Postagens com a palavra-chave ‘África’

Coluna do dia: Hora do ocidente civilizado atirar pedras no Irã. Antes que seja tarde…

13/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Quem me lê há mais tempo sabe que não sou nem um pouco imperialista. Assim, nadica de nada mesmo. Já até escrevi aqui, no passado, que no meu mundo ideal nem as Grandes Navegações teriam existido: a europa seria apenas europa; a rica cultura oriental ficaria preservada para os… orientais; e os nativos do Brasil estariam até hoje batendo os pés no chão para trazer os mortos de volta à vida.

Mas não foi assim que as coisas aconteceram… A expansão marítima aconteceu, e os gananciosos europeus vieram até este país tropical abençoado por Deus, trazendo em sua bagagem um pouco de civilização, um tantinho de cristianismo e coisas indispensáveis para o progresso humano, como o vaso sanitário e os antibióticos. E eis que nos vemos obrigados, assim, a discutir o imperialismo daquilo que se convencionou chamar de “primeiro mundo”.

Certa vez, questionado sobre o imperialismo britânico, Churchill disse: “não há mal que nos acusam de fazer aos nativos, que não possa ser amplamente superado pelos próprios nativos, depois da nossa saída.” E o velho Winston estava certo, como sempre. Basta ver o fiasco que se tornara Congo e Argélia, só para citar dois casos.

Em oposição àqueles dois países africanos acima mencionados, podemos citar o caso da África do Sul, conduzida brilhantemente por Nelson Mandela à democracia depois de décadas de opressão estrangeira. Qual foi a genialidade de Mandela? Compreender que era preciso pegar a “democracia branca” criada pelos colonizadores, e ampliá-la, tornando-a uma democracia plena. Por que escolher voltar a guerras tribais, se é possível viver num regime de liberdades individuais? Por que, em outras palavras, desistir do chá britânico, se ele é um hábito tão agradável? Só porque foi criado pelo colonizador? Besteira! Aquilo que engrandece deve sempre ser aproveitado, principalmente quando nos ajuda a evoluir do ponto de vista da civilização humana.

Da mesma forma, tudo o que ameaça dos valores básicos da sociedade civilizada deve, sim, ser combatido. Sempre! Uma ameaça a um indivíduo é uma ameaça a todos os indivíduos, não importa em qual lugar do planeta ela ocorra.

É por isso que o mundo ocidental não pode aceitar a execução de Sakineh, a iraniana acusada de trair o marido com dois homens – depois da morte daquele! Uma republiqueta fascistóide do outro lado do mundo quer apedrejá-la em praça pública até a morte? Ora, isso não pode ser permitido! Não? Não! Pouco importa que seja uma lei local, ou ainda um dogma da fé deles. É algo que atenta contra os valores mais que permitem à humanidade agir como… humanidade! É por isso que não pode ser tolerado sob nenhuma hipótese.

Aceitar que o Irã pode lapidar suas mulheres em nome de “valores próprios”, em respeito ao que se convencionou chamar de “autodeterminação dos povos”, é condescender com o horror em seu estado puro. É concordar com a submissão do indivíduo ao regime, atirando as liberdades e garantias básicas daquele na lata de lixo da história. Note-se bem: não estamos questionando um país que nega a um condenado a possibilidade de recorrer de sua condenação – o que já seria absurdo. Estamos falando de uma sentença inapelável que condena uma mulher a morrer apedrejada. Qualquer contorcionismo verbal que relativize isso está advogando em favor do primitivismo mais selvagem e animalesco, contra o qual a civilização vem lutando desde seu nascimento.

Desta feita, já que as Grandes Navegações existiram, que o colonialismo aconteceu que que o imperialismo é uma realidade, torço para que o ocidente saiba se valer dele da melhor forma possível: obrigando o Irã a parar com essa atrocidade! E se for preciso, que  atirem umas belas bombas civilizatórias na cabeça de Ahmadinejad e companhia, afinal duvido muito que seja possível dialogar de forma polida com gente que considera normal matar mulheres a pedradas.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: O Brasil de Lula e os novos aliados democratas

09/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Segundo Lula, o Irã é uma democracia. Talvez baseando-se no mesmo raciocínio torpe usado pelo nosso Presidente, muitos partidários de Lula acham o mesmo. Afinal, para esse pessoal, basta que um País tenha eleições para que seja considerado “uma democracia”.

Assim, também são consideradas “democracias”, várias nações africanas com governos totalmente ditatoriais e lunáticos sanguinários exercendo o poder com mão de ferro e espadas (ou baionetas, para sermos mais modernos) banhadas no sangue de seu próprio povo.

Longe de querer explicar aqui o que é uma democracia real, indico apenas um dos elementos que servem para determinar se um País é democrático ou não: a proteção do cidadão contra o Estado.

É esse, não a realização de eleições, o principal ponto que define um País como democracia. Afinal de contas, não há poder maior numa nação do que o poder do Estado. A máquina estatal é usada em regimes autoritários e ditatoriais para suprimir a vontade do cidadão e curvá-la perante a vontade do governo regente. Quando uma nação protege o cidadão comum contra a mão pesada do Estado, ela dá garantias de que esse mesmo indivíduo jamais será molestado ou usado como “exemplo” por quem quer que esteja no poder em determinado momento.

Mesmo que a política internacional seja repleta de detalhes intrincados, interesses ocultos e as mais diversas nuances, uma coisa que não muda nunca, quando países travam relações mútuas é a pergunta base que fazem antes de iniciar quaisquer conversações: “O que a outra nação tem a nos oferecer?”

Aqui, entenda bem, não está referido o povo que habita determinado pedaço do planeta. Nesta pergunta estão encerrados os interesses de um Estado em relação a outro. Assim, grosso modo, podemos definir essa “vontade inicial” como a troca de vantagens que podem beneficiar ambas as partes. Seja a cooperação comercial, militar, técnica ou política.

E a pergunta base, em relação aos nossos novos amigos conquistados pelo governo Lula é: Quais vantagens eles podem nos trazer?

Em minha opinião, praticamente nenhuma. Afinal de contas, nosso comércio com Irã e alguns países africanos sempre foi insignificante e, mesmo que haja um fomento momentâneo, os problemas advindos dessas parcerias podem nos trazer muito mais problemas do que soluções. O Irã foi um bom exemplo disso. Enquanto assinamos acordos de cooperação nuclear com o Irã, iniciamos o financiamento das exportações prometidas no tratado e, com a publicação das sanções da ONU, todo comércio com o país foi proibido (exceto alimentos e materiais comumente usados para as necessidades da população em relação à saúde, por exemplo).

Além disso, o desgaste internacional só aumenta e a visão de que passamos a ser um país intimamente ligado a esses governos totalitários prejudica a nossa imagem de nação progressista e democrática.

Transportando esse exemplo para o nível de um único ser humano, seria algo como ter amigos que fossem brigões de rua e assassinos que se orgulhassem de seus crimes e vivessem gritando isso aos quatro ventos. Você, por mais ligado a eles que fosse, se sentiria confortável com isso?

Mesmo que você ache que eu estou “pegando pesado”, responda de forma sincera se você se sente confortável com uma relação tão próxima – eu diria mesmo “bajulativa” – com uma nação que condena uma mulher a morrer apedrejada porque ela “cometeu adultério” ao relacionar-se com um homem APÓS A MORTE DE SEU MARIDO?

Você se sente confortável e aprova chamar de democratas um bando de homens que determina a essa mulher a impossibilidade de defender-se das acusações? Sim. Pois o seu advogado viu-se obrigado a fugir para a Noruega ao ter a sua vida e a sua família ameaçadas por esse “Estado democrático” que apoiamos cegamente.

Além disso, você se sente bem ao saber que esse mesmo Estado está para executar um jovem de 18 anos pelo terrível crime de ser homossexual? O mais dramático no caso é que sequer foram encontradas provas de que o rapaz seja mesmo um homossexual. A condenação baseia-se simplesmente num “preceito muito democrático” da lei iraniana chamado “conhecimentos do juiz”, um mecanismo legal que permite que autoridades judiciárias emitam sentenças em casos em que não há evidências conclusivas.

Ou seja, não há provas ou testemunhas. Mas, o juiz te olha e diz: “Você é culpado”.

Pronto. Basta isso para que você seja condenado à morte e executado rapidamente.

Esses são os “democratas” que acompanham o Brasil atualmente e que são abraçados como nossos novos “irmãos” ideológicos na luta contra “o Grande Satã”.

Com vocês um poema que ilustra muito bem o que vem acontecendo em nosso País em nome de uma melhoria econômica que é frágil e que – em longo prazo – está ameaçada pelos próprios elementos que a mantém artificialmente nesse momento:

“Na primeira noite, eles chegam mansamente

e roubam uma flor do nosso jardim.

E nós não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem.

Pisam nas flores de nosso jardim, batem em nosso cão

e nós, mais uma vez, não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles entra em nossas casas,

violenta a nossa família, bate em nossas crianças

e arranca-nos a voz da garganta.

E nós, mais uma vez, não podemos falar nada,

porque já não temos voz….”

Eduardo Alves da Costa

(e não Maiakoviski)

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Brasil e o flerte constante com as piores ditaduras mundiais

05/07/2010

Por Arthurius Maximus*

Mais uma vez a diplomacia “de ponta” do governo Lula leva o Brasil a receber condenações de todas as entidades de direitos humanos do planeta. A visita e a abertura de negociações com o ditador da Guiné Equatorial – Obiang Nguema – no poder desde 1979 com mão de ferro e muito derramamento de sangue, mostram bem como a nossa visão de mundo tem valores “especiais”.

Além do sangue e do desprezo pelos direitos humanos, em escala genocida, Nguema é famoso por sua corrupção desenfreada. Apesar das grandes reservas petrolíferas encontradas no país, a população amarga grande pobreza e total desesperança. Mas, para Lula e Amorim, o país reúne os requisitos de uma democracia, pois, em palavras do próprio Amorim, é essa a base para a escolha dos países com os quais o Brasil quer se relacionar.

O estranho mesmo é entender como um país que possui um presidente no poder desde 1979 e tem uma das mais sangrentas ditaduras do continente africano preenche os tais quesitos de democracia. Só se for em relação à corrupção desenfreada. Aí, nesse caso, o nosso governo está “pau a pau” com eles.

Sem dúvida essa será mais uma daquelas parcerias duras de engolir e tristes de olhar. O mais terrível é a vergonha que qualquer cidadão de bem, que ame a democracia e o respeito ao ser humano – independente da ideologia – deve sentir ao ver seu país ligado à fina flor do autoritarismo e do genocídio internacional.

É claro que negócios trazem divisas e investimentos para nossa nação. Empregos são necessários e sempre bem-vindos. Mas e o preço desses investimentos? Será mesmo tão benéfico para nós faturar alguns dólares a mais e ter nossa imagem atrelada às ditaduras do mundo todo? Será que ganhamos algo negociando com a Guiné Equatorial que nenhum outro país pudesse nos proporcionar? Será mesmo preciso reconhecer ditadores sanguinários como democratas e ainda apregoar isso aos quatro cantos?

Para Lula, Amorim e a turma do PT é.

Pelo andar da carruagem ainda teremos que conviver com um Itamaraty infiltrado por uma visão ideológica inadequada e inconveniente durante um bom tempo.

Azar o nosso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: Vuvuzela, o triste símbolo da primeira Copa em solo africano

18/06/2010

Por Yashá Gallazzi*

“Se Deus inventou o futebol, o capeta teria inventado a vuvuzela.” A frase em questão foi cunhada pelo blogueiro Reinaldo Azevedo, que, digam o que quiserem, é um dos melhores textos do jornalismo brasileiro.

Azevedo resumiu numa frase tudo aquilo que eu penso sobre a vuvuzela, um trambolho cuja única utilidade é azucrinar aqueles que não o usam nem gostam dele. Defender aquele instrumento de tortura com o argumento de que seria um “aspecto cultural” da África é, no mínimo, diminuir demais a cultura deles.

Aliás, quem decidiu que a África deve ser tida como algo unitário? Já repararam isso? É “cultura africana” pra cá, “costume do povo africano” pra lá. Como se aquele continente não fosse apenas um amontoado de etnias as mais diversas e, na maior parte dos casos, discrepantes entre si. Essa ideia de unidade não passa de uma construção sociológica tão recente quanto infundada, afinal, o que existe, para desespero dos coletivistas de plantão, é o ser humano. Há, pois, o sul-africano, não os sul-africanos. Coletivizar as sociedades, sabemos, nunca deu muito certo…

Eu poderia argumentar que na própria África do Sul, durante os torneios de rugby – que atraem muito mais o interesse do povo local -, não há vuvuzelas atormentando o público e os jogadores. Mas aí teríamos que nos debruçar sobre as origens de cada esporte, o que nos levaria invariavelmente a concluir que as origens culturais que serviram de berço para o rugby foram de grande influência para o – como direi? – “bom gosto” dos torcedores deste esporte. Mas isso seria temerário, pois rapidamente apareceria alguém pronto para me acusar de estar sendo racista…

Que coisa mais curiosa… Vivemos tempos tão policialescos, que a patrulha arregimentada pelo politicamente correto não hesita em transformar vuvuzela em raça. Basta que alguém se arvore a criticar as trombetas do apocalipse inventadas pelos sul-africanos e pronto: logo aparece um “bom moço” apontando o dedo progressista: “racista!”. Ué, mas desde quando vuvuzela é raça?! Eu não reclamo da vuvuzela porque é uma ideia dos negros. Eu reclamo porque ela simplesmente existe!

“Ah, mas é costume dos africanos, durante os jogos de futebol, tocar a vuvuzela. Os outros países estão lá como visitantes, precisam respeitar.” É? Bem, é um costume dos torcedores espanhóis e italianos ficar vaiando os jogadores negros dos times adversários durante toda a partida. Quando houver uma Copa na Espanha, os países africanos, porque apenas visitantes, deveriam aceitar isso, né? Ora, claro que não! Ninguém é obrigado a aceitar o que incomoda e é irracional, seja um barulho ensurdecedor, seja um ato estúpido de racismo. E é óbvio que não pretendo igualar um coro racista ao som das vuvuzelas. Quero apenas mostrar que essa história de “respeitar o costume” é patética. Se o costume é uma porcaria, deve ser criticado mesmo!

O mais divertido, porém, é ver a tentativa deprimente de politizar as vuvuzelas, exercida, preferencialmente, pelos jornalistas da ESPN – sempre mais engajados na luta contra os “pobrema çoçial”. Outra noite vi uma mesa redonda onde um dizia que “o som da vuvuzela é o grito de um continente esquecido.” Quase chorei… de pena do sujeito. Que continente esquecido uma pinóia! É, isso sim, um recurso que eles encontraram pra atormentar os times grandes, na esperança de conseguirem chegar mais longe na Copa. Graças a Deus não está dando certo… Melhor que essa seja a Copa dos jogos medíocres, do que a Copa das vuvuzelas… Já imaginaram se uma seleção africana ganha este ano? A vuvuzela vira símbolo da conquista! Um desastre!

Por sorte do mundo civilizado, a Inglaterra já anunciou que em Londres, nos eventos de 2012 e 2018, as vuvuzelas estão proibidas. É isso aí! Um brinde à democracia, afinal, ser livre e democrático não quer dizer condescender com aquilo que atenta contra a nossa liberdade. Querem ouvir as vuvuzelas? Pois façam um concerto musical com elas no “Soccer city”, quando a Copa acabar. Em Londres, caminhando pela Tower Bridge, o som de uma vuvuzela não seria apenas incômodo. Seria também muito mais cafona do que já o é em Soweto.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: As Tumbas da Contemporaneidade – Capítulo 4

25/03/2010

Deus e criações

Por Felipe Liberal*

Deus é o criador de todas as coisas, onipotente, onipresente e onisciente. Deus é tudo, definitivamente tudo.

Deus criou o diabo, o inferno e a matemática. Deus criou o universo, o mundo e os africanos Adão e Eva. Criou a África. Esqueceu a África e criou os outros continentes que foram povoados por imigrantes da África. Deus criou a cor branca, posteriormente à cor negra. Deus inventou o vinho e depois a cerveja, ou foi a cerveja e depois o vinho? Brancos e negros bebiam vinho, e brancos e negros bebiam cerveja.

Deus criou os outros deuses: Osíris, Ísis, os gregos, os romanos, Odin, os corvos da putrefação Huguin e Munin, as valquírias da morte entre os vikings, Javé, Alá, os deuses amarelos da Ásia, a indiana Mitra e etc. Deus criou todos eles e declarou guerra entre eles, várias vezes, infinitas vezes. Deus criou uma seleção natural entre os deuses, onde o mais forte vence e transforma o outro em pó, em páginas de livros de História.

Deus criou Johann Friedrich Blumenbach, zoólogo que reuniu 245 crânios humanos, comprovando que a raça branca provinha da região do Cáucaso e tinha o direito de se assumir superior à raça negra. Deus também criou o norte-americano James Watson, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, que afirmou em suas teses, em 2007, que os negros são menos inteligentes que os brancos. Mas nós todos fomos negros, temos os dois pés na África e somos fisiologicamente idênticos, mas é claro, Deus também inventou a ironia e o paradoxo.

Deus também criou um assistente, ou melhor, um grande assistente para auxiliar em suas invenções: a China. Os chineses, com o dom de Deus, inventaram praticamente tudo de que se tem notícia: chá; bússola; papel; seda; extração de sal, petróleo e gás; moinhos de água; imprimiram livros seis séculos antes que Gutenberg; pólvora; timão; roca; acupuntura; porcelana; futebol; baralho; lanterna mágica; pirotecnia; sismógrafo; pipa; papel-moeda; relógio mecânico; laca; pintura fosforescente; carrinho de mão; guarda-chuva; leque; estribo; ferradura; chave; escova de dentes e mais algumas coisinhas. Deus também inventou a mentira, que alguns países contaram sobre essas invenções.

Inventou, em 1492, um novo continente, que seria fruto de experimentos humanos por 500 anos. O continente da morte e das contradições.

Deus sozinho criou Kafka, Dostoiévski, Maiakovski, Tom Jobim, Chico Buarque, Villa-Lobos, Monet, Picasso, Gandhi, Nijinski, Jesse Owens, Juan Rulfo, Fidel Castro, Che Guevara, Mao, Stalin, Lênin, Roosevelt, Hitler, Napoleão e outras figuras também moldadas pelas mãos iluminadas.

Deus inventou a escravidão, os campos de concentração e as guerras. Deus criou o ódio e o amor. Criou também a pistola, a espingarda, as bombas, o fuzil e outros modos de mostrar quem manda e tem poder. Deus criou o conformismo, a alienação e tudo que faz o ser humano não ser humano. Deus criou Hiroshima, depois destruiu Hiroshima. Criou o Vietnã, depois destruiu o Vietnã. Criou o Iraque, depois destruiu o Iraque. Deus inventou Bush, e também o ataque terrorista de Nova York e Washington. Inventou Bin Laden e criou uma justificativa para tudo que somos hoje.

Deus criou tudo, absolutamente tudo.

Mas e se Deus não existir? Quem criou tudo isso? O que existe e o que não existe? O que nós somos? O que nós sentimos? Quem explicaria tudo?

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Guiné Equatorial prova que há subdesenvolvimentos e subdesenvolvimentos

07/03/2010

Informa o Globo, provando que nem todo subdesenvolvimento se dá por falta de oportunidade, por ação do imperialismo americano ou por opressão histórica colonial, além de dar ao Perspectiva a oportunidade de trazer para o debate um tema que vai dar o que falar nos comentários:

“Avenida Vieira Souto, 206. Este será o endereço da família Obiang no Rio, se concretizada a compra de um apartamento triplex em prédio de cinco andares projetado por Oscar Niemeyer há meio século: são dois mil metros quadrados de área útil, com rampa entre a sala de 720 metros e o pátio da cobertura, em ângulo com o magnético mar de Ipanema.

Os Obiang costumam se destacar nas listas das famílias mais ricas do planeta, como as da revista ‘Forbes’. Há três décadas detêm a hegemonia do poder e dos negócios na Guiné Equatorial, país do tamanho de Alagoas, onde 520 mil pessoas vivem em cima de um oceano de petróleo espraiado pelo Golfo da Guiné — o braço do Atlântico que invade a África, na região conhecida como coração geográfico da Terra, porque ali se cruzam as linhas do Equador (0º de latitude) e do meridiano de Greenwich (0º de longitude).

O negócio imobiliário no Rio, estimado em US$ 10 milhões, é apenas reflexo das prósperas relações do clã Obiang com o governo, a Petrobras e empreiteiras brasileiras, como mostra a reportagem de José Casado na edição do O GLOBO deste domingo.

A Petrobras tem 50% de um campo petrolífero em exploração. Já a Andrade Gutierrez – dona do apartamento em Ipanema – soma US$ 500 milhões em contratos. Outra construtora mineira, a ARG, obtém naquele país 40% da sua receita anual (US$ 155 milhões em 2008).

O comércio entre o Brasil e a Guiné Equatorial aumentou cem vezes nos últimos seis anos: saltou de US$ 3 milhões em 2003 para US$ 300 milhões em 2009. Nos últimos seis meses, dois ministros brasileiros (o chanceler Celso Amorim e Miguel Jorge, da Indústria e Comércio) viajaram à capital, Malabo, para negociar uma dezena de novos acordos.

A Guiné Equatorial é um fenômeno africano. Por causa do bilhão de barris de petróleo extraído anualmente, exibe uma das maiores rendas per capita do mundo (US$ 28 mil por habitante) – quase quatro vezes maior que a do Brasil, superior à de Israel e Coreia do Sul, informa o Banco Mundial.

Essa riqueza contrasta com o real padrão de vida da população: quase oito de cada dez habitantes sobrevivem com renda pouco acima de US$ 1 por dia, apenas 44% da população têm acesso à água potável, e a desnutrição impera entre 39% das crianças com menos de 5 anos.

Há quatro semanas, o Senado dos EUA encerrou uma investigação sobre o destino da riqueza da Guiné Equatorial. No relatório final, com 330 páginas, o clã Obiang emerge como uma vigorosa cleptocracia, elevada à categoria de ‘caso de estudo’ sobre práticas de corrupção governamental.”

Impossível não recordar da tese de que alguns subdesenvolvimentos são estados de espírito.

Coluna do dia: O ano termina e começa outra vez

04/01/2010

Por Jessica Riegg*

Olá caros leitores, feliz Ano Novo! Feliz 2010!

E é assim que devemos começar essa nova etapa de nossas vidas, com os corações abertos e cheios de esperança. Afinal, este ano teremos dois fatos marcantes para a nossa história: Copa do Mundo e, não menos importante, eleições.

A Copa do Mundo este ano será realizada na África e poucos sortudos poderão comparecer aos jogos, mas garanto que todo brasileiro que tiver oportunidade, os assistirá. Eles se preocuparão com a atuação de Dunga (que até então é o nosso treinador) e todos os jogadores convocados. Os brasileiros, e nisso eu me incluo, se preocuparão com o grupo no qual o Brasil vai jogar, que consiste em Portugal, Costa do Marfim e Coreia do Norte.

Todos os patriotas estarão preocupados com a Copa 2010, e caso o Brasil ganhe, sairão gritando pelas ruas que o seu País é campeão! Debocharão dos argentinos e principalmente de Maradona (técnico) e de sua primeira Copa do Mundo como treinador.

O que me preocupa realmente, é que 2010 também é ano de eleição, e todos nós sabemos que o encontro das datas não é mera coincidência. Copa e eleição no mesmo ano, e com poucos meses de diferença, é um fato que configura mais uma artimanha dos governos que desejam que os eleitores só enxerguem os seus candidatos quando for a hora de digitar os números na urna.

Eu, como Jornalista, luto para que a população se conscientize da importância de cada voto, e o Perspectiva Política luta para dar o máximo de informações a respeito dos candidatos. Os eleitores precisam saber que nenhuma guerra está perdida até que a última batalha termine, nesse caso, até que os votos do segundo turno sejam contados.

Vocês, maiores de 16 anos, precisam lembrar que é necessário se preocupar, desde já, com quem vai ocupar as cadeiras do poder. Precisamos conhecer a fundo cada candidato e votar no melhor, mesmo que isso contrarie as pesquisas em alguns casos.

Precisamos pensar no futuro do nosso País e dos nossos estados, porque as decisões que esses homens tomam influenciam a nossa vida e, inclusive, as próximas Copas do Mundo.

Pense consciente!

*Jessica Riegg, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Artigo do leitor: Outra visão sobre Ahmadinejad

02/12/2009

Caríssimos leitores,

Se inicia hoje mais uma possibilidade de interação entre os leitores deste blog, que já recebem considerável atenção deste blogueiro. Digo considerável pois, embora ela seja muito grande, sempre há o que melhorar.

Abro espaço nesta postagem para um artigo do leitor Carlos Robson, que, nele, trata sobre a questão das críticas ao Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e ao fato dele ter sido recebido com pompa e circunstância em nosso País. No artigo, Robson questiona a validade deste posicionamento crítico que, para ele, pode ser um tanto hipócrita.

É um prisma a ser observado.

Dito isso, confiram o texto de nosso leitor que, como todos os outros, pode agora, além de comentar sem moderação e ter a certeza de ter seu comentário respondido, submeter artigos ao blog.

Outra visão sobre Ahmadinejad

Carlos Robson*

Com a controvertida visita de Armadinejad ao Brasil foram gerados muitos protestos e críticas, porém, as motivações em jogo na verdade não se enquadram na política nacional.

Para os israelitas, tudo é claramente motivado por sua política, e não pela nossa. No que tange os homossexuais, a crítica é puramente religiosa. E, para os que foram no vácuo, a reclamação é preconceituosa mesmo.

Aos que criticam, não importam os acordos comerciais e nem tecnológicos, aliás, para os EUA e Israel isso tudo é muito incômodo, pois um inimigo que estava quase isolado agora encontra “um palanque no Brasil”.

O professor Peter Demant, holandês, doutor em seu país sobre a colonização israelense, morou e pesquisou em Jerusalém, chegando ao Brasil em 1999, e desde então, leciona Relações Internacionais e História da Ásia na USP. Ele defende que o mundo muçulmano historicamente apresentou um comportamento muito mais tolerante para com suas minorias do que o mundo cristão com as minorias na cristandade.

Podemos lembrar que ambas as religiões são monopolistas da verdade, expansionistas que, em princípio, querem converter todo o resto do mundo. Contudo, o Islã aceita o Judaísmo e o Cristianismo como antecedentes legítimos de sua própria religião, como formas um tanto modificadas da mesma mensagem de Deus. Assim, essas religiões têm um papel reconhecido e protegido dentro de uma sociedade religiosa, resultando em uma tolerância – mediante certas desqualificações sociais, econômicas e outras.

É claro que sempre temos a tendência de desqualificar a política, a cultura e a religião alheias e esquecemos que a verdadeira democracia, baseada na res publica (coisa pública), com certeza é o sistema político mais seguro contra ditadores e injustiças sociais. Pelo menos, era assim que deveria ser.

Porém, na nossa atual política ainda é muito comum o abuso do poder econômico para comprar cargos públicos e é praxe nas campanhas se falar em quanto  custa se eleger para um determinado cargo político. Digo isso para que possamos aperfeiçoar nosso sistema antes de criticar o sistema dos outros.

Mas, voltando a Ahmadinejad, aposto que se fosse o Rei Abdullah bin Abdelaziz, da Arábia Saudita, a vir aqui, ninguém faria esse absurdo que alguns fizeram com o  iraniano. E Abdullah sim é um ditador monárquico (mas como ele é aliado dos EUA não passa nada).

Será que ninguém nesse mundo vê as injustiças que acontecem com o povo árabe? Os EUA invadem os países deles, saqueiam e querem controlar a política e, daí, quando algum país sai de seu controle, eles usam toda a mídia mundial para encapetar uma nação (por que essa é a realidade – criaram uma imagem super negativa dos árabes).

Há maior terrorista no mundo do que George Bush filho? Eu não duvido nada que ele possa ter manipulado facções extremistas e fomentado aquele ataque de 11 de setembro para se reeleger e, depois, de quebra, ter apoio do povo americano para sua guerra pessoal e corporativa, já que as empresas de sua família são concorrentes dos xeques do petróleo.

Depois disso, fica a maioria dos ocidentais de cultura de  “robôs papagaios” só repetindo o que a mídia norte-americana diz.

Daí, no subconsciente das nações ocidentais fica o arquétipo de Rambo, ou de Schwarzenegger e de outros patetas fuzilando os demônios árabes, enquanto o mundo ocidental, embriagado pela fascinação cinematográfica norte-americana, aplaude e aplaude, até hoje, embevecido.

Os retratam como a polícia do mundo, mas, na verdade, os EUA não são a polícia do mundo, senão os sabotadores. A Africa está lascada muito por culpa do governo americano que apoiou ditadores nesses países (tal como fez na America Latina no passado).

Duvidas? Assista ao controvertido e premiado documentário, ao estilo de Michael Moore, que fala sobre a influência americana na Líbia e resto da Africa. Verás de maneira clara quem são os “policiais do mundo”…

Não morra sem ver isto!

*Carlos Robson é leitor do Perspectiva e submeteu artigo ao blog

Coluna do dia: Eleições em Honduras – O Brasil parece querer o juízo final

30/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A política externa brasileira vem sendo criticada por mim, e por inúmeros outros articulistas, faz tempo. Subserviência a Chávez, apoio a toda sorte de ditadores e genocidas africanos, esmolas em profusão para nossos vizinhos que, ao invés de trabalharem pela melhora de seus países, ficam chafurdados no velho discurso de que a culpa de sua pobreza é do “Imperialismo Tupiniquim” e não de seus governos preguiçosos e de uma população acostumada ao populismo e ao assistencialismo.

A posição do Brasil frente às eleições hondurenhas deste domingo é mais um ponto de vergonha na política externa do governo Lula. A canhestra operação de acobertamento envolvendo a tomada da embaixada brasileira em Tegucigalpa pelas “legiões” de Zelaya e a sua transformação em palanque político (contra todas as leis internacionais) pelo velho caudilho hondurenho, não foram suficientemente capazes de fazer ver a Lula e ao Itamaraty a burrada em que o Brasil se meteu.

Além de abdicar do importante papel de mediador e de agente da normalidade política, aumentando o seu poder de influência na região e levando uma imagem de país preparado para lidar com crises além da sua própria fronteira, o Brasil, embalado pela subserviência a Chávez, tomou o pior partido possível e acabou se prestando ao papel de marionete de Zelaya e do venezuelano.

Honduras vivia a quase normalidade política e todas as partes compactuaram com um acordo firmado pelo Presidente da Costa Rica, que reconduziria o país para a normalidade democrática. Mas o retorno de Zelaya ao país e o seu abrigo em nossa embaixada serviram para lançar a nação hondurenha à beira de uma guerra civil e da instabilidade institucional. Tudo porque o Brasil deixou que Zelaya acessasse rádios, canais de televisão e a imprensa internacional através da nossa embaixada e conclamasse os seus seguidores a se revoltarem.

Como sempre vimos nas transmissões ao vivo, as passeatas sempre eram de poucas centenas de pessoas. Contudo, a balbúrdia e a insegurança criadas por elas levaram o país para a beira de um colapso social e de uma luta fratricida.

Como ficou claro depois, Zelaya nunca quis negociar. Seu intuito era mesmo criar confusão e ser reconduzido “nos braços do povo” para o palácio presidencial (do qual foi retirado legalmente ao violar a Constituição de Honduras). Ao perceber que isso não aconteceria, pelo simples fato de que a maioria da população de seu país estava contra ele, a única alternativa era impedir as eleições. Com a ajuda do Brasil, Zelaya e Chávez tentaram de tudo. Mas, com o apoio dos EUA e de quase toda a comunidade das Américas para a realização das eleições e o reconhecimento de que isso encerrava a crise de uma vez por todas, Zelaya viu a sua posição esvaziar-se e até os membros de seu próprio partido participaram das eleições.

O resultado não pode ser mais expressivo do pensamento do povo hondurenho: Tanto o partido de Zelaya quanto o de Micheletti foram derrotados nas eleições. Isso demonstra claramente que o povo hondurenho está farto do populista de chapéu de vaqueiro e do incompetente que não soube explicar à comunidade internacional o acontecido.

As eleições colocaram um fim nessa longa pantomima mal interpretada e cheia de atores de terceira categoria. Mas, insatisfeito com seu papel ridículo, o Brasil se uniu às “forças do avanço” (Venezuela e Equador) e se recusará a reconhecer o vencedor das eleições hondurenhas como Presidente eleito legítimo.

O que querem o Itamaraty e o governo Lula? Um banho de sangue? A convulsão social em Honduras? Uma guerra civil?

Tudo isso para satisfazer Hugo Chávez e um obscuro caudilho centro-americano que só nos deu dores de cabeça. Além disso, ao invés de reduzir os danos, ao ser derrotado miseravelmente em seu apoio a Zelaya, o Brasil assumirá a posição equivocada de esperar que Papai Noel restitua o poder a ele.

O mais estranho é que Zelaya, ao ter sua proposta de negociação submetida à Suprema Corte Hondurenha, ainda foi condenado por traição. Portanto, se deixar a embaixada brasileira, ao invés do palácio presidencial, vai para a cadeia.

E o Brasil corre o risco de ficar com o “mico internacional” do ano ao apoiar a realização do Juízo Final e de uma guerra civil como única forma viável para reempossar um Presidente que desejava “apenas” eternizar-se no poder e violar a sua própria Constituição.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: A globalização da fragmentação

19/11/2009

Por Felipe Liberal*

O neoliberalismo, que seria o rosto mais perverso do todo poderoso capitalismo, não se fixou. O sistema que globaliza mercados e culturas não se organizou e está começando a dar sinais de amadorismo, mostrando sua verdadeira face em vários momentos, coisa que a história já mostrou que não é aconselhável.

A Europa, com sua união mais desunida de todos os tempos, começa a mostrar que toda a fantasia harmoniosa que forma a comunidade europeia é apenas fachada. A Inglaterra e seu american way of life continuam com desejos de combater o que se tenta chamar de “Grande Império Europeu”, ratificando-se como eterna ponte entre os EUA e a Europa.

Do outro lado do canal, o chefe francês, Nicolas Sarkozy, já toma decisões protecionistas, visando defender o emprego dos franceses contra a globalização liberal, desestabilizando o euro e entrando em choque com o carro-chefe da UE, a Alemanha.

Angela Merkel, primeira-ministra alemã, quer o euro cada vez mais forte e começa uma integração econômica cada vez maior com a Rússia (esta que será a grande ameaça ao eixo “Washington-Londres” nos próximos anos, pois a perda de territórios em 1991 foi enorme e está longe de ser esquecida), de certa forma se distanciando do poderio britânico e criando tensões com a França.

Sarkozy, por sua vez, já fala em um novo bloco aliado a países norte-africanos e à Turquia, sob sua liderança. A Europa não está globalizada, como o mundo também não está. A fragmentação é o que há de mais real nesse momento da história mundial, portanto não é apenas na Europa.

Como não falar de um dos continentes mais complexos e extremos do mundo, a América Latina? Talvez o continente mais despolitizado do planeta e ao mesmo tempo um dos mais revolucionários também. Essa complexidade que nos cerca aqui embaixo está evidente nesse novo processo que está em andamento desde a virada do século. O neoliberalismo está sendo tão desgastante, através do seu genocídio silencioso, que o novo socialismo, ou o pós-neoliberalismo (não se sabe ainda), está rapidamente tomando as cabeças latino-americanas nos principais países.

A permissão que os povos como os da Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua deram aos seus novos governantes foi de grande coragem e uma determinante resposta ao imperialismo estadunidense. Essas pessoas simplesmente decidiram que o país pertence ao povo e não a empresas de nomes estranhos e sem rosto. As reformas sociais e as mudanças no cotidiano das pessoas são fatos inegáveis dentro do aspecto social. Porém, no lado político, as discussões são polêmicas e pertinentes sobre o desenrolar aqui no eterno caldeirão fervente que é a América do Sul.

É de extrema importância ratificar e ressaltar o nosso continente dentro do quadro mundial, principalmente por esse novo pensamento estar sendo contagiado para novos países e nações. A unificação da América Latina a torna fragmentada do resto do mundo e da América do Norte.

Não podemos também falar sobre complexidade sem falar do continente asiático. A efervescência econômica que vigora do outro lado do mundo é extremamente prejudicial a qualquer tentativa de progresso social em grande escala. Tudo o que foi conquistado na China para o povo está sendo devolvido de forma despótica para o desenvolvimento econômico, que não pode parar.

A China cresce em parceria com os EUA. Sem eles nada funciona no país de Mao. A dependência econômica mútua entre esses dois países elimina qualquer ameaça de conflito militar em um futuro próximo, transformando a Ásia em um continente indiscutivelmente capitalista. O Japão, representante estadunidense na localidade, funciona de forma muito semelhante à da Inglaterra, carregando as outras potências emergentes nas costas e defendendo com unhas e dentes a soberania imperialista americana.

Portanto, não estamos falando de um bloco mundial globalizado, e sim, de vários blocos heterogêneos ao redor do planeta. Isto não é novo, pelo contrário, sempre existiu em todos os períodos da história, porém sempre serviu como uma projeção de novos conflitos entre grandes países. O mundo está se desenhando novamente para esse novo velho quadro.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal