Façamos, antes do meu comentário, uma coletânea dos acontecimentos recentes que enfraqueceram, e muito, o Presidente do Senado, José Sarney:
“O ex-presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB-RN) disse nesta terça-feira que o afastamento do cargo seria a melhor reposta para o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), conter a crise que arranha a imagem da instituição.”
“A essa altura, até Roseana Sarney, governadora do Maranhão e filha de José Sarney (PMDB-AP), é favorável ao afastamento do pai da presidência do Senado. Dependerá dele, é claro. Roseana está preocupada com a saúde política e com a saúde propriamente dita de Sarney.“
“O PSDB pediu nesta terça-feira que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) se licencie temporariamente do cargo. O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), voltou a subir na tribuna do plenário e disse que Sarney precisa se afastar para se desfazer a ‘central de chantagem’ em que teria se transformado o Senado.”
“A bancada do DEM no Senado, por 10 votos contra 3, acaba de decidir pelo afastamento de José Sarney (PMDB-AP) do cargo de presidente do Senado.“
“O líder do PDT , senador Osmar Dias (PR), comunica neste momento ao líder do PT , Aloizio Mercadante (SP), que seu partido vai defender a licença do presidente José Sarney (PMDB-AP) do cargo. O PDT é o segundo partido que ao logo do dia decide pelo afastamento de Sarney.“
Feitos estes registros, passemos à análise:
O Presidente do Senado, José Sarney, responde com um sim a todos que lhe perguntam se ele continuará à frente do Senado Federal.
Acontece que os políticos mais influentes do País já estão discutindo como será o “day after”, ou seja, o que será feito quando Sarney sair. Isso mostra que sua saída já é dada como inevitável, havendo apenas a dúvida sobre se Sarney renunciará ou se licenciará, podendo retornar daqui a alguns meses.
Verdade seja dita: Sarney quer mais é deixar o Senado e poder ter dias mais sossegados. Apenas a vontade de defender sua biografia e não sair por baixo o impede de jogar a toalha. Ele ainda alimenta a esperança de se reerguer.
Enquanto quase todos os partidos criticam Sarney, a maioria deixando um barco que um dia os serviu de transporte, é o PT, de Tião Viana, adversário de Sarney na eleição para a presidência da Casa, que ainda dá algum suporte ao maranhense.
Em uma Casa onde quem manda de verdade não é mais Sarney, e sim, Renan Calheiros de um lado e Heráclito Fortes do outro, o PT faz o que seria impensável alguns anos atrás de olho em 2010. Sarney, “queimado” ou não, responderá por grande parte do PMDB ano que vem e o PT quer o tempo de televisão do partido, que adviria de uma possível aliança formal, para turbinar a candidatura de Dilma.
No fim das contas, Sarney não manda mais nada, não tem mais apoio, não tem mais barreiras de contenção realmente seguras e tem tudo para encontrar, brevemente, um ambiente que não possibilitará mais sua permanência.
Como bem diz Ricardo Noblat, Sarney (PMDB-AP) até pode ficar na presidência do Senado com o apoio do seu partido, de parte do PT e de pequenos partidos que apóiam o governo Lula. Mas ao preço de um desgaste brutal e crescente.
A saída será licenciar-se para fugir dos holofotes e tentar um retorno futuro. Talvez ele prefira renunciar de vez, mas é improvável.
O que se pode dizer com certeza é o seguinte: Sarney pensou muito antes de aceitar se candidatar à presidência do Senado. Muitos o aconselharam a não prosseguir na empreitada.
Sarney não ouviu, ou teve que não ouvir. Hoje, com certeza, pensa que se arrependimento matasse, estaria no túmulo. O maranhense se tornou alvo da indignação do brasileiro com a política inteira. Está perdido. Quem sabe vê como alternativa apostar no cansaço sobre o tema, mas é uma aposta arriscada.
E dá-lhe #forasarney no Twitter.