Postagens com a palavra-chave ‘Bush’

Coluna do dia: Ataque americano no Iraque – Bem-vindo ao mundo real

08/04/2010

Por Felipe Liberal*

Bastards, rebels and terrorists são as palavras que me fizeram chorar ontem à noite. Essas imagens acima são o reflexo de tudo que escrevi até hoje e que tento expressar, ostentando dias melhores.

É contra tudo isso que luto, que lutamos, nós, de esquerda, ultrapassados, retrógrados e “comedores de criancinhas”. É por conta disso que ainda insisto, que ainda sinto vontade de estar aqui, gritando nesse vazio interminável e denso onde estamos metidos 24 horas, todos os dias.

Essas imagens são de um helicóptero Apache estadunidense, em Bagdá, de onde se comunicam os bravos soldados democráticos e libertadores com a torre em terra. Através do rádio, os soldados avisam: “Have five or six individuals with AK 47s” e daí pedem permissão para atirar, pois eles disseram que os “tais” carregavam fuzis e lançadores de granada.

A permissão foi dada e junto com ela surgiram tiros e uma nuvem de fumaça e sangue. A fumaça suja de sangue vinha de dois civis, jornalistas da Reuters, Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh, mortos pelo exército norte-americano. Um deles ainda tenta, se arrastando, chegar a uma van preta que tenta também ajudá-lo, mas uma nova rajada de tiros detona o veículo, que possuía duas crianças no seu interior, que, por sorte, saíram apenas feridas.

Essa é só uma amostra do que acontece no Iraque. Milhares de vídeos como esse não são divulgados, por se tratarem as vítimas de civis anônimos e invisíveis.

O imperialismo é isso, para quem o defende. Os Estados Unidos da América são isso, para quem os defende. A democracia e a liberdade americanas são isso, para quem as cultua. Tudo que escrevo não é apenas raiva ou ódio do capitalismo ou imperialismo, mas indignação e tristeza com o que eles geram como consequência inevitável.

O maldito sistema pede sangue, morte e desprezo pela vida humana. Ninguém em sã consciência pode negar que isso é uma prática do capitalismo, e não apenas dos EUA. A guerra é um fator econômico, que compra vidas através da morte.

Declaração Universal dos Direitos Humanos? ONU? A maior democracia do mundo? Respeito pela dignidade humana? Paz? Tudo isso parece piada diante das imagens da verdade.

A mentira nos condena à moderação, aos caminhos da aceitação, à burra imparcialidade e à venenosa omissão. Essa é a verdade, meus amigos e amigas, essa é a mais pura verdade do que acontece todos os dias no planeta Terra.

Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro são criancinhas, comparados a pessoas como Reagan, Bush ou Obama.

O mundo precisa entender quem são os verdadeiros culpados pela nossa terrível situação como seres humanos. Saiamos desse conto de fadas falado em inglês e comprado em dólar. Precisamos entender e combater os verdadeiros Bastards, rebels and terrorists do mundo real.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: As Tumbas da Contemporaneidade – Capítulo 4

25/03/2010

Deus e criações

Por Felipe Liberal*

Deus é o criador de todas as coisas, onipotente, onipresente e onisciente. Deus é tudo, definitivamente tudo.

Deus criou o diabo, o inferno e a matemática. Deus criou o universo, o mundo e os africanos Adão e Eva. Criou a África. Esqueceu a África e criou os outros continentes que foram povoados por imigrantes da África. Deus criou a cor branca, posteriormente à cor negra. Deus inventou o vinho e depois a cerveja, ou foi a cerveja e depois o vinho? Brancos e negros bebiam vinho, e brancos e negros bebiam cerveja.

Deus criou os outros deuses: Osíris, Ísis, os gregos, os romanos, Odin, os corvos da putrefação Huguin e Munin, as valquírias da morte entre os vikings, Javé, Alá, os deuses amarelos da Ásia, a indiana Mitra e etc. Deus criou todos eles e declarou guerra entre eles, várias vezes, infinitas vezes. Deus criou uma seleção natural entre os deuses, onde o mais forte vence e transforma o outro em pó, em páginas de livros de História.

Deus criou Johann Friedrich Blumenbach, zoólogo que reuniu 245 crânios humanos, comprovando que a raça branca provinha da região do Cáucaso e tinha o direito de se assumir superior à raça negra. Deus também criou o norte-americano James Watson, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, que afirmou em suas teses, em 2007, que os negros são menos inteligentes que os brancos. Mas nós todos fomos negros, temos os dois pés na África e somos fisiologicamente idênticos, mas é claro, Deus também inventou a ironia e o paradoxo.

Deus também criou um assistente, ou melhor, um grande assistente para auxiliar em suas invenções: a China. Os chineses, com o dom de Deus, inventaram praticamente tudo de que se tem notícia: chá; bússola; papel; seda; extração de sal, petróleo e gás; moinhos de água; imprimiram livros seis séculos antes que Gutenberg; pólvora; timão; roca; acupuntura; porcelana; futebol; baralho; lanterna mágica; pirotecnia; sismógrafo; pipa; papel-moeda; relógio mecânico; laca; pintura fosforescente; carrinho de mão; guarda-chuva; leque; estribo; ferradura; chave; escova de dentes e mais algumas coisinhas. Deus também inventou a mentira, que alguns países contaram sobre essas invenções.

Inventou, em 1492, um novo continente, que seria fruto de experimentos humanos por 500 anos. O continente da morte e das contradições.

Deus sozinho criou Kafka, Dostoiévski, Maiakovski, Tom Jobim, Chico Buarque, Villa-Lobos, Monet, Picasso, Gandhi, Nijinski, Jesse Owens, Juan Rulfo, Fidel Castro, Che Guevara, Mao, Stalin, Lênin, Roosevelt, Hitler, Napoleão e outras figuras também moldadas pelas mãos iluminadas.

Deus inventou a escravidão, os campos de concentração e as guerras. Deus criou o ódio e o amor. Criou também a pistola, a espingarda, as bombas, o fuzil e outros modos de mostrar quem manda e tem poder. Deus criou o conformismo, a alienação e tudo que faz o ser humano não ser humano. Deus criou Hiroshima, depois destruiu Hiroshima. Criou o Vietnã, depois destruiu o Vietnã. Criou o Iraque, depois destruiu o Iraque. Deus inventou Bush, e também o ataque terrorista de Nova York e Washington. Inventou Bin Laden e criou uma justificativa para tudo que somos hoje.

Deus criou tudo, absolutamente tudo.

Mas e se Deus não existir? Quem criou tudo isso? O que existe e o que não existe? O que nós somos? O que nós sentimos? Quem explicaria tudo?

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Pré-sal – Egoísmo e hipocrisia

18/03/2010

Por Felipe Liberal*

Quem foi aquele que reclamou do protecionismo americano em relação aos países mais pobres? Quem foi? Enlouqueceu?

Quem foi aquele que falou mal de Clinton, Bush pai e baby Bush sobre a exploração econômica, se valendo de superioridade financeira e social? Como podem? Vocês são um bando de hipócritas de 5ª categoria!

Muitos dos mesmos que abominam essa prática dos países “abençoados por Deus” estão a favor da ganância e egoísmo praticados pelos cariocas e fluminenses, que estão querendo tomar todo o dinheiro dos royalties do petróleo unicamente para os estados que fornecerão à Petrobras seus territórios para a exploração petrolífera do mar negro ali existente.

Onde estão agora os sentimentos de solidariedade e unidade nacional? Cadê o patriotismo? Regionalismo e “bairrismo” não são para radicais de esquerda e comedores de criancinhas? É difícil de entender tamanha contradição.

Mesmo como historiador não saberia contar quantos braços foram escravizados no nordeste durante os séculos XVII e XVIII, para produzir riquezas que foram da fronteira do Uruguai até a fronteira com a Venezuela, enchendo os bolsos de quem trabalhava com o comércio de açúcar e algodão.

Já no final do século XIX e em todo o século XX, também não saberia contar quantos braços nordestinos foram “escravizados” para tornar o Rio de Janeiro, e principalmente São Paulo, o que são hoje. A dívida histórica é monstruosa. E mais monstruosa ainda é essa fragmentação nacional, quando na verdade se fala de uma riqueza que pertence à União, ao Brasil como um todo.

Todos os brasileiros, sem exceção, devem e merecem beber um pouco desse petróleo, receber investimentos vindos do dinheiro do petróleo, principalmente devido à importância quantitativa do problema.

A camada do pré-sal é gigantesca.  Não estamos falando de uma pequena mina de carvão descoberta no interior do estado do Acre ou uma minúscula jazida de ouro aberta sob o solo do Tocantins.

Temos que analisar o fato isoladamente, observando a tremenda injustiça que estão querendo fazer com os estados-membros que precisam de ajuda urgentemente. Nada e nem ninguém cresce sozinho.

Igualmente ao planeta Terra, o Rio de Janeiro nunca se tornará uma potência dentro do Brasil, se os problemas dos outros estados não forem combatidos e resolvidos.

Tem que haver um sentimento de partilha e solidariedade para que todos nós possamos crescer juntos, sem distinção, tornando o Brasil um grande País, e não um grande Rio de Janeiro dentro de um pequeno e medíocre Brasil.

Como dizia o finado Raúl: “… Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só…”.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: A vitória republicana em Massachusetts – O fim de uma era

22/01/2010

Por Yashá Gallazzi*

Há coisa de poucos dias vimos o crepúsculo de uma era. A hegemonia de décadas exercida pelo mesmo grupo político chegou ao fim com a eleição de um candidato tido como conservador, em um resultado que surpreendeu o consenso politicamente correto.

Não! Eu não estou falando da recente eleição havida no Chile, onde o candidato conservador conseguiu derrotar a coalizão de centro-esquerda, no poder desde o fim da ditadura liderada por Augusto Pinochet. O Chile, em que pese a grandiosidade de seus indicadores econômicos e sociais, não passa de um pequeno país incrustado na América Latina, oprimido pela Cordilheira dos Andes. O Chile, apesar de seu sucesso institucional e de sua democracia consolidada, é apenas… “um Chile”. E isso, meus caros, dá uma ideia da “importância” do Brasil dentro do mundo.

