Arquivo da seção ‘Gilberto Kassab’

Kassab não paga precatórios e Justiça age: Mas por que só com ele?

13/03/2010

Informa o Globo:

“A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público do estado contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM) por improbidade administrativa. Desde 2006, a prefeitura de São Paulo não paga as dívidas que tem com ex-servidores públicos municipais. Os precatórios foram determinados judicialmente e o valor total da dívida passa de R$ 240 milhões.”

Acredito, sinceramente, honestamente, que Gilberto Kassab tem que ser, sim, responsabilizado pela falta de pagamentos no que diz respeito aos precatórios.

Para quem não sabe, os precatórios são as dívidas que o poder público tem com particulares, como indenizações devidas por exemplo. Sendo assim, é de suma importância que, em uma sociedade justa, estes sejam quitados.

Entretanto, o que eu gostaria de saber é o porquê de só Gilberto Kassab estar enfrentando esse tipo de desgaste decorrente de ação da Justiça.

Digo, sem medo de errar, que milhares de prefeituras brasileiras são devedoras, no que diz respeito aos precatórios. Entre elas, as de diversas capitais.

Portanto, é no mínimo curioso que este tipo de destaque seja dado ao Prefeito paulistano. Ainda mais em momento subsequente ao do problema que Kassab teve com relação às contas de sua campanha, mais especificamente no que tange as origens de algumas doações.

Aliás, as doações da campanha de Kassab fazem parte de episódio igualmente curioso. Trata-se de mais um caso em que centenas erram da mesma forma, mas onde só o Prefeito paulistano é acionado da forma como foi e sofre forte desgaste.

Antes que certo tipo de resposta surja nos comentários, explico meu posicionamento desde já:

Escândalos únicos, singulares, devem ser punidos exemplarmente e não são – a não ser no olhar sobre o todo do sistema – fontes de paradigmas, afinal, cada esquema é um diferente dos outros.

Contudo, irregularidades semelhantes cometidas por diversas pessoas e órgãos diversos deveriam – por justiça – serem tratadas de forma igual, isonômica, pelo Judiciário nacional.

Em suma o que quero dizer é o seguinte, sem tirar nem pôr:

Kassab deve responder pelas irregularidades nas contas da campanha se estas forem comprovadas?

Deve! Claro!

Kassab deve ser responsabilizado pelas dívidas dos precatórios?

Deve! Óbvio!

Porém – em que pese a minha completa aversão a teorias da conspiração – por que só ele?

José Roberto Arruda: Decidido a resistir (por enquanto)

30/11/2009

O Governador José Roberto Arruda deu novos contornos ao escândalo que o envolve e que foi comentado por este blog aqui e aqui: Afirmou que resistirá “até o fim”.

Acontece que o “até o fim” de Arruda significa, na verdade, “até que não seja mais possível”.

Arruda tenta apenas postergar o inevitável. Sabe que evitar é impossível.

Já comentei aqui e repito: A situação de Arruda é insustentável. Não há político em cargo de relevo que resista sem apoio. E não há apoio que resista a um recebimento inexplicável de maços de dinheiro registrados em vídeo.

O Governador afirmou que poderá provar sua inocência. Começou a época de insultos à nossa inteligência.

Deveria Arruda fazer o que ninguém faz: Assumir o erro, resignar-se, pedir desculpas ao distinto público e retirar-se de cena.

Contudo, o Governador preferiu o velho script: Negação, falsa indignação, alusões a uma herança maldita deixada pelo antecessor e vitimização.

Não que não haja uma herança maldita advinda do governo de Joaquim Roriz. Não que Durval Barbosa, pivô do esquema, não tenha sido colaborador de Roriz.

Entretanto, isso não justifica. Arruda deveria ter denunciado o esquema de Roriz, feito de tudo para destruí-lo, impedí-lo em seu governo e ponto final.

Alguns não entendem porque Arruda tenta resistir. Duas palavras podem explicar: Foro privilegiado. Como Governador, Arruda responde a tudo com regalias. Se renunciar, pode parar atrás das grades em dois tempos.

Enquanto isso, José Serra e Gilberto Kassab, por exemplo, fazem o correto: Apontam a contundência das acusações, a consistência das provas e defendem a punição dos envolvidos. Todos deveriam fazer o mesmo, preocupados com o desgaste para as eleições de 2010 ou não.

O Democratas, partido de Arruda, não pode refugar. Pelo menos não se quiser manter-se como defensor da ética e se desejar poder continuar a apontar as falhas morais dos petistas.

A expulsão de Arruda é o único caminho possível para o partido se não quiser se envergonhar. Não há mais dúvida plausível a respeito do envolvimento de Arruda no esquema. Já passou o tempo da cautela.

Cortar na carne é o que qualquer partido brasileiro deve fazer ao se deparar com algo desse tipo.

Utilidade pública: Auxiliem as vítimas do incêndio em favela paulista

13/10/2009

Informa o Portal G1 que após perderem seus pertences no incêndio que atingiu suas moradias na noite de domingo (11), os moradores da Favela Diogo Pires, no Jaguaré, em São Paulo, dependem de doações para reconstruir suas vidas.

O Portal apurou com Nelson Suguieda, coordenador distrital da Defesa Civil, que as pessoas que quiserem ajudar podem encaminhar suas doações para a Subprefeitura da Lapa, responsável pela área.

O Perspectiva cumpre seu papel e incentiva a cidadania, fazendo-se de meio de utilidade pública, como já foi feito em outras ocasiões.

Aos paulistas, informo que a Subprefeitura da Lapa ficará aberta nesta terça-feira (13) e que será possível deixar donativos no local entre 9h e 18h. A Subprefeitura fica na Rua Guaicurus, 1000.

Aos demais, aviso que a Sociedade Benfeitora Jaguaré está recolhendo doações em benefício dos desabrigados. É possível obter esclarecimentos a respeito de como ajudar contactando a Sociedade. O telefone que consta no site oficial da mesma é o (11) 3768-0552.

Por fim, vale ressaltar que a Sociedade já arrecadou mais de uma tonelada de alimentos, cobertores e roupas. Porém, estes estão presos por conta da burocracia, enquantos os necessitados passam fome e frio.

A Prefeitura paulistana informou que os desabrigados já foram cadastrados, mas que só vai liberar a entrega dos donativos depois que os dados do cadastro forem checados.

Prefeito Gilberto Kassab e Governador José Serra, providências por favor!

Resultado da enquete: Em quem você votaria para Governador (Rio/São Paulo)?

15/08/2009

A décima e a décima primeira enquetes do Perspectiva Política em novo formato perguntavam o seguinte:

Se você pudesse votar em São Paulo, escolheria qual candidato a Governador?

Se você pudesse votar no Rio, escolheria qual candidato a Governador?

Pois bem. Aproveitando para agradecer o gigantesco número de votos,  1.341 votos na enquete sobre São Paulo e 1.130 votos na enquete sobre o Rio de Janeiro, sendo que não era possível para os leitores votar  mais de uma vez, o que aumenta mais ainda a relevância da marca alcançada, apresento os resultados:

São Paulo:

Geraldo Alckmin – 522 votos – 39%

Ciro Gomes – 314 votos – 23%

Outro candidato – 180 votos – 13%

Gilberto Kassab – 153 votos – 12%

Antonio Palocci – 142 votos – 11%

Aloysio Nunes Ferreira – 30 votos – 2%

Rio de Janeiro:

Fernando Gabeira – 466 votos – 41%

Sérgio Cabral – 172 votos – 15%

Outro candidato – 141 votos – 12%

Anthony Garotinho – 132 votos – 12%

Cesar Maia – 114 votos – 11%

Lindberg Farias – 105 votos – 9%

Se partirmos do pressuposto de que os leitores do Perspectiva conseguem representar, embora em menor escala, as intenções de voto da população como um todo, podemos tirar algumas conclusões destes resultados. Embora precisemos lembrar que muitos dos votantes, provavelmente, não residem em nenhum dos dois estados e que todos os votantes, obviamente, não residem em um deles, o que pode distorcer sensivelmente qualquer conclusão.

Mesmo assim, é possível citar alguns pontos:

1- O favoritismo total de Geraldo Alckmin em São Paulo.

2- O fato de estar muito claro que a única alternativa ao ex-Governador Alckmin para a aliança PSDB-DEM é o atual Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, já que Aloysio Nunes Ferreira tem na enquete do Perspectiva, e nas pesquisas reais, índices pequenos de intenção de voto.

3- Ciro Gomes parece ser, pelo menos por enquanto, mais viável do que qualquer candidato petista em São Paulo. O que não quer dizer que ele tenha muitas chances de derrotar Alckmin.

4- No Rio de Janeiro, a disputa deverá ser mais equilibrada que em São Paulo.

5- O Governador Sérgio Cabral terá muitas dificuldades se sua base de sustentação tiver três candidatos (ele mesmo, Garotinho e Lindberg) e a oposição unir Gabeira e Cesar Maia em torno de uma candidatura só, o que está perto de ocorrer.

6- Cabral vai mal para alguém que tenta a reeleição.

Dito isso, coloco à disposição de vocês na barra lateral à direita  uma nova enquete que pergunta:

Se Marina Silva for candidata à Presidência, você votará nela?

Aguardo as respostas de vocês.

Sucessão paulista: Aliança PSDB-DEM na frente – Alckmin lidera e Kassab se sai bem

10/08/2009

Informa Felipe Patury, na Veja:

“Uma pesquisa confirma o favoritismo do tucano Geraldo Alckmin em uma eventual campanha para governador de São Paulo em 2010. O levantamento feito pelo instituto Opinião, ligado ao PSDB, atribui a Alckmin de 53% a 63% das intenções de voto.

A variação ocorre quando se muda a lista de candidatos. Depois de Alckmin, quem aparece melhor é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com 45% em alguns dos trinta cenários analisados.

O socialista Ciro Gomes só chega à liderança quando não é confrontado com Alckmin ou Kassab. As pontuações máximas dos petistas Marta Suplicy e Antonio Palocci são de 33% e 12%, respectivamente.

O estudo ainda aferiu as preferências dos paulistas para presidente. O governador paulista, José Serra, tem 55% das intenções de voto, Ciro Gomes, 16% e a petista Dilma Rousseff, 12%.”

Este blog tem batido em uma mesma tecla desde o início do ano e repisa: Geraldo Alckmin é favoritíssimo ao governo de São Paulo. Apenas uma pessoa pode retirar a vitória de suas mãos: José Serra. Seja direta ou indiretamente.

Alckmin é tão favorito no que tange a disputa que pode ser mais difícil para ele garantir a participação nela do que vencê-la após ter conseguido a candidatura. É aí que entra José Serra.

É o Governador que comanda, hoje, o PSDB paulista. Caso ele resolva não concorrer ao Planalto e tentar a reeleição, tomará a vaga de Alckmin diretamente, até porque seria mais favorito do que o ex-Governador. Se, diferentemente, ele não tomar parte na disputa paulista e indicar um sucessor, poderá não indicar Alckmin, o que complicaria, e muito, a vida do líder das pesquisas.

Acontece que a candidatura de Alckmin parece ser um caso de favas contadas. Digo isso pois os únicos nomes que parecem fazer frente a ele têm seus empecilhos. Aloysio Nunes Ferreira, preferido do governo atual, não vem bem nas pesquisas e sua chances são questionadas. Gilberto Kassab vem bem nas pesquisas e é querido por Serra e seu grupo, mas não gosta da ideia de deixar a Prefeitura mais importante do País nas mãos de Alda Marco Antônio, sua Vice, pois isso seria entregar a cidade ao grupo de Orestes Quércia. Quem sabe, no fim das contas, possa abrir mão desse ponto e tomar a vaga de Alckmin.

Sendo assim, parece que a opção mais viável para Serra será, mesmo, apoiar Alckmin. O Governador já teria, na verdade, percebido isso e esta seria a razão de sua reaproximação com o ex-Governador que chega a ocupar, hoje, uma secretaria estadual, tendo sido nomeado por José Serra.

Enquanto isso, o campo governista não parece dispor de nome realmente forte em São Paulo, o que facilita mais ainda a vida da aliança PSDB-DEM e, especificamente, de Alckmin.

Ciro é um nome cogitado para suprir essa falta de nomes fortes, mas a verdade é que está sendo convidado para tal muito mais para ser retirado da corrida presidencial, facilitando, na visão de Lula, a vida de Dilma, e para se colocar em posição que o permite falar mal de Serra, seu inimigo, do que para vencer.

Seja Alckmin, provável candidato, Kassab, possível candidato, ou Aloysio, nome cogitado, a aliança PSDB-DEM tem tudo para manter São Paulo entre os estados que governa.

Kassab diz que vai esperar por Serra para definir candidato ao governo

28/07/2009

“Kassab diz que vai esperar por Serra para definir candidato ao governo”

Não há dúvidas, na opinião deste blogueiro que vos fala, de que, por mais que o Prefeito Gilberto Kassab tenha voz e influência crescentes nas articulações da aliança PSDB-DEM, seja em São Paulo ou no País inteiro, quem definirá se o candidato tucano ao governo paulista será Aloysio Nunes Ferreira ou Geraldo Alckmin, será José Serra.

Se priorizar a escolha de alguém mais próximo de si e aceitar um risco maior de derrota, escolherá Aloysio. Se der preferência ao que lhe dizem as pesquisas e quiser garantir ao máximo a vitória tucana, selecionará Alckmin.

Coadjuvante em 2006, Kassab protagoniza discussão de 2010

27/07/2009

Informa o Estadão, a respeito do crescente cacife político do atual Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que realmente passou, após vitória em 2008, a ocupar papel mais importante do que o que já ocupava nas articulações da aliança PSDB-DEM:

“Coadjuvante na eleição presidencial de 2006, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), tornou-se um dos principais protagonistas do tabuleiro político pelo qual passará a disputa nacional de 2010. Discretamente, ele tem mantido conversas sobre a corrida do ano que vem com interlocutores que vão do PT ao PSDB. São encontros que ocorrem, quase sempre, em cafés da manhã ou jantares na sua casa ou em um de seus restaurantes prediletos, cujos nomes estão disciplinadamente gravados na memória do seu aparelho celular.
Com as credenciais de prefeito da maior capital do País e de presidente do conselho político do DEM, Kassab tem funcionado como uma espécie de ‘bombeiro’ na discussão em torno dos palanques nacionais de seu partido – discussão relevantíssima para fortalecer a candidatura presidencial da aliança PSDB-DEM, seja ela em torno do governador José Serra (SP) ou do mineiro Aécio Neves.
Em pelo menos 8 dos 27 Estados, PSDB e DEM enfrentam problemas de relacionamento, que podem inviabilizar a formação de um palanque conjunto. Recentemente, o prefeito entrou em campo para tentar resolver um imbróglio no Espírito Santo. O DEM capixaba resiste em embarcar na candidatura de Luiz Paulo Vellozo Lucas, pré-candidato tucano ao governo do Estado e grande aliado de Serra. O presidente do DEM local, o deputado estadual e presidente da Assembleia, Elcio Alvares, trabalha para que o partido integre a aliança patrocinada pelo governador Paulo Hartung (PMDB), que quer eleger seu vice, Ricardo Ferraço, sucessor, com o apoio do PT. ‘O DEM nacional tem dado mostras de que não aceitará compartilhar o palanque com o PT. E que deseja um palanque coerente com a aliança nacional aqui. O prefeito Gilberto Kassab defende isso. Deposito grande confiança na liderança dele’, disse o deputado Vellozo Lucas.
Antes de atuar na querela do Espírito Santo, Kassab participou da costura entre PSDB e DEM baianos, que se engalfinhavam no Estado desde 1998. A atuação de Kassab, por seu partido, e de Serra, pelos tucanos, levou à união em torno da candidatura de Paulo Souto (DEM) ao governo da Bahia.”

De olho em 2010, Alckmin e Kassab se aproximam

24/07/2009

Informa o Estadão:

“Quase um ano após a eleição municipal de 2008, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o ex-governador paulista e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSDB), participaram ontem de evento público no qual tentaram mostrar união em torno do projeto eleitoral de ambos os partidos para 2010.

O encontro, na vistoria de obras de uma escola na zona sul paulistana, foi o primeiro entre Kassab e Alckmin articulado pelas próprias assessorias, sem a presença do governador de São Paulo, José Serra. Desde a disputa pela prefeitura paulistana, da qual ambos participaram, a relação entre eles estava ruim. Kassab disputou com o apoio de Serra e venceu. Alckmin terminou em terceiro lugar e ainda teve de enfrentar um racha no partido, já que parte do PSDB apoiou o prefeito.

Tucanos já vinham sugerindo a Alckmin que se aproximasse de Kassab, de modo a fortalecer sua candidatura ao governo do Estado no ano que vem. O ex-governador tem a seu favor o bom desempenho nas pesquisas e uma razoável costura política no interior paulista. Mas ainda enfrenta resistência por parte do DEM, de Kassab. O prefeito, peça importante na articulação, trabalha no bastidores pela candidatura ao governo de Aloysio Nunes Ferreira, chefe da Casa Civil de Serra.”

A aproximação entre o Prefeito paulistano Gilberto Kassab e o ex-Governador paulista Geraldo Alckmin é uma necessidade para ambos.

Kassab é um dos atuais nomes fortes do DEM. Principalmente no que diz respeito a São Paulo. Sendo assim, é de se esperar, pelas alianças que todos nós conhecemos, que ele esteja fechado com o Governador José Serra.

Alckmin, por sua vez, não é do grupo serrista do PSDB, tendo, inclusive, disputado com o atual Governador a indicação do PSDB para a presidência em 2006. Ele se aproximou de Serra e é hoje Secretário deste apenas pela dinâmica da política, não por afinidade.

Portanto, chegamos à conclusão de que Kassab e Alckmin, que foram adversários na campanha para a Prefeitura em 2008, vão subir no mesmo palanque apenas por uma necessidade mútua. E isso é comum na política que é dita, pelos próprios políticos, como “dinâmica”.

E que necessidade é essa? Garantir o Palácio dos Bandeirantes para a aliança PSDB-DEM, afinal, por mais que não sejam irmãos, Alckmin, Kassab, Serra, Afif, entre outros, são muito mais amigos entre si do que dos adversários. Não por haver muita afinidade, mas pelos interesses pessoais de cada um serem mais próximos.

Alckmin é o pré-candidato que garante mais chances de vitória para a aliança por conta do recall e do poder político no interior do estado. Kassab é um Prefeito razoavelmente popular, que tem bom cacife político e que comanda um grupo do qual Alckmin necessita.

Como Kassab já percebeu que não pode, nesse momento, almejar o Governo do estado, já que se deixasse a Prefeitura a entregaria ao grupo de Quércia, a saída é a aproximação com Alckmin, pois o outro candidato possível, Aloysio Nunes Ferreira, não decola nas pesquisas.

Alguns dizem que Aloysio poderia ser o candidato, por conta do fato de os adversários não disporem de nomes fortes, o que possibilitaria a vitória de Aloysio apenas com o uso do poder político do PSDB no estado.

Desconfio um pouco dessa estratégia. Se eu fosse tucano não a aplicaria. Acredito que o favoritismo seja de Alckmin realmente.

Sucessão paulista: Candidatura de Aloysio Nunes em SP tem apoio de PMDB de Quércia e DEM de Kassab

06/07/2009

“Candidatura de Aloysio Nunes em SP tem apoio de PMDB de Quércia e DEM de Kassab”

A manchete escolhida pelos jornalistas da Folha de São Paulo para ilustrar a reportagem que a acompanha não se equivoca, realmente existe esse apoio, porém, passa uma imagem errônea para os mais desavisados, afinal, pode levar a pensar que estes apoios são exclusivos de Aloysio Nunes. Mas eles não são.

Informa a própria reportagem:

“Deputados, prefeitos e aliados de Aloysio dizem que seu maior trunfo agora é o apoio de diferentes partidos, especialmente do DEM do prefeito Gilberto Kassab (se ele mesmo não tentar ser candidato) e do PMDB de Orestes Quércia.

Isso não significa, porém, que os dois partidos se recusem a apoiar uma eventual candidatura Alckmin. Um argumento comum é de que a decisão passará pelas mãos de Serra.”

Vamos dizer a verdade:

Por mais que Geraldo Alckmin seja do PSDB, ele não é membro do mesmo grupo político do Governador José Serra. Simples assim. Existem correntes dentro do PSDB como em diversos outros partidos.

Sendo assim, é correto afirmar que Gilberto Kassab, do DEM, é muito mais aliado de José Serra do que Alckmin, que é do mesmo partido que o Governador. O mesmo vale para os membros-chave da equipe de Serra. Entre eles está Aloysio Nunes Ferreira.

Portanto, é por isso que o grupo que governa hoje São Paulo, que não se limita ao PSDB serrista, incluindo também os membros do DEM, do PV e do PPS que participam do governo estadual e indicam ocupantes de cargos de certa importância, prefere Aloysio a Alckmin. O faz por esse motivo simples: Aloysio é do grupo, Alckmin não. Natural que seja assim.

O grande problema é que a viabilização da candidatura de Aloysio não é tão fácil. O nome dele não é expressivo. E aí que entra Alckmin.

A candidatura do ex-Governador é, sim, viável. Viabilíssima. Favoritíssima, como diz e repete este blogueiro que vos fala.

Gilberto Kassab poderia ser uma alternativa que combinaria a viabilidade de Alckmin com o pertencimento ao grupo que detém o poder em São Paulo de Aloysio. Mas acredito que esse mesmo grupo não pretende entregar a Prefeitura de São Paulo para Alda Marco Antônio. Fazer isso é entregar a Prefeitura para Orestes Quércia.

Essa é a pseudo-encruzilhada.

Obviamente, o grupo político que ocupa hoje o poder em São Paulo não chega a ser diametralmente oposto a Alckmin. Existe até mesmo uma recente aproximação, com a nomeação de Alckmin para comandar uma Secretaria.

No fim das contas, todos os que estão sob as asas de Serra preferem Aloysio. Claro. Mas quem disse que isso é suficiente. O eleitor tem que preferí-lo também e isso não é tão fácil de conseguir. Alckmin seria a alternativa para pelo menos manter o campo da atual oposição no poder. Se não são alckmistas, os serristas o são muito mais do que petistas, obviamente.

Se só restar Alckmin como alternativa viável, será ele o candidato. Não tenham dúvidas disso. Ninguém cometeria o suicídio de lançar um candidato inviável.

A grande questão é que pode ser cometido o erro de, no momento da decisão, não se perceber que a candidatura de Aloysio Nunes Ferreira é inviável.

É aí que reside o perigo para os tucanos. Será mesmo que qualquer um deles pode ganhar em São Paulo, seja quem for o candidato do campo governista?

Há controvérsias. Alckmin é a aposta mais segura. Me parece que compor com ele é mais aconselhável do que arriscar com Aloysio.

Ibope: Alckmin continua liderando com folga em São Paulo

04/07/2009

Este blogueiro vem dizendo neste blog e repisa: Por mais que possam dizer que Geraldo Alckmin dispõe da enorme vantagem que tem nas pesquisas de intenção de voto por conta do recall, ou seja, apenas por ser um nome conhecido e já ter sido candidato, é inegável que o ex-Governador é favoritíssimo ao Governo de São Paulo.

Pesquisa recente do Ibope confirma esse entendimento. Seguem os resultados dela:

“O ex-governador de São Paulo e secretário estadual de Desenvolvimento Geraldo Alckmin (PSDB) é o favorito para governar o Estado, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira.

O levantamento indica que Alckmin tem entre 42% e 51% dos votos. Em segundo lugar aparece o deputado federal Paulo Maluf (PP), com percentual entre 12 e 20.

O chefe da Casa Civil do Estado, Aloysio Nunes Ferreira, apontado como pré-candidato tucano, oscila entre 3% e 4%. Já o deputado federal Ciro Gomes (PSB), possível candidato da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem entre 9% e 12%.”

Os resultados da pesquisa confirmam que Alckmin é favorito não só por darem a ele uma vantagem enorme. O fazem também por darem conta de que o PT não dispõe de nenhum candidato competitivo e por dizerem, tacitamente, ao PSDB, que o partido deveria escolher Alckmin, e não Aloysio Nunes Ferreira, para ser o candidato. Além disso, Ciro Gomes, sendo “importado”, teria um grande telhado de vidro.

É claro que estamos ainda muito longe da eleição, muito água ainda passará por debaixo da ponte, porém, a tendência de favoritismo de Alckmin parece consistente, até porque o bom desempenho dele no interior do estado de São Paulo é comprovado e parece ser duradouro.

Alguns perguntarão: Mas então você entende que a eleição está decidida?

Respondo: Com certeza não. Apenas acredito que Alckmin é favorito, mas enxergo diversos pontos que podem nublar esse prognóstico.

Em primeiro lugar, a falta de candidatos do PT pode fazer o PSDB entender que até mesmo Aloysio Nunes Ferreira, que hoje parece ter uma candidatura inviável, poderia vencer. Com isso, Alckmin nem seria candidato.

Em segundo lugar, há a possibilidade de, caso Aloysio não se viabilize pelo menos minimamente, o grupo político de José Serra apoiar Gilberto Kassab, Prefeito de São Paulo, como altenativa a Alckmin.

Alguns dirão: Mas então Alckmin não é favorito coisa alguma.

Respondo: É.

Alckmin é favorito porque essas possibilidades que poderiam complicar sua vida também têm seus poréns. Aloysio Nunes Ferreira parece não ter capacidade de se viabilizar minimamente, como vem fazendo, por exemplo, Dilma Rousseff no âmbito nacional. Além disso, Kassab dificilmente deixará a Prefeitura pois, fazendo isso, a deixaria nas mãos do grupo político de Orestes Quércia, do qual faz parte sua Vice, Alda Marco Antônio.

É, meus caros. Alckmin está “bem na fita”.

Em tempo: O malufismo não morre?