Postagens com a palavra-chave ‘Autoritarismo’

Crime sobe no regime chavista

21/08/2010

Informa o Portal Globo. com:

“Um dia depois de um tribunal de Caracas ter revertido parcialmente uma medida preventiva que proibia os jornais do país de publicar fotos que retratassem violência, uma pesquisa encomendada pelo governo venezuelano veio a público, confirmando que a insegurança no país é crescente.

De acordo com os dados apresentados pelo estudo, realizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Estatística do país, 19.133 pessoas foram assassinadas na Venezuela em 2009, um número alto para um país de 28 milhões de pessoas.

Desses homicídios, cerca de 80% foram cometidos com armas de fogo. Os números indicam também que, no ano passado, um venezuelano foi morto a cada 27 minutos”.

O governo Hugo Chávez é mesmo um sucesso.

Digo e repito: O governo venezuelano é semi-ditatorial, autoritário, personalista, opressor, censurador e ineficiente.

Qualquer avanço social atingido é elogiável mas não justifica nem um pouco os equívocos enormes do regime.

Na realidade a Venezuela precisa de uma alternativa democrática, que olhe pelo social, mas que respeite as liberdades individuais e as regras básicas da política econômica.

Os venezuelanos precisam buscar essa alternativa, criá-la se for preciso e não perdoar Chávez pelas arbitrariedades apenas por terem sido governados por uma oligarquia cleptocrática antes da eleição dele.

 

Coluna do dia: Brasil e o flerte constante com as piores ditaduras mundiais

05/07/2010

Por Arthurius Maximus*

Mais uma vez a diplomacia “de ponta” do governo Lula leva o Brasil a receber condenações de todas as entidades de direitos humanos do planeta. A visita e a abertura de negociações com o ditador da Guiné Equatorial – Obiang Nguema – no poder desde 1979 com mão de ferro e muito derramamento de sangue, mostram bem como a nossa visão de mundo tem valores “especiais”.

Além do sangue e do desprezo pelos direitos humanos, em escala genocida, Nguema é famoso por sua corrupção desenfreada. Apesar das grandes reservas petrolíferas encontradas no país, a população amarga grande pobreza e total desesperança. Mas, para Lula e Amorim, o país reúne os requisitos de uma democracia, pois, em palavras do próprio Amorim, é essa a base para a escolha dos países com os quais o Brasil quer se relacionar.

O estranho mesmo é entender como um país que possui um presidente no poder desde 1979 e tem uma das mais sangrentas ditaduras do continente africano preenche os tais quesitos de democracia. Só se for em relação à corrupção desenfreada. Aí, nesse caso, o nosso governo está “pau a pau” com eles.

Sem dúvida essa será mais uma daquelas parcerias duras de engolir e tristes de olhar. O mais terrível é a vergonha que qualquer cidadão de bem, que ame a democracia e o respeito ao ser humano – independente da ideologia – deve sentir ao ver seu país ligado à fina flor do autoritarismo e do genocídio internacional.

É claro que negócios trazem divisas e investimentos para nossa nação. Empregos são necessários e sempre bem-vindos. Mas e o preço desses investimentos? Será mesmo tão benéfico para nós faturar alguns dólares a mais e ter nossa imagem atrelada às ditaduras do mundo todo? Será que ganhamos algo negociando com a Guiné Equatorial que nenhum outro país pudesse nos proporcionar? Será mesmo preciso reconhecer ditadores sanguinários como democratas e ainda apregoar isso aos quatro cantos?

Para Lula, Amorim e a turma do PT é.

Pelo andar da carruagem ainda teremos que conviver com um Itamaraty infiltrado por uma visão ideológica inadequada e inconveniente durante um bom tempo.

Azar o nosso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: Yoani Sanchéz, Fausto e o Diabo

29/04/2010

Por Felipe Liberal*

FAUSTO:

Se podes me enganar com coisas deliciosas, doçuras a sentir, prazeres! Alegria! Se podes me encantar com coisas saborosas, que seja para mim o meu último dia! Quero firmar o acordo.

MEFISTÓFELES:

Aprovo. Pensa bem no que dizes. Diabo tem memória.

Este é o momento exato em que Fausto aceita a proposta do Diabo (Mefistófeles) e vende sua alma. Para quem não conhece “Fausto”, uma das maiores obras literárias e teatrais da história da Humanidade, escrita por Goethe, recomendo a ida a qualquer livraria mais próxima e a compra hoje mesmo, leiam e contem-me depois qual a sensação de devorar uma obra-prima.

Esta cena explodiu na minha mente essa semana, quando li a entrevista que a famosa blogueira cubana Yoani Sánchez concedeu ao jornalista francês Salim Lamranium. Entrevista que foi indicada pelo meu leitor e colega Alan de Freitas. Agradeço publicamente.

Já era lógico que existia alguma coisa estranha em toda essa raiva de Yoani contra Fidel e Raul. Já era óbvio que toda essa gritaria e pânico tinham alguma coisa de errado. Já era claro que toda essa “liberdade” de pensamento virtual não passava de mais uma criação americana, como na Guerra Fria, lembram? Aquela política de fabricar pensadores e intelectuais? Pois é, isso nunca acabou. A Guerra da Mentira continua quente e viva.

Só tem um problema: a “cria” foi mal treinada. Não suportou o bombardeio de perguntas do jornalista francês e entrou em contradição várias vezes durante a entrevista. Temas como censura, repressão, polícia cubana, Fidel, Raul, EUA, Obama e internet, foram abordados incansavelmente por Salim diante da blogueira, que não conseguia responder e algumas vezes entrava em contradição com suas próprias palavras ditas anteriormente.

Sabemos que dentro do seu blog existem reclamações pertinentes e válidas, sendo inclusive indagações da maioria esmagadora do povo cubano, mas o que me deixa triste são as mentiras contadas por ela contra seu próprio país. Mentiras essas que ferem a imagem e a identidade do seu povo, de seus irmãos. E tudo isso tendo ampla publicidade das grandes empresas jornalísticas em todo o planeta, mostrando o quanto é frágil esse dinamismo virtual e cibernético, o quanto é frágil a informação verdadeira.

Yoani Sanchéz vendeu a alma ao Diabo em troca de fama, prestígio e premiações internacionais. O Diabo azul e vermelho. O Diabo que fala inglês.

Yoani Sanchéz não é a primeira e nem será a última a interpretar Fausto na vida real. Muitos conseguiram esse papel no teatro do bem e do mal. E agora consigo lembrar-me qual foi o fim de outro que empreendeu interpretação do personagem há bem pouco tempo atrás: morte na forca, em Bagdá. Lembram?

Nem sempre o final é feliz.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Análise – Dilma é aclamada como pré-candidata do PT: Congresso do partido mostra sinais de possível radicalização

20/02/2010

A Ministra Dilma Rousseff foi, como já era totalmente de se esperar, aclamada como pré-candidata do PT à Presidência.

Será o nome do partido para outubro com certeza, mas por alguns meses fingirá ser apenas pré-candidata. A campanha continua, Dilma e Lula fingem que enganam e nós fingimos que acreditamos.

Como todos já esperavam que Dilma fosse finalmente oficializada como pré-candidata, as informações mais relevantes a respeito do Congresso petista são as indicações de como será, possivelmente, o viés político-ideológico da candidatura e do programa de governo e, também, de um hipotético governo futuro.

Essas suposições, feitas a partir de pontos defendidos pelo partido em seu encontro nacional, são revelantíssimas no sentido de que podem balizar a escolha de diversos eleitores. O vislumbre do que poderia ser um governo Dilma pode atrair ou afugentar brasileiros quanto ao projeto petista.

Sinceramente, as indicações dadas pelo congresso petista parecem mais afugentar do que atrair:  

Em primeiro lugar, Dilma disse com todas as letras que vai continuar a reaparelhar o Estado.

Isso pode ser interpretado positivamente ou negativamente, dependendo da ideologia de cada um e do que se entende por aparelhamento.

Contudo, a interpretação mais correta me parece ser a de que o PT continuará a empregar partidários em órgãos e empresas públicas.

E isso, meus caros, não agrada em nada.

Em segundo lugar, medidas aprovadas pelo congresso do PT deixaram o plano de governo de Dilma mais radical.

Entre elas, pode-se citar a taxação de grandes fortunas, o combate a um suposto monopólio dos meios de comunicação, a atualização dos índices de produtividade no campo no que tange a reforma agrária, a restrição às compras de terras por estrangeiros, a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas sem redução de salários

Alguns tentaram amenizar passagens dos textos. Não conseguiram. Por outro lado, o monopólio estatal do petróleo não foi aprovado como medida a ser defendida pelo plano de governo dilmista e nem a escolha do PMDB como aliado privilegiado e preferencial. Pelo menos isso.

No fim das contas, especialistas acreditam que as medidas aprovadas podem afligir o “capital”, o empresariado. Concordo com eles. E esta aflição é relevantíssima no mundo político-eleitoral.

Dilma procurou, para compensar, assumir compromissos com a estabilidade econômica. Porém, o passado esquerdista revolucionário da Ministra e o viés pré-Muro de Berlim de muitos de seus aliados próximos trazem suspeitas, perigosas para a sua candidatura, de que seu governo estaria mais à esquerda que o de Lula, sendo mais radical. E radical de uma forma que causa receio, próxima ao início do chavismo.

Em suma, alguns começam a temer mais fortemente, depois do que foi dito no congresso petista, que Dilma traga algum nível de radicalismo, embora o Ministro Paulo Bernardo, por exemplo, diga que isso é besteira. 

Por fim, um elemento que normalmente acompanha o radicalismo e o autoritarismo é o personalismo. E ele também esteve presente. Dilma afirmou o seguinte, sobre a possibilidade de Lula querer concorrer à Presidência novamente em 2014, jogando para escanteio uma possível tentativa sua de reeleição:

“Sem sombra de dúvida, ele pode. O presidente chegou a um ponto de liderança pessoal, política, nacional e internacional que o futuro dele é o que ele quiser”.

Mais messiânico, impossível.

Resumindo, o lançamento da pré-candidatura de Dilma foi recheado de demonstrações de que a Ministra pode, sim, ser um pivô de radicalização após um governo esquerdista mais moderado de Lula, quase centrista. Pragmático, na verdade.

E essas indicações trazem receios, dúvidas e críticas que, além de trazerem instabilidade para alguns apoios e preferências pela Ministra, podem também afugentar uma parcela grande do eleitorado.

De positivo fica a noção de que, pelo menos, se for para existir radicalização as pessoas estarão cientes de que ela ocorrerá com Dilma.

Ninguém poderá dizer que foi engando.

Pior será se o discurso repetido, entre outros, por Paulo Bernardo, de que dizer que Dilma está à esquerda de Lula e próxima em alguma medida de Chávez é besteira, prevalecer e, caso Dilma vença, todos se mostrem surpreendidos por uma radicalização escamoteada durante a campanha.

Muita água ainda rolará, mas já se pode dizer que aqueles que afirmam que Dilma está mais próxima do chavismo que Lula não são tão paranóicos assim.

Ela não é chavista no sentido estrito da palavra, mas não é necessariamente a continuidade total de Lula, aparentemente.

Talvez porque o PT tenha sido sempre assim, com a diferença de que Lula teve força para conter os arroubos da ala mais radical da legenda.

Dilma provavelmente não teria, não por personalidade ou cacife político exatamente, mas sim por não ser um quadro histórico do PT.

O que Lula fala é lei.

O que Dilma fala, nem tanto.

Nesse cenário, dependeria-se fortemente de Lula para manter a moderação. A influência do futuro ex-Presidente se manteria em grande medida.

Talvez seja por isso que Lula adora a ideia de sua sucessora ser Dilma.

Coluna do dia: Quando o esporte funciona como instrumento de alienação

03/02/2010

Por Raphael Machado Silva*

Todo Tirano, seja ele liberal ou marxista, teme o espectro sombrio da possibilidade de revoluções, venham elas das massas ou de elites. Até os primórdios do século XX, a solução para tal possibilidade sempre se fundou na repressão pela força bruta a cada vez que havia a suspeita de dissidência, ou quando se publicava “livros proibidos”, ou quando se fazia discursos públicos de teor “anti-social”, ou quando se praticava qualquer ato que fizesse os Tiranos se sentirem ameaçados.

A ingenuidade dos Tiranos, portanto, foi a causa geradora de inúmeras agitações políticas ao longo dos séculos. A instrumentalidade da Tirania, quando atua de modo visível e direto, quando ela mostra sua face horrenda desavergonhadamente para todos, quando a mesma representa um regozijo aberto da opressão, possui exatamente o efeito contrário do que seria a intenção dos Tiranos. Quando a instrumentalidade da Tirania assim opera, ela endurece os corações dos dissidentes, gera mártires e empurra o apoio popular na direção dos revolucionários.

Com o passar do tempo, porém, vem a experiência. E a experiência ensinou aos Tiranos toda a sorte de sutilezas, diplomacias e lisonjas. Aprenderam, então, que para que uma Tirania se perpetue na história, e afaste completamente o espectro da Revolução, a melhor estratégia de atuação é fazer com que as massas concordem com a permanência da Tirania.

Se nos casos mais primitivos essa concordância se dava pela oferta de segurança frente a alguma ameaça externa, em pouco tempo os Tiranos passaram a adotar novas táticas. A primeira é convencer as massas de que sua escravidão constitui a maior das liberdades. A segunda é a mais eficaz: apaziguar os ímpetos das massas por meio da afluência de objetos materiais e do entretenimento. E é exatamente essa função a que os esportes ocupam na contemporaneidade.

Os antigos romanos, povo muito sábio, já haviam reduzido essa verdade a uma máxima muito conhecida: “panem et circenses”. À época imperial, a agricultura familiar tradicional dos romanos já havia sido esmagada pelos oligarcas, e todas as terras pertenciam a um número muito reduzido de indivíduos, forçando uma enorme massa humana a ocupar a cidade.

Para apaziguar os ânimos e evitar o caos social obviamente causado por tal situação, as massas eram divertidas com fantásticos jogos públicos, realizados em diversos anfiteatros, o mais famoso sendo o Coliseum. Em seu ápice, o Coliseu chegou mesmo a abrigar batalhas navais. As multidões ficavam completamente hipnotizadas pelos jogos, e durante muito tempo eles tiveram a eficácia desejada.

Um dos principais efeitos dos esportes é o de infantilizar as massas, por meio de sua identificação simbólica com equipes ou atletas, os quais simplesmente não se importam minimamente com seus fãs, posto estarem completamente integrados em uma relação industrial fetichista, como commodities, meros produtos geradores de lucros para seus donos.

Assim, as massas idiotizadas por meio de uma identidade artificial são levadas a se submeterem a toda forma de paixões e exaltações por eventos os quais simplesmente não possuem qualquer efeito ou significação efetiva sobre sua realidade pessoal. As massas chegam a ser levadas mesmo à violência física por conta de pseudo-rivalidades construídas por ricos “cartolas” e pela propaganda midiática.

Um hilário exemplo histórico ocorreu no Império Bizantino, quando houve uma autêntica revolta popular porque o ‘time vermelho’ havia vencido o ‘time verde’ na corrida de bigas, ou vice-versa. Quem se importa? Interessantemente, é um caso em que “o tiro saiu pela culatra”, afinal, aparentemente até o desporto pode gerar suficiente insatisfação a ponto de causar revoluções.

Todo o dispêndio de energia gera exaustão. E é exatamente isso o que ocorre às massas por meio da sacralização do esporte, e sua transformação em entretenimento. As massas são exauridas intelectual e emocionalmente. Assim, são nulificadas as potências revolucionárias que poderiam derivar dos ímpetos e paixões dos homens, caso essas fossem dirigidas à política e ao pensamento. A facticidade da referida afirmação pode ser verificada por uma singela análise de qual a importância dada pelas massas ao esporte e à política em suas vidas pessoais.

Colocando em termos mais simples, as massas são simplesmente distraídas pelos esportes, para que elas não prestem atenção e nem deem tanta importância aos eventos políticos, econômicos e sociais de sua pátria, todos os quais sempre as afetam. Justifica-se pateticamente a atenção dada aos esportes (ao futebol, por exemplo) com a falácia do “povo sofrido”. O “povo brasileiro”, por ser “sofrido”, deve ter suas dores e tristezas anestesiadas pela panacéia da histeria coletiva do esporte?

Pois é exatamente essa anestesia, assim como a exaltação do prazer lascivo e da materialidade em geral, que ao afastar o homem do sofrimento, o afasta da consciência da necessidade de tomar nas próprias mãos as rédeas de seu destino político, e de derrubar das alturas todas as Tiranias que o esmagam e subjugam na pior das misérias: a Miséria do Não-Pensamento.

Não se trata aqui de desvalorização do esporte como atividade física ou da vontade natural do humano de pertencer a um grupo que pode, muito bem, ser representado pelos torcedores de um “time”. O que se quer ressaltar é o quanto prejudicial é o fanatismo e valorização, por exemplo, de um “clube de futebol” em detrimento do próprio futuro e da própria família. O quanto é nocivo o fato de serem preferidas mesas redondas sobre futebol em comparação com as que discutem a política mundial e nacional, a economia e a sociedade. O quanto é condenável que se deixe um debate filosófico por conta de um debate a respeito de qual jogador atua melhor na posição de ponta-esquerda.

Que caiam todos os disfarces com que são enfeitadas as desgraças, e que o homem encare de frente o próprio sofrimento. Aí então, os que tiverem valor tornar-se-ão livres.

*Raphael Machado Silva, excepcionalmente escrevendo em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.

Chávez teria financiado, literalmente, atentado contra a democracia na Nicarágua

02/02/2010

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, tem passado guerrilheiro. Hoje, porém, segue, infelizmente, o caminho de muitos ex-guerrilheiros que conseguem chegar ao poder, seja pela via democrática ou não: O caminho do autoritarismo. Sendo assim, não surpreende a aliança existente atualmente entre ele e Hugo Chávez. Foi por conta dela que a Nicarágua passou a fazer parte da ALBA, Aliança Bolivariana das Américas, alternativa chavista à ALCA.

Como não poderia deixar de ser, o neo-bolivariano Ortega – que, diga-se de passagem, preside um país que na verdade é governado nos bastidores por sua esposa, Rosario Murillo – começou a assediar os meios de comunicação que, coincidentemente, dizem verdades que não agradam ao regime.

Agora, a situação chega ao extremo, com a compra por Ortega do Canal 8 nicaraguense, a Telenica. Está claro que o líder da Nicarágua tenta siienciar a oposição.

Mas a pior parte da história não é essa. O pior de tudo vem agora.

Foi Chávez quem deu dinheiro a Ortega para que este pudesse comprar o canal de televisão de seu país que era uma voz de oposição, calando assim as críticas.

Era da Albanisa (ALBA da Nicarágua S.A.), consórcio criado por Chávez para recompensar o apoio político dado pela Nicarágua ao bolivarianismo, o dinheiro utilizado para a compra. O gerente-geral da Albanisa, Rafael Paniagua, confirmou que foram fundos da sociedade que possibilitaram a compra do canal.

Trata-se de Chávez financiando, literalmente, os atentados contra a democracia na América Latina. Foi o dinheiro que a Venezuela transfere para a Nicarágua em troca de apoio político, através de empresas de fachada como a Albanisa, o utilizado para calar a oposição que Ortega enfrenta.

Ao invés de governar melhor, respeitar a democracia e os direitos da oposição e prezar a liberdade, Daniel Ortega preferiu pegar o dinheiro que a Venezuela lhe dá e calar a boca dos opositores. Levando em conta a índole de Chávez, este deve ter aplaudido e repetido a ladainha de que o tal canal de televisão era “representante das oligarquias entreguistas, do capitalismo selvagem e do imperialismo americano”. O fato de ele fazer oposição ao regime deve ser mera coincidência.

Por essas e por outras o ideário bolivariano, o comportamento de Chávez e a política expansionista do chavismo só podem ser encarados como nocivos.

Felizmente, Chávez enfrenta hoje dificuldades políticas internas e externas, que podem levar, no médio prazo, ao ocaso do chavismo.

As dificuldades econômicas do povo venezuelano, que ao contrário das dificuldades políticas de Chávez não podem ser comemoradas por ninguém, também colaboram para este quadro de derrocada.

Perspectiva: Hugo Chávez – Início do fim?

01/02/2010

Os últimos acontecimentos políticos da América Latina podem ter decretado o fim da expansão do bolivarianismo na região. Os recentes fatos políticos venezuelanos, por sua vez, podem representar mais: A derrocada de Hugo Chávez. Externa e internamente o semi-ditador enfrenta graves dificuldades de ordem socio-político-econômica.

No que diz respeito à América Latina, o bolivarianismo recebeu, recentemente, três golpes duros:

A vitória de Sebastián Piñera nas eleições presidenciais chilenas, através de um discurso anti-Chávez e da defesa de um projeto de centro-direita.

A resolução pacífica do impasse hondurenho, com a confirmação de perda do poder e ida para o exílio de Manuel Zelaya, representante da ideologia chavista no País, e subida à presidência de Pepe Lobo, conservador e defensor de um discurso de conciliação que agradou os hondurenhos.

