Arquivo da seção ‘Artigos dos Leitores’

Artigo do leitor: A agenda presidencial

11/06/2010

Continuando a abrir espaço para artigos escritos por leitores do Perspectiva, reforçando mais uma vez a interação entre estes e o blog, publico texto de autoria do leitor Paulo Palito:

Paulo Palito*

Vejamos a agenda do Presidente da República de 09/06/2010:

Amanhece em Natal (RN), depois vai para Maceió (AL), a seguir Aracaju (SE).

Quando não estiver dentro do avião, estará seguramente fazendo discurso. Talvez uns cinco.

Tenho observado que esta agenda do nosso Presidente tem sido comum durante todo o seu mandato.

Será que ele montou uma boa equipe para governar o País? José Dirceu, Antonio Palocci, Marco Aurélio Garcia, Franklin Martins, etc? Não acredito.

Os bons índices econômicos que o País vem conseguindo são fruto da sua própria pujança, fortalecida a partir da época de Itamar Franco com o lançamento do Plano Real, que tirou o País de uma inflação de 80% para quase o zero atual e acelerou o desenvolvimento.

Aliás, o grande mérito do governo Lula foi dar prosseguimento às metas econômicas dos governos anteriores. Sem falar nas metas sociais, como a Bolsa Escola criada no governo anterior e que ele mudou de nome. Hoje é Bolsa Família.

Realmente a parte econômica vem se mantendo boa. Mas e o resto das instituições do País? A impunidade defendida e o desrespeito às leis que o Presidente da República pratica, como ficam? Justamente ele que deveria dar o bom exemplo.

O índice de popularidade atual do Presidente Lula pode, num futuro próximo, se transformar numa grande decepção para os brasileiros. Não somente pelo Presidente, mas principalmente pelo seu partido, o PT.

A meu ver, na eleição de outubro o ideal seria o vencedor ser um candidato com um perfil ético parecido com de Lula quando candidato, mas que depois de eleito honrasse o que pregava na campanha…

*Paulo Palito é leitor do Perspectiva Política

Artigo do leitor: O corcel branco

11/06/2010

Continuando a abrir espaço para artigos escritos por leitores do Perspectiva, reforçando cada vez mais a interação entre estes e o blog, publico texto, de autoria do leitor Fábio Liberal, construído após uma sessão do filme ”Viajo porque preciso, volto porque te amo”:

Fábio Liberal*

Ontem, depois de assistir um filme, lembrei do dia em que meus avós dançavam no quarto às vésperas do São João. O rádio tocava baixinho ‘Riacho do Navio’ de Luis Gonzaga.

Guardo essa cena como quem guarda o melhor pedaço da vida. Por sorte eu usufruía de um ângulo que impossibilitava o flagrante. Fiquei ali até que a música findasse. Eram dois velhos movendo seus corpos sem a mínima fração de ânsia, duas pessoas que dificilmente teriam ainda o que dizer um ao outro.

Lembro que poucos meses depois eu estava encarregado de dirigir o carro do velho, um corcel branco enfurnado de baratas, caindo os pedaços. Um câncer comia-lhe as tripas e eu fora designado a dar assistência à família.

A tarefa consistia em levar e trazer minha avó, minhas tias e minha mãe à UTI de um hospital na Ilha do Leite. Assim como aquele velho corcel, meu avô não tinha direção hidráulica, era bruto como uma caixa de ferramentas e talvez por isso mesmo capaz de surpreender as todos com os gestos mais singelos.

No quinto dia de sua internação, como ninguém quisesse entrar na UTI, por desejo do meu próprio avô, pediram que eu fosse porque ainda não tinha o visto em tal situação. Talvez ele estivesse fadigado por ver as mesmas expressões nas mesmas caras, pensavam. Ninguém aceitava que ele estava morrendo.

O mito do último contato, da última palavra, quando o sujeito se encontra desvelado de suas máscaras sempre percorreu o imaginário coletivo. Dizem que Goethe clamava por “mais luz!”; Tomas Hobbes dizia-se “diante de um terrível salto nas trevas”; até Nietzche temia publicamente: “Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miserável dos homens”.

Eu me sentia culpado por estar violando o desejo daquele homem de não ser importunado com a piedade alheia. Entrei a contragosto. Tentei não notar a infinidade de tubos que lhe desfiguravam o rosto; cumprimentei-o de maneira ridícula; segurei-lhe a mão e, covardemente, esperei pela iniciativa de um resquício de ser vivo que agonizava na cama.

Os poucos segundos que passaram foram os mais mórbidos que já presenciei. Quando então percebi que a boca dele estava prestes a se mexer, curvei-me para ouvi-lo. “A correia do carro precisa ser trocada”, ele me disse baixinho.

Foram as suas únicas palavras, as últimas dele para mim. Um dia depois ligaram do hospital de manhã cedo. Aposto que Goethe, Hobbes, Nietzche e a maioria dos grandes homens invejariam a incorruptibilidade daquela frase: “a correia do carro precisa ser trocada”.

Prometi a mim mesmo que passadas as resoluções funerárias eu iria a um mecânico.

*Fábio Liberal é jornalista e leitor do Perspectiva Política

Artigo do leitor: A crença no controle e o valor da liberdade

29/01/2010

Continuando a abrir espaço para artigos escritos por leitores do Perspectiva, reforçando cada vez mais a interação entre estes e o blog, publico texto que me foi enviado pelo leitor Marco Antonio Reis, que me orgulho em publicar por ser prova do alto nível dos leitores do meu Perspectiva Política:

A crença no controle e o valor da liberdade

Marco Antonio Reis*

O que há de mal em buscar segurança, ou, ao menos, a sensação de estar seguro? Aparentemente nada. Animais não caçam para garantir a própria sobrevivência e de sua prole? Assim também não opera o ser humano, que através do desenvolvimento de tecnologia logra dominar e transformar, em certa medida, os recursos naturais à disposição a fim de garantir uma vida mais “segura”? A rigor, o homem é uma criatura frágil, limitada e historicamente inserida em uma luta contra adversidades, sejam as suas ou as do meio. Contudo, uma asserção é inescapável: não foi um ente abstrato e dotado do monopólio pretensamente legítimo da violência que logrou tornar a vida dos homens mais fácil diante de tais obstáculos, senão os próprios homens que, envidando esforços conjuntos porém, determinados livremente por cada indivíduo –, conseguiram pouco a pouco ultrapassar os referidos desafios.

O cenário atual, sequioso de mais segurança e controle de adversidades muito mais complexas, e marcado por uma irrefletida confiança no poder das autoridades, parece vinculado a um nível mais profundo da experiência humana. E talvez esta seja a razão determinante para o recrudescimento da cultura do controle em detrimento da liberdade.

Se o ser humano possui uma natureza essencial, eu diria que ela consiste na ignorância. Podemos ser mais ou menos egoístas, mais ou menos solidários, mas somos definitivamente ignorantes, no sentido de que precisamos constantemente aprender algo, seja para sobrevivermos num ambiente de escassez de recursos, seja para aprendermos a respeitar as liberdades alheias. Ao ignorante, contudo, assusta a possibilidade de haver algo para além da escura caverna em que habita, e mesmo quando alguém obtém um átimo de luz, o impacto da razão não basta para desanuviar uma mentalidade mítica. Para que algo possa ser aprendido a liberdade é condição necessária, mas não suficiente.

Daí a possibilidade permanente do erro. Liberdade é a possibilidade de aprender, mas também possibilidade de errar. E ninguém gosta de errar. Ninguém gosta de ter de abandonar convicções convenientes e aventurar-se em um mundo livre e, por isso mesmo, suscetível ao erro. Considero que a compreensão deste ponto é indispensável, pois aquele que renuncia ao aprendizado também o faz em relação à liberdade. E quem não está disposto a usar da própria liberdade para aprender renuncia à responsabilidade de seus atos e entrega, conscientemente ou não, a decisão acerca dos rumos de sua vida a outro que se julgue no direito de escolher pelo renunciante. Quem age por si está sujeito ao erro, mas é um indivíduo livre; quem delega decisões, quer queira ou não, assume as responsabilidades, mas jamais os méritos do ato e, tampouco, a liberdade. A ignorância é a escassez interior que pode resultar na experiência do aprendizado (mesmo que por tentativa e erro), possibilitada pela liberdade; ou resultar no medo e no escapismo, possibilitados pela busca de segurança. Os exemplos são fartos.

