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Coluna do dia: A corrupção de Arruda e a arte de se ter apenas uma moral

04/12/2009

Por Yashá Gallazzi*

FORA ARRUDA! FORA MENSALEIROS!

Não quero parecer ambíguo, por isso comecei o texto com as frases acima. Quero que os leitores saibam, desde já, que qualquer mensaleiro, se dependesse de mim, iria para a cadeia. Simples, não? Bem, mais ou menos… Aqui, “nestepaiz” esquisito, algumas coisas óbvias não parecem assim tão simples.

Os leitores sabem que sou considerado por alguns como um conservador. Outros – estes mais diretos – preferem dizer que sou reacionário. A maioria, porém, não tem dúvidas: “Esse sujeito é um direitista!” O problema é que essa turma tem o péssimo hábito de medir os outros pela sua própria régua. Assim, se eles decidiram, por exemplo, que ser “pogreçista” é aprovar o aborto, qualquer um que seja contrário ao assassinato dos bebês será um… direitista!

No caso do mensalão do Arruda – ou do DEM, como queiram -, se comportam da mesma forma. Como eles – os “pogreçistas” – defenderam com unhas e dentes as trapaças de Lula, Dirceu e companhia, cobram que “a direita” faça o mesmo agora e abrace Arruda. Sai pra lá! No meu colo vocês não jogam esse cadáver, não!

Quando, há alguns anos, fui acusado de ser “de direita” pela primeira vez, respondi ao interlocutor: “Depende. Se você está falando de Lincoln, Churchill e Thatcher, tudo bem.” Ao que o outro retrucou: “E Hitler?! E Mussolini?!” Entenderam o truque desses valentes? Sabem o que é mais curioso? Essa gente é a mesma que, até hoje, renega sua “herança maldita”. Qual? Bem, os mais de 100 milhões de mortos legados ao mundo por “humanistas” como Lênin, Stálin, Mao, Pol-Pot, Castro e afins.

Por que não defendo Arruda? Bem, porque só tenho uma única moral, sempre constante e certa. Sim, eu sei que isso pode soar um tanto aborrecido, ainda mais em um Brasil onde o Presidente se gaba de ser uma “metarmofose ambulante”… Mas é assim. E, abraçado à minha única moral – e à lógica, como sempre -, só posso condenar Arruda e toda aquela canalha que estuprou a democracia.

Quem tem duas morais – deve ser fruto da tal dialética, lembram? – é a gente “pogreçista”, a turma do “outro mundo possível”. Foram eles que, entre 2004 e 2005, praticaram contorcionismos retóricos os mais absurdos a fim de justificar o mensalão lulo-petista. Aliás, não! Eles fazem isso até hoje! Experimentem tratar do assunto com aquele amigo petista e verão: “Mensalão? Isso nunca existiu! Tudo invenção da imprensa golpista e da elite conservadora e preconceituosa!” E assim eles seguem exercitando a arte de ter uma moral própria, diferente da nossa – que eles chamam de “burguesa”.

Eu? Ora, eu quero que todo mensaleiro vá pro diabo! E que se note: eu disse todo! Quero que os democratas envolvidos sejam punido, da mesma forma como defendo, até hoje, punição para os petistas. Quero que Arruda sofra impeachment, da mesma forma como defendo o mesmo fim para Lula. Perceberam? É essa simplicidade de propósitos, essa lógica moral evidente que deixa os “pogreçistas” ouriçados. Eles não se conformam com isso, e insistem em medir seus adversários – que chamam indistintamente de conservadores – pela própria régua. Por isso vêm até mim, perguntando: “E aí? Não vai defender o Arruda?” Eu?! Eu, não! E você, petralha? Vai continuar defendendo o Dirceu?

Sim, podem apostar que eles continuarão exercitando a ética maleável: defenderão o lulismo e seus desmandos e, com o mesmo vigor, pedirão punição para os demais. Um dos tantos pedidos de impedimento de Arruda – pasmem! – foi apresentado pelo PT! Isso para não mencionar os tais “movimentos sociais”, esbirros do petismo, que já se apressaram em cobrar “ética”. Cobraram de quem? Bem, dos outros… Afinal, eles são a “vanguarda transformadora”, não é? Eles não precisam perder tempo com coisas pequeno-burguesas como a lei e o direito. Só o que importa para eles são “ozoprimido”.

Eu sei que estou dizendo algo até bastante evidente, mas é que vivemos tempos um tanto sombrios. Hoje, defender a liberdade de expressão de um ex-petista é ser “de direita”. Fácil compreender por que essa gente estranha não consegue chamar bandido de… bandido! Para eles, só “os outros” são bandidos. Quais? Bem, os que não roubam pela “causa”. Pode parecer novidade, mas é só a repetição de um triste padrão. Os que justificam o mensalão lulista, mas condenam o de Arruda, são os mesmos que criticam Hitler, mas conseguem justificar Lênin e Trotsky. É sempre a velha história das duas morais…

Eu não defendo os envolvidos no mensalão do distrito federal porque não tenho bandidos de estimação. Quero é que todo o bandido seja processado, condenado e encarcerado. Simples assim. Logo, quero que Arruda e sua corja sejam atirados num calabouço, de preferência junto com Lula, Dirceu e companhia. Quem tem bandidos – terroristas e ditadores também – de estimação são os “pogreçistas”, que conseguem condenar o regime militar brasileiro, ao mesmo tempo em que tecem honras a Fidel Castro, o maior assassino da história das Américas. Eu? Bem, “conservador” que sou, quero mais é que todos sejam atirados na lata de lixo da história!

Acreditem: Não há nada mais libertador do que se deixar nortear por princípios que não precisam justificar o assassinato, nem condescender com a corrupção. Sabem, porém, o que é mais curioso? Isso, no Brasil de hoje, tem sido sinônimo de ser “conservador e de direita”. Bom, se é assim… Que assim seja!

No mais, eu não poderia defender o DEM em nenhuma hipótese. Nem mesmo em razão de uma suposta afinidade ideológica. O ex-PFL, afinal, está muito à esquerda para o meu gosto pessoal.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Here comes Obama

19/01/2009

Obama

Em tempos de posse do novo presidente americano, Barack Obama, é válido falar um pouco sobre ele, por mais que muito do que direi represente apenas minha opinião.

Obama é alguém sensato, que se utiliza do bom senso para fazer política. Não defende nada de forma radical, parece aceitar dar “o braço a torcer” quando erra e não se exime de trabalhar em conjunto com os republicanos, acreditando que, no fim das contas, todos lutam pelo mesmo bem maior, a melhora do seu país.

O democrata me parece ser alguém que, embora não seja um salvador, vem para dar a esperança de que a política mundial ainda pode ter uma pitada de idealismo, ainda pode ter alguém que defende acesso universal a certos serviços básicos como saúde e educação. Barack Obama, para mim, representa alguém que, se inciasse uma tendência, me agradaria muito.

A grande questão é que o maior desafio de Barack Obama começa agora. Assumirá um governo que, além de sempre ter sido complicado, terá de lidar com a crise econômica, com duas guerras e com conflitos armados em Gaza. É o modo como Barack lidará com todos os problemas, devendo estar preparado para infortúnios, que dirá se ele é mesmo um herói comparável a Roosevelt ou apenas alguém de boa escrita e ótima oratória, que convenceu o povo mas fracassou na missão.

Resumindo, torço muito, por tudo o que representa, e também pelo modo como pensa e age, que Barack Obama seja bem sucedido. Fazendo com que os Estados Unidos resgatem valores perdidos internamente, além de influir positivamente, se colocando como exemplo, e não agressor, no resto do mundo. Que ele estabeleça cordiais e frutíferas relações com o Brasil e que não seja vítima completa dos problemas que enfrentará. Ele já está lendo incansavelmente sobre Roosevelt, o democrata e Presidente que venceu as consequencias da crise de 29, justamente para se proteger mais ainda para que isso não aconteça.

Tomara mesmo que Obama não tombe, até porque Barack Obama chegou ao poder apoiado por multidões, sua candidatura se tornou um movimento, suas palavras emocionam, seus ideais mobilizam. O democrata se consolidou, vencendo as eleições, como um grande líder político, não só dos EUA, como do mundo. Diversos líderes mundiais já anseiam por sua posse, cidadãos de todo o mundo torceram por sua vitória. Para alguns analistas, Barack Obama é um divisor de águas na política global. Sendo assim, as expectativas que pesam nas costas de Obama são colossais. Espera-se muito do democrata, alguns americanos chegam a estar extremamente esperançosos. Uma grande crise econômica mundial só faz com que mais olhares mirem mais ainda o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Ou seja, Obama pode ser um estadista consagrado ou um fiasco sem precedentes. Obama pode ser o gigante firme e forte, mas pode também ser o gigante que tomba. E que tombo seria.

Por tudo que Obama representa, pelo simbolismo, pela esperança que ele produz, pela mobilização há muito não vista que ele gera e pela necessidade que o mundo tem hoje de um guia responsável, eu desejo, sinceramente, que o tombo não aconteça.