Postagens com a palavra-chave ‘Ambientalismo’

2ª Coluna do dia: A fúria da natureza – Negligências e consequências

28/02/2010

Por Jessica Riegg*

Um tema recorrente nos jornais e nas conversas em rodas de amigos atualmente vem sendo a fúria com que a natureza está agindo. Vemos a todo momento terremotos como o do Haiti que matou milhares de pessoas em fevereiro, chuvas em vários locais que acabam com plantações e deixam centenas de pessoas desabrigadas.

Os  últimos episódios dessa “fúria” foram o alerta de tsunami no Japão ontem (28), as chuvas que atingiram a Europa e o terremoto no Chile que pôde ser sentido até no Brasil.

É louvável ver que a tecnologia nos permite prever tsunamis, terremotos e grandes quantidades de chuva, mas o que me entristece é ver que as autoridades, mesmo sabendo desses desastres, fazem pouco para evitá-los.

É praticamente óbvio, e a maioria dos especialistas afirmam, que a natureza está “revoltada” e, talvez por isso, mais catátrofes atingem hoje a Humanidade e o nosso planeta Terra. Tantas atitudes poderiam ser tomadas como promover a reciclagem, evitar a poluição e priorizar energias limpas, mas o que as autoridades querem é o crescimento dos países, sem se incomodarem muito com os efeitos disso.

Há quem diga que o problema está nos países desenvolvidos (é claro que eles são os que mais poluem), mas se os países subdesenvolvidos fizessem a sua parte poderiam cobrar mais destas nações que se acham superiores.

Aliás, quem somos nós para exigirmos algo, já que usamos petróleo diariamente, raramente fazemos reciclagem e usamos usinas hidrelétricas para abastecer nossos computadores e televisões com energia. Precisamos dar o exemplo e começarmos a cobrar mais dos nossos governantes para garantir um futuro para nossos filhos e netos ou até – em casos mais graves – para que tenhamos onde morar e o que comer.

Comece agora!

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Marina Silva – o bom senso em pessoa

08/02/2010

Por Tiago Franz*

Ela enfrenta o próprio partido. Abandona o cargo. Rompe. Quantos são os políticos que agem dessa forma quando veem os princípios que sempre defenderam substituídos por outros interesses?

Ela é discreta e cuidadosa. Evita frases de efeito. Critica sem difamar ou baixar o nível. Quantos são, na política, os que preferem o recato e a seriedade à provocação e à criação de espetáculos?

Ela tem a ficha limpa. Quando Vereadora por Rio Branco (1988 a 1990), devolveu o dinheiro dos benefícios e mordomias. Quando Deputada Estadual do Acre (1990 a 1994), liderou um movimento contra a aposentadoria de ex-governadores. Sua única propriedade é uma casa, em Rio Branco. Até mesmo a revista Veja, acostumada a metralhar petistas e verdes, apelidou a Senadora e ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV, de “A imaculada”.

Não é o passado difícil de Marina Silva que faz dela um bom exemplo para a política brasileira e global. A infância e juventude miseráveis, a alfabetização tardia e a série de problemas de saúde que enfrentou não são os responsáveis pelos méritos políticos conquistados pela acreana. O que engrandece Marina, assim como a todos os que, independentemente da origem social, fazem política com comprometimento público, é a sua vida pública.

A revista Piauí, edição 40, de janeiro deste ano, publicou um perfil de Marina Silva por Daniela Pinheiro. A jornalista perguntou à presidenciável se “a candidatura do empresário Guilherme Leal – fortuna de 1,2 bilhão de dólares estimada pela revista Forbes – como seu Vice não traria mais benefícios para a empresa dele, a Natura, do que para a candidatura dela”. Marina respondeu: “No Brasil, estamos acostumados com oligarquias. Mas não se pode confundir elite com oligarquia. O José Alencar, o Oded Grajew, o Israel Klabin, o Guilherme Leal, eles são elite. É gente que pensa o Brasil como nação, têm ideias, estão verdadeiramente empenhados e são bem-intencionados. Esse é um interesse legítimo. Por incrível que pareça”.

Bom senso é o termo adequado para qualificar Marina Silva. Os rótulos que lhe são atribuídos – ligados à esquerda, ao ativismo ambiental e à sua opção religiosa – ficam pequenos frente às atitudes da Senadora. A resposta dada à jornalista da Piauí é uma demonstração da maturidade política de Marina. Ela não pretende, ao contrário do que pensam alguns, criar uma luta de classes no Brasil, ou então estagnar o crescimento econômico do País em nome da preservação ambiental.

Ela é, por tudo que tem demonstrado, essencialmente democrata. Ela quer apresentar a viabilidade de um novo e sustentável modelo econômico. Ela quer moralizar a política nacional.

Como saber se, depois de eleita, não fará o mesmo que a cúpula do seu antigo partido fez ao assumir o governo? Não se pode saber antes da hora.

Fato é que ela não se prende a pessoas e grupos, e sim às causas em que acredita, como deve ser em qualquer atividade política de caráter público.

Fato é que ela abdicou da força política de que dispõe o PT para prosseguir em seus ideais. Deixou o cargo de Ministra do Meio Ambiente, durante o governo de Lula, quando este resolveu “pôr o dedo” nas políticas ambientais para facilitar o licenciamento de obras.

Fato é que ela tem, dentre os pré-candidatos já conhecidos, aquilo que o Brasil mais necessita: “vergonha na cara”.

Nota do Editor: É por isso que o Perspectiva Política estará, durante a campanha, apoiando o nome de Marina Silva para a Presidência.

*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Coluna do dia: 2009 – Choros e sorrisos

31/12/2009

Por Felipe Liberal*

O ano de 2009 foi um ano de certas desgraças.