Esqueçam, pois, o Chile! Falemos de lugares um pouco mais importantes aos olhos do mundo, como Massachusetts, nos Estados Unidos. Na última terça-feira, os eleitores do estado, há cerca de quarenta anos devotos dos Democratas – e dos Kennedy – surpreenderam o país ao escolher Scott Brown, um Republicano, para o Senado.

A vitória de Brown não foi apenas um normal triunfo eleitoral, desses que acontecem sempre na política. Há também o lado simbólico da coisa: Massachusetts votou em um Republicano conservador para uma vaga até então ocupada por um Kennedy. Mais que isso: para a vaga ocupada por Ted Kennedy, um ícone do progressismo americano cuja principal bandeira sempre foi a reforma da saúde.

E eis que, para a surpresa de muitos, o porta-bandeira do “Health Care”, o gorduchinho simpático e bonachão que era amado pela grande maioria dos americanos, verá – onde quer que esteja agora – seu assento ocupado por um Republicano que promete aborrecer a vida daquele que é visto praticamente como um Cristo negro, Barack Hussein Obama. E aqui reside a explicação para o sucesso de Brown: a disposição declarada de atormentar o Presidente-de-ébano e os obamófilos de todo o mundo.

Brown fez da discussão mais importante do país, o assunto principal em Massachusetts. Mostrou aos eleitores, por exemplo, que o plano de Obama e dos Democratas – que era aquele de Ted Kennedy – acabaria por drenar uma infinidade de dinheiro para o Estado, sem que houvesse nenhuma garantia de sucesso para o plano de reforma da saúde. O Republicano jogou no colo de sua rival, Martha Coackley, a contradição essencial do projeto Democrata: como tornar prática a universalização do seguro-saúde, se a questão da imigração ainda não foi abordada? Ora, eu simplesmente não posso prometer que toda pessoa residente na América terá acesso à saúde, enquanto não reconhecer a enormidade de imigrantes que residem na América!

Ao deixa isso evidente, Brown mostrou aos eleitores de Massachusetts que o plano de Obama, tal qual apresentado hoje, não passa de uma maneira segura de meter a mão nos bolsos dos cidadãos, sem ser importunado. E, querem saber? É exatamente isso!

Volta e meia eu afirmo que os Estados Unidos são melhores que nós. E melhores em tudo! Por quê? Ora, lá o povo – vejam que coisa fascinante! – se sente ameaçado com as tentações de agigantamento do Executivo. Bastou Obama vir com essa conversa de “preciso tirar o dinheiro de vocês para salvar o mundo” e pronto: o sentimento de “opa, fizemos besteira” aflorou rapidamente.

Desde a eleição do Messias, há um ano, a “era Obama” tem sido um sucessão interminável de fracassos. Toda eleição regional que disputou, Obama perdeu. E, sim! Foi ele mesmo quem perdeu. Não apenas os Democratas, nem só os candidatos de ocasião. Todas as derrotas foram derrotas pessoais de Obama, principalmente porque ele está demorando a se dar conta de que os americanos o enxergam como aquilo que é: um homem.

O “mito Obama” durou exatamente até o dia da eleição. A partir de então, o ser humano tratou de dar cabo de toda retórica ufanista, de toda a cantilena mudancista que pretendia nos conduzir a um novo Éden.

Quando Obama ficou nervosinho ao ver que Brown fez os eleitores de Massachusetts esquecerem Coackley, a adversária real, e se concentrarem no Presidente, mordeu a isca dos Republicanos e se abalou, com comitiva e tudo, decidindo assumir as rédeas da campanha. A partir de tal momento, a disputa, que estava acirrada, ficou mais fácil para o GOP, como é conhecido o Partido Republicano nos EUA.

Sempre que Obama tentou personalizar alguma questão nos Estados Unidos, se deu mal. Está a cada dia mais evidente que os eleitores de lá parecem sinceramente aborrecidos com a escolha feita há um ano, quando deixaram a esperança vencer os fatos… É por isso que cuidam de surrar Obama e os Democratas sempre que têm chance. É por isso também que vão tirar do partido do governo o controle do Legislativo, em novembro próximo, a fim de impedir que Obama faça besteiras até o final do mandato.

Então, vão sentar e esperar que chegue 2012, quando poderão consertar a grande besteira que fizeram. A única chance que Obama tem de permanecer na Casa Branca – vejam que coisa! – é capturar Osama Bin Laden. Ou seja, a última esperança do homem da mudança vai ser se agarrar aos planos do demônio aposentado, George W. Bush. Este, por sinal, era mais popular do que Obama ao final do primeiro ano de mandato…

Eu, que desde sempre fui cético quando à capacidade administrativa de Obama, um ongueiro de esquina disfarçado de estadista, duvido muito que ele consiga balançar a cabeça de Bin Laden em praça pública, ganhando de volta o apreço dos americanos. Sendo assim, acho mesmo que o mandato dele é apenas um estorvo entre as eleições de 2008 e 2012, nada mais.

O problema é que as reiteradas trapalhadas políticas do sujeito, aliadas a sua sanha “liberal”, estão vitaminando a ala mais radical do conservadorismo americano. Em resumo, Obama pode ser responsável, de uma só tacada, pela reabilitação histórica de Bush, bem como pela eleição de Sarah Palin. E olhem só: eu até acho, contra o consenso mundial, que Bush não foi lá o demônio que tantos pintaram. Também acho a “hockey mom” algo mais que um rostinho bonito. Mas acredito que os Republicanos têm coisa bem melhor a oferecer aos Estados Unidos. Melhor que Obama, pelo menos, com certeza têm.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O Haiti e a natureza opressora

21/01/2010

Por Felipe Liberal*

O país mais corajoso do mundo, hoje fede a cadáver e incerteza.

A incerteza sempre foi parte constante do Haiti, os cadáveres também. A mesma incerteza desde a época da colonização francesa. A mesma incerteza que existia até o tremor que comoveu até quem não se comove – vide Bush -. A mesma incerteza de um país desgraçado que só foi “descoberto” por causa de uma catástrofe sanguinolenta.

O país caribenho foi a primeira nação da América Latina a fazer sua independência, e o único país das Américas que conquistou sua autonomia política como consequência de um levante de escravos, o maior já visto. Conquistou tudo através da força e da coragem.

Antes do terremoto, esse pequeno país vivia outros tipos de tremores, talvez menores, porém mais intensos e prolongados. Os tremores das grandes empresas e corporações, que forçaram e transformaram o salário mínimo do Caribe em uma espécie de “cartel do preço baixo”. O desemprego antes do terremoto era de 70% em grande parte do país – agravado após a onda de privatizações e “invasões” dessas mesmas empresas – e a mortalidade infantil beira níveis absurdos, jamais vistos nos piores países africanos. Todo o avanço de um povo lutador e bravo foi sendo fragmentado pela ganância e praticidade dos “filósofos de plástico” do capitalismo.

A efervescência social e o aquecimento dos movimentos sociais que começavam a se organizar e crescer no país (apesar das intervenções da ONU) começavam a dar sinais de esperança e otimismo para as redondezas haitianas, até que essa catástrofe sem culpados faz desmoronar todo um país e um povo. Uma bomba atômica de tremor que a natureza jogou sobre seus filhos, mostrando seu lado opressor.

A História e a essência do Haiti estão em tudo que aconteceu antes do terremoto. É disso que o mundo precisa pensar e lembrar. O que aconteceu depois disso é só lamentação, dor e solidariedade. Mesmo que para alguns essa preocupação seja hipócrita, acredito que a comoção e mobilização mundial seja a mínima saída para tentar ajudar o povo mais corajoso do mundo. Força guerreiros!

Seres humanos de todo o mundo, uni-vos.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Obama, Bush e Clinton se unem a favor do Haiti

17/01/2010

A foto acima simboliza a união do Presidente americano, Barack Obama, com os ex-Presidentes George W. Bush e Bill Clinton, seus antecessores diretos. Antes que alguém se assuste, não se trata de união política entre o republicano Bush e os democratas, e sim de uma ação conjunta a favor do Haiti.

Reproduzo esta foto com intuito de deixar um questionamento para que vocês, leitores do Perspectiva, reflitam: Fosse em prol da reconstrução do Haiti, da luta contra a fome ou, até mesmo, da promoção da paz mundial, quando nós veríamos, no Brasil, uma foto representando uma colaboração sem ressalvas entre Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco?

É por essas que, embora não se possa nunca exagerar, alguns comparam, com tristeza, a democracia americana e a brasileira.

Artigo do leitor: Outra visão sobre Ahmadinejad

02/12/2009

Caríssimos leitores,

Se inicia hoje mais uma possibilidade de interação entre os leitores deste blog, que já recebem considerável atenção deste blogueiro. Digo considerável pois, embora ela seja muito grande, sempre há o que melhorar.

Abro espaço nesta postagem para um artigo do leitor Carlos Robson, que, nele, trata sobre a questão das críticas ao Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e ao fato dele ter sido recebido com pompa e circunstância em nosso País. No artigo, Robson questiona a validade deste posicionamento crítico que, para ele, pode ser um tanto hipócrita.

É um prisma a ser observado.

Dito isso, confiram o texto de nosso leitor que, como todos os outros, pode agora, além de comentar sem moderação e ter a certeza de ter seu comentário respondido, submeter artigos ao blog.

Outra visão sobre Ahmadinejad

Carlos Robson*

Com a controvertida visita de Armadinejad ao Brasil foram gerados muitos protestos e críticas, porém, as motivações em jogo na verdade não se enquadram na política nacional.

Para os israelitas, tudo é claramente motivado por sua política, e não pela nossa. No que tange os homossexuais, a crítica é puramente religiosa. E, para os que foram no vácuo, a reclamação é preconceituosa mesmo.

Aos que criticam, não importam os acordos comerciais e nem tecnológicos, aliás, para os EUA e Israel isso tudo é muito incômodo, pois um inimigo que estava quase isolado agora encontra “um palanque no Brasil”.

O professor Peter Demant, holandês, doutor em seu país sobre a colonização israelense, morou e pesquisou em Jerusalém, chegando ao Brasil em 1999, e desde então, leciona Relações Internacionais e História da Ásia na USP. Ele defende que o mundo muçulmano historicamente apresentou um comportamento muito mais tolerante para com suas minorias do que o mundo cristão com as minorias na cristandade.

Podemos lembrar que ambas as religiões são monopolistas da verdade, expansionistas que, em princípio, querem converter todo o resto do mundo. Contudo, o Islã aceita o Judaísmo e o Cristianismo como antecedentes legítimos de sua própria religião, como formas um tanto modificadas da mesma mensagem de Deus. Assim, essas religiões têm um papel reconhecido e protegido dentro de uma sociedade religiosa, resultando em uma tolerância – mediante certas desqualificações sociais, econômicas e outras.

É claro que sempre temos a tendência de desqualificar a política, a cultura e a religião alheias e esquecemos que a verdadeira democracia, baseada na res publica (coisa pública), com certeza é o sistema político mais seguro contra ditadores e injustiças sociais. Pelo menos, era assim que deveria ser.

Porém, na nossa atual política ainda é muito comum o abuso do poder econômico para comprar cargos públicos e é praxe nas campanhas se falar em quanto  custa se eleger para um determinado cargo político. Digo isso para que possamos aperfeiçoar nosso sistema antes de criticar o sistema dos outros.

Mas, voltando a Ahmadinejad, aposto que se fosse o Rei Abdullah bin Abdelaziz, da Arábia Saudita, a vir aqui, ninguém faria esse absurdo que alguns fizeram com o  iraniano. E Abdullah sim é um ditador monárquico (mas como ele é aliado dos EUA não passa nada).

Será que ninguém nesse mundo vê as injustiças que acontecem com o povo árabe? Os EUA invadem os países deles, saqueiam e querem controlar a política e, daí, quando algum país sai de seu controle, eles usam toda a mídia mundial para encapetar uma nação (por que essa é a realidade – criaram uma imagem super negativa dos árabes).

Há maior terrorista no mundo do que George Bush filho? Eu não duvido nada que ele possa ter manipulado facções extremistas e fomentado aquele ataque de 11 de setembro para se reeleger e, depois, de quebra, ter apoio do povo americano para sua guerra pessoal e corporativa, já que as empresas de sua família são concorrentes dos xeques do petróleo.

Depois disso, fica a maioria dos ocidentais de cultura de  “robôs papagaios” só repetindo o que a mídia norte-americana diz.

Daí, no subconsciente das nações ocidentais fica o arquétipo de Rambo, ou de Schwarzenegger e de outros patetas fuzilando os demônios árabes, enquanto o mundo ocidental, embriagado pela fascinação cinematográfica norte-americana, aplaude e aplaude, até hoje, embevecido.

Os retratam como a polícia do mundo, mas, na verdade, os EUA não são a polícia do mundo, senão os sabotadores. A Africa está lascada muito por culpa do governo americano que apoiou ditadores nesses países (tal como fez na America Latina no passado).

Duvidas? Assista ao controvertido e premiado documentário, ao estilo de Michael Moore, que fala sobre a influência americana na Líbia e resto da Africa. Verás de maneira clara quem são os “policiais do mundo”…

Não morra sem ver isto!

*Carlos Robson é leitor do Perspectiva e submeteu artigo ao blog

Coluna do dia: Obama, a contagem regressiva começou

06/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

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Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

Quem é o aniversariante? Ora, o Presidente-de-ébano, Hussein Obama! Na última quarta-feira, dia 4 de novembro, ele completou um ano de sua – como é mesmo? – “histórica” eleição. Ôpa, errei na letra da musiquinha. No caso de Obama o certo é terminar cantando: “Um só mandato de vida!”.

Sei que já disse isso no passado, mas não custa relembrar: Obama acabou! Está politicamente morto e enterrado. Eu e muitos outros agourentos, todos reacionários, conservadores, maus e bobos, estamos dizendo isso há meses. Na quarta-feira, os fatos vieram em nosso socorro, ajudando a confirmar nossas previsões.

No “Election day” desta semana, os Democratas foram arrasados pelos Republicanos, perdendo todas as disputas principais. Dois resultados são politicamente emblemáticos e simbolizam o fracasso pessoal de Obama, o Messias negro que pretendia ombrear com Kennedy, mas que passará à história como um novo Carter:

Na Virgínia, o candidato Republicano, Robert McDonnell, venceu o atual Governador Democrata, Creigh Deeds. Isso, há pouco mais de um ano atrás, sequer seria notícia, afinal a Virgínia sempre foi considerada um “red state”, ou seja, um estado com tendências Republicanas. Por que ganhou as manchetes? Bem, porque Obama venceu na Virgínia em 2008 e, em um de seus proféticos-ridículos discursos históricos – aqueles que fazem história antes mesmo de fazer… história! -, afirmou que “a mudança havia expugnado as barreiras conservadoras mais tradicionais, inclusive na Virgínia.”

Foi na esperança de manter a tal “mudança” na Virgínia que Obama participou da campanha local, chamando os eleitores a votar no Democrata, personalizando a disputa bem ao melhor estilo do caudilhismo terceiro-mundista. Obama quebrou a cara e os Republicanos venceram. E isso é bom! Bom, não: ótimo! Sempre que Obama perder, a democracia vence. Parabéns pra você!

Na eleição realizada em Nova Jersey, a derrota obamista foi ainda mais humilhante. Lá, o Cristo de Illinois foi às ruas, participou de comícios e gravou até programas de televisão. Tudo para defender a supremacia Democrata naquele estado, tradicionalmente eleitor dos “donkeys”.

Naquele terreno, a pequenez de Obama se superou, e ele agiu como Lula agira na eleição municipal de São Paulo, em 2008. Uma vez mais, tentou personalizar a disputa, transformando-a em uma espécie de referendo do seu primeiro ano de mandato. Em uma inserção publicitária, chegou a pedir que os eleitores dessem a ele, Obama, um voto de confiança. O que aconteceu? Bem, os Republicanos, com Christopher Christie, venceram os Democratas, representados por Jon Corzine – e por Obama. Obama quebrou novamente a cara. Parabéns pra você!

Onde os Democratas venceram? Bem, no pequeno distrito conhecido como NY 23, lá em Nova Yorque. Bem, não os Democratas propriamente, mas Bill Owens. A máquina Democrata e Obama, uma vez mais, perderam. A surpresa daquela eleição, porém, foi a sova sonora que a burocracia dos Republicanos tomou, a partir do surgimento de Doug Hoffman. Quem? Doug Hoffman! Não conhecem? Ora, nem brinquem com isso! O sujeito é simplesmente a maior estrela da política americana no momento.

A história do NY 23 daria uma novela. Começou com um racha dentro dos Republicanos, que escolheram uma candidata liberal – mais liberal que muito democrata – para concorrer pelo partido, preterindo o conservador Hoffman. Tudo para dar vida à ideia abespinhada que prega a ruptura do partido com os seus valores tradicionais e a aproximação do centro moderado. Em suma, escolheram alguém que, dentre outras coisas, era favorável ao casamento gay e ao aborto.

Só que Hoffman não se rendeu e decidiu entrar na disputa pelo pequeno Partido Conservador. E começou a crescer… E cresceu cada vez mais, a ponto de engolir a candidatura oficial dos Republicanos. A candidata oficial, emburrada, continuou fazendo campanha ao estilo Democrata até a véspera da eleição, quando se retirou da disputa e – atenção agora! – declarou apoio ao Democrata. Resumo da ópera: o Democrata venceu, o conservador Hoffman ficou em segundo – muito perto da vitória – e a Republicana, coitada, foi esmagada.

Qual a mensagem que a eleição em NY 23 – e nos Estados Unidos como um todo – nos deixa? Bem, que os Republicanos só estão recuperando terreno onde se comportam como… Republicanos! É até bastante lógico, não? Para defender o aborto e o casamento gay, o eleitor já tem os Democratas. Ele quer os Republicanos quando escolhe bandeiras diferentes daquelas. Por isso, em todos os lugares onde o GOP (Grand Old Party – Republicanos) assumiu sua posição conservadora e enfrentou a patacoada obamista, os Democratas se deram mal. Também por isso é que os Republicanos perderam no único lugar em que quiseram se disfarçar de progressistas.

Apesar da vitória do Democrata Owens em NY 23 – para um mandato-tampão, de cerca de um ano -, a derrota da máquina Democrata ancorada no discurso mudancista de Obama foi inegável. Até a CNN e o Times a reconheceram! Foi a péssima leitura do jogo feita pela burocracia do GOP que perdeu ao não escolher Hoffman, não os Democratas que venceram ao repetir a pífia tese do “Yes, we can!”. Aliás, nunca é demais lembrar que Obama não tomou parte na campanha de Owens, o que, analisados os demais resultados, parece ter contribuído demais para a vitória dele. Parabéns pra você!

Por que digo no título que a contagem regressiva começou? Bem, Obama perdeu seu primeiro grande teste eleitoral. E sua popularidade já se assemelha àquela do demônio aposentado, George W. Bush. Tudo isso há apenas um ano da eleição mística… E ano que vem, em novembro, teremos as eleições de “mid-term”, quando o Congresso será quase que todo renovado. Querem uma profecia? Lá vai: os Republicanos vão vencer e Obama perderá o controle do Legislativo. E, a partir de então, se arrastará vergonhosamente até o final do mantado, em 2012, quando será definitivamente defenestrado, tal qual um novo Carter mesmo.

Nessas horas me lembro dos inúmeros “intelectuais”, “especialistas” e “estudiosos” brasileiros que, tomados pela magia do sorriso brilhante de Obama, saudaram, há um ano, aquilo que seria o “fim dos valores tradicionais americanos”, o “soterramento da América profunda”, “a capitulação dos Republicanos e do seu conservadorismo”.

Essa gente me lembra os universitários dos anos 30, estudados por Claude Lévi-Strauss, falecido esta semana. São uma gente apequenada, que despreza os livros de referência e prefere os resumos. A curiosidade intelectual deles mais parece inquietação gastronômica. Ah, que falta o franco-belga me fará!

Ainda na esteira do que Lévi-Strauss ensinou, lembro o que ele respondeu quando perguntaram se ele se identificara com os índios brasileiros: “De jeito nenhum!” Por que isso? Bem, porque o primitivismo, o tal saber natural do “bom selvagem” simplesmente não tinha nada a ensinar ao saber tradicional, aquele dos livros e dos bancos de escola. Eu, quando me perguntaram se me seduzia a retórica obamista, sempre respondi: “De jeito nenhum!” Ponto pra mim! Os selvagem da intelectualidade, assim como os obamófilos do mundo, quebraram a cara. E quando essa gente se arrebenta, é sempre melhor para a democracia.

Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Um só mandato de vida!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Geopolítica – Nada de novo no Front Oriental

03/11/2009

Por Raphael Machado Silva*

Como já era de se esperar, o colaboracionista afegão Hamid Karzai permanecerá Presidente do Afeganistão. Seu rival, Abdullah Abdullah, subitamente desistiu do segundo turno, citando certas práticas da comissão eleitoral como causa.

Contudo, a verdadeira razão demorará a surgir, se o fizer. Questionar a “legitimidade democrática” do governo Karzai é inútil. O Afeganistão é um país invadido e ocupado por uma força hostil, portanto, não há que se falar, ou mesmo que se preocupar, com tais fatores quando quem permanecerá definindo diretrizes e objetivos será a força de ocupação.

Venceu aquele que melhor se adequava à estratégia dos invasores. Poderíamos ter sido poupados de tanto teatro, simplesmente, com uma declaração direta de que Karzai permaneceria no cargo e com poderes extraordinários, até a vitória “aliada” na Guerra.

O problema é que, teoricamente, a Guerra do Afeganistão já foi vencida. Pelo menos foi isso que o Presidente americano pretérito, George W. Bush anunciou publicamente. É o tal “Mission Accomplished”.

Agora os EUA estão experimentando uma nova estratégia. Tropas americanas estão se afastando das fronteiras do Afeganistão com o Paquistão, ao mesmo tempo em que o exército paquistanês está engajado em um grande ataque contra o Talibã, na região Noroeste do país. A esperança americana é poder vencer a guerra usando os recursos humanos paquistaneses, dessa forma evitando ter de enviar ainda mais tropas, como se tem cogitado, e evitando o desgaste político e diplomático do Presidente-Messias Obama.

Assim, o Messias da Paz, que trava atualmente duas guerras e ameaça um terceiro país, conseguiu colocar mais uma nação em absoluto estado de guerra, causando no Paquistão caos generalizado, inúmeros atentados, o recrudescimento das insurgências tribais e o aumento do sentimento antiocidental entre os nativos. Os recentes conflitos no Paquistão, em várias de suas fronteiras, levaram mais de um milhão de pessoas a abandonarem suas casas para fugir dos bombardeios e explosões.

Para realizar esse trabalho sujo, os EUA sabem quem “convocar”. Como sempre, os EUA colocaram um governo-marionete na liderança de um país, para que o mesmo massacre a própria população. Como na maioria dos países muçulmanos em que os EUA conseguiram isso, a população civil é radicalmente a favor do “inimigo”. Sim, os paquistaneses, em geral, vêem os Talibãs como amigos e os americanos como inimigos.

Em verdade, a situação local é cada vez mais clara. O governo americano nem ao menos se digna a pedir permissão ao governo paquistanês para realizar bombardeios em seu território. Seria burocracia inútil. Já é o bastante que Islamabad seja avisada dos bombardeios logo após os mesmos.

E se surgirem problemas na região? Apenas o governo local sofrerá as consequências, pensam os estrategistas americanos. Se de início, o Paquistão tinha apenas que lidar com o Talibã (além de cuidar da Caxemira, na fronteira com a Índia), agora o exército paquistanês enfrenta rebeldes da etnia Pashtun, rebeldes na província de Punjab e na província do Waziristão, além de crescentes atentados terroristas contra representantes do governo. A maioria desses conflitos teve início apenas nos últimos anos e estão relacionados ao intervencionismo americano na região.

Mas se essa estratégia não se desenvolver como planejado, e me parece que ela é fraca demais, e o atual governo pró-americano do Paquistão for derrubado, sendo em seu lugar instaurado mais um governo islâmico antiocidental? Como isso não afetaria as guerras no Afeganistão e no Iraque?

A estratégia americana na região parece cada vez mais desesperada. Resultado claro de uma sequência de presidentes estrategicamente incompetentes, com o pior de todos sendo o pretenso Messias da Paz, Obama, o qual está cercado por loucos, como Hillary Clinton, que afimou estar preparada para “obliterar” o Irã.

Lá vão o Messias e seu bando, sendo adulados pelas massas acéfalas, enquanto distribuem morte e destruição em vários países do mundo. Se com isso os mesmos ao menos conseguissem realizar os objetivos estratégicos nacionais, eu até poderia relevar algumas questões.

Ao contrário, agem como crianças que havendo achado os brinquedos do irmão mais velho, mas sendo novos demais para saber usá-los, quebram tudo e no fim, fingem inocência, atribuindo a um terceiro, todas as suas culpas.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: Crônica – A teletela, a verdade e a mentira

08/10/2009

Por Felipe Liberal*

Lá pelos idos de 1948, um “feiticeiro” inglês de nome mentiroso chamado George Orwell, escreveu um livro que abalou o mundo e pouca gente conhece. A obra 1984 parece ser um livro de magia, uma previsão de um tempo triste, onde nós somos dominados por um regime invisível chamado de Grande Irmão (Big Brother) e vigiados por uma caixa de madeira que dita ordens, a Teletela. Apelidada por nós, humanos e mortais, de televisão, a caixa de madeira ganhou força, move montanhas, abre mares e define quem vive e quem morre.

Deus inventou a mediocridade humana e o Diabo inventou a televisão (ou foi o contrário?), esta que caminha de mãos dadas com a publicidade e a propaganda. Mas a televisão mata? A publicidade assassina?

Alguém sabe que a empresa inglesa Hugo Boss vestiu o exército nazista no front de batalha e nos campos de concentração? Você sabia que os prisioneiros dos campos de concentração nazistas trabalharam – de graça – nas fábricas da Volkswagen, BMW, Siemens, Bosch e Krupp? E que os aviões nazistas voavam com o combustível da Standard Oil e seus soldados viajavam em caminhões e jipes da Ford? Não sabia? Claro que não! A publicidade escondeu tudo e comprou todos, levando ao saldo de cinco milhões de vidas queimadas, torturadas e humilhadas nos campos de extermínio.

A televisão não mostrou quando, em 1979, o arcebispo de El Salvador, Oscar Romero, viajou para o Vaticano mendigando uma audiência com o Papa João Paulo II para denunciar as atrocidades que o regime militar de direita estava fazendo com a população salvadorenha. Ninguém ouviu nada. Oscar também bateu na porta de várias emissoras de televisão da Itália, mas ninguém ligou. Sem falar das omissões das emissoras brasileiras durante o nosso regime militar, favorecendo todas as torturas e desaparecimentos.

Em 1984, ninguém ouviu e nem soube dos “gritos de pavor” de Leonardo Boff dentro dos calabouços do Vaticano, quando a Santa Inquisição (agora com um nome mais discreto – Congregação para a Doutrina da Fé) o chamou para indagar sobre sua tentativa de salvar os pobres da América Latina. A Igreja do Medo e a televisão vivem ansiosas para cravar na cruz qualquer “filho de carpinteiro”, desses que andam pelo mundo influenciando pessoas e chateando impérios.

Quando a televisão e a Renault, na década de 90 do século XX, esconderam os níveis de poluição em Paris (causados principalmente pela emissão de gases dos carros), morreram dezenas de pessoas por problemas respiratórios. Se a mídia mostrasse todas as atrocidades cometidas contra os palestinos nas redondezas do Estado de Israel, milhões de vítimas poderiam ser evitadas.

O novo EUA, versão 2009, já fez três intervenções militares, onde causou mais de 200 mortes, em apenas cinco meses de governo do Presidente muçulmano Barack Obama. Sem esquecer as 73 intervenções que fez o “Presidente da paz”, Bill Clinton, durante seu governo. Apenas duas de todas essas intervenções foram divulgadas. Sobre Bush, prefiro não comentar, pois nem a TV conseguiu esconder as milhões de vítimas no Oriente Médio.

A “caixa de madeira” não mostrou nem metade das atrocidades que estão sendo cometidas em Honduras, pela extrema-direita que tomou o poder. Líderes contrários ao golpe estão sendo torturados em galpões nos arredores de Tegucigalpa. Há fortes acusações de pessoas ligadas aos militares, de que integrantes do novo governo estariam enviando maletas de dinheiro para as emissoras de televisão dos países vizinhos e de dentro de Honduras, para amenizar as notícias sobre a matança e as torturas dentro do país.

São inúmeras as notícias que não existem, ficaria eu o dia todo escrevendo, que mesmo assim não teria fim. Não existem, porque não são transmitidas pela caixa de madeira. Vivemos em um mundo virtual, camuflado e mentiroso. O mundo real e verdadeiro está em outro lugar, inacessível e desconhecido.

Se você, caro leitor, for ao lugar mais distante, remoto e pobre do planeta, provavelmente encontrará um televisor, erguido como um troféu nas casas de barro de pessoas famintas, e nas telas, aparecerá a liberdade que é você escolher entre Johnnie Walker rótulo preto e Chivas Regal. A Coca-Cola mostra o caminho da felicidade. O leite artificial da Nestlé oferece saúde eterna. As camisas da Hugo Boss, distinção e charme. Os carros da Volkswagem dão uma nova vida e os cartões Master Card, riqueza.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal