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Análise: Senado mineiro – Aécio e Itamar lideram pesquisa

27/05/2010

O jornal O Tempo, de Belo Horizonte, divulgou pesquisa realizada pelo DataTempo/CP2, visando aferir as intenções de voto para o Senado de Minas Gerais. O levantamento foi feito entre os dias 14 e 17 de maio, entrevistou 2.043 pessoas e tem margem de erro de 2,19 pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Cenário 1 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 72,88%

Itamar Franco (PPS) – 45,47%

Hélio Costa (PMDB) – 44,45%

Clésio Andrade (PR) – 6,41%

Cenário 2 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 77,68%

Itamar Franco (PPS) – 57,41%

Fernando Pimentel (PT) – 17,77%

Clésio Andrade (PR) – 8,52%

Cenário 3 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 77,09%

Itamar Franco (PPS) – 59,76%

Patrus Ananias (PT) – 14,30%

Clésio Andrade (PR) – 9,10%

Os resultados permitem algumas conclusões inegáveis:

Aécio Neves tem uma popularidade astronômica, fenomenal, inigualável, em Minas Gerais. Praticamente 80% dos mineiros desejam dar seu 1° ou seu 2° voto a Aécio. E olhem que ele esteve viajando e longe da mídia. Em campanha, o percentual pode aumentar.

Aécio representa mais para Minas do que Lula para o Brasil. Impressionante.

Quanto ao grande Presidente Itamar Franco, seu patamar confirma o que o Perspectiva diz há meses: Aécio está eleito e Itamar só teria adversário de José Alencar concorresse.

Estando Alencar fora da corrida pelo Senado mineiro, Itamar está caminhando rumo à Casa alta do Legislativo nacional.

Com relação aos representantes de PMDB e PT, percebe-se que Hélio Costa tem bons patamares tanto nas pesquisas para o governo, como nas pesquisas para o Senado. Mas é o único.

Fernando Pimentel parece ter mais chances de conquistar o governo se convencer o PMDB a apoiá-lo do que de ganhar vaga no Senado.

A realidade é que, surpreendentemente, os políticos mineiros têm mais chance de conquistar o governo do que o Senado.

O que acontece é que na disputa pelo governo Aécio não pode estar.

Se aceitar ser o Vice de José Serra, não estará na disputa pelo Senado também.

Nesse caso as chances dos outros aumentam.

A prova de fogo de Aécio é a eleição de seu sucessor, Antonio Anastasia.

Ser Vice de Serra ou ser candidato ao Senado, o que for melhor para ajudar Anastasia a vencer ele fará.

Está até agora convencido de que a segunda opção é melhor.

Poderá andar por Minas de braços dados com seu pupilo.

PSC e PRB ainda se decidem entre Serra e Dilma

01/05/2010

Informa Ilimar Franco sobre a indecisão do PSC no que diz respeito à corrida presidencial deste ano:

“Os 52 segundos do PSC na TV são disputados nos bastidores. Ontem, o presidente do PSC, pastor Everaldo Pereira, reuniu-se com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). ‘Está amarrado, eles nos apóiam e terão espaço no governo’, resume Guerra.

‘A gente merece um ministério’, diz o líder Hugo Leal (RJ), que prefere uma aliança com o PT. O pastor Everaldo irá até Dilma Rousseff. O encontro foi acertado ontem, por telefone, com Giles Azevedo, que comanda a agenda da petista.”

Informa Leandro Mazzini, desta vez sobre a indecisão do PRB no que diz respeito à corrida presidencial deste ano:

“Não vai nada, nada bem a relação política do PRB com o PT para apoiar Dilma Rousseff na sua candidatura à Presidência. Maior nome do partido, o vice-presidente, José Alencar chegou a dizer: ‘Ofensa ao meu partido é ofensa a mim elevada à décima’.

Em síntese, o PRB hoje é aliado do presidente Lula, não de Dilma. A cúpula do partido reclama de ingerências do comando petista e da falta de diálogo para compor a chapa. Prova disso é que o PRB já libera seus diretórios e faz coligações com partidos alinhados ao tucano José Serra em seis estados.

Sérgio Guerra, presidente do PSDB, comanda as conversas.”

Coluna do dia: Eleição em Minas é uma das mais indefinidas

13/04/2010

Por Alexandre Campbell*

Tudo indica que o candidato do governo federal em Minas será o Senador Hélio Costa (PMDB), mas em função das resistências locais, o apoio do PT à sua candidatura ainda não foi oficializado.

Costa enfrentará o Governador Antonio Anastasia (PSDB), que assumiu após a desincompatibilização de Aécio Neves.

É uma eleição sem favorito: um com a máquina estadual nas mãos e o apoio do popular ex-Governador e o outro escorado na popularidade de Lula, bem quisto entre os mineiros.

Quanto ao Senado, a indefinição permanece. Sabe-se que uma vaga é de Aécio Neves (PSDB), como uma seria de José Alencar (PRB), que decidiu não concorrer nestas eleições.

E se Aécio topar ser Vice de Serra?

Fica tudo em aberto. Criam-se chances para Itamar Franco (PPS) e Patrus Ananias (PT).

Para o Governo é importante esperar as próximas pesquisas eleitorais.

Anastasia, que pontuava na casa dos 15% até março, deve subir após ter assumido o cargo de Governador.

Caso o Senador peemedebê Hélio Costa continue superando os petistas Fernando Pimentel e Patrus Ananias por larga margem, o poder de resistência do PT de Minas cai.

Dizem que Minas é o termômetro do País. O cenário local é de uma eleição acirrada e reflete o que podemos esperar da eleição presidencial. Em todas as eleições desde a redemocratização, o Presidente eleito sempre venceu em Minas.

Este ano não deve ser diferente.

*Alexandre Campbell, escrevendo excpecionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças, jornalista, estudante de Marketing Político e autor do Blog do Campbell, onde escreve diariamente sobre política.

Alencar desiste de disputar as eleições e Sarney não assumirá mais a Presidência

09/04/2010

Informa o Globo:

“O vice-presidente da República, José Alencar, que trava uma batalha contra um câncer no abdome há 12 anos e já realizou 15 cirurgias, anunciou nesta sexta-feira que vai assumir a Presidência da República no domingo, desistindo assim de concorrer a uma vaga no Senado nas eleições de outubro. Alencar, de 78 anos, disse que vai cumprir o mandato até o último dia.

- Subi a rampa junto com Lula, e vou descer junto com ele – afirmou.

O vice-presidente conversou na quinta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando comunicou sua decisão.

- Só aceitaria uma candidatura se tivesse curado. Eu me sinto curado, me sinto muito bem, mas continuo fazendo quimioterapia. Não seria honesto ser candidato fazendo quimioterapia – afirmou o vice. – Cientificamente não posso dizer que estou curado.

Com a desistência de Alencar em disputar o pleito neste ano, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não irá mais assumir a Presidência com a viagem de Lula. O presidente viajará domingo para Washington (EUA) para participar da reunião de cúpula sobre segurança nuclear.

Pelas regras eleitorais, não há necessidade de o vice-presidente da República se desincompatibilizar do cargo para concorrer às eleições. A exigência é que ele não substitua o presidente em suas ausências nos seis meses anteriores ao pleito, ou desde abril. Se houver a substituição, o vice fica inelegível. “

Com um ato só, Alencar nos livra de Sarney na Presidência, demonstra sua grandeza e assume sua fragilidade.

José Alencar: Sempre, sempre, um homem elevado.

Ponto final.

Perspectiva previu a vergonha: Sarney assumirá a Presidência!

08/04/2010

Disse este que vos fala no início do ano:

José Alencar deixará a Vice-Presidência ou, no mínimo, não assumirá interinamente o cargo de Presidente da República, afinal, se o fizer, não poderá concorrer ao Senado por Minas Gerais ou ao governo do estado como desejam alguns governistas.

Michel Temer não poderá, tampouco, assumir a Presidência, se quiser ser Vice de Dilma Rousseff.

José Sarney ainda tem mais da metade de seu mandato no Senado. Está em situação cômoda e não se preocupa com desincompatibilizações.

Portanto, chegamos à seguinte conclusão:

A partir de abril, Temer e Alencar não assumirão a Presidência quando Lula viajar.

O Presidente em exercício será…

…José Sarney!

Pois bem. Confiram o que diz, hoje, o Globo:

“O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), voltará a assumir a Presidência da República domingo à noite, quando o presidente Lula viajará para Washington, para participar da reunião de cúpula sobre segurança nuclear. Sarney reassume o cargo 25 anos depois de ter passado a comandar o país em função da doença e morte do presidente Tancredo Neves.

Embora já tenha presidido o Senado outras vezes — terceiro cargo na linha sucessória —, é a primeira vez que assumirá a Presidência desde que deixou o posto, em março de 1990.

O vice-presidente José Alencar terá uma agenda em Montevidéu, no Uruguai, para o mesmo período. Ele não pode assumir a Presidência se quiser concorrer em outubro.

O segundo na linha sucessória, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), também não poderá assumir a Presidência para não ficar inelegível. Ele procura um destino fora do Brasil para ficar entre domingo e quarta-feira.”

O Perspectiva previu de forma certeira o que poderia ocorrer após o prazo de desincompatibilização: Menos de uma semana após o fim do prazo, já se fala em Sarney assumindo a Presidência. Só não via quem não queria ver.

Repito o que disse à ocasião da previsão que fiz sobre o tema:

Talvez tenha sido para isso que Lula e Dilma lutaram tanto pela salvação de Sarney na crise do Senado.

Dá-lhe Brasil!

Hélio Costa próximo de receber apoio do PT em Minas

07/04/2010

Informa o jornalista Ricardo Noblat:

“É só uma questão de tempo, e de pouco tempo, para que o PT mineiro anuncie seu apoio à candidatura de Hélio Costa (PMDB) à sucessão do ex-governador Aécio Neves (PSDB).

Trata-se agora de acalmar as bases do partido que se opõem ao acordo com o PMDB empurrado goela abaixo por Lula e Dilma.

O ex-prefeito Fernando Pimentel e o ex-ministro Patrus Ananias não são mais empecilhos.”

Como bem coloca o jornalista na continuação de seu comentário, uma coisa é o PT apoiar oficialmente Hélio Costa, outra coisa é o partido se dedicar na campanha. São outros quinhentos.

Com a proximidade dessa definição do lado governista em Minas, desenha-se uma eleição polarizada como a nacional: Antonio Anastasia (PSDB-DEM) versus Hélio Costa (PT-PMDB).

Anastasia tem o governo, agora que Aécio deixou o cargo em suas mãos. Costa tem a liderança nas pesquisas.

Anastasia tem Aécio. Costa terá Lula.

Vai pegar fogo essa eleição que já seria acirrada pelo cenário que se desenha e que poderá se colocar ainda mais emocionante se for confirmado o caráter decisivo de Minas Gerais no que diz respeito à eleição presidencial.

Para o Senado, por exemplo, onde existem apenas duas vagas em disputa, nomes como Aécio Neves, José Alencar e Itamar Franco podem se colocar na corrida.

Minas vai ferver!

Em tempo: A definição de Hélio Costa como candidato em Minas e a manutenção de Henrique Meirelles no Banco Central meio que sacramenta que o Vice de Dilma Rousseff será, realmente, o Presidente da Câmara, Michel Temer. Isso só mudará se o PMDB sair da aliança, o que é improvável. Se isso acontecesse, o Vice seria Ciro Gomes.

2ª Coluna do dia: Minas – Indecisa, mas decisiva

31/03/2010

Por Rafa Policarpo*

Terra da prosperidade, do café com do pão de queijo, das belezas naturais, das misses que encantam o mundo e de nomes marcantes na política,  e que continua marcando presença no cenário político nacional.

Minas Gerais, berço de Juscelino, de Tancredo, de Milton Campos e de muitos outros que perpetuam-se na história política brasileira, continua representando sua figura decisiva nas eleições desse País.

Hoje, concentra-se em Minas o ponto principal que certamente deve reafirmar a aliança entre PT e PMDB e que ajudou a eleger o Presidente Lula. No estado, existem três nomes fortes e recentemente mais um entrou na concorrência para ocupar o cargo que atualmente é de Aécio Neves.

O primeiro deles e o que mais possui chances de vencer as eleições ao governo do estado é o Ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB), porém os petistas cogitam lançar candidato próprio já que dois nomes aparecem com forte evidência, sendo estes o do Ministro do Desenvolvimento e Combate à Fome, Patrus Ananias, e o ex-Prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

Nos últimos dias, também por essa chapa liderada com base petista e peemedebista, soou um nome forte, que poderia amenizar a situação dentro da aliança e compor de vez a chapa liderada por Dilma para a Presidência da República: O Vice-Presidente José Alencar (PRB) tem sido enfatizado e apoiado para disputar o Palácio da Liberdade.

Rumores da imprensa nos últimos dias indicaram que o PT poderia desistir de lançar um nome próprio em Minas caso isso fosse parte das exigências do PMDB para uma aliança a nível nacional, mas até o momento nada foi decidido entre a aliança estadual, e consequentemente, o Vice de Dilma.

Ainda falando da política nacional e da representação de Minas nesse contexto, o então Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, foi e continua sendo, pelo menos até a decisão de Serra e da alta cúpula do PSDB, um nome forte para a outra chapa com maiores chances.

Aécio minimiza e disse que irá concorrer ao Senado da República, mas lideranças ainda tentam convencê-lo que ele é o nome ideal para formar a chapa pura tão sonhada entre os militantes juntamente com o Governador de São Paulo, José Serra.

Para a sucessão de Aécio no estado é quase certo que seu Vice, Antonio Anastasia, participe, restando apenas a oficialização, até porque o atual Governador, Aécio Neves já fala abertamente que seu vice será o candidato a sucessão ao governo pelo PSDB.

Dentro da aliança peessedebista, as coisas andam mais calmas, apesar de que ainda existe pouca confiança no nome de Anastasia, mas existem dois prováveis candidatos ao cargo, hoje ocupado pelo professor: O ex-Ministro do Esporte e Turismo do governo FHC e hoje deputado federal, Carlos Melles (DEM) e o Presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Alberto Coelho Pinto (PP), sendo o último defendido até mesmo por parte dos democratas mineiros.

Sabendo da importância do estado, considerado o segundo maior colégio eleitoral do País, qualquer partido tem o sonho de conquistar esse território, identificando a relevância de votos que poderia conseguir em eleições futuras. Certamente Minas renderá ainda muitas pautas de reuniões entre os partidos e lideranças para desenrolar a política nacional.

*Rafa Policarpo, colunista do Perspectiva às quartas, é estudante de propaganda e publicidade, amante do marketing político e editor do blog RafaPolicarpo.

Análise da disputa pelo Senado em Minas: Três nomes fortes – Um ficará pelo caminho

26/03/2010

A disputa pelo Senado em Minas Gerais contará com um rol de competidores digno de ser o da eleição ao governo do estado. Aliás, diga-se de passagem, o rol em questão é digno até de ser o da eleição presidencial. Trata-se de três árvores de raízes firmes, tronco robusto e copa frondosa.

Chega a ser uma injustiça que uma contenda conte com Aécio Neves (PSDB), José Alencar (PRB) e Itamar Franco (PPS) e possa agraciar apenas dois como vitoriosos. Qualquer um com um mínimo de conhecimento da política nacional sabe que afirmar que estes nomes poderiam tranquilamente ser os que disputam o Planalto não é nenhum exagero.

Aécio Neves tem no currículo a tradição do sobrenome, a atuação destacada na Câmara dos Deputados e a gestão elogiadíssima em um estado como Minas Gerais, que o colocou como pré-presidenciável.

José Alencar traz consigo uma história de sucesso profissional e pessoal com a Coteminas, o respaldo da ação sensata e louvável como Vice-Presidente e o exemplo de superação na luta contra um câncer que teima em retornar a cada vez que é vencido.

Itamar Franco é sinônimo de integridade na política, com trajetória política rica, vitoriosa e de poucas concessões ao que é condenável, sendo lembrado sempre pela honesta e bem-sucedida presidência, que colocou o Brasil nos trilhos pelos quais circula hoje.

Percebe-se, portanto, que Minas Gerais está bem servida de candidatos ao Senado, mais representativos e significativos até que os candidatos ao governo do estado. O Brasil, como um todo, com certeza ficaria feliz, ressalvada a quase impossibilidade de se ter todos os candidatos a Presidente advindos de um só estado, de ter nomes como esse disputando a Presidência.

Acontece que, estando os três na disputa pelo Senado, um acabará ficando pelo caminho. Infelizmente. O Senado se enriqueceria muito com a presença conjunta deste trio, mas uma das árvores não fincará suas raízes por lá.

Aécio Neves e Itamar Franco farão dobradinha se realmente concorrerem os dois. Um indicará o segundo voto no outro. José Alencar se situará do lado governista, provavelmente fazendo sua dobradinha com alguém do PT. Um alguém que está longe de ser definido, talvez por todos saberem, justamente, que a disputa é de gente grande.

Confirmado este cenário, pode-se prever que Itamar seja o candidato com menos chances. Teria tudo para ser eleito em outras circunstâncias, mas Alencar e Aécio são praticamente unanimidades em Minas. Itamar, Aécio e Alencar têm magnitude, fornecem madeira de lei, mas os dois últimos têm mais popularidade nos dias de hoje. Suas madeiras estão mais na moda.

Sendo assim, talvez Itamar seja aquele que ficará pelo caminho.

Resta saber se, prevendo isso, o ex-Presidente ficará pelo caminho nas eleições ou já agora, retirando sua candidatura e concorrendo ou como Vice de Antonio Anastasia ou à Câmara de Deputados. Em todo caso, não se tratará de uma árvore tombada.

Contudo, todo o cenário muda se um dos outros dois se retirar da disputa:

Alencar por questões de saúde e Aécio por questões de pressão tucana para que seja o Vice de José Serra.

Quem dará mais frutos em outubro?

A ver.

Análise Geral: Campanha antecipada e testes de repercussão – Ironia e deboche perpassam estratégias do governo

08/03/2010

Não é novidade para ninguém que acompanha o cenário político com alguma frequência que o governo e sua candidata, Dilma Rousseff, estão em campanha aberta.

O curioso – para não usar outro termo – é que, mesmo assim, muitos governistas têm a capacidade nada louvável de dizer, de peito aberto, que não há campanha alguma.

Um certo deboche e uma certa ironia estão no ar constantemente quando se trata das respostas dos ocupantes do Planalto às perguntas a respeito da campanha antecipada feitas pela imprensa.

Continua valendo uma frase que digo e repito há meses: Digam-me que a campanha antecipada deveria ser permitida, mas não me digam que não está havendo campanha.

Em suma, afirmar que a pré-campanha escrachada deveria ser legítima é um argumento válido. Nos Estados Unidos, por exemplo, vigora um sistema onde os pré-candidatos têm grande exibição. Contudo, sendo a campanha antecipada hoje, no Brasil, uma infração eleitoral, não se pode dizer, sem se enganar, que Lula e Dilma não transgridem.

Recentemente chegou aos nossos ouvidos a notícia de que o Planalto pagou pesquisa sobre a repercussão e a popularidade, entre a população, dos programas do governo apontados como concebidos por Dilma Rousseff.

Nossos bolsos financiaram aferição de tendências que será utilizada como embasamento para estratégias eleitorais do governo. O que poderia ser mais uso da máquina do que isso?

Entretanto, o Planalto nega que tenha se valido de esperteza, afirma que não é bem assim.

E dá-lhe cinismo!

Também recentemente, Dilma Rousseff foi convidada pelo Governador Sérgio Cabral para inaugurar um hospital que não teve um centavo do governo federal empenhado em sua construção.

Por mais que Dilma nada tenha a ver com a obra – que, pelo menos, homenageia merecidamente Heloneida Studart -, a Ministra foi convidada para usufruir da vitrine.

Nenhum fiscal do TRE-RJ estava no evento, claramente utilizado como palanque.

E dá-lhe deboche!

Quando pensamos que não pode piorar, piora:

Em evento da Petrobras na Praia de Copacabana, a diretora de Gás e Energia, Graça Silva Foster, largou a fala institucional e partiu para a politicagem. Ela afirmou que terá uma candidata que é certamente mais talentosa que qualquer outra que esteja concorrendo.

Questionada por conta da campanha clara e cristalina, respondeu:

- Na minha opinião ela é mais competente que qualquer outra, mas não citei o nome dela. Só disse que há uma mais talentosa que as demais, mas não disse quem.

E dá-lhe ironia!

Por fim, surgiu também recentemente o boato de que Lula começou a cogitar mais fortemente se licenciar da Presidência para rodar o Brasil com Dilma, visando fortalecer a candidatura da Ministra.

O destaque dessa informação não era bem a licença de Lula, mas o fato de ela poder resultar, provavelmente, em termos José Sarney como Presidente interino, já que José Alencar e Michel Temer, antecessores de Sarney na linha sucessória, não poderiam assumir sob pena de não poderem ser candidatos a cargos eletivos em outubro.

Pois bem. A notícia veio, o governo pôde ter um termômetro da repercussão popular que a medida teria e, logo depois, o Planalto a desmentiu.

Fica claro o que houve e diversos analistas confirmam: O governo vazou a notícia propositadamente para “sentir” como seria a reação do grande público. Atingido o objetivo, negou de forma ferrenha a informação, dando uma “barriga” na imprensa e desrespeitando o cidadão que se surpreendeu sem motivo.

E dá-lhe desfaçatez!

Como se pode perceber, as estratégias do governo estão sendo claramente perpassadas pelo deboche e pela ironia.

Faz-se campanha escancarada e diz-se que não se está fazendo.

Faz-se referência velada a Dilma e diz-se que nenhum nome exato foi pronunciado.

Planta-se um furo de reportagem na imprensa e nega-se mais tarde, quando o objetivo real já foi alcançado.

Um governo, responsável pela administração dos nossos impostos, proteção das nossas fronteiras e defesa dos nossos interesses não poderia se portar dessa forma.

Presidência é coisa séria. A sucessão também.

Mas alguns não estão enxergando dessa forma. E isso é condenável.

Não podemos viver em um País onde o que vale é ser esperto, onde o que importa é driblar os obstáculos legais e onde o que interessa é contornar os problemas jurídicos.

Pior ainda quando essas máximas são pregadas nas entrelinhas pelo próprio governo da nação!

Qualquer um que se comportar assim merece duras críticas. Esteja no lado que estiver, no cargo que estiver, apoiado pelos aliados que tiver.

No caso de Lula, a comentadíssima foto reproduzida acima demonstra que ele, literalmente, leva Dilma pelo braço. E isso se dá pois só assim ela tem chances de vitória.

Acontece que não precisa ser da forma como tem sido: Cínica.

Pede-se apenas menos esperteza e mais republicanismo.

Simples assim.

Acredite se puder: Sarney governará o Brasil

13/02/2010

Como todos devem saber, a linha sucessória do governo brasileiro se dá da seguinte maneira: Na ausência do Presidente, assume o Vice. Na ausência desse, assume o Presidente da Câmara, representando o povo brasileiro. Na ausência deste, assume o Presidente do Senado, representado os estados brasileiros. Por fim, na ausência deste, assume o Presidente do Supremo Tribunal Federal, representando a Justiça e a lei.

No caso, hoje, temos a seguinte sequência: Luiz Inácio Lula da Silva, José Alencar, Michel Temer, José Sarney e Gilmar Mendes.

Pois bem. Nos proponhamos a analisar esta linha sucessória na prática, sob a luz da necessidade de muitos políticos de se manterem desincompatibilizados para poderem concorrer a cargos eletivos em outubro deste ano:

Lula terminará o mandato. Não deixará a Presidência para concorrer a um cargo no Legislativo, como uma vaga no Senado, por exemplo. Contudo, pode se licenciar da posição por algumas semanas se for concluído que ele é muito necessário no cotidiano da campanha de Dilma Rousseff na reta final dela.

José Alencar deixará a Vice-Presidência ou, no mínimo, não assumirá interinamente o cargo de Presidente da República, afinal, se o fizer, não poderá concorrer ao Senado por Minas Gerais ou ao governo do estado como desejam alguns governistas.

Michel Temer não poderá, tampouco, assumir a Presidência, se quiser ser Vice de Dilma Rousseff.

José Sarney ainda tem mais da metade de seu mandato no Senado. Está em situação cômoda e não se preocupa com desincompatibilizações.

Portanto, chegamos à seguinte conclusão:

A partir de abril, Temer e Alencar não assumirão a Presidência quando Lula viajar.

O Presidente em exercício será…

…José Sarney!

E a coisa piora:

A partir de setembro, reta final da campanha presidencial, Lula poderá se licenciar e Temer e Alencar continuarão a não poder assumir a Presidência.

O Presidente da República interino será…

…José Sarney!

É Sarney com a faixa presidencial outra vez…

Acredite se puder.

Talvez tenha sido para isso que Lula e Dilma lutaram tanto pela salvação de Sarney na crise do Senado.

Dá-lhe Brasil!