Vimos mais uma vez que o capitalismo é tão fraco quanto uma folha de papel, mas também que ele é a única coisa que temos para viver. Percebemos que enquanto discutimos sobre a imortalidade humana dentro da ciência, o planeta se torna cada vez mais mortal e mortífero.

Em 11 de setembro de 2009, relembramos uma das maiores tragédias da Humanidade: O assassinato de 30 mil pessoas em Santiago do Chile, naquela terça-feira de setembro, em 1973, quando os EUA acabaram com qualquer esperança de liberdade naquele país.

Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz, mesmo depois de ter atacado o Afeganistão.  Uma grande brincadeira de mau gosto. A intensificação do conflito na Faixa de Gaza, onde mais de 1.500 palestinos morreram no último ano, também é algo a ser lembrado e modificado em 2010.

Perdemos o maior (em expressão e fama) músico e dançarino de todos os tempos. Michael Jackson morreu de racismo, ganância e loucura, empreendidos por ele mesmo.

E a pior das tragédias: o Clube Náutico Capibaribe caiu para Série B do Campeonato Brasileiro, causando uma imensa tristeza nos quatro cantos do Brasil e do Mundo.

Mas o ano de 2009 também foi um ano de alegrias e glórias.

O Brasil conseguiu se recuperar da crise rapidamente, ratificando sua diversidade comercial e seu equilíbrio político dentro da política interna e externa. O Natal brasileiro nunca foi tão gordo, por conta da ascensão de grandes camadas pobres ao “Império do Consumo”.

A integração regional dentro da América Latina deu passos importantíssimos, com relevantes avanços do Mercosul, Banco do Sul, Parlamento do Mercosul, etc. A América do Sul foi um dos primeiros continentes a sair da crise, sem passar por sérios problemas.

A preocupação com o Meio Ambiente e com o futuro do Planeta Terra cresceu assustadoramente em 2009. Os encontros e reuniões (apesar da falta de sucesso), juntamente com a popularização da discussão sobre o tema, deram esperanças para os anos vindouros, que não serão fáceis.

Muitas outras coisas explodiram e nasceram dentro deste ano tão controverso. As mais importantes para mim, estão aqui.

Os anos que virão serão assim: tristes e alegres, trágicos e gloriosos. Como sempre. Seria outra piada de mau gosto tentar mudar isso.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Ambientalismo e Globalização – O fiasco de Copenhagen

30/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

O dia termina, e não se chega a nenhuma conclusão de aplicabilidade prática. Todas as esperanças são traídas. Todas as expectativas foram em vão. Tudo o que foi dito não passou de uma sucessão de palavras vazias. O mundo para, perplexo e decepcionado. Os líderes mundiais abaixam as cabeças e saem “de fininho”, proferindo lamentos hipócritas para os abutres midiáticos que os perseguem constantemente.

E o que havia aí de inesperado? Como não era óbvio que Copenhagen seria tão, ou mais, inócua quanto Kyoto? Apenas os indivíduos de natureza abertamente mística e messiânica poderiam esperar por alguma “solução” vinda de uma reunião feita única e exclusivamente com o fim de agradar os eleitores-consumidores, que têm as mudanças climáticas por que passa o Globo em alta conta.

Copenhagen não passou de jogada de marketing político internacional. Ora, quem poderia crer que os líderes mundiais, os quais em sua maioria não passam de títeres dos interesses econômicos que os colocaram no poder, poderiam livremente determinar diretrizes normativas para que os países participantes e seus membros seguissem, as quais obviamente reduziriam a capacidade dos interesses financeiros internacionais de saquearem e rapinarem à vontade, se engordando com os frutos profanos da mais-valia.

O próprio foco da Conferência revela claramente toda a malícia dos interesses internacionais. A dialética política e as propagandas midiáticas maciças conseguiram reduzir as infindas Questões Ambientais ao “Aquecimento Global”. Hoje, “Aquecimento Global” é sinônimo de Ambientalismo. Fora do “Aquecimento Global” não há nada. Assim, afasta-se de todo a atenção da população em relação a todos os outros problemas ambientais, concentrando-a sobre uma temática facilmente apelativa, altamente mercantilizável e extremamente apta a ser usada para os fins mais escusos.

Ora, e o que se diz sempre que falha alguma dessas sempre frequentes tentativas de acordos ambientais? “Precisamos de uma estrutura normativa internacional, semelhante a um Estado!”. Não estão cansados de ouvir a mesma “ladainha”? Afinal, isso também é constantemente dito como a “melhor solução à longo prazo para a crise econômica”. Parece que todo e qualquer problema de âmbito internacional é justificativa para se apregoar a desintegração das soberanias nacionais, e a submissão dos Estados a um Leviatã internacional.

Esse é o grande sonho de todos os burocratas neomarxistas, assim como o de todos os banqueiros, usurários e grandes capitalistas. Um mundo sem fronteiras, e melhor ainda se não houverem mais religiões, raças, culturas, idiomas, gêneros, classes ou todo qualquer outro fator de diferenciação individual ou coletiva ao redor do qual se possa construir uma Identidade, é o principal objetivo de todas as mobilizações internacionais políticas e econômicas. O sonho desses tiranos é um mundo que espelhe a música “Imagine” de John Lennon. Para mim, esse mundo seria o maior dos pesadelos.

A única finalidade do “Ambientalismo” assim como do “Aquecimento Global” (não cabe nesse artigo discutir se o mesmo é real ou não, e qual a participação do homem no mesmo), é preparar e despertar o interesse das massas em direção a um aparato estatal global, para que quando o mesmo surja, as massas não se revoltem e apóiem a iniciativa.

Ao mesmo tempo, é pré-condição necessária que absolutamente nada seja feito no sentido de tentar resolver seriamente esses problemas ambientais. Ao contrário, é absolutamente intencional que os líderes mundiais “empurrem com a barriga” esses problemas. Afinal, caso fossem resolvidos ou ao menos minorados, não haveria mais qualquer justificativa para se estabelecer o Leviatã Global, não é mesmo?

É esse o sentido da apropriação capitalista dos ideais ambientais. Para suprir os ímpetos ecológicos das massas, e fazer com que elas pensem que “estão lutando pelo meio ambiente”, são desenvolvidos produtos “verdes”, os quais não são necessariamente menos poluidores que os produtos “normais”. A finalidade dos mesmos é única e exclusivamente apaziguar as massas, fazendo-as crer no absurdo de que “salvarão o mundo”… Consumindo?!

Afinal, quem teria a coragem de propor e legislar no sentido de reduzir radicalmente o consumo, a produção e a economia de modo geral? Dane-se o “desenvolvimento sustentável”, afinal, inúmeros problemas ambientais têm sido causados até agora por conta do consumo e da atividade industrial ocidentais, e, hoje, Índia, China e o Sudeste Asiático, que juntos possuem quase 3 bilhões de habitantes, estão sendo integrados nos padrões de consumo ocidentais.

O que o mundo precisa é de Decrescimento. Decrescimento Populacional e Decrescimento Econômico. Mas que político terá a coragem de propor isso?

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.

Confirmado: Marina Silva trouxe o verde para a agenda dos pré-candidatos

14/12/2009

Quando a ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acertou sua ida para o PV, visando concorrer à Presidência, as previsões feitas pelos analistas, entre eles este que vos fala, eram duas: A de que Marina dificilmente venceria e a de que ela, por sua biografia, colocaria os temas do meio ambiente e da ética na pauta das eleições de 2010.

Pois bem. Tudo está se confirmando.

Por um lado, os índices de intenção de voto de Marina Silva comprovam que a sua candidatura será motivada pela vontade de marcar posição, de fazer parte do debate, de contribuir para o aumento das chances de termos uma disputa baseada em ideias, e não por uma chance de vitória.

Por outro lado, os recentes escândalos colocaram, de certa forma, todos os grandes partidos tendo dificuldades para se utilizarem do discurso ético. Com isso, Marina poderá ser aquela a fazer uso dele.

Dito isso, resta a comprovação de que Marina trouxe o verde para o debate.

Pois bem, recentemente foi dita a seguinte frase:

Será totalmente frustrante se Copenhague der respostas financeiramente limitadas e institucionalmente incertas.

Para os que ainda não sabem, Copenhague é o local onde estão sendo discutidas as metas para a preservação ambiental internacional.

E sabem quem disse a frase supracitada?

Dilma Rousseff, uma desenvolvimentista marinasilvizando-se.

Confirmado: Marina Silva trouxe o verde para a agenda dos pré-candidatos.

Coluna do dia: Climagate – A fraude do aquecimento global

27/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

“ – Aleluia, irmãos!”, brada o pastor Al Gore, incitando a massa.
“ – Aleluia! Aleluia!”, respondem os fiéis, arrebatados pelo entusiasmo da pregação.

Assim funciona a Igreja do aquecimento global dos últimos dias. Ou funcionava… Sim, afinal está ficando claro que o evangelho da tal seita não era assim tão sólido… As profecias anunciadas com alarde e pompa, dando conta de que o “çerumano” estaria levando o planeta a uma catástrofe hedionda, parece, estão sendo desmistificadas pelos fatos.

O que aconteceu para que os alicerces da mais nova utopia coletivista interplanetária começassem a ruir? Bem, digamos que descobriram o Santo Graal da Igreja de Al Gore. Sabem, né? A tal “prova”, que jogaria por terra os dogmas e as certezas próprias da fé. O Santo Graal que abalaria as estruturas do cristianismo, por exemplo, só foi encontrado por Dan Brown, no Código Da Vinci. Já aquele capaz de jogar por terra as previsões catastrofistas do prêmio Nobel, está aí, acessível a todos os céticos.

Não! Eu realmente não entendo nada de ciência e de aquecimento global. Quem entende disso, sabemos, são os humanistas do “pogreçismo” politicamente correto. Aquela gente fascinante que faz passeata pelo fim da poluição e vai até a concentração do evento dirigindo seus carros. Sim! Qualquer um que esteja engajado na luta pela preservação da Terra se torna uma autoridade sobre o assunto. Eu? Ah, que nada! Eu sou só uma voz dissonante, não é mesmo? Em matéria de aquecimento global, certo mesmo é ficar com as opiniões de Victor Fasano, Cristiane Torloni e Sharon Stone – esta última dotada da autoridade intelectual típica de quem cruzou as pernas sem calcinha…

Mas o que aconteceu, afinal? Bem, alguns hackers – todos seguramente conservadores, reacionários, de direita, golpistas, preconceituosos e a serviço “duzamericânu” – invadiram uma meia-dúzia de servidores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Caso os leitores não saibam, a tal universidade está para a Igreja de Al Gore assim como Aparecida está para o catolicismo brasileiro. Pois bem, nos computadores dos obreiros-cientistas, os piratas encontraram uma série de e-mails um tantinho curiosos. Lá, havia o registro de um especialista contando para outro especialista que truque usara para esconder a queda média da temperatura global, que acabaria por implodir um dos dogmas primários da fé deles.

