Por Yashá Gallazzi*
FORA ARRUDA! FORA MENSALEIROS!
Não quero parecer ambíguo, por isso comecei o texto com as frases acima. Quero que os leitores saibam, desde já, que qualquer mensaleiro, se dependesse de mim, iria para a cadeia. Simples, não? Bem, mais ou menos… Aqui, “nestepaiz” esquisito, algumas coisas óbvias não parecem assim tão simples.
Os leitores sabem que sou considerado por alguns como um conservador. Outros – estes mais diretos – preferem dizer que sou reacionário. A maioria, porém, não tem dúvidas: “Esse sujeito é um direitista!” O problema é que essa turma tem o péssimo hábito de medir os outros pela sua própria régua. Assim, se eles decidiram, por exemplo, que ser “pogreçista” é aprovar o aborto, qualquer um que seja contrário ao assassinato dos bebês será um… direitista!
No caso do mensalão do Arruda – ou do DEM, como queiram -, se comportam da mesma forma. Como eles – os “pogreçistas” – defenderam com unhas e dentes as trapaças de Lula, Dirceu e companhia, cobram que “a direita” faça o mesmo agora e abrace Arruda. Sai pra lá! No meu colo vocês não jogam esse cadáver, não!
Quando, há alguns anos, fui acusado de ser “de direita” pela primeira vez, respondi ao interlocutor: “Depende. Se você está falando de Lincoln, Churchill e Thatcher, tudo bem.” Ao que o outro retrucou: “E Hitler?! E Mussolini?!” Entenderam o truque desses valentes? Sabem o que é mais curioso? Essa gente é a mesma que, até hoje, renega sua “herança maldita”. Qual? Bem, os mais de 100 milhões de mortos legados ao mundo por “humanistas” como Lênin, Stálin, Mao, Pol-Pot, Castro e afins.
Por que não defendo Arruda? Bem, porque só tenho uma única moral, sempre constante e certa. Sim, eu sei que isso pode soar um tanto aborrecido, ainda mais em um Brasil onde o Presidente se gaba de ser uma “metarmofose ambulante”… Mas é assim. E, abraçado à minha única moral – e à lógica, como sempre -, só posso condenar Arruda e toda aquela canalha que estuprou a democracia.
Quem tem duas morais – deve ser fruto da tal dialética, lembram? – é a gente “pogreçista”, a turma do “outro mundo possível”. Foram eles que, entre 2004 e 2005, praticaram contorcionismos retóricos os mais absurdos a fim de justificar o mensalão lulo-petista. Aliás, não! Eles fazem isso até hoje! Experimentem tratar do assunto com aquele amigo petista e verão: “Mensalão? Isso nunca existiu! Tudo invenção da imprensa golpista e da elite conservadora e preconceituosa!” E assim eles seguem exercitando a arte de ter uma moral própria, diferente da nossa – que eles chamam de “burguesa”.
Eu? Ora, eu quero que todo mensaleiro vá pro diabo! E que se note: eu disse todo! Quero que os democratas envolvidos sejam punido, da mesma forma como defendo, até hoje, punição para os petistas. Quero que Arruda sofra impeachment, da mesma forma como defendo o mesmo fim para Lula. Perceberam? É essa simplicidade de propósitos, essa lógica moral evidente que deixa os “pogreçistas” ouriçados. Eles não se conformam com isso, e insistem em medir seus adversários – que chamam indistintamente de conservadores – pela própria régua. Por isso vêm até mim, perguntando: “E aí? Não vai defender o Arruda?” Eu?! Eu, não! E você, petralha? Vai continuar defendendo o Dirceu?
Sim, podem apostar que eles continuarão exercitando a ética maleável: defenderão o lulismo e seus desmandos e, com o mesmo vigor, pedirão punição para os demais. Um dos tantos pedidos de impedimento de Arruda – pasmem! – foi apresentado pelo PT! Isso para não mencionar os tais “movimentos sociais”, esbirros do petismo, que já se apressaram em cobrar “ética”. Cobraram de quem? Bem, dos outros… Afinal, eles são a “vanguarda transformadora”, não é? Eles não precisam perder tempo com coisas pequeno-burguesas como a lei e o direito. Só o que importa para eles são “ozoprimido”.
Eu sei que estou dizendo algo até bastante evidente, mas é que vivemos tempos um tanto sombrios. Hoje, defender a liberdade de expressão de um ex-petista é ser “de direita”. Fácil compreender por que essa gente estranha não consegue chamar bandido de… bandido! Para eles, só “os outros” são bandidos. Quais? Bem, os que não roubam pela “causa”. Pode parecer novidade, mas é só a repetição de um triste padrão. Os que justificam o mensalão lulista, mas condenam o de Arruda, são os mesmos que criticam Hitler, mas conseguem justificar Lênin e Trotsky. É sempre a velha história das duas morais…
Eu não defendo os envolvidos no mensalão do distrito federal porque não tenho bandidos de estimação. Quero é que todo o bandido seja processado, condenado e encarcerado. Simples assim. Logo, quero que Arruda e sua corja sejam atirados num calabouço, de preferência junto com Lula, Dirceu e companhia. Quem tem bandidos – terroristas e ditadores também – de estimação são os “pogreçistas”, que conseguem condenar o regime militar brasileiro, ao mesmo tempo em que tecem honras a Fidel Castro, o maior assassino da história das Américas. Eu? Bem, “conservador” que sou, quero mais é que todos sejam atirados na lata de lixo da história!
Acreditem: Não há nada mais libertador do que se deixar nortear por princípios que não precisam justificar o assassinato, nem condescender com a corrupção. Sabem, porém, o que é mais curioso? Isso, no Brasil de hoje, tem sido sinônimo de ser “conservador e de direita”. Bom, se é assim… Que assim seja!
No mais, eu não poderia defender o DEM em nenhuma hipótese. Nem mesmo em razão de uma suposta afinidade ideológica. O ex-PFL, afinal, está muito à esquerda para o meu gosto pessoal.
*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento











