Postagens com a palavra-chave ‘3° Mandato’

Uribe se diz em uma ‘encruzilhada da alma’ sobre 3º mandato

19/10/2009

Informa o Financial Times:

“O presidente colombiano, Álvaro Uribe, que hoje é esperado para uma visita oficial a São Paulo, diz viver uma ‘encruzilhada da alma’ acerca de disputar um terceiro mandato em 2010.

Para isso, ele teria de mudar a Constituição pela segunda vez -caminho já aberto pelo Parlamento. Isso preocupa seus aliados colombianos e até no exterior, incluindo nos EUA.

Indagado se arriscaria tentar seguir no cargo e arriscar seu legado (a violência caiu sob Uribe, e a Colômbia consegue contornar com certa tranquilidade a crise global), ele responde: ‘não é esta a questão, sou de uma geração que não conheceu um só dia de paz, minha prioridade é a continuação dinâmica de [minhas] políticas’.

‘Quando penso em meu legado, não desejo que as futuras gerações de colombianos pensem que eu era apegado ao poder. Ao mesmo tempo, quero que saibam que não virei as costas aos desafios do país’, disse o colombiano, sobrevivente de 19 tentativas de assassinato.”

O Perspectiva Política, na pessoa deste blogueiro que vos fala, já emitiu sua opinião sobre o tema:

O Perspectiva Política sempre primou o equilíbrio, a independência, a sensatez e a coerência. Sempre afirmando que deve-se criticar o que merece ser criticado e elogiar o que deve ser elogiado, provando que é possível apontar os erros de um lado sem, necessariamente, fazer parte do outro, este blog construiu uma credibilidade que muito me orgulha.

Todos os leitores mais assíduos do blog sabem que o personagem mais criticado por mim desde sempre é Hugo Chávez. É a ele que dirijo as críticas mais duras e os questionamentos mais contundentes. Não poderia eu, nunca, deixar de repudiar atitudes autoritárias, cooptadoras de instituições, oportunistas, personalistas, ditatoriais e doutrinadoras como as dele.

Acontece que este blog tem o dever, agora, de criticar o Presidente colombiano Álvaro Uribe. E não faço isso apenas para fazer jus ao compromisso de prezar pela justiça. Não. Faço isso pois realmente rechaço o projeto que Uribe empreende.

O Perspectiva Política não poderia, se quer se dizer como um blog pautado nos ideais supracitados, fazer o que alguns outros blogs fazem: Criticar um lado  por certas atitudes e depois fazer vista grossa quando alguém do outro lado realiza atividades semelhantes.

Por isso, é, sim, posição contrária aos arroubos de Álvaro Uribe a do Perspectiva. Isso se dá pois o repúdio a Hugo Chávez não ocorre por conta de uma questão pessoal ou ideológica, e sim, por força da defesa da democracia, da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e de tantos outros valores inegociáveis.

Sendo assim, a partir do momento que Álvaro Uribe atenta contra os mesmos valores, seja ele de esquerda, de direita, ou de Marte, ele merece as mesmas críticas. Nada de julgamentos diferentes para o mesmo erro. Nada de parcialidade.

É verdade que prefiro as medidas tomadas por Uribe na Colômbia se comparadas com as de Chávez na Venezuela, Correa no Equador e Morales na Bolívia? É. É correto afirmar que Uribe estaria atentando contra a alternância de poder enquanto Chávez atenta contra muito mais elementos da democracia? Também é. Mas isso nunca causaria ou justificaria uma defesa minha com relação aos equívocos de Uribe. Como nunca acontecerá com político algum.

Portanto, é total o agravo do Perspectiva no que tange a tentativa de Álvaro Uribe de autorizar ele mesmo, através de referendo popular permitido pelo Legislativo, ou seja, com os instrumentos do “kit” chavista, a tentar a segunda reeleição, que lhe daria um terceiro mandato.

Uribe não afirma nem nega que, uma vez permitido o referendo pelo Legislativo e apoiada pela população a hipótese de permissão de mais uma reeleição, ele tentará a vitória novamente.

