Postagens com a palavra-chave ‘Alemanha Oriental’

Coluna do dia: Os direitos humanos e os humanos malandros

11/01/2010

Por Arthurius Maximus*

Pode o Presidente de uma nação que almeja ser uma grande potência mundial assinar um decreto sem ler? Mesmo que admitamos que o Presidente (de qualquer País do mundo) tenha a obrigação de entender o palavreado e os profundos meandros da lei e do “juridiquês” característico de um projeto de lei, é sensato imaginar que, pelo menos, uma sinopse simplificada do documento deva ser analisada e o mesmo só assinado após um entendimento razoável de seus efeitos sobre a vida do cidadão e sobre os destinos da nação.

Você já imaginou Obama assinando um decreto apresentado por um assessor racista banindo a participação de imigrantes da economia americana? Já imaginou o Sarkozy assinando uma ordem trazida por um assessor enlouquecido para trocar a baguete pelo pão francês? Ou já pensou no Putin banindo a vodka da Rússia através de um decreto redigido por um membro do AA (alcoólicos anônimos) local?

Pois é, nem com bom humor podemos pensar em algo assim. Assinar um decreto que tem valor de lei quase imediato ou imediato (dependendo das circunstâncias) é uma enorme responsabilidade. E se um assessor louco te entregar um decreto de declaração de guerra? Depois você vai explicar que assinou sem ler um documento que tem valor imediato?

Por isso, as explicações de Lula afirmando que assinou o decreto que acaba com a propriedade privada, com a Lei da Anistia e com o direito à liberdade de expressão sem ler é uma falácia populista. A verdade é que ele não imaginava que a repercussão seria tão ruim e que os chefes militares se insubordinariam imediatamente, ameaçando jogar o País numa situação bem parecida com o que aconteceu em 1964.

O revanchismo idiota e a tentativa, quase constante, de calar a imprensa, a Internet e os outros meios de comunicação (esmagando-os sob o tacão fiscalizador do Estado) é um antigo sonho de Lula e de seu círculo mais íntimo de colaboradores. Sarney declarou publicamente em audiência do Senado que a imprensa e a liberdade da Internet são “inimigas das instituições democráticas”. Tudo porque esses meios bateram forte em sua família ao revelarem para o País o tráfico de influência e os desvios de verba praticados por ele e por seus familiares sob a proteção e sob o amparo de Lula.

Lula, por sua vez, volta e meia declara seu ódio aos jornais e aos blogs que comentam as mazelas de seu governo e o romance explícito e vergonhoso dele com os piores representantes da política nacional, onde abraça corruptos e beija as mãos sujas de figuras conhecidas da corrupção nacional.

O mais triste é que o povo parece apático e iludido pela artificial bonança que o governo diz haver no País. É claro que melhorias aconteceram e devemos lutar para preservá-las. Contudo, o recorde histórico na requisição de seguro-desemprego é um sinal claro de que a bonança alardeada não é totalmente real e que o governo mantém índices artificiais visando as eleições que se aproximam.

Por isso, é importante que os cidadãos tenham em mente que o decreto assinado por Lula pode pôr no chão todas as conquistas que conseguimos desde o fim da ditadura e, ainda por cima, mergulhar o País novamente nos anos de chumbo dos quais tanto demoramos a nos libertar.

É fundamental deixar esse passado negro para trás e apenas dar o devido conforto às famílias enlutadas pela perda de seus membros na guerrilha ou nos postos militares. A Lei de Anistia teve efeitos amplos para ambos os lados e nada temos a ganhar voltando 50 anos no passado para um pseudo-acerto de contas que ninguém quer e que o País não necessita.

Igualmente, impor um modo de vida bolivariano aos brasileiros, onde as propriedades duramente conquistadas com o suor do rosto de cada um de nós, após anos de trabalho duro, possam ser perdidas simplesmente por terem sido invadidas por “movimentos sociais” é uma indignidade e uma afronta a tudo que acreditamos. O mesmo se dá com o patrulhamento ideológico e o controle dos meios de comunicação.

Se seguir-se o passo em que as coisas vão, acabaremos nos transformando em uma Alemanha Oriental, onde um em cada dez alemães trabalhava para os serviços de inteligência do regime e dedurava “os inimigos do povo”. Algo muito parecido com o que acontece hoje na Venezuela.

Naquele país, basta que o governo ou algum membro do partido lhe acuse de ser “agente do imperialismo” ou “inimigo da nação” para que você perca tudo pelo que lutou a vida toda e o Estado tome a posse de seus bens e, consequentemente, de sua vida de trabalho.

A pergunta que os brasileiros devem se fazer hoje é: É isso que queremos para o nosso País?

Pense nisso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: O Muro de Berlim – “Tear down this wall !”

13/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

“Viva Cuba! Viva Fidel!”

É com a expressão acima que um conhecido meu, esquerdista bem radical, costuma se despedir das nossas conversas. Sim, ele gosta de Cuba. Sim, ele gosta de Fidel. Não, ele não está internado…

Por que diabos ele gosta tanto de Cuba? Bem, a verdade é que nunca consegui entender muito bem isso… Vai ver ele não tem lá muita simpatia pelo papel higiênico, uma invenção pequeno-burguesa claramente contrarrevolucionária. Afinal de contas, o padrão de limpeza e higiene deve ser – sei lá… – uma construção das grandes empresas capitalistas, ávidas por vender seus desodorantes, seus perfumes e seus sabonetes.

Mas talvez ele goste tanto de Cuba porque não vê problema nenhum em um regime que, por meio de alguns gorilas fardados, captura, sequestra e agride fisicamente uma mulher, mãe de família. Quem? Yoani Sánchez, cujo crime foi manter um blog na internet em que critica algumas das faces mais odientas da tirania castrista. Não! Não foi esse o único motivo! Yoani foi agredida também porque estava tentando participar de uma passeata de blogueiros. Ah, talvez ela também tenha sido subversiva ao ponto de contrabandear para a ilha dos Castros alguns rolos de papel higiênico…

Por que Yoani é importante? Bem, porque ela é… Yoani. Ela é um indivíduo e a violação dos direitos de um indivíduo é a violação dos direitos de todos. Não a defendo porque é mulher, mãe e blogueira. Eu a defendo porque ela é… ela. E isso me basta. Ayn Rand, a quem já me referi no passado, afirmou certa vez que a menor e mais frágil minoria é o indivíduo. Por isso ele é a primeira vítima de regimes escorados nas distopias coletivistas, como o comunismo geriátrico de Fidel Castro, em Cuba. Da mesma forma como foi a primeira vítima dos demais comunismos, como o soviético e o chinês, duas das maiores e mais eficientes máquinas de matar que a Humanidade já conheceu.

Nesta semana, comemorou-se os vinte anos da queda do Muro de Berlim, um monumento à irracionalidade da ideologia lamacenta e assassina que nasceu a partir dos devaneios de Karl Marx – teúdo e manteúdo de Engels. O Muro foi construído porque os comunistas, sempre ávidos por controlar o destino dos homens, queriam impedir que os alemães do leste continuassem a fugir para o Ocidente democrático. Sabem como é? A primeira coisa que alguém obrigado a viver sob o comunismo faz é tentar fugir. A segunda, a história mostra, é morrer. E muitos, como é sabido, morreram na tentativa de enfrentar o mais sanguinário regime de que jamais se teve notícia. E venceram, afinal, o Muro caiu.

A história que conduz ao colapso do comunismo é longa, mas pode ser resumida à ação decidida de três nomes: Ronald Reagan, Margareth Thatcher e João Paulo II. Os três, não por acaso, são considerados, juntos, a besta-fera de toda a esquerda radical que existe no mundo. Quer unir os radicais do PSTU àqueles da Coreia do Norte? Diga o nome de Reagan. E saia correndo! Eles imediatamente abandonarão seus afazeres e tratarão de perseguí-lo com tochas, foices e martelos.

O ódio deles a Reagan é explicável: daquela trinca acima referida, o ex-ator de Hollywood foi a peça principal que dinamitou o regime comunista. Reagan, seguindo os pressupostos econômicos mais basilares, provocou uma escalada dos investimentos em defesa externa, elevando às estrelas o orçamento militar americano. Os soviéticos, que travavam com os Estados Unidos a chamada guerra fria, não queriam ficar atrás, e tentaram elevar seus gastos também. Só que os comunistas quebraram a cara e afundaram seu Estado paquidérmico em um limbo de prejuízo e miséria, que tornou o regime inviável.

