Postagens com a palavra-chave ‘Bolivarianismo’

Conselho Nacional de Política Externa proposto pelo PT causa forte receio em especialistas e dúvida em eleitores

09/02/2010

Recentemente, documento oficial do PT propôs a criação de um Conselho Nacional de Política Externa. Seria órgão federal com influência nas estratégias internacionais, geopolíticas e comerciais brasileiras e paralelo ao Ministério das Relações Exteriores.

Aparentemente, o Conselho seria formado não só por especialistas na área da política externa, mas também por membros indicados por ONGs, movimentos sociais e sindicatos.

Obviamente, a ideia trouxe forte receio e duras críticas por parte de diplomatas e acadêmicos. Até o petista Eduardo Suplicy, que já presidiu a Comissão de Relações Exteriores do Senado e que portanto sabe o efeito maléfico que este Consellho traria, se colocou contrário à ideia.

Ora, meus caros leitores, não é possível que alguém em sã consciência, que não coloca a ideologia à frente do bom senso e do bem nacional, possa achar que trata-se de boa proposta a de termos um Conselho claramente doutrinado e tendencioso com poder deliberativo sobre nossa política externa.

O dia de estreia da diplomacia brasileira controlada por movimentos sociais, sindicatos e ONGs é o dia do fim dessa mesma diplomacia por excelência.

É impensável que algo assim seja bom para o País. É nítido que trataria-se de política externa de partido e não de governo, que dirá de Estado.

Em suma, é ideia péssima, condenável e até risível, além de mais um elemento de uma cartilha de guinada governamental à esquerda atrasada e órfã do Muro de Berlim que tem se consolidado ultimamente com propostas como o Programa Nacional de Direitos Humanos e que assusta.

É por essas e por outras que muitos estão com receio e até medo do que pode advir de um novo governo petista.

Lula, ao chegar ao poder, manteve diversas diretrizes herdadas do governo do PSDB, o que irritou a ala esquerdista mais radical dos governistas, sejam do PT ou de outros partidos de esquerda da base aliada. Quem sabe agora é chegada a hora de um acerto de contas com essa esquerda atrasada, que se por um lado agradaria Tarso Genro, Marco Aurélio Garcia e afins, por outro seria péssimo para o País.

O PT, com essas propostas, está correndo o pergio de demonstrar que Dilma não é a continuidade, e sim uma guinada questionável à esquerda e uma pincelada alarmante de chavismo.

Se eu fosse petista recomendaria parar com essas imaturidades ideológicas já,afinal, ninguém quer um Brasil bolivariano, nem mesmo os que dão a Lula mais de 80% de popularidade.

Contudo, como sou eleitor, torço para que essas propostas equivocadas não vinguem, mas comemoro a proposição delas. Precisamos conhecer o real rosto dos postulantes ao cargo mais importante da República para decidirmos nosso voto sem ilusões.

Se esse chavismo brando por enquanto e tupiniquim for o real rosto de Dilma, ela não representa a continuidade e definitivamente não é o que os brasileiros querem para o País.

No fim das contas, os petistas mais radicais tem que tomar cuidado. Podem estar dando bons motivos para nós, brasileiros, votarmos em José Serra.

Chávez teria financiado, literalmente, atentado contra a democracia na Nicarágua

02/02/2010

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, tem passado guerrilheiro. Hoje, porém, segue, infelizmente, o caminho de muitos ex-guerrilheiros que conseguem chegar ao poder, seja pela via democrática ou não: O caminho do autoritarismo. Sendo assim, não surpreende a aliança existente atualmente entre ele e Hugo Chávez. Foi por conta dela que a Nicarágua passou a fazer parte da ALBA, Aliança Bolivariana das Américas, alternativa chavista à ALCA.

Como não poderia deixar de ser, o neo-bolivariano Ortega – que, diga-se de passagem, preside um país que na verdade é governado nos bastidores por sua esposa, Rosario Murillo – começou a assediar os meios de comunicação que, coincidentemente, dizem verdades que não agradam ao regime.

Agora, a situação chega ao extremo, com a compra por Ortega do Canal 8 nicaraguense, a Telenica. Está claro que o líder da Nicarágua tenta siienciar a oposição.

Mas a pior parte da história não é essa. O pior de tudo vem agora.

Foi Chávez quem deu dinheiro a Ortega para que este pudesse comprar o canal de televisão de seu país que era uma voz de oposição, calando assim as críticas.

Era da Albanisa (ALBA da Nicarágua S.A.), consórcio criado por Chávez para recompensar o apoio político dado pela Nicarágua ao bolivarianismo, o dinheiro utilizado para a compra. O gerente-geral da Albanisa, Rafael Paniagua, confirmou que foram fundos da sociedade que possibilitaram a compra do canal.

Trata-se de Chávez financiando, literalmente, os atentados contra a democracia na América Latina. Foi o dinheiro que a Venezuela transfere para a Nicarágua em troca de apoio político, através de empresas de fachada como a Albanisa, o utilizado para calar a oposição que Ortega enfrenta.

Ao invés de governar melhor, respeitar a democracia e os direitos da oposição e prezar a liberdade, Daniel Ortega preferiu pegar o dinheiro que a Venezuela lhe dá e calar a boca dos opositores. Levando em conta a índole de Chávez, este deve ter aplaudido e repetido a ladainha de que o tal canal de televisão era “representante das oligarquias entreguistas, do capitalismo selvagem e do imperialismo americano”. O fato de ele fazer oposição ao regime deve ser mera coincidência.

Por essas e por outras o ideário bolivariano, o comportamento de Chávez e a política expansionista do chavismo só podem ser encarados como nocivos.

Felizmente, Chávez enfrenta hoje dificuldades políticas internas e externas, que podem levar, no médio prazo, ao ocaso do chavismo.

As dificuldades econômicas do povo venezuelano, que ao contrário das dificuldades políticas de Chávez não podem ser comemoradas por ninguém, também colaboram para este quadro de derrocada.

Perspectiva: Hugo Chávez – Início do fim?

01/02/2010

Os últimos acontecimentos políticos da América Latina podem ter decretado o fim da expansão do bolivarianismo na região. Os recentes fatos políticos venezuelanos, por sua vez, podem representar mais: A derrocada de Hugo Chávez. Externa e internamente o semi-ditador enfrenta graves dificuldades de ordem socio-político-econômica.

No que diz respeito à América Latina, o bolivarianismo recebeu, recentemente, três golpes duros:

A vitória de Sebastián Piñera nas eleições presidenciais chilenas, através de um discurso anti-Chávez e da defesa de um projeto de centro-direita.

A resolução pacífica do impasse hondurenho, com a confirmação de perda do poder e ida para o exílio de Manuel Zelaya, representante da ideologia chavista no País, e subida à presidência de Pepe Lobo, conservador e defensor de um discurso de conciliação que agradou os hondurenhos.

E a atuação humanitária ampla e elogiadíssima dos Estados Unidos no Haiti, recuperando para os americanos um pouco da imagem de benfeitores que já existiu em algumas épocas passadas e enfraquecendo o argumento bolivariano de que os EUA são os vilões e malfeitores da América Latina.

No que concerne o cenário político-econômico interno da Venezuela, a conjuntura também não é nada animadora para os chavistas:

Uma crise cambial séria atinge o país, trazendo inflação, desabastecimento e recessão. Desvalorizações monetárias desastradas, planos econômicos pouco eficientes e fixação de preços têm sido o caminho de combate não muito eficiente escolhido.

Sucessivos cortes de energia elétrica se dão nas cidades venezuelanas. Há racionamento intenso e agressivo. Uma crise energética clara está completamente instalada. Também existe falta d’água em algumas torneiras, além de uma seca que afeta a agricultura já enfraquecida pelos anos de desatenção chavista.

E o regime de Chávez, afetado por isso tudo, está em baixa significativa. O Vice-Presidente renunciou. A Ministra do Ambiente, esposa deste, também. Deixou igualmente o governo o Presidente do Banco da Venezuela. Há definitivamente algo de podre no reino chavista dos bolivarianos.

Diante de toda esta situação político-econômica difícil, Hugo Chávez perdeu de vez o controle. Decidiu, como os piores ditadores, responder aos pedidos de mais liberdade com mais repressão, devolver as críticas com justificativas absurdas e risíveis e ameaçar os opositores internos e externos com bravatas.

Enquanto Chávez afirma ridiculamente que os Estados Unidos causaram um terremoto que atingiu a Venezuela, a criminalidade no país dispara, chegando a níveis recordes.

Ao mesmo tempo em que o líder venezuelano desafia a oposição a afastá-lo e repete o enfadonho, mofado e equivocado discurso de que os protestos populares recentes são obras de conspirações oligarcas e burguesas, sua popularidade despenca entre a população e as mobilizações contrárias ao regime e defensoras de mais liberdade, principalmente de opinião e de imprensa, proliferam.

Ao passo que a influência externa de Hugo Chávez vai minguando, seu poder também se reduz internamente. Seu governo começa a ser questionado com mais atrevimento, fato típico do ocaso das ditaduras e das gestões autoritárias.

- Se Chávez está acabado, bem, me afastem! Com toda a energia gasta nessa loucura, toda tinta e papel, que organizem um grupo, peçam o referendo. Vamos ver se dizem mesmo que estou acabado. Ninguém vai impedi-los — foi o que disse o Presidente venezuelano à sua oposição.

Claramente, esperneira e desafia para se afirmar. Líderes personalistas sempre reagem mal às quedas de popularidade e aos questionamentos de suas qualidades. Comprova-se até psicologicamente que o caudilho está em maus lençóis.

Em resumo, temos hoje um cenário de vantagem da democracia liberal sobre o chavismo na América Latina e uma conjuntura socio-político-econômica completamente prejudicial aos planos condenáveis de Chávez no mundo próprio da Venezuela.

Será o início do fim?

Coluna do dia: Chávez, Venezuela e até onde vai a loucura humana

01/02/2010

Por Arthurius Maximus*

Pegue um país pobre, mas que tem petróleo e uma grande capacidade agrícola e pecuária, sendo exportador de carne e grãos, e o transforme em um deserto de fome e miséria passando-o, em poucos anos, de exportador para importador de tudo o que come. Não satisfeito, concentre todas as suas fichas apenas no petróleo e dê gasolina a seus habitantes e aos países vizinhos vendendo-a por um preço de banana, sem utilizar essa riqueza para armazenar divisas e investir no bem da população.

Paralelamente a isso, reprima fortemente a oposição e castigue implacavelmente todos os que se opuserem às suas brilhantes ideias e ações. Ao mesmo tempo, forme uma base de apoio sólida distribuindo benesses e garantindo todo o apoio do Estado apenas aos membros do partido e, ainda por cima, garanta que os “não-membros” terão toda a máquina estatal nos seus calcanhares ao menor deslize ou, em muitos casos, sem que tenham feito nada. Controle os meios de comunicação, distribuição de alimentos e tudo o que gira em torno da vida do cidadão, do mais rico ao mais humilde.

Assim, você terá uma nação aos seus pés e conseguirá colocar em prática todas as ideias idiotas e imbecis que você sempre teve. Crie manchetes em seus jornais e canais de TV jogando toda a culpa de qualquer desastre nos inimigos internacionais mais poderosos e que sabem, bem lá no fundo, que você jamais se erguerá contra eles porque não quer perder a sua boquinha, embora  precise criar uma distração para seu povo culpar outras pessoas.

Faça tudo isso e você terá um país como a Venezuela de Chávez. Desde o início, ao apropriar-se do nome e do legado de Simon Bolívar, Chávez fez da Venezuela o seu quintal. Se antes a vida do povo venezuelano era ruim, hoje é muito pior. Não há comida, energia e muito menos liberdade. O petróleo que poderia gerar riquezas e desenvolvimento foi usado como arma política e em nada reverteu em favor do povo.

Ao mesmo tempo em que a situação se agrava, Chávez inventa que aviões espiões americanos estão invadindo as suas fronteiras (com imagens retiradas da Internet) e desafia as mais elementares inteligências ao afirmar que os EUA dominam os movimentos da crosta terrestre.

Enquanto isso, segue seu reinado de terror e de violência ao exigir em cadeia nacional que seus aliados milicianos ataquem os “contrarrevolucionários da oposição” que são inimigos das “conquistas de Chávez”. Pregando assim a perpetuação de atos como os últimos massacres cometidos por milicianos armados a seu serviço.

Como todo regime ditatorial, a Venezuela de Chávez caminha rapidamente para o caos e para um conflito de proporções sangrentas. Resta saber se “o Grande Líder” será realmente grande e poupará o seu povo desse dissabor renunciando ou “passando para a história”, como tantos outros ditadores fizeram, de forma dramática e espalhafatosa.

Mas, a julgar pela falta de limite da loucura humana e da falta de bom senso que se sente em Chávez, a coisa está apenas começando.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Fotos e comentários: Juventude venezuelana protesta contra o autoritarismo chavista

27/01/2010

A juventude venezuelana cumpre seu papel e protesta contra um regime autoritário, praticamente ditatorial e cada vez mais indefensável. Durante a vida deste Perspectiva, as críticas duras a Hugo Chávez aumentaram com o tempo. Os número de defensores de que há uma democracia na Venezuela tomou o caminho inverso. Chávez não ludibria mais ninguém.

Hoje a Venezuela tem economia fraca, preços indexados e inflação galopante. A liberdade de imprensa sofreu mais um ataque contundente através de novas dificuldade impostas à RCTV.  Membros importantes do governo chavista renunciam a seus cargos.

Como já disse este que vos fala anteriormente, há algo de podre no reino chavista da República bolivariana. Sempre houve. Mas agora apodreceu de vez.

A juventude da Venezuela sabe disso. E quer mudança.

Chávez, em resposta a eles, nomeou um novo Vice-Presidente mais radical do que o anterior.

Era de se esperar algo assim de um homem que hoje entra no caminho da busca de conhecimento e de sonhos de seus jovens, caminha na contramão da história e é caricatura de si mesmo, piorando o que já não era nada bom.

Análise Geral: PSDB, PT e o futuro do nosso Brasil

03/01/2010

O Partido da Social Democracia Brasileira e o Partido dos Trabalhadores protagonizam, hoje, um bipartidarismo de fato no que diz respeito à política nacional. Por mais que outras legendas tenham sob seus domínios municípios e estados da federação, é impossível imaginar, atualmente, um projeto de terceira via ocupando o Planalto em curto e até médio prazo.

Por mais que o maior partido do País seja, hoje, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro, isso não o coloca como o mais robusto e estruturado da nação. Ao contrário, o PMDB é o mais capilarizado, justamente, por ter se dividido, tornando-se uma federação de caciques que, regionalmente, lutam por seus próprios interesses e nada mais, mas todos sob o número 15. Resta a um PMDB gigantesco, porém essencialmente desunido, orbitar o poder federal, que já está há dezesseis anos – tendo tudo para continuar assim por mais alguns – nas mãos ou do número 45, ou do número 13.

Outras legendas, como o Partido Socialista Brasileiro e o Democratas, têm expressão suficiente para almejar, com o passar dos anos, a construção de um projeto presidencial com chances de ser bem-sucedido. Acontece que parece impensável um sucesso do PSB sem o apoio do PT. O mesmo se pode dizer com relação a um sucesso do DEM sem o apoio do PSDB. Portanto, resta comprovado que o espaço para a terceira via no âmbito federal é estreito ou até nenhum.

Fazendo, com o auxílio deste texto, uma reflexão acerca do cenário político-partidário brasileiro, o leitor pode acabar por chegar à conclusão de que PT e PSDB são os partidos que, atualmente, apresentam ao eleitorado tupiniquim projetos de nação embasados e alternativos. Pois bem. Estaria esta conclusão correta? Não.

Os projetos não são tão embasados assim, tendo lacunas visíveis, e, principalmente, não são nem de longe alternativos. Contrariamente, são complementares. O governo petista, que se iniciou em 2003, não pode ser enxergado como algo diferente de uma mescla de uma continuidade do governo tucano, vigente entre 1995 e 2002, e atenções maiores a certos setores como os movimentos sociais e os mais pobres. De igual forma, é completamente equivocado imaginar que um possível governo tucano futuro possa vir a direcionar o País de forma a empreender uma guinada brusca ou uma mudança de rota drástica.

O futuro do nosso Brasil promete ser melhor que o presente em grande medida. As previsões – por mais que os precedentes gerem desconfianças – apontam para tempos de desenvolvimento, de redução da pobreza, de aumento da qualidade de vida. Pois bem. Por acaso alguém já viu previsões de futuro condicionadas à presença do Partido dos Trabalhadores ou do Partido da Social Democracia Brasileira no poder? Certamente que não. E nem verá. Porque o Brasil já atingiu, ainda bem, uma maturidade política, pelo menos em nível federal, que inibe aventuras e arroubos. Esteja no poder o PT ou o PSDB, continuará a nação nos trilhos, rumo ao futuro previsto. Algumas mudanças de linha podem se dar, é verdade, mas o destino se manterá o mesmo, simplesmente pois a divergência entre trabalhistas e social-democratas brasileiros se dá na disputa por poder, e não na agenda.

As informações que chegam ao conhecimento do grande público são ótimas para ilustrar essa realidade: Em 1996, 48,5% dos brasileiros tinham água encanada, passando para 59,6% no final do governo de Fernando Henrique Cardoso e para 68,3% agora, no final do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1996, 79,9% dos brasileiros tinham energia elétrica, passando para 90,8% sob FHC e para 96,2% sob Lula.

Outros dados seguem o mesmo script: Os telefones residenciais presentes nas casas dos mais pobres passaram de 5,1% para 28,6% e depois para 64,8% dos domicílios. As geladeiras, na mesma conjuntura, passaram de 46,9% para 66,1% e depois 80,1%.

Não poderia estar mais comprovada a continuidade. Obviamente existem as bifurcações leves, as ideologias dos mais extremados de cada grupo que se opõem e a política externa levada de maneira diferente. Contudo, o continuísmo no que vai bem, e até no que vai mal, está fortemente presente.

Daí serem absurdos os terrorismos eleitorais. Tanto o passado, como o atual. Ao divulgar a Carta aos Brasileiros e convidar José Alencar para ser seu Vice, Lula provou que o PSDB não foi fiel à verdade quando exibiu Regina Duarte em seu programa eleitoral afirmando ter medo de uma futura gestão petista. Da mesmíssima forma terá sido ludibriado aquele que crer no PT, quando a propaganda do partido afirmar que José Serra, se vencedor, encerrará os programas sociais vigentes hoje.

Alguns dirão que o PSDB faz uma oposição mais honesta intelectualmente. Talvez. Não se sabe se é por falta de discurso, por medo da popularidade do Presidente, ou por na realidade concordar com o que está sendo feito que os tucanos criticam Lula muito menos do que este criticou-os. Por outro lado, é necessário reconhecer que Lula usufruiu, hoje, de feitos do governo FHC que foram execrados pelo PT à época, coisa que não se dará se o PSDB retomar o poder e se utilizar de feitos petistas. Isso é fato, ponto pacífico. Porém, se é intencional ou não, existência de honestidade intelectual ou não, não se sabe. Cada um dirá o que mais lhe convém.

E o tal futuro? Bom, a previsão é a de que nos próximos cinco anos, o Brasil deve reduzir o número de miseráveis pela metade e aumentar em 50% as classes A e B. As estatísticas afirmam, igualmente, que o Brasil já tem dois trabalhadores para cada idoso ou criança, condição que só acontece raramente por questões óbvias e que favorece o crescimento. Nenhuma das previsões cita a necessidade de se ter o PT ou o PSDB no poder. E nem poderia.

Dito tudo isso, resta, obviamente, o pensamento a respeito de quem será o mais indicado para comandar o País a partir de janeiro de 2011. PT ou PSDB? Serra ou Dilma?

Entretanto, percebam que não há mais o questionamento sobre direita ou esquerda, entreguista ou nacionalista, progressista ou conservador, em nossa reflexão. Não há pois ele é artificial. Não existe na realidade, não procede, não se dá. Quem o incentiva procura lucros eleitorais por entender que ele o beneficia, e não a verdade das eleições. É balela o PSDB entreguista inventado por alguns petistas, que o tentam e tentarão reviver com a discussão do pré-sal partilhado ou concedido. É besteira o PT bolivariano criado por alguns tucanos, que o tentam ou tentarão comprovar citando a política externa brasileira recente.

Alguns dirão, nesse momento, que alguns fatos e episódios relevantes para estas caracterizações estão sendo deixados de lado. Mas não estão. Sabe-se muito bem que muitos tucanos são próximos da grande elite banqueira e empresarial paulista. Sabe-se, também, que a defesa de Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad, Manuel Zelaya, Cesare Battisti, etc, por diversos petistas graúdos não é mera coincidência.

O que se defende não é a irrelevância destes pontos, e sim a noção de que estas são correntes minoritárias que, como nos partidos americanos, não encontram ressonância junto à maioria do partido e, consequentemente, nas ações de condução do País mais decisivas, definidoras e irretratáveis.

Por fim, agora que nossa reflexão vai chegando ao final, a dúvida cruel pode ter tomado conta do leitor/eleitor. Em quem votar, se as semelhanças são tantas?

Ora, a decisão estará nas nuances diferentes, nos pequenos pontos divergentes, nos rumos mais apropriados para atingir o mesmo objetivo, enfim, nos detalhes que – percebam – não foram colocados como desimportantes em momento algum do texto, afinal, é neles que reside o inferno.

Se José Serra e Dilma Rousseff não defendem ou defenderão um programa diametralmente oposto nem de longe, resta decidir pelo melhor candidato, pela melhor equipe, pelo posicionamento preferido no que diz respeito aos tais detalhes.

Isso é pouco e muito ao mesmo tempo.

Coluna do dia: Caso Battisti – Não é com terrorismo que se “salva o mundo”

23/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

No último domingo, 15 de novembro, comemorou-se a Proclamação da República. Três dias depois, na quarta-feira, uma data ainda mais importante passou a fazer parte do calendário “dessepaiz”: 18 de novembro, dia da Proclamação da República Bolivariana do Brasil.

Lula, segundo a Suprema Corte brasileira, não está obrigado a cumprir decisões judiciais terminativas. O Estado é ele. A autoridade suprema do Brasil é ele. A separação harmoniosa dos poderes, pedra angular de toda e qualquer democracia, foi estuprada a fim de se conceder a Lula o cetro do poder absoluto. Lula, aquele que saiu do “sertão do sirigó” em um pau-de-arara e se tornou Presidente, conseguiu, pela via institucional, aquilo que o venezuelano Hugo Chávez tenta até hoje: submeter todo o aparelho do Estado ao seu controle.

O caso Battisti, eu sei, ainda é um tanto obscuro para grande parte dos brasileiros. A imprensa séria não consegue dar todos os detalhes, até mesmo por uma questão prática – matérias televisivas devem atender a certas limitações de tempo. Já na “imprensa com groovin” – aquela que adere ao governo petista -, não há interesse em informar, afinal quanto mais se sabe sobre o caso, mais fica evidente que Battisti não passa mesmo de um terrorista e assassino.

Como um ítalo-brasileiro, filho de pais italianos, posso dizer que conheço a história a partir de uma ótica diferente daquela apresentada no Brasil. E me atrevo a dizer que é a ótica certa. Battisti, um integrante do grupo denominado Proletários Armados pelo Comunismo, era mais um desses humanistas que se enxerga como o portador de uma verdade mística redentora. Ele e seus amiguinhos queriam, em síntese, construir o tal “outro mundo possível”. Como? Bem, da mesma forma que sempre foi feito isso ao longo da história: disseminando a morte, a miséria e o terror.

Sim, eu sei que o que vai acima pode ser apontado como uma construção ideológica. “Você não gosta do comunismo e isso contamina sua análise”, dirão. É, pode ser. Entendam: na minha escala de valores éticos e morais, repudiar o comunismo não implica demérito. Antes, demonstra maturidade intelectual.

Mas tudo bem. Sejamos, pois, mais frios: Battisti foi condenado na Itália por quatro assassinatos. A pena? Quatro sentenças de prisão perpétua. Tarso Genro, o “Beccaria dos Pampas”, afirmou que Battisti não teria participado de nenhum dos crimes diretamente. Mentira! Foi ele, em pessoa, quem matou Andrea Campagna, um funcionário público. Além desse crime, Battisti também foi autor intelectual de outros três. “Ah, mas ele não participou das execuções”, afirmaram os esquerdistas brasileiros. É, diretamente não participou mesmo. Isso o torna menos culpado? Devo, pois, presumir que os mandantes da morte de Dorothy Stang não devem ser condenados, não é mesmo?

Uma vez condenado pela justiça italiana, em 1979, Battisti foi recolhido à prisão, onde permaneceu até 1981, quando conseguiu escapar. Sua peregrinação internacional é vasta: o meliante passou pelo México e pela França, onde ficou até que as autoridades locais decidissem pela extradição. Ele fez, então, aquilo que todo revolucionário de esquerda faz nessas horas: fugiu. Para onde? Bem, para um lugar onde sua ideologia ainda é respeitada. Para um país onde terrorista é chamado de ativista político. Para um local onde há um Deus encarnado que controla tudo e todos. Sim, ele veio para o Brasil.

Aqui, Tarso Genro tomou-o sob a barra de sua saia e decidiu que o sujeito – tadinho… – não passava de um utopista. Sim, ele matou um punhado de gente, mas o fez em nome da – como é mesmo? – “causa revolucionária”.

Mas Tarso não se deu por satisfeito. Ele queria mais! Queria a guerra ideológica. O Ministro da Justiça, em uma ação sem precedente na história mundial, tratou de demonizar a República italiana, acusando-a de perseguir politicamente Battisti e, o que é ainda mais grave, insinuou – com “olhos de cigana, oblíqua e dissimulada” – que o Estado democrático italiano não pretendia fazer justiça, mas vingança. Trata-se de uma afronta direta e inequívoca a um país amigo, que processou e condenou Battisti de acordo com as normas mais basilares do direito.

Mas o que Tarso tem com isso? O que o PT tem com isso? O que as esquerdas radicais do Brasil, todas bolorentas e órfãs do Muro de Berlim, têm com isso? Ora, eles não querem ouvir a razão. Eles não dão a menor bola para tratados internacionais, sentenças criminais e regras do Estado de direito, afinal, historicamente, sempre tentaram destruir a democracia. Lembram de Lênin – ídolo-mor de gente como Tarso Genro e Battisti? A democracia é apenas uma concessão que a sociedade pré-revolucionária faz à burguesia. Em outras palavras, é o sistema onde eles aceitam viver, até o dia em que resolvem empunhar seus trabucos humanitários e dar uns tiros nas nossas cabeças.

No mais, a atitude de Tarso Genro e daqueles políticos esquerdistas que foram confraternizar com o terrorista não me surpreende nem um pouco. Essa gente, está posto, sempre teve seus terroristas de estimação. Lênin, Mao, Fidel, etc. Sempre que algum facínora surgiu disposto a mudar o mundo a peso de bala, algum “intelectual” esquerdista se fez presente. O governo Lula, aliás, é pródigo em se relacionar com o terror mais condenável. No primeiro escalão do governo, por exemplo, há o ministro Paulo Vanucchi e a ministra Dilma Rousseff, dois terroristas confessos. Esta última, aliás, o PT pretende levar ao Planalto. Se a eleição de Lula foi simbólica por representar a chegada do “homem do povo” ao poder, a de Dilma pode representar a queda oficial da democracia, com a chegada do sentimento filoterrorista ao controle da nação.

Não. A condescendência de Lula, do petismo e das esquerdas brasileiras para com o terror não é nova. A surpresa foi a capitulação da Corte Suprema do Brasil, que roubou a “espada da Justiça” da deusa Têmis e, depois de se prostrar em reverência, entregou-a ao Presidente. Não há mais limites para o poder absoluto lulista, já que o Parlamento, há anos, está sob controle de sua base política. Agora, neste triste novembro de 2009, o Judiciário também se entregou, rendido ao charme popular do “cara”.

A permanência de Battisti no Brasil é apenas simbólica. Simboliza, é claro, algo vergonhoso, pois o terrorista assassino ilustra um legado de morte e miséria, próprio daquela distopia coletivista que pretende criar um novo mundo – e um novo homem – por meio do homicídio desenfreado. Ainda assim, contudo, estamos falando apenas de um símbolo.

O dado mais grave é que o precedente de ontem mostra um norte moral. Uma escolha ideológica que reflete indiscutivelmente sobre o modelo de mundo que essa gente medonha tem em mente. Acusaram-me várias vezes ao longo da vida de ser um reacionário. Bem, eu o sou! Isso porque reajo de forma dura e convicta contra aquilo que abomino. Não tenho a pretensão de carregar o estandarte da liberdade dos homens. Mas não me furto a erguer o escudo das liberdades individuais, que deve proteger as pessoas de toda e qualquer sanha autoritária.

Afinal, se os homens e mulheres livres do Brasil – e do mundo -, cada um disposto a defender suas liberdades e sua individualidade, não reagirem contra a subversão dos valores morais, quem o fará? Este governo petista, aparelhado por terroristas? Que nada! Depois de ontem, ficou claro que nem o Judiciário pode vir em nosso socorro. Mas não há de ser nada mais que um – mais um! – período sombrio da história humana. A liberdade, vocês verão, há de triunfar. E a liberdade só vence quando os seus inimigos, como Battisti, Tarso Genro e tantos outros são derrotados.

*Yashá Gallazzi, escrevendo excepcionalmente em uma segunda-feira,  é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Democracia é mais do que mero procedimento

09/11/2009

As férias de fim de ano estão chegando aos poucos e este blogueiro que vos fala começou a pesquisar em lojas virtuais. A pesquisa visa decidir que livros comprar para ler no tempo livre que surgirá pela parada das aulas na universidade.

Pois bem. Neste minha pesquisa encontrei um livro chamado Democracia: Não é Apenas Procedimento. Trata-se de um livro pequeno e não sei ainda se o comprarei. Porém, sem dúvida alguma a descrição deste livro, que visa explicar resumidamente do que ele trata, é sensacional.

Democracia, definitivamente, é mais do que mero procedimento. Eu dedico o trecho abaixo, que descreve o livro supracitado, a todos os chavistas e bolivarianos, defensores do “kit-Chávez”, que tentam defender que existindo alguns procedimentos democráticos, existe democracia real, o que é uma falácia.

Não bastam plebiscitos e referendos para que as liberdades democráticas estejam garantidas. O bolivarianismo, ao contrário, suprime estas através daqueles. Não só na Venezuela, como na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Por tentar o mesmo em Honduras, Zelaya foi deposto.

Dito isso, confiram:

“Os princípios e valores da democracia ateniense  ‘liberdade, igualdade e solidariedade’, que se efetivaram impedindo a concentração dos poderes existentes na sociedade, podem ser encontrados ainda hoje nos sistemas institucionais das atuais democracias, porém recontextualizados por conta da diversidade e modo de organização da atividade econômica na sociedade.

Se por um lado a democracia requer respeito às normas que instituem procedimentos para conquistar o poder político e racionalizar os conflitos, por outro lado o conceito atual transcende o mero procedimento para efetivar e garantir os valores da dignidade, cidadania e justiça”.

Coluna do dia: Chávez e os riscos da Venezuela no Mercosul

02/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A comissão do Senado encarregada de julgar a entrada da Venezuela no Mercosul deu parecer favorável à inclusão do Estado Bolivariano. Como grande importador, a Venezuela tem um enorme potencial positivo para nós. Contudo, é interessante ressaltar que esses benefícios podem se transformar rapidamente em dores de cabeça terríveis e em problemas futuros que assombrarão a nossa nação por um bom tempo.

Sendo Chávez potencial Presidente eterno de seu país, a falácia de que o Mercosul está firmando parceria com o Estado Venezuelano e não com seu líder é uma balela sem tamanho e uma infantilidade imperdoável. Chávez é um elemento pernicioso política e economicamente e trará uma enorme desagregação para o bloco que já não é lá pautado por uma unidade harmônica.

Imaginar que um Presidente responsável por mergulhar seu país em uma miséria sem sentido, quando é uma terra riquíssima em petróleo e em recursos agrícolas, pode ser ouvido em um parlamento comum onde será apenas “mais uma voz” e não a voz dominante como ele sempre deseja ser é um erro que se mostrará fatal para o bloco e para a liderança do Brasil junto a seus parceiros comerciais.

Os números da Venezuela não mentem: de um país exportador de alimentos, a Venezuela pós-Chávez, é hoje um país faminto e repleto de carências alimentares. Faltam carnes, leite, cereais e outros alimentos mais básicos. A Venezuela de Chávez é um país que importa 82% de tudo o que come e que caminha para os 90% a passos largos (graças à desistência dos criadores de gado – que são vistos como bandidos capitalistas por Chávez).

Mesmo os novos projetos agrícolas venezuelanos, tocados com muito dinheiro brasileiro e com o uso em larga escala de empresas, mão–de-obra e técnicas brasileiras não serão suficientes para reduzir a dependência alimentar da Venezuela, dada a dramática destruição de seu parque agrícola e a entrega das grandes propriedades produtivas para a agricultura dos “sem terra” locais. Nessas áreas, como aqui também, a produtividade é pífia e é incapaz de fazer frente à demanda.

Julgar que um país de tantos contrastes, e com um altíssimo viés autoritário e personalista, aceitará restrições e regras impostas pelo Mercosul sem se manifestar ou sem tentar fazer uso do bloco para seus próprios fins políticos (e para a incrível necessidade que Chávez tem de aparecer a qualquer preço), não lançando o Brasil em uma barca furada sem tamanho e que terá repercussões imprevisíveis em nossa balança comercial e em nossa própria economia é muita ingenuidade.

Cabe agora ao Plenário do Senado fazer algo a respeito. Mas, diante do retrospecto desta câmara, as perspectivas são de aprovação sumária diante da esmagadora maioria governamental referendada pelo PMDB e pela pressão das empresas exportadoras, ávidas pelo mercado faminto e desesperado da Venezuela.

Resta a esperança de que um próximo governo saiba identificar os sinais da derrocada do bloco (que já nasceu morto) e saiba pular fora desse barco antes que seu naufrágio nos carregue, a todos, para o amargo fundo do poço em que a Venezuela se encontra hoje.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Amapá – Até o imperialismo seria melhor

23/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Outro dia, navegando pela internet, li que um bando de estúpidos apontou o aeroporto de Heathrow, em Londres, como sendo o pior do mundo. Estúpidos, eu disse? Sim, disse! Quem quer que tenha decidido isso, nunca colocou os pés no aeroporto de Macapá, um lixo de qualidade inferior a de muitas rodoviárias do interior nordestino. Há algum tempo, o novo aeroporto deveria ter sido inaugurado, mas as obras estão paradas em razão de reiteradas fraudes.

Sim, é claro que o parágrafo acima encontra-se permeado de ironia. Sei perfeitamente que Heathrow foi considerado o “pior dentre os melhores”, e que o aeroporto-chiqueiro de Macapá nem entra na disputa. Mas, então, por que falei aquilo? Bem, a principal razão é que meu esporte preferido, nos últimos tempos, tem sido analisar o ridículo que assola o Amapá e suas mazelas sócio-políticas. Aqui o estado das coisas é tão deprimente, que não há a menor esperança de melhora. Resta, portanto, a sátira.

Os leitores conhecem Bolívar, eu suponho. É aquele sujeito idolatrado por Chávez e por seus “macaquitos” revolucionários. É o – como é mesmo? – “libertador da América Latina”! O que poucos sabem é que Bolívar, em seu leito de morte, disse uma de suas frases mais célebres: “A melhor coisa a fazer na América Latina é emigrar.”

Por que o herói bolivariano estava tão pessimista – ou realista – ? Bem, porque ele já havia, então, conhecido a gentalha que se aboletou no poder depois que os países foram libertados. Em síntese, ele percebeu que ajudou a trocar a exploração imposta pelo primeiro mundo, por aquela bananeira, rastaquera e simiesca.

E daí? Bem, daí que Bolívar não conheceu o Amapá… Tivesse conhecido, sua famosa frase seria um pouco diferente: “A única coisa a fazer no Amapá é emigrar.” Aqui, de onde escrevo estas linhas, o homo sapiens simplesmente não encontra um ambiente propício para sua sobrevivência. Os primatas, aliás, o perseguem de forma cruel e virulenta, a fim de preservar o golpe de Estado que deflagraram desde o primeiro dia.

Costumo dizer que Maluf seria um grande prefeito para Macapá. E seria mesmo! Sim, todos sabemos que o sujeito é condenável, mas ele “faz”. Haveria trambiques? Sem dúvida! Mas haveria ruas, acostamento e, com alguma sorte, hospitais. Hoje, temos um buraco pútrido onde não há esgoto, água tratada e asfalto. Aliás, nem seria preciso apelar a Maluf. Um “pogreçista” como Chávez já poderia fazer um grande trabalho por aqui. De cara, não seria preciso cooptar a imprensa à força: no Amapá, os poucos – e péssimos – jornais que existem oferecem seus serviços espontaneamente.

Mas, afinal, por que aborrecê-los falando de um rincão esquecido por Deus, cuja importância política é menor que a do – sei lá… – Curdistão? Bem, é que o Amapá, esta semana, bateu mais um recorde interessantíssimo. O atual Prefeito, eleito em 2008, foi cassado incríveis cinco vezes pela justiça eleitoral de primeiro grau.

Estão surpresos? Pois saibam que o mesmo Prefeito – o “pentacassado” – foi absolvido, no Tribunal Regional Eleitoral, por incríveis cinco vezes! O tal Prefeito, caso não saibam, é primo do Governador e mereceu o apoio incondicional de José Sarney, aquele cuja literatura tem qualidade questionável.

O mais curioso, contudo, não são as reiteradas absolvições. Nem o evidente conflito de entendimento jurídico que há entre a primeira e a segunda instâncias da Justiça Eleitoral amapaense. O que me deixa fascinado são as nuances de cada caso em si. Em um dos julgamentos, por exemplo, o TRE disse, sem meias palavras, que era preciso dar continuiade à boa administração que o Prefeito vinha desenvolvendo, como se isso fosse argumento válido para afastar a prática de um delito. É como se eu dissesse: “Sim, realmente o acusado matou o réu, mas o réu era um bandido mesmo…”

Na mais recente absolvição do “pentacassado”, uma das testemunhas arroladas pela acusação era – pasmem! – um juiz eleitoral. E, ainda assim, a corte de justiça deste estado apequenado, pedestre e simiesco entendeu que não havia provas suficientes para a condenação. Não estou certo, mas posso apostar que a tal boa administração do Prefeito deve ter sido invocada também.

Dia desses, um grupo de pedófilos foi colocado em liberdade por decisão de um magistrado da justiça estadual. Segundo ele, não haveria provas suficientes dos crimes… Ah, quase esqueci! Um dos pedófilos, no ato da prisão em flagrante, estava em sua cama, acompanhado de vários menores. Essa é, a meu aviso, a pá de cal que faltava sobre o cadáver deste estado, em adiantada decomposição. Quando um poder republicano decide não punir delitos que atentam contra a sociedade civilizada, tem-se a barbárie. Ao Amapá, portanto, não resta mais nenhuma esperança.

Aliás, até resta… Costumo dizer que apenas uma invasão americana poderia resgatar este lugar. Se os Estados Unidos conseguiram livrar o mundo de Saddam, por que não poderiam livrar o Amapá de Sarney? Claro que poderiam!

Assim, já que o pacifista Hussein Obama não vai se reeleger em 2012, posso contar com o Republicano que o sucederá para atirar algumas “bombas” sobre as nossas cabeças. Eles vêm, atacam, ocupam, controlam e, em troca, nós podemos ganhar ruas asfaltadas, canteiros floridos e internet sem fio nos parques públicos, exatamente como em Bagdá.

Sim, eu sei que existiriam transtornos, mas os ganhos seriam tremendamente maiores. No mais, esse tem sido o destino dos rincões pútridos e bolorentos ao longo da história: os conquistadores trazem a civilização, e levam embora as “filhas virgens”.

Ôpa! Lembrei que vai ser difícil encontrar “filhas virgens” no Amapá… É provável que a tal rede de pedofilia – agora à solta, por obra do judiciário – tenha acabado com todas.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento