Postagens com a palavra-chave ‘Acre’

Eleições para os governos estaduais

03/07/2010

Findo o período de convenções, começam a despontar os principais nomes que disputarão os governos estaduais por todo o País :

Região Sudeste

São Paulo

Geraldo Alckmin (PSDB)

Aloizio Mercadante (PT)

Paulo Skaf (PSB)

Celso Russomano (PP)

Rio de Janeiro

Sérgio Cabral (PMDB)

Fernando Gabeira (PV)

Fernando Pellegrino (PR)

Minas Gerais

Hélio Costa (PMDB)

Antonio Anastasia (PSDB)

José Fernando Aparecido (PV)

Espírito Santo

Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB)

Renato Casagrande (PSB)

Brice Bragato (PSOL)

Região Sul

Rio Grande do Sul

Yeda Crusius (PSDB)

José Fogaça (PMDB)

Tarso Genro (PT)

Montserrat Martins (PV)

Santa Catarina

Ângela Amim (PP)

Raimundo Colombo (DEM)

Ideli Salvatti (PT)

Paraná

Osmar Dias (PDT)

Beto Richa (PSDB)

Paulo Salamuni (PV)

Região Nordeste

Alagoas

Fernando Collor (PTB)

Teotônio Vilela (PSDB)

Ronaldo Lessa (PDT)

Bahia

Jaques Wagner (PT)

Geddel Vieira Lima (PMDB)

Paulo Souto (DEM)

Ceará

Marcos Cals (PSDB)

Cid Gomes (PSB)

Marcelo Silva (PV)

Maranhão

Jackson Lago (PDT)

Roseana Sarney (PMDB)

Flávio Dino (PCdoB)

Paraíba

José Maranhão (PMDB)

Ricardo Coutinho (PSB)

Pernambuco

Jarbas Vasconcelos (PMDB)

Eduardo Campos (PSB)

Piauí

Silvio Mendes (PSDB)

Wilson Martins (PSB)

João Vicente Claudino (PTB)

Teresa Britto (PV)

Rio Grande do Norte

Rosalba Ciarlini (DEM)

Iberê Ferreira (PSB)

Carlos Eduardo (PDT)

Sergipe

João Alves Filho (DEM)

Marcelo Déda (PT)

Arivaldo José dos Santos (PSDC)

Região Centro-Oeste

Brasília

Joaquim Roriz (PSC)

Agnelo Queiroz (PT)

Eduardo Brandão (PV)

Frank Svensson (PCB)

Goiás

Marconi Perillo (PSDB)

Iris Rezende (PMDB)

Vanderlan Cardoso (PR)

Mato Grosso

Silval Barbosa (PMDB)

Wilson Santos (PSDB)

Mauro Mendes (PSB)

Mato Grosso do Sul

André Puccinelli (PMDB)

Zeca do PT (PT)

Região Norte

Acre

Tião Bocalon (PSDB)

Tião Viana (PT)

Amazonas

Omar Aziz (PMN)

Alfredo Nascimento (PR)

Roraima

Neudo Campos (PP)

Anchieta Júnior (PSDB)

Rondônia

Confúcio Moura (PMDB)

João Cahúlla (PPS)

Expedito Júnior (PSDB)

Eduardo Valverde (PT)

Pará

Simão Jatene (PSDB)

José Priante (PMDB)

Ana Júlia (PT)

Amapá

Jorge Amanajás (PSDB)

Camilo Capiberibe (PSB)

Lucas Barreto (PTB)

Tocantins

Carlos Gaguim (PMDB)

Siqueira Campos (PSDB)

Coluna do dia: Marina Silva – o bom senso em pessoa

08/02/2010

Por Tiago Franz*

Ela enfrenta o próprio partido. Abandona o cargo. Rompe. Quantos são os políticos que agem dessa forma quando veem os princípios que sempre defenderam substituídos por outros interesses?

Ela é discreta e cuidadosa. Evita frases de efeito. Critica sem difamar ou baixar o nível. Quantos são, na política, os que preferem o recato e a seriedade à provocação e à criação de espetáculos?

Ela tem a ficha limpa. Quando Vereadora por Rio Branco (1988 a 1990), devolveu o dinheiro dos benefícios e mordomias. Quando Deputada Estadual do Acre (1990 a 1994), liderou um movimento contra a aposentadoria de ex-governadores. Sua única propriedade é uma casa, em Rio Branco. Até mesmo a revista Veja, acostumada a metralhar petistas e verdes, apelidou a Senadora e ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV, de “A imaculada”.

Não é o passado difícil de Marina Silva que faz dela um bom exemplo para a política brasileira e global. A infância e juventude miseráveis, a alfabetização tardia e a série de problemas de saúde que enfrentou não são os responsáveis pelos méritos políticos conquistados pela acreana. O que engrandece Marina, assim como a todos os que, independentemente da origem social, fazem política com comprometimento público, é a sua vida pública.

A revista Piauí, edição 40, de janeiro deste ano, publicou um perfil de Marina Silva por Daniela Pinheiro. A jornalista perguntou à presidenciável se “a candidatura do empresário Guilherme Leal – fortuna de 1,2 bilhão de dólares estimada pela revista Forbes – como seu Vice não traria mais benefícios para a empresa dele, a Natura, do que para a candidatura dela”. Marina respondeu: “No Brasil, estamos acostumados com oligarquias. Mas não se pode confundir elite com oligarquia. O José Alencar, o Oded Grajew, o Israel Klabin, o Guilherme Leal, eles são elite. É gente que pensa o Brasil como nação, têm ideias, estão verdadeiramente empenhados e são bem-intencionados. Esse é um interesse legítimo. Por incrível que pareça”.

Bom senso é o termo adequado para qualificar Marina Silva. Os rótulos que lhe são atribuídos – ligados à esquerda, ao ativismo ambiental e à sua opção religiosa – ficam pequenos frente às atitudes da Senadora. A resposta dada à jornalista da Piauí é uma demonstração da maturidade política de Marina. Ela não pretende, ao contrário do que pensam alguns, criar uma luta de classes no Brasil, ou então estagnar o crescimento econômico do País em nome da preservação ambiental.

Ela é, por tudo que tem demonstrado, essencialmente democrata. Ela quer apresentar a viabilidade de um novo e sustentável modelo econômico. Ela quer moralizar a política nacional.

Como saber se, depois de eleita, não fará o mesmo que a cúpula do seu antigo partido fez ao assumir o governo? Não se pode saber antes da hora.

Fato é que ela não se prende a pessoas e grupos, e sim às causas em que acredita, como deve ser em qualquer atividade política de caráter público.

Fato é que ela abdicou da força política de que dispõe o PT para prosseguir em seus ideais. Deixou o cargo de Ministra do Meio Ambiente, durante o governo de Lula, quando este resolveu “pôr o dedo” nas políticas ambientais para facilitar o licenciamento de obras.

Fato é que ela tem, dentre os pré-candidatos já conhecidos, aquilo que o Brasil mais necessita: “vergonha na cara”.

Nota do Editor: É por isso que o Perspectiva Política estará, durante a campanha, apoiando o nome de Marina Silva para a Presidência.

*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Acre não tem nenhum heliporto, mas governo estadual compra helicóptero

10/09/2009

Esse caso chegou ao meu conhecimento há algumas semanas, porém, só agora encontrei detalhes mais concretos para balizar meu comentário. Eu não poderia escrever a vocês sobre um assunto sem ter algum embasamento. Enfim, vamos a ele:

O Governo do Estado do Acre, comandado pelo Governador Binho Marques, petista e aliado de Tião Viana (PT), Senador pelo Acre, e de seu irmão Jorge Viana (PT), Governador acreano anterior, adquiriu um helicóptero Esquilo AS 350, comprado junto à Helibras.

Acontece que o estado do Acre não dispõe de heliportos.

Já estão estranhando a compra? Então continuem lendo.

A Helibras tem o seu Conselho de Administração presidido por Jorge Viana.

Suspeito, não? Continuemos.

O Ministério Público Federal  no Acre já pediu informações sobre a logomarca pintada no helicóptero. O que ocorre é que a estrela vermelha, presente na bandeira do estado, foi supervalorizada, se assemelhando muito a uma certa estrela vermelha, símbolo de um certo partido.

Então, recapitulemos:

Um Governador petista é aliado do ex-Governador e compra, para um estado sem heliporto, um helicóptero vendido pela empresa cujo Conselho é presidido pelo ex-Governador, além de aprovar uma pintura que remete ao seu partido, que também é o do ex-Governador.

Pode ser que o helicóptero seja necessário? Pode.

Um heliporto pode ser construído em dois tempos? Pode.

O fato de Jorge Viana fazer parte da Helibras pode não ter influído na compra? Pode.

A pintura da aeronave pode não ter nada a ver com o PT? Pode.

Mas que coincidência múltipla porreta!

E os envolvidos ainda reclamaram das críticas que receberam. Ora meus caros, os senhores quase que pediram pelas críticas.

Seria cômico, se não fosse trágico.

Marina, o fator que mudou o cenário presidencial

17/08/2009

O Presidente Lula desejava, claramente, uma eleição plebiscitária. Todos os seus interlocutores mais próximos diziam que era para conseguir esse tipo de consulta popular que o Presidente trabalhava e articulava. Mas parece que o fator Marina Silva tornará essa pretensão impossível de ser alcançada.

Muitos petistas, inclusive a pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff, se movimentaram de alguma forma para tentar demover Marina da ideia de aceitar o convite do PV e tentar a Presidência. Ninguém foi incisivo, até porque o próprio Lula disse que não tem direito de pedir a Marina que abra mão do projeto, e Marina segue sem tanta turbulência rumo à consolidação daquilo que a balançou no convite dos verdes: A chance de colocar os temas que lhe são caros no debate presidencial, proporcionando uma discussão nacional em torno do desenvolvimento sustentável e de assuntos afins.

Ciro Gomes, que está sendo fortemente beneficiado pela movimentação de Marina, já que suas chances de concorrer à Presidência aumentam a partir do momento que a eleição plebiscitária é desmontada, disse que a candidatura de Marina pode implodir a de Dilma. Não chega a tanto, foi uma hipérbole, mas com certeza a candidata pode atrapalhar os planos de Lula, afinal, ela surge como opção para aqueles que não abrem mão de votar na esquerda mas que não se sentem atraídos pelo nome de Dilma que, reconheçamos, é sem sal.

Todos aqueles que sabem o que se passa nos bastidores da política afirmam que a decisão de Marina já está tomada e que ela é positiva com relação ao convite do PV. A Senadora já estaria decidida a ser, mesmo, o fator novo na corrida presidencial que desmonta a estratégia inicial de Lula, que terá de desenhar outra.

O PV, por sua vez, vai preparando o terreno para a chegada daquela que pode elevar o partido a uma posição nunca antes ocupada por ele. Os verdes devem dar a liderança da Câmara para Fernando Gabeira nos próximos dias, demonstrando o tipo viés que querem seguir daqui para frente, e, até mesmo, convidar alguns membros não tão orgânicos e comprometidos com as causas do partido a se retirar da legenda. Tudo para que o partido possa chegar pelo menos perto de emparelhar sua imagem com a história da ex-Ministra do Meio Ambiente.

Sem dúvida Marina será uma interessante novidade na corrida presidencial. Trará temas antes marginalizados nas campanhas e representará contraponto com relação a Dilma. Afinal, a Senadora representa melhor os movimentos sociais do que a candidata que está com o PT, partido que normalmente traz consigo estes grupos, neutraliza o argumento de Dilma de que se deve votar em uma mulher e tem a ficha corrida ilibada. Por essas e por outras, alguns dizem que o convite do PV tem o dedo de Serra. Mas isso não é comprovado.

No fim das contas, o fato é que a proposta de mudança e reconstrução de um partido que deveria, desde o início, estar alinhado com seus ideais, fez Marina Silva ser atraída pelo convite do PV. Mais tarde, com a repercussão do convite, viu que suas ideias, em uma futura disputa presidencial, poderiam ter igual repercussão, o que só reforçou sua simpatia ao convite. Agora, estamos apenas carecendo de algo oficial, embora já tenhamos o oficioso.

Marina já está decidida a vir e, mesmo sabendo que não vencerá, quer fazer seu barulho. É o que dizem os mais próximos da ex-Ministra, inclusive petistas como Jorge e Tião Viana e Binho Marques, atual Governador do Acre, estado natal da Senadora.

Pois então que venha Marina e seja o fator de mudança do cenário presidencial, que já estava monótono com a bipolarização exacerbada.

E a dúvida que fica, e que trazendo uma resposta poderá nos dizer a intensidade da influência que Marina terá nos resultados da eleição de 2010, é a seguinte:

O quanto o Brasil perceberá que, entre Dilma e Marina, a segunda representa muito mais o PT de verdade, enquanto a primeira é muito mais símbolo do PT novo, pós-mensalão, que se alia a Renan, Sarney, Collor e agregados.

Coluna do dia: Vem aí Marina, rainha dos povos da floresta

14/08/2009

Por Yashá Gallazzi*

Sim, eu sei e vocês sabem que este texto vai tratar de Marina Silva e de sua suposta candidatura à Presidência da República. Isso porque, está posto, ela é quem sempre melhor vestiu os panos de defensora-mor dos tais povos da floresta, aqueles pobres oprimidos que se descobrem cercados pelo capitalismo ruralista malvado, de um lado, e pelos efeitos catastróficos e armagedônicos do tal aquecimento global, do outro.

Ah, não! Não pensem os entusiastas de Marina morena que eu sou contrário à candidatura dela. Que nada! Dou é a maior força! Segundo o que andei lendo, o eventual desembarque da Senadora acreana no PV, com o fito de disputar o Planalto, criaria um verdadeiro rebuliço nas hostes do lulo-petismo, roubando votos da mãe do PAC, dona Dilma Rousseff, e complicando um tantinho o sonho de Lula de fazer seu sucessor. E admito: Se é para aborrecer o petismo, eu apóio! Mas daí a me comover – ou sensibilizar – com a retórica de Marina… Bom, vai uma distância abissal.

Queiram desculpar o ceticismo deste escriba, mas o mudancismo salvacionista simplesmente não me pega. Qualquer um que pretenda ocupar a chefia do Executivo vai precisar de argumentos mais robustos e objetivos para me seduzir os ouvidos. Só dizer que a floresta precisa ser salva, ou que os tais povos tradicionais que ali vivem possuem direitos, não é bom o bastante para mim. E, no mais, convenhamos: Se eu não me deixei arrebatar pelo messianismo obâmico – que chegou a prometer o fim do aquecimento global! -, não teria como morrer de amores por Marina morena. Nem mesmo com ela se pintando de verde…

“Ah, mas vai somar ao debate político”, dirão alguns. É, pode ser. Assim como Cristovam Buarque somou alguma coisa ao empunhar a bandeira da educação, em 2006. Mas a retórica monocromática de um candidato a cargo tão relevante termina por simplificar sobremaneira as coisas, premiando a ligeireza daquele que só precisa apontar o dedo e criticar, sem apresentar uma agenda de reformas e um programa de governo concreto e prático. E não pensem que eu desprezo a força do palavreado que carrega o estandarte da salvação do meio ambiente. Pelo contrário: na Europa, há tempos, a única esquerda progressista que experimenta algum sucesso é aquela ligada aos ecologistas. Ainda assim, tudo não passa de uma espécie de responsabilidade social da política. Algo como dizer que, se vamos enterrar os socialistas e os comunistas, pelo menos vamos salvar os verdes, levando-os aos parlamentos.

Marina Silva pode, sim, ser um fenômeno eleitoral nas vindouras eleições de 2010, repetindo, quem sabe, o que fez Fernando Gabeira no último ano. Em verdade, poderia até mesmo contribuir para elevar o nível do debate público no Brasil, ao relegar ao segundo (terceiro?) plano a histriônica Heloísa Helena, junto com sua verborragia filorevolucionária. Teria, porém, o condão de vencer a disputa final, batendo a aliança PSDB-DEM, que, admita-se, ainda surge como favorita? Não creio… E por uma razão muito óbvia: Se a Senadora roubar votos de Dilma e forçar um duelo com José Serra, o discurso de confrontação entre o administrador experimentado e competente, versus a mulher idealista, mas sem maiores traquejos políticos e gerenciais, deve pesar contra Marina. É um mero palpite, um achismo? Sim, é. Mas a própria possível candidatura de Marina, por sua vez, também o é. Pelo menos por enquanto.

O fato é que me esforço para vislumbrar a Rainha elfa da floresta nas vestes de chefe de Estado e, perdoem-me os entusiasmados, não consigo. Na verdade, nem acho sadio que, depois de oito anos vivenciando o mito lulista – do retirante operário que se tornou Presidente -, o país se deixe seduzir por outra candidatura envolta em uma aura de evidente misticismo. Marina candidata, está posto, não representa um projeto individualizado e construído no tempo, mas um movimento coletivo, a ação de uma entidade. Quase como essas entidades misteriosas da floresta, que a retórica salvacionista da Igreja do aquecimento global dos últimos dias pretende usar para nos convencer que estamos à beira do caos planetário.

Não… Simplesmente não me pega… Acho que é chegada a hora de um Presidente que não seja símbolo de nada, mas apenas se ocupe de gerenciar o País e promover reformas. Substituir um messianismo por outro, sinto, só concorrerá para diminuir ainda mais a política nacional. Marina, assim, poderia se ocupar em conseguir uma vaga na direção do Greenpeace, da WWF ou, vá lá, no Panteão celestial. Deixemos, finalmente, que alguém com um tanto mais de traquejo administrativo se ocupe da coisa pública.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Pasmem: Tião Viana disse o que não devia e não poderá contar com Lula

09/07/2009

O Senador petista Tião Viana (AC) concedeu recentemente ótima entrevista à revista Veja, comentada e reproduzida por este blog aqui. Nela ele disse tudo o que tinha que dizer. Colocou a boca no trombone. Disse muitas verdades. Fez o que poucos fazem.

E todos nós sabemos o porquê de poucos o fazerem: Críticas aos poderosos causam fortes represálias. Na política brasileira, infelizmente, não se pode dizer o que todos já sabem que é verdade. Tem-se que ser cínico, tem-se que ter pouca vergonha.

Tião Viana, em um lampejo, não quis ser cínico. Criticou os erros de Lula, embora tenha reconhecido acertos. Criticou o Senado, criticou tudo que devia ser criticado. Inclusive ele mesmo.

Obviamente isso não faz de Tião Viana um homem livre de suspeitas, afinal, faz parte de uma rede onde quase todos são corrompidos. Porém, é fato que Tião Viana subiu no conceito dos que defendem a verdade na política.

Pois bem. A tal represália forte, certeira, já veio.

Corre a informação de que Tião Viana não poderá mais contar com o apoio do Presidente Lula, em sua tentativa de conquistar o Governo do Acre em 2010, por conta da entrevista.

Tião já está sendo punido por ter falado a verdade. É assim no Planalto.

Coluna do dia: Forças Armadas – As defensoras da Amazônia

18/06/2009

Por Eduardo Schneider*

Muito se fala a respeito da preservação da Amazônia brasileira e da salvaguarda da nossa soberania nacional. Se é que é verdade, todos, em tese, da direita à esquerda, assumem seu caráter nacionalista, desde o nacionalismo mais conservadorístico até uma postura patriótica antiimperialista.

A atual área de abrangência da Amazônia Legal corresponde à totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do estado do Maranhão, perfazendo uma superfície de aproximadamente 5.217.423 km², correspondente a cerca de 61% do território brasileiro.

Sua população, entretanto, corresponde a 12,32% do total de habitantes do Brasil. Cerca de 85% de toda a extensão da região amazônica fica em território brasileiro.

O Exército brasileiro, em 1949, contava com aproximadamente 1000 homens no então Comando de Elementos de Fronteira. Dispõe, hoje, no atual Comando Militar da Amazônia, sediado em Manaus, de um efetivo aproximado de 22 mil homens que têm como missão principal guarnecer o arco amazônico de fronteiras, com 11.248 quilômetros, acrescidos de 1.670 quilômetros de litoral.

Além das operações militares propriamente ditas, cabe ao Exército, na Amazônia, cooperar no desenvolvimento de núcleos populacionais mais carentes, na faixa de fronteira. Assim é que, em todos os pelotões de fronteira, funcionam normalmente escolas de primeiro grau e subordinadas ao Comando Militar de Tabatinga temos escolas de primeiro e segundo graus.

Orgulha-se a Marinha da continuidade do apoio médico-odontológico às populações ribeirinhas, ação cívico-social que se estende da foz do Amazonas até a faixa de fronteira, através de seus navios de Assistência Hospitalar, conhecidos na Amazônia como “Navios da Esperança”.

A atuação das Forças Armadas na região amazônica deve servir de estímulo e incentivo para uma análise abrangente da Questão Nacional, formando uma consciência, no âmbito da sociedade, do imenso acervo que nos foi legado por nossos antepassados, o qual temos o dever patriótico de defender e preservar para as futuras gerações desse nosso país continente, não sendo isto um privilégio das Forças Armadas, mas um dever de toda a sociedade brasileira.

As ameaças históricas permanecem vivas e, nesse limiar do Século XXI, se apresentam sob os mais variados disfarces e com conotações especiais habilmente formuladas por Organismos Internacionais, implantados e manipulados pelo poder hegemônico alienígena, ressaltando em repetidas oportunidades os interesses da humanidade e o direito de usufruto das nossas riquezas naturais.

O Governo Federal deve promover a modernização tecnológica de nossas Forças Armadas destinando um percentual maior do PIB para os projetos de reequipamento, de aperfeiçoamento de recursos humanos e de uso de novas tecnologias. Também deverá alcançar mais recursos para os programas diretamente relacionados às ações em regiões de fronteira e na Amazônia, bem como para pesquisas, mapeamento e vigilância da costa e da plataforma submarina.

De acordo com os comandantes das três forças, que relataram a situação de penúria que enfrentam, o País teria de injetar cerca de R$ 16 bilhões até 2021 para que as Forças Armadas tenham condições de cumprir o papel de defesa da hegemonia nacional desta área de tão grande importância para nosso País.

O Brasil deve demonstrar ao mundo que a segurança do território e do espaço aéreo sobrejacente da Amazônia é perfeitamente compatível com a proteção do meio ambiente.

Devemos dar mais valor a aqueles que, em tempos de paz, são muitas vezes os únicos a levarem serviços essenciais aos nossos compatriotas que vivem esquecidos nos mais longínquos rincões de nossa pátria e que, em tempos de guerra, dariam sua vida pela Amazônia.

“…Mas se defendendo esta brasileira Amazônia
Tivermos que perecer,ó Deus
Que façamos com dignidade
E mereçamos a vitória!

SELVA!”

(trecho da Oração do Guerreiro de Selva do Exército Brasileiro)

*Eduardo Schneider escreve no Perspectiva Política às quintas.