Por Yashá Gallazzi*
Mesmo indo de encontro a algumas das orientações redacionais mais clássicas, me vejo obrigado a iniciar o presente texto com uma indagação dirigida aos leitores. Assim, pergunto: se Sarney não é problema de Lula, nem problema que diz respeito a mim – que não votei nele -, quem seria o responsável? Aliás, reformulo a questão a fim de abranger um pouco mais do campo político: O que exatamente seria problema de Lula, já que as coisas atinentes ao Brasil – que ele chama de “essepaiz” – parecem não lhe dizer respeito?
Tal qual um Hamlet shakesperiano, me vejo diante da grande questão que me assombra, permanentemente, neste Brasil moderno onde impera a inversão de valores morais, o aviltamento da coisa pública e o estupro da democracia. Olho para a caveira e pergunto: O que é, afinal, problema de Lula? Com o quê o primeiro mandatário do país deveria se ocupar nos seus dias?
Então folheio as páginas de alguns dos principais jornais brasileiros – vocês sabem: aqueles comprados pela elite burguesa e preconceituosa… – e descubro algumas das ocupações que tomam o tempo de Lula.
Enquanto ignora o “caso Sarney” e a implosão da democracia brasileira, o presidente “dozoperário” e “dozoprimido” se dedica a emprestar apoio intelectual e ideológico à revolução bolivariana de Hugo Chávez. Basta perceber que o governo brasileiro é um dos maiores entusiastas da ação vagabunda perpetrada por Manuel Zelaya – um macaquito sob as ordens do “mico mandante” venezuelano – em Honduras. Mais ligeiro do que o Brasil na defesa do socialismo bolivariano só mesmo Hussein, o Presidente-de-ébano.
Mas não é só. Lula também tem outras ocupações, afinal é o – como é mesmo? – “líder da América Latina”. E, como tal, cuidou de se curvar rapidamente aos interesses do Paraguai, representados pelo esbulho que Fernando Lugo, o Rocco Siffredi falsificado, promoveu contra o dinheiro de todos nós, brasileiros. Sem meias palavras, poder-se-ia dizer que o bispo paraguaio (com trocadilho, por favor) seviciou o Brasil, tal como costumeiramente fazia com suas beatas. E Lula, prostrado como um masoquista à beira do orgasmo ideológico, não exitou em atender todos os pedidos daquele que é pai de muitos paraguaios. Tudo em nome da – como é mesmo? – “autodeterminação dos povos”.
Já escrevi aqui no passado: Sempre que um petista fala em soberania e autodeterminação o objetivo é justificar uma humilhação imposta ao Brasil por alguma republiqueta vagabunda e filomarxista. Sob Lula, caros, “essepaiz” não se humilhou mais perante “uzamericânu” e o FMI. Agora só nos humilhamos diante de Chávez, Lugo, Correa, Evo Morales, das FARC, da Coreia do Norte, de Ahmadinejad e de Kadafi. Bons tempos em que éramos apenas lacaios do imperialismo Yankee…
Então fica claro: “Problema” do Lula é dar suporte – logístico e moral – à canalha mais abjeta do continente. É financiar o governo do bispo-garanhão, Fernando Lugo, para garantir que a popularidade do conquistador não caia ainda mais, acabando por atrapalhar a expensão dessa nojeira que o moderno “pogreçismo” apelidou de “alternativa bolivariana”.
Simplificando, temos que o Estado brasileiro – ou seja, eu e você, leitor amigo – está financiando as pensões alimentícias pagas por Lugo. E, quiçá, uma ou outra garrafa de vinho Bourbon, usada pelo papa-beata para seduzir mais alguma militante.
Mas Lula é capaz de muio mais! Ocupar-se de Honduras e do Paraguai já seria trabalho em demasia para qualquer homem, mas não para Lula! O petista ainda consegue escalar alguns dos seus auxiliares mais espalhafatosos para completar a tarefa de nos humilhar publicamente diante de todo o mundo civilizado.
Na mais recente ocasião, a função coube a Celso Amorim, o valente pacifista que critica a guerra no Iraque, mas empresta apoio à ditadura assassina da China e do Sudão. Por quê? Porque criticar os Estados Unidos é – se me permitem – revolucionariamente chique. Mas já me desviei. Retomo: Amorim veio a público exigir a transparência da Colômbia em relação aos acordos de cooperação militar que mantém com os americanos. E isso – pasmem! – no mesmo dia em que descobriu-se que a Venezuela, do “companhêro” Chávez, contrabandeou armas para a canalha das FARC.
Sim, é isso mesmo, leitor amigo. O maior aliado do lulismo no continente, o símio que pretende imitar Stalin, perpetuando-se no poder venezuelano, está financiando o terror praticado por aqueles revolucionários que pretendem criar o tal “outro mundo possível” por meio do estupro, do homicídio e do tráfico de drogas. Não é mesmo fascinante?! E o Itamaraty disse alguma coisa contra a operação escabrosa engendrada por Chávez? Ora, claro que não! Foi é encontrar motivos para criticar as ações militares de Colômbia e EUA, que visam – vejam que coisa fantástica! – combater as FARC! O corolário disso é muito importante, e não pode passar batido: em uma guerra entre o Estado democrático de Direito (Colômbia/EUA) e o terrorismo (FARC/Venezuela), o governo do PT escolheu o lado do mal absoluto.
Começo a pensar que seria muito melhor se Lula deixasse de lado as coisas com que se tem ocupado ultimamente… Seria bem melhor – ou menos pior… – se ele se ocupasse de Sarney e da crise política que ameaça dinamitar o parlamento e a democracia brasileiros. Sim, eu sei que não se pode confiar na capacidade de Lula para solucionar a contenda, afinal, estamos falando de alguém que confunde Turco com Árabe, Árabe com Libanês e a dupla Flamengo e Vasco com apoiadores e opositores de Ahmadinejad. Não se pode esperar muito mesmo de alguém assim, reconheço. Mas, se Lula deixasse de lado a gentalha bolivariana e se ocupasse um pouco mais “dessepaiz”, talvez soubesse que Sarney não foi eleito pelo Maranhão, como disse hoje em matéria publicada pelo portal de notícias da Globo.
Eis aí o retrato mais fiel da mentira criada em torno do messianismo lulista. O retirante, operário e analfabeto, que teria viajado todo o Brasil, conhecendo de perto “uspobrema çoçial”, ainda nem sabe que o estado responsável pela eleição do seu maior aliado foi o Amapá. Lula, infelizmente, existe. E suas asneiras são reais, assim como sua figura bonachona e arrivista. Mas, se ele não existisse, ninguém sentiria falta dele. Só Sarney. E Lugo. E Chávez. E Evo. E Correa…
* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento











