Postagens com a palavra-chave ‘Aliança Formal’

Governo ainda tenta emplacar Meirelles como Vice de Dilma

01/02/2010

O Perspectiva tem comentado, há meses, que o Vice dos sonhos de Lula para Dilma é o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Muitos afirmam que o Planalto já teria desistido do sonho por entender ser impossível emplacar como representante do PMDB em uma chapa presidencial um cristão novo da legenda, afinal, Meirelles adentrou o partido há pouco tempo. No governo, não tinha partido. Antes de fazer parte dele era, curiosamente, do PSDB.

Contudo, o Perspectiva sempre se manteve como representante da tese de que Lula não deseja o Deputado Michel Temer como Vice de Dilma, e sim Meirelles, aceitando o Ministro Hélio Costa se o nome do Presidente do BC for mesmo inviável.

Parece-me que esta é a teoria mais próxima da realidade.

Digo isso pelo fato de Lula ter alfinetado o PMDB sugerindo uma lista tríplice, por ser notório que governistas trabalham pelo nome de Meirelles e por ser sabido que o nome de Hélio Costa tem sido sugerido como terceiro via aceitável pelos dois lados, o dos que defendem Temer e o dos que aceitam Meirelles.

Em suma, repudio a fala daqueles que dizem que Lula já desistiu de Meirelles. Não creio. Acredito que ele apenas sabe que é difícil, embora ainda tentando e testando seu cacife e sua popularidade junto ao PMDB para ver se consegue, enquanto deixa Costa de sobreaviso.

As explicações poderiam ser, principalmente, três: Lula tem nitidamente e obviamente mais afinidade com Meirelles do que com Temer. O Presidente quer mais saber do tempo de televisão que o PMDB pode dar a Dilma do que de qualquer outra coisa, não fazendo real diferença a pujança do Vice. E se ambos não trazem multidões de eleitores a tiracolo, Lula prefere quem acalma o empresariado, assim como fez José Alencar na sua chapa em 2002.

Pois bem. Confiram o que disse no último domingo o colunista e reconhecido sabedor do que circula nos corredores da política nacional, Elio Gaspari:

“A Manobra que pode levar Henrique Meirelles à vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff é pesada, mas pode prevalecer.

O presidente do Banco Central tem a simpatia de Lula e é defendido pelo ex-ministro Antonio Palocci.

Meirelles serviria de contrapeso às inquietações que Dilma e o comissariado petista disseminaram no empresariado e no andar de cima.

Nas últimas semanas o mercado financeiro tomou-se de súbita paixão por José Serra.

Lula, Palocci e Dilma não têm votos na convenção que escolherá a chapa, mas podem recorrer a um poderoso eleitor.

Costurando por dentro, o governador Sérgio Cabral viabilizaria Meirelles. Ele tem quatro vezes mais convencionais que a bancada paulista do partido.

Henrique Meirelles é e não é um quadro do PMDB, característica que o credencia para o exercício do cargo.

Se Cabral emergir como seu grande eleitor, estará habilitado para se tornar uma ponte dourada entre os pleitos do partido e o Planalto num terceiro mandato petista.”

Dizem que se por lado Lula e o governo podem conseguir emplacar Meirelles, por outro podem vir a se arrepender de terem mexido com quem não se deve, a cúpula peemedebista – que dá nó em pingo d’água -, quando se derem conta de que empurraram o PMDB para fora da aliança.

Qual dos dois será?

PMDB cobra ação de Lula para aliança com PT nos estados

26/11/2009

Comentou este blogueiro que vos fala recentemente:

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Pois bem. Confiram o que informa o Estadão:

“No primeiro encontro dos dois principais partidos da base aliada após a eleição que renovou a cúpula petista, dirigentes do PMDB cobraram do PT a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para acertar os palanques nos Estados. A principal queixa foi em relação a Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, onde a corrente majoritária do PT rachou e tem dois pré-candidatos à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB) desafiando o ministro das Comunicações, Hélio Costa, postulante do PMDB.

O outro nó difícil de desamarrar para a parceria sair do papel está no Rio. Lá, o governador Sérgio Cabral (PMDB) exige apoio à sua reeleição para entrar na campanha de Dilma ao Palácio do Planalto, mas fatia considerável do PT quer no páreo o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Há percalços também para a montagem de chapas em mais cinco Estados: Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Paraná e Ceará.

[...]

Pelos cálculos do PMDB, os insatisfeitos e adversários tradicionais dos petistas somam 410 dos 805 votos de convencionais que vão às urnas para decidir se querem se aliar ao PT ou deixar o partido ’solto’ na corrida presidencial, para que cada Estado faça a dobradinha que quiser.”

O Perspectiva vem desenhando quadro fiel das negociações entre PT e PMDB.

PT e PMDB: Parceria complicada

25/11/2009

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Inclusive a própria pré-candidata Dilma Rousseff e o Presidente do Senado, José Sarney, admitem sem cerimônias que os acertos estaduais são difíceis. Dilma Rousseff que considera difícil que uma eventual aliança nacional do PT e do PMDB em torno da sua possível candidatura à sucessão do presidente Lula seja reproduzida nos Estados. Sarney a respaldou e afirmou que as duas legendas devem ter palanques distintos em Estados onde não há possibilidade da aliança se efetivar.

Em resumo, o PMDB tem, nacionalmente, três caminhos: Caminhar com o governo, caminhar com a oposição ou caminhar sozinho, pelo menos, no primeiro turno.

Excetuado o caminho da candidatura própria, nenhum deles deverá ser respaldado pelos diretórios de todos os estados. Nos dois casos, caminhe o PMDB com o PT ou com o PSDB, existirão dissidências.

Além delas, aonde não ocorrerem dissidências quanto à corrida presidencial, ainda existirá a possibilidade de uma candidatura do PMDB ao governo do estado em questão que se oponha ao aliado nacional, seja ele qual for.

Essa é a complicação que demonstra como o PMDB nada mais é do que uma federação de caciques.

É a mesma complicação que permite ao PMDB ser o maior partido do Brasil, fato que a mantém viva, e que dá ao PMDB o grande tempo de televisão que, na realidade, é o que mais interessa a todos os presidenciáveis.

Aliança PT-PMDB: Cobranças, acordos e possibilidades

05/11/2009

Informa o Globo:

“Em reunião ontem de manhã, o PMDB deu mais um ultimato ao PT para que o partido resolva os impasses nos estados até dezembro. Caso contrário, advertiram os peemedebistas, a aliança em torno de Dilma Rousseff sofrerá abalos, já que a ala oposicionista do partido sairá fortalecida.

Entre as prioridades do PMDB estão Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, onde o partido quer a retirada das candidaturas petistas.”

O trecho reproduzido acima confirma o que vem dizendo este blogueiro que vos fala: O pré-acordo entre PT e PMDB é um grande passo para a aliança formal entre os dois partidos em 2010, porém, não torna esta aliança fato consumado. Em suma, a união dos partidos ainda não é definitiva.

A realidade é que a estratégia inicial do PT e do PMDB governista era conseguir os consensos nos estados para, mais tarde, sacramentar a união nacional que representa, pelo menos, uma conexão formal, já que muitos diretórios regionais do PMDB estarão, invariavelmente, com a oposição.

Acontece que os consensos nos estados foram se mostrando, como já era de se esperar, extremamente difíceis. Com isso, a estratégia mudou. O entendimento das cúpulas foi adiantado para pressionar os entendimentos regionais. Portanto, o pré-acordo existe para tentar forçar uma aliança real, não sendo fruto de uma, como alguns imaginam.

É por esse motivo que a aliança formal entre PT e PMDB, que daria o gigantesco tempo de televisão do PMDB para a candidatura de Dilma Rousseff, não pode ser dada como favas contadas. Se por mais que o advento do pré-acordo pressione os entendimentos regionais, eles não forem atingidos, a união pode ir por água abaixo.

Tanto os peemedebistas governistas como os oposicionistas sabem disso. Cada grupo joga de um lado, tentando unir ou desunir PT e PMDB nos estados respectivamente.

