Postagens com a palavra-chave ‘Brasil’

PSDB decide seus rumos de olho na sobrevivência

24/08/2010

Informa a Folha:

Preocupado com a queda do candidato José Serra nas pesquisas de opinião, o comando do PSDB já discute ajustes na campanha nacional e uma estratégia de sobrevivência da oposição em caso de derrota na corrida presidencial.

O partido apostará suas fichas na eleição de governadores de quatro Estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Além da correção de rumo para a Presidência, a cúpula tucana se reúne, amanhã em São Paulo, para discutir o futuro da campanha e o destino do partido.

Chamado a São Paulo a pretexto de gravar sua participação na propaganda de Serra, o ex-governador de Minas Aécio Neves tem encontro marcado com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Segundo tucanos, está prevista ainda a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na conversa. A assessoria de FHC afirma, porém, que ‘até o momento, não consta nada do tipo na agenda dele’.

Serra deve estar no Rio Grande do Norte amanhã, dia da reunião”.

É o PSDB de olho na sobrevivência da oposição no Brasil.

Pela democracia, seria saudável que ela sobrevivesse.

 

Coluna do dia: Nunca antes na história desse País

23/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Pois é, essa é uma das frases favoritas vomitadas por Lula sempre que possível. Mas, essa frase encerra também uma realidade cruel que resume a inoperância dos organismos legais que deveriam reprimir os desmandos de políticos que violam as leis; a leniência da sociedade com a violação sistemática de preceitos republicanos (e da própria lei) e a aceitação de uma ética elástica e de uma moral própria de canalhas em troca da possibilidade de comprar um carro ou uma televisão “de prasma” a perder de vista.

Sim, você pode afirmar que o Brasil vive melhor hoje. De fato, em alguns aspectos isso é verdadeiro. Mas, é importante compreender que as conquistas que temos hoje simplesmente não caíram do céu e nem foram fruto de mágicas ou fórmulas milagrosas; elas são oriundas de uma série de ações que ultrapassam a administração petista e do PSDB e se iniciam, bem lá atrás, no governo de Itamar Franco.

Por isso mesmo, a atual bonança econômica deve ser analisada mais de perto e entendida como a reunião dessas ações somadas a uma época de excepcional prosperidade internacional. Além disso, é muito mais vital que essa bonança seja revertida em conquistas reais para a sociedade e não meramente em propaganda partidária vazia.

Sim. Você que é um “ex-duro” pode comprar uma TV de “prasma” ou um carro zero em suaves prestações – quase infinitas – pagando juros altíssimos e impostos mais altos ainda. Contudo, seria importante entender que nada vale a Tv de “prasma” e o carro zero “tinindo” em casa se, para entrar ou sair dela, você ainda tem que pisar em seus próprios dejetos e nos dos seus vizinhos.

De nada adianta comer iogurte todo dia, beber espumante nas festas ou ter aquele empreguinho tão sonhado se, ao primeiro momento de necessidade, você morrerá por um atendimento médico deficitário ou totalmente inexistente em hospitais públicos sucateados e mal aparelhados.

É muito bom saber que Lula tem “zilhões” de popularidade e que Dilma deverá se eleger em primeiro turno. Mas, é muito mais importante, compreender que nessa terra de maravilhas que eles dizem governar; você teria morrido a míngua se fosse acometido pela mesma doença que ela ou o vice-presidente tiveram.

Ao brasileiro, cabe entender que bonança e primeiro mundo não são palavras que significam apenas a compra do carro zero, da TV de “prasma” ou um empreguinho com salário de fome. Bonança, significa respeito às leis (para todos), saúde de qualidade e acessível a qualquer pessoa, educação capaz de formar cidadãos preparados para garantir o futuro da nação e condições de vida que supram, pelo menos, o mínimo de dignidade de que o ser humano necessita.

Seria fundamental para o brasileiro entender que aceitar o escárnio às leis (seja por quem for) ou aceitar viver com migalhas que caem da mesa dos poderosos não é sinal de prosperidade. É sinal de subserviência e alienação.

Esse comportamento vitima muito mais do que a falta de emprego, a miséria econômica e qualquer outra mazela possível. Isso ocorre porque o escárnio às leis provoca o escárnio ao ser humano mais fraco e indefeso. Ele corrói as oportunidades iguais e favorece apenas aos ligados a uma determinada corrente de poder.

O escárnio às leis faz com que as necessidades básicas do ser humano e a dignidade do cidadão sejam sempre colocados em segundo plano, frente às necessidades da elite que o governa e se serve do poder.

E, por último, é do escárnio às leis que nascem à miséria, o desemprego e o marasmo econômico. E não desse ou daquele governo ou político.

A chave para banir esse pensamento subserviente e alienado de nosso país para sempre está apenas em nós. Somos nós que devemos passar a exigir o cumprimento das leis e a punição de quem quer que seja responsável pela sua violação – mesmo que sejamos nós mesmos ou pessoas a quem amamos – a isso chamamos de ética.

