Postagens com a palavra-chave ‘Bolívia’

Coluna do dia: Lula, O Mestre da Hipocrisia

02/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Mais uma vez percebemos como o enfoque partidário, aplicado numa área que deveria ser eminentemente pragmática, pode ser danoso a imagem do Brasil como nação. O episódio em que o presidente Lula muda sua opinião em relação à iraniana acusada de adultério e condenada a morte por apedrejamento é mais um de muitos maus exemplos e vexames dados pela administração atual.

Há poucos dias, Lula havia comentado sobre o assunto dizendo: “Se pedirmos para que um país ignore suas leis, o negócio acaba em esculhambação”. Diante da repercussão eleitoral negativa e da ameaça de sua candidata ser confrontada com esse apoio às piores ditaduras do planeta e a suas práticas; Lula se viu obrigado a voltar atrás.

Mas, o que seria até uma oportunidade de mudar realmente de direção, acabou se transformando em mais um escárnio aos direitos humanos. Ao dizer: “Se esta mulher está causando problemas, teremos prazer em recebê-la (…)” – Lula mostra claramente que ainda apóia a absurda lei islâmica e pouco se preocupa com a aplicação de uma pena desumana e bárbara. Afinal de contas, é a mulher que está “causando problemas” e não o governo iraniano que tem leis medievais e pune exageradamente “crimes” insignificantes.

Não era de se esperar coisa diferente. Pois, quem anseia por uma oportunidade de se tornar um “líder” autoritário e impor a sua vontade sobre os “dissidentes” não poderia agir e pensar de outra forma.

Ao brasileiro médio falta a capacidade de “ler nas entrelinhas” e de inspirar-se nos exemplos de um passado tenebroso e nem tão distante para evitar que os mesmos erros cometidos nos assombrem.

Perdemos relevância em nossa área tradicional de atuação e somos ridicularizados pelas grandes potências. Muito ao contrário do que a propaganda governamental quer mostrar, o assento no Conselho de Segurança da ONU nunca esteve tão distante de nós como agora.

Ao optar por ser “o do contra”; o Brasil deixa de lado seu papel de potência emergente para se tornar apenas um bufão internacional e um “gigante iludido”. Nos tornamos uma “Venezuela Grande”. Conduzidos por um “líder” que se acha “o messias reencarnado” e levados como um rebanho de carneiros para o abate moral que se anuncia no horizonte das grandes nações, o Brasil simplesmente não merecia o papel de palhaço que faz hoje.

Apanhamos da Bolívia, que invadiu e expropriou nosso patrimônio sem pagar as indenizações devidas. Apanhamos do Equador, que construiu uma enorme hidroelétrica e várias estradas com os nossos impostos e não pagou. Tomamos um “passa fora” da Colômbia, graças ao nosso “líder” falastrão e suas idiotices e, finalmente, até a Argentina nos rouba constantemente impedindo que nossos produtos sejam vendidos em seu solo; aplicando taxas e sobretaxas alfandegárias a despeito do que reza o tratado do Mercosul.

E nós; o que fazemos?

Ficamos fazendo beicinho para o “imperialismo yankee”.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Sacerdote que abençoou posse de Evo Morales é pego processando cocaína

30/07/2010

Informa o Estadão :

“Valentín Mejillones, o sacerdote aimará que abençoou a posse de Evo Morales em janeiro, foi preso com 240 quilos de cocaína líquido, ao lado de um casal de colombianos, nesta quinta-feira, 29.

De acordo com o diretor do departamento antinarcóticos da polícia boliviana, ele foi detido na noite de terça-feira em sua casa, em El Alto, na Grande La Paz, processando cocaína, vestindo suas roupas cerimoniais. O filho do sacerdote e um casal de colombianos ainda não identificado pela polícia estavam no local do crime.”

O sacerdote que deu à benção ao cocaleiro Evo Morales em sua posse como Presidente da Bolívia foi pego processando cocaína?

Quem diria…

Coluna do dia: José Serra, Bolívia e as coisas que não devem ser faladas

31/05/2010

Por Arthurius Maximus*

Nesta semana que passou, a grande polêmica ficou por conta das declarações feitas por José Serra a respeito do Governo Boliviano. Ao afirmar, com todas as letras, que o Presidente Evo Morales favorece o tráfico de drogas e faz vista grossa para a exportação de cocaína da Bolívia para o Brasil e para o mundo sem combatê-la, Serra lançou um mal-estar desnecessário. Mesmo não concordando em nada com o governo boliviano e achando que Serra está completamente certo em suas afirmações, existem certas coisas que não acrescentam nada ao debate.

Uma das funções básicas do Presidente é a manutenção de boas relações internacionais com os vizinhos. Mesmo criticando abertamente as benesses exageradas dadas por Lula aos bolivianos, paraguaios e argentinos – muitas vezes em detrimento dos interesses do Brasil e dos brasileiros – creio que a postura de José Serra foi desnecessária e criou um constrangimento evitável para o Estado Brasileiro como entidade.

É claro que, como grande produtor de coca, Evo Morales tem como clientes principais os traficantes bolivianos. Só quem não conhece como funciona o mercado de folhas de coca naquele país pode afirmar o contrário. As folhas colhidas são enviadas para mercados nas proximidades das fazendas onde são compradas pelo maior preço – independentemente de quem pague por elas. Além disso, a única riqueza boliviana além do gás e de um pouco de minério é a coca. Sem a venda das folhas, segundo os bolivianos utilizadas apenas para uso nas beberagens culturais, a economia rural boliviana entraria em colapso.

Por isso mesmo, dizer que um dos principais produtores de coca da Bolívia, o Presidente Evo, combateria o tráfico local e a mola propulsora de sua economia é uma piada. Contudo, dizer isso abertamente é como mostrar uma tremenda falta de educação e de “toque” diplomático, municiando a concorrência.

O que Serra fez é mais ou menos como você receber uma visita em casa e o sujeito ficar dizendo para os amigos que sua casa fede, é feia ou suja. Ela até pode ser tudo isso, mas ninguém tem o direito de dizer isso.

Os caminhos a serem tomados são simples. Basta endurecer a fiscalização e desmoralizar o gordinho Evo com a verdade: sua inação no combate ao tráfico. Se a Bolívia nada faz, o Brasil então que cumpra a sua parte e a parte da Bolívia.

Bastaria, para calar as vozes contrárias, intensificar o patrulhamento nos rios, estradas e na selva fronteiriça. Infelizmente, o governo atual deixa muito a desejar nesse aspecto e, a exemplo do que fez com o Paraguai, afrouxou a fiscalização de fronteira nessas áreas críticas a pedido dos nossos vizinhos.

Serra fala uma verdade que não deve ser escondida. No entanto, o meio utilizado para propagá-la não foi o adequado. Faltou a necessária “tarimba” e a esperteza de agir antes de falar para que, depois, a coisa não fique apenas no discurso ou na letra morta.

E você leitor, o que pensa disso?

*Arthurius Maximus, escrevendo excepcionalmente em uma terça, é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: Desumanidade no Caribe – Lula e os Castro ignoram o sangue

26/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores sabem o que é a Comunidade de países Latino-Americanos e do Caribe? Não? Bom, não tem muito problema. Mesmo os criadores dela não saberiam explicar com precisão o que ela representa, ou quais os seus objetivos práticos.

Assim, de bate pronto, eu poderia dizer que se trata de mais um fórum “pobrista” e terceiro-mundista, destinado a emprestar apoio político a facínoras como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Uma espécie de lupanar do atraso latino, onde um bando de gente empoeirada pelos escombros do Muro de Berlim se rende a convescotes com os irmãos Castro, os dois maiores assassinos da história das Américas, ao mesmo tempo em que cobram mais democracia da democrática Honduras.

Mas essas seriam apenas elucubrações minhas. Na realidade, a tal comunidade serviu apenas para referendar o regime sanguinário de terror que matou Orlando Zapata Tamayo. Por enquanto, entenda-se… Em pouco tempo, é bem provável que a escória das Américas – com raríssimas exceções – precise se juntar para justificar as mortes provocadas por Chávez e por Morales. Afinal, sabemos que a utopia preferida dessa gente sempre foi construir o “novo homem” por meio do homicídio desenfreado.

Orlando Zapata era aquilo que se convencionou chamar de “preso de consciência”, ou seja, foi encarcerado pelos Castro porque se declarava contrário ao regime comunista que oprime aquela pobre ilha há décadas. Os irmãos assassinos, seguindo o exemplo de todos os regimes comunistas que os antecederam, trataram de pegar Zapata e de atirá-lo na prisão, ao lado de outros tantos “contra-revolucionários burgueses”. Julgamento? Devido processo legal? Ah, isso é invenção da “classe dominante”, não é? Os humanistas da “causa libertadora”, sabemos, preferem coisas mais rápidas, como os expurgos.

Zapata deu início a uma greve de fome, em protesto contra sua prisão e contra os maus tratos que os prisioneiros estavam recebendo. Privado até mesmo da água, Zapata viu seus rins entrarem em colapso e condenarem seu corpo ao apodrecimento ainda em vida. Ele morreu na última terça-feira, exatamente quando Lula partia para a Ilha dos Castro, a fim de bajular um pouquinho a múmia de Fidel Castro.

Por que Zapata protestou contra os “libertadores de Cuba”? Por que se recusou a ver as maravilhas que aquele paraíso da igualdade fornecia a toda a população? Bem, provavelmente porque é um desses “sujeitos burgueses” que gosta de zelar pela própria higiene pessoal…

Em Cuba, costumo dizer, há duas prisões: uma, administrada pelos Estados Unidos, onde os presos recebem papel higiênico regularmente; a outra, que corresponde exatamente ao restante da ilha, onde o único papel fartamente à disposição do povo é aquele usado para imprimir os discursos de Fidel Castro.

O socialismo, assim como o comunismo, é assim: começa prometendo salvar o homem, e termina negando ao homem o direito de cuidar do próprio asseio…

Ao ser questionado sobre o assassinato de Zapata, Raúl Castro saiu-se com o seguinte – se me permitem – “raciocínio” (do Estadão Online):

“‘Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos’, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de ‘terrorismo de Estado’, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano”.

Pois é… Um sujeito é preso – e acaba morto! – só por discordar do regime castrista, e a culpa é de quem? Dos americanos, é claro! Sim, vocês entenderam direito. Os americanos, esses demônios do mundo. Segundo o assassino cubano, o país onde os adversários de Bush podiam protestar sem serem presos, onde os “Tea Party” podem protestar sem serem presos, é culpado pela prisão dos oposicionistas de… Cuba!

Não fica difícil entender por que essa canalha é aliada de Hugo Chávez, afinal, o venezuelano acusa os americanos de terem uma “máquina de provocar terremotos”… Sim, é isso! Varram os EUA do mapa, e pronto: o mundo ficará livre de problemas, e seres pacíficos e humanos como Chávez e os Castro poderão ditar as regras. Que tal?

É esse sujeito que Lula foi paparicar quando da criação daquela comunidade vagabunda e filoterrorista! É com essa escória que o governo petista obriga o Brasil a se relacionar, estuprando os princípios da liberdade e vilipendiando os valores democráticos. São o lixo da Humanidade! O que há de pior e de mais rasteiro dentro da cadeia alimentar.

Como é possível que, ainda hoje, grande parte dos políticos brasileiros – e considerável parte da imprensa nacional – ainda consiga tratar com condescendência o regime cubano? Estamos falando de uma ditadura que matou diretamente cerca de 17 mil pessoas!

Isso, meus caros, faz os militares brasileiros parecerem moleques travessos… E nem estou mencionando os 83 mil que morreram tentando fugir daquele “paraíso terrestre”, afinal, deixar a ilha sem autorização d’O Partido é algo punido com a pena de morte! Lembro de Kennedy: “Podemos ser culpados de construir muros para manter nossos inimigos de fora. Mas não precisamos construir muros para manter nossos cidadãos presos aqui dentro.” Brilhante!

Em qualquer democracia séria, a amizade entre Lula, o PT, Dilma Rousseff e Franklin Martins com os irmãos Castro seria motivo suficiente para o desaparecimento político deles. Aqui, ao contrário, o PT tem boas chances de fazer o próximo Presidente, na esteira da popularidade estupenda que o Presidente atual, um esteio moral do castrismo, ostenta.

Somos uma vergonha para as democracias do mundo. Não apenas o governo Lula. Não apenas a esquerda rasteira e terrorista que até hoje vegeta no Brasil. Mas o País todo! Os cidadãos que votaram em Lula duas vezes e que, não satisfeitos, concedem a ele uma aprovação indecente, suja pelo sangue de Zapata – e de outras 100 mil vítimas inocentes. Deus tenha piedade de nossas almas…

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Análise: Política externa brasileira – É possível questionar as prioridades

16/12/2009

Durante os últimos meses, mais do que antes, a política externa do Brasil, comandada pelo governo Lula e, especificamente, por Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, foi extremamente criticada.

Por mais que episódios como a tomada de refinarias da Petrobras pelo governo boliviano, que se deu sem que o Brasil recebesse as devidas indenizações, fossem sempre lembrados há muito tempo, de uns tempos para cá a condução da diplomacia nacional tem sido cada vez mais questionada.

O que acontece é que os episódios onde o Brasil, teoricamente, não se comportou da melhor forma, se sucedem muito rapidamente neste momento. Temos a intromissão em Honduras, temos o caso de Cesare Battisti, temos a aproximação com o bolivarianismo e temos ainda a recente visita ao País de Mahmoud Ahmadinejad, Presidente iraniano.

Em todas as situações listadas, diversos especialistas em política internacional afirmam que o Itamaraty não coordenou o comportamento brasileiro da maneira mais apropriada. São atitudes da política externa nacional questionadas fortemente, sucessivamente, em um curto espaço de tempo. Daí o foco recente no tema que, se antes já era destaque, hoje mais ainda.

Dito tudo isso, gostaria este que vos fala de explicitar sua modesta opinião: Acredito que todos os supostos erros brasileiros na condução de sua política externa dizem respeito a uma espinha dorsal, a escolha das prioridades.

Fica nítido que Celso Amorim, e principalmente o famigerado Marco Aurélio Garcia, que nunca poderia ser condutor de política externa alguma em um País ideal, carregam uma ideologia de fatias do governo para a diplomacia brasileira. Isso faz com que tenhamos uma política externa de governo, e não de Estado.

Uns acreditam que a política externa deve mesmo ser de governo. Outros defendem a política externa de Estado. De qualquer forma, ambas as vertentes primam pela política externa apropriada para o caso concreto. Pois bem. A diplomacia de governo que Amorim e Garcia têm trazido erra, se equivoca, e isso é suficiente para questionarmos não só seus nomes e o fato de a política externa ser de governo, como também, justamente, as prioridades elencadas.

Pois então quais são as prioridades eivadas de ideologia que podem ser observadas? Ora, temos a aproximação com o chavismo, temos a visita de Ahmadinejad, temos a defesa de Zelaya e temos a proteção de Cesare Battisti. Alguém duvida que todas essas atitudes partem da mesma espinha dorsal? Alguém duvida que os posicionamentos do Brasil poderiam ser diversos se não fossem Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia os nossos condutores? E digo mais: Alguém em sã consciência não percebe o alinhamento com os entendimentos de Hugo Chávez?

Afinal, Chávez também auxilia economicamente a Bolívia e o Equador, assumindo prejuízos que serão suportados pela população venezuelana, em benefício dos seus interesses políticos; também é próximo de Ahmadinejad, alimentando o estúpido anti-americanismo; também defendeu Zelaya, pretendendo espalhar o modelo chavista de perversão da democracia pelas mãos da democracia; e também acolheria Cesare Battisti, por conta, puramente, de ser, este, um assassino de esquerda.

Perceberam? Basta não ser torcedor do PT Futebol Clube para assimilar estas conexões. Aliás, não é necessário, afirmo, ser torcedor do PSDB Futebol Clube para dizer o que estou dizendo. Até porque, eu mesmo, não sou partidário, embora não seja, claro, alguém sem posicionamentos políticos pessoais.

As notícias recentes comprovam que as prioridades eleitas pela diplomacia nacional, principalmente nos últimos tempos, dão o tom que explica o porquê das recentes críticas.

Enquanto o Brasil fecha acordo para pagar US$ 1,2 bi a mais por gás boliviano, colocando o prejuízo na conta dos brasileiros, pelo simples motivo de querer ajudar politicamente Evo Morales, além de ter o seu Senado aprovando a entrada da Venezuela no Mercosul, o que não é de todo errôneo mas, no mínimo, questionável, é o Chile que é aceito na OCDE.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) confirmou, nesta terça-feira, em Paris, a aprovação do Chile como membro permanente da instituição.

Com a adesão, o Chile será o primeiro país da América do Sul a integrar a OCDE, definida como “clube dos países ricos e desenvolvidos” e que reúne as nações mais industrializadas do mundo.

Ora, por que não é o Chile o país atraído para o Mercosul? Por que esse país, onde as eleições presidenciais trazem a noção madura para a população de que qualquer candidato que vencer manterá o que tem caminhado de forma correta, não é aquele que miramos para estreitar relações?

Resposta: Prioridade.

É por isso que digo que é possível questionar as prioridades do governo brasileiro no que tange a política externa.

Digo isso porque temos Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia no comando da área.

Digo isso pois parece que mais vale a política pró-ideologia do que a economia e a importação de experiências bem-sucedidas.

Digo isso por conta de o Brasil querer ser, hoje, mais Chávez do que Bachelet.

Artigo do leitor: A realidade do governo Lula

06/12/2009

Continuando a abrir espaço para artigos escritos por leitores do Perspectiva, reforçando cada vez mais a interação entre estes e o blog, publico texto do leitor Paulo Palito:

A realidade do governo Lula

Paulo Palito*

Há uns meses atrás, li uma crônica de um famoso cientista político dizendo que o Brasil nunca teve uma Diplomacia tão exuberante: Asilo a um Presidente deposto em Honduras, asilo a um condenado na Itália, defesa de homens como os Presidentes da Venezuela, de Cuba, da Bolívia e do Irã. O Presidente dos EUA chamando Lula de “o cara”. E o Presidente Lula viajando pelo Mundo elevando o nome do Brasil, etc.

Sinceramente fiquei balançado. Será que Lula e os petistas é que estariam certos?

Esqueci do Presidente Kadafi e de Omar Hassan Ahmad al-Bashir, condenado pela ONU. E existem outros.

O Presidente Lula realmente nunca desceu do palanque. Discursa aqui no Brasil e no Mundo todo emocionando as pessoas. Seu Governo está com 80% de aprovação.

Mas vamos analisar as coisas.

Hitler também emocionava as pessoas e teve o seu Governo com 100% de aprovação do povo alemão.

A situação econômica do Brasil está boa hoje porque o Plano Real acabou com a inflação e as medidas econômicas do Governo anterior foram seguidas. É claro que a aprovação popular tem que estar elevada.

O Presidente de Honduras, que está asilado na Embaixada do Brasil, foi deposto pelo Congresso Hondurenho, por ele querer modificar a Constituição daquele país, visando perpetuar-se no poder. No seu lugar assume a autoridade indicada pela Constituição e garante a eleição de novembro que já estava marcada. Essa eleição transcorreu com uma participação popular recorde na história daquele país, apesar do boicote pregado pelo Presidente deposto. O povo hondurenho deu uma verdadeira demonstração de democracia ao verdadeiro golpista. Sobre o reconhecimento dessa eleição o Presidente Lula disse: “Não, não e não”.

Desafiando a justiça italiana, o governo brasileiro está asilando o assassino Battisti condenado na Itália por quatro assassinatos e militância política. Não duvido que vá lhe dar um emprego em uma empresa estatal.

Hugo Chávez, um idiota a quem o Rei da Espanha mandou calar a boca; A ditadura de Cuba que já mandou milhares para o “paredón”; A Bolívia de Evo, O Paraguai de um Presidente que tinha relacionamentos enquanto bispo. Lula Já ajudou todos estes com milhões de dólares, apesar de não ter dinheiro para pagar decentemente aos aposentados.

Ahmadinejad, Presidente reeleito do Irã, em uma eleição reconhecida mundialmente como fraudulenta. Esse merece um capítulo especial: Lula defendeu Ahmadinejad na sua coletiva com a primeira-ministra alemã Angela Merkel, no dia 4/12, na frente do mundo inteiro. É o apoio de Lula a um líder que está colocando a Humanidade em perigo, com os seus delírios messiânicos de construir a bomba atômica para destruir Israel e a civilização ocidental. Hoje, Lula é o grande avalista de Ahmadinejad diante do mundo no Ocidente.

Hoje tenho certeza: Na eleição de 2010, eu ainda não sei em quem votar, mas com certeza não será em ninguém do PT indicado por Lula. Acho que devemos escolher um governo sério, ético, que dê prioridade para a educação, a saúde, e que combata a corrupção.

Corrupção se combate é com Judiciário forte e independente, leis severas e julgamento rápido, removendo-se todos os entulhos jurídicos existentes na legislação. Enquanto tivermos um Judiciário frágil, ministros dos superiores tribunais nomeados pelo Executivo e o jogo de influência dos poderosos nos tribunais, vamos continuar com alto nível de corrupção na política brasileira, reinando a impunidade e a máxima de que o crime compensa.

A única coisa que um criminoso respeita é a condenação pela justiça com aplicação de penas severas, sem redutores. Sem um Judiciário forte e independente e justiça aplicada para todos, jamais veremos a redução da corrupção no País, que, ao contrário, tende a aumentar com a impunidade. O exemplo tem que partir de cima para baixo. Lotar as cadeias principalmente com gente graúda, independentemente de onde vierem.

Sobre as imagens do Governador Arruda e seu bando recebendo propina e pondo dinheiro nas meias e nas cuecas, que chocaram o Brasil inteiro, o nosso Presidente da República, Luiz Inácio da Silva, o Lula, disse: “As imagens não falam por si, o que fala por si é todo o processo de apuração, todo o processo de investigação”. Ou seja: Depois do processo de investigação eles serão inocentados e eleitos novamente, como em exemplos anteriores.

E as amizades internas dos governistas com quem, antes de chegar ao poder, eles chamavam de picaretas: Sarney, Renan Calheiros, Collor. Em nome da governabilidade Lula faz aliança com esta gente. É de enojar ver uma fotografia da líder petista no Senado Federal abraçando e beijando o Sarney. Se fosse um homem sério, o Presidente Lula jamais faria aliança com esta gente. Aliás, deveria procurar um meio de colocá-los na cadeia. Se não estiver com o “rabo preso”, jeito tem.

Sem partidarismo, espero que o povo brasileiro acorde e eleja um governo sério na próxima eleição.

*Paulo Palito é leitor do Perspectiva e submeteu artigo ao blog

Coluna do dia: A globalização da fragmentação

19/11/2009

Por Felipe Liberal*

O neoliberalismo, que seria o rosto mais perverso do todo poderoso capitalismo, não se fixou. O sistema que globaliza mercados e culturas não se organizou e está começando a dar sinais de amadorismo, mostrando sua verdadeira face em vários momentos, coisa que a história já mostrou que não é aconselhável.

A Europa, com sua união mais desunida de todos os tempos, começa a mostrar que toda a fantasia harmoniosa que forma a comunidade europeia é apenas fachada. A Inglaterra e seu american way of life continuam com desejos de combater o que se tenta chamar de “Grande Império Europeu”, ratificando-se como eterna ponte entre os EUA e a Europa.

Do outro lado do canal, o chefe francês, Nicolas Sarkozy, já toma decisões protecionistas, visando defender o emprego dos franceses contra a globalização liberal, desestabilizando o euro e entrando em choque com o carro-chefe da UE, a Alemanha.

Angela Merkel, primeira-ministra alemã, quer o euro cada vez mais forte e começa uma integração econômica cada vez maior com a Rússia (esta que será a grande ameaça ao eixo “Washington-Londres” nos próximos anos, pois a perda de territórios em 1991 foi enorme e está longe de ser esquecida), de certa forma se distanciando do poderio britânico e criando tensões com a França.

Sarkozy, por sua vez, já fala em um novo bloco aliado a países norte-africanos e à Turquia, sob sua liderança. A Europa não está globalizada, como o mundo também não está. A fragmentação é o que há de mais real nesse momento da história mundial, portanto não é apenas na Europa.

Como não falar de um dos continentes mais complexos e extremos do mundo, a América Latina? Talvez o continente mais despolitizado do planeta e ao mesmo tempo um dos mais revolucionários também. Essa complexidade que nos cerca aqui embaixo está evidente nesse novo processo que está em andamento desde a virada do século. O neoliberalismo está sendo tão desgastante, através do seu genocídio silencioso, que o novo socialismo, ou o pós-neoliberalismo (não se sabe ainda), está rapidamente tomando as cabeças latino-americanas nos principais países.

A permissão que os povos como os da Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua deram aos seus novos governantes foi de grande coragem e uma determinante resposta ao imperialismo estadunidense. Essas pessoas simplesmente decidiram que o país pertence ao povo e não a empresas de nomes estranhos e sem rosto. As reformas sociais e as mudanças no cotidiano das pessoas são fatos inegáveis dentro do aspecto social. Porém, no lado político, as discussões são polêmicas e pertinentes sobre o desenrolar aqui no eterno caldeirão fervente que é a América do Sul.

É de extrema importância ratificar e ressaltar o nosso continente dentro do quadro mundial, principalmente por esse novo pensamento estar sendo contagiado para novos países e nações. A unificação da América Latina a torna fragmentada do resto do mundo e da América do Norte.

Não podemos também falar sobre complexidade sem falar do continente asiático. A efervescência econômica que vigora do outro lado do mundo é extremamente prejudicial a qualquer tentativa de progresso social em grande escala. Tudo o que foi conquistado na China para o povo está sendo devolvido de forma despótica para o desenvolvimento econômico, que não pode parar.

A China cresce em parceria com os EUA. Sem eles nada funciona no país de Mao. A dependência econômica mútua entre esses dois países elimina qualquer ameaça de conflito militar em um futuro próximo, transformando a Ásia em um continente indiscutivelmente capitalista. O Japão, representante estadunidense na localidade, funciona de forma muito semelhante à da Inglaterra, carregando as outras potências emergentes nas costas e defendendo com unhas e dentes a soberania imperialista americana.

Portanto, não estamos falando de um bloco mundial globalizado, e sim, de vários blocos heterogêneos ao redor do planeta. Isto não é novo, pelo contrário, sempre existiu em todos os períodos da história, porém sempre serviu como uma projeção de novos conflitos entre grandes países. O mundo está se desenhando novamente para esse novo velho quadro.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

3ª Coluna do dia: “Proclamarim” a República!

15/11/2009

Por Tiago Franz*

Ainda acho que não sei escrever. Quando me meti a tentar os primeiros “textinhos”, há pouco mais de dois anos, eu definitivamente não sabia. Revirando escritos – ou melhor, tentativas de escritos – desse meu anteontem, encontrei algo que me fez parar e pensar profundamente. O quanto caminhamos quando praticamos!

O texto que encontrei foi escrito há dois anos – para ser mais exato, no dia 17 de novembro de 2007 – e aborda o mesmo assunto da minha coluna do último domingo, que tratou dos 120 anos da Proclamação da República no Brasil, completos no dia de hoje, 15 de novembro.

O enfoque da coluna passada foi a ausência de participação popular que marcou o fato histórico e o atual desinteresse das pessoas para com a data comemorativa: praticamente o mesmo enfoque do texto que escrevi na ocasião do 118º aniversário da República. Notei também que alguns elementos permaneceram. O estilo, por outro lado, está bem diferente. O novo está bem menos “solto” e muito mais ponderado ideologicamente que o velho.

Pode-se dizer que, conforme os gêneros de jornalismo opinativo, o velho está mais para crônica e o novo mais para ensaio ou artigo. Nada disso quer dizer que eu ache um estilo melhor que o outro. Adoro crônicas. A diferença é mesmo a experiência de quem, tentando, aprende um pouco mais a cada dia.

Pois bem. Já que a data tem tudo a ver e já que estamos na 30ª edição da minha coluna aqui no Perspectiva, resolvi resgatar esse passado não tão distante da minha curta vida de “escrevedor”. A vontade de alterar todo o texto é grande, mas me contive. Segue o original. A personagem é criação minha, porém os fatos comentados por ela são reais. Quanto às passagens polêmicas ou confusas, creio que estou preparado para explicá-las. Fiquem à vontade para me questionar.

Enfim, essa iniciativa de expor meu aprendizado e amadurecimento é para mim um exercício e tanto.

“Proclamarim” a República!

Tiago Franz

Dezessete de novembro. O feriadão vai acabar. É quase domingo e Sophia se lamenta por não ter lido nada durante a folga. O desânimo aumenta quando pensa no tempo que passou assistindo TV. Que tarde de sábado! Depois do Caldeirão do Huck – mais um carro velho que fica novinho em folha emociona o Brasil -, um filminho pra relaxar – pra variar, uma “nobre” missão norte-americana no Vietnã.

