Postagens com a palavra-chave ‘Argentina’

Coluna do dia: Imagine

20/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Imaginem um presidente brasileiro conservador. Aliás, mais do que isso: imaginem um presidente de extrema-direita. Sim, eu sei que não é fácil, afinal o Brasil está acostumado a ter há décadas, uma disputa entre as várias matizes da esquerda, sem que haja um representante sequer da direita.

Mas, ainda assim, peço um esforço a vocês. Tentem imaginar, apenas por um momento, que o Brasil tem um presidente extremista de direita. Feito isso, imaginem que o sujeito tenha escrito uma carta mais ou menos nos seguintes termos:

“Queridas Companheiras e Companheiros

Há 20 anos, 42 partidos e movimentos conservadores da América Latina e do Caribe reuniram-se em São Paulo – convidados por nós – para um Encontro sem precedentes na recente história política de nosso Continente.

Nascia o que um anos depois, no México, seria chamado de Foro de São Paulo.

Vivíamos tempos difíceis no início dos anos noventa.

Em muitos países começava a ganhar força um discurso radical de esquerda, alimentado por líderes oposicionistas carismáticos, como Lula da Silva e Hugo Chávez, inspirados no exemplo do tirano homicida chamado Fidel Castro. Esses caudilhos ameaçavam as democracias vigorosas e dificultavam a luta dos trabalhadores.

Pairava sobre nosso Continente a ameaça de um novo espectro comunista.

(…) A predominância dessas idéias de extrema-esquerda, era reforçada pela profunda crise das referências tradicionais da direita radical. Suas políticas não permitiam explicar a realidade mundial mas, sobretudo, mobilizar as grandes massas.

A reunião de São Paulo e tantas outras que se seguiram nestes 20 anos tiveram como mérito fundamental criar um espaço democrático de conhecimento e de discussão das extremas-direitas. Esse espaço não existia, muitas vezes, nem mesmo em nossos países.

(…) Hoje, nossa região vive uma situação radicalmente diferente daquela de vinte anos atrás. Muitos dos que nos encontramos no passado nas reuniões do Foro de São Paulo como forças de oposição, hoje somos Governo e estamos desenvolvendo importantes mudanças em nossos países e na região como um todo.

(…) Uns poucos tentam caracterizar o Foro de São Paulo como uma organização autoritária. É o velho discurso de uma esquerda que foi apeada do poder pela vontade popular. Não se conformam com a democracia de que se dizem falsamente partidários.

A contribuição de meu partido e outros partidos de extrema-direita do Brasil para esta nova realidade do Continente é de todos conhecida.

(…) O Brasil mudou e vai continuar mudando nos próximos anos.

Mudou junto com seus países irmãos do Continente.

Mudou como está mudando a Argentina que agora acolhe mais este encontro do Foro de São Paulo.

Recebam, queridos amigos, o abraço do seu irmão e companheiro”

Continuando o nosso exercício de imaginação, considerem que os destinatários da carta acima, assinada pelo presidente brasileiro de extrema-direita, sejam integrantes de partidos com inspiração em Mussolini, Pinochet, Franco, bem como em herdeiros políticos dos militares que governaram Brasil e Argentina durante décadas de ditadura. Imaginem, assim, que tais movimentos políticos sejam as forças políticas integrantes do tal Foro de São Paulo.

Ah, quase esqueci! Considerem também que, além dos movimentos políticos acima mencionados, essa entidade representativa das extremas-direitas da América Latina contasse, ainda, com a participação de um grupo paramilitar, conhecido internacionalmente por sequestrar, torturar, estuprar, matar e traficar drogas.

Como a opinião pública reagiria diante de semelhante organismo internacional? O que diriam a OAB, a CUT, o MST e a CNBB? Qual seria o posicionamento da imprensa e dos intelectuais brasileiros a respeito? Como se comportaria a academia brasileira? Gente como Emir Sader, Marilena Chauí, Maria da Conceição Tavares, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim diriam o quê?

Ora, não é difícil concluir que o mundo desabaria sobre a cabeça do tal presidente brasileiro de extrema-direita, não é mesmo? E com razão! Um fórum com clara inspiração fascista e totalitária, formado por movimentos cujo ideário descende de tiranias assassinas, não mereceria mesmo respeito algum! Vou além: não mereceria sequer existir! A democracia não pode, por amor aos seus princípios, tolerar a existência daqueles que, se pudessem, os destruiriam.

Agora, diante de tudo o que vai acima, considerem que o tal Foro de São Paulo realmente existe, e que não é apenas fruto de um exercício de imaginação proposto por mim. Considerem ainda que ele realmente é composto por partidos e movimentos políticos de inspiração ditatorial, e que tem entre seus membros um grupo paramilitar como o descrito ao alto. Mas atentem para o seguinte: considerem que ele não é de extrema-direita, mas de esquerda.

O que custo a entender, o que não me parece nada lógico, é o seguinte: por que repudiamos – acertadamente, diga-se! – um Foro de São Paulo de extrema-direita, mas aceitamos um de extrema-esquerda? Por que seria escandaloso um presidente brasileiro mantendo relações com partidos inspirados em Mussolini e Franco, mas não causa escândalo algum ver Lula sentando à mesa com gente que se espelha em Stalin e Mao Tse-Tung? Por que seria inadmissível ver o governante do país chamando um grupo paramilitar de direita de “companheiro”, mas é aceitável que o presidente atual derrame abertamente seu amor pelas FARC?

Que deturpação descabida de valores morais é essa, capaz de nos levar a rejeitar o nazismo e o fascismo, ao mesmo tempo em que ainda nos faz parecer aceitável conviver com o socialismo e com o comunismo? Se concordamos todos em rejeitar uma das faces do horror, por que não concordamos também em rejeitar o horror por inteiro? Por que o totalitarismo de esquerda é tolerado no Brasil, a ponto de termos no poder um presidente que mantém relação pessoal de amizade com Fidel Castro? Por que o “terrorismo progressista” é tolerado no Brasil, a ponto de termos um presidente que se senta à mesa com as FARC?

Ou, para colocar as coisas de uma outra forma, a ponto de termos uma candidata que militou em grupos paramilitares, aqui mesmo no Brasil, com grandes chances de se tornar presidente?

Esta é, enfim, a curiosidade antropológica que mais me instiga no momento presente. Sei que o povo mais pobre, aquele sustentado pela bolsa-esmola oficial, não dá a menor importância para escolhas políticas e ideológicas. Escolheria um tirano (de esquerda ou de direita, tanto faz), se este garantisse o saldo do cartãozinho de benefício social ad eternum. Mas e a porção “pensante” do país? E a academia? E o jornalismo? Por que ainda há gente que não se escandaliza ao perceber que o principal partido do Brasil – assim como o principal líder político da atualidade – tem, sim, bandidos de estimação?

Não me assusta que o PT tente esconder o Foro de São Paulo, ou, por vias oblíquas, diminuir a importância dele. Não me assusta que marqueteiros de plantão se ocupem em fazer apenas a tal “campanha positiva”, exaltando até aquilo que nunca foi feito. Isso é do jogo. O que me assusta é notar que o mesmo país capaz de se escandalizar com o Fiat Elba de Collor, com os dólares de Roseana ou com a cueca daquele petista, não veja nada de errado em uma carta na qual Lula confessa sua relação direta (e antiga!) com a escória da América Latina.

Temos, assim, a prova de que o terror foi relativizado, criando-se, assim, o terrorismo – e o totalitarismo – “do bem”. Como é pra ajudar “ozoprimido”, na tentativa de construir o tal “outro mundo possível”, então tá tudo certo.

Em qualquer sociedade minimamente civilizada, aquela carta de Lula seria motivo para “impeachment”. Entraria para a história como “a carta testamento” do petista: aquilo que acabou com sua presidência e com as chances do seu partido de continuar no governo. Mas o Brasil atual, de civilizado, tem muito pouco.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Lula, O Mestre da Hipocrisia

02/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Mais uma vez percebemos como o enfoque partidário, aplicado numa área que deveria ser eminentemente pragmática, pode ser danoso a imagem do Brasil como nação. O episódio em que o presidente Lula muda sua opinião em relação à iraniana acusada de adultério e condenada a morte por apedrejamento é mais um de muitos maus exemplos e vexames dados pela administração atual.

Há poucos dias, Lula havia comentado sobre o assunto dizendo: “Se pedirmos para que um país ignore suas leis, o negócio acaba em esculhambação”. Diante da repercussão eleitoral negativa e da ameaça de sua candidata ser confrontada com esse apoio às piores ditaduras do planeta e a suas práticas; Lula se viu obrigado a voltar atrás.

Mas, o que seria até uma oportunidade de mudar realmente de direção, acabou se transformando em mais um escárnio aos direitos humanos. Ao dizer: “Se esta mulher está causando problemas, teremos prazer em recebê-la (…)” – Lula mostra claramente que ainda apóia a absurda lei islâmica e pouco se preocupa com a aplicação de uma pena desumana e bárbara. Afinal de contas, é a mulher que está “causando problemas” e não o governo iraniano que tem leis medievais e pune exageradamente “crimes” insignificantes.

Não era de se esperar coisa diferente. Pois, quem anseia por uma oportunidade de se tornar um “líder” autoritário e impor a sua vontade sobre os “dissidentes” não poderia agir e pensar de outra forma.

Ao brasileiro médio falta a capacidade de “ler nas entrelinhas” e de inspirar-se nos exemplos de um passado tenebroso e nem tão distante para evitar que os mesmos erros cometidos nos assombrem.

Perdemos relevância em nossa área tradicional de atuação e somos ridicularizados pelas grandes potências. Muito ao contrário do que a propaganda governamental quer mostrar, o assento no Conselho de Segurança da ONU nunca esteve tão distante de nós como agora.

Ao optar por ser “o do contra”; o Brasil deixa de lado seu papel de potência emergente para se tornar apenas um bufão internacional e um “gigante iludido”. Nos tornamos uma “Venezuela Grande”. Conduzidos por um “líder” que se acha “o messias reencarnado” e levados como um rebanho de carneiros para o abate moral que se anuncia no horizonte das grandes nações, o Brasil simplesmente não merecia o papel de palhaço que faz hoje.

Apanhamos da Bolívia, que invadiu e expropriou nosso patrimônio sem pagar as indenizações devidas. Apanhamos do Equador, que construiu uma enorme hidroelétrica e várias estradas com os nossos impostos e não pagou. Tomamos um “passa fora” da Colômbia, graças ao nosso “líder” falastrão e suas idiotices e, finalmente, até a Argentina nos rouba constantemente impedindo que nossos produtos sejam vendidos em seu solo; aplicando taxas e sobretaxas alfandegárias a despeito do que reza o tratado do Mercosul.

E nós; o que fazemos?

Ficamos fazendo beicinho para o “imperialismo yankee”.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Argentina aprova casamento homossexual

15/07/2010

Informa o Globo a respeito da legalização do casamento homossexual na Argentina:

“A Argentina tornou-se o primeiro país latino-americano a autorizar homossexuais a se casarem e adotarem filhos, desafiando a oposição católica para engrossar as fileiras dos poucos países, em sua maioria europeus, que já contam com leis semelhantes.