E é o mínimo que uma grande nação precisa que o seu povo tenha.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Imagine

20/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Imaginem um presidente brasileiro conservador. Aliás, mais do que isso: imaginem um presidente de extrema-direita. Sim, eu sei que não é fácil, afinal o Brasil está acostumado a ter há décadas, uma disputa entre as várias matizes da esquerda, sem que haja um representante sequer da direita.

Mas, ainda assim, peço um esforço a vocês. Tentem imaginar, apenas por um momento, que o Brasil tem um presidente extremista de direita. Feito isso, imaginem que o sujeito tenha escrito uma carta mais ou menos nos seguintes termos:

“Queridas Companheiras e Companheiros

Há 20 anos, 42 partidos e movimentos conservadores da América Latina e do Caribe reuniram-se em São Paulo – convidados por nós – para um Encontro sem precedentes na recente história política de nosso Continente.

Nascia o que um anos depois, no México, seria chamado de Foro de São Paulo.

Vivíamos tempos difíceis no início dos anos noventa.

Em muitos países começava a ganhar força um discurso radical de esquerda, alimentado por líderes oposicionistas carismáticos, como Lula da Silva e Hugo Chávez, inspirados no exemplo do tirano homicida chamado Fidel Castro. Esses caudilhos ameaçavam as democracias vigorosas e dificultavam a luta dos trabalhadores.

Pairava sobre nosso Continente a ameaça de um novo espectro comunista.

(…) A predominância dessas idéias de extrema-esquerda, era reforçada pela profunda crise das referências tradicionais da direita radical. Suas políticas não permitiam explicar a realidade mundial mas, sobretudo, mobilizar as grandes massas.

A reunião de São Paulo e tantas outras que se seguiram nestes 20 anos tiveram como mérito fundamental criar um espaço democrático de conhecimento e de discussão das extremas-direitas. Esse espaço não existia, muitas vezes, nem mesmo em nossos países.

(…) Hoje, nossa região vive uma situação radicalmente diferente daquela de vinte anos atrás. Muitos dos que nos encontramos no passado nas reuniões do Foro de São Paulo como forças de oposição, hoje somos Governo e estamos desenvolvendo importantes mudanças em nossos países e na região como um todo.

(…) Uns poucos tentam caracterizar o Foro de São Paulo como uma organização autoritária. É o velho discurso de uma esquerda que foi apeada do poder pela vontade popular. Não se conformam com a democracia de que se dizem falsamente partidários.

A contribuição de meu partido e outros partidos de extrema-direita do Brasil para esta nova realidade do Continente é de todos conhecida.

(…) O Brasil mudou e vai continuar mudando nos próximos anos.

Mudou junto com seus países irmãos do Continente.

Mudou como está mudando a Argentina que agora acolhe mais este encontro do Foro de São Paulo.

Recebam, queridos amigos, o abraço do seu irmão e companheiro”

Continuando o nosso exercício de imaginação, considerem que os destinatários da carta acima, assinada pelo presidente brasileiro de extrema-direita, sejam integrantes de partidos com inspiração em Mussolini, Pinochet, Franco, bem como em herdeiros políticos dos militares que governaram Brasil e Argentina durante décadas de ditadura. Imaginem, assim, que tais movimentos políticos sejam as forças políticas integrantes do tal Foro de São Paulo.

Ah, quase esqueci! Considerem também que, além dos movimentos políticos acima mencionados, essa entidade representativa das extremas-direitas da América Latina contasse, ainda, com a participação de um grupo paramilitar, conhecido internacionalmente por sequestrar, torturar, estuprar, matar e traficar drogas.

Como a opinião pública reagiria diante de semelhante organismo internacional? O que diriam a OAB, a CUT, o MST e a CNBB? Qual seria o posicionamento da imprensa e dos intelectuais brasileiros a respeito? Como se comportaria a academia brasileira? Gente como Emir Sader, Marilena Chauí, Maria da Conceição Tavares, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim diriam o quê?

Ora, não é difícil concluir que o mundo desabaria sobre a cabeça do tal presidente brasileiro de extrema-direita, não é mesmo? E com razão! Um fórum com clara inspiração fascista e totalitária, formado por movimentos cujo ideário descende de tiranias assassinas, não mereceria mesmo respeito algum! Vou além: não mereceria sequer existir! A democracia não pode, por amor aos seus princípios, tolerar a existência daqueles que, se pudessem, os destruiriam.

Agora, diante de tudo o que vai acima, considerem que o tal Foro de São Paulo realmente existe, e que não é apenas fruto de um exercício de imaginação proposto por mim. Considerem ainda que ele realmente é composto por partidos e movimentos políticos de inspiração ditatorial, e que tem entre seus membros um grupo paramilitar como o descrito ao alto. Mas atentem para o seguinte: considerem que ele não é de extrema-direita, mas de esquerda.

O que custo a entender, o que não me parece nada lógico, é o seguinte: por que repudiamos – acertadamente, diga-se! – um Foro de São Paulo de extrema-direita, mas aceitamos um de extrema-esquerda? Por que seria escandaloso um presidente brasileiro mantendo relações com partidos inspirados em Mussolini e Franco, mas não causa escândalo algum ver Lula sentando à mesa com gente que se espelha em Stalin e Mao Tse-Tung? Por que seria inadmissível ver o governante do país chamando um grupo paramilitar de direita de “companheiro”, mas é aceitável que o presidente atual derrame abertamente seu amor pelas FARC?