O próprio Ministro da Defesa Nelson Jobim, teoricamente governista, embora seja um dos poucos políticos brasileiros que almoça com Lula e janta com Serra, afirmou que as dificuldades regionais entre o PT e o PMDB podem atrapalhar a aliança nacional dos dois partidos, apesar do acordo de cúpula fechado no mês passado.

Essa análise de Jobim é ou não é a apontada como correta pelo Perspectiva?

Sim, é. Tanto é que a comissão escalada pelas cúpulas do PMDB e do PT para tentar um entendimento nos Estados em que os dois partidos estão em disputa aberta faz sua primeira reunião na manhã desta quinta-feira, na sede do PT em Brasília.

Michel Temer e os peemedebistas governistas torcem pelo sucesso dessa comissão, que fortaleceria a união entre PT e PMDB e poderia garantir, para Temer, a vaga de Vice-Presidente na chapa do governo.

Orestes Quércia e os peemedebistas oposicionistas fazem figa pelo fracasso da comissão, que poderia, pelo menos, fazer do PMDB um partido em cima do muro em 2010 até mesmo formalmente, liberando totalmente os caciques regionais da legenda para fazerem os acordos e alianças que bem entendem.

O PMDB está mais próximo de Dilma, é verdade. Prova disso é o fato de que os dilmistas lutam para que a legenda esteja com a Ministra, enquanto os serristas já brigam apenas para que o partido não esteja com ninguém.

Contudo, ainda existe indecisão entre estes pontos. Indecisão essa que só se resolverá totalmente na Convenção do PMDB no ano que vem.

Ambos os lados apostam suas fichas no embate que se travará até lá.

PT e PMDB: Edison Lobão é cotado para Vice de Dilma

23/10/2009

Como todos os que acompanham a política nacional sabem, o governo faz de tudo para garantir que o PMDB se alie formalmente ao PT em nível nacional.

Embora saiba que o partido estará dividido de fato invariavelmente, a cúpula petista corteja a ala governista do PMDB do mesmo jeito, afinal, está de olho mesmo é na formalidade, pois assim terá o tempo de televisão do PMDB, que é enorme, a serviço de Dilma Rousseff.

Pois bem. Foi tratado um pré-acordo entre PT e PMDB. A ala governista do partido com mais filiados do Brasil patrocinou o entendimento e sabe que ele poderá ser revogado na Convenção peemedebista, por influência da ala oposicionista, se Dilma perder força.

Contudo, por enquanto, o pré-acordo serve, ao menos, para dar certa estabilidade e previsibilidade, visando facilitar as alianças entre PT e PMDB nos estados.

Verdade seja dita, o PMDB quer que o PT ceda espaços em troca do apoio em âmbito nacional. E Lula pagará. Se o PMDB mudar de posicionamento, por conta da atuação dos membros oposicionistas do partido e das circunstâncias eleitorais, será um Deus nos acuda. Muitas alianças estaduais já estarão sacramentadas. O PT terá aberto mão de disputas e terá nada em troca.

Acontece que Lula aceita o risco. Faz isso pois sabe que, sem o PMDB, Dilma não vence. Por outro lado, os militantes petistas estão em polvorosa, afinal, o que será do PT se, após abrir mão de espaços e mais espaços, perder a eleição nacional? Restará nada ao partido, a não ser míseras secretarias nos governos dos aliados e a esperança do retorno de Lula. Talvez por isso o Presidente arrisque: O risco é do partido, e não dele.

Dentro deste cenário, o PMDB exige a vaga de Vice-Presidente na chapa governista. Michel Temer, Presidente licenciado do partido, Presidente da Câmara e governista, é o mais cotado. Outros nomes como o do Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o do Ministro das Comunicações, Hélio Costa, são cotados.

Mas o comentário que faço fica por conta do outro nome cotado e discutido nos bastidores para a vaga: O Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Ora, meus caros, uma chapa presidencial que tenha Edison Lobão como candidato a Vice-Presidente não é séria.

Lobão é aliado de José Sarney e acusado de permitir que a família e os aliados deste tenham ingerência sobre as decisões do Ministério que comanda, um dos mais importantes do Executivo federal brasileiro.

Para apimentar mais ainda esta biografia, vale ressaltar que são inúmeras as acusações e denúncias contra o Ministro no que diz respeito ao seu passado político e empresarial. Além disso, Lobão pratica o nepotismo: Ao assumir o Ministério, deixando o Senado, ele foi substituído por seu próprio filho, seu suplente.

A realidade, caríssimos leitores, é que Dilma Rousseff já conta com alguns pontos negativos na contabilidade de seu entorno:

Marco Aurélio Garcia é apontado como coordenador das propostas, José Dirceu é dito como o articulador de bastidores e Hugo Chávez afirma que Dilma é sua candidata. Além disso, o PMDB, partido do fisiologismo brasileiro, quer ter seus assentos no comando político da candidatura da Ministra.

Dito isso, só podemos constatar que o entorno de Dilma, já maculado, só iria piorar tendo Edison Lobão como Vice.

Temer, Meirelles e Costa são até bons nomes. Lobão não dá!

Se Lobão for o Vice de Dilma Rousseff, é impossível para mim cogitar votar na Ministra.

Atenção: PT e PMDB fecham pré-acordo para 2010

20/10/2009

Este blog informou, recentemente, que haveria um jantar na Granja do Torto, reunindo o Presidente Lula, coordenador de fato da campanha da Ministra Dilma Rousseff, a Ministra, Michel Temer, peemedebista mais próximo do governo atualmente, ministros do PMDB e parlamentares da legenda e também do PT.

O tema da refeição seria, claro, as eleições presidenciais de 2010. O PMDB estaria disposto a cobrar a vaga de Vice-Presidente da chapa do governo e a submissão do PT ao PMDB em diversos estados da federação. Foi dito que Lula, provavelmente, anuiria, o que faria com que, deste jantar, saísse um pré-acordo.

Pois bem. O pré-acordo saiu.

Segundo o Presidente petista Ricardo Berzoini, participante da reunião, foram formalizados compromissos políticos para que as duas siglas estejam juntas nas próximas eleições.

O fortalecimento da chapa de Dilma Rousseff que advém deste pré-acordo não deve agradar Ciro Gomes. Este sabe que sua única chance de viabilizar a candidatura a Presidente é continuar subindo nas pesquisas enquanto Dilma patina. Esta também é a esperança dos peemedebistas mais ligados à oposição.

O Governador Eduardo Campos (PSB-PE), comandante do partido de Ciro, chegou até a minimizar os efeitos do acordo, visando, claro, parecer mais senhor da situação.

Aparentemente, será divulgada em breve nota com detalhes sobre o acordo. Aguardemos.

PMDB se reunirá com Lula e espera convite para Vice de Dilma

20/10/2009

Como este blog tem noticiado, a ala governista do PMDB decidiu pressionar Lula e cobrar definições visando 2010. O começo das negociações para valer deve se dar hoje, em um jantar onde Lula, provavelmente, oferecerá a vaga de Vice da chapa governista para o partido.

Michel Temer e os demais peemedebistas que estão com Dilma têm certa pressa. Querem fechar logo um acordo para não correrem o risco de, no caso de novas pesquisas de intenção de voto demonstrarem uma Dilma mais frágil, perderem espaço para a corrente serrista dentro do PMDB. Além disso, decidiram fechar a aliança formal nacional para poder cobrar entendimentos estaduais.

Em suma, o PMDB oferecerá um apoio sabidamente menor do que as possibilidades do partido como um todo. Sabe-se muito bem que a federação fisiológica de caciques do PMDB nunca apoiará, unida, um único candidato a Presidente. Impossível.

E Lula sabe disso. Quer a aliança formal para ter a maior capilaridade possível nos estados e municípios e, principalmente, o tempo de televisão do PMDB no horário político gratuito de 2010. O Presidente sabe que o PMDB todo ele nunca terá. Os adversários também não.

Tendo isso a oferecer, a ala governista do maior partido do Brasil – em tamanho, claro – quer a vaga de Vice-Presidente da chapa do governo e que o PT se submeta ao PMDB em diversos estados da federação. Lula deve pagar esse preço sem ratear muito.

A expectativa é a de que a preferência por Michel Temer para ocupar a vaga de Vice seja explicitada, também, neste jantar, que se dará na Granja do Torto e reunirá Lula, o próprio Temer, ministros do PMDB e parlamentares.

Contudo, Temer está de olhos bem abertos para os nomes que ameaçam sua tranquilidade com relação ao posto: Henrique Meirelles (Presidente do Banco Central e filiado ao PMDB-GO) e Hélio Costa (Ministro das Comunicações e filiado ao PMDB-MG).

O curioso é o que o PMDB quer, além de resolver problemas regionais e a vaga de Vice, participar da coordenação da campanha de Dilma e da confecção do programa de governo da candidata.

Se atendido for o PMDB governista, teremos uma cúpula de candidatura presidencial com José Dirceu, Marco Aurélio Garcia e peemedebistas.

Coisa boa não pode sair. Vitória eleitoral talvez.

Enquanto isso, os peemedebistas oposicionistas, liderados por Orestes Quércia, aguardam as pesquisas. Acreditam que, se Dilma cair mais e mais, poderão convencer os peemedebistas mais indecisos a não referendar o apoio à Ministra na Convenção do partido que oficializará o posicionamento para as eleições de 2010.

A ver.

Tucanos ainda apostam em racha no PMDB

15/10/2009

Informa a Folha:

“Mesmo com a disposição da cúpula do PMDB de anunciar até novembro o apoio oficial do partido à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto em 2010, a oposição aposta no racha da legenda –capaz de garantir a adesão de parte dos peemedebistas ao PSDB na corrida presidencial.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse acreditar que até a formalização das chapas ‘muita água vai rolar’, uma vez que o PMDB tem pendências em diversos Estados para se coligar oficialmente com o PT.

‘Um certo comando do PMDB quer a aliança com a ministra Dilma. Muito tempo ainda nos separa da eleição. Os peemedebistas ainda estão se ajustando nos Estados’, disse Guerra.

Apesar da maioria do PMDB apoiar a aliança formal com Dilma, uma parte da legenda defende o embarque do partido na candidatura do governador José Serra (SP) –cotado como principal pré-candidato do PSDB em 2010.”

Este blogueiro acredita que a discussão a respeito do racha no PMDB deve ser dividida em dois pontos: O racha formal e o racha real.

Explico: O racha real já está garantido desde a morte do Dr. Ulysses Guimarães. O racha formal é que ainda é duvidoso.

Desde que Ulysses faleceu, o PMDB se tornou mais e mais fisiológico. Sem liderança incontestável, o partido se revelou uma federação de caciques, onde cada um age da forma que lhe for mais favorável.

Portanto, é fato consumado o racha real do PMDB. Uma ala estará com o PT e outra estará com o PSDB. E ponto final. Dependendo de quem vencer, a ala governista absorverá a ala oposicionista aos poucos, agradando assim aos interesses peemedebistas que se traduzem em cargos, vantagens, benesses e nomeações.

O racha real é o duvidoso pois diz respeito à aliança formal. Esta é a que pode acabar sendo tratada com o PT, dando a Dilma Rousseff o enorme tempo de televisão do PMDB.

Em resumo, o PSDB não precisa apostar que peemedebistas apoiarão José Serra. Isso já é certo como dois e dois são quatro.

A aposta que resta é a que diz respeito ao fato de a cúpula peemedebista, de maioria dilmista, não conseguir impor às bases indecisas e às bases serristas uma aliança formal precoce com o PT.

Pois bem. E onde está o xis da questão desta aposta?

No tempo. Se os peemedebistas serristas, unidos aos mais cautelosos, conseguirem empurrar a definição mais para frente, uma queda nas pesquisas de Dilma Rousseff poderá enfraquecer os argumentos dos peemedebistas dilmistas, fazendo o PMDB não apoiar formalmente nenhum dos candidatos, liberando os caciques para fazerem o que bem entenderem e dividindo por igual o tempo de televisão do partido mais fisiológico do Brasil.

Aliança formal com o PSDB não haverá. Isso eu afirmo. Orestes Quércia, o mais serrista, luta mesmo é pela liberação do voto.

A luta dos serristas é para conseguir o apoio dos cautelosos, que preferem esperar e, com isso, ganharem tempo para mostrarem que não apoiar ninguém oficialmente é a melhor opção para os desejos políticos do PMDB.

