Arquivo da seção ‘11. Política Internacional’

Crime sobe no regime chavista

21/08/2010

Informa o Portal Globo. com:

“Um dia depois de um tribunal de Caracas ter revertido parcialmente uma medida preventiva que proibia os jornais do país de publicar fotos que retratassem violência, uma pesquisa encomendada pelo governo venezuelano veio a público, confirmando que a insegurança no país é crescente.

De acordo com os dados apresentados pelo estudo, realizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Estatística do país, 19.133 pessoas foram assassinadas na Venezuela em 2009, um número alto para um país de 28 milhões de pessoas.

Desses homicídios, cerca de 80% foram cometidos com armas de fogo. Os números indicam também que, no ano passado, um venezuelano foi morto a cada 27 minutos”.

O governo Hugo Chávez é mesmo um sucesso.

Digo e repito: O governo venezuelano é semi-ditatorial, autoritário, personalista, opressor, censurador e ineficiente.

Qualquer avanço social atingido é elogiável mas não justifica nem um pouco os equívocos enormes do regime.

Na realidade a Venezuela precisa de uma alternativa democrática, que olhe pelo social, mas que respeite as liberdades individuais e as regras básicas da política econômica.

Os venezuelanos precisam buscar essa alternativa, criá-la se for preciso e não perdoar Chávez pelas arbitrariedades apenas por terem sido governados por uma oligarquia cleptocrática antes da eleição dele.

 

China torna-se segunda maior economia global

17/08/2010

Informa o portal Globo.com sobre a evolução da economia chinesa:

“Depois de três décadas de crescimento espetacular, a China passou o Japão, tornando-se a segunda maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.

O marco já era esperado há algum tempo. Tóquio anunciou que a economia japonesa teve expansão de 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado.

Segundo especialistas, o fato de desbancar o Japão — depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido — reforça o poder do crescimento chinês e as previsões de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo em 2030.”

Análise geral: A tensão entre Colômbia e Venezuela e a política externa brasileira

31/07/2010

Hugo Chávez anunciou o movimento de tropas para a fronteira com a Colômbia, acusando o governo colombiano de ter invadido o espaço aéreo venezuelano.

Chávez admitiu ter revisado ‘planos de guerra’ para um eventual conflito.

Em suma, sobe a tensão na região. Mas nós pouco fazemos.

Onde está o Brasil que não se dispõe a mediar este conflito?

Meter a colher na tensão constante entre Israel e Palestina o Itamaraty quer.

Ou seja: Onde não é chamado, o Brasil hoje se mete, buscando mídia para provar uma suposta nova e maior influência na ordem mundial.

Mas onde o País precisa interferir, utilizando sua real – e não fantasiosa – influência geopolítica, que é na América do Sul, o Brasil se exime.

E por quê?

Porque hoje o Itamaraty é de governo e não de Estado. As posições tomadas levam em conta a ideologia do grupo que hoje domina a nação e não necessariamente os interesses legítimos da pátria, desmoralizando uma diplomacia que sempre foi motivo de orgulho, respeitada internacionalmente.

O mais curioso é que esse posicionamento ideológico é aplicado somente para fora, sob o comando do “inigualável” Marco Aurélio Garcia.

Para o “mercado interno” defende-se o progresso e o desenvolvimento, além do consequente desempenho eleitoral, com posturas pragmáticas.

Ora, mas então qual a razão da defesa do atraso em nível externo?

Exatamente a necessidade de um contraponto ao pragmatismo interno.

As pataquadas da política externa são uma satisfação para a ala mais radical do governismo.

Enquanto o esquerdismo pré-queda do Muro de Berlim destruir o Itamaraty, as políticas internas pragmáticas podem seguir com menos represálias.

Como política externa não dá e não tira votos, está tudo certo.

O Brasil passa a ser pseudo-respeitado no exterior, Lula se torna “o cara” e nós somos os patetas da história.

Venezuela e Colômbia? Não nos metemos, até porque temos lado.

O bom é tentar resolver a guerra milenar entre judeus e muçulmanos com umas camisas da seleção brasileira.

Sacerdote que abençoou posse de Evo Morales é pego processando cocaína

30/07/2010

Informa o Estadão :

“Valentín Mejillones, o sacerdote aimará que abençoou a posse de Evo Morales em janeiro, foi preso com 240 quilos de cocaína líquido, ao lado de um casal de colombianos, nesta quinta-feira, 29.

De acordo com o diretor do departamento antinarcóticos da polícia boliviana, ele foi detido na noite de terça-feira em sua casa, em El Alto, na Grande La Paz, processando cocaína, vestindo suas roupas cerimoniais. O filho do sacerdote e um casal de colombianos ainda não identificado pela polícia estavam no local do crime.”

O sacerdote que deu à benção ao cocaleiro Evo Morales em sua posse como Presidente da Bolívia foi pego processando cocaína?

Quem diria…

Argentina aprova casamento homossexual

15/07/2010

Informa o Globo a respeito da legalização do casamento homossexual na Argentina:

“A Argentina tornou-se o primeiro país latino-americano a autorizar homossexuais a se casarem e adotarem filhos, desafiando a oposição católica para engrossar as fileiras dos poucos países, em sua maioria europeus, que já contam com leis semelhantes.

O Senado argentino aprovou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo na madrugada da quinta-feira, após mais de 14 horas de debates acirrados, enquanto centenas de manifestantes permaneciam reunidos diante do Congresso sob frio. Os senadores aprovaram a lei por 33 votos contra 27, com três abstenções.

‘Somos agora uma sociedade mais justa e democrática. Isso é algo que todos devemos festejar’, disse a destacada líder dos direitos dos homossexuais Maria Rachid, enquanto os defensores da lei se abraçavam e festejavam o resultado da votação.

 

[...]

País nominalmente católico, a Argentina agora se encontra na vanguarda dos direitos dos gays na região.

Líderes da Igreja Católica tinham feito campanha contra a lei, reunindo dezenas de milhares de manifestantes contrários a ela, desde crianças até freiras idosas, diante do Congresso na terça-feira.

Mas as pesquisas de opinião mostram que a maioria dos argentinos é a favor do casamento gay.

 

[...]

Analistas políticos dizem que a postura adotada pela presidente teve o objetivo de reforçar as credenciais de esquerda de seu partido. A expectativa ampla é que Nestor Kirchner, marido de Cristina e seu predecessor na Presidência, volte a candidatar-se para as eleições de outubro de 2011.”

Eleição do dia 6 de maio deve encerrar ciclo histórico de bipartidarismo no Reino Unido

02/05/2010

Informa o Globo sobre a reviravolta nas eleições britânicas que deve ser observada e analisada por todos os estudiosos da política, principalmente pela interessantíssima correlação entre a implantação dos debates televisivos e a ascenção do liberal-democrata Nick Clegg:

“No ano passado, quando fez uma insistente campanha pela realização de debates televisivos entre os líderes dos principais partidos britânicos, David Cameron tinha a ideia fixa de expor em cadeia nacional as dificuldades de retórica do trabalhista Gordon Brown. Ambos aceitaram distraidamente a participação do líder liberal-democrata, Nick Clegg. Mas, além de terem-no revelado ótimo orador, as sessões foram o estopim de uma reviravolta que, na próxima quinta-feira, pode resultar numa guinada histórica no cenário político britânico: o fim do bipartidarismo – símbolo tão tradicional do Reino Unido como os táxis pretos e as cabines telefônicas vermelhas.

Os três partidos entraram na semana da eleição embaralhados nas projeções de institutos de pesquisa. Por mais distorcidos que sejam, por causa do complexo sistema eleitoral britânico, os levantamentos também revelam um momento de reflexão e rebelião de um eleitorado desgastado por décadas de desmandos das duas principais legendas. Para os conservadores, há a lembrança dos tempos de austeridade sob comando de Margaret Thatcher. Já os trabalhistas enfrentam a insatisfação com os efeitos da recessão, sobretudo o aumento do déficit público e do desemprego.

Ambos, porém, saíram feridos do escândalo de despesas parlamentares que no ano passado abalou seriamente a credibilidade da velha ordem. O equilíbrio foi posto novamente à prova quando Clegg ganhou uma tribuna para milhões de britânicos que dificilmente paravam em frente à TV para assistir à sabatina parlamentar semanal entre os líderes.

- Foi preciso dar um pouquinho de voz a Nick para que o público percebesse que não precisa ter medo de desafiar a velha ordem. É importante que o eleitor, não a mídia ou o status quo, decidam qual partido merece o voto. Há tempos que merecemos um pouco mais de oportunidades – afirma Paddy Ashdown, líder dos lib-dems entre 1989 e 1999.

Ashdown se refere ao fato de que o terceiro partido já vinha desafiando o duopólio conservador-trabalhista desde sua época. Clegg, porém, merece um pouco mais de crédito – tanto por ter ensaiado exaustivamente para os debates, quanto por saber avaliar a oportunidade de cativar o eleitorado com um discurso áspero nas críticas e audacioso em propostas como cortes de benefícios familiares e no programa nuclear do país. As mais recentes pesquisas preveem que os liberais-democratas chegarão a mais de 80 cadeiras no próximo Parlamento, mas sua presença pode ser maior que a sugerida pela matemática.

- A importância de Clegg não está no que diz, mas no que representa. Por anos seu partido foi invisível, ao ponto de alguns jornais britânicos sequer enviarem repórteres para as conferências nacionais – opina David Yelland, ex-editor do tabloide ‘The Sun’. – Simplesmente assumiu-se que o terceiro partido nunca ganharia uma eleição. Agora os lib-dems foram descobertos por um público afastado por décadas de mesmice e corporativismo.

A eleição caminha para um cenário de impasse, em que nem trabalhistas nem conservadores terão poder suficiente para um mandato sólido. Clegg poderá se transformar no que a mídia britânica chama de ‘fazedor de reis’ com seu apoio. Em troca, exigirá uma reforma eleitoral que ponha fim ao complexo sistema distrital em vigor.

Parte das possíveis barganhas vai incluir a presença de lib-dems num futuro Gabinete – no caso de uma aliança com os trabalhistas, os rumores são de que o terceiro partido exigiria ser representado nas pastas de Interior e Finanças, com Clegg assumindo também a vaga de vice-premier, levando ainda a cabeça de Gordon Brown como prêmio. Também não se descarta a hipótese de endosso aos conservadores, mesmo que sem coalizão.

- Imagine a fúria do público se, depois de semanas de campanha eleitoral, o Reino Unido aparecesse com um novo premier assumindo o cargo sem ser eleito. Os lib-dems simplesmente seriam vistos como cúmplices – analisa Mehdi Hasan, comentarista da ‘News Statesman’, uma das principais revistas políticas britânicas.

Temores de instabilidade nos moldes de sistemas caóticos como Israel e Bélgica já sinalizam novos tempos. De pedra no sapato, o terceiro partido abriu uma brecha na arena política britânica, provando que outros partidos minoritários – seja o extrema-direita BNP ou os progressistas ambientais do Partido Verde – ainda podem entrar no jogo.

O efeito parece chegar também às raízes do processo político: desde o início dos debates, distritos britânicos registraram um aumento médio de 17% no número de eleitores registrados, sobretudo no público de 18 a 24 anos. Os números surpreendem diante de tendência cada vez maior de evasão das urnas. Entre 1950 e 2005, o índice de comparecimento caiu de 83,9% para 61,4%, sendo que o pleito de 2001 registrou apenas 59,4%.

- As mudanças vão acontecer, por mais que as elites políticas conservadoras e trabalhistas lutem contra e tentem, de forma imoral, retratá-las como algo terrível ou arriscado para os interesses nacionais. Os tempos mudaram – garante o cientista político Patrick Dunleavy, da London School of Economics. “

Reforma eleitoral…

Palavra-chave que vale para lá e para cá.

Guiné Equatorial prova que há subdesenvolvimentos e subdesenvolvimentos

07/03/2010

Informa o Globo, provando que nem todo subdesenvolvimento se dá por falta de oportunidade, por ação do imperialismo americano ou por opressão histórica colonial, além de dar ao Perspectiva a oportunidade de trazer para o debate um tema que vai dar o que falar nos comentários:

“Avenida Vieira Souto, 206. Este será o endereço da família Obiang no Rio, se concretizada a compra de um apartamento triplex em prédio de cinco andares projetado por Oscar Niemeyer há meio século: são dois mil metros quadrados de área útil, com rampa entre a sala de 720 metros e o pátio da cobertura, em ângulo com o magnético mar de Ipanema.

Os Obiang costumam se destacar nas listas das famílias mais ricas do planeta, como as da revista ‘Forbes’. Há três décadas detêm a hegemonia do poder e dos negócios na Guiné Equatorial, país do tamanho de Alagoas, onde 520 mil pessoas vivem em cima de um oceano de petróleo espraiado pelo Golfo da Guiné — o braço do Atlântico que invade a África, na região conhecida como coração geográfico da Terra, porque ali se cruzam as linhas do Equador (0º de latitude) e do meridiano de Greenwich (0º de longitude).

O negócio imobiliário no Rio, estimado em US$ 10 milhões, é apenas reflexo das prósperas relações do clã Obiang com o governo, a Petrobras e empreiteiras brasileiras, como mostra a reportagem de José Casado na edição do O GLOBO deste domingo.

A Petrobras tem 50% de um campo petrolífero em exploração. Já a Andrade Gutierrez – dona do apartamento em Ipanema – soma US$ 500 milhões em contratos. Outra construtora mineira, a ARG, obtém naquele país 40% da sua receita anual (US$ 155 milhões em 2008).

O comércio entre o Brasil e a Guiné Equatorial aumentou cem vezes nos últimos seis anos: saltou de US$ 3 milhões em 2003 para US$ 300 milhões em 2009. Nos últimos seis meses, dois ministros brasileiros (o chanceler Celso Amorim e Miguel Jorge, da Indústria e Comércio) viajaram à capital, Malabo, para negociar uma dezena de novos acordos.

A Guiné Equatorial é um fenômeno africano. Por causa do bilhão de barris de petróleo extraído anualmente, exibe uma das maiores rendas per capita do mundo (US$ 28 mil por habitante) – quase quatro vezes maior que a do Brasil, superior à de Israel e Coreia do Sul, informa o Banco Mundial.

Essa riqueza contrasta com o real padrão de vida da população: quase oito de cada dez habitantes sobrevivem com renda pouco acima de US$ 1 por dia, apenas 44% da população têm acesso à água potável, e a desnutrição impera entre 39% das crianças com menos de 5 anos.

Há quatro semanas, o Senado dos EUA encerrou uma investigação sobre o destino da riqueza da Guiné Equatorial. No relatório final, com 330 páginas, o clã Obiang emerge como uma vigorosa cleptocracia, elevada à categoria de ‘caso de estudo’ sobre práticas de corrupção governamental.”

Impossível não recordar da tese de que alguns subdesenvolvimentos são estados de espírito.

Hugo Chávez não quer vitória do PSDB no Brasil: Com um amigo desses, Dilma não precisa de inimigos

07/02/2010

Informa a Agência de Notícias EFE:

“O presidente venezuelano, Hugo Chávez, indicou hoje que seria ‘nefasto’ para a América Latina se a direita recuperasse o Governo do Brasil nas próximas eleições presidenciais, em outubro.

‘Neste ano há eleições no Brasil e temos certeza de que o império americano vai apostar tudo na direita brasileira, para ter desde 1º de janeiro do ano que vem um Governo subordinado às ordens americanas. Isso seria nefasto para a união da América do Sul’, disse Chávez em seu programa dominical ‘Alô Presidente’.

‘Não nos intrometemos nos assuntos internos, mas cabe a nós saber o que acontece nos países irmãos da América Latina e do Caribe’, acrescentou o presidente venezuelano.

Em primeiro lugar, é uma hipocrisia danada se meter descaradamente  nos assuntos que envolvem o processo eleitoral brasileiro e depois afirmar que não se intromete em assuntos internos dos países vizinhos. Até parece que resolve assoprar depois de bater.

Em segundo lugar, esse discurso de que uma vitória da oposição seria a vitória dos “ianques” é equivocado e atrasadíssimo. A direita latino-americana já não é mais marionete, pelo menos não nos países mais desenvolvidos, há muito tempo. E o PSDB nem mesmo de direita é, na verdade. Talvez seja possível dizer que é próximo do empresariado, mas isso não é necessariamente ser de direita e muito menos estar subordinado aos EUA. Trata-se de acusação patética. Dizer que o PSDB é entreguista é conversa de uma esquerda órfã do Muro de Berlim. Não convence. Dizer que o governo Lula foi bem melhor no lado social é muito mais interessante.

Por fim, a realidade é que, sinceramente, quando vejo Hugo Chávez dizendo estas baboseiras sobre a oposição e quando lembro que ele já pediu que os brasileiros elejam Dilma Rousseff, ganho pelo menos um motivo para preferir José Serra.

O apoio de Chávez é prejuízo. E ainda bem que é assim. É sensato. Não poderia ser diferente.

Depois de ter apoiado tacitamente um Programa Nacional de Direitos Humanos com certo cunho chavista em diversos pontos, Dilma não pode nem pensar em ser apoiada efusivamente pelo ditador venezuelano. Seria a confirmação de que a esquerda da Ministra não é a de Lula.

E não é mesmo.

Chávez teria financiado, literalmente, atentado contra a democracia na Nicarágua

02/02/2010

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, tem passado guerrilheiro. Hoje, porém, segue, infelizmente, o caminho de muitos ex-guerrilheiros que conseguem chegar ao poder, seja pela via democrática ou não: O caminho do autoritarismo. Sendo assim, não surpreende a aliança existente atualmente entre ele e Hugo Chávez. Foi por conta dela que a Nicarágua passou a fazer parte da ALBA, Aliança Bolivariana das Américas, alternativa chavista à ALCA.

Como não poderia deixar de ser, o neo-bolivariano Ortega – que, diga-se de passagem, preside um país que na verdade é governado nos bastidores por sua esposa, Rosario Murillo – começou a assediar os meios de comunicação que, coincidentemente, dizem verdades que não agradam ao regime.

Agora, a situação chega ao extremo, com a compra por Ortega do Canal 8 nicaraguense, a Telenica. Está claro que o líder da Nicarágua tenta siienciar a oposição.

Mas a pior parte da história não é essa. O pior de tudo vem agora.

Foi Chávez quem deu dinheiro a Ortega para que este pudesse comprar o canal de televisão de seu país que era uma voz de oposição, calando assim as críticas.

Era da Albanisa (ALBA da Nicarágua S.A.), consórcio criado por Chávez para recompensar o apoio político dado pela Nicarágua ao bolivarianismo, o dinheiro utilizado para a compra. O gerente-geral da Albanisa, Rafael Paniagua, confirmou que foram fundos da sociedade que possibilitaram a compra do canal.

Trata-se de Chávez financiando, literalmente, os atentados contra a democracia na América Latina. Foi o dinheiro que a Venezuela transfere para a Nicarágua em troca de apoio político, através de empresas de fachada como a Albanisa, o utilizado para calar a oposição que Ortega enfrenta.

Ao invés de governar melhor, respeitar a democracia e os direitos da oposição e prezar a liberdade, Daniel Ortega preferiu pegar o dinheiro que a Venezuela lhe dá e calar a boca dos opositores. Levando em conta a índole de Chávez, este deve ter aplaudido e repetido a ladainha de que o tal canal de televisão era “representante das oligarquias entreguistas, do capitalismo selvagem e do imperialismo americano”. O fato de ele fazer oposição ao regime deve ser mera coincidência.

Por essas e por outras o ideário bolivariano, o comportamento de Chávez e a política expansionista do chavismo só podem ser encarados como nocivos.

Felizmente, Chávez enfrenta hoje dificuldades políticas internas e externas, que podem levar, no médio prazo, ao ocaso do chavismo.

As dificuldades econômicas do povo venezuelano, que ao contrário das dificuldades políticas de Chávez não podem ser comemoradas por ninguém, também colaboram para este quadro de derrocada.

Perspectiva: Hugo Chávez – Início do fim?

01/02/2010

Os últimos acontecimentos políticos da América Latina podem ter decretado o fim da expansão do bolivarianismo na região. Os recentes fatos políticos venezuelanos, por sua vez, podem representar mais: A derrocada de Hugo Chávez. Externa e internamente o semi-ditador enfrenta graves dificuldades de ordem socio-político-econômica.

No que diz respeito à América Latina, o bolivarianismo recebeu, recentemente, três golpes duros:

A vitória de Sebastián Piñera nas eleições presidenciais chilenas, através de um discurso anti-Chávez e da defesa de um projeto de centro-direita.

A resolução pacífica do impasse hondurenho, com a confirmação de perda do poder e ida para o exílio de Manuel Zelaya, representante da ideologia chavista no País, e subida à presidência de Pepe Lobo, conservador e defensor de um discurso de conciliação que agradou os hondurenhos.

E a atuação humanitária ampla e elogiadíssima dos Estados Unidos no Haiti, recuperando para os americanos um pouco da imagem de benfeitores que já existiu em algumas épocas passadas e enfraquecendo o argumento bolivariano de que os EUA são os vilões e malfeitores da América Latina.

No que concerne o cenário político-econômico interno da Venezuela, a conjuntura também não é nada animadora para os chavistas:

Uma crise cambial séria atinge o país, trazendo inflação, desabastecimento e recessão. Desvalorizações monetárias desastradas, planos econômicos pouco eficientes e fixação de preços têm sido o caminho de combate não muito eficiente escolhido.

Sucessivos cortes de energia elétrica se dão nas cidades venezuelanas. Há racionamento intenso e agressivo. Uma crise energética clara está completamente instalada. Também existe falta d’água em algumas torneiras, além de uma seca que afeta a agricultura já enfraquecida pelos anos de desatenção chavista.

E o regime de Chávez, afetado por isso tudo, está em baixa significativa. O Vice-Presidente renunciou. A Ministra do Ambiente, esposa deste, também. Deixou igualmente o governo o Presidente do Banco da Venezuela. Há definitivamente algo de podre no reino chavista dos bolivarianos.

Diante de toda esta situação político-econômica difícil, Hugo Chávez perdeu de vez o controle. Decidiu, como os piores ditadores, responder aos pedidos de mais liberdade com mais repressão, devolver as críticas com justificativas absurdas e risíveis e ameaçar os opositores internos e externos com bravatas.

Enquanto Chávez afirma ridiculamente que os Estados Unidos causaram um terremoto que atingiu a Venezuela, a criminalidade no país dispara, chegando a níveis recordes.

Ao mesmo tempo em que o líder venezuelano desafia a oposição a afastá-lo e repete o enfadonho, mofado e equivocado discurso de que os protestos populares recentes são obras de conspirações oligarcas e burguesas, sua popularidade despenca entre a população e as mobilizações contrárias ao regime e defensoras de mais liberdade, principalmente de opinião e de imprensa, proliferam.

Ao passo que a influência externa de Hugo Chávez vai minguando, seu poder também se reduz internamente. Seu governo começa a ser questionado com mais atrevimento, fato típico do ocaso das ditaduras e das gestões autoritárias.

- Se Chávez está acabado, bem, me afastem! Com toda a energia gasta nessa loucura, toda tinta e papel, que organizem um grupo, peçam o referendo. Vamos ver se dizem mesmo que estou acabado. Ninguém vai impedi-los — foi o que disse o Presidente venezuelano à sua oposição.

Claramente, esperneira e desafia para se afirmar. Líderes personalistas sempre reagem mal às quedas de popularidade e aos questionamentos de suas qualidades. Comprova-se até psicologicamente que o caudilho está em maus lençóis.

Em resumo, temos hoje um cenário de vantagem da democracia liberal sobre o chavismo na América Latina e uma conjuntura socio-político-econômica completamente prejudicial aos planos condenáveis de Chávez no mundo próprio da Venezuela.

Será o início do fim?