Em busca de uma sociedade menos violenta e mais segura, o Estado brasileiro proibiu o comércio de armas, mas as mortes violentas por arma de fogo permanecem. O apelo por uma sociedade livre das drogas conduziu ao agravamento da resposta penal ao tráfico de drogas, mas não só as pessoas continuam a consumi-las como a violência ínsita a um aparato que procura sobreviver na ilegalidade não parou de fazer vítimas. Da mesma forma, a Lei Seca não foi capaz de deter as estatísticas que colocam o Brasil no quinto lugar das mortes no trânsito segundo a OMS, com destaque para as vítimas jovens.

Na tentativa de prover maior segurança aos trabalhadores, o Estado instituiu um programa de previdência social, mediante o pagamento forçado e periódico de quantias (ironicamente chamadas de contribuição) para, ao final, “garantir” uma aposentadoria muito aquém da remuneração recebida pelo trabalhador enquanto ainda ativo, bem como um déficit (preocupante, mas de modo algum surpreendente).

No nobre intuito de promover justiça “social” e prover maior segurança à população carente, o governo brasileiro arrecadou um trilhão de reais em 2009 em tributos. Os resultados sociais tão esperados pelo ideário igualitário-distributivo parecem, contudo, longe das expectativas social-democráticas, exceto pela política assistencialista e demagógica que só faz aumentar as chances de perpetuação do PT e demais partidos envolvidos no poder e expandir a economia informal às custas, mais uma vez, do “contribuinte”.

Enquanto expande artificialmente a base monetária da economia nacional por meio do Banco Central, controlador da taxa básica de juros (SELIC), sob o argumento falacioso de prover crédito e, com isso, maior segurança à economia, ao ritmo de consumo e à vida do cidadão, o Estado, em verdade, engendra um processo inflacionário imperceptível aos olhos do leigo, além de garantir uma ótima estrutura para a manutenção de seu déficit, causado, em última instância, pelo binômio ineficiência-corrupção.

A lista é interminável, entretanto, o ponto nodal e comum a todas essas experiências fracassadas é o seguinte: troca-se a falsa sensação de segurança (às vezes nem isso) pela progressiva intervenção governamental naquilo que o ser humano tem de mais precioso para aprender: a liberdade.

Mas todas essas experiências escondem um fato importante, a saber: a concessão da gestão e controle de nossos medos e inseguranças ao Estado. Uma entidade aparentemente abstrata e dotada de faculdades especiais para administrar tantos problemas. O dado concreto e realista, porém, é que o Estado não passa de um conjunto de outros seres humanos igualmente ignorantes e falíveis, conhecidos pela alcunha de “autoridade pública”. Como bem salientou Bastiat, não é incomum às veneráveis autoridades a sede pelo poder, uma imaginação afetada por devaneios napoleônicos de condicionamento, adestramento e, como epílogo perfeito, de salvação da humanidade (que nada mais é do que a espoliação do conceito de indivíduo ou pessoa).

Este misto de adoração, condicionamento milenar e renúncia à liberdade individual conduz, a meu ver, a um panorama angustiante: se o Estado arroga para si e com a anuência das pessoas obrigações – positivas de efetivar uma série de supostos direitos e de gerar o famigerado bem estar social, tal premissa leva a duas conclusões. A primeira é o fato de que tornamo-nos dependentes. Escolhemos permanecer vivendo numa fase pueril, em que as regras são ditadas pelo pai, pelo príncipe ou por qualquer outra autoridade “competente”. Para retomar uma idéia contida nos parágrafos iniciais: renunciamos à possibilidade de aprender e permanecemos ignorantes pelo medo de errar. Não há responsabilidade pelos fracassos ou méritos, mas em contrapartida haverá sempre a possibilidade de depositar nossas frustrações na conta do outro, o que nos leva ao segundo efeito: se o Estado é incapaz de realizar tais obrigações, a culpa é dele, Estado, o que só fomenta este círculo vicioso.

