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Segurança do ENEM era uma bagunça

07/10/2009

Recentemente, por ocasião do “vazamento” da prova do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, este blogueiro questionou os critérios de escolha das empresas e funcionários envolvidos com a prova utilizados pelo MEC.

Além disso, responsabilizei, dentro de suas parcelas de culpa, o Ministério da Educação e Cultura e o Ministro Fernando Haddad, além de questionar que pode ter existido algum tipo de imprudência ou negligência na atuação destes.

Vale destacar um trecho do que foi dito por mim a respeito do absurdo que foi o cancelamento do ENEM, que afetou drasticamente a vida e os planejamentos de estudos de milhões de jovens brasileiros, além de trazer prejuízos milionários:

Não há como, hoje, antes dos resultados das investigações, responsabilizar alguém. Porém, com certeza algo tão absurdo e comprometedor da credibilidade de exames futuros não teria ocorrido se todos os devidos cuidados tivesses sido tomados.

E essa falha no dever de precaução pode, sim, ser colocada na conta do Ministério, do INEP que organiza o exame e, até mesmo, do Ministro Fernando Haddad.

Pois bem. Confiram o que informa o Globo:

“Três conferentes que trabalhavam na gráfica Plural, contratados por uma empresa terceirizada, admitiram ontem o furto das provas do Enem e foram indiciados por peculato, entre outros crimes.

Eles disseram à Polícia Federal que dezenas de outras pessoas tiveram acesso às provas, e que a segurança durante a fase de impressão era muito frágil.

Segundo advogados dos envolvidos, a PF viu as imagens do circuito interno de TV da gráfica e deve intimar mais funcionários. Ao todo, cinco suspeitos já foram indiciados, dois deles no sábado.

— A PF está descobrindo absurdos na gráfica. Era uma festa, uma bagunça. Para se ter uma ideia, entravam e saíam de lá grupos de 30, 40 pessoas em ônibus, sem revista. A PF já tem provas da fragilidade da gráfica. Um delegado chegou a nos afirmar: ‘Nossa, esse lugar é uma festa’.”

Quer dizer então que a segurança das provas do ENEM era uma bagunça e que o local onde estavam armazenadas as questões que decidiriam o rumo de milhões de brasileiros era uma festa?

E o MEC e o Ministro não sabiam disso?

Que papelão.

Além dos claros prejuízos para os estudantes e suas famílias, além das perdas para o erário, fica comprometida a credibilidade de concursos passados e futuros.

Um absurdo!

E a UNE e a UBES, que deveriam defender os estudantes, calam-se.

O fato de o erro ter sido do governo apoiado por estas entidades fortemente configura mera coincidência…

Absurdo: ENEM vaza e prejuízo é de dezenas de milhões

01/10/2009

O Ministério da Educação, comandado por Fernando Haddad, cancelou a prova do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), que seria realizada neste fim de semana, após denúncia feita pelo Estadão que apontou vazamento do conteúdo das provas.

Segundo a reportagem do jornal, o meio de comunicação teria sido procurado por dois homens que informaram ter recebido o material na segunda-feira (28) de um funcionário do Inep, órgão ligado ao MEC. Eles teriam apresentado a prova e pedido o pagamento de R$ 500 mil por ela.

Não restou ao Ministério outra alternativa senão adiar a prova.

Segundo a Folha, Haddad afirmou nesta quinta-feira, em Brasília, que o prejuízo com o vazamento da prova do Enem será de 30% do valor total do contrato, que custou R$ 116 milhões, segundo a pasta. Dessa forma, a perda estimada é de aproximadamente R$ 34 milhões –valor apenas das impressões. Não se sabe ainda quem deve assumir esse prejuízo.

O ministro informou que as investigações sobre o vazamento da prova do Enem devem começar no Estado de São Paulo devido à denúncia ter partido do Estado e pelo fato de a prova ter sido mantida dividida até a fase de impressão, que aconteceu em uma gráfica de São Paulo.

Apesar disso, o ministro destacou que todo o processo de desenvolvimento da prova será analisado. O inquérito foi aberto pela PF (Polícia Federal) na manhã de hoje.

É bom mesmo que as investigações sejam competentes, firmes, sérias.

É um absurdo que algo assim tenha acontecido. O sigilo necessário no que diz respeito a provas de concursos de qualquer tipo, entre eles os vestibulares e o ENEM, é o mínimo que se pode exigir de um sistema de seleção meramente organizado.

Como ficam os alunos que, tendo planejado todo o seu cronograma de estudos baseados na data do ENEM, alterarão toda a sua rotina acadêmica?

Como ficam aqueles que, por conta do ENEM, abriram mão de participações em eventos e afins que ocorreriam nos mesmos dias ou na véspera?

Como ficam os cursos e colégios que, buscando preparar seus alunos, realizaram estudos intensivos nas últimas semanas que, pelo adiamento, terão seus benefícios reduzidos em larga escala?

Como ficam os estudantes que, tendo a noção exata de quando estariam liberados dos vestibulares, que agora serão adiados se utilizarem o ENEM de alguma forma, planejaram férias?

Como fica o prejuízo? Arcará com ele o erário?

Obviamente não se pode dizer que tratou-se de uma incompetência ou de uma negligência do Ministério da Educação ou do INEP. Todo concurso de seleção envolve pessoas de confiança e, tendo uma delas traído esta confiança, não haveria mesmo nada que pudesse ser feito.

A questão é: Qual o critério de escolha destas pessoas que têm acesso às provas? Qual é o método utilizado para selecionar as empresas gráficas por onde circulam as informações? Será que o MEC fez uma seleção criteriosa daqueles que poderiam manusear as questões que decidirão os rumos da vida de diversas pessoas? Afinal, o ENEM é modalidade de seleção para diversas faculdades e universidades.

Não há como, hoje, antes dos resultados das investigações, responsabilizar alguém. Porém, com certeza algo tão absurdo e comprometedor da credibilidade de exames futuros não teria ocorrido se todos os devidos cuidados tivesses sido tomados.

E essa falha no dever de precaução pode, sim, ser colocada na conta do Ministério, do INEP que organiza o exame e, até mesmo, do Ministro Fernando Haddad.