Porém, todos sabemos que se não houvesse respaldo do Presidente, o projeto não avançaria, até porque Uribe poderia, muito bem, se fosse de sua vontade, desautorizar as manobras.

Fim das contas, merece críticas severas qualquer um que tentar perverter a democracia. Mesmo que seja através dela mesma, como na agenda bolivariana.

Seja Chávez, ou seja Uribe.

Equilíbrio: Se Chávez erra, Uribe também o faz

27/08/2009

O Perspectiva Política sempre primou o equilíbrio, a independência, a sensatez e a coerência. Sempre afirmando que deve-se criticar o que merece ser criticado e elogiar o que deve ser elogiado, provando que é possível apontar os erros de um lado sem, necessariamente, fazer parte do outro, este blog construiu uma credibilidade que muito me orgulha.

Todos os leitores mais assíduos do blog sabem que o personagem mais criticado por mim desde sempre é Hugo Chávez. É a ele que dirijo as críticas mais duras e os questionamentos mais contundentes. Não poderia eu, nunca, deixar de repudiar atitudes autoritárias, cooptadoras de instituições, oportunistas, personalistas, ditatoriais e doutrinadoras como as dele.

Acontece que este blog tem o dever, agora, de criticar o Presidente colombiano Álvaro Uribe. E não faço isso apenas para fazer jus ao compromisso de prezar pela justiça. Não. Faço isso pois realmente rechaço o projeto que Uribe empreende.

O Perspectiva Política não poderia, se quer se dizer como um blog pautado nos ideais supracitados, fazer o que alguns outros blogs fazem: Criticar um lado  por certas atitudes e depois fazer vista grossa quando alguém do outro lado realiza atividades semelhantes.

Por isso, é, sim, posição contrária aos arroubos de Álvaro Uribe a do Perspectiva. Isso se dá pois o repúdio a Hugo Chávez não ocorre por conta de uma questão pessoal ou ideológica, e sim, por força da defesa da democracia, da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e de tantos outros valores inegociáveis.

Sendo assim, a partir do momento que Álvaro Uribe atenta contra os mesmos valores, seja ele de esquerda, de direita, ou de Marte, ele merece as mesmas críticas. Nada de julgamentos diferentes para o mesmo erro. Nada de parcialidade.

É verdade que prefiro as medidas tomadas por Uribe na Colômbia se comparadas com as de Chávez na Venezuela, Correa no Equador e Morales na Bolívia? É. É correto afirmar que Uribe estaria atentando contra a alternância de poder enquanto Chávez atenta contra muito mais elementos da democracia? Também é. Mas isso nunca causaria ou justificaria uma defesa minha com relação aos equívocos de Uribe. Como nunca acontecerá com político algum.

Portanto, é total o agravo do Perspectiva no que tange a tentativa de Álvaro Uribe de autorizar ele mesmo, através de referendo popular permitido pelo Legislativo, ou seja, com os instrumentos do “kit” chavista, a tentar a segunda reeleição, que lhe daria um terceiro mandato.

Uribe não afirma nem nega que, uma vez permitido o referendo pelo Legislativo e apoiada pela população a hipótese de permissão de mais uma reeleição, ele tentará a vitória novamente.

Porém, todos sabemos que se não houvesse respaldo do Presidente, o projeto não avançaria, até porque Uribe poderia, muito bem, se fosse de sua vontade, desautorizar as manobras.

Fim das contas, merece críticas severas qualquer um que tentar perverter a democracia. Mesmo que seja através dela mesma, como na agenda bolivariana.

Seja Chávez, ou seja Uribe.

Coluna do dia: Joga pedra na Geni!

17/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

Não sou um “tuiteiro” profissional. Pelo contrário: comecei a usar o tal “mini blogger” há bem pouco tempo e ainda estou longe de dominar seus recursos. Na verdade, acho que o problema é a minha prolixidade, que definitivamente não combina com os escassos 140 toques permitidos pela “geringonça”. Mas por que falar do Twitter? Bom, eu não sou, como dito, um profissional. Mas nem precisaria sê-lo para acompanhar o linchamento virtual que foi promovido contra a Sandy – a cantora – há poucos dias.

Caso não saibam, a moça – ou melhor, senhora – achou por bem expor sua crítica a um eventual terceiro mandato de Lula, aquele mesmo que sempre falou em defesa da ética, mas que, hoje, se dedica a defender Sarney, Calheiros e Collor. Sandy, que entende mais de democracia do que muito intelectual brasileiro refém do marxismo bocó, explicou por que um terceiro mandato deve ser repelido, inclusive propondo um pequeno exercício de comparação com as legislações de outros países.

Simplificando, ela poderia ser convidada a ministrar um curso rápido aos petistas, principalmente aos mais gabaritados, como a dona Dilma e o Celso Amorim, por exemplo. Aquela, sabemos, é uma ex-terrorista, enquanto que este último sempre mostrou muita desenvoltura ao apoiar ditadores dos mais perversos. De democracia, está posto, essa gente nunca gostou.

Depois que Sandy resolveu defender a democracia, a patrulha petralha e lulista caiu matando sobre a coitada. Sim, entre a democracia e Lula, eles ficam com Lula. Afinal, ambos são claramente incompatíveis. Assim, não é de causar estranhamento que a mesma canalha capaz de apoiar o “mico mandante” Chávez, também consiga defender de forma tão aborrecidamente enfadonha a permanência de Lula no poder. O que me surpreende é ver que eles não se contentam em expressar seu ódio à democracia. Vão além: atacam pessoalmente qualquer um que tente defendê-la. Eis aí outro emblema desse grupo: sempre se dizem favoráveis a “um bom debate”, desde que todos os debatedores defendam as ideias que lhes forem mais favoráveis. Enfrentar o contraditório e a crítica, sabemos, é algo inimaginável.

Assim, Sandy tornou-se a Geni da internet brasileira, apanhando e recebendo pedradas de todos os lados. A máquina de difamação montada pelo petismo é muito eficaz e, em questão de horas, a página inicial da moça no “Twitter” estava tomada por ataques bestiais, escritos invariavelmente naquela língua que se assemelha apenas um pouco com o português. Aliás, essa é mais uma característica dos que cito: eles simplesmente não aprendem a manejar as palavras. São incompatíveis com a gramática da mesma forma como o são com a democracia.

O curioso é que muitos dos que atacaram Sandy o fizeram alegando que ela não teria gabarito para falar sobre política e democracia, afinal, seria “apenas uma cantora”. Hum… Digam-me se não é o “duplipensar” dos petralhas em evidência! Eu pergunto: se a Sandy não pode palpitar sobre a política, por que o Chico Buarque pode? Sim, segundo os fãs de Lula, o famoso cantor não só pode como deve falar tudo o que pensa acerca do tema. Na verdade, Chico nem é mais tratado apenas como artista. Já se tornou um verdadeiro intelectual da política brasileira.

O ponto aqui é bem simples: Sandy é atacada porque sua voz destoa daquela bradada pela manada ensandecida que serve de base de sustentação para o lulismo. Já Chico, por sua vez, defende a mesma “causa” dessa gente abespinhada, razão por que é sempre ouvido como se fosse um lumiar da sabedoria progressista.

Na cabeça doentia dessa gente, Sandy é a direita reacionária e preconceituosa. É a classe média burguesa que se ocupa de atacar o presidente “dozoperário” e “dozoprimido”. Já Chico é o visionário! O gênio! Aquele que soube driblar a censura dos militares, camuflando supostas odes revolucionárias dentro de sambas de qualidade poética bastante duvidosa. Não deixa de ser engraçado perceber que os críticos de Sandy, capazes de censurar a produção musical da moça (o que é “Vâmo pulá”?), são os mesmos que ouvem coisas como “A Banda” com lágrimas nos olhos, acreditando piamente que se trata de um ato de resistência contra o império capitalista opressor.

Eis o retrato mais fiel do deplorável momento político que vive o Brasil. Quem defende a democracia e o sistema de liberdades individuais é atacado sem piedade. E quem é o algoz? A mesma gente que se junta para louvar os feitos de Lula, Chávez, Correa e tantos outros gorilas que buscam, dia após dia, solapar aquela mesma democracia. Vida longa a Sandy!

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Emenda do 3º mandato é enterrada na CCJ da Câmara

08/07/2009

“Emenda do 3º mandato é enterrada na CCJ da Câmara”

Informa o jornal O Globo na reportagem citada acima:

“A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou na tarde desta terça-feira, por unanimidade e em votação simbólica, o parecer do deputado José Genoino (PT-SP), que considerou inconstitucional a proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê a possibilidade de o presidente da República e governadores disputarem um terceiro mandato consecutivo. “

Este blogueiro já havia elogiado, e muito, o parecer de José Genoino. Agora, faz-se necessário também elogiar a aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deste parecer.

A proposta de emenda constitucional que previa a possibilidade de mais uma reeleição para o Presidente, os governadores e os prefeitos trazia, claramente, o perigo da perpetuação no poder e da falta de alternância, práticas sabidamente nocivas à democracia.

Que o terceiro mandato seja mesmo sepultado e que assim fique por tempo indeterminado. Foi importante para isso o parecer de Genoino que, mesmo sendo do partido do Presidente Lula, rejeitou a ideia que poderia dar-lhe mais um mandato.

Obviamente é possível chegarmos à conclusão de que Genoino faz isso por conta de uma simples estratégia política. O terceiro mandato já poderia ser visto pelo PT como impossível e Genoino pode ter sido encorajado a apenas dar uma de “bom moço” quando, na verdade, gostaria que Lula se perpetuasse no poder se fosse possível. Mas sejamos otimistas e concedamos o benefício da dúvida a ele.

O mais importante é que se o povo brasileiro quiser a continuação de qualquer projeto de País que seja, poderá sempre eleger o sucessor. Não é necessário o personalismo.

Genoino recomenda arquivamento da PEC do 3º mandato

18/06/2009

“Genoino recomenda arquivamento da PEC do 3º mandato”

José Genoino foi, é, e será enquanto estiver na política, um importante nome do PT. É petista histórico, esteve em diversas campanhas, concorreu em muitas eleições, ocupou muitos cargos públicos.

Embora tenha perdido espaço tanto na política quanto na mídia por conta do envolvimento nos famigerados escândalos do primeiro mandato de Lula, aqueles que “queimaram” todos os pré-candidatos petistas e obrigaram o governo a “inventar” Dilma Rousseff, Genoino ainda representa de certa forma o PT em suas posições.

Sendo assim, é importante que ele venha a público para se posicionar de forma contrária ao terceiro mandato. Louvo a iniciativa de Genoino, além de dar a ele o benefício da dúvida e crer que se trata de uma posição sincera, e não, de uma desonestidade intelectual que visa ganhos políticos.

Acontece que se a posição de Genoino é sincera, estão concretizadas algumas contradições dentro do governo, não sabendo este blogueiro apenas delimitar quais são exatamente, por não ter acesso aos bastidores.

Explico:

Se Genoino estiver expressando a posição do PT, esta é contraditória em relação à posição dos políticos e partidos da base aliada que apóiam o terceiro mandato.

Se Genoino fala por si e o PT quer o terceiro mandato, há contradição entre a posição do partido e a posição de um de seus membros ilustres. Além de existir a contradição entre ele e os outros políticos da base aliada.

Existem ainda mais coisas a serem analisadas, entre elas, a posição do Presidente Lula quanto ao tema, o fator mais importante de toda a especulação a respeito do terceiro mandato.

Se Genoino tem o mesmo entendimento de Lula, porque não vem o Presidente a público para dizer algo do tipo: “Não há terceiro mandato e ponto final”? Não entendo porque alguém que realmente não cogita o terceiro mandato não diz isso.

Se Genoino não tem o mesmo entendimento de Lula, isso quer dizer que o Presidente ou quer o terceiro mandato ou, na melhor das hipóteses, aguarda a averiguação mais concreta possível das chances de Dilma Rousseff para descartar a ideia de vez.

A verdade é que, no fim das contas, não adianta nada Genoino ser contra o terceiro mandato se nós não soubermos qual é o posicionamento oficial, eu disse oficial, do PT e, principalmente, de Lula.

Quem tem certeza de alguma coisa tão importante deveria dizer esta certeza ao País. Se não é dito, ou não há certeza quanto à inviabilidade do terceiro mandato ou existe um motivo que faz com que seja lucrativo deixar tudo nublado por um tempo.

Acredito mais na segunda hipótese. Até porque quase já não há tempo hábil para aprovar no Parlamento um mudança desse tipo.

Acontece que a especulação a respeito do terceiro mandato só enfraquece Dilma, já que parte do pressuposto de que ela não é o bastante. Sendo assim, porque esticar a polêmica se não se quer o terceiro mandato? Qual seria o motivo, que não a vontade de conseguir o terceiro mandato, que poderia fazer Lula levar isso tudo adiante?

Evitar ataques da oposição a Dilma? Improvável. Os ataques da oposição, não se confundem com isso, afinal, basta atacar o governo para acertar tanto Lula como Dilma.

Ego? Talvez. Alguns dizem que Lula gosta de ver que só não vencerá porque não poderá concorrer. Pode ser. Mas é muito mesquinho.

A dúvida continua: Se Dilma é a candidata e o terceiro mandato não existe, porque Lula não vem a público dizer isso?

Mistério…

Existem respostas mas não vejo nenhuma como conclusiva.

Coluna do dia: Pesquisa CNT/Ibope – Momento e Tendência

10/06/2009

Por Renato Alves*

Foi divulgada ontem, (09/06), a mais recente pesquisa referente à sucessão presidencial de 2010. Encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) a pesquisa ouviu 2.002 eleitores, em 140 cidades brasileiras, entre os dias 29 de maio e 1º de junho.

De acordo com o primeiro cenário da pesquisa, o Governador de São Paulo, José Serra (PSDB) continua na liderança com 38%, seguido pela Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) com 18%, pelo Deputado Federal Ciro Gomes (PSB) com 12% e pela ex-Senadora Heloísa Helena (PSOL) com 7%.

No segundo cenário, com a substituição do candidato do PSDB, ou seja, a troca de José Serra por Aécio Neves, o quadro modifica. A candidata petista, Dilma Rousseff, alcança a liderança juntamente com o candidato do PSB, Ciro Gomes, 21% e 22% respectivamente, deixando para trás Aécio Neves com 12% e Heloísa Helena com 11%.

É fato que as pesquisas eleitorais, sem condições de prever o futuro, mostram o atual momento vivido pelos pré-candidatos e a exposição de cada um, mas não podemos esquecer que elas também mostram tendências futuras.

O que eu quero dizer com isso? Que, em termos de momento, a possibilidade de vitória é creditada somente a dois pré-candidatos: o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff. E, em termos de tendência, a história pode mudar, inclusive com chances para Ciro Gomes e Aécio Neves. Como a tendência maior é uma polarização entre o PT e o PSDB a possibilidade de vitória de Ciro Gomes fica descartada. Assim, segundo o momento e a tendência, o próximo presidente do Brasil será José Serra, Dilma Rousseff ou Aécio Neves, embora este último tenha chances reduzidas.

Alguém pode perguntar: é cedo para fazer essa análise? Acredito que não. Nos últimos dois anos não apareceu um nome sequer com condições suficientes para disputar com os candidatos mencionados acima.

Talvez a ministra Dilma não disputasse a eleição por conta da doença? Acho difícil, embora não se brinque com doença. Mas, se isso acontecesse o candidato indicado pelo PT entraria na disputa com o mesmo cacife da ministra.

E o terceiro mandato, poderia acontecer? Quase impossível. Lula não faria isso. Uma mudança radical como esta afetaria sua credibilidade internacional. Neste momento o presidente não trocaria essa credibilidade por um outro mandato.

Enfim, embora pouco mais de um ano nos separe das eleições, o cenário está praticamente colocado à nossa mesa. É preciso, desde agora, muita reflexão para definirmos qual desses será o melhor candidato para conduzir o Brasil a partir de 2011.

Até a próxima!

* Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira

Dilma: “Governo pode continuar sem Lula”

08/06/2009

Informa o jornal O Globo:

“Ao chegar sábado à casa da ex-prefeita Marta Suplicy – onde participou de um almoço com mulheres – a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o governo não tem como impedir o surgimento de propostas de um terceiro mandato do presidente Lula. Porém, voltou a dizer que o governo não trabalha com essa hipótese e afirmou que a gestão de Lula pode continuar mesmo sem um terceiro mandato:

- Não temos como impedir que as pessoas tomem iniciativas. Vivemos numa democracia. Então, apesar das reiteradas negativas, o que a gente pode fazer? Olhamos e esperamos que em determinado momento entendam que não é esse o projeto do governo. O governo pode continuar sem ser terceiro mandato. “

Este blog vem observando nas últimas semanas, em diversas postagens, que as especulações acerca do terceiro mandato de Lula só têm, até agora, um resultado concreto: O enfraquecimento de Dilma.

Se tanto o plebiscito a respeito da permissão de uma segunda tentativa de reeleição, como uma vitória de Lula nessa possível tentativa são coisas que dão margem a dúvidas, o prejuízo para Dilma das especulações a respeito da continuação de Lula é certo e já ocorre.

Ora bolas, se um terceiro mandato de Lula é visto para alguns como necessário e correto e o governo não desautoriza essas pessoas de forma firme, a interpretação óbvia é a de que Dilma não é, no fundo, a melhor escolha.

Poderia haver algo pior para uma candidata do que seu grupo político dizer, tacitamente, que só está com ela por não ter opção melhor? E mais, dizer que esta opção melhor ainda pode vir a aparecer?

Pois então. É esse o caso. Se Lula não firma o pé na oposição ao terceiro mandato, não firma o pé na candidatura de Dilma.

É por isso que Dilma diz que ela é o suficiente para que o governo tenha continuidade. Ela diz, nas entrelinhas, que não é necessário que Lula tenha um terceiro mandato, que é possível confiar nela, levar fé em seu nome, e ter a certeza de que ela representa um terceiro mandato que, se não é de uma pessoa, é do projeto.

Digo e repito: Se Lula quer ajudar Dilma, deve, entre outras coisas, enterrar as especulações sobre o terceiro mandato.

Já que todos nós sabemos que Lula está com Dilma, só há uma explicação plausível:

Ele tem o plano A e o plano B e tenta desenvolvê-los sem que um atrapalhe o outro até o ponto em que isso for possível. O ponto em que os planos passam a ser conflitantes já está muito próximo.

Deputado consegue novas assinaturas e reapresenta PEC do terceiro mandato

05/06/2009

“Deputado consegue novas assinaturas e reapresenta PEC do terceiro mandato”

Após a tramitação da PEC ter sido suspendida por conta da retirada das assinaturas de parlamentares do DEM e do PSDB, o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) reapresentou a proposta de emenda constitucional que abre caminho para o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado conseguiu 182 assinaturas favoráveis à proposta, o que permite a sua tramitação na Casa.

Este blogueiro tem três opiniões sobre o terceiro mandato:

1- Ele não deveria ocorrer por conta de que se proteja a alternância de poder e para que não se alterem as regras do jogo quando ele já está sendo jogado. É verdade que o PSDB fez o mesmo com FHC, porém, tanto Lula já se utilizou da reeleição, como um erro não justifica o outro. Muito melhor que Lula faça o que está fazendo: Apresente um sucessor totalmente identificado com sua plataforma e peça ao povo que, aprovando seu governo, eleja este sucessor. Chávez, por exemplo, deveria fazer isso, e não, se perpetuar. Mas esse é um caso diferente, Chávez está em uma escalada para a ditadura.

2- O terceiro mandato não tem tempo para ser aprovado e dificilmente passaria no Senado, onde a maioria do governo é muito frágil. Dificilmente a proposta seria aprovada na Casa alta e, se viesse a ser aprovada, acho difícil que isso ocorresse antes de outubro.

3- Lula parece não querer o terceiro mandato. Sabe que o próximo Presidente terá muitas dificuldades no quesito ecoonômico-financeiro e não deseja arriscar sua popularidade. Pensa, sim, em retornar em 2014, o que faz com que o terceiro mandato seja desnecessário para ele. O retorno em 2014 já é permitido pela lei.

Dito isso, nos perguntamos: Mas então quais as consequências da tramitação da proposta do terceiro mandato?

Existem diversas consequências, desde as políticas até aquelas que só representam uma massagem no ego no Presidente.

Entre as políticas, a mais importante é o prejuízo para a campanha de Dilma Rousseff.

Se o terceiro mandato é cogitado, é porque a candidatura de Dilma não está firme. Pelo menos é esse o pensamento que surge quando se ouve a respeito das investidas do Deputado Jackson Barreto.

Sendo assim, se Lula não quer mesmo o terceiro mandato, deveria desautorizar as tentativas, visando o não enfraquecimento de Dilma.

Não sei porque ele não faz isso. Das duas uma: Ou ainda cogita o terceiro mandato no fundo do coração ou gosta da massagem no ego.

Hipótese de 3º mandato de Lula divide o eleitorado, aponta Datafolha

31/05/2009

Informa a Folha:

“Pesquisa Datafolha feita entre a terça-feira (26) e a quinta-feira (28) passadas revela que uma emenda constitucional para permitir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorresse a um terceiro mandato receberia hoje o apoio de 47% dos brasileiros e seria reprovada por 49%”

É verdade que a aprovação à ideia do terceiro mandato aumentou. Há que se reconhecer isso, é um fato. Porém, ao mesmo tempo, é importante ressaltar que ainda não há um grande clamor popular por um novo mandato de Lula.

Se por um lado a reprovação ao terceiro mandato caiu, por outro, a aprovação está longe de chegar a um patamar próximo de 70%, patamar esse que mostraria que não só a maioria da população, mas mais do que isso, a grande maioria da população, aprova a ideia.

Este blogueiro entende que apenas um patamar alto de aprovação da ideia do terceiro mandato, algo em torno de 65%-70% mostraria que há um clamor. Se não for assim, acredito que o terceiro mandato não encontra na sociedade a aprovação suficiente para que seja visto como desejado pela população.

Se o terceiro mandato divide hoje a população brasileira, estando os seus níveis de aprovação ainda abaixo dos níveis de desaprovação, é óbvia a conclusão de que não é válido o argumento de que o povo brasileiro quer o terceiro mandato.

A aprovação de Lula como governante não confunde-se com a vontade do povo de que ele, ao invés de tentar eleger um sucessor, se perpetue no poder. É possível para a população brasileira, embora a politização seja pequena, entender que um governante que ela vê como muito bom não deve, necessariamente, ficar no poder para sempre.

A aprovação reflete avanços, inegáveis em alguns setores, que devem ser continuados e ampliados, porém, isso não quer dizer que isso deva ser feito pela mesma pessoa.

Em suma, ainda não é embasado na realidade o argumento de alguns lulistas de que o povo quer o terceiro mandato. As pesquisa mostram que o povo aprova Lula, realmente, mas não mostram que a população quer que seja permitida outra reeleição.

Percebam que não se chega nem ao debate sobre se o desejo da maioria do povo em direção a um terceiro mandato o legitima. Esse desejo ainda não existe, que dirá o entendimento positivo a respeito desse desejo, vindo a existir, legitimar a nova reeleição.

A nova reeleição é passível de condenação até mesmo se a maioria da população a desejar, porém, nem chegamos a esse ponto ainda, esse debate não se sustenta.

É falaciosa a versão de alguns lulistas de que o povo clama por Lula. Recall é uma coisa, clamor é outra totalmente diferente. Por outro lado, é fato que Lula, concorrendo novamente em 2014, tem grandes chances de vencer.

É por essas e por outras, como as dificuldades que o próximo governo terá, a má fama dos políticos que se perpetuam no poder e o fato de o Senado provavelmente vir a barrar uma tentativa de aprovar o terceiro mandato, que Lula está com as barbas, literalmente, de molho.

Além disso, Lula não quer ser mal visto no exterior. Ele quer continuar a ser “o cara”.

Política brasileira: Fisiologismo toma conta e ideologia dá adeus

28/05/2009

Informa o jornalista Ricardo Noblat:

“O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou esta tarde junto à secretaria da Mesa da Câmara a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a ocupantes de cargos executivos (presidente da República, governador e prefeito) disputarem um terceiro mandato consecutivo. Se aprovada pelo Congresso, ela será submetida a um plebiscito em setembro próximo.

A PEC atraiu 194 assinaturas de deputados. O mínimo seria 171. Somente deputados do PPS e do PSOL se recusaram a assinar. Há 11 assinaturas de deputados do DEM e quatro do PSDB.”

Aí está. Foi protocolada junto à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados a PEC que, se aprovada no Congresso e referendada em plebiscito, permitirá aos ocupantes de cargos executivos tentar o terceiro mandato consecutivo.

Mas não é exatamente sobre isso que vou falar. Este blog já comentou bastante a possibilidade do terceiro mandato e as intenções do Deputado Jackson Barreto não são novas. Voltaremos ao tema quando novidades concretas surgirem.

Vocês devem estar se perguntando: Se não é disso que irá falar, do que será? Respondo: Falarei do fisiologismo da política brasileira que, se sempre existiu, hoje é maior ainda.

Sempre foi hábito de diversos parlamentares estar sempre com o governo, até porque o nosso sistema faz com que os deputados e senadores só consigam aprovar emendas ao orçamento para atenderem aos seus redutos eleitorais se votarem com o governo, porém, hoje estamos em um ambiente de promiscuidade política poucas vezes visto.

Deixados de lado os debates acerca de qual partido é melhor, mais honesto ou mais eficiente, pergunto: Como pode acontecer de deputados tucanos assinarem um documento que facilita alguma coisa que a direção do partido e as lideranças nacionais e regionais rejeitam terminantemente? Como pode ocorrer de deputados democratas fazerem o mesmos? Não são eles da oposição?

Joguemos para escanteio a questão do terceiro mandato em si. Não levemos em conta as disputas partidárias e políticas que se referem a 2010. Esqueçamos tudo isso e nos atenhamos apenas a um fato:

Deputados e senadores assinam e deixam de assinar, votam e deixam de votar, apóiam e deixam de apoiar, independentemente do norteamento dado pelas direções de seus partidos, pelas lideranças regionais e, até mesmo, pelo eleitorado cativo de cada legenda.

Em suma, temos as parcelas formais dos partidos e as parcelas ideológicas dos partidos. Ao que parece, as primeiras parcelas, compostas por aqueles que entendem os partidos como meios para que sejam atingidos objetivos pessoais, só crescem, enquanto as parcelas ideológicas vão dando adeus.

Pode até ser que a reforma política que vem sendo discutida não seja a mais indicada, porém, está claro que há algo de poder, muito podre, no sistema representativo nacional. Deputados da oposição apoiarem posições que favorecem claramente o governo já virou normalidade. A questão do terceiro mandato não é a primeira e está longe de ser a última.

Cada vez mais existem o formal e o ideológico. São inversamente proporcionais. E quem cresce é o primeiro. Partidos se tornam aglomerados de pessoas que nada tem a ver umas com as outras, e não, grupos que representam opiniões de parcelas constituídas da sociedade.