Com efeito, o que gera perplexidade não é a coleção de fracassos estatais, mas a crença das pessoas de que o Estado continua a ser a melhor alternativa. Historicamente, o povo brasileiro não costuma primar pelo associativismo e pela valorização das liberdades individuais. O brasileiro, via de regra, costuma ser pródigo em críticas e inconformismos quanto aos rumos do “país do futebol”. O mensalão, o apagão, a imoral e insuportável tributação, o voto obrigatório, os desvios de conduta de seus governantes parecem lhe alarmar por alguns poucos momentos, mas não passa disto. É só. É com pesar que faço tal constatação, mas o brasileiro é passivo e acomodado.

À conclusão semelhante chega, por exemplo, o excelente trabalho do antropólogo Roberto DaMatta, que perguntou aos entrevistados o que eles achavam do brasileiro que costumava cumprir as leis e tratar todos como iguais perante a lei. O resultado foi implacável: a maioria dos brasileiros reputam este brasileiro, alheio a privilégios e cumpridor de seus deveres, um “otário”, que provavelmente não possui uma rede forte de influências.

Este é outro ponto inolvidável que, quero crer, vincula-se à insistência no messianismo estatal e ao poderio que as doutrinas coletivistas possuem em terras tupiniquins. Não se ignora que o “jeitinho brasileiro” encerra uma manifestação cultural promotora do círculo de amizades e interesses em detrimento da igualdade perante a lei; que faz da autoridade e da coerção um manto sob o qual todo o tipo de interesse é negociável, não à base de liberdade de escolha, tratamento uniforme e livre competição, mas às custas do “contribuinte otário” que paga seus impostos e não pertence (e nem deseja pertencer, pelo caráter nefasto que revela tal comportamento) a um círculo de poder capaz de distribuir vantagens, renda e posição com recursos alheios.

Considero que este expediente também decorre do medo e da necessidade desenfreada por segurança do indivíduo. Estaríamos sendo injustos ao afirmar que o Estado é incapaz de gerar algum grau satisfatório de segurança e controle (pelo menos material). De fato, o Estado gera. Mas só para alguns poucos amigos do rei. Aos inimigos, a lei, como diz o ditado.

As características de um Estado intervencionista, sobretudo na economia, são um convite à constituição de um círculo promíscuo de interesses. Naturalmente, os seres humanos menos escrupulosos enxergam nesta circunstância uma chance única de enriquecer, conseguir prestígio e poder. No fim das contas, garantem a si mesmos a segurança de manter seus próprios interesses intactos e, o principal, a segurança de não serem importunados neste cenário. Como pontuava Edmund Burke, para que o mal triunfe, basta a omissão dos bons. Basta que os indivíduos escrupulosos, porém amedrontados e passivos, continuem a reclamar da ineficiência estatal da boca para fora, apenas. É para estes, sobretudo, que a mensagem libertária se faz imperiosa.

Estas e outras questões serão objeto de análise e crítica, não só por mim, nesta coluna libertária. Pareceu-me, todavia, promissor um roteiro que começasse pela premissa básica, da qual não posso me furtar, ainda que em poucas linhas: o valor da liberdade.

Liberdade é o agir livre de coerção externa. É a possibilidade de livre participação pessoal no mundo (do indivíduo em suas relações com os recursos naturais e demais seres humanos). Esta possibilidade de livre participação no mundo pressupõe o exercício ou disposição da propriedade que o ser humano tem sobre seu corpo e mente, e que encontra limite na possibilidade de o outro exercer ou dispor livremente dessa mesma propriedade.

Para que tal liberdade se exerça de modo compatível com as demais liberdades e possa valer como máxima universal é condição necessária a interiorização do valor da autonomia individual (a garantia de um núcleo inatacável e insuscetível de intervenções forçadas, a saber: a possibilidade de livre participação da pessoa no mundo por meio do exercício e disposição da propriedade de seu corpo e mente).

Ora, se é reconhecida à pessoa a possibilidade de livre disposição para estabelecer relações com o mundo em razão de uma autonomia moral individual, a noção de responsabilidade pela escolha dentre um rol de possibilidades é complementar ao fundamento aqui defendido. A partir do momento em que se pode estabelecer uma relação “X” com o mundo, a pessoa efetua uma escolha. Tal escolha pode ou não coincidir com a escolha necessária para que um certo âmbito inatacável de autonomia individual de outras pessoas seja respeitado. Este núcleo de autonomia individual é um imperativo categórico, na medida em que manifesta uma exigência incondicional de respeito, e sua razão de ser é possibilitar às pessoas uma coexistência livre e responsável. Todo desrespeito a este núcleo, exige, pois, uma atribuição de responsabilidades, sob pena de se quebrar o universo equilibrado de possibilidades de livre disposição das relações individuais.

Em síntese, compreendida a liberdade como esta possibilidade de livre exercício da propriedade que o ser possui sobre seu corpo e mente, é evidente que quando se fala em liberdade, também se fala em liberdade para errar. Liberdade para escolher possibilidades que podem ou não se demonstrar corretas. Seja a realização de um investimento inviável, seja o dedicar tempo e trabalho a uma atividade que no futuro se mostra infecunda ou seja a liberdade para se aproximar de outros indivíduos e com eles se decepcionar. Liberdade é, pois, possibilidade lastreada pela atribuição de responsabilidade. Possibilidade de livre participação pessoal no mundo e responsabilização pelas consequências dessa participação.

De cada qual conforme sua escolha, e jamais à força violar a possibilidade de escolha alheia. De cada qual conforme seus erros, para que também o mérito do aprendizado seja verdadeiro.A cada qual conforme seja escolhido, jamais pela força, mas à luz da liberdade alheia. A cada qual conforme seus feitos, e feliz da liberdade que não cede em face do medo.

*Marco Antonio Reis é leitor do Perspectiva e submeteu artigo ao blog

Artigo do leitor: A realidade do governo Lula

06/12/2009

Continuando a abrir espaço para artigos escritos por leitores do Perspectiva, reforçando cada vez mais a interação entre estes e o blog, publico texto do leitor Paulo Palito:

A realidade do governo Lula

Paulo Palito*

Há uns meses atrás, li uma crônica de um famoso cientista político dizendo que o Brasil nunca teve uma Diplomacia tão exuberante: Asilo a um Presidente deposto em Honduras, asilo a um condenado na Itália, defesa de homens como os Presidentes da Venezuela, de Cuba, da Bolívia e do Irã. O Presidente dos EUA chamando Lula de “o cara”. E o Presidente Lula viajando pelo Mundo elevando o nome do Brasil, etc.

Sinceramente fiquei balançado. Será que Lula e os petistas é que estariam certos?

Esqueci do Presidente Kadafi e de Omar Hassan Ahmad al-Bashir, condenado pela ONU. E existem outros.

O Presidente Lula realmente nunca desceu do palanque. Discursa aqui no Brasil e no Mundo todo emocionando as pessoas. Seu Governo está com 80% de aprovação.

Mas vamos analisar as coisas.

Hitler também emocionava as pessoas e teve o seu Governo com 100% de aprovação do povo alemão.

A situação econômica do Brasil está boa hoje porque o Plano Real acabou com a inflação e as medidas econômicas do Governo anterior foram seguidas. É claro que a aprovação popular tem que estar elevada.

O Presidente de Honduras, que está asilado na Embaixada do Brasil, foi deposto pelo Congresso Hondurenho, por ele querer modificar a Constituição daquele país, visando perpetuar-se no poder. No seu lugar assume a autoridade indicada pela Constituição e garante a eleição de novembro que já estava marcada. Essa eleição transcorreu com uma participação popular recorde na história daquele país, apesar do boicote pregado pelo Presidente deposto. O povo hondurenho deu uma verdadeira demonstração de democracia ao verdadeiro golpista. Sobre o reconhecimento dessa eleição o Presidente Lula disse: “Não, não e não”.

Desafiando a justiça italiana, o governo brasileiro está asilando o assassino Battisti condenado na Itália por quatro assassinatos e militância política. Não duvido que vá lhe dar um emprego em uma empresa estatal.

Hugo Chávez, um idiota a quem o Rei da Espanha mandou calar a boca; A ditadura de Cuba que já mandou milhares para o “paredón”; A Bolívia de Evo, O Paraguai de um Presidente que tinha relacionamentos enquanto bispo. Lula Já ajudou todos estes com milhões de dólares, apesar de não ter dinheiro para pagar decentemente aos aposentados.

Ahmadinejad, Presidente reeleito do Irã, em uma eleição reconhecida mundialmente como fraudulenta. Esse merece um capítulo especial: Lula defendeu Ahmadinejad na sua coletiva com a primeira-ministra alemã Angela Merkel, no dia 4/12, na frente do mundo inteiro. É o apoio de Lula a um líder que está colocando a Humanidade em perigo, com os seus delírios messiânicos de construir a bomba atômica para destruir Israel e a civilização ocidental. Hoje, Lula é o grande avalista de Ahmadinejad diante do mundo no Ocidente.

Hoje tenho certeza: Na eleição de 2010, eu ainda não sei em quem votar, mas com certeza não será em ninguém do PT indicado por Lula. Acho que devemos escolher um governo sério, ético, que dê prioridade para a educação, a saúde, e que combata a corrupção.

Corrupção se combate é com Judiciário forte e independente, leis severas e julgamento rápido, removendo-se todos os entulhos jurídicos existentes na legislação. Enquanto tivermos um Judiciário frágil, ministros dos superiores tribunais nomeados pelo Executivo e o jogo de influência dos poderosos nos tribunais, vamos continuar com alto nível de corrupção na política brasileira, reinando a impunidade e a máxima de que o crime compensa.

A única coisa que um criminoso respeita é a condenação pela justiça com aplicação de penas severas, sem redutores. Sem um Judiciário forte e independente e justiça aplicada para todos, jamais veremos a redução da corrupção no País, que, ao contrário, tende a aumentar com a impunidade. O exemplo tem que partir de cima para baixo. Lotar as cadeias principalmente com gente graúda, independentemente de onde vierem.

Sobre as imagens do Governador Arruda e seu bando recebendo propina e pondo dinheiro nas meias e nas cuecas, que chocaram o Brasil inteiro, o nosso Presidente da República, Luiz Inácio da Silva, o Lula, disse: “As imagens não falam por si, o que fala por si é todo o processo de apuração, todo o processo de investigação”. Ou seja: Depois do processo de investigação eles serão inocentados e eleitos novamente, como em exemplos anteriores.

E as amizades internas dos governistas com quem, antes de chegar ao poder, eles chamavam de picaretas: Sarney, Renan Calheiros, Collor. Em nome da governabilidade Lula faz aliança com esta gente. É de enojar ver uma fotografia da líder petista no Senado Federal abraçando e beijando o Sarney. Se fosse um homem sério, o Presidente Lula jamais faria aliança com esta gente. Aliás, deveria procurar um meio de colocá-los na cadeia. Se não estiver com o “rabo preso”, jeito tem.

Sem partidarismo, espero que o povo brasileiro acorde e eleja um governo sério na próxima eleição.

*Paulo Palito é leitor do Perspectiva e submeteu artigo ao blog

Artigo do leitor: Outra visão sobre Ahmadinejad

02/12/2009

Caríssimos leitores,

Se inicia hoje mais uma possibilidade de interação entre os leitores deste blog, que já recebem considerável atenção deste blogueiro. Digo considerável pois, embora ela seja muito grande, sempre há o que melhorar.

Abro espaço nesta postagem para um artigo do leitor Carlos Robson, que, nele, trata sobre a questão das críticas ao Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e ao fato dele ter sido recebido com pompa e circunstância em nosso País. No artigo, Robson questiona a validade deste posicionamento crítico que, para ele, pode ser um tanto hipócrita.

É um prisma a ser observado.

Dito isso, confiram o texto de nosso leitor que, como todos os outros, pode agora, além de comentar sem moderação e ter a certeza de ter seu comentário respondido, submeter artigos ao blog.

Outra visão sobre Ahmadinejad

Carlos Robson*

Com a controvertida visita de Armadinejad ao Brasil foram gerados muitos protestos e críticas, porém, as motivações em jogo na verdade não se enquadram na política nacional.

Para os israelitas, tudo é claramente motivado por sua política, e não pela nossa. No que tange os homossexuais, a crítica é puramente religiosa. E, para os que foram no vácuo, a reclamação é preconceituosa mesmo.

Aos que criticam, não importam os acordos comerciais e nem tecnológicos, aliás, para os EUA e Israel isso tudo é muito incômodo, pois um inimigo que estava quase isolado agora encontra “um palanque no Brasil”.

O professor Peter Demant, holandês, doutor em seu país sobre a colonização israelense, morou e pesquisou em Jerusalém, chegando ao Brasil em 1999, e desde então, leciona Relações Internacionais e História da Ásia na USP. Ele defende que o mundo muçulmano historicamente apresentou um comportamento muito mais tolerante para com suas minorias do que o mundo cristão com as minorias na cristandade.

Podemos lembrar que ambas as religiões são monopolistas da verdade, expansionistas que, em princípio, querem converter todo o resto do mundo. Contudo, o Islã aceita o Judaísmo e o Cristianismo como antecedentes legítimos de sua própria religião, como formas um tanto modificadas da mesma mensagem de Deus. Assim, essas religiões têm um papel reconhecido e protegido dentro de uma sociedade religiosa, resultando em uma tolerância – mediante certas desqualificações sociais, econômicas e outras.

É claro que sempre temos a tendência de desqualificar a política, a cultura e a religião alheias e esquecemos que a verdadeira democracia, baseada na res publica (coisa pública), com certeza é o sistema político mais seguro contra ditadores e injustiças sociais. Pelo menos, era assim que deveria ser.

Porém, na nossa atual política ainda é muito comum o abuso do poder econômico para comprar cargos públicos e é praxe nas campanhas se falar em quanto  custa se eleger para um determinado cargo político. Digo isso para que possamos aperfeiçoar nosso sistema antes de criticar o sistema dos outros.

Mas, voltando a Ahmadinejad, aposto que se fosse o Rei Abdullah bin Abdelaziz, da Arábia Saudita, a vir aqui, ninguém faria esse absurdo que alguns fizeram com o  iraniano. E Abdullah sim é um ditador monárquico (mas como ele é aliado dos EUA não passa nada).

Será que ninguém nesse mundo vê as injustiças que acontecem com o povo árabe? Os EUA invadem os países deles, saqueiam e querem controlar a política e, daí, quando algum país sai de seu controle, eles usam toda a mídia mundial para encapetar uma nação (por que essa é a realidade – criaram uma imagem super negativa dos árabes).

Há maior terrorista no mundo do que George Bush filho? Eu não duvido nada que ele possa ter manipulado facções extremistas e fomentado aquele ataque de 11 de setembro para se reeleger e, depois, de quebra, ter apoio do povo americano para sua guerra pessoal e corporativa, já que as empresas de sua família são concorrentes dos xeques do petróleo.

Depois disso, fica a maioria dos ocidentais de cultura de  “robôs papagaios” só repetindo o que a mídia norte-americana diz.

Daí, no subconsciente das nações ocidentais fica o arquétipo de Rambo, ou de Schwarzenegger e de outros patetas fuzilando os demônios árabes, enquanto o mundo ocidental, embriagado pela fascinação cinematográfica norte-americana, aplaude e aplaude, até hoje, embevecido.

Os retratam como a polícia do mundo, mas, na verdade, os EUA não são a polícia do mundo, senão os sabotadores. A Africa está lascada muito por culpa do governo americano que apoiou ditadores nesses países (tal como fez na America Latina no passado).

Duvidas? Assista ao controvertido e premiado documentário, ao estilo de Michael Moore, que fala sobre a influência americana na Líbia e resto da Africa. Verás de maneira clara quem são os “policiais do mundo”…

Não morra sem ver isto!

*Carlos Robson é leitor do Perspectiva e submeteu artigo ao blog