo e demonstra certa simpatia e os em que a quebra do protocolo representa, também, perda da compostura, que deveria ser inerente ao cargo.

Um caso que ilustra bem o que digo é o do famigerado “sifu”. Ora, o Presidente, obviamente, não pareceu nada simpático, e sim, com pouco bom senso, ao usar tal tipo de expressão.

É a mesma coisa que acho agora da mais nova frase do Presidente, que embora não seja tão infeliz quanto o “sifu”, também poderia ter sido evitada.

Sobre a crise econômica, ele disse que “uma gripe, num cabra muito fino, deixa ele de cama. Num cabra macho, ele vai trabalhar e não perde uma hora de serviço por causa de uma gripe”.

Temos aí mais um exemplo de bobagem gratuita falada por alguém que deveria zelar pela boa fala. Entendo que o Presidente queira que as pessoas mais humildes se identifiquem com ele, acho válido e, até mesmo, esperto, porém, existe limite.

Comparar a crise a uma gripe e dizer que o se resistirá pois se é “macho” foi demais. Sobre a chacota feita aos “cabras finos”, podemos chegar à conclusão de que Lula fez uma análise econômica através de uma metáfora um tanto estranha.

Não é necessário que um Presidente seja intelectual ou use palavras que confundam até os dicionaristas, porém, acredito que “cabra muito fino” e políticos de alto nível, não combinem.

Não é uma questão de ir contra as palavras das ruas, é apenas uma questão de acreditar que o Presidente deva seguir o cerimonial e se comportar de modo apropriado.

Quando o desvio é leve, transmite até simpatia e carisma. Quando é exagerado, transmite amadorismo.