Postagens com a palavra-chave ‘Azeredo’

Coluna do dia: Moral única – Uma boa resolução de ano novo

01/01/2010

Por Yashá Gallazzi*

Alguém aí faz resolução de ano novo? Sim?! Ótimo! Querem uma sugestão? Lá vai: não tenham bandidos de estimação!

Trata-se do melhor – e mais útil – conselho que eu poderia dar a vocês, leitores. Acreditem: é libertador encarar o mundo e os fatos com olhar altivo e com a consciência limpa. É fascinante poder enfrentar qualquer debate, qualquer discussão, sem precisar fazer contorcionismo a fim de defender este ou aquele meliante.

Antes, porém, cumpre fazer uma pequena advertência: ao abdicar de defender bandidos, o leitor estará se afastando de forma inequívoca e definitiva dos extremos político-ideológicos. A esquerda e a direita mais radicais, portanto, não poderão ter mais vez.

Sabem o que aconteceu no STJ, há coisa de alguns dias? Por meio de uma decisão liminar, a chamada “Operação Satiagraha” foi suspensa. E daí? Daí que Daniel Dantas, aquele mesmo que foi escolhido como símbolo maior dos males brasileiros, vai se safar de todas as acusações.

Culpa da corrupção? Da morosidade do Judiciário? Das leis brasileiras? Que nada! A culpa, meus caros, é de Protógenes Queiroz, aquela “otoridade”, que achou por bem estuprar uma infinidade de garantias individuais previstas na Constituição, a fim de fazer “justissa cás pópria mão”.

Protógenes, que chegou a dizer que queria ser carcereiro de Dantas, ficaria muito melhor do lado de dentro da cela, ao lado do bandido. Não há diferença essencial entre os dois: ambos subjugaram as leis e atacaram o Estado de direito, promovendo a infração e a injustiça. Aliás, neste aspecto, há, sim, uma diferença fundamental entre eles: Protógenes cometeu seus crimes com a desculpa de que lutava por um “bem comum”.

O STJ cuidou apenas de aplicar a lei, jogando por terra uma investigação que nasceu viciada por ilegalidades. “Ah, mas era contra o Dantas!” E daí? Fosse contra o demônio, eu estaria aqui dizendo o mesmo: não se pode fazer concessões à ilegalidade em nome de nenhuma “causa” supostamente redentora. Protógenes violou a lei – e desafio qualquer um a demonstrar que não a violou – para prender o bandido? Pouco importa. Todo fascismo começou prometendo caçar delinquentes.

“Então você defende Dantas!”, gritam aqueles que têm duas morais. Eu? Eu quero mais é que ele vá pro diabo! Que seja preso, processado e condenado! Mas – atenção agora! – tudo de acordo com as leis e o direito, afinal, vivemos em uma democracia, não é mesmo? Saibam, meus caros, que ninguém precisa piscar um olho para a ilegalidade a fim de defender a justiça.

Lembram que eu mencionei bandidos de estimação? Pois é, não os tenho. Afirmei de forma categórica que Dantas merece a cadeia, de preferência pelo resto da vida. Da mesma forma, afirmo que Protógenes merece o mesmo destino, afinal, assim como o tal “banqueiro bandido”, o “dotô” delegado também violou leis e fez vítimas inocentes.

Viram que coisa mais libertadora? Eu, apoiado apenas em minha moral única e franca, posso defender a prisão para todo tipo de bandido, sem fazer concessões de ordem ideológica. O mesmo acontece no caso dos vários mensaleiros. Impeachment e cadeia para Arruda! E o mesmo para Lula, Dirceu, Genoino, Azeredo e companhia.

Os radicais da esquerda não poderão jamais me acompanhar, afinal, eles condenam Arruda com a mesma facilidade com que defendem Lula. Se formos um pouco além, veremos que essa mesma turma consegue defender, até hoje, regimes assassinos como os de Stálin, Mao e Castro.

Os extremistas da direita, de igual forma, estão presos às carcaças de gente espúria como Hitler, Mussolini, Pinochet e Franco. Eles precisam defender seus bandidos, e o fazem ao mesmo tempo em que condenam os bandidos dos outros…

Eu? Bem, eu sou um tantinho mais livre que essa turma toda. E sabem como isso funciona? Simples: basta ter apenas retidão moral e de princípios. Em outras palavras, é preciso chamar bandido de… bandido! Seja ele um banqueiro fraudador e corruptor, ou um delegado que se vale do aparelho do Estado para vilipendiar garantias individuais.

Eu prometo que neste novo ano continuarei apontando o dedo para todos os bandidos, sem exceção. Continuarei condenando a todos de forma igual e determinada, defendendo apenas a verdade.

Será que os extremistas – de esquerda e de direita – topam fazer a mesma promessa?

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Os mensalões – Ser livre é não ter bandidos para proteger

11/12/2009

Por Yashá Gallazzi*

Na coluna da semana passada, escrevi sobre as duas éticas de certa esquerda brasileira. Mostrei, por exemplo, que os petistas conseguem transitar com desenvoltura entre dois mundos incompatíveis: negam o mensalão lulista, alegando que tudo não passou de “golpismo das oposições”, ao mesmo tempo em que saem às ruas para protestar contra o mensalão de Arruda.

A coluna em questão, vocês devem ter notado, despertou a ira de um ou outro leitor deste site. Os mais afoitos não buscaram meias palavras, e saíram logo acusando o “direitismo preconceituoso” deste escriba. No Brasil de Lula, as coisas andam um tanto engraçadas… Se você defende cadeia para todos os bandidos – independentemente da filiação ideológica que tenham -, é tratado como um conservador; um direitista. Se, porém, você defende o roubo feito em nome da “causa”, aí a coisa muda de figura. Você deixa de ser um “porco reacionário” e passa a integrar aquela turma do tal “outro mundo possível”.

Os leitores conhecem, estou certo, a dona Dilma Rousseff. Para quem não sabe, a senhora é a “mãe do PAC”. Que PAC? Bem, isso caberá aos petistas explicar, não é? Dilma também é aquela terrorista, que militou, durante muito tempo, em uma organização dada a sequestros e roubos. Sim, eu sei perfeitamente que dizer essas coisas é motivo bastante para ser chamado de “porcoreacionárioedireitista” pela gente do politicamente correto. Fazer o quê? Ela é chamada de terrorista não porque eu quero. É porque um dia escolheu sê-lo.

Pois Dilma, essa gigante moral, essa humanista que acreditava em um “outro mundo possível” – erguido sobre corpos de adversários políticos -, disse, outro dia, acerca do mensalão, o seguinte: “As imagens são estarrecedoras. Muito duras, muito claras.” Sim, é verdade. Mas estou cá com um dúvida, caros leitores… Espero que vocês possam me ajudar: Dilma se referia a qual mensalão exatamente? Aquele de Arruda? Aquele de Minas (de Azeredo e do PSDB)? Ou aquele de Lula, de Dirceu e do PT? Sim, é óbvio que estou sendo irônico – e um pouco sarcástico…

Eis aí. Menos de uma semana depois de publicada aquela minha coluna, podemos comprovar de forma empírica o funcionamento das duas éticas dessa gente sociopata. O que temos acima é Dilma mostrando de forma clara sua indignação com relação aos desmandos gravíssimos ocorridos no governo do Distrito Federal. Nada mais correto, afinal, toda pessoa de bem deve se erguer contra aquela barbárie.

Mas Dilma, não! Ela não tem direito de se indignar, porque, afinal, não é uma pessoa de bem! Quem sou eu para dizer isso? Ora, sou alguém que nunca tentou mudar o mundo por meio do roubo, do sequestro e do assassinato. Convenhamos: sou um anjo de candura se comparado à “mãe do PAC”.

Dilma se mostrou escandalizada com o mensalão de Arruda na mesma semana em que sentou à mesa com Dirceu e Genoino, dois dos principais nomes do mensalão petista. Desfaçatez? Oportunismo político? Trapaça ideológica? Que nada! Essa gente é assim simplesmente porque… é assim! É uma questão moral mesmo. Lembram? Gramsci, outro sujeito dado ao terrorismo, já falou sobre isso: a moral deles (revolucionária) é diferente da nossa (a “burguesa”). Sendo assim, os valentes do “outro mundo possível” não estão submetidos aos nossos códigos éticos e morais, afinal – vejam que mimo! – foram criados “pelazelite”.

Dilma, lá no fundo do seu coração, sabe por que aceita dividir a mesma mesa junto com gângsters do calibre de Dirceu. Ela o faz porque não vê no sujeito crime algum. É por isso que vai à imprensa repetir o velho mantra petista: “ninguém ainda foi condenado por nada.” Verdade… Arruda também não… “Ah, mas é diferente!”, grita o petista. Pois é… Para eles, é diferente mesmo! Não é mentira oportunista, não! Eles realmente acham que o roubo – ou o mensalão, como queiram -, quando promovido em nome da “causa”, é justificável.

Eu já me vejo como um sujeito um tanto mais ortodoxo… Aos meus olhos, um roubo continua sendo só… um roubo! Percebam: sempre que a ordem jurídica for solapada, o resultado será um número muito maior de injustiças. Logo, não existe verdade alguma nessa psicopatia da esquerda revolucionária, segundo a qual as trapaças de hoje só seriam erradas segundo a “ótica burguesa”. Ou então, mostrem-me que estou errado. Demonstrem, empiricamente, onde os desmandos dessa gente foram exitosos.

De minha parte, prefiro um mundo onde gente como Dilma esteja na cadeia. De preferência, juntinho com gente como Arruda. Aliás, essa é a parte que mais enerva os esquerdistas que se debruçam sobre as minhas linhas… Essa gente é acostumada a medir os outros pela própria régua. Assim, como eles protegem seus mensaleiros petistas, ficam revoltados quando percebem que “os direitistas” não protegem Arruda. Pois é, não mesmo! Quero mais é que Arruda vá para os diabos, juntamente com Lula! E você, amigo esquerdista? Manda Lula para os diabos também? Ou vai ficar falando nas tais conquistas sociais?

Curiosa a mente deles… Em nome da redenção gloriosa, aceitam qualquer tipo de bandalheira torpe. Experimente jogar na cara de um esquerdista que Guevara e Castro foram dois assassinos vagabundos, responsáveis por campos de trabalhos forçados na América Latina. O sujeito, babando de ódio, imeditamente vai desenrolar os tais números virtuosos de Cuba. A educação, a saúde, e todas essas patacoadas que o regime fornece para os idiotas úteis. Mas não conseguem condenar o regime. Não adianta, é mais forte que eles.

Pobres diabos… Não os invejo em nada. Não deve ser fácil carregar nas costas, ao longo de toda a vida, uma infinidade de bandidos, ditadores e terroristas de estimação. E tudo isso ao mesmo tempo em que se combate os bandidos, ditadores e terroristas dos outros. Eu, prisioneiro apenas da minha liberdade individual, não tenho assassinos, terroristas ou ditadores de estimação para defender. Quero mais é que todos se dirijam para o mais profundo dos infernos! E isso vale para Guevara, Castro, Pinochet, Franco, Costa e Silva e, em uma escala um tantinho menor, Dilma e Arruda.

Os humanistas do “outro mundo possível” que carreguem seus criminosos nas costas. Não tenho bandidos para proteger.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Ética dificilmente subirá nos palanques de 2010

05/12/2009

Por conta do escândalo recente envolvendo o Governador José Roberto Arruda e seus aliados e do fato de o mensalão mineiro ter retornado ao palco, analistas políticos afirmam que a ética será tema que dificilmente subirá no palanque nas eleições presidenciais de 2010.

Por conta do mensalão federal, do caso do caseiro Francenildo, do dossiê contra a oposição, etc, o PT já havia perdido a oportunidade de construir parte de sua plataforma em torno da ética e da moralidade.

Agora, pelo fato de o mensalão mineiro envolver diretamente o Senador Eduardo Azeredo e, consequentemente, o PSDB, e de o escândalo do Distrito Federal ter destruído a imagem do Governador José Roberto Arruda e, portanto, atingido o DEM, os especialistas alegam que a oposição perdeu a oportunidade de levantar a bandeira da ética em 2010.

Não sei até que ponto isso é verdade, afinal, o mensalão petista foi notoriamente comandado pela cúpula do partido, enquanto os escândalos da oposição são locais. Porém, com certeza é verdade que, agora, todos têm um certo teto de vidro.

Resta Marina Silva (PV) que, desde antes dos casos recentes identificada com a ética, poderá ser a única a levantar a bandeira da moralidade sem ressalvas. Isso pode fazer com que ela cresça nas pesquisas e, quem sabe, retome sua curva de crescimento que, recentemente, estagnou-se.

Uma coisa é certa: Os candidatos favoritos à vitória em 2010 detêm, agora, munição, uns contra os outros, no campo ético.

Resta saber se será uma guerra de acusações ou um conveniente esquecimento do tema.

O caso do valerioduto mineiro

09/11/2009

Está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal o caso do suposto “valerioduto mineiro”. Para os que ainda não sabem, trata-se, nada mais nada menos, do que um esquema que teria, teoricamente, precedido o mensalão, e que seria operado, também, pelo publicitário Marcos Valério.

A diferença fica por conta dos envolvidos. No caso do valerioduto federal, os políticos apontados como participantes do esquema são do PT, do PTB, do PP e do PR, em sua maioria. Em suma, da base aliada do governo Lula. No caso do valerioduto mineiro, os políticos ditos como cúmplices da falcatrua são do PSDB, ou seja, da atual oposição.

No STF, o Ministro Joaquim Barbosa aceitou a denúncia contra o atual Senador tucano e ex-Governador mineiro Eduardo Azeredo, principal citado no esquema do valerioduto de Minas.

Um dos indícios citados por Barbosa para justificar o acolhimento da denúncia são cartas e o depoimento de uma prima do tesoureiro da campanha do tucano em 1998, Cláudio Mourão.

Segundo a Folha, Barbosa leu trechos da carta enviada ao Ministério Público e à CPI de Minas Gerais por Vera Lúcia Mourão de Carvalho Veloso, que disse ter trabalhado nas campanhas de Azeredo de 1994 e 1998. Ela afirma que Azeredo participava pessoalmente das decisões sobre o fluxo financeiro da campanha.

Em entrevista à Folha, divulgada ontem, Azeredo afirmou que nunca se reuniu com Vera.

A estratégia de defesa de Azeredo tem sido atribuir a Mourão toda a responsabilidade pela parte financeira do comitê. O defensor do tucano, José Gerardo Grossi, disse, no plenário do STF que seu cliente foi traído por Mourão: “Lamentavelmente, faltou-lhe com a lealdade”.

Em seu relatório, o ministro Barbosa citou outros seis indícios do envolvimento de Azeredo com o valerioduto, como “a presença constante” de Valério no comitê eleitoral.

O julgamento no STF foi paralisado, na última quinta-feira, após o pedido de vista dos autos formulado pelo ministro José Antonio Dias Toffoli. Se Toffoli retardar demais o retorno do processo à pauta, o caso pode prescrever.

Os indícios parecem consistentes e Azeredo pode estar a caminho de maus bocados. Se for comprovada a participação dele em tamanho esquema, merecerá todo o rigor da lei e todas as punições que a própria oposição defende para os mensaleiros.

Afinal, estará provado que não difere deles. Nesse caso, Cláudio Mourão será nada mais do que o “Delúbio”da vez.

Promotoria aponta desvio de R$ 2,7 mi em gestão Azeredo

28/09/2009

Informa a Folha:

“O Ministério Público de Minas Gerais acusa o senador e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), de ter se beneficiado, durante a gestão dele (1995-98), de um esquema de fraudes em licitação que teria abastecido o chamado valerioduto tucano e causado prejuízo de R$ 2,7 milhões aos cofres do Estado, informa reportagem de Breno Costa, publicada nesta segunda-feira pela Folha.

O valerioduto tucano, segundo a Polícia Federal, foi um esquema operado pelo publicitário Marcos Valério para ocultar a origem e o destino de R$ 28,5 milhões em recursos públicos desviados e verbas privadas não declaradas, que financiaram a campanha derrotada de Azeredo em 1998.

O valerioduto tucano gerou uma ação penal no Supremo Tribunal Federal contra Azeredo e outra na Justiça Estadual, contra outros 14 réus.

Segundo a reportagem, a Promotoria diz ter identificado um novo braço de financiamento irregular daquela campanha, com ‘pagamentos irregulares’ do governo Azeredo, que resultaram em ‘vultuosas contribuições’ à campanha eleitoral.

Para o Ministério Público, o suposto esquema envolveu sete empresas vencedoras de 25 licitações na gestão Azeredo para fornecimento de terceirizados ao Estado.

Azeredo informou desconhecer a ação apresentada há um mês pelo Ministério Público. Ele diz que ‘terceirização não é assunto de governador’”.

Se as ditas irregularidades, transgressões e falcatruas cometidas por membros do PT com o auxílio do publicitário Marcos Valério devem ser investigadas a fundo e, se comprovadas totalmente, punidas, nas pessoas de seus  agentes, com todo o rigor da lei, o mesmo vale para qualquer tipo de ação semelhante empreendida por membros do PSDB com o auxílio do mesmo Valério.

O suposto valerioduto petista configura esquema vergonhoso, corrupto e pernicioso. Se comprovado o valerioduto tucano, merecerá este os mesmos adjetivos negativos.

O Perspectiva prima pela Justiça, como não poderia deixar de ser, e defende veementemente a investigação de ambos os casos.

Além disso, este blogueiro não pode deixar de dizer que as suspeitas, por mais que possam ainda ser mostradas como infundadas, dispõem de evidências realmente comprometedoras para os envolvidos em ambos os casos.

Sendo assim, é natural que sejam questionadas desde já, embora não judicialmente, mas sim moralmente, as idoneidades tanto dos envolvidos petistas, como dos envolvidos tucanos, em esquemas com a participação de Marcos Valério.

A Justiça trabalhará, infelizmente em ritmo aquém do desejado, e o Perspectiva manterá a vigilância sobre ambos os casos.

Sucessão mineira: Hélio Costa ainda lidera, Azeredo vem na cola

02/06/2009

Informa o jornal mineiro O Tempo:

“Pesquisa realizada pelo Instituto CP2 sobre a intenção de voto para o governo de Minas em 2010 aponta o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), na liderança em três dos quatro cenários montados. O senador Eduardo Azeredo (PSDB) lidera em uma das situações, mas, considerando a margem de erro de 2,17 pontos percentuais para mais ou menos, há um empate técnico. Em outro quadro, Azeredo se aproxima de Hélio Costa.

Os dados mostram que a eleição fica mais difícil para Hélio Costa quando o nome do PSDB é o de Azeredo, em lugar do vice-governador Antonio Anastasia, e que os pré-candidatos petistas impõem dificuldades semelhantes para o peemedebista.

Eduardo Azeredo obteve 35,1% das intenções de voto no primeiro cenário, contra 32,9% do peemedebista. Considerando a margem de erro (somando 2,17 pontos percentuais), Costa atinge 35,07% e encosta em Azeredo. Ainda nesse cenário, o ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Patrus Ananias (PT), aparece em terceiro lugar, com 12,6% da preferência do eleitorado e a maior rejeição (35,8%). Azeredo e Costa conseguiram números de rejeição semelhantes nesse cenário, 17,4% e 16,1% respectivamente.

No segundo cenário, em que o nome de Azeredo é trocado pelo de Anastasia (PSDB), Costa lidera com 48,1% das intenções de voto, Patrus assume a segunda colocação, com 17,3%, seguido por Anastasia, com 5,1%. Patrus tem, nesse quadro, rejeição de 29,6%.

No terceiro cenário, Costa obtém 36,4% da preferência do eleitorado, enquanto o segundo colocado, Azeredo, consegue 28,3%. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), que substitui nessa situação Patrus, é o terceiro colocado, com 17,1%. Pimentel tem a maior rejeição nesse quadro (30,3%).

No quarto cenário, Costa registra 47,5%, contra 20,6% de Pimentel e 4,3% de Anastasia, que tem a maior rejeição (30,4%).”

Se por um lado a pesquisa demonstra para o PMDB que a coisa não será tão fácil assim, mostrando que o PSDB tem Eduardo Azeredo como alternativa à pré-candidatura do atual Vice-Governador Antonio Anastasia que não decola, por outro ela mais uma vez dá um bom argumento para o partido no que diz respeito à disputa com o PT para ver quem indica o cabeça da chapa da provável aliança.

Azeredo tem um desempenho muito melhor que o de Anastasia, tendo como única desvantagem o fato de não estar tão ligado a um governo extremamente bem avaliado, que é o de Aécio Neves, também do PSDB.

Enquanto isso, Hélio Costa mostra mais uma vez para seu partido, e principalmente para o PT, que deve ser candidato.

Não está excluída totalmente a hipótese, que arrepia os petistas mineiros e de todo o País, do PMDB se irritar de vez com a insistência do PT, principalmente através de Fernando Pimentel, em indicar o cabeça da chapa e compor com os tucanos que, nos bastidores, buscam alternativas à Anastasia que não sejam Azeredo, pois este último tem o telhado de vidro.

Por hora, Hélio Costa nega que vá deixar o Ministério das Comunicações este ano para se dedicar à candidatura. Afirma que só sai no limite, em março de 2010. Esperemos para ver.

Blog em favor da volta de Delúbio ao PT provoca mal-estar entre petistas

30/04/2009

“Blog em favor da volta de Delúbio ao PT provoca mal-estar entre políticos”

“Delúbio, ex-tesoureiro do PT, faz campanha na internet para retornar ao partido”

A história é muito simples. Delúbio Soares, tesoureiro do PT nos tempos do mensalão, deseja retornar ao partido. Como parte da estratégia de reivindicação deste retorno, foi criado um blog chamado “Companheiro Delúbio”. Coisa normal hoje em dia. Muitos blog são criados atualmente em torno de causas, protestos, campanhas e coisas do tipo.

Não seria nada demais, mas acontece que petistas estão incomodados com o blog. Explico: O blog exibe uma galeria de fotos de petistas famosos que inclui desde o Senador Eduardo Suplicy (SP) até o ex-Ministro e Prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, passando por outros membros da legenda.

Muitos dos petistas presentes nessa galeria não apreciaram muito a “homenagem” e dizem que, embora sejam a favor do retorno de Delúbio, não querem essa exposição.

Esperem um pouco. Deixe-me ver se entendi. Os petistas presentes nesta galeria de fotos querem Delúbio de volta mas não querem que nós saibamos que eles assim desejam.

Resumindo: Nos bastidores da política é de interesse deles defender a volta de Delúbio, mas ninguém quer dar a cara a tapa, exceto o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), reconheço, e admitir que defendem Delúbio.

Por que será? Será que é porque sabem que o retorno de Delúbio não é correto? Será que é porque eles, embora queiram, por amizade e conveniência, que Delúbio volte, não querem que seus eleitores tomem ciência de que eles aprovaram o retorno de um transgressor?

Muito interessante. “Eu quero Delúbio de volta, mas não contem para ninguém”. Parece que querer Delúbio de volta é algo a esconder, algo errado.

Mas não parece. É! Delúbio deve sim pagar pelo que fez e merece continuar afastado não só do PT, como da política nacional. E não me venham dizer, como já disseram, que Delúbio é um injustiçado que está pagando por algo que todo mundo faz.

Ora, façam-me o favor. Que os outros sejam identificados, investigados e paguem da mesma forma. Existirem culpados impunes não quer dizer que Delúbio deva receber o perdão tão cedo. Quem sabe daqui a alguns anos, quando terá tido bastante tempo para pensar e pagar pelo que fez. Lembrando que o que ele fez é, sim, errado, imoral, antiético.

Como também é o caso que envolve o tucano Azeredo, como também é o caso que envolve o ex-membro do DEM, Edmar Moreira e como também é o loteamento de cargos efetuado pelo PMDB.

Minha questão com Delúbio é de princípios, não é partidária. Aliás, agora já é somada a outra. Fiquei indignado com a ridicularidade do parágrafo abaixo, que está contido no blog que pede o retorno de Delúbio ao PT, que descreve o ex-tesoureiro como:

“Um bravo guerreiro que dedicou a vida à construção de um país mais justo e hoje luta contra uma perseguição cruel e desumana”

É demais para quem é sério.

A necessidade do mea-culpa

05/03/2009

Para mim é inegável que toda a classe política brasileira é responsável, de alguma forma, pela situação que temos. Os que agem de forma ilícita são responsáveis diretos. Os honestos e éticos que não lutam veementemente contra os primeiros, são responsáveis indiretos.

Sendo assim, é importante que, ao criticarem a falta de ética e de transparência e a corrupção, todos os políticos, envolvidos ou não, analisem até que ponto são responsáveis pelo cenário que temos. Uns serão mais, outros serão menos, mas quase ninguém pode, com certeza, se eximir.

Se existem aqueles que trabalham diariamente para sujar a política brasileira, existem aqueles que, com as vassouras à disposição, não as pegam para varrer.

Por isso, quando li texto que reproduzirei abaixo de autoria de César Rocha, do Diário de Pernambuco, percebi que ele tinha total razão que o texto que eu acabara de ler era um dos melhores relatos recentes do que é necessário acontecer para que o cenário mude.

Se o que é necessário, claramente, se configura como algo extremamente difícil, baseio minha esperança no fato de não ser, também, impossível. Principalmente se tivermos pessoas comprometidas sendo eleitas pela população.

Sem mais delongas, segue o texto de César Rocha, que, em suma, pede que todos, sem exceção, façam a sua parte contra a corrupção, o fisiologismo e outros cânceres da política brasileira, principalmente, a oposição que, se chegar ao poder no primeiro dia de 2011, será cobrada, com certeza, pelo que defendem hoje e dizem faltar no governo Lula:

Definitivamente, só a sociedade civil organizada salva – se é que isso existe ainda.

Acompanhei por dever de ofício e paixão pela história contemporânea do Brasil todo o pronunciamento do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e os apartes que se seguiram.

Óbvio, claro e ululante que a sociedade deseja e quer imediatamente a moralização da política. Nada mais urgente. É possível ver isso aqui da janela.

Aquela gente maltrapilha que vagueia pelas ruas do bairro de Santo Amaro, polo de violência e agressão aos direitos humanos, é o retrato disso.

Mas não dá para apostar que o Brasil vá melhorar depois de observar um ex-governador por dois mandatos seguidos; ex-prefeito do Recife por outros dois mandatos acusando o mundo de coisas (algumas delas) que praticou quando administrava o estado e o município.

Ora, ora, ora. Por que Tasso Jereissati quando foi governador por outras tantas vezes, no Ceará, não deu a contribuição dele à moralização da política, ao fim do loteamento de cargos públicos?

Por que Tasso, Marconi Perillo – que presidiu a sessão ‘histórica’ do Senado e é ex-governador de Goiás – e Arthur Virgílio, ex-homem forte nos anos de governo Fernando Henrique Cardoso, não expurgaram o loteamento de cargos e outras práticas tão banais da política?

Por que eles não condenaram, quando deveriam, o senador Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais, pelo envolvimento dele no mensalão mineiro e por introduzir na cena nacional aquela figura do Marcos Valério?

E o senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB? Como ele administrou os cargos que ocupou nos governos Jarbas e nos de Miguel Arraes?

Por que Guerra não mudou a forma de condução da máquina pública no Lafepe? E na secretaria de Desenvolvimento Urbano?

Ora, porque está cada dia mais claro que o movimento deles tem outro objetivo, o de influir de alguma maneira nas eleições gerais de 2010.

Amigos, essa polarização não nos interessa. É preciso rejeitar o mensalão petista, mas também o tucano.

Por que o governador José Serra não adota no governo de São Paulo aquilo que se defendeu hoje? Por que não na cidade de São Paulo, administrada pelo Democratas? E no Rio Grande do Sul?

Quem disse alguma palavra minimamente crítica em relação a Cássio Cunha Lima, governador tucano cassado na Paraíba?

Infelizmente, é pouco provável, pelo menos hoje, que o movimento liderado por Jarbas surta efeitos práticos.

Para isso, seria preciso, antes de mais nada, fazer um mea-culpa. E acima de tudo assumir o compromisso de mudar a prática política no governo – agora e amanhã, caso vençam as eleições com Serra.”

Acomodando Collor [6]

04/03/2009

“Collor é eleito presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado”

Finalmente o caso da acomodação de Collor em uma Comissão do Senado, acompanhado de perto pelo Perspectiva Política em diversas postagens, foi resolvido. Como já havia sido explicado aqui no blog, Renan Calheiros, na época da campanha de José Sarney pela presidência do Senado, havia prometido ao PTB, em troca dos votos para Sarney, a presidência de uma Comissão. Sendo assim, com a vitória de Sarney, o partido reivindicou para seu filiado, Senador Fernando Collor, a presidência da Comissão de Relações Exteriores, pretendida também por Eduardo Azeredo do PSDB.

Com o tempo, o PTB passou a usar contra o PSDB o argumento de que apoiou o vencedor no Senado, enquanto os tucanos se usavam da proporcionalidade que estava ao seu lado, isto é, diziam que tinham o direito de ocupar a vaga pelo fato de terem mais senadores na Casa, evocando a praxe natural do Senado.

Vendo que o impasse não se resolvia, Sarney disse a Collor que ele deveria desistir em benefício de Azeredo e tentar a Comissão de Infra-Estrutura, pretendida por Ideli Salvati do PT.

Como era de se esperar, Ideli se sentiu usurpada e o PT começou a disputar com o PTB nos bastidores. Não se chegou a um consenso, embora as negociações tenham durado dias, e a coisa ficou para ser decidida no voto, sem acordos, do jeito que os senadores não gostam.

Aí entrou Renan Calheiros novamente. O Senador, usando e abusando de suas prerrogativas como líder do PMDB, retirou do grupo de votantes 3 peemedebistas que apoiariam Ideli e nomeou outros 3, fechados com Collor.

Resultado: Collor venceu Ideli por uma diferença de 3 votos, 13 x 10.

Renan prometeu, Renan cumpriu. Porém, sob essas circunstâncias e utilizando-se desses meios.

O caso da acomodação de Collor chega ao fim com o ex-Presidente tendo uma Comissão na mão que, se não era a primeira opção, também não pode ser chamada de simples prêmio de consolação. Ideli fica de mãos abanando.

O mais importante é que, finalmente, abre-se caminho para que, com a definição dos presidentes das Comissões, iniciem-se as discussões e votações no Senado que estava praticamente parado desde o ano passado.

Feliz ano novo, senadores.

Acomodando Collor [5]

02/03/2009

Na postagem “Acomodando Collor [4]“, disse eu o seguinte:

Lembram daquele problema para acomodar Fernando Collor em uma Comissão do Senado, citado pelo blog aqui, aqui e aqui? Aquele que gerou uma disputa entre o ex-Presidente e o Senador Eduardo Azeredo e mais tarde, com a abdicação de Collor da Comissão de Relações Exteriores e consequente vontade de ocupar a presidência da Comissão de Infra-Estrutura, causou desentendimento entre Collor e a Senadora Ideli Salvati?

Então. Esse mesmo. Pois é, ele continua sem ser resolvido e atravancando a pauta do Senado que, enquanto isso, vai gastando verbas públicas para que seus membros não discutam nada.

Maravilha.

Tudo isso pois Renan Calheiros, enquanto articulava para que José Sarney vencesse a disputa pela presidência do Senado, prometeu ao PTB de Collor, em troca de seus votos, a presidência de uma Comissão, o que vai totalmente contra o princípio da proporcionalidade que sempre regeu a escolha dos presidentes das Comissões.

No fim das contas, o que ocorre é que Collor está cobrando o apoio do grupo de Renan e Sarney para que se cumpra a promessa, enquanto isso, Azeredo, e agora Ideli, ficam com a proporcionalidade, que é praxe do Senado, ao seu lado.

A confusão se instaura quando o PTB alega que apoiou o vencedor e que por isso a proporcionalidade deveria ir às favas pois está do lado de quem apoiou o perdedor Tião Viana.

Renan, causador real de todo o problema, meio que lava as mãos e deixa a bomba nas mãos das bancadas. Quando o problema era na Comissão de Relações Exteriores, quem brigava era o PSDB, agora, que Collor foi instruído a brigar por outra Comissão, o que foi apenas um paliativo para o problema inicial, quem briga é o PT.

E o povo assiste ao embróglio e não ao trabalho dos representantes pagos por ele.

Pois saibam que o caso da acomodação de Collor está complicado desde 09/02, ou seja,  21 dias atrás.

E não é que o problema ainda não foi resolvido e o Senado continua atravancado e com os senadores recebendo para não discutir nada?

Será que querem mesmo que esse nó seja desatado? Com certeza existem senadores que querem trabalhar mas esse caso não ajuda muito a imagem do Senado. Ficam parecendo acomodados que recebem para não discutirem nada, que dirá fazerem.