Postagens com a palavra-chave ‘Amin’

Angela Amin lidera em Santa Catarina – Raimundo Colombo em segundo

12/07/2010

Informa o blog do jornalista Josias de Souza:

”Pesquisa realizada por encomenda do Grupo RBS acomoda a deputada federal Angela Amin (PP) na liderança da disputa pelo governo de Santa Catarina.   Angela obteve 33,5% das intenções de voto. O senador Raimundo Colombo (DEM), em segundo, amealhou 20,6%. Atrás dele, Ideli Salvatti (PT), com 15,9%.   A sondagem foi feita pelo instituto Mapa.”

Angela lidera mas não tem candidato a Presidente. É uma das ”neutras” do PP.

Na realidade, não faz isso por ideologia: Se for para o segundo turno contra Raimundo Colombo, será Dilma. Se for contra Ideli Salvatti, será Serra.

Muito mais cômodo do que escolher um lado agora.

Mas corre o risco de ver a eleição presidencial se encerrar na primeira rodada.

PMDB catarinense fecha apoio ao democrata Colombo e irrita Temer

16/06/2010

O cenário catarinense se apresentava, até pouco tempo atrás, como um onde o grande derrotado seria o ex-Governador Luiz Henrique.

Eleito por uma tríplice aliança que reunia o seu PMDB e mais o Democratas e o PSDB, Luiz Henrique renunciou para poder concorrer ao Senado e deixou o cargo para o seu Vice, o tucano Leonel Pavan.

A ideia era a de que Pavan apenas completaria o mandato, levando o seu PSDB para uma nova aliança com o PMDB e com o Democratas, dessa vez em torno do democrata e Senador Raimundo Colombo.

Acontece que Pavan resolver lançar sua candidatura à reeleição e, para completar, Luiz Henrique perdeu o controle do PMDB, o que fez com que o partido realizasse prévias e lançasse o vencedor, Eduardo Pinho Moreira, que prevaleceu sobre o Prefeito de Florianópolis, Dário Berger, como pré-candidato peemedebista ao governo.

Embora Colombo fosse o único nome dos três partidos a ser apresentado pelas pesquisas como capaz de enfrentar Angela Amim (PP), a coligação ao redor de seu nome era dada como improvável. Cada legenda tinha o seu candidato.

Pinho Moreira conversou com Michel Temer e consolidou a rebelião contra Luiz Henrique. Depois disso, referendado pelo Presidente do PMDB, foi falar com Dilma Rousseff. Ofereceu seu palanque à candidata e iniciou negociações para apoiar Ideli Salvatti, candidata do PT ao governo catarinense e atualmente Senadora, em um eventual segundo turno.

Eis que ocorre uma reviravolta!

Pinho Moreira abriu mão da candidatura em favor de Colombo sem mais nem menos.

Fim do rompimento entre Democratas e PMDB. Fim do segundo palanque de Dilma. Fim da negociação de apoio a Ideli no segundo turno.

Quem ganha um palanque robusto é José Serra, que já cortejava Angela Amin por conta do vislumbre de desmembramento da aliança que elegeu Luiz Henrique.

Temer está furioso. Ficou desmoralizado. Enviou para falar com Dilma um pré-candidato que passou a perna na queridinha de Lula.

O PMDB nacional, capitaneado por Temer, pensa em intervenção em Santa Catarina. O PT faz um olhar pidão e ao mesmo tempo cobrador, que visa lembrar ao PMDB que a direção nacional petista enquadrou as regionais do Rio, de Minas e do Maranhão para beneficiá-lo.

Enquanto isso, Pavan, atual Governador, está sendo pressionado para desistir assim como fez Pinho Moreira e permitir a reedição da tríplice aliança e o retorno ao plano inicial de apoio dos três partidos a Raimundo Colombo.

Luiz Henrique, antes “o perdedor”, agora é “o astuto”.

Até quando?

Essa é a política.

Fascinante, imprevisível, surpreendente.

Ingrata.

Coluna do dia: Com quantas siglas se faz uma democracia?

04/04/2010

Por Tiago Franz*

Ouvi de um membro do Partido Progressista (PP) de minha cidade que a solução para o sistema partidário brasileiro é limitar o número de siglas a no máximo cinco ou seis. Instantes depois, o cara lembrou que seu partido está entre os três maiores do País. Na sequência, falou sobre a importância da fidelidade partidária e regozijou-se por nunca ter mudado de partido, mesmo reconhecendo que o PP passou por mudanças de nome e de postura desde o tempo em que era Arena, na época do bipartidarismo.

