Arquivo da seção ‘Relações Internacionais’

China torna-se segunda maior economia global

17/08/2010

Informa o portal Globo.com sobre a evolução da economia chinesa:

“Depois de três décadas de crescimento espetacular, a China passou o Japão, tornando-se a segunda maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.

O marco já era esperado há algum tempo. Tóquio anunciou que a economia japonesa teve expansão de 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado.

Segundo especialistas, o fato de desbancar o Japão — depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido — reforça o poder do crescimento chinês e as previsões de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo em 2030.”

Guiné Equatorial prova que há subdesenvolvimentos e subdesenvolvimentos

07/03/2010

Informa o Globo, provando que nem todo subdesenvolvimento se dá por falta de oportunidade, por ação do imperialismo americano ou por opressão histórica colonial, além de dar ao Perspectiva a oportunidade de trazer para o debate um tema que vai dar o que falar nos comentários:

“Avenida Vieira Souto, 206. Este será o endereço da família Obiang no Rio, se concretizada a compra de um apartamento triplex em prédio de cinco andares projetado por Oscar Niemeyer há meio século: são dois mil metros quadrados de área útil, com rampa entre a sala de 720 metros e o pátio da cobertura, em ângulo com o magnético mar de Ipanema.

Os Obiang costumam se destacar nas listas das famílias mais ricas do planeta, como as da revista ‘Forbes’. Há três décadas detêm a hegemonia do poder e dos negócios na Guiné Equatorial, país do tamanho de Alagoas, onde 520 mil pessoas vivem em cima de um oceano de petróleo espraiado pelo Golfo da Guiné — o braço do Atlântico que invade a África, na região conhecida como coração geográfico da Terra, porque ali se cruzam as linhas do Equador (0º de latitude) e do meridiano de Greenwich (0º de longitude).

O negócio imobiliário no Rio, estimado em US$ 10 milhões, é apenas reflexo das prósperas relações do clã Obiang com o governo, a Petrobras e empreiteiras brasileiras, como mostra a reportagem de José Casado na edição do O GLOBO deste domingo.

A Petrobras tem 50% de um campo petrolífero em exploração. Já a Andrade Gutierrez – dona do apartamento em Ipanema – soma US$ 500 milhões em contratos. Outra construtora mineira, a ARG, obtém naquele país 40% da sua receita anual (US$ 155 milhões em 2008).

O comércio entre o Brasil e a Guiné Equatorial aumentou cem vezes nos últimos seis anos: saltou de US$ 3 milhões em 2003 para US$ 300 milhões em 2009. Nos últimos seis meses, dois ministros brasileiros (o chanceler Celso Amorim e Miguel Jorge, da Indústria e Comércio) viajaram à capital, Malabo, para negociar uma dezena de novos acordos.

A Guiné Equatorial é um fenômeno africano. Por causa do bilhão de barris de petróleo extraído anualmente, exibe uma das maiores rendas per capita do mundo (US$ 28 mil por habitante) – quase quatro vezes maior que a do Brasil, superior à de Israel e Coreia do Sul, informa o Banco Mundial.

Essa riqueza contrasta com o real padrão de vida da população: quase oito de cada dez habitantes sobrevivem com renda pouco acima de US$ 1 por dia, apenas 44% da população têm acesso à água potável, e a desnutrição impera entre 39% das crianças com menos de 5 anos.

Há quatro semanas, o Senado dos EUA encerrou uma investigação sobre o destino da riqueza da Guiné Equatorial. No relatório final, com 330 páginas, o clã Obiang emerge como uma vigorosa cleptocracia, elevada à categoria de ‘caso de estudo’ sobre práticas de corrupção governamental.”

Impossível não recordar da tese de que alguns subdesenvolvimentos são estados de espírito.

Hugo Chávez não quer vitória do PSDB no Brasil: Com um amigo desses, Dilma não precisa de inimigos

07/02/2010

Informa a Agência de Notícias EFE:

“O presidente venezuelano, Hugo Chávez, indicou hoje que seria ‘nefasto’ para a América Latina se a direita recuperasse o Governo do Brasil nas próximas eleições presidenciais, em outubro.

‘Neste ano há eleições no Brasil e temos certeza de que o império americano vai apostar tudo na direita brasileira, para ter desde 1º de janeiro do ano que vem um Governo subordinado às ordens americanas. Isso seria nefasto para a união da América do Sul’, disse Chávez em seu programa dominical ‘Alô Presidente’.

‘Não nos intrometemos nos assuntos internos, mas cabe a nós saber o que acontece nos países irmãos da América Latina e do Caribe’, acrescentou o presidente venezuelano.

Em primeiro lugar, é uma hipocrisia danada se meter descaradamente  nos assuntos que envolvem o processo eleitoral brasileiro e depois afirmar que não se intromete em assuntos internos dos países vizinhos. Até parece que resolve assoprar depois de bater.

Em segundo lugar, esse discurso de que uma vitória da oposição seria a vitória dos “ianques” é equivocado e atrasadíssimo. A direita latino-americana já não é mais marionete, pelo menos não nos países mais desenvolvidos, há muito tempo. E o PSDB nem mesmo de direita é, na verdade. Talvez seja possível dizer que é próximo do empresariado, mas isso não é necessariamente ser de direita e muito menos estar subordinado aos EUA. Trata-se de acusação patética. Dizer que o PSDB é entreguista é conversa de uma esquerda órfã do Muro de Berlim. Não convence. Dizer que o governo Lula foi bem melhor no lado social é muito mais interessante.

Por fim, a realidade é que, sinceramente, quando vejo Hugo Chávez dizendo estas baboseiras sobre a oposição e quando lembro que ele já pediu que os brasileiros elejam Dilma Rousseff, ganho pelo menos um motivo para preferir José Serra.

O apoio de Chávez é prejuízo. E ainda bem que é assim. É sensato. Não poderia ser diferente.

Depois de ter apoiado tacitamente um Programa Nacional de Direitos Humanos com certo cunho chavista em diversos pontos, Dilma não pode nem pensar em ser apoiada efusivamente pelo ditador venezuelano. Seria a confirmação de que a esquerda da Ministra não é a de Lula.

E não é mesmo.

Chávez teria financiado, literalmente, atentado contra a democracia na Nicarágua

02/02/2010

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, tem passado guerrilheiro. Hoje, porém, segue, infelizmente, o caminho de muitos ex-guerrilheiros que conseguem chegar ao poder, seja pela via democrática ou não: O caminho do autoritarismo. Sendo assim, não surpreende a aliança existente atualmente entre ele e Hugo Chávez. Foi por conta dela que a Nicarágua passou a fazer parte da ALBA, Aliança Bolivariana das Américas, alternativa chavista à ALCA.

Como não poderia deixar de ser, o neo-bolivariano Ortega – que, diga-se de passagem, preside um país que na verdade é governado nos bastidores por sua esposa, Rosario Murillo – começou a assediar os meios de comunicação que, coincidentemente, dizem verdades que não agradam ao regime.

Agora, a situação chega ao extremo, com a compra por Ortega do Canal 8 nicaraguense, a Telenica. Está claro que o líder da Nicarágua tenta siienciar a oposição.

Mas a pior parte da história não é essa. O pior de tudo vem agora.

Foi Chávez quem deu dinheiro a Ortega para que este pudesse comprar o canal de televisão de seu país que era uma voz de oposição, calando assim as críticas.

Era da Albanisa (ALBA da Nicarágua S.A.), consórcio criado por Chávez para recompensar o apoio político dado pela Nicarágua ao bolivarianismo, o dinheiro utilizado para a compra. O gerente-geral da Albanisa, Rafael Paniagua, confirmou que foram fundos da sociedade que possibilitaram a compra do canal.

Trata-se de Chávez financiando, literalmente, os atentados contra a democracia na América Latina. Foi o dinheiro que a Venezuela transfere para a Nicarágua em troca de apoio político, através de empresas de fachada como a Albanisa, o utilizado para calar a oposição que Ortega enfrenta.

Ao invés de governar melhor, respeitar a democracia e os direitos da oposição e prezar a liberdade, Daniel Ortega preferiu pegar o dinheiro que a Venezuela lhe dá e calar a boca dos opositores. Levando em conta a índole de Chávez, este deve ter aplaudido e repetido a ladainha de que o tal canal de televisão era “representante das oligarquias entreguistas, do capitalismo selvagem e do imperialismo americano”. O fato de ele fazer oposição ao regime deve ser mera coincidência.

Por essas e por outras o ideário bolivariano, o comportamento de Chávez e a política expansionista do chavismo só podem ser encarados como nocivos.

Felizmente, Chávez enfrenta hoje dificuldades políticas internas e externas, que podem levar, no médio prazo, ao ocaso do chavismo.

As dificuldades econômicas do povo venezuelano, que ao contrário das dificuldades políticas de Chávez não podem ser comemoradas por ninguém, também colaboram para este quadro de derrocada.

Perspectiva: Hugo Chávez – Início do fim?

01/02/2010

Os últimos acontecimentos políticos da América Latina podem ter decretado o fim da expansão do bolivarianismo na região. Os recentes fatos políticos venezuelanos, por sua vez, podem representar mais: A derrocada de Hugo Chávez. Externa e internamente o semi-ditador enfrenta graves dificuldades de ordem socio-político-econômica.

No que diz respeito à América Latina, o bolivarianismo recebeu, recentemente, três golpes duros:

A vitória de Sebastián Piñera nas eleições presidenciais chilenas, através de um discurso anti-Chávez e da defesa de um projeto de centro-direita.

A resolução pacífica do impasse hondurenho, com a confirmação de perda do poder e ida para o exílio de Manuel Zelaya, representante da ideologia chavista no País, e subida à presidência de Pepe Lobo, conservador e defensor de um discurso de conciliação que agradou os hondurenhos.

E a atuação humanitária ampla e elogiadíssima dos Estados Unidos no Haiti, recuperando para os americanos um pouco da imagem de benfeitores que já existiu em algumas épocas passadas e enfraquecendo o argumento bolivariano de que os EUA são os vilões e malfeitores da América Latina.

No que concerne o cenário político-econômico interno da Venezuela, a conjuntura também não é nada animadora para os chavistas:

Uma crise cambial séria atinge o país, trazendo inflação, desabastecimento e recessão. Desvalorizações monetárias desastradas, planos econômicos pouco eficientes e fixação de preços têm sido o caminho de combate não muito eficiente escolhido.

Sucessivos cortes de energia elétrica se dão nas cidades venezuelanas. Há racionamento intenso e agressivo. Uma crise energética clara está completamente instalada. Também existe falta d’água em algumas torneiras, além de uma seca que afeta a agricultura já enfraquecida pelos anos de desatenção chavista.

E o regime de Chávez, afetado por isso tudo, está em baixa significativa. O Vice-Presidente renunciou. A Ministra do Ambiente, esposa deste, também. Deixou igualmente o governo o Presidente do Banco da Venezuela. Há definitivamente algo de podre no reino chavista dos bolivarianos.

Diante de toda esta situação político-econômica difícil, Hugo Chávez perdeu de vez o controle. Decidiu, como os piores ditadores, responder aos pedidos de mais liberdade com mais repressão, devolver as críticas com justificativas absurdas e risíveis e ameaçar os opositores internos e externos com bravatas.

Enquanto Chávez afirma ridiculamente que os Estados Unidos causaram um terremoto que atingiu a Venezuela, a criminalidade no país dispara, chegando a níveis recordes.

Ao mesmo tempo em que o líder venezuelano desafia a oposição a afastá-lo e repete o enfadonho, mofado e equivocado discurso de que os protestos populares recentes são obras de conspirações oligarcas e burguesas, sua popularidade despenca entre a população e as mobilizações contrárias ao regime e defensoras de mais liberdade, principalmente de opinião e de imprensa, proliferam.

Ao passo que a influência externa de Hugo Chávez vai minguando, seu poder também se reduz internamente. Seu governo começa a ser questionado com mais atrevimento, fato típico do ocaso das ditaduras e das gestões autoritárias.

- Se Chávez está acabado, bem, me afastem! Com toda a energia gasta nessa loucura, toda tinta e papel, que organizem um grupo, peçam o referendo. Vamos ver se dizem mesmo que estou acabado. Ninguém vai impedi-los — foi o que disse o Presidente venezuelano à sua oposição.

Claramente, esperneira e desafia para se afirmar. Líderes personalistas sempre reagem mal às quedas de popularidade e aos questionamentos de suas qualidades. Comprova-se até psicologicamente que o caudilho está em maus lençóis.

Em resumo, temos hoje um cenário de vantagem da democracia liberal sobre o chavismo na América Latina e uma conjuntura socio-político-econômica completamente prejudicial aos planos condenáveis de Chávez no mundo próprio da Venezuela.

Será o início do fim?

Nota de Repúdio: Civis americanos tentam levar crianças haitianas sem autorização

01/02/2010

Informa o Globo:

“Em meio ao caos que se instalou no país depois do terremoto, a polícia do Haiti deteve neste sábado um grupo de dez americanos suspeitos de tentarem tirar crianças do país sem a autorização necessária.

A ministra de Comunicações, Marie-Laurence Jocelyn Lassegue, informou que os americanos foram detidos com 33 crianças ao tentar atravessar a fronteira para a República Dominicana.

Segundo a agência de notícias Associated Press, o americano de Idaho Sean Lankford informou que sua mulher e a filha de 18 anos estavam entre os americanos detidos. Lankford, que faz parte da Igreja Batista, disse que o grupo queria levar as crianças para um orfanato que foi montado em um hotel na República Dominicana. Ele disse que o grupo acreditava estar com a documentação necessária para levar as crianças.

Lankford disse que funcionários do governo americano estavam trabalhando para localizar os dez integrantes da igreja detidos. Ele afirmou que parentes de Idaho estavam em contato com os americanos detidos via telefone e mensagens de texto.

O Haiti impôs novos controles sobre adoções de crianças no país. Agora, a autorização deve ser dada pessoalmente pelo primeiro-ministro Max Bellerive para evitar o tráfico de crianças. A estimativa é de que milhares de crianças foram separadas de seus pais após o terremoto.”

Pode até ser que estes americanos citados não tenham más intenções. É preciso verificar criteriosamente suas justificativas e alegações, mas não se pode dizer de antemão que são culpados.

Contudo, de qualquer forma, existem aqueles que levaram crianças do Haiti em esquemas do tráfico de menores, afastando esses meninos e meninas de seus familiares restantes, de sua terra, do mundo que compreendem. Quem sabe em qual nova realidade podem agora estar? Quem garante que não estejam sofrendo algum tipo de abuso, seja físico, moral ou até sexual.

Só se pode ter asco, nojo e repulsa direcionados a pessoas que empreendem estas transações vis e desumanas. Suas práticas me causam náuseas.

Nunca uma transgressão se justifica. Uma que trafica pessoas é mais injustificável. Quando o tráfico é de inocentes e desamparadas crianças, é desumano.

Fica aqui o registro de meu apoio total aos que lutam contra esse lado negro da Humanidade que, infelizmente, se faz presente no já complicadíssimo Haiti.

Batalhar contra isso é que é defender os direitos humanos verdadeiramente.

Alguns por aí precisam aprender o que isso significa.

Haiti: Ajuda versus inoperância – Nada de catástrofe de estimação

18/01/2010

Enquanto o Haiti tenta se recuperar da tragédia que acometeu seu território com a ajuda humanitária de outros países, o seu próprio governo é inoperante. Diz-se que os estrangeiros que lá desembarcam se assustam verdadeiramente com o despreparo das forças governamentais e com a inércia do Presidente, René Préval.

Portanto, é imprescindível o auxílio internacional ao Haiti, afinal, seu governo, tanto por questões de incompetência própria, como de obstáculos e limitações econômicas e políticas que fogem de seu controle, não conseguirá resolver os problemas da nação sozinho.

O Brasil interpreta importante papel no país de qualquer forma, independentemente dele parecer menor agora, quando é comparado com a ajuda maciça dos Estados Unidos, afinal, lidera a missão de paz da ONU na região, comanda a Minustah.

Não adianta absolutamente nada que nossa diplomacia se ressinta da pujança da ação americana. A palavra-chave é cooperação. Mais vale o Haiti ser ajudado com excelência do que o Brasil atuar sozinho em uma busca inglória por um “caso exemplar” de sua atuação internacional. Digo inglória pois o Brasil, sem a ajuda de outros países, não conseguiria fazer do Haiti um exemplo de excelência de ação humanitária tupiniquim.

Que o Brasil reconheça suas limitações e, observando-as, inicie esforços para que elas se reduzam no futuro. Ter uma catástrofe de estimação para mostrar à ONU que podemos fazer do nosso País um “player” global é burrice. E é inviável, pois não mostraríamos por falta de recursos e infra-estrutura militar, bélica e organizacional.

Queremos sim, que o Brasil possa liderar atuações como essa. Mas de verdade. Sem amadorismo. Sem ter um ressentimento bobo direcionado ao país que ajuda melhor que nós.

E isso só se dará no futuro. Hoje não dá mais tempo. Além de tudo estar condicionado a investimento no desenvolvimento do setor.

Em suma, os EUA podem auxiliar mais e melhor por estarem mais e melhor preparados para tal. Simples assim.

Apenas a ideia de reservar o Haiti para apenas o Brasil ajudar e ganhar cacife internacional já é ridícula e até desumana.

Se lembrarmos que sozinho o Brasil não conseguiria, se torna risível.

E não estou deixando aqui de ser patriota. É apenas realismo. Tomara que no futuro o Brasil possa interpretar um papel como o que os EUA interpretam hoje.

Porém, hoje não é possível e é preciso saber disso, ao invés de sonhar, pois vidas estão em jogo.

Governador colombiano sequestrado pelas Farc é achado morto

23/12/2009

Informa o Portal G1

“O governador colombiano Luis Francisco Cuéllar, que havia sido sequestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, foi encontrado morto nesta terça-feira (22). Seu corpo foi achado baleado e rodeado de explosivos em Sebastopol, zona rural próxima da capital de Caqueta, departamento que governava.

[...]

O sequestro na segunda-feira (21) mostra como a guerrilha mais antiga da América Latina ainda é capaz de realizar operações de alta visibilidade, apesar de anos sendo combatida pelos militares colombianos com o apoio dos EUA.”

Eu gostaria nesse momento de ouvir o que têm a dizer pessoas que, explicitamente ou tacitamente, apóiam as FARCs, como Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo e – por que não? – Luiz Inácio Lula da Silva.

Qualquer pessoa que um dia tentou justificar as ações da guerrilha colombiana, por favor, tentem justificar isso.

Será interessante, para não dizer um pouco triste, ver as manobras retóricas.

Desde já adianto que a lorota de que o Governador colombiano é um representante das elites oligarcas opressoras e aliadas do capitalismo imperialista, e que por isso seria merecedor da morte, não cola. Nem um pouco.

Política internacional, ideologia e os mísseis testados pelo Irã

20/12/2009

Informa o Globo:

“O Irã testou uma ‘versão aprimorada’ do míssil terra-a-terra Sajjil-2, capaz de alcançar partes da Europa.

[...]

O projétil de alta velocidade tem ‘grande capacidade de manobra’ e vai até 2 mil quilômetros do ponto de partida, acrescentou o Irã.

O país testou outros dois tipos de mísseis em setembro, dias antes de uma importante reunião entre os países ocidentais sobre as questões nucleares.

O novo teste ocorre num momento em que o Ocidente pressiona o Irã a abandonar seu programa nuclear, por temer que ele possa levar ao desenvolvimento de armas. O Irã diz que seu objetivo é apenas gerar eletricidade com fins civis.”

Que me perdoem pela ignorância os defensores ferrenhos do Irã, porém, que eu saiba, mísseis não podem ser utilizados apenas para fins pacíficos.

Ora, que me digam que o programa nuclear visa apenas gerar energia. Eu não creio muito nessa hipótese, mas vá lá que seja.

Porém, quanto a mísseis ninguém poderá me convencer de que os fins são pacíficos. No máximo poderão afirmar que estão sendo testados pois podem ser usados em caso de defesa contra um ataque externo, e não para atacar.

Acontece que o ataque externo supostamente temido só viria se restasse comprovado que o Irã não está enriquecendo urânio apenas para gerar energia. Logo, se estiver visando se proteger, sabe o Irã que pode ser atacado e, portanto, que está devendo na praça.

Dito isso, a conclusão a que chego é que os defensores da política externa e militar do Irã precisam, no mínimo, dizer com todas as letras: Eu, fulano de tal, entendo que o Irã tem o direito de ter armas atômicas, pois outros países têm e ninguém é pior que ninguém.

Digam isso. Assumam que não criticam o Irã porque, no fundo, acham que o País pode ter urânio seja ele para gerar energia ou para gerar mortes, pois outros países também podem.

É aí que se relaciona a defesa do Irã com o anti-americanismo. Esse é o viés, por exemplo, que liga Hugo Chávez ao Irã de Mahmoud Ahmadinejad. Toda a conexão é motivada pelo anti-americanismo, que defende a ideia de que se os Estados Unidos têm bombas atômicas, todos podem ter, para os americanos verem o que é bom para a tosse.

Não concordo com essa visão, acho que a questão é mais complexa e que tudo depende da confiabilidade do país, de seu sistema político e de governo, de sua cultura e da intensidade de sua inserção na economia e na política mundiais.

No entanto, creio que se deixarmos de lado a hipocrisia, já seria de grande valia.

Os que entendem que o Irã pode ter bombas atômicas, falem. Não se escondam atrás do politicamente correto do “fins pacíficos”, afinal, mísseis não são nada pacíficos.

Por fim, vale citar a política externa brasileira no que diz respeito ao Irã. Ela é simpática ao programa nuclear do país árabe. Aliás, acredito que muitos governistas são parte do grupo citado acima, que entende, no fundo, que o Irã tem que botar para quebrar mesmo.

É por essas e por outras que questiono neste blog, muitas vezes, a atuação um tanto ideológica do Ministro Celso Amorim e, principalmente, do famigerado Marco Aurélio Garcia, que não possuiria o cargo que possui em qualquer país sério.

O Estado de São Paulo resume bem os frutos do fato desse tipo de pensamento encontrar espaço no governo brasileiro:

“Um sentimento negativo está rapidamente tomando o lugar da disposição favorável ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e à crescente presença international do Brasil que prevaleceu em Washington até poucos meses atrás. Críticas aos EUA e ao próprio presidente Barack Obama feitas publicamente por altos funcionários brasileiros indicam que a recíproca é verdadeira.

[...]

Divergências entre Brasil e os EUA sobre Honduras e outros episódios menores certamente contribuíram para criar animosidade. Esta se alimenta principalmente, porém, da decisão de Lula de emprestar seu prestígio pessoal e a credibilidade internacional do Brasil ao líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, recebendo-o em Brasília, e, depois, oferecendo os serviços do Brasil como mediador freelancer do gravíssimo confronto entre Teerã e Washington e seus aliados em torno do programa nuclear iraniano – questão estratégica número um do governo Obama.

[...]

Causou espanto, por exemplo, a afirmação feita por Lula sobre a falta de ‘autoridade moral’ dos EUA para negociar questões de não proliferação nuclear, no momento em que despachava Celso Amorim ao Irã para uma improvável missão junto a Ahmadinejad, depois de Teerã ter rejeitado a proposta de acordo apresentada pela Agência Internacional de Energia Atômica, que tornaria o programa nuclear iraniano compatível com suas obrigações de signatário do Tratado de Não Proliferação.

A crítica foi tomada como prova adicional da gratuidade da oferta brasileira de mediação.”

Análise: Política externa brasileira – É possível questionar as prioridades

16/12/2009

Durante os últimos meses, mais do que antes, a política externa do Brasil, comandada pelo governo Lula e, especificamente, por Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, foi extremamente criticada.

Por mais que episódios como a tomada de refinarias da Petrobras pelo governo boliviano, que se deu sem que o Brasil recebesse as devidas indenizações, fossem sempre lembrados há muito tempo, de uns tempos para cá a condução da diplomacia nacional tem sido cada vez mais questionada.

O que acontece é que os episódios onde o Brasil, teoricamente, não se comportou da melhor forma, se sucedem muito rapidamente neste momento. Temos a intromissão em Honduras, temos o caso de Cesare Battisti, temos a aproximação com o bolivarianismo e temos ainda a recente visita ao País de Mahmoud Ahmadinejad, Presidente iraniano.

Em todas as situações listadas, diversos especialistas em política internacional afirmam que o Itamaraty não coordenou o comportamento brasileiro da maneira mais apropriada. São atitudes da política externa nacional questionadas fortemente, sucessivamente, em um curto espaço de tempo. Daí o foco recente no tema que, se antes já era destaque, hoje mais ainda.

Dito tudo isso, gostaria este que vos fala de explicitar sua modesta opinião: Acredito que todos os supostos erros brasileiros na condução de sua política externa dizem respeito a uma espinha dorsal, a escolha das prioridades.

Fica nítido que Celso Amorim, e principalmente o famigerado Marco Aurélio Garcia, que nunca poderia ser condutor de política externa alguma em um País ideal, carregam uma ideologia de fatias do governo para a diplomacia brasileira. Isso faz com que tenhamos uma política externa de governo, e não de Estado.

Uns acreditam que a política externa deve mesmo ser de governo. Outros defendem a política externa de Estado. De qualquer forma, ambas as vertentes primam pela política externa apropriada para o caso concreto. Pois bem. A diplomacia de governo que Amorim e Garcia têm trazido erra, se equivoca, e isso é suficiente para questionarmos não só seus nomes e o fato de a política externa ser de governo, como também, justamente, as prioridades elencadas.

Pois então quais são as prioridades eivadas de ideologia que podem ser observadas? Ora, temos a aproximação com o chavismo, temos a visita de Ahmadinejad, temos a defesa de Zelaya e temos a proteção de Cesare Battisti. Alguém duvida que todas essas atitudes partem da mesma espinha dorsal? Alguém duvida que os posicionamentos do Brasil poderiam ser diversos se não fossem Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia os nossos condutores? E digo mais: Alguém em sã consciência não percebe o alinhamento com os entendimentos de Hugo Chávez?

Afinal, Chávez também auxilia economicamente a Bolívia e o Equador, assumindo prejuízos que serão suportados pela população venezuelana, em benefício dos seus interesses políticos; também é próximo de Ahmadinejad, alimentando o estúpido anti-americanismo; também defendeu Zelaya, pretendendo espalhar o modelo chavista de perversão da democracia pelas mãos da democracia; e também acolheria Cesare Battisti, por conta, puramente, de ser, este, um assassino de esquerda.

Perceberam? Basta não ser torcedor do PT Futebol Clube para assimilar estas conexões. Aliás, não é necessário, afirmo, ser torcedor do PSDB Futebol Clube para dizer o que estou dizendo. Até porque, eu mesmo, não sou partidário, embora não seja, claro, alguém sem posicionamentos políticos pessoais.

As notícias recentes comprovam que as prioridades eleitas pela diplomacia nacional, principalmente nos últimos tempos, dão o tom que explica o porquê das recentes críticas.

Enquanto o Brasil fecha acordo para pagar US$ 1,2 bi a mais por gás boliviano, colocando o prejuízo na conta dos brasileiros, pelo simples motivo de querer ajudar politicamente Evo Morales, além de ter o seu Senado aprovando a entrada da Venezuela no Mercosul, o que não é de todo errôneo mas, no mínimo, questionável, é o Chile que é aceito na OCDE.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) confirmou, nesta terça-feira, em Paris, a aprovação do Chile como membro permanente da instituição.

Com a adesão, o Chile será o primeiro país da América do Sul a integrar a OCDE, definida como “clube dos países ricos e desenvolvidos” e que reúne as nações mais industrializadas do mundo.

Ora, por que não é o Chile o país atraído para o Mercosul? Por que esse país, onde as eleições presidenciais trazem a noção madura para a população de que qualquer candidato que vencer manterá o que tem caminhado de forma correta, não é aquele que miramos para estreitar relações?

Resposta: Prioridade.

É por isso que digo que é possível questionar as prioridades do governo brasileiro no que tange a política externa.

Digo isso porque temos Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia no comando da área.

Digo isso pois parece que mais vale a política pró-ideologia do que a economia e a importação de experiências bem-sucedidas.

Digo isso por conta de o Brasil querer ser, hoje, mais Chávez do que Bachelet.