E a atuação humanitária ampla e elogiadíssima dos Estados Unidos no Haiti, recuperando para os americanos um pouco da imagem de benfeitores que já existiu em algumas épocas passadas e enfraquecendo o argumento bolivariano de que os EUA são os vilões e malfeitores da América Latina.

No que concerne o cenário político-econômico interno da Venezuela, a conjuntura também não é nada animadora para os chavistas:

Uma crise cambial séria atinge o país, trazendo inflação, desabastecimento e recessão. Desvalorizações monetárias desastradas, planos econômicos pouco eficientes e fixação de preços têm sido o caminho de combate não muito eficiente escolhido.

Sucessivos cortes de energia elétrica se dão nas cidades venezuelanas. Há racionamento intenso e agressivo. Uma crise energética clara está completamente instalada. Também existe falta d’água em algumas torneiras, além de uma seca que afeta a agricultura já enfraquecida pelos anos de desatenção chavista.

E o regime de Chávez, afetado por isso tudo, está em baixa significativa. O Vice-Presidente renunciou. A Ministra do Ambiente, esposa deste, também. Deixou igualmente o governo o Presidente do Banco da Venezuela. Há definitivamente algo de podre no reino chavista dos bolivarianos.

Diante de toda esta situação político-econômica difícil, Hugo Chávez perdeu de vez o controle. Decidiu, como os piores ditadores, responder aos pedidos de mais liberdade com mais repressão, devolver as críticas com justificativas absurdas e risíveis e ameaçar os opositores internos e externos com bravatas.

Enquanto Chávez afirma ridiculamente que os Estados Unidos causaram um terremoto que atingiu a Venezuela, a criminalidade no país dispara, chegando a níveis recordes.

Ao mesmo tempo em que o líder venezuelano desafia a oposição a afastá-lo e repete o enfadonho, mofado e equivocado discurso de que os protestos populares recentes são obras de conspirações oligarcas e burguesas, sua popularidade despenca entre a população e as mobilizações contrárias ao regime e defensoras de mais liberdade, principalmente de opinião e de imprensa, proliferam.

Ao passo que a influência externa de Hugo Chávez vai minguando, seu poder também se reduz internamente. Seu governo começa a ser questionado com mais atrevimento, fato típico do ocaso das ditaduras e das gestões autoritárias.

- Se Chávez está acabado, bem, me afastem! Com toda a energia gasta nessa loucura, toda tinta e papel, que organizem um grupo, peçam o referendo. Vamos ver se dizem mesmo que estou acabado. Ninguém vai impedi-los — foi o que disse o Presidente venezuelano à sua oposição.

Claramente, esperneira e desafia para se afirmar. Líderes personalistas sempre reagem mal às quedas de popularidade e aos questionamentos de suas qualidades. Comprova-se até psicologicamente que o caudilho está em maus lençóis.

Em resumo, temos hoje um cenário de vantagem da democracia liberal sobre o chavismo na América Latina e uma conjuntura socio-político-econômica completamente prejudicial aos planos condenáveis de Chávez no mundo próprio da Venezuela.

Será o início do fim?

Coluna do dia: Chávez, Venezuela e até onde vai a loucura humana

01/02/2010

Por Arthurius Maximus*

Pegue um país pobre, mas que tem petróleo e uma grande capacidade agrícola e pecuária, sendo exportador de carne e grãos, e o transforme em um deserto de fome e miséria passando-o, em poucos anos, de exportador para importador de tudo o que come. Não satisfeito, concentre todas as suas fichas apenas no petróleo e dê gasolina a seus habitantes e aos países vizinhos vendendo-a por um preço de banana, sem utilizar essa riqueza para armazenar divisas e investir no bem da população.

Paralelamente a isso, reprima fortemente a oposição e castigue implacavelmente todos os que se opuserem às suas brilhantes ideias e ações. Ao mesmo tempo, forme uma base de apoio sólida distribuindo benesses e garantindo todo o apoio do Estado apenas aos membros do partido e, ainda por cima, garanta que os “não-membros” terão toda a máquina estatal nos seus calcanhares ao menor deslize ou, em muitos casos, sem que tenham feito nada. Controle os meios de comunicação, distribuição de alimentos e tudo o que gira em torno da vida do cidadão, do mais rico ao mais humilde.

Assim, você terá uma nação aos seus pés e conseguirá colocar em prática todas as ideias idiotas e imbecis que você sempre teve. Crie manchetes em seus jornais e canais de TV jogando toda a culpa de qualquer desastre nos inimigos internacionais mais poderosos e que sabem, bem lá no fundo, que você jamais se erguerá contra eles porque não quer perder a sua boquinha, embora  precise criar uma distração para seu povo culpar outras pessoas.

Faça tudo isso e você terá um país como a Venezuela de Chávez. Desde o início, ao apropriar-se do nome e do legado de Simon Bolívar, Chávez fez da Venezuela o seu quintal. Se antes a vida do povo venezuelano era ruim, hoje é muito pior. Não há comida, energia e muito menos liberdade. O petróleo que poderia gerar riquezas e desenvolvimento foi usado como arma política e em nada reverteu em favor do povo.

Ao mesmo tempo em que a situação se agrava, Chávez inventa que aviões espiões americanos estão invadindo as suas fronteiras (com imagens retiradas da Internet) e desafia as mais elementares inteligências ao afirmar que os EUA dominam os movimentos da crosta terrestre.

Enquanto isso, segue seu reinado de terror e de violência ao exigir em cadeia nacional que seus aliados milicianos ataquem os “contrarrevolucionários da oposição” que são inimigos das “conquistas de Chávez”. Pregando assim a perpetuação de atos como os últimos massacres cometidos por milicianos armados a seu serviço.

Como todo regime ditatorial, a Venezuela de Chávez caminha rapidamente para o caos e para um conflito de proporções sangrentas. Resta saber se “o Grande Líder” será realmente grande e poupará o seu povo desse dissabor renunciando ou “passando para a história”, como tantos outros ditadores fizeram, de forma dramática e espalhafatosa.

Mas, a julgar pela falta de limite da loucura humana e da falta de bom senso que se sente em Chávez, a coisa está apenas começando.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Absurdo: Governo chavista venezuelano quer controlar o Twitter e o Facebook no país

28/01/2010

Informa o Estadão, a respeito da absurda intenção do governo chavista venezuelano de, comprovando seu viés ditatorial, estender seus braços de controle da mídia até o Twitter e o Facebook:

“Ocupar todos os espaços dos meios de comunicação e de todas as maneiras possíveis passou a ser a principal missão dos partidários de Hugo Chávez. Além do império de mídia mantido por eles – 34 emissoras de TV, centenas de estações de rádio, jornais de circulação regional e nacional e uma agência de notícias -, o plano agora é tomar as redes sociais da internet, como Twitter e Facebook.

‘Não podemos deixar que os ‘esquálidos’ [como os chavistas chamam os inimigos do regime] tomem conta da internet’, disse no programa La Hojilla, da VTV, o apresentador Mario Silva.”

É por essas e por outras que já não há mais quem negue o fato de que a Venezuela caminha a passos largos para uma ditadura completa. Os simpatizantes brasileiros de Hugo Chávez sumiram.

Não por terem deixado de apoiá-lo, mas porque o fato de Chávez ter mostrado sua verdadeira cara força agora quem quer defendê-lo a se assumir como apoiador de regimes autoritários, deixando de lado a balela de que na Venezuela existe democracia.

Afinal, quando um governo quer controlar até o Twitter e o Facebook, se não é ditadura, é o quê?

Fotos e comentários: Juventude venezuelana protesta contra o autoritarismo chavista

27/01/2010

A juventude venezuelana cumpre seu papel e protesta contra um regime autoritário, praticamente ditatorial e cada vez mais indefensável. Durante a vida deste Perspectiva, as críticas duras a Hugo Chávez aumentaram com o tempo. Os número de defensores de que há uma democracia na Venezuela tomou o caminho inverso. Chávez não ludibria mais ninguém.

Hoje a Venezuela tem economia fraca, preços indexados e inflação galopante. A liberdade de imprensa sofreu mais um ataque contundente através de novas dificuldade impostas à RCTV.  Membros importantes do governo chavista renunciam a seus cargos.

Como já disse este que vos fala anteriormente, há algo de podre no reino chavista da República bolivariana. Sempre houve. Mas agora apodreceu de vez.

A juventude da Venezuela sabe disso. E quer mudança.

Chávez, em resposta a eles, nomeou um novo Vice-Presidente mais radical do que o anterior.

Era de se esperar algo assim de um homem que hoje entra no caminho da busca de conhecimento e de sonhos de seus jovens, caminha na contramão da história e é caricatura de si mesmo, piorando o que já não era nada bom.