Postagens com a palavra-chave ‘Amorim’

Coluna do dia: Brasil e o flerte constante com as piores ditaduras mundiais

05/07/2010

Por Arthurius Maximus*

Mais uma vez a diplomacia “de ponta” do governo Lula leva o Brasil a receber condenações de todas as entidades de direitos humanos do planeta. A visita e a abertura de negociações com o ditador da Guiné Equatorial – Obiang Nguema – no poder desde 1979 com mão de ferro e muito derramamento de sangue, mostram bem como a nossa visão de mundo tem valores “especiais”.

Além do sangue e do desprezo pelos direitos humanos, em escala genocida, Nguema é famoso por sua corrupção desenfreada. Apesar das grandes reservas petrolíferas encontradas no país, a população amarga grande pobreza e total desesperança. Mas, para Lula e Amorim, o país reúne os requisitos de uma democracia, pois, em palavras do próprio Amorim, é essa a base para a escolha dos países com os quais o Brasil quer se relacionar.

O estranho mesmo é entender como um país que possui um presidente no poder desde 1979 e tem uma das mais sangrentas ditaduras do continente africano preenche os tais quesitos de democracia. Só se for em relação à corrupção desenfreada. Aí, nesse caso, o nosso governo está “pau a pau” com eles.

Sem dúvida essa será mais uma daquelas parcerias duras de engolir e tristes de olhar. O mais terrível é a vergonha que qualquer cidadão de bem, que ame a democracia e o respeito ao ser humano – independente da ideologia – deve sentir ao ver seu país ligado à fina flor do autoritarismo e do genocídio internacional.

É claro que negócios trazem divisas e investimentos para nossa nação. Empregos são necessários e sempre bem-vindos. Mas e o preço desses investimentos? Será mesmo tão benéfico para nós faturar alguns dólares a mais e ter nossa imagem atrelada às ditaduras do mundo todo? Será que ganhamos algo negociando com a Guiné Equatorial que nenhum outro país pudesse nos proporcionar? Será mesmo preciso reconhecer ditadores sanguinários como democratas e ainda apregoar isso aos quatro cantos?

Para Lula, Amorim e a turma do PT é.

Pelo andar da carruagem ainda teremos que conviver com um Itamaraty infiltrado por uma visão ideológica inadequada e inconveniente durante um bom tempo.

Azar o nosso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: Olhares sobre a mudança

11/04/2010

Por Tiago Franz*

Nesta segunda-feira, 12 de abril, minha coluna no Perspectiva chega ao primeiro aniversário. É uma enorme satisfação ser colaborador – e ter sido o primeiro colunista – deste conceituado blog. Agradeço a todos os leitores, comentaristas e colegas colunistas pela constante troca de experiências. E dedico um agradecimento especial ao editor e pai do Perspectiva, nosso estimado Bruno Kazuhiro, pela acolhida e prestatividade.

Ninguém que tenha vivido um intenso período de aprendizado, como o que eu vivi aqui no Perspectiva nos últimos doze meses, deixa de mudar ou amadurecer algumas opiniões. Mas, apesar de eu ter muito o que falar sobre mim, não é o que interessa aqui.

Tenho observado, em alguns políticos brasileiros, mudanças de postura assumidas com o tempo, muitas vezes vistas como incoerência ideológica ou sob outro aspecto negativo. No Brasil, as mudanças de pensamento e atitude por parte de pessoas públicas, no geral, têm sido muito mais objeto de críticas do que de elogios. É claro que também há recepções positivas. O que determina isso são as rivalidades históricas construídas a partir de divergências ideológicas, somadas a uma boa dose de conveniências eleitorais e de interesses diversos.

Alguns exemplos:

Na semana passada, o Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), durante audiência pública sobre a política externa do Brasil, no Senado, questionou o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre as medidas e posições adotadas pelo atual governo. Quem acompanha a questão sabe muito bem que a oposição (PSDB/DEM), mesmo reconhecendo, até certo ponto, o prestígio internacional alcançado pelo Brasil neste governo, critica a forma com que a equipe de Lula conduz as relações com países como o Irã, Cuba e Venezuela.

O curioso foi o momento em que Virgílio falou sobre Cuba. O tucano lembrou o tempo em que foi militante do Partido Comunista do Brasil (PCB) e admirador da revolução cubana, quando, segundo ele próprio, Lula era apenas um torneiro mecânico sindicalista sem muita relação com o comunismo. Pois é. Inversamente, hoje Lula abraça os Castro e Virgílio os critica. Onde o tucano quis chegar com essa lembrança? Para Arthur Virgílio, Lula também deveria reconhecer os erros de Cuba e, ao manter relações com os Castro, aconselhá-los a mudar.

A mudança de posição do Senador amazonense é, para ele, um amadurecimento. E Virgílio faz questão de reconhecer seu passado, de certa forma para, espertamente, antecipar-se a possíveis questionamentos. E é claro que muita gente vê tal transformação pelo lado negativo. Afinal, é do jogo.

Com Marina Silva a coisa é mais interessante ainda. A Senadora e pré-candidata à Presidência pelo Partido Verde (PV) desfiliou-se do Partido dos Trabalhadores (PT) no ano passado, após militar por 30 anos na sigla. As críticas a ela vêm de todos os lados. Muitos “esquerdistas” a condenam por uma dita aproximação com empresários e com a direita. Muitos “direitistas” a condenam pelo passado comunista, que consideram ainda determinante em sua postura.

Mas, deixando de lado as parcialidades, até que ponto e quando as mudanças de pensamento e de postura devem ser consideradas ruins? Em que casos há um processo de transformação consciente e quando há apenas interesses escusos? Quando há honestidade intelectual e quando há mera infidelidade partidária ou incoerência ideológica?

Marina e Virgílio amadureceram ou apenas seguiram a tendência de despolarização pós-Muro de Berlim? Amadurecer significa encontrar um meio-termo?

Encerro por aqui, mais uma vez com muitas perguntas não respondidas.

Este sou eu, Tiago Franz, colunista do Perspectiva há um ano, indagador, sempre em movimento.

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Coluna do dia: O Brasil e a diplomacia do arrasa quarteirão

22/03/2010

Por Arthurius Maximus*

O Brasil gastou alguns milhões de reais para levar o Presidente Lula para uma fantasiosa excursão turística ao Oriente Médio. Entre gafes e erros táticos o saldo ficou apenas nisso: gastos desnecessários.

Lula, em sua ilusão arrogante de que é “o mediador”, deixou clara sua posição pró-palestina, “pisou” em um dos mais caros símbolos dos nacionalistas israelenses e, ao mesmo tempo, sepultou qualquer chance do nosso País ter mesmo algum papel na mediação do conflito.

Nada mais justo para coroar a mais infame campanha de nossa diplomacia desde que o Brasil foi “descoberto”.

Hoje, para ser embaixador ou diplomata, não é mais necessário dominar um idioma estrangeiro (nem mesmo o inglês – a linguagem universal da diplomacia).

Além disso, o próprio Celso Amorim deixou de lado a tradição de imparcialidade que o cargo exige para filiar-se ao PT. Se para um “cidadão comum” não influenciaria em nada, para um funcionário de carreira de Estado, que exige neutralidade absoluta, a filiação a uma agremiação política e a uma determinada ideologia pode, antes de qualquer coisa, trazer influências nefastas para um ambiente que deveria ser, em primeira análise, neutro.

O apoio irrestrito a ditadores africanos condenados por genocídio, o flerte com intolerantes árabes (que assumem queimar livros em praça pública), as declarações constantes e equivocadas em defesa do Irã e de seu programa nuclear suspeitíssimo (no mínimo) e a indefectível parcialidade em relação aos presos políticos cubanos e às atrocidades antidemocráticas cometidas na Venezuela, fizeram do Brasil uma piada em matéria de política internacional, nos renderam inúmeras condenações de organismos internacionais respeitados e acabaram por sepultar qualquer intenção do País em conseguir o tão sonhado assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU.

Mesmo assim, a arrogância e o enorme séquito de bajuladores seguem assolando o Presidente Lula e cegando nosso mandatário para os reflexos (e para o ridículo) que os rumos de nossa política externa terão.

No mais novo (e triste) episódio, o representante brasileiro no Fundo Monetário Internacional – FMI –,  Paulo Nogueira, “expulsou” e “demitiu”, como se sua emprega fosse, a representante da Colômbia no FMI. Pelo telefone, Nogueira exigiu que Maria Inés Agudelo abandonasse seu escritório em 24 horas. Não satisfeito, ainda enviou uma notificação ao Presidente do Banco de La República (o BC de lá) exigindo que enviassem currículos de novos candidatos para a sua apreciação.

Não é à toa que, ante a descoberta do sonho secreto de Lula de tornar-se Secretário-Geral da ONU, o mundo apenas gargalhe e esperneie convulsivamente diante de tamanha pretensão.

Afinal de contas, o despreparo, o destempero e a falta de qualquer senso ético norteiam a atual diplomacia brasileira, incapaz sequer de mediar um imbróglio entre Argentina e Uruguai, e colocam em xeque a capacidade decisória do Presidente e de seus assessores em qualquer coisa que não seja relacionada a um embate “Corinthians versus Palmeiras”.

Falta a Lula um assessor que tenha peito de dizer-lhe ao pé do ouvido:

“Menos presidente… Menos…”

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Política internacional, ideologia e os mísseis testados pelo Irã

20/12/2009

Informa o Globo:

“O Irã testou uma ‘versão aprimorada’ do míssil terra-a-terra Sajjil-2, capaz de alcançar partes da Europa.

[...]

O projétil de alta velocidade tem ‘grande capacidade de manobra’ e vai até 2 mil quilômetros do ponto de partida, acrescentou o Irã.

O país testou outros dois tipos de mísseis em setembro, dias antes de uma importante reunião entre os países ocidentais sobre as questões nucleares.

O novo teste ocorre num momento em que o Ocidente pressiona o Irã a abandonar seu programa nuclear, por temer que ele possa levar ao desenvolvimento de armas. O Irã diz que seu objetivo é apenas gerar eletricidade com fins civis.”

Que me perdoem pela ignorância os defensores ferrenhos do Irã, porém, que eu saiba, mísseis não podem ser utilizados apenas para fins pacíficos.

Ora, que me digam que o programa nuclear visa apenas gerar energia. Eu não creio muito nessa hipótese, mas vá lá que seja.

Porém, quanto a mísseis ninguém poderá me convencer de que os fins são pacíficos. No máximo poderão afirmar que estão sendo testados pois podem ser usados em caso de defesa contra um ataque externo, e não para atacar.

Acontece que o ataque externo supostamente temido só viria se restasse comprovado que o Irã não está enriquecendo urânio apenas para gerar energia. Logo, se estiver visando se proteger, sabe o Irã que pode ser atacado e, portanto, que está devendo na praça.

Dito isso, a conclusão a que chego é que os defensores da política externa e militar do Irã precisam, no mínimo, dizer com todas as letras: Eu, fulano de tal, entendo que o Irã tem o direito de ter armas atômicas, pois outros países têm e ninguém é pior que ninguém.

Digam isso. Assumam que não criticam o Irã porque, no fundo, acham que o País pode ter urânio seja ele para gerar energia ou para gerar mortes, pois outros países também podem.

É aí que se relaciona a defesa do Irã com o anti-americanismo. Esse é o viés, por exemplo, que liga Hugo Chávez ao Irã de Mahmoud Ahmadinejad. Toda a conexão é motivada pelo anti-americanismo, que defende a ideia de que se os Estados Unidos têm bombas atômicas, todos podem ter, para os americanos verem o que é bom para a tosse.

Não concordo com essa visão, acho que a questão é mais complexa e que tudo depende da confiabilidade do país, de seu sistema político e de governo, de sua cultura e da intensidade de sua inserção na economia e na política mundiais.

No entanto, creio que se deixarmos de lado a hipocrisia, já seria de grande valia.

Os que entendem que o Irã pode ter bombas atômicas, falem. Não se escondam atrás do politicamente correto do “fins pacíficos”, afinal, mísseis não são nada pacíficos.

Por fim, vale citar a política externa brasileira no que diz respeito ao Irã. Ela é simpática ao programa nuclear do país árabe. Aliás, acredito que muitos governistas são parte do grupo citado acima, que entende, no fundo, que o Irã tem que botar para quebrar mesmo.

É por essas e por outras que questiono neste blog, muitas vezes, a atuação um tanto ideológica do Ministro Celso Amorim e, principalmente, do famigerado Marco Aurélio Garcia, que não possuiria o cargo que possui em qualquer país sério.

O Estado de São Paulo resume bem os frutos do fato desse tipo de pensamento encontrar espaço no governo brasileiro:

“Um sentimento negativo está rapidamente tomando o lugar da disposição favorável ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e à crescente presença international do Brasil que prevaleceu em Washington até poucos meses atrás. Críticas aos EUA e ao próprio presidente Barack Obama feitas publicamente por altos funcionários brasileiros indicam que a recíproca é verdadeira.

[...]

Divergências entre Brasil e os EUA sobre Honduras e outros episódios menores certamente contribuíram para criar animosidade. Esta se alimenta principalmente, porém, da decisão de Lula de emprestar seu prestígio pessoal e a credibilidade internacional do Brasil ao líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, recebendo-o em Brasília, e, depois, oferecendo os serviços do Brasil como mediador freelancer do gravíssimo confronto entre Teerã e Washington e seus aliados em torno do programa nuclear iraniano – questão estratégica número um do governo Obama.

[...]

Causou espanto, por exemplo, a afirmação feita por Lula sobre a falta de ‘autoridade moral’ dos EUA para negociar questões de não proliferação nuclear, no momento em que despachava Celso Amorim ao Irã para uma improvável missão junto a Ahmadinejad, depois de Teerã ter rejeitado a proposta de acordo apresentada pela Agência Internacional de Energia Atômica, que tornaria o programa nuclear iraniano compatível com suas obrigações de signatário do Tratado de Não Proliferação.

A crítica foi tomada como prova adicional da gratuidade da oferta brasileira de mediação.”

Análise: Política externa brasileira – É possível questionar as prioridades

16/12/2009

Durante os últimos meses, mais do que antes, a política externa do Brasil, comandada pelo governo Lula e, especificamente, por Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, foi extremamente criticada.

Por mais que episódios como a tomada de refinarias da Petrobras pelo governo boliviano, que se deu sem que o Brasil recebesse as devidas indenizações, fossem sempre lembrados há muito tempo, de uns tempos para cá a condução da diplomacia nacional tem sido cada vez mais questionada.

O que acontece é que os episódios onde o Brasil, teoricamente, não se comportou da melhor forma, se sucedem muito rapidamente neste momento. Temos a intromissão em Honduras, temos o caso de Cesare Battisti, temos a aproximação com o bolivarianismo e temos ainda a recente visita ao País de Mahmoud Ahmadinejad, Presidente iraniano.

Em todas as situações listadas, diversos especialistas em política internacional afirmam que o Itamaraty não coordenou o comportamento brasileiro da maneira mais apropriada. São atitudes da política externa nacional questionadas fortemente, sucessivamente, em um curto espaço de tempo. Daí o foco recente no tema que, se antes já era destaque, hoje mais ainda.

Dito tudo isso, gostaria este que vos fala de explicitar sua modesta opinião: Acredito que todos os supostos erros brasileiros na condução de sua política externa dizem respeito a uma espinha dorsal, a escolha das prioridades.

Fica nítido que Celso Amorim, e principalmente o famigerado Marco Aurélio Garcia, que nunca poderia ser condutor de política externa alguma em um País ideal, carregam uma ideologia de fatias do governo para a diplomacia brasileira. Isso faz com que tenhamos uma política externa de governo, e não de Estado.

Uns acreditam que a política externa deve mesmo ser de governo. Outros defendem a política externa de Estado. De qualquer forma, ambas as vertentes primam pela política externa apropriada para o caso concreto. Pois bem. A diplomacia de governo que Amorim e Garcia têm trazido erra, se equivoca, e isso é suficiente para questionarmos não só seus nomes e o fato de a política externa ser de governo, como também, justamente, as prioridades elencadas.

Pois então quais são as prioridades eivadas de ideologia que podem ser observadas? Ora, temos a aproximação com o chavismo, temos a visita de Ahmadinejad, temos a defesa de Zelaya e temos a proteção de Cesare Battisti. Alguém duvida que todas essas atitudes partem da mesma espinha dorsal? Alguém duvida que os posicionamentos do Brasil poderiam ser diversos se não fossem Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia os nossos condutores? E digo mais: Alguém em sã consciência não percebe o alinhamento com os entendimentos de Hugo Chávez?

Afinal, Chávez também auxilia economicamente a Bolívia e o Equador, assumindo prejuízos que serão suportados pela população venezuelana, em benefício dos seus interesses políticos; também é próximo de Ahmadinejad, alimentando o estúpido anti-americanismo; também defendeu Zelaya, pretendendo espalhar o modelo chavista de perversão da democracia pelas mãos da democracia; e também acolheria Cesare Battisti, por conta, puramente, de ser, este, um assassino de esquerda.

Perceberam? Basta não ser torcedor do PT Futebol Clube para assimilar estas conexões. Aliás, não é necessário, afirmo, ser torcedor do PSDB Futebol Clube para dizer o que estou dizendo. Até porque, eu mesmo, não sou partidário, embora não seja, claro, alguém sem posicionamentos políticos pessoais.

As notícias recentes comprovam que as prioridades eleitas pela diplomacia nacional, principalmente nos últimos tempos, dão o tom que explica o porquê das recentes críticas.

Enquanto o Brasil fecha acordo para pagar US$ 1,2 bi a mais por gás boliviano, colocando o prejuízo na conta dos brasileiros, pelo simples motivo de querer ajudar politicamente Evo Morales, além de ter o seu Senado aprovando a entrada da Venezuela no Mercosul, o que não é de todo errôneo mas, no mínimo, questionável, é o Chile que é aceito na OCDE.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) confirmou, nesta terça-feira, em Paris, a aprovação do Chile como membro permanente da instituição.

Com a adesão, o Chile será o primeiro país da América do Sul a integrar a OCDE, definida como “clube dos países ricos e desenvolvidos” e que reúne as nações mais industrializadas do mundo.

Ora, por que não é o Chile o país atraído para o Mercosul? Por que esse país, onde as eleições presidenciais trazem a noção madura para a população de que qualquer candidato que vencer manterá o que tem caminhado de forma correta, não é aquele que miramos para estreitar relações?

Resposta: Prioridade.

É por isso que digo que é possível questionar as prioridades do governo brasileiro no que tange a política externa.

Digo isso porque temos Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia no comando da área.

Digo isso pois parece que mais vale a política pró-ideologia do que a economia e a importação de experiências bem-sucedidas.

Digo isso por conta de o Brasil querer ser, hoje, mais Chávez do que Bachelet.

Coluna do dia: O Brasil, a ONU e o mundo que não se quer

16/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Creio que os leitores já sabem, mas nunca é demais lembrar que hoje o Brasil foi indicado para ocupar um assento no Conselho de Segurança da ONU. Ainda não é a tão sonhada vaga permanente, que alimenta os devaneios de Celso Amorim, mas um posto como membro transitório. Ainda assim, como é de se supor, o feito mereceu notável destaque na mídia nacional, que se apressou em comemorar mais um grandioso feito do Itamaraty petista, saudado por sua – como é mesmo? – “política externa ousada e soberana”.

O que eu acho? Bem, acho que Lula, Celso Amorim e os demais petistas estarão muito confortáveis em qualquer fórum promovido pelas tais Nações Unidas. Parafraseando Lula, digo que nunca antes na história do mundo um governo supostamente democrático emprestou tanto apoio a terroristas e ditadores dos mais abjetos. Lembram? Foi só Celso Amorim se aboletar no Itamaraty e pronto: imediatamente começou o discurso pedestre e terceiro-mundista da “autonomia dos países pobres”.

E com base nesse discurso o Brasil tratou de se render a convescotes com humanistas do calibre de Kadafi e Mugabe, só para citar dois. Em breve, o País vai receber, de braços abertos, o fascista Mahmoud Ahmadinejad, possivelmente um dos maiores perigos para o mundo livre e democrático. E tudo por quê? Ora, para esfregar a tal soberania na cara dos chamados “países ricos” – em especial os Estados Unidos.

Por isso, não dou a menor pelota para a posição que o Brasil ocupa na ONU. Só os inimigos da liberdade dão alguma bola para aquela super-ONG inútil e cara.

Em nome da confraternização e do entendimento entre os povos, a ONU aceita receber sob seu teto a escória do mundo. Como justificar, por exemplo, que o líder maior do fascismo islâmico possa discursar diante de um fórum supostamente democrático? “Ah, mas ele pode discursar justamente porque o lugar é democrático!”, dirão alguns. Besteira!

A democracia, em nome de sua pluralidade e de sua tolerância, não é obrigada a condescender com a canalha que pretende vê-la destruída. Lembro de um célebre julgado da Suprema Corte britânica: “Não podemos conceder aos inimigos da liberdade, em nome de nossas convicções, as prerrogativas que eles, em nome das suas, nos negariam.” É isso que falta ser assimilado pelo Ocidente, que insiste em aceitar a presença dos seus inimigos, em vez de derrotá-los. Por isso me é impossível levar a ONU a sério.

Como respeitar, por exemplo, um fórum onde o Congo é convidado a sentar na mesma mesa de democracias históricas como a americana e a britânica? Por que pincei o Congo como exemplo? Bem, pode ser que os leitores não conheçam a história congolesa, mas eu faço uma breve síntese: Aquele pobre país africano, como os leitores hão de supor, foi um dos tantos dominados pela tão demonizada colonização europeia. Ah, a malvada Europa… Como sabemos, os europeus oprimiram a África durante décadas, sempre impondo aos nativos a sua arte, sua cultura, suas escolas e sua medicina. Simplificando, pode-se dizer que o chamado “velho mundo” exerceu sua dominação sobre a pobre África por meio de Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino, Shakespeare e tantos outros. Trágico, não? Cruel, não? Antes não houvesse existido essa dominação, essa opressão desmedida. Mas o fato é que houve. E o mundo, tomado pelo discurso pacifista “woodstockiano”, começou a gritar pelo “fim da opressão”. A ONU, à época, era aquela que gritava mais alto e forte.

E eis que os povos nativos começaram suas lutas de libertação, embalados nos cantos humanistas da classe média ocidental, que desde sempre adorou uma passeata pela paz. E, então, o Congo se libertou do jugo europeu. Do dia para a noite não havia mais Descartes, Voltaire, nem Shakespeare. Não era mais preciso vestir as roupas deles, ir às escolas deles e aprender os costumes deles. Os nativos puderam, finalmente, viver segundo suas tradições, suas convicções e suas crenças. E então a tragédia começou.

Entre os anos de 1998 e 2002, mais de cinco milhões de congoleses morreram no mais sangrento conflito armado desde o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. Mas se acabou a opressão do “primeiro mundo”, de onde veio a guerra?

Bem, das disputas étnicas que passaram a eclodir a partir do momento em que os nativos se viram sem as brisas da civilização… Convenhamos: quando se perde, de uma só vez, os referenciais de Voltaire, Hegel, Santo Tomás e outros, o norte moral também desaparece em um segundo. Quem poderia, pois, imaginar que de todos os supostos males que a Europa teria causado ao Congo, a saída do país pudesse ser o maior deles?

Exagero? Estou sendo muito imperialista no meu discurso? Me digam vocês, ao final. Mas saibam, antes, que os nativos – os libertadores do Congo – adotaram o estupro coletivo como arma de guerra. Naquele país esquecido, qualquer milícia “libertadora” tem o direito de estuprar. Os rebeldes estupram, os Hutus estupram, os Mai-Mai, alinhados ao governo, estupram e, não bastasse isso, as tropas do Exército oficial também estupram. São casos isolados? Não! Trata-se de uma prática tradicional. Uma arma de guerra. Ou, se preferirem, um aspecto da tal cultura local dos povos, tão defendida por um exército de ONGs cujas mulheres, suponho, jamais foram estupradas.

No Congo, Elise Mukumbila, uma anciã, foi estuprada pelos Mai-Mai em uma floresta durante meses, tudo porque, segundo as crenças locais, sodomizar uma mulher mais velha traria riqueza ao agressor. Já Valentine, de apenas doze anos, foi estuprada pelos “libertadores do Congo” porque, segundo outra crença, violar uma virgem traz a imortalidade. A menina, em decorrência dos ferimentos que experimentou, sofre perenemente as agruras de uma fístula nunca curada, que a impede até mesmo de controlar a urina.

É assim que os tais “povos tradicionais” promovem a liberdade das nações africanas. É assim que restauram sua “cultura” depois de encerrado o jugo europeu. Aliás, não promovem liberdade nenhuma. Afinal, já são mais de cinco milhões de mortos em vários anos de conflito pela autonomia. De forma objetiva, pode-se dizer que a Europa, oprimindo Congo, matava bem menos que os próprios congoleses ao buscarem sua libertação.

É essa canalha que a ONU abriga. É a essa gente simiesca, animalesca e primitiva que aquele fórum empresta voz e atenção. Por isso me é impossível levar a sério a ONU e qualquer um de seus braços institucionais. Por isso não dou a mínima para o Brasil ocupar, ou não, o Conselho de Segurança. Que diferença faria? Os congoleses continuariam lá. Ahmadinejad continuaria lá. O Sudão continuaria lá. E o mundo livre e democrático continuaria ameaçado por um fórum antiocidental, que só consegue existir graças aos recursos do… Ocidente!

Dizem que Lula está cotado para ser, em um futuro próximo, Secretário-Geral da ONU. Nada mais apropriado. O mundo politicamente correto e “pogreçista” adora o apedeuta e aquela inutilidade que as Nações Unidas representam. E Lula, está posto, nutre irremediável simpatia por qualquer tirania que se diga antiamericana. Ninguém melhor do que Lula, que usa os livros como sonífero, para chefiar uma organização capaz de defender que uma nação africana troque Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino e Shakespeare por morte, terror, miséria e estupros.

Os Republicanos disseram, há coisa de poucos dias, que seria preciso jogar algumas bombas sobre as instalações nucleares do Irã e da Coreia do Norte. Concordo. Mas faço um adendo metafórico: seria melhor, antes, lançá-las sobre o órgão que permite a tais países filoterroristas o direito de manter um arsenal atômico. Assim, a ONU sairia um pouco de cena. O Ocidente ficaria muito mais seguro. E alguma pequena nação que ainda esteja sendo oprimida pela cultura, pela escola e pela medicina da Europa, não será obrigada a trocar tudo isso por estupros e morte.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Brasileiro é refém das FARCs: Governo não se pronuncia

07/10/2009

O empresário brasileiro Vicente Aguiar Vieira foi sequestrado na Venezuela, recentemente, pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARCs. Sua esposa alega ter recebido um pedido de resgate da guerrilha colombiana, que mantém em cativeiro o vendedor de pedras preciosas.

A imprensa não tem dado o devido destaque ao caso, mas o Perspectiva Política cumpre o seu compromisso com vocês, leitores, e faz chegar  ao vosso conhecimento o caso.

Vicente Aguiar Vieira foi capturado pelas FARC já há dois meses. Ainda assim, o governo Lula não moveu uma palha no que tange lutar pela liberdade de nosso conterrâneo.

Os ministro Tarso Genro, da Justiça, Celso Amorim, das Relações Exteriores e Dilma Rousseff, da Casa Civil, se recusam a comentar o caso quando perguntados sobre ele. Se não falam sobre o episódio, que dirá agir.

É notória a proximidade de Lula com Hugo Chávez e sabe-se que este, assim como alguns petistas, tem contato com pessoas que são espécies de “embaixadores das FARCs”.

Contudo, nenhum pedido, oficial ou informal, foi feito em benefício do brasileiro Vicente.

Corre risco de vida um brasileiro e o governo nada faz. Por quê? O Estado que recebe nossos impostos nos deve uma satisfação! Por que nossos ministérios não agem em busca de preservar a vida de um brasileiro? Por que o caso não é nem mesmo comentado?

Será que o governo Lula valoriza mais seus aliados políticos internacionais e os interesses desses do que a vida de um brasileiro que o sustenta e que o elegeu?

Dou ao governo o benefício da dúvida. Não irei aqui afirmar nada ou criticar veementemente o Presidente e seus subalternos já de saída, até porque o caso é um tanto nebuloso.

Porém, deixarei a pergunta: O que está causando esta inércia? Qual a explicação disso? Seja o caso qual for, por que não há investigação?

E mais: Por que o caso não ganha as páginas dos jornais?

E pensar que alguns ainda dizem que a imprensa sempre explora os erros do governo Lula…

Alguns poderão argumentar que o caso de Vicente não tem relação comprovada com as FARCs e que pode existir alguém se fazendo passar por guerrilheiro.

Concordo.

Mas explicação para a inércia do governo e para a falta de investigações e de auxílio à esposa de Vicente não há. Ela deveria existir fosse o caso qual fosse.

É esta que o Perspectiva exige.

Caso Zelaya: O desenrolar dos fatos

29/09/2009

O Perspectiva Política tem acompanhado de perto o caso do Presidente deposto em Honduras, Manuel Zelaya. Se antes, quando apenas a deposição de Zelaya tinha acontecido, o tema já era discutido fortemente no Brasil, inclusive nos blogs políticos como o Perspectiva, imaginem agora que Zelaya está de volta a Honduras, hospedado na embaixada do Brasil.

Sendo assim, por mais que o caso já tenha sido comentado diversas vezes por este blogueiro, nada diferente do acompanhamento do desenrolar dos fatos concernentes a este caso poderia ser feito.

Por ocasião da chegada de Zelaya à embaixada brasileira, este blogueiro declarou que não é muito fácil acreditar que este poderia arriscar dirigir-se à embaixada brasileira e receber um não como resposta, estando assim passível de ser preso pelas autoridades hondurenhas. Portanto, acredito que o governo brasileiro tinha conhecimento da manobra.

Mas e se não tinha? Bom, se o governo brasileiro não conhecia os planos de Zelaya e muito menos sua intenção de se abrigar na embaixada brasileira, podemos afirmar que Hugo Chávez, confesso articulador do retorno de Zelaya a Honduras, armou um estratagema que fez o Brasil de bobo.

Ora, se acreditarmos que o governo brasileiro só veio a saber da intenção de Zelaya de se dirigir à embaixada brasileira meia hora antes de ele chegar ao local, como afirma o nosso Ministro Celso Amorim, seremos obrigados a crer que Chávez previu que o Brasil não iria negar abrigo a Zelaya, colocando a batata quente em nossas mãos e se aproveitando do fato de o Brasil ter certo prestígio internacional, além de um histórico de pacifismo, para que estes servissem ao bolivarianismo.

Digamos que Chávez tenha apostado no posicionamento favorável brasileiro, e não, conversado com Lula. Que suponhamos isso. Pois bem. Chávez jogou bem: Se tudo desse certo, o Brasil seria usado pelo bolivarianismo. Se desse errado, a embaixada venezuelana receberia Zelaya e pronto.

Fim das contas, seja o Brasil cúmplice ou bobo da corte, a situação não orgulha. Se o governo brasileiro compactuou, errou. Se foi manipulado, também errou.

Alguns dirão: Ora, mas se o governo brasileiro não sabia de nada, o que poderia fazer? Seria certo negar o abrigo?

Respondo: Não. Não seria certo. O abrigo foi correto se fizermos a suposição de que o Brasil nada sabia. Deixar Zelaya usar nossa embaixada como base de operações políticas não é. O governo brasileiro, se aceitasse o ingresso de Zelaya na embaixada sem ter sido cúmplice do plano e o mantivesse quieto, estaria correto. Aí sim.

Permitindo que Zelaya faça comícios, discuta alianças, acolha militantes e incite os hondurenhos, o Brasil erra em qualquer hipótese. Com cumplicidade ou sem cumplicidade. Com manipulação ou sem manipulação.

Enfim, voltemos ao desenrolar dos fatos:

O Ministro Celso Amorim afirmou, recentemente, que o Brasil recusou um pedido de Zelaya que consistia no seguinte: O Presidente deposto desejava que o nosso País fornecesse um avião para que ele retornasse a Honduras.

O que Amorim fala pode ser verdade? Pode. Se for, o Brasil fez bem em recusar. Se não for, Amorim usa de artifício condenável para mascarar as reais intenções dos seus comandados na coordenação das relações exteriores nacionais: Uma mentira que o coloca como moço direito.

Amorim diz também que se o Brasil negasse o abrigo a Zelaya, este morreria. Não defendo que o abrigo deveria ter sido negado, mas dizer que Zelaya morreria ou que se esconderia nas montanhas, como também afirma Amorim, é exagero. A embaixada chavista o acolheria.

Enquanto Amorim vai dando declarações nubladas por suspeitas e desconfianças, o Brasil vai, cada vez mais, se imiscuindo nos assuntos internos hondurenhos e, portanto, se comportando, sob o comando de Lula, como um país  imperialista. Que ironia!

Analisemos também o posicionamento do Brasil no que tange o governo hondurenho:

Diz o nosso País não reconhecê-lo. Ora, se não o faz, porque mantém lá uma embaixada? Esta pergunta ficará sem resposta, aposto.

Outro ponto importante é a possibilidade de Honduras romper relações diplomáticas com o Brasil e, portanto, eliminar a inviolabilidade da nossa embaixada, possibilitando a captura de Zelaya.

O Presidente Micheletti disse ao Brasil que este deveria declarar qual a situação jurídica de Zelaya enquanto residente na embaixada brasileira.

O governo brasileiro rechaçou a inquisição, disse não aceitar pressão, disse não reconhecer o governo. Mas a embaixada continua lá, com prerrogativas diplomáticas.

Percebam: O Brasil responde a Honduras, tentando evitar que a inviolabilidade da embaixada seja retirada, afirmando que o governo do país não é reconhecido pelo governo brasileiro. Ora, mas se assim é, não há porque a embaixada não ser desativada.

Faça-se um acordo com o governo hondurenho, retire-se Zelaya por via aérea da embaixada, encaminhe-se o Presidente deposto para um país que deseje o acolher, a Venezuela de preferência, e desative-se a embaixada, já que o governo entende o seu correspondente hondurenho atual como ilegítimo.

Seria a melhor opção, com certeza.

Enquanto essa decisão correta não é tomada, o Brasil exige que Zelaya diminua o número de aliados na embaixada e, também, o tom das declarações políticas.

O blogueiro ri dessa ordem que só pode ser uma piada.

Zelaya não procurou asilo por estar sendo perseguido em seu território. Ao contrário, retornou a ele para retomar o poder e pediu abrigo ao Brasil justamente para se utilizar de nossa soberania em favor de seus propósitos políticos.

Se Zelaya se resguardar e se resignar, estará na embaixada para nada em sua própria visão. Está lá, justamente, para fazer política, e não, para se proteger.

Nesse meio tempo, o governo Micheletti declara que o estado de sítio, tão criticado pelos zelayistas, chavistas e afins, será revogado, destruindo um dos argumentos dos que chamam o atual governo hondurenho de ditadura golpista.

Por fim, a dúvida que foi citada por mim anteriormente e que continua pairando no ar é a seguinte:

Por que nosso País auxiliou a atitude que varreu qualquer sossego que houvesse em Honduras e que desautorizou o diálogo?

A dúvida é válida em qualquer caso, seja o nosso governo cúmplice ou não, afinal, o fato de o Brasil ser conivente com a panfletagem política de Zelaya feita de dentro da embaixada é evidente e inegável.

Quem descobrir a resposta para esta dúvida, como eu já disse, ganha um doce.

A entrega fica novamente por conta de Lula, Celso Amorim e, principalmente, Marco Aurélio Garcia.

Até Sarney critica uso político por Zelaya de embaixada brasileira

28/09/2009

Informa o blog do jornalista Ricardo Noblat:

“Do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sobre a ocupação da embaixada brasileira em Teguciglapa, capital de Honduras:

- Eu acho que direito de asilo [ao presidente deposto Manuel Zelaya] o Brasil devia dar. Não podia deixar de dar (…) Mas o que está havendo agora, eu reconheço, é um certo exagero em ocupação da Embaixada, de transformar a Embaixada em um comitê político.

- Esse abuso não é bom nem para o Zelaya e para o Brasil. A Embaixada brasileira tem que zelar pelas leis que marcam o asilo e não se meter em assuntos internos dos países.”

Atenção Presidente Lula, Ministro Celso Amorim e Secretário Marco Aurélio Garcia:

Quando até mesmo um aliado político salvo de uma degola merecida pelo governo, como Sarney, reconhece que a estadia de Zelaya na embaixada brasileira em Honduras, permitida por esse governo, está sendo utilizada de modo indevido pelo Presidente deposto, é porque a coisa está escancarada.

Nem o mais hipócrita dos hipócritas consegue negar.

Que tal providências, meus senhores? Que tal perceber que Zelaya ignorou completamente a ordem de Lula para que a embaixada não fosse utilizada politicamente?

O entendimento brasileiro acerca da crise hondurenha nem entra na equação. Qualquer que seja ele, a utilização por Zelaya da embaixada brasileira como base de operações políticas é um desrespeito ao Brasil e às leis internacionais.

Como esse desrespeito é óbvio, a conclusão a que a população brasileira que acompanha o caso chega também é óbvia:

O governo não vê porque não quer. Ou melhor, finge que não vê.

Candidatos a Presidente de Honduras se reúnem com Zelaya

26/09/2009

Quatro dos seis candidatos a Presidente da Honduras nas eleições marcadas para novembro se reuniram na embaixada do Brasil com Manuel Zelaya. Antes, haviam se encontrado com o Presidente “de facto” Roberto Micheletti.

Os candidatos requisitaram a busca de um consenso que, pelo menos, garanta as eleições e possibilite do retorno da paz ao país.

Zelaya disse que as eleições só terão legitimidade se ele retornar ao cargo.

Os questionamentos que faço são dois:

Primeiramente, como poderia Zelaya retornar ao cargo? A Constituição hondurenha prevê que qualquer um que tente se perpetuar no poder perde, automaticamente, o mandato.

Portanto, tendo Manuel Zelaya desrespeitado não só a Constituição de seu país, como também a proibição da Justiça hondurenha com relação ao plebiscito que visava permitir ou não o instituto da reeleição, deve ele perder seu mandato. É a simples legalidade.

Se Manuel Zelaya empreendeu atos que causam a perda do mandato instantânea, como pode ele requerer sua volta ao poder? Que peça a punição dos militares truculentos que o retiraram do país à força ou, até mesmo, novas eleições onde aliados seus possam concorrer, porém, não é passível de requisição o retorno de Zelaya ao poder, afinal, este não é mais ocupado por ele legalmente.

Em segundo lugar, como pode Zelaya se reunir com candidatos a Presidente de Honduras na embaixada brasileira?

Não é proibido que ele faça política estando asilado em nosso prédio diplomático? Então o que está havendo?

Obviamente que alinhavar acordos e compromissos políticos é fazer política, assim como discursar da sacada também o é.

Fica comprovado que, ao contrário do que dizem Lula e Celso Amorim, a embaixada brasileira em Tegucigalpa é, hoje, sim, base de operações zelayista.

A Constituição hondurenha prever a perda do mandato dos que tentam se perpetuar no poder e os acordos políticos representarem um ato de “fazer política” são fatos. Inegáveis.

Zelaya não tem mais legitimidade legal para comandar Honduras e Zelaya está usando a embaixada como base política para irradiar uma inquietação nada desejável em Honduras.

Não há como negar estes dois pontos, pois contra fatos não há argumentos.

Por falar em fatos, os zelayistas alegam que a embaixada está sendo atacada com gases tóxicos. Se isso for verdade, o Perspectiva repudia de forma categórica o ataque. Averiguemos.

Em tempo: Faço com relação a Zelaya a mesma pergunta que direciono a Hugo Chávez e que sempre fica, curiosamente, sem resposta – Por que Zelaya não indicou um sucessor que defendesse sua plataforma supostamente amada por algumas parcelas da população, ao invés de tentar perverter a lei hondurenha e conseguir permissão para lutar pela reeleição? Por que não um mantenedor das plataformas atuais que não fosse Zelaya? Na Venezuela, por que não um seguidor de Chávez? Por que o personalismo? Sempre pergunto isso e nenhum simpatizante do chavismo me responde.

Em tempo 2: Lula retrucou, quando questionado a respeito da participação ou não do Brasil em todo o plano de regresso de Zelaya, dizendo que deviam acreditar nele, e não em um golpista, sendo este, no caso, Roberto Micheletti. Pois bem. Se golpistas não merecem credibilidade, não ouçam Chávez, ele já tentou, no passado, tomar o poder venezuelano através de um golpe.