Nada disso a agrada, mas a garota é positiva. Sua consciência melhora quando percebe que está sempre a refletir sobre o que vê. Orgulha-se disso. Ainda bem que eu não engulo qualquer coisa. E volta a pensar no que o Prates disse, sexta, no jornal da RBS. Até que ele tinha razão… As pessoas ficam em casa e não sabem nem ao menos o porquê! Sabem que não precisam trabalhar, e mais nada! Dessa vez Sophia teve que concordar com o comentarista – aquele arrogante “moralistazinho” com postura de “sou Deus e estou aqui para julgar os homens”. Pelo menos ele a fez pensar se as pessoas realmente conhecem o significado do feriado que acabaram de passar. Será que as pessoas sabem conjugar o verbo proclamar? Parece ser um verbo regular.

República… Nacionalismo… Patriotismo… Soberania nacional… Todos esses “velhos conceitos modernos” voltam a atormentar a cabeça da jovem universitária, que já leu e releu mil coisas a respeito.

Esparramada no sofá, com o corpo inerte, na sensação de anestesia geral, Sophia continua seu exercício mental de encontrar algum proveito em tudo que acompanhou pela TV durante seu feriado de ressaca das madrugadas boêmias. Devia ter lido alguma coisa. Que merda! Pelo menos eu pude sair pra beber com o pessoal. Amanhã vou recuperar uma parte do tempo…

Agora seus pensamentos são “invadidos” pelo rosto que mais a perseguiu, da tela da televisão, nas últimas horas: Roberto Jefferson. Hummm… Propaganda política partidária em horário nobre… Já perdi a conta de quantas vezes repetiu… Coitado do povo… Para todas as noites para se deleitar com a novela das oito e ainda é tentado pelo “belo” palavreado do “senhor presidente” do PTB. Ta aí! Outra coisa que talvez noventa por cento desse povo não saiba é que o “T” da sigla do partido não faz mais sentido, e o “B” então… Deixa pra lá. O Getúlio e o Brizola já foram enterrados mais de uma vez! Não se faz mais políticos como antigamente… Pelo menos não no Brasil.

Olha só! Não acredito que ele disse aquilo do Evo Morales… Esse índio é um herói!!! Quando foi que ele expulsou os brasileiros da Bolívia? Que calúnia! Só porque alguém finalmente conseguiu enfrentar a exploração abusiva, esse Jefferson vem dizer aí que o Brasil precisa recuperar a “soberania nacional”… Que náusea!!!! E ainda usa Bush e Blair como exemplos… “Eles invadiram o Iraque para conseguir petróleo”. Ou seja, o Brasil precisa invadir a Bolívia e recuperar o Gás, pois o atual governo não está dando a mínima para a “perda” que sofreu.

Palhaço! Invadiu minha casa pela TV falando esse monte de bosta. Mas ainda bem que eu não engulo qualquer coisa. Sophia pausa, suspira e cai na gargalhada. Ahahahahahah! Mas o Jornal Nacional deu na cara do Jefferson… Ou será que foi o jornal da Record? Não lembro agora, é tudo parecido… Adorei a matéria… “Milhares de brasileiros atravessam a fronteira com a Bolívia em busca de atendimento de saúde gratuito”. Ahahahahahah! Essa é boa. Não foi esse “miserável país” aí que expulsou o Brasil de suas terras? Que coincidência! Não temos nem o gás, e nem um serviço público de saúde melhor que o dos “vizinhos pobres”. Mas que nada… A copa do mundo é nossa. O circo está garantido para 2014. Viva Morales! Viva viva viva! Ahahahahahah!

Dezessete de novembro. O feriadão vai acabar. É quase domingo e Sophia lembra que na segunda, apesar de não ser feriado, comemora-se mais uma data importante para o Brasil: o Dia da Bandeira. Novamente aqueles “velhos conceitos modernos” atormentam sua cabeça, que dói por causa da ressaca e das gargalhadas incontroláveis. Preciso ler alguma coisa. O Hino da Bandeira sempre foi seu favorito. Que melodia! Que glória! Que tudo! “Salve lindo pendão da esperança / Salve símbolo augusto da paz……”

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Democracia é mais do que mero procedimento

09/11/2009

As férias de fim de ano estão chegando aos poucos e este blogueiro que vos fala começou a pesquisar em lojas virtuais. A pesquisa visa decidir que livros comprar para ler no tempo livre que surgirá pela parada das aulas na universidade.

Pois bem. Neste minha pesquisa encontrei um livro chamado Democracia: Não é Apenas Procedimento. Trata-se de um livro pequeno e não sei ainda se o comprarei. Porém, sem dúvida alguma a descrição deste livro, que visa explicar resumidamente do que ele trata, é sensacional.

Democracia, definitivamente, é mais do que mero procedimento. Eu dedico o trecho abaixo, que descreve o livro supracitado, a todos os chavistas e bolivarianos, defensores do “kit-Chávez”, que tentam defender que existindo alguns procedimentos democráticos, existe democracia real, o que é uma falácia.

Não bastam plebiscitos e referendos para que as liberdades democráticas estejam garantidas. O bolivarianismo, ao contrário, suprime estas através daqueles. Não só na Venezuela, como na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Por tentar o mesmo em Honduras, Zelaya foi deposto.

Dito isso, confiram:

“Os princípios e valores da democracia ateniense  ‘liberdade, igualdade e solidariedade’, que se efetivaram impedindo a concentração dos poderes existentes na sociedade, podem ser encontrados ainda hoje nos sistemas institucionais das atuais democracias, porém recontextualizados por conta da diversidade e modo de organização da atividade econômica na sociedade.

Se por um lado a democracia requer respeito às normas que instituem procedimentos para conquistar o poder político e racionalizar os conflitos, por outro lado o conceito atual transcende o mero procedimento para efetivar e garantir os valores da dignidade, cidadania e justiça”.

Uribe se diz em uma ‘encruzilhada da alma’ sobre 3º mandato

19/10/2009

Informa o Financial Times:

“O presidente colombiano, Álvaro Uribe, que hoje é esperado para uma visita oficial a São Paulo, diz viver uma ‘encruzilhada da alma’ acerca de disputar um terceiro mandato em 2010.

Para isso, ele teria de mudar a Constituição pela segunda vez -caminho já aberto pelo Parlamento. Isso preocupa seus aliados colombianos e até no exterior, incluindo nos EUA.

Indagado se arriscaria tentar seguir no cargo e arriscar seu legado (a violência caiu sob Uribe, e a Colômbia consegue contornar com certa tranquilidade a crise global), ele responde: ‘não é esta a questão, sou de uma geração que não conheceu um só dia de paz, minha prioridade é a continuação dinâmica de [minhas] políticas’.

‘Quando penso em meu legado, não desejo que as futuras gerações de colombianos pensem que eu era apegado ao poder. Ao mesmo tempo, quero que saibam que não virei as costas aos desafios do país’, disse o colombiano, sobrevivente de 19 tentativas de assassinato.”

O Perspectiva Política, na pessoa deste blogueiro que vos fala, já emitiu sua opinião sobre o tema:

O Perspectiva Política sempre primou o equilíbrio, a independência, a sensatez e a coerência. Sempre afirmando que deve-se criticar o que merece ser criticado e elogiar o que deve ser elogiado, provando que é possível apontar os erros de um lado sem, necessariamente, fazer parte do outro, este blog construiu uma credibilidade que muito me orgulha.

Todos os leitores mais assíduos do blog sabem que o personagem mais criticado por mim desde sempre é Hugo Chávez. É a ele que dirijo as críticas mais duras e os questionamentos mais contundentes. Não poderia eu, nunca, deixar de repudiar atitudes autoritárias, cooptadoras de instituições, oportunistas, personalistas, ditatoriais e doutrinadoras como as dele.

Acontece que este blog tem o dever, agora, de criticar o Presidente colombiano Álvaro Uribe. E não faço isso apenas para fazer jus ao compromisso de prezar pela justiça. Não. Faço isso pois realmente rechaço o projeto que Uribe empreende.

O Perspectiva Política não poderia, se quer se dizer como um blog pautado nos ideais supracitados, fazer o que alguns outros blogs fazem: Criticar um lado  por certas atitudes e depois fazer vista grossa quando alguém do outro lado realiza atividades semelhantes.

Por isso, é, sim, posição contrária aos arroubos de Álvaro Uribe a do Perspectiva. Isso se dá pois o repúdio a Hugo Chávez não ocorre por conta de uma questão pessoal ou ideológica, e sim, por força da defesa da democracia, da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e de tantos outros valores inegociáveis.

Sendo assim, a partir do momento que Álvaro Uribe atenta contra os mesmos valores, seja ele de esquerda, de direita, ou de Marte, ele merece as mesmas críticas. Nada de julgamentos diferentes para o mesmo erro. Nada de parcialidade.

É verdade que prefiro as medidas tomadas por Uribe na Colômbia se comparadas com as de Chávez na Venezuela, Correa no Equador e Morales na Bolívia? É. É correto afirmar que Uribe estaria atentando contra a alternância de poder enquanto Chávez atenta contra muito mais elementos da democracia? Também é. Mas isso nunca causaria ou justificaria uma defesa minha com relação aos equívocos de Uribe. Como nunca acontecerá com político algum.

Portanto, é total o agravo do Perspectiva no que tange a tentativa de Álvaro Uribe de autorizar ele mesmo, através de referendo popular permitido pelo Legislativo, ou seja, com os instrumentos do “kit” chavista, a tentar a segunda reeleição, que lhe daria um terceiro mandato.

Uribe não afirma nem nega que, uma vez permitido o referendo pelo Legislativo e apoiada pela população a hipótese de permissão de mais uma reeleição, ele tentará a vitória novamente.

Porém, todos sabemos que se não houvesse respaldo do Presidente, o projeto não avançaria, até porque Uribe poderia, muito bem, se fosse de sua vontade, desautorizar as manobras.

Fim das contas, merece críticas severas qualquer um que tentar perverter a democracia. Mesmo que seja através dela mesma, como na agenda bolivariana.

Seja Chávez, ou seja Uribe.