Reagan, assentado no capitalismo e num sistema de liberdades individuais, contava com os rendimentos de uma economia forte para investir. Os comunistas, por outro lado, vivem daquilo que conseguem arrancar da população escrava. E um monte de escravos miseráveis, convenhamos, não poderia produzir nada capaz de fazer frente ao “Projeto Guerra nas Estrelas” idealizado pelos americanos. Em resumo, Reagan desafiou o regime do “outro mundo possível” a mostrar se tinha mesmo bala na agulha. E os comunistas responderam com festim. Aquele que se pretendia o maior regime de todos, que conduziria ao “fim da história” e à redenção da humanidade, perdeu para um ex-ator. É como se o Dado Dolabella acabasse com o PT.

“Tear down this wall!” (Derrube este muro), desafiou Reagan, quando o fim do império comunista era só questão de tempo. Ele estava certo e, para o bem da Humanidade, venceu. Aquele muro inglório foi derrubado. Outros, porém, ainda existem. Como o muro ideológico que cerca Cuba, a ilha tomada de assalto pelos Castro, que, como piratas, mataram, pilharam e espalharam o terror. O muro que protege a mais duradoura tirania do mundo moderno foi erguido inclusive com a ajuda de brasileiros, coniventes com o massacre comunista. No governo do PT, por exemplo, há vários simpatizantes declarados do facinoroso cubano.

Mas não são apenas pessoas de partidos que se alinham ideologicamente aos assassinos em série da “causa igualitária”. Há também profissionais liberais, sindicalistas e professores, como aquele meu conhecido, lá do início do texto. Estes últimos, a meu aviso, são os mais deletérios para a sociedade, pois fazem proselitismo ideológico e doutrinação comunista nas escolas. Muitas vezes ganhando salários pagos pelo contribuinte.

Lá, na presença de crianças desprovidas de conhecimento suficiente para contestar a pregação quase religiosa que fazem, eles cantam as “conquistas sociais” de Cuba. Falam de educação e saúde, escondendo muito cuidadosamente que todo e qualquer feito dos irmãos Castro foi resultado de morte e terror. Acho hilário ver um “cubanófilo” discorrendo sobre as glórias do sistema de saúde cubano… Nessa hora eu pergunto: “Mas e a questão do papel higiênico? Não diz respeito à saúde pública?” E eis que o interlocutor se apressa em me apontar o dedo sujo de sangue para dizer: “Reacionário! Direitista!” Vejam a que ponto chegamos: ser de direita, hoje, é defender o direito que o indivíduo tem de comprar materiais próprios para a higiene básica…

Hoje, passados mais de vinte anos da queda do Muro de Berlim, símbolo maior da grandiosa tragédia que foi o comunismo, é passada a hora de colocar abaixo os muros ideológicos que ainda estão erguidos nas mentes de alguns – se me permitem – “pensadores”. “Mr. Castro, tear down this wall!”, digo para o anão comunista que, hoje, decide quem vive e quem morre naquela ilha. Mas quem sou eu? Por que ele me ouviria? Eu sou apenas um indivíduo, um homem livre. E essa gente, sabemos, não dá a mínima para os indivíduos. Antes: eles os odeiam, tanto que buscam exterminá-los, a fim de criar “a comunidade”, “a coletividade”, “o bem comum”.

Ah, quando lembro que há delinquentes aos montes por aí, pregando as supostas glórias daquela revolução… Lembro de Ortega y Gasset: “Não haveria totalitarismo, se não fossem as massas e suas revoluções.” Pode mesmo ser que os Castro não abram seus ouvidos para o clamor da liberdade, e continuem, mesmo vinte anos depois de derrubado o Muro de Berlim, a sequestrar e espancar mulheres indefesas. Mas eu, como indivíduo livre, continuarei a gritar em direção a todo entusiasta da ideologia lamacenta e assassina: “Tear down this wall!”

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento