O Perspectiva tem comentado, há meses, que o Vice dos sonhos de Lula para Dilma é o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Muitos afirmam que o Planalto já teria desistido do sonho por entender ser impossível emplacar como representante do PMDB em uma chapa presidencial um cristão novo da legenda, afinal, Meirelles adentrou o partido há pouco tempo. No governo, não tinha partido. Antes de fazer parte dele era, curiosamente, do PSDB.
Contudo, o Perspectiva sempre se manteve como representante da tese de que Lula não deseja o Deputado Michel Temer como Vice de Dilma, e sim Meirelles, aceitando o Ministro Hélio Costa se o nome do Presidente do BC for mesmo inviável.
Parece-me que esta é a teoria mais próxima da realidade.
Digo isso pelo fato de Lula ter alfinetado o PMDB sugerindo uma lista tríplice, por ser notório que governistas trabalham pelo nome de Meirelles e por ser sabido que o nome de Hélio Costa tem sido sugerido como terceiro via aceitável pelos dois lados, o dos que defendem Temer e o dos que aceitam Meirelles.
Em suma, repudio a fala daqueles que dizem que Lula já desistiu de Meirelles. Não creio. Acredito que ele apenas sabe que é difícil, embora ainda tentando e testando seu cacife e sua popularidade junto ao PMDB para ver se consegue, enquanto deixa Costa de sobreaviso.
As explicações poderiam ser, principalmente, três: Lula tem nitidamente e obviamente mais afinidade com Meirelles do que com Temer. O Presidente quer mais saber do tempo de televisão que o PMDB pode dar a Dilma do que de qualquer outra coisa, não fazendo real diferença a pujança do Vice. E se ambos não trazem multidões de eleitores a tiracolo, Lula prefere quem acalma o empresariado, assim como fez José Alencar na sua chapa em 2002.
Pois bem. Confiram o que disse no último domingo o colunista e reconhecido sabedor do que circula nos corredores da política nacional, Elio Gaspari:
“A Manobra que pode levar Henrique Meirelles à vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff é pesada, mas pode prevalecer.
O presidente do Banco Central tem a simpatia de Lula e é defendido pelo ex-ministro Antonio Palocci.
Meirelles serviria de contrapeso às inquietações que Dilma e o comissariado petista disseminaram no empresariado e no andar de cima.
Nas últimas semanas o mercado financeiro tomou-se de súbita paixão por José Serra.
Lula, Palocci e Dilma não têm votos na convenção que escolherá a chapa, mas podem recorrer a um poderoso eleitor.
Costurando por dentro, o governador Sérgio Cabral viabilizaria Meirelles. Ele tem quatro vezes mais convencionais que a bancada paulista do partido.
Henrique Meirelles é e não é um quadro do PMDB, característica que o credencia para o exercício do cargo.
Se Cabral emergir como seu grande eleitor, estará habilitado para se tornar uma ponte dourada entre os pleitos do partido e o Planalto num terceiro mandato petista.”
Dizem que se por lado Lula e o governo podem conseguir emplacar Meirelles, por outro podem vir a se arrepender de terem mexido com quem não se deve, a cúpula peemedebista – que dá nó em pingo d’água -, quando se derem conta de que empurraram o PMDB para fora da aliança.
Qual dos dois será?