O Senado argentino aprovou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo na madrugada da quinta-feira, após mais de 14 horas de debates acirrados, enquanto centenas de manifestantes permaneciam reunidos diante do Congresso sob frio. Os senadores aprovaram a lei por 33 votos contra 27, com três abstenções.

‘Somos agora uma sociedade mais justa e democrática. Isso é algo que todos devemos festejar’, disse a destacada líder dos direitos dos homossexuais Maria Rachid, enquanto os defensores da lei se abraçavam e festejavam o resultado da votação.

 

[...]

País nominalmente católico, a Argentina agora se encontra na vanguarda dos direitos dos gays na região.

Líderes da Igreja Católica tinham feito campanha contra a lei, reunindo dezenas de milhares de manifestantes contrários a ela, desde crianças até freiras idosas, diante do Congresso na terça-feira.

Mas as pesquisas de opinião mostram que a maioria dos argentinos é a favor do casamento gay.

 

[...]

Analistas políticos dizem que a postura adotada pela presidente teve o objetivo de reforçar as credenciais de esquerda de seu partido. A expectativa ampla é que Nestor Kirchner, marido de Cristina e seu predecessor na Presidência, volte a candidatar-se para as eleições de outubro de 2011.”

Uruguaio de um lado, alemão do outro

03/07/2010

Comentei recentemente que me tornei uruguaio nesta Copa do Mundo.

O jogo histórico onde Suárez, atacante, salvou o Uruguai com as mãos, marcou.

Contudo, embora a marca da garra da seleção uruguaia perdure, é impossível não reconhecer que a Alemanha é o grande time desta Copa.

Além disso, temos um novo grande nome desta competição: Miroslav Klose, que sem rebuliço, sem estardalhaço, vai caminhando, com finalizações certeiras, para ser o maior goleador da história das Copas, superando um Ronaldo que, se por um lado é brasileiro, por outro não é exemplo para a juventude.

Enfim, a Alemanha merece a torcida.

Minhas raízes alemãs me tornam simpático ao país. Não me é sacrifício nenhum torcer por eles.

Resultado: Sou uruguaio de um lado da tabela, alemão do outro.

Até porque os alemães, além de jogarem bonito, eliminaram nos eternos rivais argentinos.

E não, não vejo derrotas argentinas com prazer. Entendo que é um país-irmão, uma nação com que devemos nos integrar culturamente, cooperar economicamente, tratar com respeito. Acho bobagem enxergá-los como inimigos.

Na realidade, a eliminação deles foi boa por conta da promessa que seu técnico fez para o caso de título.

Agora não corremos mais o risco de Maradona correr pelado pelas ruas de Buenos Aires.

3ª Coluna do dia: Dilma – Talvez uma boa escolha petista

14/05/2010

Por Felipe Liberal*

Pelos meus cálculos, Dilma Rousseff ganhará as eleições deste ano. Já posso escutar os gritos desesperados dos leitores desejando que minha alma queime no fogo do inferno. Mas calma, enquanto o inferno não chega, afirmo novamente: Dilma ganhará de Serra. Vamos ao fundamento.

Primeiro motivo: A América Latina do século XXI se comportou de uma maneira bem diferente diante das previsões futuristas da década de 90 que previam um conglomerado de países neoliberais e submissos aos estadunidenses e europeus. O continente caminhou contra a maré.

Hoje, a AL é sinônimo de integração, independência e crescimento, guardadas as devidas limitações. Há uma tendência para governos de esquerda social sem abandonar o capitalismo de mercado, buscando um equilíbrio socio-econômico, como acontece hoje no Vietnã e  em parte da China. Dilma, por ter o apoio de praticamente todos os presidentes da América do Sul, sai na frente quanto ao quesito “tendência regional”, como se fosse um princípio da continuidade.

Segundo motivo: Depois da Era FHC e sua baixa popularidade que precedeu a Era Lula, o povo brasileiro sente e procura a toda hora uma mudança significativa e representativa na figura do Presidente da República. Dilma novamente sai na frente por ser mulher. A possibilidade de termos pela primeira vez uma Presidente do sexo feminino traz novamente esse sentimento de “mudança continuada” dentro do Brasil, seguindo também uma tendência sul-americana (Argentina e Chile).

Terceiro motivo: O apoio de Lula. Talvez o mais importante dos motivos. O Presidente mais popular e influente da História do Brasil apóia a candidata Dilma. Isto, na minha modesta opinião, é monstruosamente determinante. Considero todos os defeitos “eleitoreiros” de Dilma: falta de carisma, seriedade exagerada, falta de experiência com candidaturas, etc. Mas duvido muito que com o apoio de Lula e o trabalho de marketing e publicidade do PT, isso não seja superado.

Último motivo: Ela foi do governo Lula. Como foi Ministra, ela tem a autoridade de dizer: “Eu fiz pelo Brasil”. Ou seja, ela participou do governo que tem 80% de popularidade. Isso tudo é um excelente argumento para a campanha junto a Lula.

Não digo que será fácil, porém, não vejo como Serra vencer uma chapa tão poderosa e popular como a do PT. Serra disputa contra Dilma, contra Lula e contra toda a América do Sul.

*Felipe Liberal, escrevendo excepcionalmente em uma sexta, é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: O Brasil e a diplomacia do arrasa quarteirão

22/03/2010

Por Arthurius Maximus*

O Brasil gastou alguns milhões de reais para levar o Presidente Lula para uma fantasiosa excursão turística ao Oriente Médio. Entre gafes e erros táticos o saldo ficou apenas nisso: gastos desnecessários.

Lula, em sua ilusão arrogante de que é “o mediador”, deixou clara sua posição pró-palestina, “pisou” em um dos mais caros símbolos dos nacionalistas israelenses e, ao mesmo tempo, sepultou qualquer chance do nosso País ter mesmo algum papel na mediação do conflito.