Para o tal progressista – e para muitos outros – o número de partidos políticos hoje legalizados no Brasil – são 27  – é a causa de grande parte dos problemas da nossa política. Promiscuidade na formação de alianças, ‘assassínio’ da ideologia, ‘troca-troca’ de partidos e negociação de cargos são alguns dos males mais citados.

O bipartidarismo era melhor?

Dois é pouco, 27 é demais, muitos acreditam.

E cinco ou seis seria bom?

Talvez. A quantidade de grêmios políticos não é o único fator na conjuntura toda.

Analisemos o seguinte cenário:

Cá em Santa Catarina, o PP conta com a pré-candidata líder em todas as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado. Ela é a Deputada Estadual Angela Amin, esposa do ‘jurássico’ Esperidião Amin.

Entretanto, os progressistas catarinenses estão de mãos amarradas. Esta colocação nas pesquisas não é o suficiente para eleger a progressista. O próprio partido reconhece que sem um apoio significativo a candidatura não vinga.

Tudo dependerá do movimento das outras forças locais, que neste momento estão a mil em busca de definições.

Uma tríplice aliança entre DEM, PSDB e PMDB, formada no pleito ao governo catarinense de 2006, levou o PP a se coligar com o PT para disputar o segundo turno naquele ano. PP e PT juntos?! Sim.

Mas para quem tem memória curta ou já se acostumou com os vícios da nossa política, isso não significa nada demais. Enfim, as circunstâncias locais isolaram o PP e os Amin do restante da direita (se me permitem esta etiquetagem relativizada). Até mesmo o irmão gêmeo, filho da mesma Arena, o PFL, hoje rebatizado de Democratas, ficou do outro lado.

Para 2010, como em praticamente todo novo pleito, a coisa se redesenha, desta vez com traços mais tortuosos e indecisos. Santa Catarina é um dos estados de maior indefinição para as eleições vindouras.

O agora Governador Leonel Pavan (PSDB), que era Vice de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) até poucos dias atrás, deixou de ser o potencial sucessor do governo para o próximo mandato ao protagonizar o último grande escândalo político da região.

Restou a ele assumir, nestes nove meses restantes, o governo que Luiz Henrique deixou para concorrer ao Senado. De uma forma ou de outra, a caneta passou ao fanfarrão. Porém, o cenário eleitoral virou um imbróglio.

Para embaralhar de vez a cena, o DEM resolveu sair do governo há poucos dias, sob a justificativa de obter maior liberdade para negociar novas alianças e preparar o terreno para a candidatura do Senador Raimundo Colombo a Governador.

Logo após a decisão, intensificou-se um namorico entre democratas e progressistas, que podem, quem sabe, reatar o ‘laço de parentesco’. E se a eles juntar-se o PSDB de Pavan, o que é provável que aconteça, estará formada uma outra tríplice aliança, que já existiu tempos atrás em Santa Catarina.

Assim, o PMDB de Luiz Henrique, que já escolheu Eduardo Pinho Moreira como seu pré-candidato, pode sobrar. A rivalidade local com o PP, que pelas origens do bipartidarismo até se explica, não permite que as siglas se unam. Para o PMDB local, aliar-se com o PT da senadora Ideli Salvatti, pré-candidata da sigla ao governo, também é difícil, mas não impossível. Afinal, em nível nacional, Lula já se uniu a Sarney, não é mesmo?

O que esta análise de Santa Catarina tem a ver com o assunto apresentado no início da coluna? A meu ver, o cenário descrito acima ilustra bem a realidade do nosso modelo partidário, em que a ideologia política e a história cedem espaço às conveniências eleitorais e circunstâncias de poder locais, num jogo com regras espaçosas e tantos jogadores quanto cartas no baralho.

E retomando agora a linha central, menciono um dito de um membro do DEM da minha cidade, que ao anunciar a decisão do seu partido de insistir na candidatura de Colombo ao governo catarinense, defendeu que todas as siglas deveriam, sempre, lançar candidatura própria. Está correto? Teórica e utopicamente sim.

Mas aí eu pergunto:

Se a grande maioria dos brasileiros, conforme aponta pesquisa recente do Datafolha, não sabe nem atribuir virtudes ou defeitos a Serra e a Dilma, que são os dois principais presidenciáveis, saberiam diferenciar 27 candidatos? E, com o perdão da obviedade – é claro que um democrata do interior de Santa Catarina não fala por todo o partido – porque então o DEM não tem candidato próprio à Presidência?

E o motivo de citar o DEM aqui é circunstancial. Incoerências semelhantes fazem parte dos demais partidos.

Reduzir o número de partidos representa uma ameaça à democracia? O que mudaria quanto à representatividade? Os tais males do nosso sistema partidário seriam mesmo reduzidos com menos partidos? Não ficariam as novas agremiações repletas dos mesmos parasitas que hoje infestam a nossa política?

Não discordo totalmente da ideia de diminuir o número de siglas, mas também não estou convencido de que tal reforma, por si só, pode efetivamente melhorar o País. O problema é bem mais embaixo.

Enquanto isso, vejamos como se comportam as siglas no salão.

Quem vai tiram quem pra dançar neste baile?

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Coluna do dia: A mente colonizadora e as populações indígenas e caboclas do Sul do Brasil

05/07/2009

Por Tiago Franz*

A legenda de uma fotografia do livro “Contestado” (1986), publicação sob responsabilidade do estado de Santa Catarina, informa, corretamente, que os índios Kaingang são os “mais antigos e originais habitantes da região” oeste do estado. Em geral, no que se refere aos processos de colonização de terras, é preciso que o modelo social dominante esteja implantado por completo e totalmente enraizado na cultura do local para que se possa refletir sobre os fatos que compõem a sua história. O estado que hoje reconhece os seus habitantes originais é o mesmo que permitiu a colonização das terras pelos imigrantes europeus, colocando à margem da sociedade os povos indígenas.

As pessoas mudam. Os governos mudam. Se hoje o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas é indiscutível, por que então continuam em situação deplorável de vida? O discurso muda, mas o modelo permanece. Quase ao mesmo tempo em que o então governador de Santa Catarina, Esperidião Amin, assinava a primeira edição do livro citado acima, uma velha índia Kaingang conhecida como Fendó reivindicava em Brasília o direito de posse das terras do Toldo Chimbangue, no município de Chapecó, para seu povo.

E quem eram os contestadores do tal Contestado? A história oficial – que não dá o devido valor a esta revolta popular da mesma forma que dá a Canudos – fala muito na disputa de terras entre Paraná e Santa Catarina, que sucedeu as disputas entre Portugal e Espanha e depois entre Brasil e Argentina, e pouco fala da disputa entre posseiros e a Estrada de Ferro São Paulo / Rio Grande. “Posseiros” é o termo usado por historiadores da região para se referir às populações caboclas que habitavam a região. Estas chegaram ao local devido ao transporte de gado entre São Paulo e Rio Grande do Sul e iniciaram uma povoação marcada pela cultura de subsistência. Não tinham registro das terras. Para eles, o Contestado foi uma revolta armada contra o Exército Brasileiro, que executava as ordens do Governo Federal de entregar as terras que margeavam a estrada de ferro à empresa construtora da ferrovia.

O destino das populações caboclas não foi muito diferente do destino das populações puramente indígenas. Quase um século depois do fim da Guerra do Contestado (1915) e da instalação das empresas colonizadoras na região (a partir de 1917), é possível ver explicitamente que opção de vida restou aos caboclos. O vídeo documentário “Manifesto Caboclo”, de João Lucas e Odoni Perin, mostra uma organização de caboclos em pleno século XXI, que busca reativar a auto-estima do grupo e melhorar sua condição de vida.

Enquanto isso, a Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS), de Santa Catarina, filiada à Rede Globo, produziu um outro vídeo documentário chamado “Desbravadores do Oeste”. Trata-se de uma homenagem aos “heróicos” colonizadores: os euro-descendentes, na grande maioria italianos e alemães vindos do Rio Grande do Sul, que tanto trabalharam para desenvolver a região (nestes incluem-se meus avôs, alemães por parte de pai e italianos por parte de mãe). Em todos os processos de colonização, assim como os recursos naturais, os povos originários também foram submetidos aos colonizadores. Nesse sentido os estudiosos definem a mentalidade colonizadora, que foi claramente predominante no documentário da RBS.

Em resumo, a história é a seguinte: a partir de 1917 as empresas colonizadoras se instalam na região, comercializam terras e madeira, e contam com o apoio do Estado para ocupar a região, pondo fim às disputas pela terra. Como foi dito antes, é politicamente correto, nos dias de hoje, o reconhecimento da causa dos povos marginalizados nos processos de colonização. Porém, isso fica só no discurso. Assim, prevalece a mentalidade colonizadora.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Coluna do dia: Ideologia partidária versus conveniências eleitorais

03/05/2009

Por Tiago Franz*

Esperava-se que a reinstauração do pluripartidarismo, que havia sido extinto pelo Ato Institucional nº2 (AI-2) em 1965, revigorasse a política brasileira. Passados trinta anos do final do governo Geisel, quando foi anunciada a abertura política, o que temos é um sistema partidário em crise, pra não dizer falido. As práticas eleitorais se afundam em vícios que já ameaçam por fim à ideologia partidária.

As próximas eleições serão realizadas em outubro de 2010. No entanto, especulações e negociações para formação de alianças já são intensas. Nessa hora, em que o posicionamento político-ideológico deveria ser o principal critério para união de forças, o que define apoios e coligações são as relações entre grupos de poder.

Ou os partidos estão muito flexíveis a mudanças, ou a memória anda muito curta. Para resgatar parte do passado recente da nossa política, aproveito trechos de um artigo que escrevi no ano passado sobre o assunto:

O AI-2 instaurou o bipartidarismo no Brasil e deu origem à Arena (Aliança Renovadora Nacional) e ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro). O primeiro era extremamente conservador e foi criado para apoiar o regime. O segundo era o partido opositor, de centro-esquerda, que reuniu correntes democráticas, trabalhistas, socialistas e comunistas. Somente no governo Geisel o MDB obteve maior expressão e conquistou de volta o pluripartidarismo e, em 1980, deu origem ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que manteve-se no centro. Enquanto isso, a Arena passava a ser o Partido Democrático Social (PDS), tão à direita quanto seu antecessor.

A partir daí ocorreram inúmeras cisões, incorporações e fusões, de ambos os lados, além da fundação de partidos novos, como o Partido dos Trabalhadores (PT), até chegar-se ao cenário atual. O que se observa hoje é uma verdadeira “salada mista”. É a morte definitiva da ideologia partidária – ideologia enquanto conjunto de doutrinas e visões de mundo que orientam social e politicamente. Nem mesmo a oposição entre partidos em esfera nacional impede que eles sejam aliados em alguns estados e municípios. O que decide a formação das coligações nos colegiados menores são, quase sempre, circunstâncias locais, como as relações entre grupos dominantes, oligarquias, classes e pessoas influentes.

Essa movimentação reflete um aparelhamento cada vez mais acentuado dos partidos nos processos eleitorais, bem como na prática da gestão pública. É preciso um alto grau de informação para compreender o cenário e manter uma opinião consistente, além do senso comum, a respeito da conjuntura política do Brasil. Não é a toa que, nas eleições de 2006, pesquisas de opinião pública revelaram que mais de 50% da população estaria desacreditada da classe política. Muitos brasileiros afirmam fazer pouca ou quase nenhuma distinção entre as propagandas eleitorais.

Os caminhos que os partidos percorrem, cheios de encontros e desencontros, são mesmo os mais improváveis. No artigo de minha autoria mencionado anteriormente, usei como exemplo de caso a história política de Santa Catarina e as eleições para o governo do estado em 2006:

Em Santa Catarina, as oligarquias sempre dominaram. O principal grupo dominante é o dos Konder Bornhausen, da Arena, depois PDS. Os Bornhausen fundaram o Partido da Frente Liberal (PFL) no Estado, hoje Democratas (DEM), numa cisão nacional do PDS que mais tarde também deu origem ao Partido Progressista Reformador (PPR), depois Partido Progressista Brasileiro (PPB) e atualmente Partido Progressista (PP), liderado em Santa Catarina por Esperidião Amin. Essas foram as duas maiores correntes de direita no Estado a partir da reinstauração do pluripartidarismo e da reabertura política. Em alguns momentos, Amin e os Bornhausen tiveram que se juntar para combater a oposição de maior representatividade: o “herdeiro do MDB”, o PMDB, que ganhava força nacionalmente devido ao sucesso inicial do Plano Cruzado. Enquanto isso, o PT crescia e se tornava uma das maiores forças do estado.

Nas eleições para o governo de Santa Catarina em 2006 formaram-se duas forças coligadas. Foi uma total inversão de lugares em relação às origens, do tempo do bipartidarismo. O PMDB elegeu Luiz Henrique da Silveira (LHS), apoiado pelo PFL e pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Esta é a chamada “Tríplice Aliança” do estado, que lidera a centro-direita. Dos três, somente o DEM originou-se da Arena. O PSDB é resultado de uma cisão de dissidentes paulistas do PMDB, ocorrida em 1988, e desde então o partido tende para a direita. O PMDB manteve-se no centro. Já Amin disputou o primeiro e o segundo turno da eleição de 2006 com LHS, pelo PP. No segundo turno foi apoiado por José Fritsch, do PT, que havia ficado em terceiro lugar no primeiro turno, formando assim a segunda força política do estado nesse pleito. Os progressistas, nascidos do extremo conservadorismo, aliaram-se com os petistas, oriundos do sindicalismo dos anos de ditadura militar.

Discurso e prática cada vez mais se confundem. Os conceitos políticos são desvirtuados pelo pragmatismo, enquanto o eleitor é, muitas vezes, levado a votar por interesses que não contribuem para o bem social. Como melhorar? Reforma política. O financiamento público das campanhas eleitorais corrigiria boa parte do problema. Muitas relações deixariam de ser um bom negócio no “mercado do poder público”, e forças menos providas de recursos teriam mais oportunidade. A disputa deve ocorrer no campo intelectual e não no econômico.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Depois de Jackson Lago, outros governadores podem sofrer cassação

18/04/2009

Embora a Justiça não seja muito célere e muitos casos só estejam sendo julgados definitivamente quando o Governador em questão, que poderia não ser digno de exercer o mandato, já cumpriu mais da metade dele, vale ressaltar que outros governadores estão na mira do TSE, que tem uma fila de possíveis cassados.

No caso de Tocantins, o governador Marcelo Miranda (PMDB) e seu vice, Paulo Sidnei Antunes (PPS), que foram eleitos no primeiro turno, são acusados de abuso de poder econômico, compra de votos e conduta vedada a agente público durante a eleição de 2006.

No caso de Sergipe, o governador Marcelo Déda (PT) e seu vice, Belivaldo Silva, foram acusados de prática de propaganda irregular, interferência do poder econômico e abuso do poder de autoridade.

Já o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), enfrenta um pedido de cassação feito pela coligação que apoiou o candidato derrotado na eleição de 2006, Esperidião Amin (PP). A coligação acusa Luiz Henrique de fazer propaganda ilegal em jornais e emissoras de rádio e TV com objetivo de promoção pessoal.

Esperemos para ver se os casos são julgados antes que as sucessões destes estados já estejam até armadas. Chega a ser cômico que um tribunal decida se um político pode cumprir seu mandato ou não, quando ele já está terminando de cumprí-lo.

Sucessão catarinense: Esposa de Amin lidera

22/03/2009

Conta a Folha de São Paulo sobre os resultados da pesquisa do Datafolha a respeito da sucessão do governo de Santa Catarina:

“Mesmo após duas derrotas seguidas do PP em eleições para o governo de Santa Catarina, a deputada federal Angela Amin aparece como o principal nome ao governo em 2010, segundo pesquisa Datafolha. Angela, ex-prefeita de Florianópolis por dois mandatos, lidera nos três cenários pesquisados pelo Datafolha com possíveis candidatos. Ela é mulher do ex-governador Esperidião Amin (PP), que foi derrotado pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) nas eleições de 2002 e 2006. Esperidião Amin também perdeu a disputa à Prefeitura de Florianópolis no ano passado.
A senadora Ideli Salvatti (PT) aparece em segundo lugar nos três cenários pesquisados -sendo que em dois está tecnicamente empatada com aliados do atual governador.
Em uma das situações pesquisadas, no qual o possível candidato do PMDB é o ex-vice-governador Eduardo Pinho Moreira, Angela fica com 37% dos votos, enquanto a senadora petista aparece com 15%. Moreira fica com 7%.”

Pelas pesquisas percebe-se que Ideli Salvati tem, sim, uma candidatura viável. Além disso, o marido de Angela Amin está acostumado a largar na frente nas pesquisas e acabar atrás na hora em que as urnas são abertas. O mesmo pode acontecer com sua esposa.

Todos esses fatos devem fazer com que Ideli, vislumbrando a possibilidade de vitória, se irrite ainda mais ao lembrar que perdeu a Comissão de Infra-Estrutura do Senado, que lhe daria destaque, para Fernando Collor.