Informa o Globo:
“O presidente americano, Barack Obama, se disse ’surpreso e lisonjeado’ com a decisão do comitê Nobel, acrescentando que não se sente no direito de estar ao lado de outras pessoas (candidatos ao Nobel da Paz) que tanto o inspiraram. O chefe da Casa Branca afirmou que a láurea é ‘um incentivo para agir’. Nove meses após assumir a liderança dos EUA, o presidente conquistou nesta sexta-feira o mais prestigiado prêmio do Insituto Nobel. Reconhecido por seus esforços pelo desarmamento nuclear e por trabalhar pela retomada do processo de paz no Oriente Médio desde que tomou posse em janeiro, Obama é o terceiro presidente americano em exercício a levar o prêmio. A Casa Branca disse que Obama doará os US$ 1,4 milhão que lhe cabem pela láurea.”
Olhem, meus caros, este blogueiro admite que tem certa simpatia por Barack Obama. Por mais que eu reconheça que ele se utiliza de muitos truques de mídia para construir a imagem que tem, sou receptivo à ideia de termos de volta à política nomes que mobilizam, que trazem a emoção e os valores para a prática política de forma saudável – é claro que a forma maléfica é por mim condenada -, que renovam o cenário pasteurizado e que trazem esperança de mudança.
Por mais que diversos interlocutores tenham tentado me convencer de que Obama é mero marketing, continuo dando o benefício da dúvida ao Presidente americano. Respondo sempre que devemos esperar o fim do mandato para avaliar o quanto ele foi capaz de atingir seus objetivos.
Dito isso, não poderia este blogueiro, respeitando seu compromisso de sensatez, justiça e coerência acordado com o leitor, questionar o fato de o Prêmio Nobel da Paz ter sido entregue a Barack Obama.
O que fez Barack Obama pela paz até agora? Por mais que realmente existam alguns feitos, como puderam os jurados entender que não havia pessoa na face da Terra que tenha feito mais?
Não deve o Nobel da Paz ser entregue a quem mais fez pela promoção desta paz? Se é assim, Obama não merece o prêmio. Não é ele o ser humano que mais fez pela paz. Na realidade, ele não é nem mesmo o indicado para o prêmio que mais fez pela paz.
Há que se reconhecer que, como eu, Barack Obama se disse surpreso. Não se vangloriou, não se gabou, ao contrário, reconheceu que sua pessoa recebeu o prêmio por conta de fatores bem maiores do que ele mesmo e suas próprias ações.
Onde está a objetividade de justificativas como “ter promovido o diálogo e a diplomacia” e “ter lutado pela cooperação entre os povos”? Eu não a enxergo. Obama também não, provavelmente.
No fim das contas, Obama deu a entender que admite que as justificativas dadas para que ele tenha vencido são vagas e claramente trazidas para explicar uma escolha que, em grande medida, é meramente política.
Por conta deste realismo de Obama, do fato de ele ter mantido os pés no chão, ao contrário do que fariam outros presidentes, não foi afetado o meu respeito por ele. Se o Presidente americano vier a se mostrar uma farsa, este respeito será mitigado, porém, esta questão do Nobel da Paz não o fez.
Por outro lado, meu respeito aos jurados que escolhem o vencedor do Prêmio Nobel da Paz diminuiu. Foi uma escolha puramente política. Até mesmo Obama reconhece que ele não deveria ter recebido o prêmio.
Aliás, só não defendo que Obama deveria ter aberto mão do prêmio por achar a escolha indevida pois isso seria uma enorme deselegância e uma gafe histórica.
Quem diria que um dia seríamos forçados a pensar que alguém teve que aceitar receber o Nobel e lembrar que os culpados foram os jurados e não o vencedor que, de certa forma, até se constrangeu.
Em suma, Obama não merece o prêmio que recebeu e, diga-se de passagem, faz bem em ter o intuito de doar para a caridade a quantia em dinheiro que acompanha o prêmio.
Se o Presidente americano tivesse recebido a comenda como se nada fosse, teria caído em meu conceito fortemente. Porém, como Obama admitiu que talvez ele não tenha sido a melhor escolha, limito-me a criticar a escolha, não culpando o escolhido, embora os truques de marketing, que existem, tenham, com certeza, interpretado algum tipo de papel nesta seleção.
Por fim, digo que este blogueiro, por mais que não seja crítico de Obama, entende a escolha como completamente equivocada, aproveitando para citar que votações online sobre o tema, empreendidas em portais brasileiros e estrangeiros, têm demonstrado que até a população mundial desconfia do merecimento de Obama no que tange o Nobel da Paz, assim como fazem os analistas políticos sensatos de todo o mundo.
Nancy Gibbs, da revista “Time”, resumiu muito bem:
“A última coisa de que Barack Obama precisava neste momento na sua Presidência e na nossa política era um prêmio por uma promessa.”
É exatamente isso. Obama venceu pelo que prometeu e pelo que aparenta, pelo status, e não por realizações que outros indicados, por outro lado, detinham em seu currículo.
A reação internacional foi ruidosa. Me uno aos ruídos.