E se o desejo político do PMDB é estar no poder, quanto mais Dilma se distanciar dele, mais o partido se distanciará de Dilma.

A possibilidade de Dilma cair mais nas pesquisas dá o tom da pressa dos peemedebistas dilmistas, que querem fechar o acordo o mais rápido possível.

Neste momento surge a pergunta: Mas se eles sabem que ela pode cair, porque querem o acordo?

Explico: Por que sem acordo eles serão absorvidos pela ala vencedora de qualquer forma, não faz diferença. Com o acordo, terão a gratidão de um governo que, tendo vencido, os cobrirá de benesses.

Não é tudo ou nada para eles. É tudo ou algo. Se é assim, porque se contentar com algo ou algo?

É por isso que Michel Temer tem pressa. Quer um compromisso de Lula de que o seu partido mandará e desmandará no possível governo Dilma para convencer o PMDB.

Enquanto isso, muitos dizem que o PMDB não costuma entregar os produtos que vende.

PMDB fecha pré-acordo com o PT para indicar o Vice de Dilma

07/10/2009

Como esse blog vinha comentando, a parcela do PMDB que deseja a aliança com o PT em torno de Dilma decidiu acelerar o processo de negociação com o governo de Lula.

A cúpula peemedebista espera que o Presidente decida até semana que vem se o partido ocupará mesmo a Vice-Presidência na chapa do candidato apoiado pelo governo.

Em resumo, os peemedebisas dilmistas querem uma garantia o quanto antes. Precisam dela para subjugar os peemedebistas que pendem para Serra e que ganharam força com a patinada de Dilma nas pesquisas.

A ideia de apressar o diálogo é, além de diminuir o ânimo dos serristas liderados por Quércia, estancar as eventuais dissidências peemedebistas nos Estados.

Após o jantar realizado nesta terça, com a participação dos principais nomes do PMDB, como o Presidente do Senado, José Sarney (AP), o Presidente da Câmara, Michel Temer (SP) e vários ministros, entre eles o da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que o “pré-noivado” está praticamente firmado.

O chamado “pré-noivado” nada mais é do que a decisão do PMDB de lançar um peemedebista para concorrer à Vice-Presidência da República na chapa da Ministra Dilma.

Os líderes do partido querem formalizar até o início de novembro a aliança com os petistas, mas o comando nacional do PMDB já decidiu que vai indicar um nome para a Vice-Presidência na chapa do PT, mesmo que parte da bancada, incitada pelos serristas, seja contrária à união com o governo.

“Tem acordo para que o PMDB seja o Vice. Só isso”, disse Temer. Cotado para ser lançado a Vice de Dilma, ele disse que “o nome só sai no ano que vem”.

Porém, a parte da bancada que discorda da aliança com o PT ainda tentará reverter o quadro, afinal, a aliança ainda não foi formalizada totalmente, tendo sido apenas declarado um “pré-acordo”, baseado no desejo dos peemedebistas dilmistas que, hoje, são maioria na cúpula do partido.

A esperança do grupo de Quércia, os serristas do PMDB, é a de adiar a decisão para a Convenção da legenda que só se dará no meio de 2010. Lá, tentariam ser maioria com o auxílio dos peemedebistas indecisos que não fazem parte da cúpula, mas que tem direito a voto na Convenção.

Alguns peemedebistas, sejam serristas ou apenas mais cautelosos, também criticam a pressa na consolidação do apoio a Dilma porque consideram muito cedo para definir alianças estaduais e porque, desejando estar sempre com o poder para manter seu fisiologismo, receiam uma queda maior da Ministra nas pesquisas.

“Não sou partidário dessa antecipação toda. Deveríamos ouvir as bases do partido, ter mais segurança”, afirmou, por exemplo, o Senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Enquanto os peemedebistas que querem se aliar ao PT comemoram o “pré-acordo” e esperam pressionar Lula com ele, buscando uma definição rápida, os seus companheiros de partido que preferem Serra desejam adiar a decisão, torcendo para que uma queda contínua de Dilma nas pesquisas enfraqueça os que simpatizam com o governo e convença os indecisos de que Serra é a melhor opção.

No fim das contas, a questão que racha o PMDB expõe não é afinidade de diferentes grupos com uma ou outra chapa, e sim fome de poder. Cada grupo acha que poderá proteger melhor seu quinhão caminhando ao lado de sua escolha. E agora não há mais retorno: Os que defendem um lado já perderam prestígio com o outro. Mudar de lado não adiantaria, pois não haveria espaço em um novo governo.

Os dilmistas e os serristas fazem suas apostas. De qualquer forma o PMDB estará rachado de fato. Oficialmente, os dilmistas querem estar com o PT, para dar ao governo o tempo de televisão.

Dependendo de quem vencer em 2010, uma das alas peemedebistas estará no poder. A outra, não se iludam, não será alijada. Apenas terá menos espaço, sendo absorvida aos poucos em nome da promíscua “governabilidade”.

A luta para ser a ala que absorve e não a absorvida, já que essa tem mais benefícios e cargos, continuará.

Os dilmistas estão em vantagem, principalmente após a aceleração proposital do diálogo e a conquista do “pré-acordo”, porém ainda temos de aguardar pela definição final.

Temer quer que Lula prometa a Vice para garantir PMDB com Dilma

03/10/2009

Informa Felipe Patury, na Veja:

“Na semana passada, o PMDB governista definiu sua estratégia para garantir o apoio da agremiação à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata petista à Presidência da República.

Pretende convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a oficializar que a indicação do vice cabe ao PMDB. Também quer arrancar dele uma carta na qual o PT reiteraria esse compromisso.

A declaração – ou a carta – seria usada para justificar uma manifestação do conselho político do PMDB em favor de Dilma.

Com isso, os governistas acreditam que atingiriam dois objetivos: encurralariam os peemedebistas de oposição e, simultaneamente, acabariam com as especulações de que o posto de vice de Dilma poderia ser oferecido ao PSB, de Ciro Gomes.

A missão de conversar com Lula foi dada ao presidente da Câmara, Michel Temer – que deseja ser ele mesmo o segundo da candidata petista.”

O Perspectiva tem comentado que, por conta da patinada de Dilma Rousseff nas pesquisas, tem sido mais complicado para os peemedebistas governistas fechar a aliança formal entre o partido e o governo, o que, no caso, representa uma coligação entre PT e PMDB em âmbito nacional.

Michel Temer, um dos dilmistas mais ferrenhos do PMDB, ficou encarregado, como comenta a nota reproduzida acima, de conseguir uma promessa de Lula com relação ao fato de a vaga de Vice na chapa de Dilma Rousseff ser do PMDB.

Curioso é observar que Temer está incumbido de garantir a vaga que ele mesmo deseja para si. Talvez tenha sido escolhido exatamente por isso. Pode-se imaginar o ânimo com que Michel Temer tentará arrancar de Lula um aval que pode lhe beneficiar pessoalmente.

Enquanto isso, os peemedebistas serristas percebem que podem acabar por conseguir que o partido não feche aliança formal em torno de uma das candidaturas presidenciais, o que, para eles, já estaria de bom tamanho, afinal, seria retirado de Dilma, pelo menos, o tempo de televisão que o PMDB poderia lhe dar.

Obviamente, o PMDB estará dividido de fato, porém, justamente para não conceder a Dilma o tempo de televisão, os peemedebistas oposicionistas desejam desmontar a aliança formal.

Pode parecer que o PMDB e o PT estão próximos de uma aliança, porém, a pressa de Temer com relação à obtenção de uma promessa de Lula no que tange a reserva da vaga de Vice de Dilma para o PMDB, demonstra que os peemedebistas dilmistas sabem que, se deixarem o tempo correr, a aliança formal pode ser desmantelada, principalmente, porque novas pesquisas vêm aí.

Orestes Quércia e os serristas do PMDB tentam, ao contrário, adiar a decisão sobre o posicionamento nacional da legenda. Esperam exatamente que Dilma caia mais e que o apoio a ela enfraqueça.

Não é possível, nesse momento, afirmar o entendimento que prevalecerá.

Embora o grupo dilmista esteja mais próximo do êxito, o momento de avanço é de seus contendores.