Postagens com a palavra-chave ‘Cálculo Eleitoral’

CPI da Petrobras: Não basta instalar, tem que funcionar

10/07/2009

É fato que a oposição mudou de estratégia no Senado. Deixou um pouco de lado a crise e focou na CPI da Petrobras. Como diz o jornal o Globo, trata-se de um redirecionamento tático. Diante do cenário eleitoral, PSDB e DEM concluíram: é melhor retomar os ataques e as investigações contra o governo do que alimentar a crise – ruim não só para Sarney, mas para todo senador que deseja disputar mandato no ano que vem.

Pois bem. Com essa mudança a oposição conseguiu um acordo para que a CPI seja instalada. Sarney assentiu, negociou com os governistas e a Comissão vai sair na semana que vem.

Pode parecer que a oposição conseguiu alguma grande vitória, mas não é o caso.

Primeiramente, pois Sarney só assentiu por dois motivos que nada tem a ver com a força da oposição ou com a habilidade de articulação da mesma. O Presidente do Senado só concordou pois:

1- A CPI sairia de qualquer forma se a oposição requisitasse isso junto ao STF, que provavelmente ordenaria a instalação da CPI, já que esse tipo de Comissão é direito garantido pela lei das minorias parlamentares.

2- Queria sair um pouco do foco, ganhando um respiro.

Em segundo lugar, o mais importante: Não existe vitória da oposição pois não basta instalar a CPI, é preciso fazê-la funcionar. Isso sim seria uma vitória.

A CPI da Petrobras terá membros que representarão uma situação de 11 contra 3 a favor do governo. Sendo assim, parece que, infelizmente, as irregularidades da estatal não serão descobertas e não terão seus culpados punidos.

A CPI tem tudo para não funcionar, não andar. Travar.

Ninguém acredita que o governo, que diz já sem graça não temer a CPI, deixará que ela apure de verdade alguma coisa.

Lamentável que vivamos em um País onde investigações tão importantes e tão necessárias são moedas de troca submetidas ao jogo político do câmbio de escândalos.

Nova estratégia: Oposição deixa a crise um pouco de lado e foca CPI da Petrobras

09/07/2009

Informa o jornal O Globo sobre a nova estratégia da oposição no Senado:

” A crise do Senado passou longe do plenário nesta terça-feira. Em vez das denúncias que atingem a instituição e seu presidente, senador José Sarney (PMDB-AP) , a oposição concentrou artilharia sobre a CPI da Petrobras. Não houve cobranças para que o chefe do Congresso deixasse o cargo.

- Nós centramos fogo na CPI. Sem número, você não provoca nada, é uma questão aritmética – disse o líder do DEM, senador José Agripino (RN).

Trata-se de um redirecionamento tático. Diante do cenário eleitoral, PSDB e DEM concluíram: é melhor retomar os ataques e as investigações contra o governo do que alimentar a crise – ruim não só para Sarney, mas para todo senador que deseja disputar mandato no ano que vem. Em 2010, dois terços da Casa passarão pelo crivo das urnas.

Tanto democratas como tucanos advogaram pela licença de José Sarney do comando da Casa. Por ora, decidiram tirar o pé do acelerador. A mudança de estratégia foi definida em uma reunião da cúpula dos dois partidos oposicionistas na manhã de terça-feira. O efeito da decisão foi imediato.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), não descartou a possibilidade de instalação da CPI da Petrobras.

O clima no plenário na tarde de terça foi completamente diferente. Ao contrário da semana passada, José Sarney presidiu a sessão. Ninguém falou na crise. Há exatos sete dias, o peemedebista vivia um calvário. Pressionado, chegou a pensar em renúncia . Foi salvo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interessado na governabilidade.

- A crise está no colo do presidente Lula e do PT – alfinetou Agripino, negando estar lavando as mãos em relação às denúncias que atingem a Casa e o parlamentar que a lidera. “

Fica claro que a mudança de estratégia parte do pressuposto de que é mais interessante para a oposição conseguir instalar a CPI da Petrobras do que manter o calvário de José Sarney.

E esse pressuposto se baseia na seguinte conclusão: A crise do Senado atingirá a todos, a CPI da Petrobras atingirá só o governo, ou seja, é um cálculo eleitoral. Há ainda a tentativa de jogar a manutenção do impopular Sarney no colo do governo, atingindo assim a imagem dele.

Esse cálculo eleitoral não deveria ser feito. Pelo menos não é o tipo de política que este blogueiro faria. Acima deste cálculo deveria estar a luta pela moralização do Senado e esta luta em nada é fortalecida com o abandono da pressão sobre Sarney.

Ambas as lutas devem ser priorizadas, a da moralização do Senado e a da moralização da Petrobras. A oposição não deveria deixar que interesses eleitorais, que são até certo ponto válidos, prevalecessem. Eles são aceitáveis, mas não devem ser os mais importantes. Nunca.

O Senador Jarbas Vasconcelos resumiu bem. Disse que essas lutas devem ser complementares e não excludentes. Este blogueiro concorda plenamente.

Alguns dirão: Mas seria impossível agir nas duas frentes. É fato que na política atual é preciso barganhar.

Respondo: Discordo. Se há barganha é porque há a consideração do interesse pessoal. E não deveria ser assim. É triste que seja assim.

E digo mais: A culpa, no fim das contas, não é do político. É da população. Afinal, o político que não pensa em si, e sim nela, não se reelege. Vejam que paradoxo. E a população não sabe votar corretamente, em grande parte, pois não foi educada de forma a se politizar. E quem contribui muito para que não haja essa educação são os políticos. Mais um paradoxo.

O Brasil é paradoxal.