Por Eduardo Schneider*
Muito se tem dito a respeito de o Brasil, como potência emergente, almejar uma posição permanente no Conselho de Segurança da ONU, pois sua composição é obsoleta por refletir a ordem mundial surgida logo após a 2ª Guerra Mundial.
O Brasil tem feito amplo esforço diplomático ao redor do planeta a fim de convencer os mais diversos governos a apoiarem sua candidatura, tentando, a todo custo, futuramente garantir, na Assembleia Geral da ONU, o número mínimo de votos para validar tal pretensão.
A adoção de uma política externa de orientação universalizante, de parcerias não excludentes, não tem nada de equivocada. Mas a coerência termina por aí. A priorização de uma “agenda sul-sul” se impôs sobre um tratamento equilibrado entre os interesses do Brasil em todo o mundo.
O país trata a China como parceira estratégica, embora os chineses não tenham feito o mesmo (em abril, a China foi o maior parceiro comercial brasileiro). Reconhece a economia chinesa como economia de mercado, embora não tenha garantido nada concreto em troca. Busca de qualquer maneira um acordo comercial com a Índia, embora existam poucas oportunidades claras de negócios identificados. Festeja uma parceria com a Rússia que ainda carece de consistência.
O governo faz visitas a países africanos de pouca relevância, chegando ao ponto de perdoar dívidas de regimes autoritários. Tudo isso para, entre outros objetivos difíceis de mensurar, buscar apoio de parte da comunidade internacional para uma eventual cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Inicialmente, trata-se de algo que irá afetar nossa tradição diplomática de neutralidade, mudando drasticamente nossas relações com o resto do mundo, pois o uso do poder de veto, ou sua negação – caracterizada, inclusive, pela abstenção – é absolutamente incompatível com qualquer forma de neutralidade. E, para garantir a segurança nacional, frente às decisões tomadas no conselho de segurança, far-se-ia necessário um re-aparelhamento de nosso exército, marinha e aeronáutica. Grandes responsabilidades trazem grandes deveres e necessitaríamos de meios para nos defendermos.
As Forças Armadas brasileiras precisam, urgentemente, de aumento de efetivo e de orçamento. O raciocínio básico por trás dessa resposta envolve cálculos comparativos entre os vários países do mundo, normalmente relacionando elementos como população, território, PIB, orçamento militar e efetivo das Forças.
Assim, comparam-se dados como efetivo militar em relação à população e área do país, chegando-se sempre à constatação de que países muito menores e menos povoados do que o Brasil tem, proporcionalmente, muito mais homens em armas. Estes cálculos sempre acabam por chegar à mesma conclusão: se o Brasil quer restaurar seu poder militar, é fundamental aumentar os efetivos das Forças Armadas.
Os artífices da política exterior do Brasil estão se perdendo mais uma vez, hiperdimensionando as possibilidades de uma hipotética mudança que não deverá acontecer tão cedo e, que mesmo que aconteça um dia, não dará à ONU maior importância ou poder do que tem hoje.
Falta a este governo o pragmatismo que já sobrou a outros em matéria de política exterior. Aquele que faz da política externa verdadeiro instrumento do desenvolvimento, que busca alianças com os fortes e batalha verdadeiramente pelo acesso aos grandes mercados.
* Eduardo Schneider é colunista do Perspectiva Política às quintas.