Phil Jones, o obreiro de Al Gore, admitiu que os e-mails são todos verdadeiros, mas tentou torturar as palavras, a fim de que confessassem ter um sentido diferente daquele que realmente possuem. Segundo o sujeito, “truque” não queria dizer… “truque”! Claro! Assim como o tal pedido para agilizar, que a terrorista mãe do PAC fez à servidora da receita, queria dizer outra coisa, não é? É sempre assim: a turma humanista e “pogreçista” que se arvora em mudar o mundo e salvar a Humanidade, não exita em contar um punhado de mentiras sempre que entende conveniente. Eles nos enganam? Sim, sempre enganaram! Mas o fazem para o nosso próprio bem! É para construir o tal “outro mundo possível”.

O fato é que o apocalipse de São João, pintado diante de nossos olhos pelos ecoterroristas arregimentados pela Igreja do aquecimento global dos últimos dias, parece, não irá se materializar. O mundo andou se aquecendo, como eles tanto dizem? Tudo indica que não. A verdade, aliás, poderia ser bem outra: parece que o mundo andou foi se esfriando… Porém, ainda que realmente tivesse sido registrada uma alta nas temperaturas, está parecendo que isso não significaria a primeira trombeta do juízo final, já que, ao longo da história humana, sempre foram registrados movimentos cíclicos de variação da temperatura do planeta. Quem diz isso? Eu? Os serviçais “duzamericânu”? Que nada! Quem disse isso foram os obreiros-cientistas de Al Gore, em suas encíclicas secretas.

“Tá, suponhamos que a coisa não seja assim tão grave. Que mal há em ouvir o que eles dizem e preservar o planeta?” Ah, mal nenhum! Percebam: eu não me oponho a medidas ecologicamente corretas, nem acho que devemos tocar fogo em cada árvore da Amazônia. O que me deixa furioso é essa mania que certo “pogreçismo” tem de tentar coletivizar a Humanidade, unindo-a em torno de um “ideal”, de um suposto “bem comum”. Quando vejo isso, um alarme dispara dentro de mim, denunciando o perigo iminente. Sempre que essa gente trilhou semelhante caminho, o resultado foi o mesmo: morte, miséria e terror.

Reparem que o roteiro é sempre o mesmo: há um mal iminente, que vai conduzir à destruição da Humanidade; há uma única salvação possível, que vai destruir o mal e salvar os “homens bons”; e há uma “entidade”, portadora das verdades da “causa redentora”, que vai guiar aqueles que abraçarem suas verdades, encarregando-se, também, de eliminar os que forem contrários.

No passado, Marx e mais alguns desocupados cismaram que o capitalismo ia conduzir o mundo à ruína, e tentaram convencer o povo de que “O Partido” deveria conduzir uma grande revolução. A burguesia – aqui compreendida como qualquer pessoa ou coisa contrária ao “Partido” -, claro, deveria ser aniquilada sem piedade.

Só que o marxismo fracassou, basicamente porque Marx, como analista econômico, era um ótimo pai… O sujeito, que não conseguia organizar as próprias finanças, de modo a não depender de Engels, esqueceu do óbvio: é muito mais prático receber o salário como operário, do que tentar matar o dono fábrica.

Os teóricos do fim da história, porém, não conseguem se render aos fatos. De tempos em tempos, surge uma nova distopia coletivista, sempre com os mesmos traços já vistos no passado. A Igreja do aquecimento global dos últimos dias, assim como o marxismo, também jura de pés juntos que o mundo, tal qual está hoje, vai acabar… acabando! E apenas eles – os “pogreçistas” ecologicamente corretos – conhecem a fundo “a causa” redentora. Apenas eles podem nos salvar, desde que sigamos cegamente as ideias deles.

Qual é a armadilha por trás da retórica salvacionista? Bom, num discurso extremista – que irrompe invariavelmente no fim da história e na extinção da Humanidade tal qual a conhecemos – qualquer barbaridade pode ser tolerada aos olhos da “moral deles”. Mesmo que tais barbaridades sejam, hoje, condenadas pela “nossa moral”. Ora, se o obreiro de Al Gore está agindo para impedir o fim do planeta Terra, como recriminá-lo se conta uma ou duas mentirinhas sobre a elevação das temperaturas médias? A trapaça de hoje é justificada pelo fim máximo, que é a busca pela salvação do “çerumano”. E, convenhamos, diante de “tão nobre” objetivo, nenhum imperativo moral de hoje consegue sobreviver, não é?

A Igreja do aquecimento global dos últimos dias não vai morrer. Longe disso. Na verdade, essa moderna distopia coletivista e redentora vai apenas seguir o curso de todas aquelas que surgiram no passado: as trapaças do presente serão justificadas em nome da salvação, que virá no futuro; os que denunciarem tais trapaças serão tratados como as bestas-fera pelos “homens bons” – tudo será rapidamente imputado aos conservadores, direitistas, reacionários e aos grandes conglomerados econômicos mundiais.

E Al Gore, que ainda não apareceu depois de escancaradas as fraudes da seita por ele capitaneada? Bem, ele continuará sendo uma espécie de Edir Macedo do aquecimento global: ninguém acredita que ele seja santo e miraculoso, mas seus cultos continuarão cheios, com os fiéis levantando os braços e berrando: “Aleluia! Aleluia!”

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O desenvolvimento sustentável e as futuras gerações

18/11/2009

Por Renato Alves*

Peço licença aos leitores e ao editor do blog, Bruno Kazuhiro, para dedicar a coluna de hoje ao meu filho, Enzo Augusto, que nasceu no dia 29 de outubro de 2009. Enzo nasceu cheio de saúde. Enfim, um menino perfeito, esperto e com um futuro promissor pela frente. Quanto ao futuro, pelo menos é o que desejo, pois um tema me preocupa bastante – a preservação do meio ambiente.

Pergunto-me: o que será das futuras gerações se não dispuserem de recursos naturais, ou seja, dos elementos da natureza que têm utilidade para o homem, com o objetivo do desenvolvimento da civilização, sobrevivência e conforto da sociedade em geral?

Afinal, sabemos que os recursos naturais podem ser renováveis, potencialmente renováveis e não-renováveis. E a forma com que o homem vem utilizando esses recursos, nos últimos séculos, não é a mais correta. O mau uso ou incorreto uso do recurso natural potencialmente renovável, como a água (indispensável para o futuro da humanidade), o solo e as árvores, configura sua escassez ou, até mesmo, seu desaparecimento total. Portanto, sem recursos naturais, possivelmente, não existirá futuro.

Para que isso não aconteça é necessário um desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações, ou seja, um desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.

Neste caso, precisamos do desenvolvimento sustentável que procura conciliar a necessidade de desenvolvimento econômico da sociedade com a promoção do desenvolvimento social com respeito ao meio ambiente.

Pelo fato do termo desenvolvimento sustentável ser novo, temos que ter em mente que para a sua implementação é necessário um processo de discussão e comprometimento de toda a sociedade, uma vez que implica em mudanças no modo de agir de todos.

Nesse caminho, o exercício da cidadania é um dos passos para viabilizar o desenvolvimento sustentável. É preciso transformar as pessoas em indivíduos que participem das decisões sobre seus futuros, exercendo assim seus direitos, conhecendo e informando-se sobre as questões ambientais de seu país e de sua comunidade.

Obviamente, o Estado é primordial na promoção e na regulamentação de políticas nacionais de desenvolvimento sustentável. Inclusive, no gerenciamento das escolhas tecnológicas atreladas aos processos produtivos. Sendo assim, é necessário estabelecer novas prioridades para a ação política em função de uma nova concepção do desenvolvimento, posto ao alcance de todos os povos e capaz de preservar o equilíbrio ambiental.

Enfim, é necessário reconhecer que precisamos melhorar o nosso modo de vida, zelar pelo meio ambiente. Devemos construir um mundo melhor para nós, para nossos filhos e futuras gerações, tanto no presente quanto no futuro. Ou, infelizmente, admitiremos que a busca de um desenvolvimento sustentável é ilusória, apenas uma forma de adiar o inevitável fim.

Até a próxima!

*Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira

Coluna do dia: O ambientalismo, a sociedade verde e os pensadores contemporâneos

01/11/2009

Por Tiago Franz*

A questão ambiental veio à tona na década de 70 do século XX, impulsionada por movimentos políticos. Em 1971 surgiram, na América do Norte, o Greenpeace e o Friends of the Earth, duas das maiores organizações ambientalistas internacionais, ainda atuantes. No ano seguinte, na Austrália, foi fundado o primeiro Partido Verde, logo acompanhado por versões na Europa. Atualmente, o ambientalismo é um dos maiores – senão o maior – setores de atuação do ativismo político em âmbito global.

As ações e discursos políticos em torno do ambientalismo são amplamente diversificados. Não existe um único movimento ambientalista. São muitas iniciativas, que diferem no campo da prática e da concepção filosófica. Para Manuel Castells, em seu livro ‘A era da informação: o poder da identidade’, “é exatamente essa dissonância entre teoria e prática que caracteriza o ambientalismo como uma nova forma de movimento social descentralizado, multiforme, orientado à formação de redes e de alto grau de penetração”.

A nova experiência de relacionamento da humanidade com o ambiente natural, que Castells chama de “o verdejar do ser”, também é abordada por Anthony Giddens – ambos são autores europeus contemporâneos – no livro ‘Para além da esquerda e da direita’. Este cria uma série de conceitos para explicar os fenômenos sociais de nosso tempo. Entre eles, a “reflexividade social” e a “destradicionalização”, que tratam de características da globalização de um ponto de vista que não o econômico. O aspecto, neste caso, é o comportamento das pessoas frente às tradições.

As pessoas passaram a filtrar melhor as informações e refletir mais sobre as opções de vida, o que faz com que a tradição mude de status. As tradições não desaparecem totalmente, mas agora precisam se explicar, abrir-se às interrogações. A partir disso se dissemina no corpo social aquilo que Giddens conceitua como “política gerativa”, que é “intimamente ligada aos interesses da política de vida” e que reflete no despertar do espírito ativista das pessoas.

O contexto global em que se dá esse fenômeno é marcado pela “incerteza artificial”, outro conceito de Giddens. Em meio às constantes ameaças a que a humanidade está sujeita, os “ambientes de risco global”, destaca-se o “impacto do desenvolvimento social moderno sobre os ecossistemas mundiais”. O autor considera “provável que os recursos materiais necessários para manter a vida humana, e em especial o modo de vida das áreas industrializadas do mundo, estejam ameaçados a médio prazo”.

As ameaças ecológicas estão ligadas à “dimensão do industrialismo”. Como solução, Giddens aponta uma “economia de pós-escassez” – tornar excelente o uso dos recursos naturais – somada a uma “humanização da natureza”. No século XIX, a “relação entre os seres humanos e a natureza foi rompida e invertida. Em vez de nos preocuparmos, acima de tudo, com o que a natureza poderia fazer-nos, temos agora de nos preocupar com o que fizemos à natureza”, diz o autor.

Ambos, Castells e Giddens, defendem que essa nova configuração global de consciência ativa é reflexo da “era da informação”, que cria redes sociais e dá novas perspectivas de identidades às pessoas. A complexidade que envolve as mais variadas formas de manifestação política na contemporaneidade faz com que correntes políticas, uma vez tão distintas, passem a se confundir e a se misturar. Para bem entendê-las e situá-las, é preciso avaliar cada situação, dentro de cada contexto. Há elementos da direita e da esquerda presentes nas diferentes concepções e situações que o ambientalismo abarca.

O progressivismo característico dos movimentos sociais que emergiram na segunda metade do século XX – dentre eles os ambientalistas – é fator para que alguns situem o ambientalismo à esquerda. “No entanto”, observa Giddens, “embora os movimentos verdes tendam com frequência a situar-se na esquerda, não existe uma afinidade óbvia entre a ecologia radical e o pensamento esquerdista”. Há também quem aponte relações entre o conservadorismo e o ambientalismo, como Gray, a quem Giddens se refere na citação que segue:

“O pensamento conservador tem sido, de maneira geral, hostil à política verde, vista como ‘propaganda anticapitalista sob outra bandeira’. No entanto, sem estar ligada à esquerda, diz Gray, uma preocupação com a integridade da natureza está próxima aos temas conservadores.

Tanto a filosofia conservadora quanto a ecológica são caracterizadas por um ceticismo a respeito do progresso e uma crença de que o crescimento econômico em si é perigoso, ou até mesmo desastroso; pelo entendimento de que os vivos têm a responsabilidade de estabelecer perspectivas que relacionem as gerações mortas do passado com aquelas ainda por nascer; e pela convicção de que os indivíduos só podem se desenvolver dentro das formas comunais de vida. [...] Aceitar essas idéias, reconhece Gray, implica repensar as políticas e a filosofia conservadoras [...]“

O principal objetivo do ambientalismo é a conservação da natureza. Visto por esse lado, existem laços evidentes com o conservadorismo filosófico, que defende a tradição, a herança do passado. Mas a relação entre capitalismo e preservação do meio ambiente reforça a ideia do ambientalismo mais próximo da esquerda. “O capitalismo depende da interminável acumulação econômica; qualquer hesitação do crescimento econômico é interpretada como uma falha no sistema”, lembra Giddens, apoiado na teoria marxista. Visto que o industrialismo – ou seja, a busca do crescimento econômico desenfreado – é o principal responsável por ameaçar os ecossistemas, defender a preservação do meio ambiente, nesse sentido, é contrariar uma lógica que se atribui genericamente à direita.

Autores como Murray, Bookcin e Merchant dizem que o movimento ecológico resgata e aprofunda o radicalismo, através de uma nova ética da natureza e da transformação das pessoas. A política radical, simbolizada pelo vermelho devido à relação com os socialistas, muda de cor após o triunfo do capitalismo. Muitos autores da esquerda têm adotado o pensamento ecológico. A mudança de vermelho para verde representa um refúgio para o radicalismo refutado. Assim, a revolução socialista, não mais viável, deu lugar às utopias verdes.

Finalizo este artigo com mais Giddens, numa passagem que sintetiza perfeitamente o argumento de que o ambientalismo não obedece integralmente a determinada ideologia política. Mesmo reconhecendo que a esquerda é mais afim à causa ambiental, o sociólogo britânico conclui:

Seria mais exato ver as filosofias verdes como refletoras das mudanças na orientação política [...] Elas não são caracteristicamente nem da esquerda e nem da direita. Elas resistem ao progressivismo que sustenta ser possível mudar tudo para melhor; mas, ao mesmo tempo, defendem formas de radicalismo com implicações que estão muito além de qualquer coisa que possa ser desenvolvida nos modelos usuais de socialismo. Não decorre dessa observação que devamos aceitar a teoria política verde sem questionamentos; essa teoria é tanto uma expressão dos problemas políticos e sociais que enfrentamos atualmente quanto uma solução para eles. E, é claro, existem muitas versões da filosofia política verde, nem todas coerentes com as outras.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Coluna do dia: A questão do aborto e a ética progressista

09/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Discutir a questão do aborto tem se tornado cada vez mais polêmico e complicado. O porquê, todavia, eu não sei. Afinal, convenhamos, a lógica elementar – antes de qualquer critério ligado à fé ou à ideologia – nos diz que o direito à vida, por óbvio, deve sempre prevalecer sobre algum outro. Mas pretendo iniciar este texto a partir da minha concepção pessoal sobre o aborto. Não tomará muito tempo, garanto.

Atá havia pouco tempo atrás, eu não me opunha à descriminação do aborto. Nunca fui favorável à prática, mas entendia, a partir de uma ótica bastante liberal, que isso era uma questão individual de cada um, razão por que o Estado não precisaria se imiscuir na contenda. Alguém quer fazer? Que faça, mas que arque com as consequências morais da escolha – que, admita-se, não devem ser pequenas.

Contudo, isso mudou radicalmente há pouco mais de um ano, quando eu e minha esposa soubemos da gravidez dela. Nosso primeiro filho estava chegando! Não vou entediá-los narrando o poder de transformação que uma descoberta assim tem sobre a vida de qualquer um. Aquela história do “milagre da vida”, lembram? Pois é, realmente existe. A fantástica sensação que experimentei quando escutamos, pela primeira vez, o coraçãozinho dele batendo é impossível de descrever. Isso muda uma pessoa. A faz amadurecer. Crescer mesmo.

E aqui chegamos a um ponto interessante: crescer é ter direito a alguns preconceitos. A frase, estou ciente disso, pode causar alguns arrepios nos politicamente corretos e progressistas, mas é absolutamente verdadeira. Com o passar do tempo e o acúmulo de experiências, o ser humano passa a saber – algumas vezes de antemão – aquilo que é, ou não, bom para ele e para os seus.

Eu, por exemplo, detesto voar de avião e odeio tofu. E nada vai mudar isso. Da mesma forma, aprendi a partir de um despertar inesperado de sentimentos novos, que o aborto é intolerável. Mas, alto lá! Isso eu já sabia… Qual foi a principal mudança, então? Bem, passei a ver o aborto como aquilo que efetivamente é: algo criminoso e abjeto que deve, sim, ser combatido pelo Estado. Como se operou tal transformação? O que a embasou?

Explico: A discussão histórica em torno do aborto se dá entre o chamado grupo “pró-escolha” e aquele “pró-vida”. O primeiro defende que a mulher é senhora de seu corpo e, portanto, pode decidir o que fazer com ele. O segundo, por outro lado, apega-se à defesa intransigente do direito à vida, razão pela qual rejeita uma intervenção como o aborto. Sob o aspecto estrito do choque de direitos, entendo que o aborto simplesmente não se pode justificar. O direito à vida é a essência da civilização, situando-se acima de qualquer outro de forma definitiva. Permitir que haja uma escolha que termine causando a morte de outrem é condescender com a barbárie. Simples assim. Percebam: nenhuma tergiversação retórica pode negar o óbvio.

Mais recentemente, porém, os grupos “pró-aborto””passaram a adotar outro enfoque. A discussão central foi espertamente modificada: em vez de debater o choque de direitos – que condenava o aborto à derrota –, passou-se a discutir o início da vida humana. E aí apareceram uma enxurrada de teorias.

Há a posição conhecida da Igreja Católica, que fala no início da vida com a fecundação. Há uma corrente científica que fala na vida a partir da segunda semana de gestação. Há aqueles que ligam o início da vida ao desenvolvimento completo do sistema nervoso do feto. Além de tantos outros, cada um mais especialista que o outro no assunto.

O que eu acho? Bem, eu me recolho a minha insignificância humana e digo que não tenho autoridade para dizer quando começa a vida do ser humano. Nem eu, nem ninguém! Por isso me oponho, inclusive, ao aborto dos chamados “fetos anencéfalos”, já que a civilização, para que seja entendida como tal, não pode agir como senhora da vida e da morte. Em outras palavras, o ser humano não pode decidir quando uma vida é viável e quando pode ser descartada. Quem faz isso são os bárbaros, não nós.

Há ainda outro aspecto que me preocupa bastante: quem guardará os guardiões? Isto é, uma vez decidido que um determinado feto, portador de uma determinada moléstia, é – como é mesmo que eles dizem? – “inviável”, quem vai impedir que essa fresta aberta não se transforme na porta que nos levará, todos, ao inferno eugênico?

Pensem bem: hoje são os anencéfalos, amanhã podem ser os portadores de Síndrome de Down. Talvez um dia, diante dos infindáveis “progressos da ciência”, seja possível até mesmo “descartar” alguém que nasce com os pés chatos… Estou exagerando? Não creio…

De fato, hoje, a ciência parece provar empiricamente que os tais fetos anencéfalos são mesmo condenados à morte. Mas e depois? Por que essa ligeireza, essa pressa mesmo, em optar pela solução mais rápida? Por que não pensar que o futuro virá para salvar vidas, em vez de apostar que ele ratificará teorias de morte? Há coisa de poucos séculos atrás, crianças siamesas seriam atiradas em precipícios com base nas teorias de então… Vamos continuar atirando as nossas, hoje? A discussão parece ampla, eu sei. Difícil que seja diferente quando se trata deste tema. Mas me encaminho para um direcionamento conclusivo, garanto.

Há coisa de alguns dias, o diretório nacional do PT, o partido que nasceu sob a bandeira da ética, da transformação social e do progresso, decidiu punir os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Os dois tiveram seus direitos políticos suspensos pelo partido e, agora, não podem votar nem receber votos, muito menos discursar em nome do PT.

Mais que isso: caso a direção nacional não reveja tal punição, os dois parlamentares não receberão a legenda petista para disputar a reeleição no próximo ano. Ao me deparar com a notícia acima, perguntei: o que terão feito de tão grave? Vai ver foram apanhados com dólares na cueca… Talvez tenham criado um mensalão para comprar apoio no Congresso… Quem sabe fabricaram dossiês contra adversários políticos… Ou então quebraram o sigilo bancário de um caseiro…

Que nada! Todas essas práticas, sabemos, são abertamente aceitas pela tal “ética” petista. Qual foi, então, o pecado dos deputados? Bem, tiveram a audácia de falar contra o aborto.

Percebam a que ponto chegou a inversão de valores ditada pela agenda politicamente correta e progressista: a ética petista, que não vê problema em perdoar os mensaleiros, pune com rigor aqueles que defendem os fetos; a moral do partido que preside o Brasil, capaz de receber de braços abertos gente como Sarney, Collor, Calheiros e Maluf, não tolera que se garanta aos bebês o direito de vir ao mundo; os valores da legenda que não viu problemas em “dar outra chance” para Delúbio, são os mesmos que negam aos bebês a única chance que estes têm. A construção que vou fazer pode soar um tanto forte, mas é inevitável: quando a ética petista é aplicada, inocentes morrem! Aliás, não morrem. São assassinados!

Notem que não se trata mais nem de se dizer contra ou a favor do aborto. Estamos falando do que é ética e moral, algo que o mundo ocidental civilizado já descobriu há muito tempo, mas que o Brasil do PT insiste em subverter.

Bem, verdade seja dita: a crise moral que se vê em episódios como o aqui relatado não é apenas do PT. É de todo o consenso progressista e politicamente correto que tomou o mundo de assalto. A gente moderna e humanista que pretende criar o tal “outro mundo possível”, não tolera a fome na África, o lucro do capitalismo e o desmatamento da Amazônia, mas consegue descartar seus próprios filhos com uma desenvoltura embasbacante. Vivemos, pois, sob a autocracia do pensamento que se mobiliza pelos filhotes de golfinhos, que critica a Coca-Cola e o tabaco, ao mesmo tempo em que não vê problema em estimular o assassinato de bebês.

Assassinato, eu disse? Sim, disse. Porque é disso que estamos falando quando o assunto é aborto. Ou alguém consegue, sem se deixar sugar pelo vórtice do contorcionismo retórico, diferenciar isto de um homicídio puro e simples?

Caso não conheçam o assunto, trata-se daquilo que o progressismo americano chama de “partial-birth abortion”, ou aborto com nascimento parcial. É o procedimento mediante o qual o bebê, já no último trimestre da gestação – isto é, praticamente pronto para vir ao mundo –, é morto covardemente a fim de interromper a gravidez. Repito: desafio qualquer um a me demonstrar como isso não seria um assassinato. Desnecessário dizer que, em fase tão adiantada da vida, o bebê já sente, ouve e, inclusive, se comunica com o mundo exterior. Ah, ia esquecendo! Barack Obama, o novo Messias reencarnado, o príncipe negro que veio salvar o mundo, apóia abertamente aquela prática hedionda.

E aqui, chegando ao final do texto, deixo diante de todos minha perplexidade. Que progressismo é esse, onde o “novo mundo”, a “justiça social” e a tal “igualdade dos homens” deve ser alcançada por meio de uma moral e de uma ética que tolera semelhante barbaridade?

Serei eu realmente tão conservador? Ou é a inversão de valores promovida pelo politicamente correto que subverteu o norte do mundo? Como acreditar em propósitos de paz perpétua quando o interlocutor não vê problema em admitir o homicídio de crianças?

E não é uma mera coincidência que Obama, o Cristo do progressismo mundial, e o PT estejam no mesmo barco moral. Ambos representam, cada um a sua maneira, essa nova ditadura “moderneira” que carrega a bandeira de uma ética nova, onde a vida humana foi relativizada.

Eles, preocupados com o “outro mundo possível”, seriam os mocinhos progressistas. Eu seria o conservador reacionário e obscurantista. E tudo por quê? Porque defendo o direito que as crianças têm de virem ao mundo, ao passo que eles, sem hesitar, as assassinam. Sim, posso até ser conservador e reacionário… Mas quem é mesmo o obscurantista?

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Como não resolver a questão ambiental

30/06/2009

Por Raphael Machado Silva*

Um breve folhear de uma revista de atualidades ou de um jornal razoavelmente decente demonstra, sem sombra de dúvidas, que o Meio Ambiente é um tema bastante em voga e que desperta o interesse de uma ampla parcela da população. Teoricamente, de todas as classes sociais.

Isso sem dúvida é positivo. Quer dizer, eu suponho, que ninguém precisa se dar ao trabalho, hoje em dia de ainda ter que demonstrar que há tal coisa como uma “Questão Ambiental” que deve ser solucionada.

O fato de que muitas pessoas, aparentemente, se interessam por esse tema deve ser considerado como pelo menos “um passo” na direção da resolução da miríade de problemas derivadas dessa “Questão”.

Porém, o próprio fato de este ser um tema que “deve estar na boca de todos”, tem sido, na verdade, a garantia de que a “Questão Ambiental” não vai ser resolvida tão cedo, o que é seriamente preocupante, dado que mesmo as previsões menos negativas das consequências da não resolução desses problemas já são bem graves.

Explico o por que de modo breve: Se o discurso ambientalista deve alcançar o maior número de pessoas possível, ele deve ser o mais simples e superficial possível, porque, do contrário, ele não terá o alcance que se quer de início.

Assim, as noções ambientais que se difundem não passam de meros “lugares-comuns”. Uma espécie de “5 maneiras de salvar o meio ambiente”. E o fato de que é isso que alcança a maior amplitude, faz com que qualquer outra forma de discurso ambiental seja “jogada para escanteio”. A popularidade do discurso ambientalista superficial garante que só essa forma de discurso continuará a ser veiculada, reforçando e solidificando a superficialidade inicial.

E eu explico também a popularidade desse tipo de discurso: O discurso ambientalista superficial e politicamente correto demanda que você faça o mínimo possível de mudanças em seu modo de vida, e no funcionamento estrutural da sociedade como um todo, e, ao mesmo tempo, permite a você se sentir bem, feliz e tranquilo por ter feito a sua parte para “salvar o mundo”. Ou seja, “5 maneiras de salvar o meio ambiente sem sair do sofá”.

Essa é uma lei do comportamento das massas. Entre uma proposta que resolve definitivamente um certo problema com 100% de eficiência, mas que demanda mudanças radicais, e uma outra proposta de caráter paliativo ou, como seus defensores chamam, “moderada”, que não resolve nada, mas que faz com que todo mundo se sinta bem por estar “fazendo alguma coisa” sem que para isso qualquer estrutura tenha que ser mudada, as massas escolherão em 100% dos casos a proposta paliativa. A não ser que a tragédia seja do tipo apocalíptico, como Godzilla atacando uma cidade ou, então, quando o problema explode e as pessoas são atingidas pela onda de choque do problema, resolvendo, aí sim, que algo de definitivo deveria ser feito.

Obviamente, vendo um campo tão aberto e repleto de possibilidades, a maioria das corporações não poderia perder a oportunidade de lucro, não? Então, contribuindo para a ilusão geral, agora você pode fazer um “consumo consciente” e “politicamente correto”, onde pelo triplo do preço, você compra um produto que polui o meio ambiente tanto quanto ou mais que o produto original, só que de maneira diferente.

Como, por exemplo, quando você troca lâmpadas comuns por lâmpadas fluorescentes. Logo estaremos vendo a “bomba atômica biodegradável” e o “napalm orgânico” com os quais você pode bombardear seus inimigos à vontade e ao mesmo tempo estar “salvando o mundo” e sendo “politicamente correto.”

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.