Postagens com a palavra-chave ‘África’

Coluna do dia: O Brasil e o conselho da discórdia

07/05/2009

Por Eduardo Schneider*

Muito se tem dito a respeito de o Brasil, como potência emergente, almejar uma posição permanente no Conselho de Segurança da ONU, pois sua composição é obsoleta por refletir a ordem mundial surgida logo após a 2ª Guerra Mundial.

O Brasil tem feito amplo esforço diplomático ao redor do planeta a fim de convencer os mais diversos governos a apoiarem sua candidatura, tentando, a todo custo, futuramente garantir, na Assembleia Geral da ONU, o número mínimo de votos para validar tal pretensão.

A adoção de uma política externa de orientação universalizante, de parcerias não excludentes, não tem nada de equivocada. Mas a coerência termina por aí. A priorização de uma “agenda sul-sul” se impôs sobre um tratamento equilibrado entre os interesses do Brasil em todo o mundo.

O país trata a China como parceira estratégica, embora os chineses não tenham feito o mesmo (em abril, a China foi o maior parceiro comercial brasileiro). Reconhece a economia chinesa como economia de mercado, embora não tenha garantido nada concreto em troca. Busca de qualquer maneira um acordo comercial com a Índia, embora existam poucas oportunidades claras de negócios identificados. Festeja uma parceria com a Rússia que ainda carece de consistência.

O governo faz visitas a países africanos de pouca relevância, chegando ao ponto de perdoar dívidas de regimes autoritários. Tudo isso para, entre outros objetivos difíceis de mensurar, buscar apoio de parte da comunidade internacional para uma eventual cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Inicialmente, trata-se de algo que irá afetar nossa tradição diplomática de neutralidade, mudando drasticamente nossas relações com o resto do mundo, pois o uso do poder de veto, ou sua negação – caracterizada, inclusive, pela abstenção – é absolutamente incompatível com qualquer forma de neutralidade. E, para garantir a segurança nacional, frente às decisões tomadas no conselho de segurança, far-se-ia necessário um re-aparelhamento de nosso exército, marinha e aeronáutica. Grandes responsabilidades trazem grandes deveres e necessitaríamos de meios para nos defendermos.

As Forças Armadas brasileiras precisam, urgentemente, de aumento de efetivo e de orçamento. O raciocínio básico por trás dessa resposta envolve cálculos comparativos entre os vários países do mundo, normalmente relacionando elementos como população, território, PIB, orçamento militar e efetivo das Forças.

Assim, comparam-se dados como efetivo militar em relação à população e área do país, chegando-se sempre à constatação de que países muito menores e menos povoados do que o Brasil tem, proporcionalmente, muito mais homens em armas. Estes cálculos sempre acabam por chegar à mesma conclusão: se o Brasil quer restaurar seu poder militar, é fundamental aumentar os efetivos das Forças Armadas.

Os artífices da política exterior do Brasil estão se perdendo mais uma vez, hiperdimensionando as possibilidades de uma hipotética mudança que não deverá acontecer tão cedo e, que mesmo que aconteça um dia, não dará à ONU maior importância ou poder do que tem hoje.

Falta a este governo o pragmatismo que já sobrou a outros em matéria de política exterior. Aquele que faz da política externa verdadeiro instrumento do desenvolvimento, que busca alianças com os fortes e batalha verdadeiramente pelo acesso aos grandes mercados.

* Eduardo Schneider é colunista do Perspectiva Política às quintas.

Coluna do dia: Retorno ao tribalismo

28/04/2009

Por Raphael Machado Silva*

Semana passada, a África do Sul ganhou um novo Chefe, ou melhor, Presidente. Em uma vitória fácil, Jacob Zuma, representando a ANC (African National Congress) se tornou Presidente do Estado-Nação mais poderoso e rico da África Subsaariana, e que será, ademais, o anfitrião da próxima Copa do Mundo. Tudo isso muito previsível e já esperado.

Eu não sei exatamente quais são as impressões alheias a respeito, impressões essas provavelmente toldadas por dogmas e mantras politicamente corretos, mas não parece que, não importa quanto tempo passe, a África permanece a mesma? Eu não dou a mínima se nas Constituições dos países da África Subsaariana os mesmos estão descritos como sendo “Estados de Direito” ou “Democracias” e se os Chefes de Estado e/ou Governo são “eleitos por voto popular”. O que importa é que só alguém desinformado ou seguidor fiel de cartilhas políticas de procedência duvidosa pode negar que a África permanece um paraíso de micro-déspotas, mini-ditadores e tiranos mirins, que sucedem uns aos outros por eleições, golpes, revoluções ou guerras civis; todos eles megalomaníacos e repletos de delírios de grandeza e geralmente com apoio popular (o que de modo nenhum os descaracteriza como tiranos). Tudo isso, e outras coisas a mais, põem em cheque a noção risível de que conceitos, crenças, valores e teorias de origem pura e exclusivamente ocidental possam, e até mesmo devam, ser exportadas, muitas vezes através de bombardeios, para países em que o uso desses conceitos e valores não passam de meios que têm como fim manter boas relações diplomáticas e comerciais com os países ocidentais.

Mas… A África do Sul estava livre de tudo isso, não? Apenas superficialmente, meus caros. A África do Sul é, sem dúvida, o país africano dotado dos aparatos institucionais e da infra-estrutura mais desenvolvidos da África, herança da África do Sul pré-1994 que, com todos os seus inegáveis males, era o único país africano que poderia ser considerado de 1º Mundo. Porém, os últimos anos têm visto esse mesmo país se tornar um dos mais violentos sobre a face do globo, tem visto sua infra-estrutura se deteriorar e degenerar cada vez mais, tem visto a corrupção alcançar níveis incomensuráveis e tem visto a África do Sul continuar a ser um dos países mais racistas do mundo, dessa vez contra os brancos.

Nos últimos anos, a comunidade Judaica vem gradativamente abandonando a África do Sul e se dirigindo a Israel ou a países como Canadá e Austrália. Muito pior ainda, os últimos anos têm visto milhares de ataques letais a camponeses e fazendeiros brancos na África do Sul, tudo isso encarado com indiferença pelas autoridades e com silêncio por toda a Grande Mídia ocidental. Somemos isso aos crescentes escândalos de corrupção e já podemos ter dúvidas quanto à racionalidade da escolha da África do Sul, como sede de um evento da magnitude da Copa do Mundo.

Ora, a vitória de Zuma não pode ser considerada surpresa mesmo, meus caros! Era o candidato mais condizente com os rumos decadentes que a África do Sul vem tomando! Zuma, que possui como tema uma música chamada: “Bring me my machine gun” (Me tragam minha metralhadora) possui contra si mais de duzentas acusações de corrupção, além de várias acusações de estupros. A população sul-africana decidiu, voluntariamente, colocar o poder nas mãos desse homem, e com isso decidiu por retornar a uma espécie de tribalismo. Tudo que isso lhes acarretar de bom e de mal no futuro terá sido culpa do próprio povo. Nunca se esqueçam disso.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: Os piratas estão de volta

23/04/2009

Por Eduardo Schneider*

Na verdade os piratas existem desde que o homem pratica o comércio marítimo e o provável é que eles nunca deixem de existir. As primeiras pilhagens piratas de que se tem notícia ocorreram por volta dos séc. VII ou VIII a.C., quando gregos atacavam navios mercantes fenícios e assírios.

Vale ressaltar, que Homero, em sua obra Odisséia, foi o responsável por cunhar o termo “pirata”. O tempo passou, os ataques continuaram. Durante o Império Romano, lá estavam os piratas. Idade Média? Lá estavam os normandos e muçulmanos praticando pilhagens.

Chegaram então os tão romantizados “Piratas do Caribe”. Fonte interminável de roteiros para Hollywood e desenhos da Disney, eles não são nada diferentes dos piratas somalis atuais, não passam de saqueadores (ou seqüestradores na maioria dos casos modernos). Todos os elementos estão lá: Barcos rápidos, armas pesadas e vontade de enriquecer facilmente. Agora, 3 séculos depois do famoso Pirata Barba Negra, a atenção do mundo está de volta para os piratas e seu novo Caribe, o Chifre da África.

Assim como no século XVII, a pirataria moderna é reflexo do caos existente em terra firme. Com o fim da ditadura marxista de Mohamed Siad Barre (durou de 1969 a 1991), o território somali foi fatiado por clãs rivais, que vão desde milícias islâmicas, ao sul, a províncias que se declaram independentes, ao norte, clãs estes que foram armados pela Etiópia para combater a ditadura de Barre. Como era de se esperar, estes grupos tão heterogêneos não se entenderam na hora de formar um novo governo e deu-se início à guerra civil, à missão de paz da Organização das Nações Unidas (que levou a outro filme hollywoodiano “Falcão Negro em Perigo”) e, é claro, à pirataria.

Com a ascensão ao poder da União das Cortes Islâmicas (UCI), em maio de 2006, a pirataria na região entrou em hiato, retomando suas atividades no fim do mesmo ano, após a invasão do exército etíope. Com a intensificação da pirataria na costa somali, no ano de 2008, a ONU aprovou por unanimidade uma declaração que autorizava nações a fazerem acordos com o Governo Federal de Transição e entrar em águas somalis. Diversos países já possuem forças navais na região, principalmente depois que o Escritório Marítimo Internacional (IMB) descreveu a situação da pirataria como “fora de controle”.

Mas por que tantos países iriam se importar com um país que sofre com a fome e o caos político há pelo menos 40 anos? É fácil responder a esta pergunta. Aproximadamente 90% do comércio mundial é realizado por meio de transporte marítimo e o Golfo de Áden liga o Canal de Suez ao Oceano Índico, ou seja, é a rota mais rápida entre a Ásia e os países europeus, fazendo desta uma das regiões mais importantes para o comércio internacional. Fato este é comprovado pela ação realizada, na semana passada pela tropa de elite dos fuzileiros navais americanos, os seals. Em uma operação que mais parece ter sido retirada de algum filme de “Rambo”, os seals saltaram com seus paraquedas de um avião, caíram no mar, nadaram até o vaso de guerra americano Bainbridge e de lá, com seus fuzis de precisão acertaram 3 tiros certeiros e simultâneos nos piratas que tinham como refém o capitão do navio cargueiro Maersk Alabama, que transportava donativos para a África Oriental.

Operações como esta podem ser um marco na forma como os países vão tomar a questão da pirataria, pois na equação lucro e risco (que é levada em consideração para qualquer negócio, seja ele legal ou não), o risco para os piratas ainda é muito baixo se levada em consideração a altíssima lucratividade de suas ações, assim como ocorria com os piratas caribenhos antes que os reinos europeus os tomassem a sério e os combatessem veementemente. Se tal combate não ocorrer, os piratas continuarão a desfilar impunemente e sem pudor em seus carros de luxo e construindo suas mansões em Harardhere, a Isla de La Tortuga moderna.

Atenção roteiristas: A Somália está bombando!

* Eduardo Schneider é colunista do Perspectiva Política às quintas.

Lula diz que, após sucessão, quer continuar na vida pública

20/04/2009

“Lula diz que, após sucessão, quer atuar na diplomacia”

Informa o Estadão, na matéria citada acima:

“Quando terminar o segundo mandato como presidente, em 31 de dezembro de 2010, Luiz Inácio Lula da Silva quer continuar na vida pública. O desejo foi manifestado em entrevistas publicadas, no fim de semana, nos jornais La Nación (Argentina) e ABC (Espanha). Ao diário de Buenos Aires, disse que ‘gostaria de trabalhar, e muito, na integração latino-americana’.

O outro foco de interesse para trabalho público futuro, acrescentou Lula, seria a África, com problemas de atraso econômico e tecnológico. ‘Quero ver se posso ajudar de alguma maneira’, disse. ‘Em 1º de janeiro de 2011, quero ir para casa e descansar. Depois, veremos. O que posso adiantar agora é que não tenho a intenção de me aposentar da vida pública’, resumiu o presidente ao ABC.”

É bem provável que o Presidente Lula continue na vida pública após o fim do seu mandato. Acontece que dificilmente essa continuidade se dará apenas para que ele possa “trabalhar, e muito, na integração latino-americana” ou “ajudar de alguma maneira” a África.

Verdade seja dita, Lula gosta, e muito, da popularidade que tem atualmente no exterior. Agirá em outros países não só com boas intenções, mas também, em grande parte, para se manter “pop”.

Além disso, continuando na vida pública, Lula se manterá nas manchetes e com grande destaque na mídia. Sendo assim, terá condições de levar a cabo o plano que 9 entre 10 confidentes do Presidente afirmam que ele tem: Retornar ao Planalto em 2014.

Nojo

16/02/2009

“Jornalistas são atacados em investigação sobre Mugabe”

Dentro de um país que em a população paupérrima sofre com um surto de cólera, a inflação chega a 231% e o desemprego atinge 94% da população, um líder autoritário compra, secretamente, uma mansão em uma das maiores metrópoles mundiais, paraíso do consumo. Para completar, quando jornalistas descobrem a compra, são agredidos, pois impediram que o sigilo desejado pelo líder corrupto fosse mantido. Obviamente, é de se imaginar que os recursos que possibilitaram a compra sejam provenientes de desvios da verba pública.

Para mim haveria muito o que comentar sobre líderes desse tipo. Eu ficaria parágrafos e mais parágrafos criticando-os. Porém, dessa vez, vou resumir o que sinto por eles em uma palavra: Nojo.

A eles a população confia seus destinos, a eles o povo sofredor confia a saúde e a educação de seus filhos. É por eles que são traídos. Alguém que faz isso constitui integrante da escória da humanidade.

África, inseguranças e instabilidades

25/12/2008

Africa

A alternância de poder é importantíssima para a democracia, não restam dúvidas quanto a isso. Porém, essa alternância deve se apresentar na forma de mandatos sucessivos de diferentes representantes eleitos pelo voto popular, e não, na forma de uma mudança constante e frenética de lideranças que se alternam no poder através de golpes e contra-golpes.

Quando ocorrem constantes golpes, sejam civis ou militares, que atentam contra as instituições e a democracia do país, não ocorre alternância de poder, e sim, instabilidade política crônica que traz consigo insegurança.

A insegurança e a instabilidade políticas são ingredientes de uma fórmula explosiva, quando se trata de uma nação e seu respectivo desenvolvimento.  A insegurança trata da imprevisibilidade das decisões governamentais sobre assuntos como investimentos internos ou externos e do medo de rompantes do governante, mesmo que este seja estável. A instabilidade trata da possibilidade de ocorrerem mudanças no governo e revoluções a qualquer momento, com uma população revoltada e uma economia caótica. Na realidade, como se pode ver, instabilidade e insegurança se conectam intimamente, embora não sejam exatamente a mesma coisa.

Todo país que cultiva a insegurança e a instabilidade tem seu progresso retardado, a qualidade de vida de seu povo diminuída e seu vislumbre de melhoria embaçado.

Um exemplo claro disso é a Venezuela de Hugo Chávez e, porque não, seus similares, como a Bolívia de Morales e o Equador de Correa. Todos esses países sofrem, em maior ou menor escala, dos males da insegurança e da instabilidade.

Mas não é sobre os tiranetes sul-americanos que vou falar hoje e sim sobre a África, afinal, que continente foi mais afetado pelas constantes inseguranças e instabilidades políticas de seus países?

A África é um continente que, como sabemos, foi fatiado pelos europeus. Cada fatia correspondia a uma colônia e elas foram distribuídas entre diversas metrópoles. Um dos maiores problemas era que as fatias levavam em conta apenas critérios territorias ou os recursos naturais de cada região e não a cultura, as crenças, as inimizades e os costumes das populações  negras presentes em cada uma delas.

As colônias cresceram, evoluíram e, um dia, tornaram-se nações. Essas nações atuais vivem com o mesmo problema que acometia as colônias fatiadas há anos e anos, ou seja, etnias rivais convivem dentro de um mesmo país, enquanto populações inteiras de etnias amigas estão do outro lado de alguma fronteira.

Em todos os países que sofrem desse mal, as etnias inimigas se digladiam pelo controle do Estado. Normalmente, a etnia que constitui a minoria da população perde a batalha, é segregada, aniquilada e muitas vezes sofre com políticas de extermínio.

As tais instabilidades e inseguranças atingem em cheio essas repúblicas. As instituições são fracas, os golpes são frequentes e a democracia é constantemente atacada. Os governos são acusados de corruptos e incompetentes e são substituídos por outros que, embora critiquem os primeiros, vêm para agir da mesma forma.

Com toda essa conjuntura, o desenvolvimento de muitas nações africanas fica prejudicado, os investimentos externos escasseiam, as riquezas naturais vão sendo dilapidadas, a violência afasta os possíveis turistas e, no fim das contas, os países se tornam dignos de caridade.

Embora tenhamos países africanos em que a democracia se fortalece aos poucos, onde o respeito às instituições cresce e onde os golpes são coisas do passado, muitos deles ainda sofrem com a insegurança e com a instabilidade que em nada ajudam as suas já periclitantes situações.

Muitos tratam o problema da África, com suas crises políticas, doenças e guerras, como sem solução. Acredito que a mesma seja complicada, mas não impossível. Países como Angola estão experimentando um certo período de paz e prosperidade, sem guerras civis ou golpes. Situações como essa nos dão a esperança de que soluções para a África sejam possíveis contanto que existam vontade política, investimento externo, incentivo interno ao esporte e à educação e crença nos valores e princípios democráticos.

Cabe aos outros países, entre eles o Brasil, tratar as nações da África que resolverem jogar o jogo democrático como parceiros. É tenebroso saber que alguns países, e principalmente empresas, enxergam a África como um local para fazer experiências farmacêuticas e armamentistas.

Com força de vontade da população, cooperação entre os povos, conscientização tanto dos habitantes do continente, como do cenário externo, principalmente das potências, e busca de estabilidade e segurança política, juntamente com grandes investimentos em educação, saúde, saneamento básico e segurança, a longo prazo, podemos pensar em uma África melhor.

Pode até ser que eu esteja sendo idealista, ou até mesmo ingênuo, porém, não custa nada sonhar com um mundo onde a vontade política é colocada a serviço do progresso e da melhoria da qualidade de vida de um povo tão sofrido e não do enriquecimento de pequenas elites que se beneficiam financeiramente dos diversos problemas da região.

A África tem de deixar de ser um continente onde estrangeiros procuram oásis particulares com alta segurança, sexo, lucros fáceis, obras públicas superfaturadas e recursos naturais a preço de banana. Tem de haver toda uma força tarefa para tentar, pelo menos, minimizar um problema que, mais cedo ou mais tarde, vai ser de todos nós.

Obviamente, não será fácil, beira a impossibilidade. Mas com vontade política, solidariedade e muito esforço, acredito que o quadro possa ser melhorado. E melhorado de forma a garantir o progresso africano, a democracia africana e o desenvolvimento do povo africano e não de forma a aumentar a caridade. É a velha história de ensinar a pescar, e não, dar o peixe.

Não devemos precisar que fundações presididas por Bill e Melinda Gates estejam presentes para sempre na África. Precisamos é tentar garantir que cronologias como essa, não se repitam mais.