Arquivo da seção ‘Barack Obama’

Dilma diz que Lula pode ser talvez a maior liderança política mundial

20/01/2010

Disse a Ministra da Casa Civil e pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff:

“O presidente Lula é hoje uma das maiores lideranças mundiais, para não dizer a maior. E vamos fazer mais.”

Menos, Ministra… Menos…

Até porque a maior liderança política mundial, nos dias hoje, é Barack Obama. Pode decepcionar e deixar de ser, mas ainda é.

E ponto final.

Obama, Bush e Clinton se unem a favor do Haiti

17/01/2010

A foto acima simboliza a união do Presidente americano, Barack Obama, com os ex-Presidentes George W. Bush e Bill Clinton, seus antecessores diretos. Antes que alguém se assuste, não se trata de união política entre o republicano Bush e os democratas, e sim de uma ação conjunta a favor do Haiti.

Reproduzo esta foto com intuito de deixar um questionamento para que vocês, leitores do Perspectiva, reflitam: Fosse em prol da reconstrução do Haiti, da luta contra a fome ou, até mesmo, da promoção da paz mundial, quando nós veríamos, no Brasil, uma foto representando uma colaboração sem ressalvas entre Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco?

É por essas que, embora não se possa nunca exagerar, alguns comparam, com tristeza, a democracia americana e a brasileira.

Obama será autor de matéria de capa da Newsweek sobre a tragédia no Haiti

15/01/2010

Está confirmada a informação de que o Presidente americano, Barack Obama, será o autor da matéria de capa da revista semanal Newsweek, a segunda mais vendida nos Estados Unidos, perdendo apenas para a Time.

Obama comentará a triste tragédia causada pelo terromoto que atingiu o Haiti, deixando milhares de mortos e milhões de desabrigados.

O Presidente democrata, afeito a novos usos da mídia, inovará mais uma vez. Aliás, o aceite do convite surpreendeu até mesmo os editores da revista.

Infelizmente, não se pode dizer que o assunto traz animação, porém, de qualquer forma, será interessante ler a matéria escrita pelo Presidente americano no exercício do poder e acompanhar seu desenrolar.

O Perspectiva fará o possível para divulgar o artigo de Obama.

Análise: A aprovação da reforma do sistema de saúde americano e o governo Obama até aqui

25/12/2009

Informa o Estadão:

“O Senado norte-americano aprovou um projeto de reforma para o sistema de saúde de US$ 871 bilhões, que prevê a extensão de seguro-saúde para 31 milhões de norte-americanos. A aprovação deixa a principal prioridade do presidente dos EUA, Barack Obama, um passo mais próxima da realidade.

Como esperado, o projeto foi aprovado com o placar de 60 a 39, com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, presidindo a votação. Os 58 senadores democratas e dois independentes votaram a favor da reforma, enquanto todos os 39 republicanos votaram contra.

O líder da maioria no Senado, Harry Reid (democrata de Nevada), forjou um compromisso há apenas alguns dias que garantiu o apoio suficiente para que a medida atingisse os 60 votos e assim não precisasse sofrer um adiamento. O produto final do compromisso de Reid fez pouco para acalmar os liberais, que queriam a inclusão de um plano de seguro-saúde administrado pelo governo, mas ganhou apoio importante de centristas, como Ben Nelson (democrata de Nebraska), que até então estavam em cima do muro.

As linhas gerais do projeto continuaram de maneira geral consistentes. Ele propõe a criação de um sistema extensivo de créditos fiscais para pessoas de renda média e baixa para a compra de seguros-saúde em ‘bolsas’ estatais, a partir de 2014. As pessoas físicas terão de ter seguro, bem como todas as empresas, menos as pequenas.

O projeto também tornaria o Medicaid, um programa estatal de assistência de saúde para famílias de baixa renda, disponível para um número maior de pessoas.

A aprovação do projeto no Senado vem após a Câmara dos EUA aprovar sua própria versão do projeto em 7 de novembro. Os dois lados tentarão agora conciliar seus projetos numa conferência, que deverá começar quando os congressistas voltarem a Washington em janeiro.”

A reforma do sistema de saúde americano é uma das grandes bandeiras do governo de Barack Obama. O Presidente americano, fenômeno de popularidade e detentor de uma oratória fulminante, tem visto seu sucesso se reduzir com o passar dos meses de sua gestão e confia que a mudança, para melhor, da saúde do povo americano pode lhe devolver o status de mito. Obama já mira a reeleição em 2012.

Este mesmo que vos fala foi e é um entusiasta de Barack Obama. Como político, mas não como Presidente.

O Presidente americano trouxe os valores e os princípios, a mobilização da juventude e a confiança das massas, tudo isso baseado em uma enorme capacidade de oratória e em uma inteligente retórica. Em resumo, Barack reviveu importantes máximas que estavam distantes da política. Portanto, como político, é extraordinário.

Contudo, a Presidência de qualquer país requer mais do que capacidade política, carisma e oratória. É preciso gestão. É necessário unir discurso e ação. E é aí que Obama ainda configura uma dúvida. Seu governo ainda não empreendeu nada de concreto que tenha o tamanho da promessa Obama.

Digo tudo isso pois a reforma do sistema de saúde americano pode representar, finalmente, uma ação de grande magnitude do atual governo democrata. Obama poderá, com ela, mostrar para o mundo que não só fala, mas faz.

Se a reforma for aprovada de vez e configurar um sucesso, terá Obama atendido, pelo menos de certa forma, parte das expectativas de muitos, entre eles este blogueiro.

Por outro lado, se a reforma não sair como planejada, ou for um fracasso, Obama estará mais perto ainda de ser uma das maiores frustações da história recente.

A ver.

Para Fidel, Nobel da Paz deveria ser entregue a Evo Morales

16/10/2009

Informa o Estadão:

“O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, disse em um novo artigo publicado nesta sexta-feira, 16, que o Prêmio Nobel da Paz concedido ao presidente dos EUA, Barack Obama, deveria ter sido entregue pela academia sueca ao líder da Bolívia, Evo Morales.

‘Se Obama venceu o prêmio por sair vitorioso nas eleições de um país racista apesar de ser afro-americano, Evo o merece por ganhar as eleições de seu país, apesar de ser indígena e cumprir mais que o prometido’, expressou o ex-líder cubano em sua coluna de opinião ‘Reflexões’. A premiação de Obama foi anunciada há uma semana.

Fidel classificou o presidente americano como um ‘homem inteligente’ e ‘não concebe, não deseja e nem pode mudar os sistemas econômico e político de seu país’. Parafraseando o cineasta americano Michael Moore, o cubano deu um recado a Obama: ‘Parabéns, presidente Obama, pelo Prêmio Nobel da Paz. Agora por favor, ganhe-o’.

‘Estou seguro de que Obama estará de acordo com a frase de Moore. Possui inteligência o suficiente para compreender as circunstâncias que rodeiam o caso. Sabe que na realidade não ganhou esse prêmio. Nem sempre o prêmio é entregue a pessoas merecedoras dessa distinção’, finalizou Fidel.”

O fato de Fidel ter parafraseado o cineasta Michael Moore é de ser elogiado. A frase é correta e espirituosa. Realmente Obama precisa “ganhar aquilo que venceu”, ou seja, ainda tem que fazer por merecer, pois sua vitória se baseou em promessas.

Porém, a indicação de Castro para o prêmio foi péssima.

Se Obama ainda não fez pela paz realmente, Morales muito menos.

E Obama pode vir a fazer. De Evo duvido.

Por fim, Obama não recebeu o Nobel por ser um negro vitorioso em um país dominado pelos brancos, e sim pelos ideais que defende. Portanto, ser um indígena vitorioso, ou seja, advir de uma minoria, assim como Obama, não justificaria o prêmio de Evo.

Barack Obama recebe o Nobel da Paz: É possível questionar

09/10/2009

Informa o Globo:

“O presidente americano, Barack Obama, se disse ’surpreso e lisonjeado’ com a decisão do comitê Nobel, acrescentando que não se sente no direito de estar ao lado de outras pessoas (candidatos ao Nobel da Paz) que tanto o inspiraram. O chefe da Casa Branca afirmou que a láurea é ‘um incentivo para agir’. Nove meses após assumir a liderança dos EUA, o presidente conquistou nesta sexta-feira o mais prestigiado prêmio do Insituto Nobel. Reconhecido por seus esforços pelo desarmamento nuclear e por trabalhar pela retomada do processo de paz no Oriente Médio desde que tomou posse em janeiro, Obama é o terceiro presidente americano em exercício a levar o prêmio. A Casa Branca disse que Obama doará os US$ 1,4 milhão que lhe cabem pela láurea.”

Olhem, meus caros, este blogueiro admite que tem certa simpatia por Barack Obama. Por mais que eu reconheça que ele se utiliza de muitos truques de mídia para construir a imagem que tem, sou receptivo à ideia de termos de volta à política nomes que mobilizam, que trazem a emoção e os valores para a prática política de forma saudável – é claro que a forma maléfica é por mim condenada -, que renovam o cenário pasteurizado e que trazem esperança de mudança.

Por mais que diversos interlocutores tenham tentado me convencer de que Obama é mero marketing, continuo dando o benefício da dúvida ao Presidente americano. Respondo sempre que devemos esperar o fim do mandato para avaliar o quanto ele foi capaz de atingir seus objetivos.

Dito isso, não poderia este blogueiro, respeitando seu compromisso de sensatez, justiça e coerência acordado com o leitor, questionar o fato de o Prêmio Nobel da Paz ter sido entregue a Barack Obama.

O que fez Barack Obama pela paz até agora? Por mais que realmente existam alguns feitos, como puderam os jurados entender que não havia pessoa na face da Terra que tenha feito mais?

Não deve o Nobel da Paz ser entregue a quem mais fez pela promoção desta paz? Se é assim, Obama não merece o prêmio. Não é ele o ser humano que mais fez pela paz. Na realidade, ele não é nem mesmo o indicado para o prêmio que mais fez pela paz.

Há que se reconhecer que, como eu, Barack Obama se disse surpreso. Não se vangloriou, não se gabou, ao contrário, reconheceu que sua pessoa recebeu o prêmio por conta de fatores bem maiores do que ele mesmo e suas próprias ações.

Onde está a objetividade de justificativas como “ter promovido o diálogo e a diplomacia” e “ter lutado pela cooperação entre os povos”? Eu não a enxergo. Obama também não, provavelmente.

No fim das contas, Obama deu a entender que admite que as justificativas dadas para que ele tenha vencido são vagas e claramente trazidas para explicar uma escolha que, em grande medida, é meramente política.

Por conta deste realismo de Obama, do fato de ele ter mantido os pés no chão, ao contrário do que fariam outros presidentes, não foi afetado o meu respeito por ele. Se o Presidente americano vier a se mostrar uma farsa, este respeito será mitigado, porém, esta questão do Nobel da Paz não o fez.

Por outro lado, meu respeito aos jurados que escolhem o vencedor do Prêmio Nobel da Paz diminuiu. Foi uma escolha puramente política. Até mesmo Obama reconhece que ele não deveria ter recebido o prêmio.

Aliás, só não defendo que Obama deveria ter aberto mão do prêmio por achar a escolha indevida pois isso seria uma enorme deselegância e uma gafe histórica.

Quem diria que um dia seríamos forçados a pensar que alguém teve que aceitar receber o Nobel e lembrar que os culpados foram os jurados e não o vencedor que, de certa forma, até se constrangeu.

Em suma, Obama não merece o prêmio que recebeu e, diga-se de passagem, faz bem em ter o intuito de doar para a caridade a quantia em dinheiro que acompanha o prêmio.

Se o Presidente americano tivesse recebido a comenda como se nada fosse, teria caído em meu conceito fortemente. Porém, como Obama admitiu que talvez ele não tenha sido a melhor escolha, limito-me a criticar a escolha, não culpando o escolhido, embora os truques de marketing, que existem, tenham, com certeza, interpretado algum tipo de papel nesta seleção.

Por fim, digo que este blogueiro, por mais que não seja crítico de Obama, entende a escolha como completamente equivocada, aproveitando para citar que votações online sobre o tema, empreendidas em portais brasileiros e estrangeiros, têm demonstrado que até a população mundial desconfia do merecimento de Obama no que tange o Nobel da Paz, assim como fazem os analistas políticos sensatos de todo o mundo.

Nancy Gibbs, da revista “Time”, resumiu muito bem:

“A última coisa de que Barack Obama precisava neste momento na sua Presidência e na nossa política era um prêmio por uma promessa.”

É exatamente isso. Obama venceu pelo que prometeu e pelo que aparenta, pelo status, e não por realizações que outros indicados, por outro lado, detinham em seu currículo.

A reação internacional foi ruidosa. Me uno aos ruídos.

Internet e política em 2010: Quem explorará melhor este meio?

29/09/2009

Como todos vocês já sabem, a interação entre a internet e a política será importante nas eleições do ano que vem. Não se pode afirmar que o bom uso da internet poderá garantir a vitória de um candidato, porém, é correto dizer que aquele que fizer um uso ruim desta mídia já larga um pouco atrás.

Pois bem. Como o Perspectiva Política não deixa de ser um meio que relaciona internet e política, por ser um blog de análises políticas e de conscientização política do cidadão, este blogueiro que vos fala tem muita curiosidade a respeito desta interação.

Sendo assim, tenho lido textos a respeito disso e, para conhecimento de vocês, reproduzo trechos de um deles, encontrado por mim no blog MidiaWeb, que pode enriquecer o conhecimento de vocês, leitores, sobre o tema:

Novas ferramentas, técnicas e serviços estão no jogo e somando-se a isso, o acesso à rede pela população que teve um crescimento exponencial, bastante capilar já atingindo inclusive as classes D e E. Outro aspecto também bastante favorável, além da distribuição e aumento do número de acessos à rede, é  quantidade de horas de conexão que mantém o Brasil por consecutivos anos como o país mais conectado do mundo. Comportamento que mostra que a Internet faz cada vez mais parte do dia a dia das pessoas.

[...]

A combinação de uma estratégia digital bem planejada, com o cenário favorável de exploração e utilização do meio, certamente deve trazer diferenciais e contribuições importantes aos candidatos que puderem ter acesso a agências especializadas nesta área, para estas próximas eleições.

Em 2008, a campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos contou com uma poderosa aliada – a Internet. No ano que vem, isso também pode se tornar realidade aqui no Brasil.

[...]

É no que acredita Marcelo Biacchi. ‘O candidato passa a contar com diversas ferramentas e recursos para falar com os eleitores, o que acaba abrindo novas frentes de diálogo e possibilidade de expor com mais profundidade e detalhamento seus projetos de trabalho, enriquecendo a exposição que acaba sendo mais limitada em outras mídias em virtude do tempo e outros fatores’, comenta.

Marcelo destaca que os políticos poderão atuar nas diversas plataformas dentro do cenário digital. Entretanto, muito mais que a utilização de novas ferramentas, a questão é saber como explorar todo o potencial do meio de forma eficiente e integrada a fim de se obter resultados que realmente ajudem a fazer a diferença. Faz-se necessário um planejamento orientado para que se obtenha a força de todos estes recursos de forma coordenada. Ferramentas e mídia, são apenas meios. A virtude mesmo, estará na qualidade do plano de comunicação e estratégias digitais que deve ser desenvolvido, para que aí possa se responder, o que fazer, como fazer, e, para se obter o quê.

Para o especialista, não existe uma fórmula padrão para todos. Deve-se tratar o perfil, o plano de marketing, o posicionamento, os  interesses e os do público-alvo ou da população de cada candidato. É possível também se obter importantes inputs da internet acerca do que as pessoas estão interessadas, quais são os temas mais buscados em um Google, por exemplo, entre outras coisas.

[...]

O caso de Obama pode servir de inspiração para muitos políticos brasileiros, sobretudo para os que parecem entender um pouco mais sobre a importância da rede, como é o caso do governador de São Paulo, José Serra. ‘O presidente dos Estados Unidos utilizou diversas ferramentas da Internet para se comunicar com seu eleitorado, criando, inclusive o My Barack Obama‘, cita Sergio Coelho.

[...]

Na visão de Coelho, o uso da web nas eleições do ano que vem tem grandes chances de aproximar os jovens da política. O que deve ser um marco, daqui para frente.

Ainda existem muitos pontos nebulosos na lei que permitirá a utilização da Internet nas campanhas eleitorais. O texto do senador Azeredo afirma, por exemplo, que será vedado o anonimato durante a campanha. Para Coelho, não há como garantir que não haverá anonimato ou perfis de falsos usuários. ‘É praticamente impossível controlar isso’, ressalta. Outro ponto difícil de obter controle é sobre o espaço concedido a cada político em sites de empresas, uma vez que é muito difícil medir a participação de cada um deles, diferentemente do que acontece nas TVs e nas rádios.

Aguardemos para saber quem fará melhor uso da rede. O Governador José Serra, por exemplo, é conhecido como entendido no assunto. Enquanto isso, o PT contratou a consultoria do marqueteiro de Barack Obama para auxiliar na campanha de Dilma Rousseff.

A ver.

Obama ainda mobiliza – Yes, we can

21/06/2009

De vez em quando, alguns leitores do Perspectiva Política me enviam textos e artigos. Uns na esperança de que tenham seus textos publicados aqui no blog. Outros apenas pedindo minha opinião.

De qualquer forma tento atender a todos, abrindo espaço, em ocasiões propícias, para os textos dos leitores. Aproveito o ensejo para agradecer aos que entram em contato comigo e dizer que tudo é lido e, quase sempre, respondido.

Pois bem. Recentemente, foi enviado a mim pelo leitor assíduo André Delacerda, através de um e-mail, um texto de autoria dele no qual ele versa sobre Barack Obama, o simbolismo de sua eleição, os valores que ele prega e algo mais. André pediu apenas minha opinião, porém, por entender o texto como interessantíssimo e bonito, decidi publicá-lo.

André assumiu para mim que, ao assistir um vídeo, já famoso, feito por simpatizantes de Obama, onde artistas e outras celebridades americanas cantam, aderindo à campanha do democrata, se emocionou e se inspirou para escrever o texto que segue abaixo.

Este blogueiro já disse e repete: Barack Obama tem seus erros e contras, porém, é importantíssimo o resgate da emoção, em níveis moderados, e do simbolismo à política, fatores que significam mobilização popular, principalmente da juventude, conscientização política, renovação dos quadros, etc.

Os próprios motivos admitidos pelo leitor André para justificar a confecção do texto já comprovam que Obama traz sensações que há muito estavam longe da política que, hoje, é estereotipada e mal vista.

Assento desde já que sou grato a André Delacerda e que estou à disposição para o envio de novos trabalhos, tanto dele como de outros leitores. Quem sabe eles não poderão se tornar postagens também.

Sem mais delongas, segue o texto:

Eu vi um negro ser eleito presidente da nação mais poderosa do mundo.

Sim, eu vi um negro descendente de mulçumanos e africanos rompendo as barreiras do preconceito e unindo homens e mulheres da metrópole e do campo em uma só voz.

‘Yes, We Can’.

Eu vi um homem de voz negra entoar palavras proféticas e inspiradoras de renovação quando não mais havia uma luz para iluminar as esperanças e quando as trevas se mostravam contínuas.

‘Yes, We Can’.

Eu vi um homem negro sendo eleito presidente em meio a uma tormenta econômica, quando todos acreditavam no pior.

‘Yes, We Can’.

Eu vi um jovem homem negro mostrando que mais do que cores condicionais, o que mais vale são as cores da união, e delas é que se formam as cores de uma nação.

‘Yes, We Can’.

Eu vi um homem negro pintando uma aquarela com sua mão firme negra, e trazendo as cores antes desbotadas de uma nação de volta à vida e ao brilho.

‘Yes, We Can’.

Eu vi um homem negro ser presidente trazendo de volta a luz da esperança aos olhos azuis de brancos, a pele parda dos latinos e índios e as mãos mestiças de imigrantes do mundo que constroem a grande democracia.

‘Yes, We Can’.

Eu vi um homem negro sendo ovacionado por uma nação branca, amarela, parda, negra mestiça que acredita na possibilidade de reconstrução.

‘Yes, We Can’.

Eu vi um homem negro se tornando presidente

‘Yes, We Can’.

E mudando uma das mais importantes páginas da história do mundo.

‘Yes, We Can’.

Eu vi o mundo começando a mudar através das palavras de um jovem presidente negro de uma nação chamada América.

‘Yes, We Can’.

E eu vi um sábio homem negro presidente nos ensinar que em meio à escuridão e à tempestade nós temos força para mudar.

‘Yes, We Can’.

Eu vi a Esperança chegar.

‘Yes, We Can’”.

Lula é “o cara” não só por ele, mas pelo Brasil como um todo

05/04/2009

Recentemente, o Presidente americano Barack Obama disse que Lula era “o cara”. A repercussão do fato foi grande, até porque Obama, espirituoso, afirmou que isso se dava pelo fato do Presidente ser “boa pinta”.

Obviamente, até pelo fato de Obama ser ainda, mesmo depois do desgaste do início do governo, uma voz muito popular, Lula capitalizou politicamente os elogios de Obama. E não há o que ser criticado. Lula está certo em capitalizar, agradecendo a Barack pelos elogios expressados.

Algumas pessoas da oposição dizem que Obama debochou de Lula com classe. Eu acho que não. Acredito que Obama falou sério, o que não quer dizer que ele não tenha interesses envolvidos na declaração que fez e é este ponto que deve ser observado com cuidado.

Na minha opinião, é fato que Obama simpatizou com Lula, o Presidente realmente é carismático, porém, não acredito que os elogios tenham sido de graça. Eles vieram, provavelmente, pelo interesse que os Estados Unidos tem em relação ao Brasil. Como diria o ditado, “países não têm amigos, têm interesses”.

Em resumo, não acho que Obama debochou de Lula, ou que ele tenha fingido gostar do nosso Presidente. Provavelmente deve mesmo ter simpatizado, porém, é inegável que Barack Obama não falaria isso de graça. Ele deveria, sim, querer com isso, aproximar o Brasil de suas posições, conquistando a simpatia de Lula, o que foi conseguido pelo visto, já que dizem que Lula ficou flutuando com os elogios.

O Brasil é, hoje, uma democracia respeitável e um parceiro importante para os Estados Unidos. Um país que tem grande potencial e que logo terá um dos mais importantes mercados consumidores do mundo. Sendo assim, acho que fica claro que, por mais que Lula tenha, sim, seus méritos, e também o direito de capitalizar politicamente os elogios, eles não vieram apenas por ele ser entendido como “o cara” por um Obama simpático, e sim, pelo que o Brasil representa como um todo, sendo Lula, representante disso, e não, personificação.

Lula só pôde ser “o cara” pelo que é o Brasil hoje. Um país que tem mazelas graves, mas que tem avanços reconhecidos internacionalmente. Avanços esses que, em grande parte, aconteceram na era Lula, mas que, porém, não aconteceram exclusivamente nessa era. Muitos outros presidentes, como até mesmo inimigos políticos de Lula, contribuíram para que ele pudesse ser chamado de “o cara” por Obama.

Lula e Obama: Diferentes

14/03/2009

“Lula e Obama têm trajetórias semelhantes, diz Dilma”

Já falei sobre este tema neste blog, aqui, mas falarei novamente:

Tirando o fato de Lula e Obama terem sido eleitos presidentes lutando contra tabus e não sendo advindos da classe política dominante, eles não tem nada em comum. As circunstância são totalmente diferentes. Ambos terem pregado a mudança não quer dizer que as mudanças sejam as mesmas. Até porque as situações que desejavam alterar nas épocas das campanhas não eram as mesmas.

Além disso, se por um lado Lula era sindicalista e metalúrgico, Obama é advogado e professor. Se por outro Obama é formado em Harvard, Lula não tem muita instrução.

Ideologicamente também não há muitas semelhanças. Por mais que ambos preguem ideais de justiça social e tolerância, a ligação fica por aí. Lula já foi socialista, Obama afirma sempre ter entendido um capitalismo mais justo como caminho.

Resumindo, aproximar as imagens de Lula e Obama é claramente uma tentativa da equipe do Presidente de fazê-lo pegar carona no rojão.

Totalmente desnecessário.

Barack Obama foi meteórico. Lula tentou a presidência quatro vezes  para conseguir vencer. Barack Obama tem uma incrível oratória que chega a emocionar. Lula chega a usar, algumas vezes, palavras de baixo calão.

A principal diferença é que Lula é um político que faz uma política comum e que, embora tenha seu inegável apreço pelos pobres, pela distribuição de renda e pela justiça social, faz um governo com bastidores como outro qualquer. Existem conchavos e arranjos. Obama, ao contrário, prega ideais de igualdade, de retidão, de honestidade. Obama, embora possa vir a ter um governo maculado, dá a esperança de que isso não aconteça. O democrata mobiliza.

Obama não é o salvador da pátria, não é uma divindade, não é o Superman. Obama pode muito bem desapontar o mundo inteiro. Lula já governa, já teve seu desgaste natural e isso deve ser levado em conta, porém, no geral, a verdade é que Lula, ou talvez sua equipe de marketing, está querendo pegar uma carona no fenômeno Obama, porém, Lula, de Obama não tem nada.