Por Arthurius Maximus*
Pois é, o Rio de Janeiro ganhou mais um “prêmio”. A Polícia Federal colocou o Rio como líder do Ranking dos Crimes Eleitorais, divulgado nesta última semana. Isso choca? Isso surpreende? Isso é perseguição com o Estado?
Claro que não. Basta analisar o que temos em nossa Câmara de Deputados para perceber, rapidamente, que a qualidade dos políticos cariocas e fluminenses é sofrível. Com a baixa qualidade de políticos há também a constatação de que os eleitores do Estado também são de baixa qualidade. Isso pode chocar, mas é lógico.
Afinal de contas, os políticos que aí estão não caíram do céu ou vieram de Marte. São frutos da sociedade fluminense e escolhidos por cada um de nós. Raras são as exceções e grande é a maioria que está envolvida com ilícitos, máfias, milícias e todo tipo de irregularidades.
A começar pelo ex-Presidente da Assembleia Legislativa - e hoje candidato ao Senado – que foi acusado, entre outras coisas, de ter trabalhadores escravos em suas fazendas. Apesar de ter sido pego em flagrante pela fiscalização, Jorge Picciani deu a velha desculpa: “eu não sabia” – e a mais velha ainda – “foi o encarregado que contratou assim sem a minha autorização” – e se safou ileso e incólume graças à estranha benevolência que a justiça brasileira tem com os escravocratas poderosos desse nosso País de contrastes.
Não satisfeito com a “folha”, Picciani ainda está envolvido em supostas denúncias de irregularidades e picaretagens envolvendo ONGs e desvio de verbas.
Mas, não podemos ficar só nele. Se fosse “passada uma peneira” na ALERJ, poucos sobreviveriam. Essa má qualidade e esse alto nível de crimes eleitorais e de descaso do eleitor com o seu voto, refletem-se cruelmente na decadência do Estado e nas péssimas administrações da capital e das cidades do interior. Falência na educação, na segurança, na conservação do patrimônio e nos impostos cada vez mais altos para bancar as mansões, as negociatas e as comissões pagas a torto e a direito para quem quiser “entrar no esquema”.
O próprio comício de Lula e Dilma no centro do Rio foi um festival de irregularidades e de crimes eleitorais dos mais grotescos e amadores. Kombis a serviço da prefeitura – devidamente identificadas com o logo dos respectivos órgãos – foram flagradas carregando material eleitoral para o comício, num ato bárbaro de uso da máquina. Ônibus pagos pelas prefeituras do interior levaram os poucos gatos pingados que foram até o comício e, apesar de estarem em presença maciça, transportavam poucas pessoas – como comprovado pelo deputado Fernando Gabeira, ao constatar que os ônibus pagos pela Prefeitura de Japeri para 96 pessoas traziam apenas 16.
Uma quantidade enorme de pessoas recebeu um pagamento para comparecer ao comício e ficar gritando “palavras de apoio” aos candidatos e servir de claque. Tudo isso devidamente filmado, documentado e, em breve, representado ao Ministério Público Eleitoral pelos outros partidos envolvidos na eleição.
Como esperar respeito às leis se os próprios partidos toleram e incentivam a desobediência a elas? Como limpar o Estado dos corruptos, dos malandros, dos aproveitadores e daqueles que burlam as leis, se a própria população aceita se corromper por qualquer caraminguá e comparece a um comício “plantado”?
E aqui, por favor, vamos deixar a mesquinhez ideológica de lado e compreender o fato de que um político que viola uma lei – porque lhe é conveniente – violará todas. Seja de qualquer partido e de quaisquer orientações ideológicas, quem não consegue seguir a lei que determina a igualdade de oportunidades ao acesso do cargo que pretende exercer não pode ser encarado como candidato “viável” ou “sério”. Deve, sim, ser tratado como mais um malandro querendo “arrumar um qualquer”.
Enquanto o eleitor não compreender que é dele a culpa pela roubalheira, os altos impostos, a educação de péssima qualidade, a saúde com padrão mortal, todas as mazelas que experimentamos no nosso dia a dia, o Rio de Janeiro e o Brasil jamais mudarão.
Afinal de contas, mesmo a Lei da Ficha Limpa se tornaria ultrapassada se cada um de nós soubesse como é importante o ato de votar e que o voto não começa e termina ao digitarem-se alguns números numa maquininha esquisita.
Pense nisso.
*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica










