Postagens com a palavra-chave ‘Afeganistão’

Coluna do dia: 2009 – Choros e sorrisos

31/12/2009

Por Felipe Liberal*

O ano de 2009 foi um ano de certas desgraças.

Vimos mais uma vez que o capitalismo é tão fraco quanto uma folha de papel, mas também que ele é a única coisa que temos para viver. Percebemos que enquanto discutimos sobre a imortalidade humana dentro da ciência, o planeta se torna cada vez mais mortal e mortífero.

Em 11 de setembro de 2009, relembramos uma das maiores tragédias da Humanidade: O assassinato de 30 mil pessoas em Santiago do Chile, naquela terça-feira de setembro, em 1973, quando os EUA acabaram com qualquer esperança de liberdade naquele país.

Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz, mesmo depois de ter atacado o Afeganistão.  Uma grande brincadeira de mau gosto. A intensificação do conflito na Faixa de Gaza, onde mais de 1.500 palestinos morreram no último ano, também é algo a ser lembrado e modificado em 2010.

Perdemos o maior (em expressão e fama) músico e dançarino de todos os tempos. Michael Jackson morreu de racismo, ganância e loucura, empreendidos por ele mesmo.

E a pior das tragédias: o Clube Náutico Capibaribe caiu para Série B do Campeonato Brasileiro, causando uma imensa tristeza nos quatro cantos do Brasil e do Mundo.

Mas o ano de 2009 também foi um ano de alegrias e glórias.

O Brasil conseguiu se recuperar da crise rapidamente, ratificando sua diversidade comercial e seu equilíbrio político dentro da política interna e externa. O Natal brasileiro nunca foi tão gordo, por conta da ascensão de grandes camadas pobres ao “Império do Consumo”.

A integração regional dentro da América Latina deu passos importantíssimos, com relevantes avanços do Mercosul, Banco do Sul, Parlamento do Mercosul, etc. A América do Sul foi um dos primeiros continentes a sair da crise, sem passar por sérios problemas.

A preocupação com o Meio Ambiente e com o futuro do Planeta Terra cresceu assustadoramente em 2009. Os encontros e reuniões (apesar da falta de sucesso), juntamente com a popularização da discussão sobre o tema, deram esperanças para os anos vindouros, que não serão fáceis.

Muitas outras coisas explodiram e nasceram dentro deste ano tão controverso. As mais importantes para mim, estão aqui.

Os anos que virão serão assim: tristes e alegres, trágicos e gloriosos. Como sempre. Seria outra piada de mau gosto tentar mudar isso.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Geopolítica – Nada de novo no Front Oriental

03/11/2009

Por Raphael Machado Silva*

Como já era de se esperar, o colaboracionista afegão Hamid Karzai permanecerá Presidente do Afeganistão. Seu rival, Abdullah Abdullah, subitamente desistiu do segundo turno, citando certas práticas da comissão eleitoral como causa.

Contudo, a verdadeira razão demorará a surgir, se o fizer. Questionar a “legitimidade democrática” do governo Karzai é inútil. O Afeganistão é um país invadido e ocupado por uma força hostil, portanto, não há que se falar, ou mesmo que se preocupar, com tais fatores quando quem permanecerá definindo diretrizes e objetivos será a força de ocupação.

Venceu aquele que melhor se adequava à estratégia dos invasores. Poderíamos ter sido poupados de tanto teatro, simplesmente, com uma declaração direta de que Karzai permaneceria no cargo e com poderes extraordinários, até a vitória “aliada” na Guerra.

O problema é que, teoricamente, a Guerra do Afeganistão já foi vencida. Pelo menos foi isso que o Presidente americano pretérito, George W. Bush anunciou publicamente. É o tal “Mission Accomplished”.

Agora os EUA estão experimentando uma nova estratégia. Tropas americanas estão se afastando das fronteiras do Afeganistão com o Paquistão, ao mesmo tempo em que o exército paquistanês está engajado em um grande ataque contra o Talibã, na região Noroeste do país. A esperança americana é poder vencer a guerra usando os recursos humanos paquistaneses, dessa forma evitando ter de enviar ainda mais tropas, como se tem cogitado, e evitando o desgaste político e diplomático do Presidente-Messias Obama.

Assim, o Messias da Paz, que trava atualmente duas guerras e ameaça um terceiro país, conseguiu colocar mais uma nação em absoluto estado de guerra, causando no Paquistão caos generalizado, inúmeros atentados, o recrudescimento das insurgências tribais e o aumento do sentimento antiocidental entre os nativos. Os recentes conflitos no Paquistão, em várias de suas fronteiras, levaram mais de um milhão de pessoas a abandonarem suas casas para fugir dos bombardeios e explosões.

Para realizar esse trabalho sujo, os EUA sabem quem “convocar”. Como sempre, os EUA colocaram um governo-marionete na liderança de um país, para que o mesmo massacre a própria população. Como na maioria dos países muçulmanos em que os EUA conseguiram isso, a população civil é radicalmente a favor do “inimigo”. Sim, os paquistaneses, em geral, vêem os Talibãs como amigos e os americanos como inimigos.

Em verdade, a situação local é cada vez mais clara. O governo americano nem ao menos se digna a pedir permissão ao governo paquistanês para realizar bombardeios em seu território. Seria burocracia inútil. Já é o bastante que Islamabad seja avisada dos bombardeios logo após os mesmos.

E se surgirem problemas na região? Apenas o governo local sofrerá as consequências, pensam os estrategistas americanos. Se de início, o Paquistão tinha apenas que lidar com o Talibã (além de cuidar da Caxemira, na fronteira com a Índia), agora o exército paquistanês enfrenta rebeldes da etnia Pashtun, rebeldes na província de Punjab e na província do Waziristão, além de crescentes atentados terroristas contra representantes do governo. A maioria desses conflitos teve início apenas nos últimos anos e estão relacionados ao intervencionismo americano na região.

Mas se essa estratégia não se desenvolver como planejado, e me parece que ela é fraca demais, e o atual governo pró-americano do Paquistão for derrubado, sendo em seu lugar instaurado mais um governo islâmico antiocidental? Como isso não afetaria as guerras no Afeganistão e no Iraque?

A estratégia americana na região parece cada vez mais desesperada. Resultado claro de uma sequência de presidentes estrategicamente incompetentes, com o pior de todos sendo o pretenso Messias da Paz, Obama, o qual está cercado por loucos, como Hillary Clinton, que afimou estar preparada para “obliterar” o Irã.

Lá vão o Messias e seu bando, sendo adulados pelas massas acéfalas, enquanto distribuem morte e destruição em vários países do mundo. Se com isso os mesmos ao menos conseguissem realizar os objetivos estratégicos nacionais, eu até poderia relevar algumas questões.

Ao contrário, agem como crianças que havendo achado os brinquedos do irmão mais velho, mas sendo novos demais para saber usá-los, quebram tudo e no fim, fingem inocência, atribuindo a um terceiro, todas as suas culpas.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: A ironia da liberdade no Afeganistão

20/10/2009

Por Raphael Machado Silva*

Os deuses possuem um belo senso de humor, e penso que esse senso de humor se torna manifesto, principalmente, nos eventos os quais categorizamos como “irônicos”. É como se, no jogo de circunstâncias eternamente mutantes a que chamamos “devir”, subitamente ocorresse algo cujo valor é o de pura zombaria frente a certas declarações e polêmicas, enunciadas, com uma solenidade pomposa, por personagens repletos de empáfia diante do mundo. Um padre sifilítico é um ótimo exemplo de ironia divina.

Eu prefiro as ironias políticas. Como um Presidente beligerante ganhando um Nobel da Paz, por exemplo. Ou a descoberta de que um terço dos votos das eleições presidenciais ocorridas no democrático e “liberto” Afeganistão foram fraudados, em favor da reeleição do títere Hamid Karzai, alguns meses após as polêmicas acusações, feitas pelos “protetores” do Afeganistão, de que as eleições no “totalitário” e “satânico” Irã foram fraudadas para que se promovesse a reeleição de Ahmadinejad.

Portanto, em realidade, Karzai não alcançou a quantidade necessária de votos para garantir sua reeleição no primeiro turno, como até então se achava. Terão os “libertadores” sido surpreendidos com essa informação? Mas é claro que não. Karzai é um líder fraco. Sendo um líder fraco, ele é essencial para a continuidade da ocupação do Afeganistão.

Karzai não só nunca estará em posição de minimamente controlar a atuação das tropas invasoras em seu país, como também serve como barreira entre a ira popular e as tropas invasoras. Reivindicações, reclamações, revoltas, etc, sempre serão voltadas, em primeiro lugar, contra o governo Karzai e apenas em segundo lugar contra os invasores estrangeiros. Isso me lembra a ocasião em que, após as tropas americanas “liberarem” a Sicília durante a Segunda Guerra, foram libertos todos os “Dons” das máfias e os mesmos foram instaurados, pelos americanos, como prefeitos das cidades sicilianas.

Oh! Nós certamente cremos na “liberdade” do Afeganistão. Afinal, antes eles eram malignos produtores de ópio e, agora, no Afeganistão “liberado”, a população está livre para se tornar usuária do alucinógeno e para se engajar em todas as depravações que tão bem caracterizam a modernidade. E, certamente, o destino do Ocidente está indissociavelmente ligado ao destino do Afeganistão, não é?

Agora, o que farão os invasores diante dessa desagradável revelação eleitoral? A vitória de Karzai é essencial para os objetivos de longo prazo dos invasores no Afeganistão.

Mais ironia que isso é o Irã sendo atacado por terroristas ligados à Al-Qaeda, quando todos, inclusive nossa maior rede de televisão, juram de pés juntos que há íntimas relações entre a organização terrorista e a Teocracia Iraniana.

Falta é o nosso Presidente se tornar membro da Academia Brasileira de Letras, para que fique demonstrado que nosso mundo é uma grande piada de mau gosto.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: O Nobel da Paz de um charlatão marionete

13/10/2009

Por Raphael Machado Silva*

Haveria alguma premiação internacional importante mais bitolada do que o “Prêmio Nobel da Paz”? Eu duvido muito. Ela é um fruto inconfundível dos fins do século XIX, daquela típica (e patética) mentalidade liberal, humanista, positivista e darwinista social, profundamente crente no infinito progresso material do homem e na ideia de que tal progresso “redimiria” a humanidade, inaugurando uma era eterna de paz, em que os ideais da revolução francesa “finalmente” se veriam cumpridos. Só em ouvir falar em tudo isso, me enojo.

Tendo essas origens, esse prêmio não poderia ser nada mais do que uma total nulidade. Esse é, basicamente, o prêmio dado às celebridadas mais “pop” do cenário político internacional. Para ganhar os outros prêmios, é necessário ser um grande inventor, um grande descobridor ou um grande criador. Em cada um dos outros prêmios, premia-se o homem cujos FEITOS mais se destacaram naquele ano. Ainda que se possa duvidar da neutralidade, probidade ou bom gosto dos responsáveis pela escolha, ainda assim é necessário algum mérito para receber qualquer dos outros prêmios Nobel.

O prêmio Nobel da Paz é o prêmio dos sofistas. Para ganhá-lo você tem que ser um grande falastrão. Você tem, aliás, que ter “costas quentes” e ser queridinho da mídia, pelo menos naquele ano. É um prêmio que se resume a nada.

Você quer ganhar um Nobel da Paz ano que vem? Crie um jornaleco e escreva periodicamente pequenos artigos onde você deplora “a guerra”, pede o fim das “armas nucleares”, prega a religião dos direitos humanos, defende homossexuais, feministas, minorias étnicas, anões e outros “perseguidos” e protesta pelo desarmamento civil. Depois arranje umas pessoas e faça com elas um círculo de mãos dadas, pedindo para que todos cantem “Imagine” de John Lennon. Basta gravar tudo isso e postar no YouTube. Suas chances de vitória serão grandes, já que após ler a lista de indivíduos ganhadores desse Nobel da Paz, vi pessoas que fizeram bem menos do que isso e ganharam.

Se nem “bonzinho” você tem que ser?! Você pode até ser um genocida e ganhar um Nobel da Paz, desde que você seja um genocida “do lado certo”. A vitória de Obama foi uma piada? Já houve piadas piores. O que dizer sobre Henry Kissinger, ganhador em 1973, responsável pelo extermínio deliberado de civis no Vietnã e Camboja, através de bombardeio aéreo, além de ter tido papel central na famosa “Operação Condor”? Até o general comunista, Le Duc Tho, que receberia o prêmio em conjunto, teve a hombridade de recusar o prêmio. Em verdade, na década de 30, mesmo Stalin e Hitler receberam indicações.

As desculpas para as atribuições desse prêmio são as mais risíveis: “Pelos esforços na luta pela paz…”. Exatamente que esforços têm sido esses, que valeram a Barack Hussein Obama seu prêmio? Ele… Ele… Ele… Ora, ele conversou com muitas pessoas! Nisso, o Sr. Hussein Obama sem dúvida é muito bom. Ele adora discursar e conversar, tudo isso com uma solenidade messiânica absolutamente enojante.

É ainda mais revelador quando as pessoas começam a justificar esse prêmio com coisas que Obama PROMETEU fazer, mas não está nem perto de realizar: “Ah, Raphael, ele fechou Guantánamo”. “Ah, Raphael, ele acabou com ‘as guerras’”. Será que vivemos no mesmo mundo? Até onde eu sei, Guantánamo continua eficiente e operante. E as guerras no Oriente Médio continuam sem previsão realista de término, enquanto Obama considera com seriedade a possibilidade de enviar ainda mais tropas para o Afeganistão e intervir no Paquistão, além de fazer ameaças veladas de guerra ao Irã.

Ah! Já descobri uma grande contribuição de Obama para a paz mundial! Ele, no dia 2, na mesma semana da premiação, assinou um acordo em que prometeu que ajudaria a manter secreto o enorme arsenal de armas nucleares de Israel. Sem dúvida, acobertar o único país que pode se permitir o luxo de não admitir a inspeção internacional de suas instalações nucleares sem represálias, e que já admitiu abertamente ter mísseis apontados para várias capitais européias “apenas por precaução”, é um grande avanço para a paz no Oriente Médio.

Vê-se o desespero da população americana pela maneira fácil com que ela é hipnotizada pela mera repetição de “palavras mágicas”. “The American people need… health… education… security… freedom… peace… love… equality… yes we can.”

Vê? Não é nem necessário usar artigos, preposições, conjunções e outros instrumentos linguísticos. Simplesmente reúna todas as coisas boas do mundo, misture com chocolate e algodão-doce e repita enfaticamente até o cérebro do eleitorado derreter. Você ganha um “bônus” se pertencer a alguma suposta minoria perseguida.

Eu suponho que seja ainda mais fácil hipnotizar a população do Brasil. Tudo isso me parece muito coisa dos “Teletubbies”, “Barney e seus Amigos” ou “Vila Sésamo”, mas para minha surpresa e desgosto, não é que isso funciona?

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: E o Nobel da Guerra vai para…

10/10/2009

Por Felipe Liberal (substituindo Rafael Oliveira)*

A História é justa. Não vejo nada mais justo que o “Mercador da Morte”, Alfred Bernhard Nobel, seja o dono da vida e da paz. Nada mais correto que esse sueco explosivo, inventor das bananas de dinamite (neste momento lembrem-se dos corpos dilacerados por elas, se nunca viram, imaginem), dê sobrenome ao maior prêmio dado aos que buscam o marasmo e o branco da conversa e da diplomacia. O que seria da Vida sem a Morte? E o que seria da Paz sem a Guerra?

A Guerra – que matou Santos Dumont de depressão – é um privilégio de poucos. Quando soube que Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz, várias lembranças surgiram em minha mente, como se fosse um raio.

O ex-Presidente americano Theodore Roosevelt ganhou o prêmio Nobel da Paz, em 1906. Roosevelt foi o responsável pela política americana do “Big Stick” (Grande Porrete), que até hoje causa pesadelos em alguns países latino-americanos. Não se tem ideia de quantos corpos foram ao chão por conta das ações do “homem do porrete”, mas, com certeza, ninguém ainda contou as vítimas de quando ele era chefe militar, antes de se tornar Presidente.

Já o ex-Presidente e democrata Thomas Woodrow Wilson, que ganhou o Nobel da Paz em 1919, possui uma boa desculpa para dar. Ele criou a Liga das Nações (a ONU da época), para estabelecer a paz no mundo. Mas ninguém perguntou às milhares de vítimas das invasões feitas por ele no México, Nicarágua, Panamá e Haiti, se elas concordavam com isso. E sabem por que não perguntaram? Porque essas pessoas estão mortas, algumas queimadas, outras destroçadas e muitas desaparecidas. Além disso, Wilson foi um dos presidentes americanos que mais reduziu a participação de negros na política americana, em vários estados do país.

Quando alguém fala em Demônio, logo me vem à cabeça um nome: Henry Kissinger. O Milosevic de Manhattan, ex-Secretário de Estado dos Estados Unidos, por incrível que pareça, também ganhou o Nobel da Paz, em 1974. Kissinger é responsável pela morte de 600 mil civis no Camboja, 350 mil em Laos e 500 mil em Bangladesh. Assassinou indiretamente, em 1973, o Presidente eleito do Chile, Salvador Allende, e colocou Pinochet no lugar. Apoiou o general Suharto, no genocídio de pelo menos 200 mil pessoas no Timor Leste e planejou o golpe militar do Chipre, em 1974.

Já em pleno século XXI, no ano de 2009, o Presidente Barack Obama recebe o Nobel da Paz. Mais um americano com as mãos sujas de sangue recebe o troféu que representa a Vida. Para quem ainda não sabe, em maio deste ano, os EUA bombardearam o Afeganistão, matando mais de 200 civis e deixando centenas de desabrigados. Obama também retirou um grande montante de dinheiro das pensões operárias na GM, para pagar dívidas com o Citibank e o JPMorgan, dando uma boa dose de insegurança para esses trabalhadores. Muito sangue para quem só tem 10 meses de governo.

Já que sabemos que os jurados para a escolha do Prêmio Nobel da Paz são cegos, surdos e mudos, mudaremos o nome da festa. O Prêmio Nobel da Paz agora se chama Prêmio Nobel da Guerra. Agora sim, a História fica ainda mais justa e coerente.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas, está substituindo Rafael Oliveira excepcionalmente e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: História, democracia plena e outras mentiras

10/09/2009

Por Felipe Liberal*

Nada mudou. Os bandidos continuam sendo os de barbas longas ou algum mestiço metido a independente, quaisquer que sejam seus países. Já os heróis se vestem de vermelho e azul, que são as cores de Deus, um Deus americano, feito de Coca-Cola Zero misturada a uma boa dose de anabolizantes feitos na Marvel. Nunca se esqueçam caros colegas, que Deus escreve certo por linhas tortas, e não vejo nada mais torto do que tudo que os EUA fizeram no século XX.

Muita gente afirma que os americanos são democráticos. E é verdade, são sim. São tão democráticos que todas as ditaduras latino-americanas e asiáticas tiveram participação decisiva do Tio Sam. O derramamento de sangue que vigora hoje no Iraque e Afeganistão é consequência da implantação da democracia sem nenhum planejamento ou estudo, como se a população desses países fosse formada por animais que não sabem decidir seu próprio futuro.

As eleições americanas, por sua vez, são fruto de um bipartidarismo ditatorial, onde os demais partidos têm que viver sob a clandestinidade, rodeados de “vigilantes democráticos”. Hoje, o Partido Comunista dos Estados Unidos possui mais espiões infiltrados do que filiados. Essa é a grande democracia americana.

Na América Latina é a mesma coisa. Tudo o que não cheira a hambúrguer queimado e ketchup é abominável. Hoje os demônios falam espanhol, odeiam ser explorados, mascam folha de coca ou perderam o dedo mínimo trabalhando em uma fábrica democrática. Aqui no Brasil, estatal é sinônimo de corrupção e improdutividade, o louvável é privatizar, “neoliberalizar”, americanizar, etc. O interessante é que, segundo o IPEA, as estatais produziram mais que as empresas privadas entre 1995 e 2006. Mas isso só pode ser mentira dos demônios que sempre mentem.

O nosso Deus agora quer implantar bases na Colômbia, para se proteger de alguma coisa. Que coisa? Dos anjos decaídos? Não consigo enxergar coisa mais antidemocrática que invadir um país com seu exército e ocupá-lo. Mas isso sempre aconteceu. É a guerra preventiva, lembram? Deus sempre foi prevenido durante todo o século XX e início do XXI também. E hoje é a mesma coisa, como será amanhã e depois de amanhã novamente.

Infelizmente, desconhecemos o que se passa dentro do país mais rico e democrático do mundo. Existem algumas coisas que são escondidas, não por maldade, e sim, por prevenção. Mas vou citar algumas, que Deus me perdoe:

1 – Apenas os democratas e republicanos participam de grandes debates. Super democrático.

2 – A clássica eleição de Bush em 2000 foi fraudada, alguém duvida? Super democrático.

3 – O governo americano está retirando dinheiro dos fundos de pensão dos trabalhadores da GM (General Motors) para pagar as dívidas com o Citibank e o JPMorgan. Super democrático.

4 – Apenas neste ano, Obama já atacou duas vezes o Oriente Médio, com o resultado de 250 mortes entre civis. E mais: Vendem armas para todos os países que eles mesmos criticam pela “falta de paz”. Super democrático.

5 – O governo atual é a favor do 3º mandato de Álvaro Uribe, da Colômbia, mas é contra o de Chávez, na Venezuela. Super democrático e coerente.

Ficando apenas nesses cinco segredos sagrados do nosso glorioso Deus azul e vermelho, percebemos que a realidade nua e crua embaralha toda a concepção da nossa realidade. A visão sem manchas, fumaças ou mentiras é muito dura de ser enxergada. E quando sabemos que a diferença entre Deus e o Diabo está apenas no diâmetro de um fio de cabelo, descobrimos que a História e o presente são bombas de ilusões que nos inundam até morrermos afogados.

Fukuyama disse que a História acabou. Meu caro filósofo, a História nunca existiu.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Incompetência na política externa

29/08/2009

Por Matheus Passos*

Nesta semana, meu colega colunista Raphael Machado Silva escreveu a respeito da falta de experiência dos EUA em lidar com sua atual política externa. O autor cita como exemplos o apoio americano às Forças Armadas da Geórgia, há apenas um ano da guerra entre esta e a Rússia; a falta de tato americano em perceber que não há mais como pressionar o Irã a respeito de armas nucleares; e ainda a atual incapacidade americana em “manter a ordem” no Iraque e no Afeganistão. Sua coluna termina com a seguinte frase: “Talvez seja hora dos EUA começarem a aprender que o mundo mudou e que não lhe é mais possível, hoje, se envolver e interferir em eventos múltiplos ao redor do globo de modo a garantir sua hegemonia [...]“. Podendo cometer o erro da super-simplificação, eu diria que meu colega quis transmitir, com outras palavras, a seguinte ideia: Os EUA estão metendo demais o bedelho onde não são chamados e intervêm de menos onde efetivamente deveriam.

O Brasil é o maior país da América do Sul, disso todos sabemos. Mas talvez o que não tenhamos muito clara é a dimensão de nosso país nesta América do Sul – e não me refiro aqui à dimensão territorial, mas sim, em termos de função política, econômica e até mesmo social. Temos a mania de nos acharmos “subdesenvolvidos” e “atrasados”, pensando que somos os “coitadinhos” que são explorados pelos “malvados” europeus e americanos, mas a realidade é bem diferente: Exercemos, na América do Sul, o mesmo papel de “exploradores” e de “imperialistas” que acreditamos ser da Europa e dos EUA. Para nossos vizinhos, somos os “EUA do Sul”, como me disseram alguns argentinos e uruguaios com quem tive a oportunidade de conversar quando estive nestes países há um ano.

A pequena introdução anterior, com dois temas aparentemente desconexos, tem por objetivo fundamentar a ideia principal da coluna de hoje, qual seja, a de que é uma pena que aquilo que os EUA exercem demais, nas palavras de meu colega Raphael, o Brasil exerça de menos – ou até mesmo não exerça. E claramente não me refiro aqui ao papel imperialista “negativo”, de “explorador”, mas sim ao papel que foi desempenhado por muito tempo pelos EUA (e que acredito que continue sendo desempenhado), ou seja, o papel de liderança e de “guia” a respeito de qual rumo seguir.

Não quero aqui debater a respeito do acordo entre EUA e Colômbia em si – se ele é bom ou ruim para o Brasil e para os demais países da América do Sul. Também não pretendo falar acerca do equilíbrio de poder existente na América do Sul e da distorção que a presença americana em qualquer país da região traz a tal equilíbrio. Tampouco pretendo questionar se a Colômbia tem ou não o direito de permitir a presença dos militares americanos em seu território – tal debate só é feito por aqueles que não tiverem o mínimo de conhecimento a respeito do conceito de soberania. Mas me importa mostrar alguns pontos daquilo que considero como fraqueza da diplomacia brasileira sobre o assunto.

Todos devem ter acompanhado a viagem que Álvaro Uribe, Presidente da Colômbia, fez há duas semanas, por todos os países da América do Sul, para explicar o tal acordo. Os leitores devem ter acompanhado também as últimas tagareladas dos presidentes de três de nossos vizinhos ao norte – Bolívia, Equador e Venezuela – sobre o tão falado acordo entre Colômbia e EUA a respeito da presença de militares americanos em território colombiano para se lutar contra o narcotráfico.

Hugo Chávez e seus filhotes Evo Morales e Rafael Correa soltaram diversos impropérios a respeito da situação. Como exemplo, no dia 26 de agosto Evo Morales sugeriu a realização de um referendo sul-americano sobre as bases na Colômbia, argumentando que tal processo garantiria a “soberania da América do Sul” (parece que o Presidente boliviano não sabe o que significa “soberania”). Rafael Correa também não ficou atrás, afirmando em plena Unasul que a implantação das bases na Colômbia corresponde à transformação da América do Sul no “quintal dos EUA”. Contudo, Hugo Chávez continua sendo o campeão de patacoadas: Ele afirmou que caso o acordo fosse assinado (o que já aconteceu), a Venezuela poderia até mesmo entrar em guerra com a Colômbia, e esta última seria “a única responsável” (parece que Chávez se esqueceu de que comprou diversos armamentos russos nos últimos tempos, militarizando a região). Ele disse ainda que o acordo seria “a semente da guerra” – esta última frase em plena Unasul.

E o Brasil, o que faz nessa situação? Absolutamente nada. Defende a soberania colombiana, mas diz que é necessário debater a eficácia da cooperação entre EUA e Colômbia. E isso é o máximo da política externa brasileira sobre o assunto. O Brasil não tem tomado nenhuma ação contundente na situação e age sempre de maneira reativa, esperando que os outros tomem a iniciativa primeiro para depois se posicionar. Nossos “líderes” se esquecem de que o Brasil é, sim, o País mais importante da região e que a palavra do Brasil tem força. Neste sentido, nosso País poderia efetivamente ser o líder na América do Sul, mostrando o rumo a ser seguido.

Mas não é isso que acontece: Nossa diplomacia deixa a faca e o queijo nas mãos de Hugo Chávez e companhia – não é à toa que o Presidente venezuelano foi visto como o líder mais importante da América do Sul em pesquisa recente, à frente de Lula.

E eu termino a coluna deixando uma pergunta no ar: Até quando continuaremos com uma diplomacia reativa, que espera os acontecimentos internacionais para depois tomar decisões – que, geralmente, se fundamentam em elementos ideológicos, e não, pragmáticos? Enquanto continuarmos assim, continuarei envergonhado da diplomacia do meu País.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus

Coluna do dia: EUA – Quando a experiência faz falta

25/08/2009

Por Raphael Machado Silva*

Conforme passa a euforia popular e a razão volta a operar na mente dos americanos, um número cada vez maior de pessoas chega, muitas vezes timidamente, à seguinte conclusão: Cometeram um erro ao eleger Barack Obama. Caíram em um conto de vigário. Agiram previsivelmente como uma massa faria. Abraçaram um símbolo de caráter religioso, pronto para distribuir epifanias e êxtases, entoando mantras politicamente corretos, sem nunca antes ter ouvido falar no indivíduo, já que o mesmo possui um histórico político extremamente medíocre.

Obama foi escolhido como candidato pelos democratas por pura estratégia de imagem, não por qualquer conteúdo. Não afirmo que o candidato republicano era muito melhor. Não era mesmo. Em verdade, não vejo qualquer futuro para o “bipartidarismo” do sistema americano.

Se um dos muitos argumentos contrários à escolha de Obama como Presidente dos EUA era sua total inexperiência, esse fato fica mais patente na política externa americana. Se a vitória de Obama melhorou a imagem dos EUA ao redor do mundo, foi porque as pessoas ao redor do mundo, e isso inclui a Europa e o Brasil, simplesmente são alienadas e distantes da realidade. A mídia, com seu posicionamento radicalmente pró-Obama – a ponto do site de certa grande emissora brasileira ter bloqueado a postagem de comentários à época da contagem dos votos das eleições americanas 5 minutos após eu ter postado alguns comentários anti-Obama -, também parece não se preocupar muito com sua suposta função de nos transmitir a realidade, já que tal é a última coisa a nos ser informada e isso só quando lhes interessa.

A diplomacia é uma verdadeira arte na qual os países europeus possuem uma maestria absoluta. Os países asiáticos, historicamente acostumados com burocracias de bajuladores, também aprenderam a negociar. Países comunistas, independentemente da geografia, apesar de preferirem o uso da força, também com o tempo aprenderam a utilizar-se dela em conjunto com a astúcia. Os EUA, por sua vez, que também tinham possuído um histórico de diplomacia inteligente que se estende desde que John Adams conseguiu convencer a França a lhes prestar auxílio na Revolução, parecem estar perdendo suas perícias na área.

Cada vez mais, os EUA parecem estar desesperados, tentando “abocanhar” bem mais do que lhes seria possível. As contendas internacionais crescem, sem que as anteriores sejam definitivamente resolvidas. Os EUA, no plano internacional de hoje, parecem com uma criança que, diante de muitos brinquedos, não sabe bem com o quê brincar.

Os EUA decidiram voltar a treinar as forças armadas da Geórgia, ainda não muito tempo após uma guerra do país contra a Rússia e ainda sem que os problemas ente ambas as nações sejam resolvidas. Quanto tempo levará até que a paciência da Rússia se esgote? E o que acontecerá quando isso acontecer?

Por sua vez, o Irã decidiu permitir que suas instalações nucleares recebessem visita de inspetores da ONU. Mas isso não é nenhuma novidade. Quem tem medo de permitir visitas às suas instalações é Israel e não o Irã. Porém, esta pode ser considerada uma vitória americana? Não é isso que quer os EUA. E mostrando suas instalações à ONU, o Irã consegue dificultar qualquer apoio formal que se possa dar aos EUA no caso de guerra, já que se não há armas nucleares sendo produzidas, não há motivo justificável para a guerra. Ao mesmo tempo, a mal fadada tentativa de uma “revolução” no Irã não saiu do papel.

Enquanto isso, no Afeganistão e no Iraque, um número cada vez maior de atentados desestabiliza a região e começa a tornar qualquer vitória improvável. E a única solução que se considera é enviar ainda mais tropas, como se o problema fosse quantitativo e não estratégico. Os governos estabelecidos são incapazes de garantir um funcionamento normal às instituições  e durarão pouco após a eventual saída do exército americano.

Ao mesmo tempo, e de um modo bastante irracional, os EUA e seu principal aliado, a Grã-Bretanha, continuam em uma política irrestrita de imigração que facilita a penetração de extremistas em seus solos, dificultando qualquer combate eficaz ao terrorismo internacional.

Talvez seja hora dos EUA começarem a aprender que o mundo mudou e que não lhe é mais possível, hoje, se envolver e interferir em eventos múltiplos ao redor do globo de modo a garantir sua hegemonia. O resto do mundo aprendeu muitas lições durante a Guerra Fria. Já os EUA parecem ter parado, ou mesmo regredido.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: Um novo Vietnã para os Estados Unidos

04/08/2009

Por Raphael Machado Silva*

Segundo a rede de notícias Al Jazeera, o dia de ontem foi marcado no Afeganistão pelo disparo de 5 foguetes no coração de sua capital, Kabul. Os mesmos foram lançados na direção da embaixada americana, apesar de nenhum ter alcançado seu alvo. Segundo a mesma rede de notícias, outros foguetes foram disparados na direção do aeroporto internacional. Tal ataque se deu em uma área considerada “a mais segura do país”, e já sob “total controle das forças de ocupação”. Isso um dia após um ataque que matou 12 pessoas, uma semana depois de um ataque que matou outras 26 e duas semanas, aproximadamente, antes das eleições presidenciais.

Pois bem. Espero que eu não seja o único a perceber que essa Guerra do Afeganistão está sendo travada há 8 anos, mais anos do que levou a Segunda Guerra Mundial, e que a OTAN e os EUA não estão nem um pouco mais próximos de “pacificar” o país, ou seja, de vencer a Guerra, do que estavam após os bombardeios e ataques iniciais que desalojaram o governo central do Taliban.

Na verdade, há cada vez mais áreas do Afeganistão chamadas “áreas de risco extremo”. Não só isso, mas os dois principais alvos humanos das operações, Osama bin Laden e Mohammad Omar, continuam em segurança, provavelmente escondidos nas infinitas redes de cavernas e refúgios subterrâneos na fronteira com o Paquistão.

Um dos motivos, se não o principal, para essa incapacidade da Coalizão de conquistar uma vitória decisiva nessa Guerra é o fato de que a Coalizão não está em sincronia com seus inimigos. O que eu quero dizer com isso? Que a Guerra no Afeganistão é o que é chamado pelas doutrinas militares de ‘Guerra de Quarta Geração’. Esse tipo de Guerra é caracterizado pela relativização das linhas divisórias entre ‘guerra’ e ‘política’, entre ‘combatente’ e ‘civil’. Assim, como pela extrema descentralização das operações de combate por pelo menos um dos participantes. A Coalizão não chegou preparada para esse tipo de Guerra, apesar de ter estado a seu alcance prever que era exatamente isso que eles iriam enfrentar. Eles chegaram como se estivessem participando de um “jogo de estratégia”, no qual bastaria tomar a capital inimiga ou ocupar seus territórios para que a Guerra estivesse ganha.

É muito difícil para Estados como os EUA, ou para organizações centralizadas como a OTAN, se opor e se adaptar a um combatente que atua através dessa Doutrina. Não há base inimiga. Não há “bandeira inimiga” para se roubar. Praticamente também não há território inimigo facilmente identificável. Ontem o inimigo estava ali, hoje ele está lá, amanhã ele está entre nós, e depois ninguém sabe mais.

Um outro motivo é que há diferenças essenciais entre os combatentes dos dois lados. E não estou me referindo às diferenças em equipamentos, armamentos e logística, que são vantagens da Coalizão. Mas sim, a outra coisa muito importante nos próprios homens que travam os combates. Isso se refere à motivação ou ao fator moral dos combatentes. Os exércitos da Coalizão são compostos por Mercenários. Não tecnicamente, mas na prática. O serviço militar no Ocidente é, hoje, apenas mais uma entre muitas profissões remuneradas. Muitos jovens se interessam pelo serviço militar por acharem que não terão outra oportunidade de carreira, ou por motivos similares. Os insurgentes afegãos possuem motivações diferentes. Primeiro, eles estão se defendendo de um exército invasor, defendendo sua pátria. Segundo, eles estão travando uma Guerra Santa, de caráter eminentemente espiritual. Terceiro, eles possuem uma relação com as ideias de “vida” e “morte” que é muito diferente das relações estabelecidas por nós Ocidentais. Essa vantagem “moral” é muito relevante, já que ela é a força que mantém os insurgentes lutando e sendo substituídos por outros, assim que morrem.

Obama já se decidiu por ampliar a presença americana no Afeganistão. Porém, isso resolverá alguma coisa? A Guerra no Afeganistão já custa 223.549.795.000 dólares, e esse número continua aumentando. Somado ao custo da Guerra no Iraque, o custo total é de 894.167.900.000 dólares. Isso em meio a uma crise econômica mundial, e com os EUA se aproximando de uma nova crise econômica, que dessa vez estará relacionada à já titânica dívida americana. Quantos anos mais irá durar essa Guerra? E como se pretende pôr fim a ela? Considerando os fatores envolvidos é possível que nem o uso de uma bomba atômica ponha fim à insurgência. Ao mesmo tempo, a popularidade de Obama diminui cada vez mais e uma das causas é a continuidade dessas inúteis guerras estrangeiras.

Aos tolos, que acham que ela é útil para “combater o terrorismo”, eu pergunto por que então EUA e Europa continuam aceitando irrestritamente todo e qualquer tipo de imigrante, os quais estão constantemente conspirando contra seus países hospedeiros. Assim como pergunto por que os EUA apoiaram a independência do Kosovo quando a claque que se tornou o governo do mesmo é considerada o braço da Al-Qaeda na Europa?

Os EUA estão em uma guerra cara, inútil e sem previsão de vitória. E apesar de a população poder ter sentido alívio com a queda do Talibã, ela se irrita cada vez mais com a presença americana. Obama está esperando o quê? Terá ele algum plano messiânico ou alguma carta na manga? Pois se ele não tiver, é melhor ele sair, discretamente, mas sair, do que esperar um milagre e ver essa Guerra transformada em uma nova vergonha para os EUA.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: Obama – Messias ou propaganda vazia?

28/07/2009

Por Raphael Machado Silva*

Como todos nós, reles mortais, sabemos, Barack Hussein Obama foi tornado Presidente dos EUA pelo reconhecimento de sua natureza divina pela população americana e ovacionado e aclamado por toda a mídia ocidental para que os quatro cantos do mundo conheçam a “boa nova” de sua chegada ao poder. Ele é o Homem. É ele o Messias que vai nos salvar de todos os flagelos que ameaçam a Humanidade.

Obama vai acabar com a Gripe Suína. Ele vai pôr fim à Crise Econômica. Vai acabar com o Racismo. Fome? Essa vai ser fácil de resolver. O Mundo conhecerá uma “Pax” duradoura e eterna, graças à intervenção messiânica de Obama em todos os conflitos internacionais. Todas as armas nucleares subitamente irão desaparecer. Todos os animais em extinção se multiplicarão em taxas nunca antes vistas. No fim de seu primeiro mandato, Barack Obama irá fechar pessoalmente o buraco na camada de ozônio. Aquecimento Global? Não mais! Graças à Obama, o Saara vai virar atração turística. Não haverá desemprego e todas as pessoas terão padrão de vida típico da classe média. No início de seu segundo mandato, ele irá enfrentar pessoalmente e sozinho, Putin, Ahmadinejad e Kim Jong-il, em uma luta de Kung Fu, e derrotará a todos. Fechará seu segundo mandato com chave de ouro, inventando a Máquina do Tempo, e voltando cem anos, para matar Hitler antes que ele chegue ao poder.

Ou será que não?

Os planos de Obama para a reforma na Saúde são todos extremamente caros e complexos para que sejam aprovados pelos congressistas. E se o forem, só irão agravar os problemas econômicos dos EUA, submetendo o contribuinte ao peso de ainda mais impostos e o país a um sistema de Welfare ainda mais pesado. Ademais, boa parte dos recursos do país serão drenados assim, já que o Welfare é usado principalmente por imigrantes legais e ilegais, os quais, em sua maioria, não pagam a maioria dos impostos. Isso sem falar dos efeitos que ainda mais impostos terão sobre a classe média americana.

Os 787 bilhões de dólares usados como “pacote de estímulo” para a economia até agora não conseguiram nada. Foram gastos à toa. O desemprego continua alto. E sem o apoio da China, os acordos de emissão de carbono serão completamente inúteis e custarão caro a produtores e consumidores.

Enquanto isso, o Messias da Paz resolveu aprofundar o envolvimento dos EUA na Guerra do Afeganistão. Guerra essa que já dura 7 anos e meio e que não está nem perto de ser vencida, além de já custar somas absurdas ao governo americano. No Iraque, a situação não é estável e, mesmo assim, Obama pretende retirar gradualmente as tropas.

E o Irã? O que ele pretende fazer se o programa nuclear, absolutamente válido e legítimo, continuar? Ele vai pedir por sanções, mesmo sabendo que Rússia e China provavelmente vão objetar? Ele vai auxiliar um ataque israelense? Ou será que ele mesmo vai declarar guerra ao Irã? Um país que não atacou os EUA e nem ao menos representa qualquer ameaça. E se o fizer, como ele vai administrar três Guerras ao mesmo tempo?

Enfim, considerando que os índices de aprovação de seu governo estão baixíssimos, não só em comparação com seu desempenho anterior, mas com o primeiro ano dos outros Presidentes, parece que a população americana está lentamente recuperando seu cérebro do torpor, e passando a ver que Obama não passa de um ilusionista barato, que chegou ao poder com poucos méritos próprios e que, dificilmente, fará qualquer coisa para ser lembrado como mais do que uma grande decepção.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.