Postagens com a palavra-chave ‘Brasília’

Coluna do dia: Joaquim Roriz, a caixa preta que ameaça se abrir

17/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Quem não conhece Joaquim Roriz? Em uma entrevista, ele se compara a Lula (quem diria). Mas também podemos compará-lo a Maluf. Polêmico e mais encalacrado com a Justiça do que muitos criminosos procurados, Roriz é o retrato da política nacional.

Mesmo tendo sua candidatura mantida graças a uma liminar, Joaquim Roriz ameaça e solta o verbo dizendo: “Vou fazer uma revolução aqui em Brasília se minha candidatura for impugnada”.

Exatamente como Sarney e Renan Calheiros, “coincidentemente” todos aliados do PT, Roriz manda um recado aos políticos governistas dizendo que não cairá sozinho. É lógico que o apoio dado a Lula e a Dilma tem suas bases nos famosos “acertos” que o PT faz com quem lhe dá apoio. Seja honesto ou não, ficha suja ou ficha limpa, o negócio do PT é lotear o poder para se manter nele a todo custo. Dane-se o País. Como os critérios dessas alianças baseiam-se apenas no “toma lá dá cá”, o comprometimento ético e questões programáticas são meros detalhes e, muitas vezes, sequer são levados em consideração. Afinal, qual afinidade ética e programática essas alianças petistas podem ter?

Infelizmente, essa visão é plenamente corroborada pela maioria do eleitorado brasileiro. Nós fingimos nos indignar com a roubalheira em Brasília, mas, no entanto, secretamente, o que o brasileiro quer mesmo é uma oportunidade para fazer parte da mesma “elite mamante”.

Indignou-se com essa afirmação? Antes de me xingar veja bem como andam as coisas na política nacional. Maluf obtêm sempre votações expressivas em São Paulo, mesmo tendo a Justiça de vários países em seus calcanhares a todo instante, os paulistas votam maciçamente na velha raposa.

Roriz é outro bom exemplo: envolvido com toda sorte de problemas, denúncias de desvios, maracutaias no próprio sistema de votação do congresso (o que o levou a renunciar) e as mais variadas acusações;,é o mais votado em Brasília disparado. Renan Calheiros é flagrado pagando pensão a uma amante com dinheiro público, apresenta provas de suas alegações contrárias na forma de notas frias e é “punido” sendo um dos homens fortes de Lula no Senado. O que falar de José Sarney, então?

E, porque não dizer, o próprio Lula. Denúncias de superfaturamento, mensalão (que dizia desconhecer e, em juízo diante das provas, teve que voltar atrás), crimes eleitorais dos mais diversos, desrespeito às leis e ética “a toda prova”. Mesmo assim, Lula continua “o messias” para uma enorme massa que liga a sua figura ao “incrível” fato de poder abrir um crediário. Desconhecendo completamente que a pujança econômica foi “criada” apenas através do crédito e que o País está se tornando cada vez mais refém do capital especulativo estrangeiro.

Sob essa ótica, nos preparamos para viver  uma situação muito semelhante a que vivemos no governo FHC. É claro que, se tudo correr bem e o mercado externo continuar “OK”, os problemas só aparecerão em longo prazo. Contudo, se uma nova crise aparecer, o Brasil mergulhará de cabeça no marasmo que experimentamos ao nos confrontarmos com nossa primeira crise econômica da era Lula. Naquela época (2008) percebeu-se como as conquistas econômicas eram frágeis, pois tudo o que foi construído ruiu e fomos da bonança para a recessão em menos de três meses. Com a recuperação internacional e o abrandamento da crise, a coisa por aqui não ficou muito grave. Mas, todos os empregos criados até então foram perdidos e o crescimento foi “para o espaço” (consulte os números da época). O baque foi tão grande que surpreendeu a própria equipe econômica que pensava “crescer pouco”, mas acabou tendo que explicar a recessão (que foi abafada pela máquina de propaganda do governo).

Alarmismo? Pode ser. Mas, se assim for, porque o próprio governo começa a manipular seus relatórios econômicos (segundo denúncias desta semana) e projeta cortes orçamentários um atrás do outro (para após as eleições, é claro)? Também seria bom perguntar quais os motivos que levaram o Palácio do Planalto a ordenar que fosse ignorado o alarme divulgado pela área de planejamento, dando conta de que as receitas que viabilizam os planos sociais de Lula (o Bolsa Família e os demais) já não são suficientes para bancar o festival de bondades eleitorais de Lula. Calando a área econômica e camuflando o fato de que as promessas não poderão ser cumpridas.

Com isso é o Tesouro que passa a bancar a diferença e há a sinalização de  que se as promessas, que andam sendo feitas na eleição, forem cumpridas destruirão completamente a estabilidade econômica que levamos décadas para conseguir.

Está armada a bomba-relógio.

Portanto, se Roriz “abrir o bico” só o Brasil tem a ganhar.

E você, o que pensa disso?

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Eleições para os governos estaduais

03/07/2010

Findo o período de convenções, começam a despontar os principais nomes que disputarão os governos estaduais por todo o País :

Região Sudeste

São Paulo

Geraldo Alckmin (PSDB)

Aloizio Mercadante (PT)

Paulo Skaf (PSB)

Celso Russomano (PP)

Rio de Janeiro

Sérgio Cabral (PMDB)

Fernando Gabeira (PV)

Fernando Pellegrino (PR)

Minas Gerais

Hélio Costa (PMDB)

Antonio Anastasia (PSDB)

José Fernando Aparecido (PV)

Espírito Santo

Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB)

Renato Casagrande (PSB)

Brice Bragato (PSOL)

Região Sul

Rio Grande do Sul

Yeda Crusius (PSDB)

José Fogaça (PMDB)

Tarso Genro (PT)

Montserrat Martins (PV)

Santa Catarina

Ângela Amim (PP)

Raimundo Colombo (DEM)

Ideli Salvatti (PT)

Paraná

Osmar Dias (PDT)

Beto Richa (PSDB)

Paulo Salamuni (PV)

Região Nordeste

Alagoas

Fernando Collor (PTB)

Teotônio Vilela (PSDB)

Ronaldo Lessa (PDT)

Bahia

Jaques Wagner (PT)

Geddel Vieira Lima (PMDB)

Paulo Souto (DEM)

Ceará

Marcos Cals (PSDB)

Cid Gomes (PSB)

Marcelo Silva (PV)

Maranhão

Jackson Lago (PDT)

Roseana Sarney (PMDB)

Flávio Dino (PCdoB)

Paraíba

José Maranhão (PMDB)

Ricardo Coutinho (PSB)

Pernambuco

Jarbas Vasconcelos (PMDB)

Eduardo Campos (PSB)

Piauí

Silvio Mendes (PSDB)

Wilson Martins (PSB)

João Vicente Claudino (PTB)

Teresa Britto (PV)

Rio Grande do Norte

Rosalba Ciarlini (DEM)

Iberê Ferreira (PSB)

Carlos Eduardo (PDT)

Sergipe

João Alves Filho (DEM)

Marcelo Déda (PT)

Arivaldo José dos Santos (PSDC)

Região Centro-Oeste

Brasília

Joaquim Roriz (PSC)

Agnelo Queiroz (PT)

Eduardo Brandão (PV)

Frank Svensson (PCB)

Goiás

Marconi Perillo (PSDB)

Iris Rezende (PMDB)

Vanderlan Cardoso (PR)

Mato Grosso

Silval Barbosa (PMDB)

Wilson Santos (PSDB)

Mauro Mendes (PSB)

Mato Grosso do Sul

André Puccinelli (PMDB)

Zeca do PT (PT)

Região Norte

Acre

Tião Bocalon (PSDB)

Tião Viana (PT)

Amazonas

Omar Aziz (PMN)

Alfredo Nascimento (PR)

Roraima

Neudo Campos (PP)

Anchieta Júnior (PSDB)

Rondônia

Confúcio Moura (PMDB)

João Cahúlla (PPS)

Expedito Júnior (PSDB)

Eduardo Valverde (PT)

Pará

Simão Jatene (PSDB)

José Priante (PMDB)

Ana Júlia (PT)

Amapá

Jorge Amanajás (PSDB)

Camilo Capiberibe (PSB)

Lucas Barreto (PTB)

Tocantins

Carlos Gaguim (PMDB)

Siqueira Campos (PSDB)

Coluna do dia: Egito, terra de contrastes (Diário de Viagem do Perspectiva Política – Parte II)

28/02/2010

Por Matheus Passos*

Após uma pequena “parada técnica” durante o carnaval, período em que aproveitei para visitar minha família em Minas Gerais (já que esta é praticamente a única época do ano em que posso visitá-los com tempo), retorno ao Perspectiva Política com minha segunda postagem sobre minha viagem ao Egito. Para aqueles que ainda não leram, a primeira postagem pode ser vista aqui.

O primeiro ponto que gostaria de destacar se refere aos aspectos econômicos do dia a dia do Egito.

Nós, brasileiros, quando comparados com os egípcios, somos ricos. É claro que existe pobreza aqui no Brasil, da mesma forma que existe riqueza no Egito. Contudo, a impressão que tive no dia a dia da viagem é a de que eles vivem com muito menos do que a classe média brasileira.

Por exemplo: comer em uma filial do McDonald’s por lá é coisa “de rico”, foi o que me falaram várias pessoas. Imagino ser necessário “dar um desconto” a respeito de tal informação, mas na prática o que vi foram egípcios com sapatos fechados (tênis, sapatos ou algo do tipo) no McDonald’s, enquanto a maioria dos transeuntes usava uma sandália de couro nas ruas. O que vi foram pessoas vestidas com tecidos e cortes melhores em comparação com aqueles que estavam do lado de fora.

Outro exemplo: quando conversei com o capitão de uma felucca em Aswan e disse ao mesmo que estava gastando por volta de dez dólares por dia com alimentação (incluído nesse valor almoço e jantar/lanche, pois o café da manhã estava incluído na diária do albergue), o mesmo disse que eu era rico e que devia estar comendo nos lugares errados, pois estava muito caro. Alguns dirão que Aswan é uma cidade “pequena”, “do interior”, e que por isso os preços são baratos mesmo. O que dizer então do Cairo, capital do Egito e uma das maiores cidades do mundo, na qual eu gastava por volta de quinze dólares por dia indo a restaurantes egípcios?

Mais um exemplo: os táxis no Egito são extremamente baratos quando comparados com o preço dos do Brasil (ou, pelo menos, com os daqui de Brasília). Quando visitei Dahshur e Saqqara, contratei um táxi pelo dia inteiro para fazer uma viagem de mais ou menos 120 km naquele dia, com o táxi ficando à minha disposição o dia inteiro, e paguei o equivalente a cinquenta reais. Aqui em Brasília, dependendo do trânsito, uma ida da rodoviária ao aeroporto custa trinta reais, em um trajeto de 15 km.

O segundo ponto diz respeito à política egípcia e à idolatria que eles têm em relação ao atual Presidente, Hosni Mubarak. Não tive muito contato com a mídia egípcia, até porque a maioria está em árabe, mas pelo pouco que percebi nos jornais impressos e televisivos em inglês, não há absolutamente nenhuma crítica ao Presidente. Da mesma forma, as poucas pessoas que aceitaram conversar sobre Mubarak comigo foram “só elogios” ao mesmo, afirmando sempre que ele está fazendo o melhor para o país e que se não fosse por ele a situação egípcia seria muito pior. Neste sentido, é difícil para eu chegar a uma conclusão pois sabe-se que o Egito, apesar de ter formalmente um sistema democrático – com a possibilidade de existência de vários partidos e com a possibilidade de vários candidatos à Presidência – é, na prática, uma ditadura, o que, somado com o curto período de estadia, dificulta a observação efetiva da realidade política do país.

O terceiro ponto de destaque diz respeito ao aspecto religioso – que, na verdade, me pareceu dominar os dois anteriores. Como se sabe, o Egito é um país islâmico, com mais de 90% de sua população se identificando como muçulmanos, e os princípios desta religião ditam o dia a dia do egípcio. Cinco vezes ao dia ouve-se o chamado às orações islâmicas – com a primeira delas acontecendo geralmente ainda de madrugada. O resultado disso é que tais chamados acabam por estruturar e regular tudo, desde os negócios – não foram poucas as vezes em que uma lanchonete estava fechada no meio da tarde para que os trabalhadores rezassem – até o divertimento – não pude visitar certas áreas do templo de Kom Ombo, por exemplo, porque os guardas responsáveis por tais áreas estavam rezando.

A religião tem papel fundamental também na arquitetura egípcia: para todo lugar que se olha, há um minarete. Especificamente no Cairo, há a área chamada de “Cairo Islâmico” – a parte antiga da cidade – na qual estão presentes mais de 800 monumentos históricos, grande parte deles mesquitas com seus inúmeros minaretes. Estar nessa região no momento das orações é algo completamente diferente daquilo que eu estava acostumado no que se refere a “orações”, porque todas as mesquitas soam ao mesmo tempo, tornando a área realmente ensurdecedora.

A religião desempenha, ainda, importante papel na definição das relações sociais entre homens e mulheres. No metrô do Cairo, dois vagões de cada composição são exclusivos para mulheres, e nos demais vagões as mulheres deveriam entrar apenas acompanhadas (digo “deveriam” porque, na prática, isso não aconteceu o tempo todo). Como se sabe, o Islamismo define que as mulheres andem pelas ruas com os cabelos envoltos em um véu, com a justificativa de que isto impede os homens de terem pensamentos libidinosos e cometerem alguma besteira. Assim, era extremamente interessante (e diferente) ver mulheres andando completamente cobertas nas ruas – cheguei a ver algumas que estavam de óculos escuros, impedindo-me de ver até mesmo os olhos – em pleno sol de meio-dia –. Apesar de em janeiro ser inverno no Egito, as temperaturas de dia chegavam aos 25, 28 graus.

É necessário falar também sobre a importância da religião no que diz respeito aos crimes de rua. Tenho uma câmera digital semi-profissional e andei com a mesma pendurada no pescoço durante todo o período em que estive no país. Logicamente, isto não significa  andar com a câmera em uma rua sem iluminação às 2 h da manhã, mas quero dizer que podia ir a qualquer lugar sem correr nenhum perigo de ser assaltado. Senti-me muito mais seguro ao caminhar em Aswan ou mesmo nas partes mais pobres do Cairo com a câmera no pescoço do que me sentiria aqui em Brasília de dia. Sem dúvida a presença policial – constante em todos os lugares turísticos – ajudava a coibir qualquer tentativa de roubo, mas a religião também tem esse papel, como pude perceber em diversas conversas a naturalidade com que eles diziam que não se deve furtar porque Alá não permite e/ou porque no Corão está escrito que isto não deve ser feito.

Por fim, gostaria de destacar uma última impressão que tive no que diz respeito à união destes três itens – economia, política e religião: parece-me que o Egito está em uma encruzilhada. Por um lado há a forte presença dos princípios islâmicos em todas as esferas sociais, mas por outro o país precisa ser receptivo aos turistas – uma das suas maiores fontes de renda – e, para isso, às vezes é necessário passar por cima de alguns princípios. Notei uma tensão extrema entre os princípios religiosos, por um lado, e os interesses mundanos, por outro, e talvez seja isso que torne o Egito um país extremamente interessante de ser visitado.

*Matheus Passos, escrevendo excepcionalmente em um domingo, é colunista do Perspectiva Política aos sábados, cientista político, editor do blog Pensar Politicamente e escreve no Twitter em @mpassosbr.

Paulo Octávio não renunciou: Você entendeu? Não? Nem eu!

19/02/2010

Tudo indicava que Paulo Octávio renunciaria ao Governo do Distrito Federal. O Vice de Brasília, Governador em exercício, não tem apoio político e nem muitas condições de virar esse jogo.

P. O. tentou convidar nomes fortes para compor um novo secretariado. Não conseguiu. Tentou fazer uma gestão suprapartidária. Não conseguiu. Tentou ser recebido pelo Presidente Lula. Só conseguiu com atraso.

Octávio luta também contra pedidos de impeachment, manifestações populares e denúncias.

Governando com esse cenário, Paulo Octávio marcou uma coletiva de imprensa. Todos esperavam a renúncia.

Eis que o substituto de Arruda diz que ficará mais alguns dias, que tentará mais um pouco e que decidiu tomar essa atitude após conversar com Lula.

Disse também que, ficando no poder, diminui o risco de intervenção federal no DF e que muitos partidos o pediram para ficar.

Acontece que o Ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, disse que Lula não aconselhou nada. Roberto Gurgel, Procurador Geral da República, disse que Octávio estar ou não no governo não altera a questão da intervenção federal. Por fim, os representantes dos partidos na Câmara Legislativa não parecem nem um pouco solidários.

Mesmo assim, o Vice ainda não deixará o governo, embora vá deixar o DEM, já que o partido provavelmente o expulsará se não o fizer. Não há saída dentro da legenda.

Não há também vislumbre de melhora para a situação política do DF. Nem para a de Paulo Octávio. Nenhum analista político conseguiu uma explicação plausível para o fato de o Vice não ter renunciado. Não entendem que esperança ele tem. A estratégia de inaugurar obras e fingir que a crise não existe não vai funcionar.

Fato é que Paulo Octávio não renunciou.

Você entendeu? Não?

Nem eu.

Novas denúncias: Arruda se preocupa e pensa em renúncia para fugir de cassação

16/02/2010

Informa o Globo, a respeito da preocupação de José Roberto Arruda com relação às novas denúncias que envolvem seu nome e o seu governo:

“O advogado Thiago Bouza, que visitou nesta segunda-feira na prisão o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), disse que tem informado o governador afastado sobre as novas denúncias, como a de loteamento de cargos do governo e a suspeita de que a Polícia Civil do DF teria sido usada para espionar investigações conduzidas pelo Ministério Público a respeito do suposto esquema de corrupção que ficou conhecido como escândalo do mensalão do DEM de Brasília.

- O Arruda começa a demonstrar a preocupação a respeito disso ( novas denúncias) – disse Thiago Bouza, que trabalha no escritório de Nélio Machado. “

Informa o Estadão, também sobre Arruda, dessa vez citando a possibilidade de renúncia do Governador afastado para fugir da cassação e, ao mesmo tempo, aumentar as chances de conseguir um habeas corpus:

“Aliados do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), apostam na sua renúncia como saída para escapar da já acertada cassação do mandato, na Câmara Distrital, e da prisão. Na tentativa de impedir a intervenção federal no governo de Brasília e pressionar Arruda a renunciar, os deputados distritais fizeram um acordo para aprovar, na quinta-feira, 18, o pedido de abertura de impeachment do governador licenciado. Ao mesmo tempo, com o abandono do cargo, aumentam as chances de Arruda ganhar o habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), para ser libertado.”

Os dois trechos reproduzidos acima comprovam, determinantemente, um fato:

O cerco sobre Arruda está, sem dúvida, e acertadamente, se fechando.

Aguardemos o desenrolar dos fatos.

‘Fora Arruda!’ se torna ‘Fica Arruda, na Papuda!’

15/02/2010

Enquanto José Roberto Arruda se mantinha no governo do Distrito Federal mesmo estando claramente envolvido em um grande escândalo, manifestantes brasilienses, muitos deles estudantes, pediam, como não poderia deixar de ser:

“Fora Arruda!”

Agora, com a decretação da prisão preventiva de Arruda, o grito, como já era de se esperar, mudou:

“Fica Arruda, na Papuda!”

Papuda é a Penitenciária de Brasília.

Leonardo Prudente fica com a Presidência da Câmara no DF e promete – pasmem – isenção

10/01/2010

Informa o jornalista Severino Motta, no Blog de Ricardo Noblat:

“O deputado Leonardo Prudente (sem partido), presidente da Câmara de Brasília, disse nesta tarde aos membros da Mesa Diretora da Casa que vai seguir à frente da Instituição.

Prometeu aos colegas ser isento nos processos que pedem o impeachment de seu aliado, governador José Roberto Arruda (sem partido).”

Depois de esconder nas meias maços de dinheiro advindos dos mesmos desvios que alimentaram os bolsos do Governador Arruda, Leonardo Prudente promete isenção nas investigações a respeito do Governador.

Isenção?

Seria cômico, se não fosse trágico.

Não ficasse eu frustrado com esse tipo de coisa frequente em nosso País, estaria gargalhando.

Leonardo Prudente deve retomar a Presidência da Câmara no Distrito Federal

08/01/2010

Informa o jornalista Severino Motta, do blog de Ricardo Noblat:

“A Procuradoria da Câmara de Brasília deve concluir nesta tarde um parecer referendando a volta do deputado Leonardo Prudente (sem partido) à presidência da Casa.

O retorno do parlamentar foi questionado, no início da semana, pela bancada do PT. Os deputados alegaram que Prudente havia pedido, no início de dezembro, licença da presidência por 60 dias, mas voltou ao cargo em menos de 30.

Alegaram também que a saída de Prudente fazia parte de um acordo político para preservar a imagem da Câmara, uma vez que ele é acusado de participar do chamado mensalão do DEM.

No parecer, a Procuradoria deve sustentar que o cargo de presidente é de Prudente. E que ele se licenciou para tratar de sua saúde e posteriormente para tratar de assuntos de interesse particular. Tendo os resolvido, pode retornar.

‘O cargo é dele e de acordo com o regimento ele retorna quando quiser, isso é ponto pacífico na Casa’, disse o secretário geral da Câmara, Gustavo Marques.”

Legalmente, por mais que as imagens de Prudente sejam estarrecedoras, o cargo de Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal é dele.

Acontece que nem tudo que se configura legal é moral.

Absurdo: Distrito Federal tem mais cargos ocupados por indicação política do que a União

30/12/2009

Informa a Folha:

“O governo de José Roberto Arruda (sem partido) tem mais funcionários sem concurso ocupando cargos de confiança que a União. Levantamento da Folha mostra que o governo do Distrito Federal tem 8.660 comissionados, e a União, 5.560.

Mesmo tendo cerca de um quinto dos funcionários na ativa do que tem o governo federal (184 mil contra 913 mil), o governo do DF tem 12% a mais de pessoas que não fizeram concurso e ocupam cargos de chefia, assessoramento e direção.

Esse exército é um dos trunfos de Arruda para se manter no poder, já que 63 dos 84 órgãos do DF contrariam a lei ao entregar a trabalhadores sem concurso mais da metade dos cargos comissionados.”

O texto acima diz tudo. Absurdo completo.

Sem mais comentários. Não são necessários.

Improviso e saias-justas são rotina no “palácio” provisório no CCBB

25/12/2009

Normalmente, aqueles que se interessam pela política nacional e internacional interessam-se, também, pelos bastidores destas, sejam os das articulações dos subterrâneos políticos ou os não tão glamourosos.

É sobre estes últimos que fala interessante e curiosíssima reportagem de Simone Iglesias, da Folha, que trata da rotina nada usual que os até pouco tempo ocupantes do Planalto têm vivido no CCBB de Brasília, enquanto o verdadeiro Palácio passa por obras.

Por entender que esse assunto pode atiçar a curiosidade de diversos leitores, reproduzo abaixo os melhores trechos. Para ler a reportagem completa, basta clicar aqui.

“Nove meses depois de virar a sede do governo brasileiro, o prédio do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) em Brasília ainda desafia a equipe do presidente Lula com um sem-número de inconveniências.

A coleção de anedotas decorrentes da mudança do Palácio do Planalto para o CCBB já está incorporada ao dia a dia da Presidência, dos funcionários do governo, dos servidores do Banco do Brasil –que nada têm a ver com o hóspede ilustre–, dos jornalistas que cobrem a rotina de Lula e do público que usa cinemas, teatro, livraria e restaurante do centro cultural.

Recentemente, uma peça de teatro em cartaz por pouco não constrangeu o presidente, não fosse a improvisada ação dos seguranças para esconder com um pano de chão um letreiro pelo qual Lula passou que dizia ‘Cabaré das Donzelas Inocentes’, em vermelho piscante.

O gabinete presidencial fica no segundo andar na extrema esquerda do prédio e, para chegar ao teatro -onde eventualmente ocorrem solenidades-, na extrema direita da construção, no térreo, é preciso atravessar a área pública.

Nessas caminhadas de um lado para outro, Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que também despacha no CCBB, já enfrentaram protestos de servidores e pedidos de autógrafo, tudo muito mais próximo do que no Planalto, onde a segurança era rígida.

Na via de acesso do carro presidencial também pipocam manifestações, como uma greve de fome pela libertação do terrorista italiano Cesare Battisti, que durou quase uma semana.

Na via de acesso do carro presidencial também pipocam manifestações, como uma greve de fome pela libertação do terrorista italiano Cesare Battisti, que durou quase uma semana.

Não fosse o CCBB afastado 4 km da praça dos Três Poderes e de difícil acesso, a rotina de trabalho seria ainda pior. No começo do mês, por exemplo, cerca de 200 pessoas cercaram o prédio para ver os jogadores do Flamengo em visita a Lula.

Como o centro cultural é área pública, a equipe presidencial não pode exercer controle rígido. Não há entrada secreta ou subterrânea. O único acesso reservado é o do presidente: para não ficar tão exposto, foi improvisada uma cerca viva. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), usou por poucos dias uma entrada restrita atrás do prédio, até ser descoberto, o que acabou com as visitas secretas a Lula.

[...]

Aos jornalistas, resta aguardarem encostados em uma cerca que separa a rua da porta de entrada. Para garantir o mínimo de conforto, já que a sala de imprensa improvisada fica em outro prédio a 200 metros da entrada de Lula, alguns repórteres compraram cadeiras de praia, o que transformou o cenário praticamente em uma sede campestre da Presidência.

Os jornalistas reclamam, mas acham a sala de imprensa pior: ao lado de um terreno baldio, o local é atacado constantemente por abelhas, ratos e saruês (um gambá local).

[...]

Pelo contrato, a data oficial de entrega é 30 de março. A reforma, que consumirá R$ 78,8 milhões, começou em maio.

[...]

O ponto polêmico é a construção de um ‘puxadinho’ para esconder uma escada de emergência que não existia. O caixote de concreto desfigurou a fachada traseira do palácio, mas foi aprovado pelo escritório de Niemeyer e pelo Iphan.”