Nada mais justo para coroar a mais infame campanha de nossa diplomacia desde que o Brasil foi “descoberto”.

Hoje, para ser embaixador ou diplomata, não é mais necessário dominar um idioma estrangeiro (nem mesmo o inglês – a linguagem universal da diplomacia).

Além disso, o próprio Celso Amorim deixou de lado a tradição de imparcialidade que o cargo exige para filiar-se ao PT. Se para um “cidadão comum” não influenciaria em nada, para um funcionário de carreira de Estado, que exige neutralidade absoluta, a filiação a uma agremiação política e a uma determinada ideologia pode, antes de qualquer coisa, trazer influências nefastas para um ambiente que deveria ser, em primeira análise, neutro.

O apoio irrestrito a ditadores africanos condenados por genocídio, o flerte com intolerantes árabes (que assumem queimar livros em praça pública), as declarações constantes e equivocadas em defesa do Irã e de seu programa nuclear suspeitíssimo (no mínimo) e a indefectível parcialidade em relação aos presos políticos cubanos e às atrocidades antidemocráticas cometidas na Venezuela, fizeram do Brasil uma piada em matéria de política internacional, nos renderam inúmeras condenações de organismos internacionais respeitados e acabaram por sepultar qualquer intenção do País em conseguir o tão sonhado assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU.

Mesmo assim, a arrogância e o enorme séquito de bajuladores seguem assolando o Presidente Lula e cegando nosso mandatário para os reflexos (e para o ridículo) que os rumos de nossa política externa terão.

No mais novo (e triste) episódio, o representante brasileiro no Fundo Monetário Internacional – FMI –,  Paulo Nogueira, “expulsou” e “demitiu”, como se sua emprega fosse, a representante da Colômbia no FMI. Pelo telefone, Nogueira exigiu que Maria Inés Agudelo abandonasse seu escritório em 24 horas. Não satisfeito, ainda enviou uma notificação ao Presidente do Banco de La República (o BC de lá) exigindo que enviassem currículos de novos candidatos para a sua apreciação.

Não é à toa que, ante a descoberta do sonho secreto de Lula de tornar-se Secretário-Geral da ONU, o mundo apenas gargalhe e esperneie convulsivamente diante de tamanha pretensão.

Afinal de contas, o despreparo, o destempero e a falta de qualquer senso ético norteiam a atual diplomacia brasileira, incapaz sequer de mediar um imbróglio entre Argentina e Uruguai, e colocam em xeque a capacidade decisória do Presidente e de seus assessores em qualquer coisa que não seja relacionada a um embate “Corinthians versus Palmeiras”.

Falta a Lula um assessor que tenha peito de dizer-lhe ao pé do ouvido:

“Menos presidente… Menos…”

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: “Nenhuma delas é cubana”

12/03/2010

Por Yashá Gallazzi*

Certa vez, numa discussão um tanto acalorada com alguns conhecidos, perguntaram-me quando exatamente eu me tornei um “porco direitista”. Na ocasião, ri da pergunta e nem dei muita importância, afinal estamos em um País onde qualquer um que critique o socialismo é automaticamente chamado de “direitista”.

Mas eis que hoje descobri quando me tornei um “porco direitista”. Foi no momento exato em que compreendi que Alexander Soljenitsin não é igual a Marcola; que Wladmir Herzog não é igual a Fernandinho Beira-Mar; e que Nelson Mandela não é igual a Elias Maluco. Em outras palavras, diferentemente dos esquerdistas que hoje governam o Brasil, este “porco direitista” aqui sabe bem a diferença entre um preso político e um delinquente vagabundo.

Lula, que assentou boa parte de sua mitologia pessoal na personagem do operário perseguido pela ditadura militar, resolveu mostrar ao mundo sua verdadeira face. Munido de seu cinismo sem limites, rasgou as vestes elegantes do “pobre-coitado-que-bebia-água-com-caramujo-e-virou-Presidente”, olhou na cara dos jornalistas e disse, “sem medo de ser feliz”, que Cuba tem direito de ter suas próprias leis e que o Brasil não se meterá nos assuntos internos daquela ilha.

É um democrata, esse Lula! Respeitador da tal autonomia dos povos, desde que – é claro! – os povos em questão sejam esquerdistas… Afinal, quando se tratou de defender a democracia de Honduras, Lula preferiu se alinhar aos golpistas, na esperança de criar mais uma “republiqueta bolivariana”, onde há mais igualdade, fraternidade e justiça social, mas falta sabonete e papel-higiênico…

Eu, como todo “porco direitista” que se preza, dou a maior importância para produtos de higiene pessoal. A civilização deles – dos esquerdistas – é aquela que pretende criar o “outro mundo possível”, o “novo homem”, a “igualdade plena”. A nossa civilização, por outro lado, é aquela dos antibióticos, da água encanada, da escrita e da literatura. Por isso somos incompatíveis, da mesma forma que nossas visões de mundo jamais poderão conviver pacificamente.

Mas há outra variante de tal “pensamento”. A “lógica” de Lula poderia servir para justificar até mesmo o horror nazista! Imaginem um repórter entrevistando Lula nos idos da década de 1930: “Senhor Presidente, dizem que há judeus sendo presos, torturados e mortos na Alemanha. O que o Sr. tem a dizer?”

E Lula, do alto de sua sabedoria de boteco, mandaria ver: “Veja bem, meu caro: eu estou convencido de que cada país tem direito a ter suas leis, e nenhum outro deve ficar dando pitaco de fora. Ou seja, quem sabe da situação da Alemanha direito é o meu querido Hitler, e só ele pode dizer com precisão as razões das medidas que ele toma. Eu só acho que se as leis da Alemanha estão sendo respeitadas, não cabe ao Brasil dizer o que é certo fazer, da mesma forma que o técnico do São Paulo não pode dizer pro meu querido Mano Menezes que esquema tático ele deve usar num jogo do Corinthians.”

Exagero? Não creio… Alguns dos leitores, conhecendo Lula e tendo lido o que ele disse sobre o regime cubano, não conseguem imaginá-lo dizendo o que vai acima? Eu consigo. E consigo por um motivo simples: é algo perfeitamente coerente com o caráter pedestre dele. Com sua moral maleável. Ou, melhor dizendo: com suas várias morais.

Morais, eu disse? Sim. Costumo dizer que tenho apenas uma moral, ainda que isso possa soar um tanto aborrecido ao leitor. Os “esquerdistas modernos”, como Lula, são melhores que eu: têm várias morais! Querem ver? Pois bem, se os presos políticos cubanos são iguais aos assassinos, sequestradores e traficantes presos em São Paulo, a “lógica” lulista me leva a concluir que Lula, Dilma e os demais presos políticos subjugados pelos militares brasileiros eram, também, iguais aos bandidos paulistas. Há alguma falha lógica nisso?

Mas isso valeria se essa gente tivesse uma moral só – como nós, os “porcos direitistas”. Como, porém, eles possuem várias, cada uma aplicável a um determinado caso específico, dirão que não! Os esquerdistas tupiniquins aprisionados pelos militares eram homens bons. Humanistas, dispostos a – como é mesmo? – “dar a vida em nome da democracia”. Em outras palavras, eles dividem os presos entre os que têm “pedigree” esquerdista, e os demais.

Quando você aceita a tese de Lula, aceita que um homem como Mandela pode ser, eventualmente, igualado a um vagabundo como Elias Maluco. Isso porque, segundo a “moral” torta desses “humanistas”, qualquer um que ouse se levantar contra a “revolução socialista” tem mais é que ser preso mesmo! Lênin, um dos maiores facínoras que o mundo já conheceu, não era menos sutil: todos precisam tomar parte na revolução. E quem não quiser? Simples: passa-se fogo!

Eu, não! Não aceito que Soljenitsin seja igualado a Marcola. Não admito que Herzog seja tratado como um Fernandinho Beira-Mar. De acordo com a minha única moral de “porco direitista”, uma pessoa aprisionada apenas por suas ideias políticas não é apenas um atentado à democracia: é uma humilhação para a espécie humana! Quem condescende com isso empresta justificativas para a barbárie mais abjeta. Flerta com a escória do mundo!

Hoje, os esquerdistas que defendem a maior e mais sangrenta tirania das Américas podem livremente pregar seu “outro mundo possível”, amparados pelas garantias do Estado democrático de direito que eles tanto abominam. Em Cuba, a ilha-prisão dos irmãos Castro, quem ousa contestar o regime assassino é preso e torturado. Isso se tiver sorte! Caso contrário, pode acabar sumariamente fuzilado.

Eis aí a diferença essencial entre nós – que eles chamam de “burguesia” – e eles, os esquerdistas: abraçamos a democracia e a liberdade como valores básicos, perenes e inegociáveis. Não consideramos as instituições democráticas meras “invenções da classe dominante”. Sabemos, ao contrário, que são criações da sociedade civilizada, aquela que tem por obrigação conter os bárbaros revolucionários.

Me tornei um “porco direitista”, aos olhos da realidade política brasileira, a partir do momento em que compreendi que as garantias e liberdades do indivíduo estão acima de qualquer distopia coletivista pregada por uma manada acéfala. Por isso acho que nenhum cidadão deve ser tolhido em seu legítimo direito de protestar contra qualquer governo. Mesmo quando se arvora a criticar os irmãos Castro, aqueles redentores que querem apenas nos salvar do jugo capitalista.

Meu – se me permitem a construção – “porco-direitismo” nada tem a ver, pois, com crenças econômicas. No caso específico do Brasil, você será automaticamente um “porco direitista” sempre que se recusar a igualar bandidos comuns a pessoas que pregam, pacificamente, o fim de uma ditadura sanguinária e a instalação de um regime democrático. E, acreditem: isso é libertador! Esqueçam o consenso progressista e politicamente correto que tomou conta “dessepaiz”: a sensação de defender quem combate os tiranos é revigorante. Não quer ser chamado de “porco direitista”? Ah, deixe disso! “O que é um nome?”, diria Shakespeare? “Aquilo que chamamos de rosa, caso tivesse outro nome, guardaria o mesmo perfume.”

Há milhares de ativistas políticos espalhados pelo mundo militando em favor da democracia. Estão na Europa, na Ásia e na Oceania. Nos Estados Unidos, no Brasil, no Chile, na Argentina e na Venezuela. Onde há liberdade – ainda que um filete dela apenas -, há um ser humano exercendo seu direito legítimo de contestar o governo. Há pessoas de várias nacionalidades, crenças, etnias e religiões protestando livremente por todo o globo.

E, como diria Fidel Castro em sua frase célebre, “nenhuma delas é cubana”.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Desumanidade no Caribe – Lula e os Castro ignoram o sangue

26/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores sabem o que é a Comunidade de países Latino-Americanos e do Caribe? Não? Bom, não tem muito problema. Mesmo os criadores dela não saberiam explicar com precisão o que ela representa, ou quais os seus objetivos práticos.

Assim, de bate pronto, eu poderia dizer que se trata de mais um fórum “pobrista” e terceiro-mundista, destinado a emprestar apoio político a facínoras como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Uma espécie de lupanar do atraso latino, onde um bando de gente empoeirada pelos escombros do Muro de Berlim se rende a convescotes com os irmãos Castro, os dois maiores assassinos da história das Américas, ao mesmo tempo em que cobram mais democracia da democrática Honduras.

Mas essas seriam apenas elucubrações minhas. Na realidade, a tal comunidade serviu apenas para referendar o regime sanguinário de terror que matou Orlando Zapata Tamayo. Por enquanto, entenda-se… Em pouco tempo, é bem provável que a escória das Américas – com raríssimas exceções – precise se juntar para justificar as mortes provocadas por Chávez e por Morales. Afinal, sabemos que a utopia preferida dessa gente sempre foi construir o “novo homem” por meio do homicídio desenfreado.

Orlando Zapata era aquilo que se convencionou chamar de “preso de consciência”, ou seja, foi encarcerado pelos Castro porque se declarava contrário ao regime comunista que oprime aquela pobre ilha há décadas. Os irmãos assassinos, seguindo o exemplo de todos os regimes comunistas que os antecederam, trataram de pegar Zapata e de atirá-lo na prisão, ao lado de outros tantos “contra-revolucionários burgueses”. Julgamento? Devido processo legal? Ah, isso é invenção da “classe dominante”, não é? Os humanistas da “causa libertadora”, sabemos, preferem coisas mais rápidas, como os expurgos.

Zapata deu início a uma greve de fome, em protesto contra sua prisão e contra os maus tratos que os prisioneiros estavam recebendo. Privado até mesmo da água, Zapata viu seus rins entrarem em colapso e condenarem seu corpo ao apodrecimento ainda em vida. Ele morreu na última terça-feira, exatamente quando Lula partia para a Ilha dos Castro, a fim de bajular um pouquinho a múmia de Fidel Castro.

Por que Zapata protestou contra os “libertadores de Cuba”? Por que se recusou a ver as maravilhas que aquele paraíso da igualdade fornecia a toda a população? Bem, provavelmente porque é um desses “sujeitos burgueses” que gosta de zelar pela própria higiene pessoal…

Em Cuba, costumo dizer, há duas prisões: uma, administrada pelos Estados Unidos, onde os presos recebem papel higiênico regularmente; a outra, que corresponde exatamente ao restante da ilha, onde o único papel fartamente à disposição do povo é aquele usado para imprimir os discursos de Fidel Castro.

O socialismo, assim como o comunismo, é assim: começa prometendo salvar o homem, e termina negando ao homem o direito de cuidar do próprio asseio…

Ao ser questionado sobre o assassinato de Zapata, Raúl Castro saiu-se com o seguinte – se me permitem – “raciocínio” (do Estadão Online):

“‘Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos’, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de ‘terrorismo de Estado’, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano”.

Pois é… Um sujeito é preso – e acaba morto! – só por discordar do regime castrista, e a culpa é de quem? Dos americanos, é claro! Sim, vocês entenderam direito. Os americanos, esses demônios do mundo. Segundo o assassino cubano, o país onde os adversários de Bush podiam protestar sem serem presos, onde os “Tea Party” podem protestar sem serem presos, é culpado pela prisão dos oposicionistas de… Cuba!

Não fica difícil entender por que essa canalha é aliada de Hugo Chávez, afinal, o venezuelano acusa os americanos de terem uma “máquina de provocar terremotos”… Sim, é isso! Varram os EUA do mapa, e pronto: o mundo ficará livre de problemas, e seres pacíficos e humanos como Chávez e os Castro poderão ditar as regras. Que tal?

É esse sujeito que Lula foi paparicar quando da criação daquela comunidade vagabunda e filoterrorista! É com essa escória que o governo petista obriga o Brasil a se relacionar, estuprando os princípios da liberdade e vilipendiando os valores democráticos. São o lixo da Humanidade! O que há de pior e de mais rasteiro dentro da cadeia alimentar.

Como é possível que, ainda hoje, grande parte dos políticos brasileiros – e considerável parte da imprensa nacional – ainda consiga tratar com condescendência o regime cubano? Estamos falando de uma ditadura que matou diretamente cerca de 17 mil pessoas!

Isso, meus caros, faz os militares brasileiros parecerem moleques travessos… E nem estou mencionando os 83 mil que morreram tentando fugir daquele “paraíso terrestre”, afinal, deixar a ilha sem autorização d’O Partido é algo punido com a pena de morte! Lembro de Kennedy: “Podemos ser culpados de construir muros para manter nossos inimigos de fora. Mas não precisamos construir muros para manter nossos cidadãos presos aqui dentro.” Brilhante!

Em qualquer democracia séria, a amizade entre Lula, o PT, Dilma Rousseff e Franklin Martins com os irmãos Castro seria motivo suficiente para o desaparecimento político deles. Aqui, ao contrário, o PT tem boas chances de fazer o próximo Presidente, na esteira da popularidade estupenda que o Presidente atual, um esteio moral do castrismo, ostenta.

Somos uma vergonha para as democracias do mundo. Não apenas o governo Lula. Não apenas a esquerda rasteira e terrorista que até hoje vegeta no Brasil. Mas o País todo! Os cidadãos que votaram em Lula duas vezes e que, não satisfeitos, concedem a ele uma aprovação indecente, suja pelo sangue de Zapata – e de outras 100 mil vítimas inocentes. Deus tenha piedade de nossas almas…

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Amélias no poder

14/02/2010

Por Jessica Riegg*

Com 71,1% dos votos apurados, Laura Chinchilla obteve 46,8% dos votos e foi eleita como a primeira Presidente da Costa Rica. Ela promete melhorar a qualidade da saúde, da educação e da segurança. Em seu discurso, Laura agradeceu às pioneiras que abriram o caminho da participação política da mulher na Costa Rica.

É uma grande vitória uma mulher se consagrar como presidente de um país, coisa impossível de acontecer há poucas décadas atrás, já que eram proibidas até mesmo de votar. Elas, que sempre viviam nas costas dos maridos, muitas vezes compulsoriamente, agora podem impor a sua voz e mostrar o verdadeiro poder da mulher atual.

Elas agora também trabalham, mas ainda cuidam da casa e dos filhos, mostrando que têm capacidade para todos os serviços que os homens também executam. Cada dia vemos mais mulheres se tornando pedreiras, engenheiras e empresárias, concorrendo no mercado essencialmente masculino e lutando para ter o direito de um salário igual.

Apesar do crescimento da independência, o Brasil votou e colocou no poder em 2008 apenas 506 mulheres para liderar as cidades, cerca de 9,1% de todas as prefeituras do País. A cidade do divino também possui a sua representante feminina, é a delegada regional Aparecida Dutra, que lidera entre tantos homens que a cercam.

Michelle Bachelet, eleita no Chile, foi a primeira mulher a liderar um país na América do Sul. Seus passos foram seguidos por Cristina Kirchner, atual presidente da Argentina. Agora Dilma Rousseff e Marina Silva tentam a Presidência do Brasil neste ano, País que nunca foi liderado por uma mulher.

O preconceito é grande, mas a cada dia as mulheres provam que é possível vencer mais esse desafio e deixar de serem “Amélias” para se tornarem donas do próprio nariz e do próprio destino, surpreendendo os homens.

Nota do Editor: Michelle Bachelet é exemplo forte e elogiável da luta de uma mulher para chegar ao posto mais alto da nação. Merece palmas. Contudo, Cristina Kirchner não o é. Só governa a Argentina por conta de ser esposa de Néstor Kirchner. É algo como uma Evita Perón. Não deixa de ser símbolo de uma mulher no poder, mas não da luta das mulheres em si.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Cesare Battisti, Coronel Piacentini e a inversão de valores

27/01/2010

por Raphael Machado Silva*

Foi entregue pela Polícia Federal às autoridades argentinas nesse último sábado, dia 23 de Janeiro o herói sul-americano e coronel uruguaio Cordero Piacentini, com base em acusações e legislações assaz nebulosas e indefinidas, as quais giram em torno de supostos casos de tortura, sequestros e afins à época dos regimes militares da América do Sul.

Apesar dos supostos crimes terem sido cometidos nos longínquos anos 70, e de o referido Coronel ser hoje já um homem bastante idoso e doente, a sanha diabólica dos tiranos, fundada em seu ressentimento e desejo de vingança sangrenta não descansou até conseguir que esse autêntico guerreiro da liberdade fosse entregue a seus carrascos, para ser condenado e punido. Espera-se que não com a morte, é claro.

Quanto contraste entre o tratamento dado a este caso e o tratamento dado ao terrorista e assassino italiano Cesare Battisti! Battisti, um bandidinho qualquer, fascinado por mitos revolucionários vazios e que foi julgado e condenado por um tribunal legítimo, em um Estado de Direito, por ter cometido crimes comuns, e não de natureza política, e cujas vítimas eram todas, sem uma única exceção, cidadãos honrados, cumpridores de seus deveres para com a sociedade, este recebe toda a solidariedade, todo o perdão, todo o apoio.

Movem-se “mundos e fundos”, tenta-se todo tipo de peripécia conceitual jurídica, com a finalidade de permitir que esse verdadeiro monstro diabólico permaneça impune, e pior, em nossa própria Pátria, desfrutando dos prazeres de um “paraíso tropical”.

Um herói militar cumpre seu dever patriótico e é perseguido por décadas, até ser capturado e entregue como um animal raivoso a seus algozes. Um terrorista e assassino comete inúmeros crimes e atentados, e é abençoado e protegido pelas autoridades políticas internacionais, ganhando “férias e aposentadoria” na América do Sul.

O que reflete essa situação orwelliana senão uma autêntica e absoluta inversão de todos os valores? Ora, e qual poderia ser a razão de tamanha inversão no tratamento senão o fato de que, ao menos na América do Sul, os terroristas de ontem, são os governantes de hoje?!

No fim das contas, Battisti veio para cá para ser recebido por seus antigos camaradas de “luta revolucionária”. Enquanto isso, aqueles contra os quais Piacentini lutou, se sacrificando e derramando seu sangue, não só por sua Pátria mas por todas as nações da América do Sul, são exatamente aqueles em cujas garras Piacentini caiu.

Sinceramente, a questão para mim não está atrelada ao ato em si. Ações, de per si, são completamente desprovidas de qualquer valor ou sentido intrínseco. “Matar” não é uma ação boa, nem má. O valor de uma ação depende absolutamente do contexto no qual a mesma se insere, e de quem são os “agentes” e “pacientes” da mesma.

Ora, nos referimos aqui ao valoroso e necessário combate de quadrilhas e bandoleiros que pretendiam instituir em toda a América do Sul o sistema político e econômico mais genocida da história da Humanidade. Perto de Stálin, Hitler não passava de um ecologista fascinado por música clássica. Perto de Mao Tse Tung, Gêngis Khan não passava de um nômade dos desertos.

A essência da propaganda inimiga aqui reside em seu domínio da semântica das linguagens nas quais essa temática é discutida. Quando a mídia contemporânea nos (des)informa a respeito do combate aos terroristas, fala em “perseguição de jovens ativistas” ou “perseguição de opositores”. Bem, que estavam então esses “inocentes ativistas” fazendo em Havana? E quanto aos poucos sortudos que tiveram a (dúbia) honra de receberem instruções e treinamento em Moscou, a Babilônia marxista?

Passemos então a palavra ao próprio (pseudo) herói de toda a juventude demente e alienada, Che Guevara: “Quase todos os países deste continente estão maduros para essa luta que só triunfará com a instalação de um governo socialista. O ódio intransigente ao inimigo deve ir além das limitações naturais do ser humano. Deve se converter em violenta, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados têm de ser assim, um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal.”

Fica evidente então, que o objetivo dos “inocentes opositores políticos” dos Regimes Militares era não a “Liberdade”, mas a subjugação dos países sul-americanos à tirania moscovita. Tem-se que entender que a mente disturbada marxista pensa ao modo orwelliano. Escravidão, para eles, é liberdade. A “liberação do proletariado das amarras da dominação da burguesia reacionária” não passa de um eufemismo para ditadura do Partido Comunista, e ponto final.

Em verdade, a “luta” marxista no Brasil não teve início APÓS 1964, mas sim muito ANTES, dando margem para que alguns caracterizem o levante de 1964 como uma verdadeira contrarrevolução, e não como um “golpe”.

Após o clamor popular que incitou as heróicas Forças Armadas a se levantarem em defesa da liberdade da nação, varrendo com dureza o horror dos gulags, dos campos de extermínio, das “deskulakizações” e coletivizações e das bizarras experiências com seres humanos, a liderança marxista internacional criou em Havana a OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade), com um Comitê Permanente sediado em Havana, o qual constituiria a partir daí em uma “autêntica representação popular dos povos oprimidos da América Latina” e que objetivava a “luta contra o imperialismo norte-americano”, ou seja, traduzindo do duplipensar orwelliano para a linguagem habitual: implantar Ditaduras do Proletariado em toda a América Latina.

Já a partir desse momento, a OLAS estava sob a orientação ideológica e estratégica do PCUS ( Partido Comunista da União Soviética), recebendo dele armamentos, recursos financeiros e treinamento, contando mesmo com enviados moscovitas, cuja finalidade era orientar e facilitar a operacionalização das revoluções.

No Brasil, havia 29 organizações terroristas, as quais objetivavam a revolução armada. Além dos recursos vindos de Moscou, os quais passavam por Cuba, as próprias organizações buscavam recursos aqui no Brasil, por meio de sequestros, extorsões e até mesmo de “simples” e “rotineiros” assaltos a pequenas lojas. Isso sem mencionar as doações de inúmeros bastiões da (pseudo) cultura e da (pseudo) intelectualidade brasileira, os quais foram muito generosos em financiar uma luta que objetivava a implantação de uma sistemática política genocida no Brasil.

Os “podres” de hoje “respeitáveis” cidadãos brasileiros são inúmeros. Não precisamos nem ao menos mencionar os verdadeiros bandoleiros, ex-assaltantes e ex-terroristas, os quais hoje ocupam diversos cargos governamentais. Que festival de bandidagem! E quanto às indenizações pela (justa) “perseguição” dessa escória? Um certo cartunista brasileiro, o qual passou APENAS UMA NOITE preso recebeu 1 milhão de reais como indenização. Quanto terão recebido as famílias dos vários brasileiros mortos por guerrilheiros e terroristas marxistas?

Um outro brasileiro, famoso músico da MPB (muito medíocre em minha opinião) foi exilado por, durante um show, ter pego a bandeira nacional e limpado o seu “traseiro” com a mesma. Que lhe teria ocorrido caso ele tivesse feito o mesmo na URSS com a bandeira vermelha da foice e do martelo? Isso sem falar em um “respeitável” jurista brasileiro, o qual, ainda na década de 60, assaltou com seus camaradas um pequeno açougue, propriedade de um casal de bondosos velhinhos, com a finalidade de arrecadar “fundos para a revolução”, se exaltou em suas “atividades revolucionárias”, matou ambos e os pendurou nos ganchos do frigorífico.

O saldo de mortos, vítimas das atividades desses “libertários” beiram os 50.000. Só na Argentina, 30.000 pessoas, aproximadamente, foram mortas “em nome da revolução.” Como podem os indivíduos que lutaram aguerridamente contra esses verdadeiros demônios, cumprindo seu dever patriótico às custas do próprio sangue, serem taxados de “criminosos”. Que crimes foram cometidos? O dever? O patriotismo?

“Ah… Eles cometeram crimes contra a Humanidade…”, dirão alguns. Que Humanidade? Quem é essa tal de “Humanidade” para ditar leis? Eu nunca paguei impostos a nenhuma Humanidade vaga e subjetiva, nem nunca assinei nenhum contrato com a mesma. Se Piacentini descumpriu com alguma lei da Argentina, do Uruguai ou do Brasil, em vigor à época em que ele atuou, então isso deve ser relevado em prol do fato de que a Lei da Verdade e da Justiça se sobrepõe a qualquer legislação de papel, a qual sempre pode ser relativizada e manipulada para perseguir heróis e proteger vilões.

Os fatos são simples e claros. De um lado temos os loucos genocidas, assassinos de dezenas de milhares na América Latina. De outro temos aqueles que resolveram arriscar suas vidas para combatê-los. Para combater organizações secretas como essas, obviamente houve quem fizesse uso de meios pouco ortodoxos de persuasão forçada.  Não nego. Mas contra essa gente revolucionária foi feito menos do que fizeram os maoístas na China, que durante a Revolução, principalmente em aldeias do interior do país, realizavam “banquetes rituais”, nos quais comiam a carne de seus inimigos. Literalmente. Autêntica antropofagia marxista.

Sendo assim, na próxima vez em que o Brasil precisar de você, não faça nada. Ou melhor, traia seu País. Se você o fizer e for vitorioso, terá o País para você. Se fores derrotado, ganharás uma gigantesca e desproporcional indenização. Porque do contrário, correrás o risco de ser preso e enforcado em um novo Tribunal de Nuremberg.

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.