Que deturpação descabida de valores morais é essa, capaz de nos levar a rejeitar o nazismo e o fascismo, ao mesmo tempo em que ainda nos faz parecer aceitável conviver com o socialismo e com o comunismo? Se concordamos todos em rejeitar uma das faces do horror, por que não concordamos também em rejeitar o horror por inteiro? Por que o totalitarismo de esquerda é tolerado no Brasil, a ponto de termos no poder um presidente que mantém relação pessoal de amizade com Fidel Castro? Por que o “terrorismo progressista” é tolerado no Brasil, a ponto de termos um presidente que se senta à mesa com as FARC?

Ou, para colocar as coisas de uma outra forma, a ponto de termos uma candidata que militou em grupos paramilitares, aqui mesmo no Brasil, com grandes chances de se tornar presidente?

Esta é, enfim, a curiosidade antropológica que mais me instiga no momento presente. Sei que o povo mais pobre, aquele sustentado pela bolsa-esmola oficial, não dá a menor importância para escolhas políticas e ideológicas. Escolheria um tirano (de esquerda ou de direita, tanto faz), se este garantisse o saldo do cartãozinho de benefício social ad eternum. Mas e a porção “pensante” do país? E a academia? E o jornalismo? Por que ainda há gente que não se escandaliza ao perceber que o principal partido do Brasil – assim como o principal líder político da atualidade – tem, sim, bandidos de estimação?

Não me assusta que o PT tente esconder o Foro de São Paulo, ou, por vias oblíquas, diminuir a importância dele. Não me assusta que marqueteiros de plantão se ocupem em fazer apenas a tal “campanha positiva”, exaltando até aquilo que nunca foi feito. Isso é do jogo. O que me assusta é notar que o mesmo país capaz de se escandalizar com o Fiat Elba de Collor, com os dólares de Roseana ou com a cueca daquele petista, não veja nada de errado em uma carta na qual Lula confessa sua relação direta (e antiga!) com a escória da América Latina.

Temos, assim, a prova de que o terror foi relativizado, criando-se, assim, o terrorismo – e o totalitarismo – “do bem”. Como é pra ajudar “ozoprimido”, na tentativa de construir o tal “outro mundo possível”, então tá tudo certo.

Em qualquer sociedade minimamente civilizada, aquela carta de Lula seria motivo para “impeachment”. Entraria para a história como “a carta testamento” do petista: aquilo que acabou com sua presidência e com as chances do seu partido de continuar no governo. Mas o Brasil atual, de civilizado, tem muito pouco.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: O Brasil de Lula e os novos aliados democratas

09/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Segundo Lula, o Irã é uma democracia. Talvez baseando-se no mesmo raciocínio torpe usado pelo nosso Presidente, muitos partidários de Lula acham o mesmo. Afinal, para esse pessoal, basta que um País tenha eleições para que seja considerado “uma democracia”.

Assim, também são consideradas “democracias”, várias nações africanas com governos totalmente ditatoriais e lunáticos sanguinários exercendo o poder com mão de ferro e espadas (ou baionetas, para sermos mais modernos) banhadas no sangue de seu próprio povo.

Longe de querer explicar aqui o que é uma democracia real, indico apenas um dos elementos que servem para determinar se um País é democrático ou não: a proteção do cidadão contra o Estado.

É esse, não a realização de eleições, o principal ponto que define um País como democracia. Afinal de contas, não há poder maior numa nação do que o poder do Estado. A máquina estatal é usada em regimes autoritários e ditatoriais para suprimir a vontade do cidadão e curvá-la perante a vontade do governo regente. Quando uma nação protege o cidadão comum contra a mão pesada do Estado, ela dá garantias de que esse mesmo indivíduo jamais será molestado ou usado como “exemplo” por quem quer que esteja no poder em determinado momento.

Mesmo que a política internacional seja repleta de detalhes intrincados, interesses ocultos e as mais diversas nuances, uma coisa que não muda nunca, quando países travam relações mútuas é a pergunta base que fazem antes de iniciar quaisquer conversações: “O que a outra nação tem a nos oferecer?”

Aqui, entenda bem, não está referido o povo que habita determinado pedaço do planeta. Nesta pergunta estão encerrados os interesses de um Estado em relação a outro. Assim, grosso modo, podemos definir essa “vontade inicial” como a troca de vantagens que podem beneficiar ambas as partes. Seja a cooperação comercial, militar, técnica ou política.

E a pergunta base, em relação aos nossos novos amigos conquistados pelo governo Lula é: Quais vantagens eles podem nos trazer?

Em minha opinião, praticamente nenhuma. Afinal de contas, nosso comércio com Irã e alguns países africanos sempre foi insignificante e, mesmo que haja um fomento momentâneo, os problemas advindos dessas parcerias podem nos trazer muito mais problemas do que soluções. O Irã foi um bom exemplo disso. Enquanto assinamos acordos de cooperação nuclear com o Irã, iniciamos o financiamento das exportações prometidas no tratado e, com a publicação das sanções da ONU, todo comércio com o país foi proibido (exceto alimentos e materiais comumente usados para as necessidades da população em relação à saúde, por exemplo).

Além disso, o desgaste internacional só aumenta e a visão de que passamos a ser um país intimamente ligado a esses governos totalitários prejudica a nossa imagem de nação progressista e democrática.

Transportando esse exemplo para o nível de um único ser humano, seria algo como ter amigos que fossem brigões de rua e assassinos que se orgulhassem de seus crimes e vivessem gritando isso aos quatro ventos. Você, por mais ligado a eles que fosse, se sentiria confortável com isso?

Mesmo que você ache que eu estou “pegando pesado”, responda de forma sincera se você se sente confortável com uma relação tão próxima – eu diria mesmo “bajulativa” – com uma nação que condena uma mulher a morrer apedrejada porque ela “cometeu adultério” ao relacionar-se com um homem APÓS A MORTE DE SEU MARIDO?

Você se sente confortável e aprova chamar de democratas um bando de homens que determina a essa mulher a impossibilidade de defender-se das acusações? Sim. Pois o seu advogado viu-se obrigado a fugir para a Noruega ao ter a sua vida e a sua família ameaçadas por esse “Estado democrático” que apoiamos cegamente.

Além disso, você se sente bem ao saber que esse mesmo Estado está para executar um jovem de 18 anos pelo terrível crime de ser homossexual? O mais dramático no caso é que sequer foram encontradas provas de que o rapaz seja mesmo um homossexual. A condenação baseia-se simplesmente num “preceito muito democrático” da lei iraniana chamado “conhecimentos do juiz”, um mecanismo legal que permite que autoridades judiciárias emitam sentenças em casos em que não há evidências conclusivas.

Ou seja, não há provas ou testemunhas. Mas, o juiz te olha e diz: “Você é culpado”.

Pronto. Basta isso para que você seja condenado à morte e executado rapidamente.

Esses são os “democratas” que acompanham o Brasil atualmente e que são abraçados como nossos novos “irmãos” ideológicos na luta contra “o Grande Satã”.

Com vocês um poema que ilustra muito bem o que vem acontecendo em nosso País em nome de uma melhoria econômica que é frágil e que – em longo prazo – está ameaçada pelos próprios elementos que a mantém artificialmente nesse momento:

“Na primeira noite, eles chegam mansamente

e roubam uma flor do nosso jardim.

E nós não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem.

Pisam nas flores de nosso jardim, batem em nosso cão

e nós, mais uma vez, não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles entra em nossas casas,

violenta a nossa família, bate em nossas crianças

e arranca-nos a voz da garganta.

E nós, mais uma vez, não podemos falar nada,

porque já não temos voz….”

Eduardo Alves da Costa

(e não Maiakoviski)

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Lula, O Mestre da Hipocrisia

02/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Mais uma vez percebemos como o enfoque partidário, aplicado numa área que deveria ser eminentemente pragmática, pode ser danoso a imagem do Brasil como nação. O episódio em que o presidente Lula muda sua opinião em relação à iraniana acusada de adultério e condenada a morte por apedrejamento é mais um de muitos maus exemplos e vexames dados pela administração atual.

Há poucos dias, Lula havia comentado sobre o assunto dizendo: “Se pedirmos para que um país ignore suas leis, o negócio acaba em esculhambação”. Diante da repercussão eleitoral negativa e da ameaça de sua candidata ser confrontada com esse apoio às piores ditaduras do planeta e a suas práticas; Lula se viu obrigado a voltar atrás.

Mas, o que seria até uma oportunidade de mudar realmente de direção, acabou se transformando em mais um escárnio aos direitos humanos. Ao dizer: “Se esta mulher está causando problemas, teremos prazer em recebê-la (…)” – Lula mostra claramente que ainda apóia a absurda lei islâmica e pouco se preocupa com a aplicação de uma pena desumana e bárbara. Afinal de contas, é a mulher que está “causando problemas” e não o governo iraniano que tem leis medievais e pune exageradamente “crimes” insignificantes.

Não era de se esperar coisa diferente. Pois, quem anseia por uma oportunidade de se tornar um “líder” autoritário e impor a sua vontade sobre os “dissidentes” não poderia agir e pensar de outra forma.

Ao brasileiro médio falta a capacidade de “ler nas entrelinhas” e de inspirar-se nos exemplos de um passado tenebroso e nem tão distante para evitar que os mesmos erros cometidos nos assombrem.

Perdemos relevância em nossa área tradicional de atuação e somos ridicularizados pelas grandes potências. Muito ao contrário do que a propaganda governamental quer mostrar, o assento no Conselho de Segurança da ONU nunca esteve tão distante de nós como agora.

Ao optar por ser “o do contra”; o Brasil deixa de lado seu papel de potência emergente para se tornar apenas um bufão internacional e um “gigante iludido”. Nos tornamos uma “Venezuela Grande”. Conduzidos por um “líder” que se acha “o messias reencarnado” e levados como um rebanho de carneiros para o abate moral que se anuncia no horizonte das grandes nações, o Brasil simplesmente não merecia o papel de palhaço que faz hoje.

Apanhamos da Bolívia, que invadiu e expropriou nosso patrimônio sem pagar as indenizações devidas. Apanhamos do Equador, que construiu uma enorme hidroelétrica e várias estradas com os nossos impostos e não pagou. Tomamos um “passa fora” da Colômbia, graças ao nosso “líder” falastrão e suas idiotices e, finalmente, até a Argentina nos rouba constantemente impedindo que nossos produtos sejam vendidos em seu solo; aplicando taxas e sobretaxas alfandegárias a despeito do que reza o tratado do Mercosul.

E nós; o que fazemos?

Ficamos fazendo beicinho para o “imperialismo yankee”.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Análise geral: A tensão entre Colômbia e Venezuela e a política externa brasileira

31/07/2010

Hugo Chávez anunciou o movimento de tropas para a fronteira com a Colômbia, acusando o governo colombiano de ter invadido o espaço aéreo venezuelano.

Chávez admitiu ter revisado ‘planos de guerra’ para um eventual conflito.

Em suma, sobe a tensão na região. Mas nós pouco fazemos.

Onde está o Brasil que não se dispõe a mediar este conflito?

Meter a colher na tensão constante entre Israel e Palestina o Itamaraty quer.

Ou seja: Onde não é chamado, o Brasil hoje se mete, buscando mídia para provar uma suposta nova e maior influência na ordem mundial.

Mas onde o País precisa interferir, utilizando sua real – e não fantasiosa – influência geopolítica, que é na América do Sul, o Brasil se exime.

E por quê?

Porque hoje o Itamaraty é de governo e não de Estado. As posições tomadas levam em conta a ideologia do grupo que hoje domina a nação e não necessariamente os interesses legítimos da pátria, desmoralizando uma diplomacia que sempre foi motivo de orgulho, respeitada internacionalmente.

O mais curioso é que esse posicionamento ideológico é aplicado somente para fora, sob o comando do “inigualável” Marco Aurélio Garcia.

Para o “mercado interno” defende-se o progresso e o desenvolvimento, além do consequente desempenho eleitoral, com posturas pragmáticas.

Ora, mas então qual a razão da defesa do atraso em nível externo?

Exatamente a necessidade de um contraponto ao pragmatismo interno.

As pataquadas da política externa são uma satisfação para a ala mais radical do governismo.

Enquanto o esquerdismo pré-queda do Muro de Berlim destruir o Itamaraty, as políticas internas pragmáticas podem seguir com menos represálias.

Como política externa não dá e não tira votos, está tudo certo.

O Brasil passa a ser pseudo-respeitado no exterior, Lula se torna “o cara” e nós somos os patetas da história.

Venezuela e Colômbia? Não nos metemos, até porque temos lado.

O bom é tentar resolver a guerra milenar entre judeus e muçulmanos com umas camisas da seleção brasileira.

Coluna do dia: André Vargas, o PT e o estranho vício que essa gente tem de querer os adversários mortos

31/07/2010

                                                                                                                Por Yashá Gallazzi*

Imaginem que um petista acuse ACM Neto ou Paulo Bornhausen de serem uns coronéis, membros de oligarquias. Vamos, façam uma forcinha. Nem é tão difícil, afinal já cansamos de ouvir petistas falando isso, não é mesmo?

Pois agora imaginem que ACM Neto respondesse à acusação do petista mais ou menos assim: “Não, não sou coronel. Se fosse já teria mandado um jagunço matar você!” Não é difícil imaginar que o mundo desabaria sobre a cabeça do sujeito. Rapidamente algum intelectual da esquerda – aposto em Emir Sader… – rabiscaria um texto denunciando o “fascismo das velhas elites tradicionais de direita”. Gente como Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha desfilaria sua indignação jornalística. Ah, claro! Quase esqueci! É barbada que algum promotor veria ilegalidade na fala de ACM Neto e ajuizaria uma ação – qualquer uma – contra o deputado do DEM.

Mas nada disso aconteceu. ACM Neto não insinuou que mataria de bom grado algum político do PT. No máximo andou falando, há alguns anos, que queria estapear Lula. Não se pode culpá-lo, né? Quem não gostaria de dar umas bofetadas no apedeuta? Eu adoraria! Mas já me desviei. Retomo.

Os leitores conhecem André Vargas? Não?! Bem, André Vargas é Secretário Nacional de Comunicação do PT. Ele gosta, pois, de se “comunicar”. Se “comunica” como ninguém. Ontem, no afã de se “comunicar” com os eleitores brasileiros, André Vargas disse, sem meias palavras, que Índio da Costa deveria ser sequestrado ou morto.

Não! Não acreditem em mim. Visitem o twitter do sujeito (@AndreVargas13) e leiam, vocês mesmos, in loco, a frase que transcrevo abaixo:

“Não temos ligação [com as FARC], você acha que se tivessemos (sic) ligação com as FARC o INDIO E SUA TRIBO estariam ou sequestrados ou mortos. Rsss”

Os 140 caracteres do twitter costumam limitar – e muito! – os textos. Mas, apesar disso, não é difícil perceber as nuances que se encerram na declaração de André Vargas. Percebam, por exemplo, que o sujeito admite, sem sombra de dúvidas, o caráter criminoso das FARC. Mas isso nem é o mais grave.

Pior mesmo é ler que ele constrói, sem exitar, uma ameaça explícita a um candidato a Vice-Presidência da República. Está tudo lá, cristalino como as águas de um riacho: se o PT tivesse ligação com as FARC, Índio da Costa só teria dois destinos no horizonte: o sequestro ou o assassinato. Aliás, não apenas o vice de Serra foi ameaçado, como toda a “sua tribo”. Pergunto: que tribo seria essa? O DEM? A coligação PSDB-DEM? A tal “direita golpista”, preconceituosa, reacionária e de olhos azuis? Ou os tais 3% de pessoas que insistem em desaprovar Lula nas pesquisas de opinião? A fala de André é bastante ampla… Poderia ser qualquer um.

Lembram o que aconteceu quando Índio da Costa apontou as claras e incontroversas ligações existentes entre PT e as  FARC? Rapidamente a justiça eleitoral tratou de punir a coligação formada por PSDB, DEM e PPS, concedendo, inclusive, direito de resposta a Dilma Rousseff. O que ela dirá ao fazer uso de tal direito? Não tenho ideia… Mas estou curioso para ver que rodeios ela fará a fim de negar o companheirismo histórico que há entre os petistas e aqueles vagabundos terroristas da Colômbia, que vivem de “combater o neoliberalismo” por meio de sequestros, estupros, torturas e assassinatos.

Fico cá me perguntando: será que algum promotor vai se interessar pelas insinuações criminosas feitas por André Vargas a Índio da Costa? Será que a justiça eleitoral concederá ao DEM algum direito de resposta. Se bem que, dado nível da coisa, seria melhor que o judiciário designasse agentes para garantir a segurança do vice de Serra, afinal falou-se abertamente no sequestro e assassinato dele. Por menos – bem menos… – que isso, o FBI designou proteção para Obama em 2008, e desafio qualquer um a encontrar uma declaração sequer parecida com a de André Vargas dita por um alto membro do Partido Republicano.

Estou exagerando? Não é pra levar uma tirada de twitter tão a sério? Bem, acho que nunca é bom duvidar dos petistas quando eles fazem esse tipo de – como direi? – “promessa”. Celso Daniel e Toninho e Campinas estão aí pra mostrar que essa turma não brinca em serviço, não é mesmo?

Não! A verdade é que não há exagero algum! A fala de André Vargas é escandalosa, e revela, ainda que de forma oblíqua, toda a alma sórdida dessa gente. Está estampada ali a digital que caracteriza todas as distopias coletivistas, prontas a matar qualquer um que impeça a construção do “outro mundo possível” deles.

A subjugação dos adversários – até a morte, se preciso – é só um traço dos mais latentes do DNA deles, e aquela risadinha estilizada (“Rsss”) com a qual André Vargas encerra seu comentário – ou sua ameaça… – só reforça isso. Essa gente é íntima da morte e do terror, por isso conseguem brincar com tais elementos com tamanha desfaçatez. Por isso conseguem idolatrar um regime homicida como o de Fidel Castro. Por isso acham que se sentar à mesa com Ahmadinejad é “só negócio”. Por isso emprestam suporte ideológico, moral e material a um grupo terroristas como as FARC.

A fala de André Vargas deveria aparecer no horário eleitoral da oposição todo santo dia, lembrando à sociedade a intimidade que essa “nova classe” tem com o horror. Infelizmente isso não acontecerá, afinal, a justiça eleitoral ordenaria a retirada do ar da inserção, alegando se tratar de “propaganda negativa”…

Eis o Brasil atual… Aqui, não se pode denunciar uma apologia de crime, sob pena de incorrer em multa do poder judiciário. Mas insinuar o sequestro e a morte de um candidato a vice-Presidente é permitido. Isso confere vantagem a quem? Ora, a quem é companheiro de grupelhos terroristas e, por isso mesmo, guarda intimidade com o assassinato.

Os bárbaros já chegaram. Estão entre nós há bastante tempo. Já nos impuseram seu modo pútrido de fazer política e, quando menos esperarmos, terão nos obrigado a viver segundo seus valores morais homicidas. Ainda há uma pequena esperança de detê-los: basta não entregar o voto a quem flerta com o sequestro e com o assassinato. Ainda que quem patrocine os aliados do terror seja Lula, um Presidente tão popular como nunca houve “na história dessepaiz”.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Análise: Dunga e o que faz a implicância da imprensa

17/06/2010

Em tempos de Copa do Mundo, não falarei especialmente de futebol, mas creio ser interessante falar de um tema afim: a implicância da imprensa com o técnico Dunga.

Dunga não me parece ser um mestre dos esquemas táticos. Não soa como um prodígio da estratégia. Não passa a impressão de ser um gênio da prancheta.

Contudo, o treinador parece ser um bom motivador. E, cá pra nós, a seleção brasileira parece necessitar mais de motivação para jogadores que já conquistaram quase tudo que sonharam quando crianças, do que de jogadas ensaiadas e marcações perfeitas ensinadas a profissionais de alto nível que conhecem tudo isso há muito tempo.

Sendo assim, termos Dunga no banco de reservas da seleção não parece ser o pior dos mundos. Os títulos da Copa América e da Copa das Confederações provam isso.

Tudo isso exposto, fica a dúvida: Por que a imprensa implica tanto com Dunga?

Talvez por ele não aparentar ter alguma deferência por ela. Talvez por ele não abrir o espaço que outros treinadores abriram. Talvez por não escalar os jogadores que Galvão Bueno e similares exigem na seleção.

Quem sabe por tudo isso ou por nada disso.

Fato é que a imprensa implica com Dunga. Ponto final.

Acontece que uma coisa é implicar, apontando todos os erros reais, outra coisa é manipular fatos para gerar interpretações, pelo grande público, que façam atitudes comuns e triviais soarem como erros.

Hoje em dia, o fato de Dunga fechar um treino da seleção e não permitir a presença das câmeras ganha tons de absurdo.

Mas absurdo não é isso. Absurdos são parágrafos como os que seguem:

“Apesar de liderar o Grupo G com três pontos, contra um de Costa do Marfim e Portugal, o Brasil encontra-se em situação, no mínimo, delicada. A vitória de 2 a 1 sobre os apenas esforçados norte-coreanos, na estreia, acabou sendo um mau resultado em termos de classificação.

Agora, se o Brasil não vencer os adversários, portugueses e africanos enfrentarão os asiáticos sabendo que qualquer vitória por dois ou mais gols de diferença será suficiente para ultrapassar a seleção brasileira no saldo de gols, primeiro critério de desempate na Copa do Mundo.

Sendo assim, a partida contra a Costa do Marfim, domingo, no Soccer City, em Johannesburgo, será importantíssima para a equipe do técnico Dunga.”

Situação delicada?

O Brasil jogou um jogo e venceu um jogo. Ponto final.

A partida contra a Costa do Marfim será importante?

Óbvio que será! Representa um terço dos pontos em disputa no grupo, afinal, serão três partidas.

Convenhamos: O Brasil jogou mal, principalmente no primeiro tempo. O Brasil fez poucos gols. O Brasil tomou um gol de uma seleção fraquíssima.

Mas nada disso justifica uma ridícula notícia alarmante que se baseia em alegações que não têm pé nem cabeça.

Soma-se o óbvio e a possibilidade invariável de Portugal e Costa do Marfim vencerem a Coreia do Norte por uma vantagem grande de gols com uma pitada de implicância com Dunga e pronto: Temos uma situação “no mínimo delicada” após uma vitória na estreia.

Façam-me o favor.

Que os jornalistas Mauricio Fonseca e Marcos Penido, do jornal O Globo, leiam o que eles mesmos escreveram e constatem o que a implicância causa.

Coluna do dia: Brasil, o paraíso da corrupção

14/06/2010

Por Arthurius Maximus*

“O crime não compensa”.

Esse ditado tão célebre nos antigos filmes de super-heróis ou policiais de antigamente está tão errado quanto 2 + 2 = 3.524. Sim, pelo menos aqui no Brasil o crime compensa e muito. Exemplos não faltam, desde políticos corruptos e ladrões notórios – que exigem o tratamento de “vossas excelências” – até o mais humilde moleque de rua – que mata a troco de um par de tênis ou de cinco reais para fumar crack e fica odiosamente impune.

Graças às nossas leis “de primeiro mundo” ou aos “enormes avanços legislativos” que transformaram nosso País no lar preferido de dez entre dez criminosos domésticos e internacionais, o crime aqui compensa muito. Exemplos disso são dados a todo instante, provocando a estranha inversão de valores que experimentamos em nossa sociedade. Aqui, ser honesto é ser otário e roubar é ser malandro e esperto.

Dentre esses exemplos, nenhum choca mais do que os fornecidos em profusão pelos grandes fraudadores e corruptos. Afinal, mesmo punidos, conservam em seu poder o fruto do seu ilícito e após cumprirem as penas pífias de nossa legislação, passam a gozar de suas fortunas ilegais pelo resto da vida.

O juiz Nicolau dos Santos ficou notório sob a alcunha de “Juiz Lalau”. Preso em sua mansão, provavelmente bancada com os desvios do Tribunal Regional do Trabalho paulista, goza de férias remuneradas pelo Estado e deixará uma gordíssima herança aos seus herdeiros, já que quase nada do que ele roubou foi recuperado e não há perspectiva de que isso ocorra.

Mais um desses “valorosos” brasileiros deixou a cadeia nesse final de semana. A ex-advogada Jorgina de Freitas, responsável pelo rombo de mais de 400 milhões de reais nos cofres da Previdência Social, deixou a cadeia e está livre, leve e solta para curtir a sua fortuna em total liberdade. Afinal de contas, de toda a fortuna roubada por ela, apenas a modesta parcela de 69 milhões de reais foi recuperada pelo Estado. Faça as contas, caro leitor, e perceba com clareza como vale a pena ser um ladrão em nosso País.

Dos treze anos a que foi condenada e mesmo tendo fugido para o exterior, Jorgina cumpriu pouco mais de cinco anos efetivamente presa. O restante da “pesadíssima” pena foi cumprido em regime aberto e semi-aberto. Quando estava na cadeia, Jorgina até organizou um concurso de Miss Cadeia com o apoio do próprio Estado.

Agora, se você ainda não se convenceu de que roubar é ótimo em nosso País, resta o exemplo do famoso petista preso no aeroporto de Congonhas com uma verdadeira fortuna em propinas enfiada na cueca. O escândalo, que foi parte do Mensalão, virou até marchinha de carnaval. Mas hoje, Adalberto Vieira da Silva (o assessor-parente de José Genoíno) está processando a União e deseja reaver a grana. Os mais de 1.000.000 de reais (cem mil estavam em sua cueca) ficaram retidos, obviamente, por não terem sido reclamados pelos verdadeiros donos.

Para mostrar como o Brasil é a terra de leite e mel da corrupção, Adalberto Vieira – que não tem meios de provar que o dinheiro era lícito – resolveu declarar a bolada para a Receita Federal como se fosse uma “doação”. Isso lhe rendeu uma multa de 200 mil reais (que ele não tem como pagar) e a propriedade legal do dinheiro. Com isso, se vencer o processo que move contra a União, Adalberto será o feliz proprietário de 800 mil reais “limpinhos” e sem ter passado um único dia em cana. Mesmo dizendo abertamente que o dinheiro não é seu e que este pertencia a uma alta figura do PT, ele afirma que jamais revelará o seu nome e quer o dinheiro porque “ele merece”.

Pois é. O Brasil é mesmo uma terra maravilhosa…

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: Pão, Circo e Votos

07/06/2010

Por Arthurius Maximus*

Respeitável público! Vai começar o maior espetáculo da terra!

Era exatamente assim que deveriam começar quaisquer programas jornalísticos brasileiros e mesmo os programas produzidos pelo governo para divulgar qualquer coisa, desde a vacina contra o H1N1 até o controle do crack.

Não sou contra o futebol, muito pelo contrário, adoro a Copa do Mundo e acompanho os jogos da seleção como qualquer mortal. Mas, infelizmente, percebo com uma clareza quase divina (que você também tem, caro leitor) como o futebol é usado pelos nossos políticos (não apenas neste governo) para encobrir ações danosas e perniciosas práticas que eles tanto amam.

Quase me passa pela mente o arrependimento de não ter concordado com a proposta do líder do governo na Câmara de decretar um “feriadão” no Congresso Nacional durante a Copa do Mundo. Afinal de contas, com a corja em casa, as possibilidades de emendas milionárias, projetos despóticos e uma série de outras barbaridades serem aprovadas a “toque de caixa” e longe da atenção popular, magicamente dirigida pela imprensa para o “outro lado”, diminuiria bastante.

No entanto, isso não aconteceu e o Brasil prepara-se para mergulhar de corpo e alma no mais velho jeito de fazer política: O Pão e Circo.

Mas, numa coisa nossos políticos não ficam para trás. Mesmo após anos de aplicação pelos mais diversos regimes políticos e pelas nações das mais diversas orientações, o “Pão e Circo” brasileiro elevou o antigo preceito romano a uma categoria de “estado da arte”.

Se a “Seleção Canarinho” trouxer o caneco, o Brasil de transformará na terra do leite e mel. De uma hora para outra, nossos problemas estarão resolvidos e ninguém mais morrerá nos hospitais lotados e sucateados, ninguém mais chegará à idade adulta semi-alfabetizado e nenhum outro brasileiro precisará de esmolas para sobreviver.

Impulsionado pela grande imprensa, o “ópio do povo” é derramado aos borbotões pela goela abaixo da nação faminta de oportunidades e carente da nutrição educacional e moral necessária a uma nação “de futuro”.

Do dia para a noite, o Brasil se encherá de patriotas e de cidadãos pensantes e compenetrados do dever cívico que consiste em carregar a bandeira e defender uma nação forte e vitoriosa.

E, na crista dessa grande onda avassaladora surfarão, mais uma vez, os profetas do populismo e os deuses da manipulação das massas distribuindo bolsas-esmolas, cargos, propinas e benesses pagas com uma carga tributária cada vez mais escorchante e esmagadora. Exatamente como se fazia nos primórdios da civilização e como é feito desde que o mundo é mundo e um povo apático e omisso assim o permite.

Se a seleção vencer, pessoas despreparadas e criadas com o único propósito de enganar o povo se tornarão seres mágicos. Etéreos e divinos, abraçarão o povo e solucionarão todos os seus problemas num passe de mágica de forma simples e trivial como se não tivessem disposto de quase duas décadas para fazê-lo sem, no entanto, terem conseguido.

Carecas ou com excesso de laquê nos cabelos e rostos moldados pelos cirurgiões plásticos mais renomados, esses novos deuses patriotas descerão do Olimpo e se tornarão uma parte do corpo disforme e convulsivo da grande massa alegre e bêbada de contentamento. Derramarão sobre ela toda a sorte de promessas, sorrisos e baboseiras esperando com isso conquistar-lhes os corações e as mentes entorpecidos pela vitória.

Mas isso, se a seleção vencer…

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.